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=== A Enéade de Heliópolis ===
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Segundo o mito da criação de [[Heliópolis]], no princípio existiam as águas do caos, Nun. Um dia uma colina de lodo chamada Ben-Ben levantou-se dessas águas, tendo no seu cimo Atum, o primeiro deus. Atum tossiu e expeliu S
 
'''Enéade''' é o nome do conjunto de nove deuses que formaram a cosmogonia de [[Heliópolis]] criada pelos sacerdotes desta cidade. Formam parte dela as seguintes divindades: [[Atum]], [[Shu]], [[Tefnut]], [[Nut]], [[Geb]], [[Isis]], [[Osiris]], [[Neftis]] e [[Seth]].
[[Categoria:Mitologia egípcia]]
 
==A Enéade==
 
[[Image:Milkau Der heilige Baum von Heliopolis mit Thot und Seschet 15-2.jpg|left|thumb|200px|Tríada de Heliópolis. [[Ramesseum]]]]
 
Os egípcios tiveram uma grande tendência às agrupações familiares de seus deuses, primero por pares, representando a força criadora mediante um princípio feminino e outro masculino. Depois da reunificação, cada cidade lutou para a preeminência de seu deus, tentando fixar seu mito da criação, a partir de agrupamentos familiares: os pares passaram a tríades ou grupos maiores, até acabar formando Enéadas, quase sempre formados por nove divindades relacionadas. A mais importante de todas estas cosmogonias era a mais antiga: a versão criada pelos sacerdotes de [[Ra]] da cidade de Heliópolis. Todas as cosmogonias locais eram aceitas, e todas tinham uma base em comum:
 
* '''O Oceano Primordial''', de onde se encontra o potencial de vida e de onde nasceram os deuses em uma clara analogia com o Nilo como o doador de vida.
* '''A Colina Primogenal''', de onde se originou a vida, representada pelas terras que buscavam descobrir, lugares fertilizados de onde a vida ressurgia ciclicamente.
* '''O Sol''', deus criador, causador do nascimento e evolução dos seres vivos,
* Os fenômenos naturais, personificados em diversos deuses.
 
== Cosmogonia Heliopolitana ==
[[Image:Edfu Horus.jpg|right|thumb|200px|Estátua de Hórus em seu templo de Edfu]]
Na Enéade podemos distinguir três princípios que formam a criação em si mesma:
 
* '''Princípio criador''': Vida Cósmica: [[Atum]]-[[Ra]], [[Shu]], [[Tefnut]].
* '''Cosmos ordenado''': Vida da Natureza: [[Geb]], [[Nut]].
* '''Ordem política''': Vida do Homem: [[Osíris]], [[Ísis]], [[Seth]], [[Neftis]] (e [[Hórus]]).
 
Quando o mundo ainda não existia, tudo estava fundido em um oceano caótico, [[Nun]], onde se encontrava [[Atum]] (o Sol) diluído, até que tomou consciência de si mesmo e gritou, surgindo [[Ra]], cujos títulos falam falam o suficiente: "Ele que criou a si mesmo", "O grande Ele e Ela", e faz emergir uma colina (A Colina Primordial), a primeira matéria sólida de onde cria e coloca toda a sua obra: cria o princípio masculino e feminino que para os egípcios são o símbolo da criação e da geração, formada pelo ar, [[Shu]], e pela umidade, [[Tefnut]], antepassados do resto dos deuses. Deste primeiro par, nascem [[Nut]] (a abóbada celeste) e [[Geb]] (a terra).
 
[[Ra]] havia proibido a união de [[Nut]] e [[Geb]], pelo qual lhes castigou por sua desobediência mandando a [[Shu]] que os separara. Deste modo, [[Geb]] tombado, [[Nut]] arqueada sobre ele e [[Shu]] entre ambos permite a aparição do espaço necessário para o mundo que conhecemos com todos os sers vivos, incluindo a humanidade que nasce das lágrimas de [[Atum]]. Também os amaldiçoou ordenando que as crianças não nascecem nenhum mês, para que [[Osíris]], [[Ísis]], [[Seth]] e [[Neftis]] crescessem dentro dela, inclusive [[Ísis]] dando à luz [[Hórus]] em seu ventre. O deus [[Thot]] intercedeu por eles e roubou a lua pelos cinco dias [[epagômenos]] para que os cinco nascessem. [[Seth]] e [[Neftis]] não tiveram filhos, mas ela concebeu com [[Osíris]] a [[Anúbis]], encarregado de acompanhar os mortos.
 
Nesta teoria não aparecem deuses locais até o nascimento de seus filhos [[Nut]] e [[Geb]]. Os deuses cósmicos, [[Atum]], [[Shu]], [[Tefnut]], [[Nut]] e [[Geb]] não têm templos, nem festas, ainda que [[Nut]] e [[Geb]] são representados em tumbas e templos de outros deuses, enquanto que [[Osíris]], [[Ísis]], [[Seth]] e [[Neftis]] tinham numerosos templo e se celebravam festas durante os dias [[epagômenos]], ao finalizar o ano.
 
==Referências==
 
*[http://es.wikipedia.org/wiki/En%C3%A9ada Wikipedia] - 16/10/2007 e.v.
 
[[Categoria:Mitologia egípcia]]

Edição atual tal como às 23h11min de 21 de janeiro de 2024


Enéade é o nome do conjunto de nove deuses que formaram a cosmogonia de Heliópolis criada pelos sacerdotes desta cidade. Formam parte dela as seguintes divindades: Atum, Shu, Tefnut, Nut, Geb, Isis, Osiris, Neftis e Seth.

A Enéade

Tríada de Heliópolis. Ramesseum

Os egípcios tiveram uma grande tendência às agrupações familiares de seus deuses, primero por pares, representando a força criadora mediante um princípio feminino e outro masculino. Depois da reunificação, cada cidade lutou para a preeminência de seu deus, tentando fixar seu mito da criação, a partir de agrupamentos familiares: os pares passaram a tríades ou grupos maiores, até acabar formando Enéadas, quase sempre formados por nove divindades relacionadas. A mais importante de todas estas cosmogonias era a mais antiga: a versão criada pelos sacerdotes de Ra da cidade de Heliópolis. Todas as cosmogonias locais eram aceitas, e todas tinham uma base em comum:

  • O Oceano Primordial, de onde se encontra o potencial de vida e de onde nasceram os deuses em uma clara analogia com o Nilo como o doador de vida.
  • A Colina Primogenal, de onde se originou a vida, representada pelas terras que buscavam descobrir, lugares fertilizados de onde a vida ressurgia ciclicamente.
  • O Sol, deus criador, causador do nascimento e evolução dos seres vivos,
  • Os fenômenos naturais, personificados em diversos deuses.

Cosmogonia Heliopolitana

Estátua de Hórus em seu templo de Edfu

Na Enéade podemos distinguir três princípios que formam a criação em si mesma:

Quando o mundo ainda não existia, tudo estava fundido em um oceano caótico, Nun, onde se encontrava Atum (o Sol) diluído, até que tomou consciência de si mesmo e gritou, surgindo Ra, cujos títulos falam falam o suficiente: "Ele que criou a si mesmo", "O grande Ele e Ela", e faz emergir uma colina (A Colina Primordial), a primeira matéria sólida de onde cria e coloca toda a sua obra: cria o princípio masculino e feminino que para os egípcios são o símbolo da criação e da geração, formada pelo ar, Shu, e pela umidade, Tefnut, antepassados do resto dos deuses. Deste primeiro par, nascem Nut (a abóbada celeste) e Geb (a terra).

Ra havia proibido a união de Nut e Geb, pelo qual lhes castigou por sua desobediência mandando a Shu que os separara. Deste modo, Geb tombado, Nut arqueada sobre ele e Shu entre ambos permite a aparição do espaço necessário para o mundo que conhecemos com todos os sers vivos, incluindo a humanidade que nasce das lágrimas de Atum. Também os amaldiçoou ordenando que as crianças não nascecem nenhum mês, para que Osíris, Ísis, Seth e Neftis crescessem dentro dela, inclusive Ísis dando à luz Hórus em seu ventre. O deus Thot intercedeu por eles e roubou a lua pelos cinco dias epagômenos para que os cinco nascessem. Seth e Neftis não tiveram filhos, mas ela concebeu com Osíris a Anúbis, encarregado de acompanhar os mortos.

Nesta teoria não aparecem deuses locais até o nascimento de seus filhos Nut e Geb. Os deuses cósmicos, Atum, Shu, Tefnut, Nut e Geb não têm templos, nem festas, ainda que Nut e Geb são representados em tumbas e templos de outros deuses, enquanto que Osíris, Ísis, Seth e Neftis tinham numerosos templo e se celebravam festas durante os dias epagômenos, ao finalizar o ano.

Referências