IAO

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I.A.O. - o grande deus dos gnósticos, representa o ciclo de vida, morte e ressurreição (Ísis, Apófis, Osíris).

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A Fórmula de IAO

Esta é a principal e mais característica formula de Osíris, da Redenção da Humanidade. “I” é Ísis, a Natureza, arruinada por “A”, Apofis, o Destruidor, e restaurada à vida por Osíris, o Redentor!. A mesma idéia está expressa na formula Rosacruz da Trindade:

Ex Deo nascimur.
In Jesu morimur.
Per Spiritum Sanctum reviviscimus.

Isto é idêntico à Palvra Lux, L.V.X., que é formada pelos braços da cruz. É esta fórmula que está implícita nos antigos e modernos monumentos em que o falo é adorado como sendo o Salvador do Mundo.

A doutrina da ressurreição, em seu sentido comum, é falsa e absurda. Não é nem mesmo “Escritural”. São Paulo não identifica o corpo glorificado que se levanta com o corpo mortal que perece. Ao contrário, ele repetidamente insiste em fazer uma diferença entre os dois. O mesmo ocorre com a cerimônia mágica. O Magista que foi destruído pela absorção na Divindade não foi realmente destruído. O miserável autômato mortal permanece no Círculo. É tão indiferente ao Deus quanto o pó da terra.

Mas antes de entrar nos detalhes de “I.A.O.” como formula mágica, é preciso salientar que ela é, essencialmente, a formula da Yôga, ou da meditação; na verdade, de todo o misticismo elementar, em todos os seus ramos. Ao começar uma prática de meditação, sempre ocorre um calmo prazer, um suave crescimento natural; tem-se um interesse vívido no trabalho. Os mais simples e fáceis atos se tornam quase impossíveis de serem feitos. Tal impotência enche a mente de apreensão e desespero. A pessoa que nunca experimentou isto nem pode entender a intensidade deste desgosto. Este é o período de Apophis.

A ele segue-se o levante não de Ísis, mas de Osíris. A antiga condição não se restaura, mas cria-se uma nova condição superior, possível apenas através do processo da morte. Os próprios alquimistas ensinaram esta verdade. A primeira matéria da obra era rude e primitiva, ainda que “natural”. Depois de passar por diversos estágios, o “dragão negro” surgia; mas de tudo isto saía o perfeito e puro ouro.

Até mesmo na lenda de Prometeu nós encontramos, oculta, esta mesma formula; e o mesmo se aplica às de Jesus Cristo, e de muitos outros homens-deuses míticos, adorados em diversos países.

Uma cerimônia mágica, construída segundo esta formula, está, assim, numa harmonia essencial bem próxima ao processo místico natural. Podemos vê-la na base de muitas importantes iniciações, notadamente no Terceiro Grau da Maçonaria, e na cerimônia do 5º=6º da G.’.D.’., descrita no Equinox I,III. Com esta formula, pode-se montar muito bem uma auto-iniciação cerimonial. A sua essência consiste em roubar-se a si mesmo como rei, e daí despir-se e matar-se, e levantar desta morte para o Conhecimento e a Conversação com o Santo Anjo Guardião%. Existe uma identidade etimológica entre o Tetragramaton e o “I.A.O.”, mas as formulas mágicas são inteiramente diferentes, como mostraram as descrições aqui apresentadas.

O Professor William James, em "Variedades de Experiência Religiosa", classificou muito bem as religiões como as de “nascidos-uma-vez” e as de “nascidos-duas-vezes”; mas a religião proclamada agora no Liber Legis harmoniza ambas, transcendendo-as. Não há tentativa de livrar-se da morte negando-a, como o fazem os nascidos-uma-vez; nem de aceitação da morte como portal para uma nova vida, como entre os nascidos-duas-vezes. Com a A.’.A.’., vida e morte são igualmente incidentes no curso, assim como o dia e a noite na história do planeta. Mas, prosseguindo com a comparação, observamos nosso planeta de longe. Um Irmão da A.’.A.’. vê “a si mesmo” (como diria outra pessoa), como um – ou, melhor dizendo, alguns – fenômeno entre um grupo de fenômenos. Ele é aquele “nada” cuja consciência é, de certo modo, o universo considerado como um único fenômeno no tempo e no espaço, e, de outro modo, é a negação de tal consciência. O corpo e a mente do homem são tão importantes para ele (se é que são), quanto o telescópio o é para o astrônomo. Se o telescópio fosse destruído, isto não faria diferença alguma no Universo que ele revelara.

Agora entende-se que esta formula do I.A.O. é a formula de Tifereth. O Magista que a emprega está consciente de si mesmo como um homem capaz de sofrer, e ansioso para transcender tal estado tornando-se um com o deus. Isto lhe parece como sendo o Supremo Ritual, o último passo; mas, como já vimos, é apenas as preliminares. Para o homem comum hoje em dia, entretanto, isto representa uma realização considerável; e há uma formula anterior,cuja investigação está no Capítulo VI.

O MESTRE THERION, no ano Dezessete do Eon, reconstruiu a Palavra I.A.O. a fim de satisfazer as novas condições da Mágicas impostas pelo progresso. Sendo Thelema a Palavra da Lei, cujo número é 93, este número deveria tornar-se o cânon de uma Missa equivalente. De acordo com isto, ele expandiu o I.A.O. tratando o O como um Ayin, e daí adicionando Vav como prefixo e sufixo. A palavra completa é, então,

Vav Yod Aleph Ayin Vav

cujo número é 93. Podemos analisar esta nova Palavra em detalhe, e demonstrar que é um hieróglifo apropriado para o Ritual de Auto-Iniciação neste Eon de Horus. Para ver a correspondência na nota que se segue, veja Liber 777. Os pontos principais são os seguintes: Iota-Alpha-Digama varia em significado com os Éons sucessivos.

“Aeón de Isis”. Era Matriarcal. A Grande Obra vista como algo simples e direto. Vemos esta teoria se refletir nos costumes do Matriarcado. Presume-se que a Parte no gêneses seja verdadeira. A Virgem (Yod-Virgo) contém, em si mesma, o Princípio do crescimento – a semente Hermética do epiceno. Esta se transforma no Bebê no Ovo (A – Harpócrates) pelo poder do Espírito (A=Ar, engravidando a Mãe – Abutre), e se transforma no Sol, ou no Filho (Digamma=a letra de Tiphareth, 6, ainda se soletrada como Omega, em cóptico. Veja 777)

“Aeón de Osíris”. Era Patriarcal. Dois sexos. Vê-se o I como a Vara-Pai (Yod no Tetragramaton). A, o Bebê, é perseguido pelo Dragão, que lança uma enchente pela boca, para engolfa-lo. Veja “Apocalipse” VII. O Dragão é também a Mãe – a “Mãe Cruel” de Freud. É Harpócrates, ameaçado pelo crocodilo do Nilo. Vemos o simbolismo da Arca, do Ataúde de Osíris, etc. O Lótus é o Yoni; a Água é o Líquido Amniótico. Para viver sua própria vida, a criança deve deixar a Mãe, e vencer a tentação de se refugiar nela. Kundry, Armida, Jocasta, Circe, etc, são símbolos desta força que tenta seduzir o Herói. Ele pode toma-la como serva&, depois de a ter dominado, de modo a poder curar seu pai (Amfortas), vinga-lo (Osíris), ou pacificá-lo (Yahwah). Mas para se tornar adulto, ele deve deixar de depender dela, desejando a Lança (Parzival), reivindicando suas Armas (Aquiles), ou fazendo seu bastão (Hércules)7, e vagando nos ermos sem água como Krishna, Jesus, Oedipus, chi, tau, lambda – até a hora em que, como o “Filho do Rei”, ou o cavaleiro errante, ele deve lutar pela Princesa, e colocar-se em um trono estrangeiro. Quase todas as lendas sobre heróis possuem esta formula em símbolos incrivelmente semelhantes. Digamma. Vau, o Sol – o Filho. Ele deveria ser mortal; mas como isto se apresenta? Parece uma perversão absoluta da verdade: os símbolos sagrados não possuem indício algum disto. Esta mentira é a essência da Grandiosa Feitiçaria. A religião osiriana é uma fantasia freudiana saída do medo humano da morte, e da ignorância quanto à natureza da mesma. A idéia de partenogêneses continua, mas agora é a formula da encarnação de semi-deuses, ou reis divinos; eles devem ser assassinados e levantarem-se dos mortos de alguma forma).

“Eon de Horus”. Dois sexos em uma pessoa. Digamma Iota Alpha Omicron Digamma (: 93, a formula completa, reconhecendo o Sol como Filho (Estrela), e a Unidade manifesta pré-existente da qual todas as coisas brotaram, e para a qual todas retornarão. A Grande Obra é transformar o Digamma Digamma de Assiah (o mundo de ilusão material) no final Digamma Iota Digamma de Atziluth), o mundo da pura realidade. Soletrando o nome todo, Digamma Digamma + Iota Digamma Delta = Alpha Lambda Pi + Omicron Iota Nu + Digamma Iota = 309 = Sh T = XX + XI = 31, a secreta Chave da Lei. Digamma é a Estrela manifesta.

Iota é a secreta Vida - Serpente Amor - Lâmpada Liberdade - Vara Silêncio - Manto

Estes símbolos estão no Atu “O Eremita”. Eles são os poderes de Yod, cuja extensão é o Vav. Yod é a Mão com a qual o homem faz sua Vontade. É também A Virgem; sua essência é inviolar. Alpha é o Bebê “que formulou seu Pai, e fertilizou sua mãe” – Harpócrates, etc., como antes; mas ele se desenvolve para ser Omicron, o “Diabo” exaltado (também o “outro” Olho secreto), através da formulada Iniciação de Horus, descrita algures em detalhe. Este “Diabo” se chama Satanás, ou Shaitan, e é visto com horror por aqueles que são ignorantes de sua formula, e, imaginando-se como maus, acusam a Natureza de seu próprio crime fantasmagórico. Satanás é Saturno, Set, Abrasax, Adad, Adonis, Attis, Adam, Adonai, etc. A acusação mais séria contra ele é a de que ele é o Sol do Sul. Os Iniciados Antigos, morando em locais cujo sangue era as águas do Nilo ou do Eufrates, conectavam o Sul com seu calor que tira o viço da vida, e amaldiçoavam aquele quadrante no qual os dardos solares eram os mais mortíferos de todos. Até mesmo na lenda de Hiram: ele foi atacado e morto ao meio-dia. Capricórnio, portanto, é o signo no qual entra o Sol, ao atingir sua extrema declinação no sul, no Solstício do Inverno, a estação da morte da vegetação para o pessoal do hemisfério Norte. Isto lhes dava uma segunda razão para amaldiçoar o sul. Uma terceira: a tirania dos ventos quentes, secos e venenosos; a ameaça dos aterrorizantes desertos ou oceanos, porque misteriosos e intransponíveis; estes também estavam concatenados, na mente deles, com o Sul. Mas para nós, que estamos conscientes dos fatos astronômicos, este antagonismo contra o Sul é uma superstição tola, sugeridas aos nossos ancestrais animísticos pelos acidentes das condições locais. Não vemos inimizade alguma entre a Direta e a Esquerda, Acima e Abaixo, e outros pares opostos semelhantes.

Estas antíteses são reais apenas como afirmações de relação; são convenções de um artifício arbitrário que representa nossas idéias em um simbolismo pluralístico baseado na dualidade. “Bom” deve ser definido em termos de ideais e instintos humanos. “Leste” não tem significado algum exceto com referência aos negócios internos da terra; como uma direção absoluta no espaço, ele muda um grau a cada quatro minutos. “Acima” não quer dizer o mesmo para duas pessoas ao mesmo tempo, a menos que aconteça que um esteja na linha que une o outro ao centro da terra. “Duro” é a opinião pessoal de nossos músculos. “Verdadeiro” é um epíteto absolutamente ininteligível que já provou ser refratário à análise dos filósofos mais hábeis. Não temos, portanto, nenhum escrúpulo em restaurar a “adoração ao diabo” de idéias que as leis do som, e o fenômeno da fala e da audição, nos compelem a nos concatenar com o grupo de “Deuses” cujos nomes se baseiam em Sht, ou D, vocalizados pelo A de sopro livre. Pois tais Nomes significam qualidades de coragem, franqueza, energia, orgulho, poder e triunfo; são as palavras que expressam a vontade criativa e paternal.

Assim, o “Diabo” é Capricornus, o Bode que salta sobre as montanhas mais altas, a Divindade que, caso manifestada no homem, torna-o Aegipiano, o Tudo. O Sol entra neste signo quando retorna, para renovar o ano no Norte. Ele é também a vogal O, própria para rugir, para gritar e para comandar, sendo um sopro forçoso controlado pelo círculo firme da boca.

Ele é o Olho Aberto do exaltado Sol, perante o qual todas as sombras fogem; é também aquele Olho Secreto que faz uma imagem de seu Deus, a Luz, e dá-lhe poder de pronunciar oráculos, iluminando a mente.

Assim, ele é o Homem que se torna Deus, exaltado, ansioso; ele chegou deliberadamente ao seu total, e está, portanto, pronto para começar sua jornada de redimir o mundo. Mas ele talvez não apareça em sua forma real; a Visão de Pã faria os homens loucos. Ele deve se disfarçar com seu traje original.

Ele, assim, se torna em aparência o homem que foi no início; ele vive a vida de um homem; ele é, na verdade, inteiramente homem. Mas sua iniciação tornou-o mestre dos Acontecimentos, dando-lhe o entendimento de que tudo o que lhe acontecer é a execução de sua verdadeira vontade. Assim, o último estágio de sua iniciação está expressa em nossa formula como o final:

Digamma – A série de transformações não afetou sua identidade, mas explicou-o a si mesmo. Da mesma forma, o cobre ainda é cobre depois de:

Cu+O = CuO:+H SO = CuS O(H O):+K S = CuS (K SO) 2 4 4 2 2 2 4 + zarabatana e agente redutor = Cu(S)

É o mesmo cobre, mas aprendemos algo a respeito de suas propriedades. Observamos especialmente que ele é indestrutível, ele mesmo inviolável através de todas suas aventuras e todos seus disfarces. Vemos também que ele só pode fazer uso de seus poderes, realizar as possibilidades de sua natureza, e satisfazer suas equações, combinando assim com suas contrapartidas. Sua existência como substância separada é evidência de sua sujeição à pressão; e isto se sente como a dor de um desejo incompreensível, até dar-se conta de que cada experiência é um alívio, uma expressão de si mesmo; e que não pode ser ferido por nada que possa lhe acontecer. Foi no Eon de Osíris que descobriu-se que o Homem deve morrer para que possa viver. Mas agora, no Eon de Horus, sabemos que cada acontecimento é uma morte; sujeito e objeto matam-se um ao outro em “amor sob vontade”; cada uma dessas mortes é, ela mesmo, vida, a maneira pela qual nos realizamos a nós mesmos, em uma série de episódios.

O segundo ponto principal é a compleição do A, o bebê Bacchus, por O Pan (Parzival ganha a Lança, etc.). O primeiro processo é encontrar o I no V – iniciação, purificação, encontrar a Raiz Secreta de si mesmo, a Virgem epicena que é 10 (Malchut), mas, soletra 20 por completo (Júpiter). Este Yod na “Virgem” se expande, tornando-se o Bebê ao formular a Secreta Sabedoria da Verdade de Hermes no Silêncio do Louco. Ele adquire a Vara-Olho, observando a ação e sendo adorado. O Pentagrama Invertido – Baphomet – o Hermafrodita completamente crescido – cria a si mesmo em si mesmo, outra vez como V. Note-se que há agora dois sexos completamente em uma só pessoa, de modo que cada pessoa é sexualmente auto-procriativa, enquanto que Isis conhecia apenas um sexo, e Osíris pensou que os dois sexos eram opostos. Inclusive a formula agora é Amor em todos os casos; e o fim é o começo, em um plano mais elevado.

Forma-se o I do V, removendo-se sua cauda, o A equilibrando 4 Yods, o O fazendo um triângulo invertido de Yods, que sugere a formula de Nuit – Hadit – Ra-Hoor-Khuit. A vem a ser os elementos espirais como suástica – a Energia criadora em ação equilibrada!*.

Liber IAO

(sub figurâ XVII)

Trata-se do nome dado a um livro da A.·. A.·., sendo uma publicação de Classe D.