Aethyr 15

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Este artigo é parte integrante da série A Visão e a Voz - Liber 418

Liber 418: A Visão e a Voz, é considerado por Aleister Crowley como o segundo livro em importância, perdendo apenas para Liber AL vel Legis Para obtê-lo, Aleister Crowley e seu discípulo, o poeta inglês Victor Benjamin Neuburg, viajaram as terras áridas da Argélia e ali realizaram invocações específicas valendo-se do sistema enoquiano de John Dee e Edward Kelley.


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Definição - Æthyr
A Visão e a Voz - Liber 418
TEX - 30º Æthyr
RII - 29º Æthyr
BAG - 28º Æthyr
ZAA - 27º Æthyr
DES - 26º Æthyr
VTI - 25º Æthyr
NIA - 24º Æthyr
TOR - 23º Æthyr
LIN - 22º Æthyr
ASP - 21º Æthyr
KHR - 20º Æthyr
POP - 19º Æthyr
ZEN - 18º Æthyr
TAN - 17º Æthyr
LEA - 16º Æthyr
OXO - 15º Æthyr
UTA - 14º Æthyr
ZIM - 13º Æthyr
LOE - 12º Æthyr
IKH - 11º Æthyr
ZAX - 10º Æthyr
ZIP - 9º Æthyr
ZID - 8º Æthyr
DEO - 7º Æthyr
MAZ - 6º Æthyr
LIT - 5º Æthyr
PAZ - 4º Æthyr
ZOM - 3º Æthyr
ARN - 2º Æthyr
LIL - 1º Æthyr

A INVOCAÇÃO DO 15º ÆTHYR CHAMADO OXO


Surge rapidamente no æthyr uma enorme coluna de fogo escarlate, rodopiante, bravejante. Está cercada por outras quatro das cores verde e azul e dourada e prateada cada qual tendo inscrições no alfabeto da adaga. A coluna de fogo baila entre os pilares. O fogo agora parece que está se afastando do dançarino que por sua vez é um poderoso deus. A visão é muito poderosa.


À medida que dança, ela canta numa voz estranha, lenta, acompanhando seu rítimo e fala: Olhai! Eu reúno espíritos puros e os tranço em minha veste flamejante. Eu sugo a vida dos homens e suas almas reluzem no meu olhar. Eu sou a poderosa feiticeira, a voluptuosidade do espírito. Pelo meu bailar eu reúno, em nome da minha mãe Nuit, as cabeças de todos batizados nas águas da vida. Eu sou a voluptuosidade do espírito devoradora da alma do homem. Eu apresto a festa para os adeptos e aqueles que dela participam verão Deus.


Fica claro então que ela trança com seus passos a Rosa Carmesim de 49 Pétalas sendo os Pilares a Cruz na qual elas se unem. Dentre os pilares, que agora são dourados, emanam raios de fogo verdejantes. Ela então cessa o bailado e encolhe colocando-se no centro da Rosa.


Em seguida a Rosa se transforma num vasto anfiteatro com sete fileiras e cada uma dividida em mais sete partições. Aqueles que sentam no Anfiteatro são os sete graus da Ordem da Rosa Cruz. Ele é feito de mármore róseo e dele posso dizer que o sol seria usado como uma bola a ser arremessada pelos jogadores nesta arena. No entanto nela está um pequeno altar esmeralda tendo no seu topo as cabeças das Quatro Bestas em turquesa e cristal. O piso da arena é quadriculado feito de lápis lazuli. Toda ela é de puro mercúrio.


No altar surge uma Figura velada cujo nome é Pan. Aqueles na fileira externa adoram-no como um Homem e os da seguinte como um Bode e os da próxima adoram-no como um Carneiro os da outra fileira como um Caranguejo os da seguinte como uma Íbis e os da outra como um Falcão Dourado e da última eles o adoram não.


Uma luz emanada do altar brilhando intensamente, um tanto turva por causa dos pés da figura. Dela sai a Sagrada Tábua de Doze Partes de OIT.


A voz vinda do altar silencia, porém, o eco retorna das paredes do circo como as seguintes palavras: Três e quatro são os dias de um quarto da lua e no sétimo ocorre o sabá, porém o triplo quatro é o Sabá dos Adeptos onde a forma é revelada no Æthyr ZID, o oitavo dos Ares. E os mistérios da Tábua não serão revelados por completo, nem ali o serão. Porém tu farás do suor em tua sobrancelha uma poça d’água límpida e ali sim será revelado. E do óleo que tu queimas-te, a meia-noite, serão colhidos treze rios de benzedura e do óleo e da água eu farei vinho que intoxicará os púberes e as donzelas.


Então a Tábua transforma-se no universo; cada estrela é uma letra do Livro de Enoch. E o Livro de Enoch contém um Mistério inescrutável conhecido apenas pelos Anjos e da Sagrada Sétima Tábua. Enquanto contemplo esta tábua um Adepto aproxima-se para então um de cada fileira fazer o mesmo, exceto o da Fileira mais afastada.


O primeiro Adepto enfia uma adaga em meu coração, prova o sangue e diz: kataros, kataros, kataros, kataros, kataros, kataros.


O segundo Adepto testa os músculos do meu braço direito e diz: fortis, fortis, fortis, fortis, fortis.


O terceiro Adepto examina a pele e prova o suor do meu braço esquerdo e diz: TAN, TAN, TAN, TAN.


O quarto Adepto examina o pescoço e parece aprovar mas nada diz; abre então o lado direito do meu crânio, examina-o e diz: “Samajh, samajh, samajh”.


O quinto Adepto examina o lado esquerdo do meu crânio e ergue sua mão em protesto dizendo”PLA..” (não consigo ouvir toda a frase mas o significado é: nas trevas espessas a semente aguarda germinar).


Eu fico extasiado na contemplação desse universo cujas estrelas são letras.


As palavras ORLO, ILRO, TULE são os três mais secretos nomes de Deus. São nomes Mágicos, cada um tendo a mesma interpretação de I.N.R.I. e os nomes OIT, RLU, LRL, OOE são os outros nomes de Deus, contendo a seguinte fórmula mágica: o primeiro invoca o fogo, o segundo a água o terceiro ar e o quarto terra.


E se a Tábua for lida na diagonal, cada letra e cada combinação delas formam o nome de um demônio. E delas são feitas a fórmula da magia negra. Porém a letra I acima da tríade L L L domina a Tábua e mantém a paz do universo.


E nos sete talismãs no centro da Tábua estão contidos os Mistérios da retirada das letras. E aquelas da circunferência declaram a glória de Nuit que começa em Áries.


Tudo isso acontece enquanto os Adeptos cantam como se estivessem num oratório para sete instrumentos. Ele possui um tema dominante da raptura que é aplicado a cada detalhe do universo bem como ao todo. Ali está Choronzon levado completamente a ruína, que toda sua obra vai contra sua vontade, não apenas no todo, mas em cada parte em si tal qual uma mosca caminhando sobre uma pedra de berílio.


A tábua brilha intensamente iluminando todo o Ar. Atenção! Existe um Deus lá e as letras das estrelas em sua coroa: Órion, e as Plêiades e Aldebarã e Alfa Centauro e Cor Leonis e Cor Escorpionis e Spica e a estrela polar e Hércules e Regulus e Áquila e o Olho do Carneiro.


Sobre um mapa de estrelas tu desenharás o sigilo daquele nome e pelas letras serem semelhantes tu saberás quais delas possuem tribos e nações. A letra de uma estrela transcende o totem. Ela não representa toda a natureza da estrela mas cada uma deve conhecer por si só, na sabedoria daquele que traz preso o Cynocephalus.


Isso pertence ao grau de Magus - que está além do teu (tudo me foi comunicado sem voz ou escrita; não há formas na pedra apenas o brilho da Tábua. Sou retirado e a Rosa de 49 pétalas ergue-se em direção ao cume da pirâmide e tudo vai ficando escuro por causa da luz que vai se escondendo por trás).


Ouvi então uma voz: A mosca disse ao boi, “Cuidado! Fortalecei-vos. Calçai bem teus pés a terra pois pretendo pousar entre teus ombros e não anseio machuca-lo”. Assim são aqueles que desejam o bem aos Mestres da Pirâmide.


E a abelha disse a flor: “Dá-me teu mel” e a flor cedeu descomedida, contudo a abelha ainda assim não entendeu e levou a semente da flor para muitos campos de sol. Assim são aqueles que se dirigem aos Mestres da Pirâmide para servir.


Agora a luz excedente atrás da Pirâmide e a Rosa Cruz ocupa todo o Ar. A Pirâmide negra é da mesma cor de um diamante negro. A Rosa Cruz murcha e suas pétalas têm uma coloração igual às do nascente e do poente, só que pálida; e a Cruz é de um Dourado vespertino e no coração da Rosa está a secreta luz que os homens chamam de meia-noite.


Uma voz disse: “Glória a Deus e graças a Deus e não há Deus além de Deus. E Ele é glorificado; Ele é grande; e na Sétima Tábua está escrito claramente o Nome Dele e na Tábua de Doze Partes o Nome Dele está oculto.”.


E a Pirâmide lança a sua sombra aos céus cobrindo toda a pedra. E um anjo trajado em azul e escarlata de asas douradas e plumas de fogo púrpura vem e espalha discos verdes e dourados tomando todo o Ar. Eles então rodopiam cantando em uníssono.


Ouço o anjo dizer: Reúna tuas vestiduras, Ó tu que adentras o círculo do Sabá; pois em tuas mortalhas deverias contemplar a ressurreição.


A carne pende sobre ti como teus farrapos sobre um mendigo que por sua vez é um peregrino no santuário do Glorificado. Todavia mantenha os bravamente e regozija-te em suas belezas, pois a companhia dos mendigos é uma companhia alegre, não se preocupando com nada festejando com música e dança e vinho e belas mulheres. E cada albergue em seu lugar e cada donzela sua rainha.


Reúna tuas vestiduras, pois a voz do Æthyr, que é a voz do Æon, finda e absorvido estás pela noite menor e preso na teia da luz de tua mãe na palavra ARBADAHARBA.


Então o cinco e o seis separam-se e retorno ao meu corpo.



Bou-saada
3 de Dezembro de 1909, 9:15 as 11:10.

Referências