Abadia de Thelema

De Ocultura
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Foto recente da Abadia de Thelema em Cefalù

Abadia de Thelema se refere a uma pequena casa usado como um templo ou local de práticas envolvendo a Lei de Thelema.

Gargantua et Pantagruel

No livro "Gargântua e Pantagruel" (François Rabelais), nos capítulos LII a LVIII, o autor descreve a construção de uma Abadia de Theleme e a vida dos religiosos que lá viviam. Este era um local de fausto e riqueza compartilhada por todos, onde se vivia em clima de perfeita amizade, companheirismo e amor. Na Abadia não se vivia por regras, horários ou estatutos mas tão-somente pela única lei lá existente: "faça o que quiser". Segundo as idéias de Rabelais, um grupo de pessoas bem instruídas, convivendo de forma honesta e sem terem suas vontades tolhidas por natureza tenderiam a manter um comportamento honrado e virtuoso.

A Abadia de Cefalù

Aleister Crowley, junto com Leah Hirsig, fundou uma Abadia de Thelema em Cefalù, uma comuna italiana da região da Sicília, província de Palermo; em 1920 e.v. O nome foi emprestado da sátira de Rabelais chamada Gargantua and Pantagruel, onde a "Abadia de Thelema" é descrita como uma espécie de anti-monastério onde as vidas dos habitantes são "gastas não em leis, estátuas, ou regras, mas sim de acordo com suas próprias vontades e prazeres livres." Essa utopia idealística foi o modelo da comunidade de Crowley, sendo também um tipo de escola mágica, dando-lhe a designação de "Collegium ad Spiritum Sanctum", O Colégio do Espírito Santo. O programa geral estava de acordo com o curso do treinamento da A.'.A.'., e incluindo ainda adorações diárias ao sol (Liber Resh), um estudo dos escritos de Aleister Crowley, práticas e rituais Yoga regulares (que precisavam ser registrados), como também trabalho doméstico em geral. O objetivo, naturalmente, era que os estudantes devotassem seu tempo para a Grande Obra do descobrimento e manifestação de suas Verdadeiras Vontades.

Crowley pretendia transformar a pequena casa em um centro global de dedicação mágica e quem sabe ganhar mensalidades pagas por acólitos procurando treinamento nas Artes Mágicas; estas taxas o ajudariam mais adiante em seues esforços de promulgar Thelema e publicar seus manuscritos.

O que a Abadia e seu mestre na verdade se tornaram foram alvos de muito rumores e boatos, em parte fofocas de habitantes locais mas na maioria eram produtos de John Bull, um jornalista sensacionalista britânico com uma atitude particularmente vingativa contra Crowley. E falava-se em orgias sexuais, sacrifícios de crianças e animais, uso de drogas, e bestialidade. Crowley nunca admitiu isso, mas também nunca negou, percebendo que não havia nada como a má publicidade.

Fim da Abadia

Por volta de 1923, um estudante não-graduado de Oxford chamado Raoul Loveday (ou Frederick Charles Loveday) morreu na Abadia. Sua esposa, Betty May, originalmente acusou que isso teria sido fruto de uma participação dele em um dos rituais de Crowley. Mais tarde, porém, ela aceitou o diagnóstico do doutor de grave febre tifóide contraída pela ingestão de água de uma nascente da montanha. (Crowley havia advertido os residentes da Abadia contra a ingestão de água não-fervida.) Quando Betty May retornou a Londres, ela concedeu uma entrevista a um jornal. O Sunday Express incluiu sua história em seus avançados ataques à Crowley.

Com estes e outros rumores sobre as atividades "estranhas" na Abadia, o governo de Mussolini exigiu que Crowley deixasse o país em 1923. Após a partida de Crowley, a Abadia de Thelema foi eventualmente abandonada e seus residentes locais pintaram de branco os murais do local.

Matéria sobre Jane Wolfe e a Abadia

Leah Hirsing e Jane Wolfe

Matéria extraída do "The Charleston Gazette", Domingo, 3 de Junho de 1928 e.v.

Film Mother Stoned in House of Mystics Tells of Attack


By CARL DE VIDAL HUNT

PARIS, França, 2 de Junho. – Jane Wolfe, who played film mothers in early Mary Pickford pictures, retornou para Hollywood, Cal., procurando recuperar-se completamente dos ferimentos recebidos pelas mãos de camponeses Sicilianos. Eles tentaram apedrejá-la até a morte.

Mas antes de partir de Paris ela relatou sua experiência na "misteriosa casa de Cefalù", na Sicília, onde ela viajou para seguir os ensinamentos de Sir Aleister Crowley, alto sacerdote de Thelema (filosofia oriental) e promotor das estranhas performances pelo qual a "casa misteriosa" foi invadida pela polícia siciliana.

Conhecido como "a Besta"

Sir Aleister, conhecido entre seus discípulos como a "Besta", é um inglês, que gastou seu patrimônio na pesquisa de várias filosofias do Oriente. Ele viveu com os Yogis nos desertos silenciosos da Índia e publicou livros sobre o assunto. Agora ele é um vagabundo, barrado até mesmo no seu próprio país – mas seus amigos alegam que ele é um gênio.

A Senhorita Wolfe chegou à "misteriosa casa" nas margens do Mediterrâneo e foi nomeada secretária datilógrafa de Sir Aleister. Então seguiu as práticas iniciais de auto-controle que foram designadas para remediar sua inquietação. Por horas requeriram que ela sentasse em uma posição sem movimentos tanto quanto os das pálpebras.

Praticou auto-controle

"Então eu tinha que praticar 'Dharana'" Srta. Wolfe relata. "Que é fixar um quadrado amarelo em uma parede e fechando meus olhos visualizar o quadrado por meia hora. Isso foi acompanhado por exercícios de respiração. Nas manhãs e noites nós realizávamos os rituais necessários em uma grande sala com o soalho ladrilhado, cujo centro era incrustado com estranhas figuras geógraficas. O mestre mudava suas vestes e fazia de acordo com os planetas que ele invocava - enquanto nós homens e mulheres vestíamos robes gregos de várias cores.

"Sob os ensinamentos de Thelema eu fiz rápido progresso, tanto metal quanto físico, até que o momento de meu teste supremo foi anunciado a mim pela 'Besta'.

"Ele consultou o livro chinês 'Wy King' e seis varetas de divinação, com o resultado de tempo para meu retiro mágico prolongado que parecia mais adequado.

Iniciou o período de silêncio

"De acordo com as regras eu desci para a praia e, com a ajuda de outros pupilos, ergui uma tenda na qual eu viveria em silêncio por 33 dias. Durante aquele período de concentração e meditação eu pratiquei Asana até que eu pude sentar sem movimento por 11 horas consecutivas.

"Isso é que causou a confusão. Algumas pessoas de Cefalu, que pareciam observar a abadia e seus internos com suspeita, vieram bisbilhotar pela minha tenda. Eles espiaram dentro e me viram sentada em meus quadris e fitando um quadrado amarelo pintado na lona de minha tenda. Alguns até falaram comigo, mas eu tinha que permanecer absolutamente rígida e sem movimento. Uma vez um homem e sua espoza anteciparam-se e me fizeram cair para fora, mas até então eu retinha minha rigidez coporal e me pus como uma estátua até que meu Asana diário fosse completo.

Apedrejada pelos nativos

"Logo os nativos começaram a me atacar com pedras. Eles acreditavam que eu era uma pessoa possuída por espíritos malignos. Os homens nunca me tocaram, mas as mulheres eram cruéis. Em uma manhã cerca de 20 delas cercaram minha tenda. Eu estava na quarta hora de meu Asana, sentada rígida como um ídolo esculpido. Eu sabia que elas tinham a intenção de me causar grandes danos, mas minha mente recusou considerar quaisquer dores físicas que elas me fizessem. Logo elas começaram a atirar pedras e finalmente minha tenda caiu. Eu não me mechi, é claro. Mas as mulheres gritaram e dançaram ao meu redor como um bando de falcões. Então elas me apedrejaram até que eu caí sangrando e inconsciente no chão.

"Eu não sei o quão descansei ali, mas quando eu voltei aos meus sentidos, as mulheres permaneciam ao meu redor. lentamente eu voltei à minha posição de Asana e sentei ali sem mover um músculo. Vendo isso as mulheres arfaram. Elas não podiam entender isso. Lentamente elas se afastaram de mim, cruzando-se e resmungando palavras estranhas. Elas nunca voltaram.

Carne disciplinada

"Ao fim de meus 33 dias as terríveis dores de meu corpo, causada causadas por sentar quase que continuamente em uma posição, foram inteiramente quebradas. Eu havia comido pouco da comida que me foi trazida da Abadia, e minha mente estava tão clara que eu pensava poder ver através das paredes. Um senso de perfeita serenidade penetrou todo o meu ser. Meu sangue quente foi esfriado e estava circulando quietamente através de minhas veias. A carne havia sido disciplinada.

"Logo após minha partida da 'misteriosa casa" de Cefalú, ela foi invadida pelos policiais sicilianos e todos os seus membros foram postos para fora. Por muitos meses eu vivi na Inglaterra e quando fui a preparatória Paris para navegar para a América. Meu cabelo é branco agora, mas eu estou curada".

Referências