Baqueta

De Ocultura
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A Vontade Mágica é em sua essência dupla, pois pressupõe um começo e um fim; querer ser uma coisa é admitir que você não é a coisa que você quer ser.

Dai, portanto, querer qualquer coisa menos a coisa suprema é desviar - se mais ainda dela – qualquer vontade que não seja a de entregar-se ao BEM AMADO É MAGIA NEGRA – no entanto, esta entrega é um ato tão simples que para as nossas complicadas mentes é o mais difícil dos atos; e portanto, treinamento é necessário. Mas, o Ser que se rende não deve ser menos que o Ser do Todo; nós não devemos aparecer diante do Altar do Altíssimo com uma oferenda imperfeita ou impura. Como está escrito em Liber LXV, “Esperar-Te é o fim, não o principio”.

Este treino pode conduzir a toda sorte de complicações, variando de acordo com a natureza do estudante; e daí talvez lhe seja necessário a qualquer momento querer uma variedade de coisas que a outras pessoas poderia parecer sem relação com o alvo. Da mesma forma não é evidente à priori por que razão um jogador de bilhar necessita de uma lima.

Já que, portanto, nós podemos vir a precisar de qualquer coisa, cuidemos de que a nossa vontade seja suficientemente forte para obtermos o que necessitamos sem perda de tempo.

É portanto necessário desenvolver a Vontade ao máximo, mesmo se a tarefa final será a completa entrega desta Vontade. Entrega parcial de uma vontade imperfeita é inútil em Magia.

A Vontade sendo uma alavanca, um fulcro é necessário; este fulcro, é a principal aspiração do estudante por alcançar. Todas as Vontades que não derivam desta Vontade principal são fendas no nosso barco, telhas soltas na nossa loja, goteiras nas nossas paredes; são como gordura no atleta.

A maioria das pessoas neste mundo é atáxica; eles não podem coordenar seus músculos mentais para fazer um movimento com propósito. Eles não têm realmente uma Vontade, somente um grupo de caprichos e desejos, muitos dos quais se contradizem uns aos outros. A vítima bamboleia de um a outro (e não é menos bamboleio porque os movimentos passam, às vezes, ser muito violentos ), e no fim da vida os movimentos se cancelam. Nada foi executado; exceto a coisa única de que a vítima não está cônscia: a destruição do seu próprio caráter, a confirmação da indecisão. Tal pessoa é despedaçada, membro por membro, por Choronzon.

Como então será treinada a Vontade? Todas estas cismas, caprichos, esses desejos, essas inclinações, tendências, apetites, devem ser percebidos, examinados, julgados de acordo com o padrão de se ajudam ou impedem o propósito principal; e tratados de acordo.

Vigilância e coragem são, é óbvio, necessárias. Eu estava a ponto de acrescentar auto-renuncia em deferência à linguagem convencional; mas como poder ia eu chamar auto-renuncia aquilo que é apenas renuncia dessas coisas que impedem e prejudicam o ser? Não é suicídio matar os germes de malária em nosso sangue.

Agora, existem enormes dificuldades a serem conquistadas no treino da mente. Talvez a maior seja a falta de lembrança, que é provavelmente a pior forma daquilo que os Budistas chamam ignorância. Práticas especiais para treino da memória podem ser úteis como preliminar para pessoas cuja memória é naturalmente pobre. Em qualquer caso, o Relatório Mágico prescrito para Probacionistas pela A.´.A.´. é útil e necessário.

Acima de tudo, as práticas em Liber III devem ser executadas repetidamente pois estas práticas não só desenvolvem a vigilância, como também esses centros inibidores no cérebro que são, de acordo com alguns psicologistas, a principal mola do mecanismo através do qual o homem civilizado subiu acima dos selvagens.

Até agora falamos, por assim dizer, no negativo. A Vara de Aarão virou uma serpente, e engoliu as serpentes dos outros Magistas; é necessário que a tornemos agora, novamente, em uma vara.

Esta Vontade Mágica é a Vara em sua mão pela qual a Grande Obra é executada, pela qual a Filha é não apenas colocada sobre o trono da Mãe mas assumida ao Altíssimo.

A Baqueta Mágica é assim a arma principal do Magus: e o nome daquela Baqueta é o Juramento Mágico.

A vontade, sendo dupla, está em Chokmah, que é o Logos, a palavra; dai alguns têm dito que a palavra é a vontade. Thoth, o Senhor da Magia também é o senhor da Linguagem, o Mensageiro, leva o Caduceu.

A palavra deveria expressar a vontade; daí, o Nome Místico do Probacionista é a expressão de sua Vontade mais alta.

Existem, é claro, poucos Probacionistas que se compreendam suficientemente para ser em capazes de expressar esta vontade para si mesmos; por isto ao fim de sua Probação a maioria escolhe um novo nome.

É conveniente, por tanto, para o Estudante o expressar sua vontade assumindo Juramentos Mágicos .

Desde que um tal juramento é irreversível deve ser bem ponderado; e é melhor não fazer nenhum juramento permanente; porque com aumento de compreensão pode vir uma percepção da incompatibilidade do juramento menor com o mais elevado.

Isto acontece quase sempre; e deve ser Lembrado que, desde que a essência inteira da vontade é que ela é única, com uma só ponta, um dilema deste tipo é o pior em que o Magista pode vir a encontrar .

Outra consideração importante a fazer sobre esta questão de Votos Mágicos é conserva-los em sua própria perspectiva. Eles devem ser assumidos com um propósito claramente definido, e eles não devem nunca ultrapassar os limites do propósito para o qual foram formulados .

É uma virtude para diabéticos abster-se de comer açúcar, mas somente com referência à sua condição pessoal. Não é uma virtude de importância universal. Elias disse em certas ocasiões, “é bom que eu me zangue”; mas tais ocasiões são raras.

Além disso, comida de um é veneno de outro. Um juramento de pobreza poderia ser muito útil para um homem que fosse incapaz de usar com inteligência sua riqueza para o fim único proposto; para outro homem seria apenas desprover-se de energia, fazendo com que perdesse seu tempo com insignificâncias.

Não existe nenhum poder que não possa ser voltado ao serviço da Vontade Mágica; é apenas a tentação de dar valor àquele poder em si mesmo que ofende.

Nós não dizemos, “derrube a árvore; porque deixá-la ocupar o solo?” a não ser que podas repetidas convençam o jardineiro de que o que cresce nunca prestará.

“Se tua mão te ofende, corta-a” é o grito de um fraco. Se a gente matasse um cachorro logo à primeira vez que se comporta mal, poucos passariam dos três meses de idade.

O melhor voto, e aquele de aplicação mais universal, é o voto de Santa Obediência; pois não só leva à liberdade perfeita, mas é um treino para aquela entrega que é a tarefa última.

Tem este grande valor, que nunca se enferruja. Se o superior para com o qual tomamos o voto sabe o que faz, ele rapidamente perceberá que coisas são realmente repugnantes ao seu discípulo, e o familiarizará com elas.

Desobediência ao superior é uma luta entre estas duas vontades no inferior. A vontade expressa em seu voto, que é a vontade ligada à sua vontade mais alta (devido ao fato que ele tomou o voto a fim de desenvolver essa vontade mais alta), luta com a vontade temporária, que é baseada apenas em considerações temporárias.

O instrutor deveria então procurar gentil e firmemente estimular o aluno, pouco a pouco, até que a obediência siga o comando sem referência ao que o comando possa ser como Loyola escreveu: “perinde ac cadáver”.

Ninguém compreendeu Vontade Mágica melhor que Loyola; em seu sistema o indivíduo era esquecido. A vontade do Geral era instantaneamente ecoada por todo membro da Ordem; por esta razão a Sociedade de Jesus tomou- se a mais formidável organização religiosa do mundo.

Aquela do Velho da Montanha foi talvez a segunda em eficiência.

O defeito no Sistema de Loyola consiste em que o Geral não era Deus, e que devido as várias outras considerações ele não era necessariamente nem sequer o melhor membro da Ordem.

Para tornar-se Geral da Ordem ele deveria ter querido tornar-se Geral da Ordem; e por causa disto ele não podia ser nada mais.

Para voltar à questão do desenvolvimento da Vontade. E sempre alguma coisa desenraizar as ervas daninhas; mas é preciso cultivar a flor .

Tendo esmagado todas as volições em nós mesmos, e se necessário em outras pessoas, que verificamos opostas à nossa Real Vontade, aquela Vontade crescerá naturalmente com maior liberdade. Mas não é apenas necessário purificar o Templo e consagra-lo; invocações devem ser feitas. Daí é necessário fazer constantemente coisas de natureza positiva, não apenas coisas de natureza negativa, para afirmar aquela Vontade.

Renuncia e sacrifício são necessários, mas não comparativamente fáceis. Existem cem maneiras de falhar, e uma apenas de acertar. Evitar comer carne de boi é fácil; não comer nada senão carne de porco é dificílimo.

Levi recomenda que em certas ocasiões a Vontade Mágica mesma seja interrompida, no princípio de que nós sempre podemos trabalhar melhor após uma “mudança completa”. Levi está sem dúvida com a razão; mas ele deve ser compreendido como dizendo isto por causa da “dureza dos corações dos homens ”. A turbina é mais eficiente que um motor a explosão: e esse conselho de Levi só serve ao principiante.

Por fim, a Vontade Mágica se identifica de tal forma com o ser inteiro do homem que ela se torna inconsciente, e é uma força tão constante quanto a gravitação. Nós podemos até nos surpreender com nossos próprios atos, e ter que ponderar e analisar para determinarmos os motivos que os concatenam com as circunstâncias que os provocaram. Mas seja compreendido que quando a Vontade assim realmente se elevou ao nível de Destino, o homem tem tanta possibilidade de cometer um erro como de sair flutuando no ar.

Pode ser indagado se não existe um conflito entre este desenvolvimento da Vontade e o conceito de Ética.

A resposta é sim.

No Grande Grimório nos é dito: “Compre um ovo sem regatear ”, e a consecução, e o passo seguinte no caminho da consecução é aquela pérola de grande preço, a qual, quando um homem a encontra, ele imediatamente vende tudo quanto tem, e compra aquela pérola.

Com muita gente a tradição e o hábito – dos quais o conceito de ética é apenas a expressão social – são as coisas mais difíceis de abandonar; e é uma prática útil o quebrar qualquer hábito simplesmente para se libertar deste tipo de escravidão. Daí, nós temos práticas para interromper o sono, para colocar nossos corpos em posições tensas e antinaturais, para executar difíceis exercícios respiratórios – todos esses atos, aparte qualquer mérito especial que possam ter em si para algum propósito particular, possuem o mérito principal de que o homem se força a executá-las a despeito de quais condições possam existir. Tendo conquistado a resistência interna, nós podemos conquistar a resistência externa mais facilmente.

Em um barco a vapor a maquina deve primeiro conquistar a sua própria inércia, antes de poder atacar a resistência da água.

Quando a vontade deixou assim de ser intermitente, torna-se necessário considerar seu alcance. A gravitação dá uma acelerada de trinta e dois pés por segundo neste planeta, na Lua muito menos. E uma Vontade, não importa quão única e quão constante ela seja, pode ainda assim ser sem nenhum valor particular, porque as circunstâncias que a opõem podem ser demasiado fortes, ou porque por algum motivo ela é incapaz de entrar em contato com elas. É inútil desejar a Lua. Se assim fizermos, devemos considerar por que meios aquela Vontade pode se tomar eficiente. Se bem que um homem pode ter uma tremenda vontade em alguma direção, essa Vontade não será necessariamente sempre suficiente para auxilia-lo em outra direção; pode até ser estúpida.

Existe a “estória” do homem que praticou durante quarenta anos como atravessar o rio Ganges a pé, por cima das águas; e tendo afinal alcançado seu fito, foi censurado pelo seu Santo Guru, que disse: “Você é um grande tolo. Todos seus vizinhos atravessam o Ganges diariamente por dois centavos ”.

Isto acontece à maior parte, talvez, de todos nós, em nossas carreiras. Tomamos infinitas dores para aprender alguma coisa para alcançar alguma coisa; e obtendo sucesso este não parece valer nem a expressão do desejo original.

Mas esta perspectiva é errônea. A disciplina necessária para aprender Latim nos auxiliará quando desejarmos fazer algo bem diverso.

Na escola fomos punidos por nossos mestres; quando deixamos a escola, se não aprendemos a punir a nós mesmos, não aprendemos coisa alguma.

De fato, o único perigo é que possamos dar valor à consecução em si mesma. O menino que se orgulha de seu conhecimento escolar está em perigo de se tomar um professor universitário.

Portanto, o Guru do homem que caminhava s obre as águas do Ganges quis apenas dizer que agora era tempo dele ficar insatisfeito com o que conseguira – e empregar seus poderes para algum fito melhor...

É incidentemente, desde que a Vontade Divina é Única, será verificado que não existe nenhuma capacidade que não seja necessariamente subserviente ao destino do homem que a possui.

Nós podemos ser incapazes de predizer quando um fio de uma determinada cor será tecido no tapete do Destino. É apenas quando o tapete está acabado, e o contemplamos de alguma distância, que a posição daquele fio particular aparece-nos como necessário. Daí, somos tentados a mencionar aquele antigo problema da fatalidade e livre arbítrio.

Mas se bem que todo homem é “determinado” de forma que toda ação é apenas a resultante passiva da soma total das forças que têm agido sobre ele desde a eternidade, de forma que a Vontade dele é apenas o eco da Vontade Universal, mesmo assim aquela consciência de “livre-arbítrio” é valiosa; e s e ele realmente a compreende como sendo a expressão parcial e individual daquele movimento interno em um Universo cuja soma é equilíbrio, tanto mais ele sentirá aquela harmonia, aquela totalidade. E se bem que a felicidade que ele experimenta possa ser criticada como apenas um prato de uma balança no outro prato da qual está uma miséria de igual peso, existem aqueles que afirmam que a miséria consiste apenas no sentimento de separação do Universo, e que consequentemente tudo pode ser, cancelado entre os sentimentos menores, deixando apenas aquele infinito gozo que é uma fase da infinita consciência daquele TODO.

Tais especulações estão um pouco fora dos limites dos presentes tratados. Não é de particular importância perceber que o elefante e a pulga não podem ser diferentes do que são; mas nós percebemos que um é maior que o outro. Este fato é o de importância prática.

Nós sabemos que as pessoas podem ser treinadas para fazerem coisas que elas não poderiam fazer sem treino – e quem quer que diga aqui que nós não podemos treinar uma pessoa a não ser que seja o destino daquela pessoa ser treinada, não está sendo muito prático. Igualmente é o destino do treinador treinar. Existe uma falácia no argumento do filósofo determinista, semelhante à falácia que é a raiz de todos os “sistemas ” de jogar roleta. As probabilidades são exatamente de três para um contra o vermelho aparecer duas vezes consecutivas; mas quando o vermelho aparece primeira vez, as condições mudam.

Seria inútil insistir sobre este ponto se não fosse pelo fato que muita gente confunde Filosofia com Magia. A Filosofia é a inimiga da Magia. A Filosofia nos assegura que nada tem importância, e que “Che sará sar à”

Na vida prática, e a Magia é a mais prática de todas as Artes da vida, esta dificuldade não ocorre. É inútil argumentar com um homem que está correndo para alcançar um trem, dizendo-lhe que talvez não seja seu destino alcança-lo; ele simplesmente corre; e se tivesse fôlego de sobra diria: “Para o diabo com o destino.”

Foi dito antes que a Verdadeira Vontade Mágica deve ser em direção ao mais elevado fito, e isto nunca pode acontecer até que a Compreensão Mágica floresça. É necessário fazer com que a Baqueta cresça em alcance ao mesmo tempo que ela cresce em poder, ela nem sempre faz is to por si mesma.

A ambição de um menino é ser maquinista de trem. Alguns conseguem a ambição, e permanecem nela toda a vida.

Mas na maior ia dos casos a Compreensão cresce mais rapidamente que a Vontade, e muito antes do menino ser capaz de conseguir sua ambição ele já a terá esquecido.

Em outros casos, a Compreensão nunca cresce além de um certo ponto, e a Vontade persiste sem inteligência.

O homem de negócios – por exemplo – desejou segurança e conforto, e para este fim vai diariamente para seu escritório e labuta sob o chicote de um capataz muito mais cruel que o mais humilde dos trabalhadores que ele paga; finalmente ele decide aposentar-se, e descobre que a vida está vazia. O fim foi engolido pelos meios.

Somente esses são felizes que desejaram o inatingível .

Todas as possessões, as materiais como as espirituais são pó.

Amor, sofrimento e compaixão são três irmãs que, se parecem livres desta maldição, parecem-no apenas por causa da sua relação com o insatisfeito.

A beleza mesma é tão inatingível que escapa por completo; e o verdadeiro artista, como o verdadeiro místico, não pode descansar nunca. Para ele o Magista é apenas um servo. A Baqueta do artista é de comprimento infinito; é o Mahalingam Criador .

A dificuldade de um tal homem é naturalmente que, sua Baqueta sendo muito fina em proporção ao seu comprimento, ela tende a bambear. Pouquíssimos artistas estão conscientes do seu verdadeiro propósito, e em muitos casos nós vemos essa ânsia infinita suportada por uma constituição tão fraca que nada é conseguido.

O Magista deve construir tudo que ele tem em sua pirâmide; e se aquela pirâmide deve tocar as estrelas, quão ampla deve ser a base. Não existe nenhum conhecimento ou poder que seja inútil ao Magista. Diríamos quase que Não há nada no Universo inteiro que ele possa dispensar. Seu ultimal inimigo é o Grande Magista, o Magista que criou a Ilusão toda do Universo; e para encontrá-lo em combate, de forma que nada reste nem dele nem de você, você deve ser exatamente o seu igual .

Ao mesmo tempo, o Magista não deve nunca esquecer que todo tijolo deve tender na direção do píncaro da pirâmide – os lados dela devem ser per feitamente lisos; não deve haver nenhum falso píncaro, nem mesmo nos níveis mais baixos.

Esta é a forma ativa e prática daquela obrigação de um Mestre do Templo na qual é dito: “Eu interpretarei todo fenômeno como um trato entre Deus e a minha alma”.

Em Liber CLXXV muitos conselhos práticos para conseguir esta concentração única são dados, e se bem que o assunto daquele livro é a devoção de uma deidade particular, suas instruções podem ser facilmente generalizadas para o desenvolvimento de qualquer tipo de Vontade.

Esta vontade é então a forma ativa da compreensão. O Mestre do Templo pergunta-se, vendo um caracol: “Qual é o propósito desta mensagem do Invisível? Como interpretarei esta Palavra de Deus Altíssimo?” O Mago pensa: “Como usarei este caracol?” E neste curso ele deve persistir. Se bem que muitas coisa inúteis, tanto quanto ele pode ver, lhe são mandadas, um dia ele achar á aquela coisa única que ele necessita; enquanto sua Compreensão apreciará o fato que nenhuma dessas outras coisas eram inúteis.

Assim, com estas práticas preliminares de renuncia, será claramente compreendido que elas eram apenas de utilidade temporária. Elas tinham valor apenas como treinamento. O Adepto rir-se-á das suas absurdidades de principiante; as desproporções terão sido harmonizadas, e a estrutura da alma dele será compreendida como perfeitamente orgânica, sem nada fora do lugar. Ele se verá como o Tau positivo com seus dez quadrados completos dentro do triângulo dos negativos, e esta figura se tornará um, tão cedo quanto do equilíbrio dos pares de opostos ele chegue à identidade dos opostos.

Nisto tudo será percebido que a arma mais poderosa na mão do estudante é o Voto de Santa Obediência e muitos desejarão ter tido a oportunidade de se colocarem sob a direção de um Santo Guru. Que eles tomem ânimo – pois qualquer ente capaz de dar ordens é um Guru eficiente para os fins deste Voto, contanto que não seja demasiado amigável e preguiçoso.

A única razão para escolher um Guru que alcançou, ele mesmo, a consecução, é que ele auxiliará a vigilância do sonolento Chela, e, enquanto tempera os golpes contra os pontos mais sensitivos deste, o fortifica e o faz robusto, e ao mesmo tempo lhe alegra os ouvidos com santos discursos. Mas se uma tal pessoa for inacessível, que ele escolha qualquer pessoa com a qual ele mantém freqüentes relações, e peça- lhe que aja.

A pessoa escolhida deve, se possível, ser de confiança; e que o Chela se lembre que se lhe for comandado que pule num precipício, é muito melhor pular que abandonar a prática.

E é da maior Importância não limitar o Voto de forma alguma. Você deve comprar o ovo sem regatear.

Em uma certa sociedade, os membros eram obrigados por Juramento a fazer certas coisas, sendo- lhes simultaneamente assegurado que “não havia nada no Juramento contrário às suas obrigações civis, morais ou religiosas.” Assim, quando qualquer um desejava quebrar o Voto, ele não tinha dificuldade em descobrir uma boa razão. O Voto perdeu toda força.

Quando Buddha sentou-se sob a abençoada Árvore Boh, ele jurou que nenhum dos habitantes dos 10.000 mundos poderia fazer com que ele se erguesse até ter alcançado a consecução; de forma que mesmo quando Mara, o Grão-Demônio, com sua três filhas, as Grãs-Tentadoras, aparece, ele permaneceu quieto.

Mas para principiantes, é inútil tomar um voto tão formidável; ele ainda não tem a força que pode desafiar Mara. Que ele avalie sua força, e tome um Voto que esteja dentro dos limites desta; mas apenas nos limites. Milo começou carregando, nas costas, um vitelo recém-nascido; e enquanto dia a dia o vitelo crescia e virou touro, a força de Milo crescia também, e foi suficiente para carregar o touro nas costas.

Repetimos que Liber III é um método admirável para o principiante e será melhor, mesmo se ele tiver muita confiança em sua força, que ele tome o Voto por períodos muito curtos, começando com uma hora e aumentando diariamente trinta minutos, até que o dia inteiro seja preenchido pela prática. Então que ele descanse por algum tempo, e depois tente uma prática por dois dias; e assim por diante até tornar-se perfeito.


Ele dever ia também começar com as práticas mais fáceis. Mas a coisa que ele jura evitar deve ser algo que normalmente ele faria com alguma freqüência; pois de outra forma o esforço a que a memória é obrigada para conservar a vigilância seria mui to grande, e a prática se tornaria difícil .

Desta forma haverá uma clara conexão na mente dele entre causa e efeito, até que ele terá tanto cuidado em evitar aquele ato particular que ele se determinou conscientemente a evitar, quanto aquelas outras coisas que ele na infância foi treinado para evitar.

Cada qual deve decidir por si mesmo se este é um curso sábio a seguir. Mas certamente parece mais fácil descartar primeiro as coisas que podemos mais facilmente dispensar.

A maioria das pessoas terá trabalho com as Emoções, e os pensamentos que as excitam.

Mas é tanto possível quanto necessário não só suprimir as emoções, mas fazer delas criados fiéis. Assim, a emoção da cólera é ocasionalmente útil contra aquela porção do cérebro cujo relaxamento vicia o controle.

Se existe uma emoção que nunca é útil, é o orgulho; por este motivo, que está inteiramente ligado ao ego.

NÃO EXISTE USO PARA O ORGULHO.

A destruição das Percepções, que as mais grosseiras ou as mais úteis, parece muito mais fácil, porque a mente, não sendo movida, está livre para se lembrar do controle.

É fácil nos absorvermos tanto em um livro que não notamos o mais lindo cenário. Mas se formos picados por uma vespa, o livro é imediatamente esquecido.

As Tendências são, no entanto, muito mais difíceis de combater que as três Skandhas mais baixas juntas – pela simples razão de que estão, em sua maior parte, abaixo do consciente, e devem, por assim dizer, ser despertadas a fim de serem destruídas; de forma que a vontade do Magista está, em certo senso, tentando fazer duas coisas opostas ao mesmo tempo.

A Consciência mesma só é destruída por Samadhi.

Agora podemos perceber o processo lógico que começa recusando a pensar em um pé, e acaba destruindo o senso de individualidade.

Há muitos métodos para destruir profundamente idéias enraizadas.

O melhor é, talvez, o método de equilíbrio. Ponha a mente no hábito de evocar o oposto de todo pensamento que possa erguer-se. Em conversação sempre discorde. Examine e compreenda os argumentos do outro homem, mas não importa quanto o julgamento de você aprove os argumentos dele, ache resposta.

Que isto seja feito desapaixonadamente; quanto mais convencido você está de que um certo ponto de vista é certo, tanto mais determinado você deveria estar por achar provas de que tal ponto de vista é errôneo.

Se você tiver feito isto com cuidado e exaustivamente, estes pontos de vista não mais perturbarão você; você pode então asseverar o seu próprio ponto de vista com a calma de um Mestre, o que é mais convincente que o entusiasmo de um aprendiz.

Você não mais estará interessado em controvérsias; política, ética, religiões parecer-lhe-ão como tantos brinquedos, e sua Vontade Mágica estará livre destas inibições. Em Burma existe apenas um animal que o povo mata sempre, a víbora de Russell; porque, como eles dizem por lá, “ou você a mata, ou ela mata você” ; é uma questão de quem vê o outro primeiro.

Ora, qualquer idéia que não seja a Idéia deve ser tratada desta maneira. Quando você tiver matado a serpente, você pode usar-lhe a pele, mas enquanto ela está viva e livre, você está em perigo.

E infelizmente a idéia do ego, que é a verdadeira serpente, pode projetar-se em uma multidão de formas, cada qual vestida nas mais lindas roupagens. Assim é dito que o Diabo é capaz de disfarçar-se em um Anjo de luz .

Quando estamos sob o peso de um Voto Mágico, este é terrivelmente o caso. Nenhum ser humano compreende ou pode compreender as tentações dos santos .

Uma pessoa normal que tivesse idéias como as que obsidiaram São Patrício e Santo Antônio deveria estar num manicômio

Quanto mais você aperta a serpente (que estava previamente adormecida ao Sol, e quase inofensiva, em aparência), tanto mais ela se contorce e luta; e é importante que você se lembre que você deve segurá-la com mais força quanto mais ela luta, ou ela escapará e morderá você.

Da mesma maneira que, se você, diz a uma criança para não fazer uma certa coisa, não importa o que, ela imediatamente vai querer fazer aquilo, se bem que a idéia poderia não lhe ter jamais ocorrido por si só, da mesma forma com o santo. Nós temos todas estas tendências latentes em nós; poderíamos permanecer inconscientes da maior parte delas a nossa vida inteira – a não ser que elas sejam despertadas pela nossa Magia. Elas estão de emboscada. E toda e cada qual deve ser despertada, e toda e cada qual deve ser destruída. Toda pessoa que assina o Juramento de um Probacionista está mexendo num ninho de marimbondos.

Um homem tem apenas que afirmar a sua aspiração consciente, e o inimigo pula sobre ele.

Parece pouquíssimo provável que qualquer pessoa possa atravessar aquele terrível ano de Probação – e, no entanto, o Aspirante não é obrigado a fazer coisa alguma difícil; quase parece como se ele não fosse obrigado a fazer coisa alguma – e, no entanto, a experiência nos ensina que o efeito é como arrancar o homem de sua poltrona favorita e arremessá-lo ao meio de uma tempestade no Atlântico. A verdade é, talvez, que a simplicidade mesma da tarefa a torna difícil .

O Probacionista deve agarrar-se à sua respiração – afirmá-la de novo e de novo em desespero.

Ele quase a perdeu de vista, talvez; ela se tornou sem significado para ele; ele a repete mecanicamente enquanto é arremessado de onda a onda.

Mas se ele puder persistir em sua aspiração? Ele atravessará o ano.

E uma vez ele tenha atravessado, as coisas novamente assumirão o seu aspecto próprio; ele verá que mera ilusão eram as coisas que pareciam tão reais, e ele terá sido fortificado contra as novas provações.

Mas infeliz em extremo é aquele que não pode assim persistir. É inútil para ele dizer: “Eu não gosto do Atlântico; eu voltarei à minha poltrona favorita”.

Dê um passo apenas no caminho, e já não se pode mais voltar atrás. Como diz o poeta Browning em seu poema “O Jovem Rolando chegou à Torre escura” :

Pois vede. Tão cedo eu me dediquei ao plano
Eu dei na trilha o meu primeiro passo,
Quando volvendo os olhos sobre o ombro
A estrada que seguira já não vi:
Ao meu redor, ao horizonte, nada
Senão deserto; para a frente a estrada.

Isto é universalmente verdadeiro; a afirmação que o Probacionista pode renunciar ao Caminho quando quiser é em verdade apenas para aqueles que tomaram o Juramento superficialmente.

Um verdadeiro Juramento Mágico não pode ser quebrado; você pensa que pode, mas não pode.

Esta é a vantagem de um verdadeiro Juramento Mágico.

Não importa quantos rodeios você faz, você chega ao fim da mesma maneira; e tudo que você fez conseguindo tentando quebrar seu Juramento foi envolver-se nas mais terríveis dificuldades.

Não pode ser demasiado claramente compreendido que tal é a natureza das coisas; não depende da vontade de quaisquer pessoas, não importa quão poderosas ou exaltadas; nem pode a força d’Elas, a força de Seus Grandes Juramentos, valer contra o mais fraco Juramento do mais trivial dos principiantes .

A tentativa de interferir com a Vontade Mágica de outra pessoa seria maligna se não fosse absurda.

Nós podemos tentar construir uma Vontade onde nada antes existia senão um Caos de caprichos; mas uma vez a organização se tenha processado, É SAGRADA. Como diz Blake, “TUDO QUE VIVE É SANTO” ; daí, a criação de vida é a mais sagrada das tarefas. Não impor ta muito ao criador o que é que ele cria; existe espaço no Universo tanto para a aranha quanto para a mosca.

É do monturo de lixo de Choronzon que nós selecionamos o material de um deus.

Esta é a análise última do Mistério da Redenção, e é possivelmente a verdadeira razão da existência (se existência pode ser chamado) de forma, ou se você preferir, do Ego.

É surpreendente que este grito típico – “Eu sou eu” – e o grito daquilo que, acima de tudo, não “é” eu.

Foi aquele Mestre cuja Vontade era tão poderosa que à sua mais leve expressão o surdo ouvia, o mudo falava, leprosos saravam e os mortos ressuscitavam; foi aquele Mestre e nenhum outro que no supremo momento de sua agonia pode gritar, “Não minha Vontade, mas a Tua, seja feita”.

Referências

Ver também