Dunamis

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DUNAMIS X ERGOZOMAI

O texto de Mateus 7: 22, 23 tem sido analisado por muitos estudiosos da Bíblia devido às suas características singulares. As palavras de Jesus aqui são tão severas que levam qualquer pessoa cuidadosa com as Escrituras a perguntar: "para quem são tais palavras?”

Eu gostaria de trazer neste artigo uma explanação, talvez, sem precedentes pelo simples fato de que todas as ações descritas por Jesus no verso 22 são muito mais inerentes à liderança do que simplesmente às ovelhas.

Nós temos que concordar que não temos visto crentes comuns profetizando, expulsando demônios e operando maravilhas naquela proporção, mesmo que devessem, porque o Espírito que opera tais coisas está em todos aqueles que são nascidos de novo. Essas atividades estão claramente muito mais relacionadas com pessoas em posição de liderança do que com pessoas comuns.

Portanto, será que eu poderia afirmar que acima de tudo Jesus está advertindo certos líderes que estão fazendo mau uso daquilo que Deus lhes confiou, tais como: autoridade, poder, unção, conhecimento e riquezas?

Sim, seguramente que posso. Uma vez que o crescimento de um discípulo está diretamente dependente dos ensinos, da vida e do caráter do seu discipulador, não há como escapar do fato de que os líderes darão conta a Deus das vidas das suas ovelhas.

Jesus também teve em suas mãos, como líder, vidas humanas, discípulos, ovelhas. Para que ele pudesse ser de fato o Salvador de muitos outros que Ele nunca conheceu como homem físico, Ele teve que mostrar para o Pai que sabia o que fazer quando pessoas estivessem debaixo da sua influência humana e não apenas da divina, dependendo dEle como homem e não apenas como Deus, aprendendo com o que Ele aprendeu e não apenas com o que Ele sempre soube eternamente como Deus.

Ao estudar este texto, inevitavelmente sou levado a extrair alguns ensinamentos vitais para a minha própria vida e liderança e, com isso, abro o meu coração para compartilhar com você aquilo que me impactou profundamente.

1. Ser chamado por Deus para ser um líder em Seu reino é muito mais uma responsabilidade do que um privilégio.

Uma posição de liderança dá a aquele que a ocupa muitos privilégios os quais, são cobiçados por muitos. No entanto, por detrás de todos esses privilégios está a terrível responsabilidade de ser inquirido pelo próprio Jesus, o Líder exemplar, no Dia do Julgamento. Alguns líderes só conseguem enxergar os privilégios portanto, por esta razão, eles pensam que podem fazer o que bem quiserem, por causa da delegação de autoridade que receberam, sem a devida punição; isto é um grande erro! Qualquer um que use mau a autoridade que recebeu para se enriquecer ilegalmente e manipular aqueles que estão debaixo da sua autoridade, terá a maior decepção de todos os tempos: a decepção de ouvir Jesus lhes dizer: “nunca vos conheci”.

É fácil perceber que o reconhecimento de Deus ao homem está intimamente relacionado a um relacionamento íntimo. Quando Jesus diz no verso 23 “Eu nunca te conheci”, Ele está revelando a falta de relacionamento entre Ele e o indivíduo que alegará ter feito muitas coisas em nome de dEle. É bom que Estejamos todos avisados de que Jesus não será responsável por coisa alguma que pessoas façam em Seu nome que Ele não tenha mandado fazer. No dia do Tribunal de Cristo e no Dia do Julgamento Final cada pessoa e cada líder responderão por si mesmo. Aquele será o dia do acerto de contas para qualquer pessoa e principalmente para aqueles que receberam privilégios do Senhor, os líderes.

2. Todos são especiais para Deus e ao mesmo tempo, ninguém é especial para Deus. Eu sei que esta frase soa contraditória, mas esta é uma das mais poderosas afirmações que nós encontramos implicitamente na Bíblia Sagrada.

À medida que lermos a Bíblia cuidadosamente encontrará homens e mulheres que foram muito especiais para Deus. Eu poderia trazer aqui muitos nomes respeitáveis, sobre os quais estava claramente o favor de Deus.

Não há dúvidas, por exemplo, de que Abraão era um homem muito especial para Deus. Podemos dizer o mesmo de Jacó, José, Moisés, Samuel, Davi, Salomão, Elias, Eliseu e outros. Contudo, quando qualquer um desses foi infiel aos interesses de Deus, foi punido tão severamente quanto necessário.

Veja, por exemplo, o que Deus fez com Abraão, o pai da fé e o amigo de Deus: ainda hoje em dia o povo de Israel está sofrendo devido ao pecado que Abraão cometeu quando gerou um filho fora do casamento e da permissão de Deus. Davi, o homem Segundo o coração de Deus, aprendeu que ser especial também significa ser especialmente punido quando se peca, porque Deus é reto e justo. Todos são especiais porque Deus ama a todos igualmente e, ninguém é especial porque quando o propósito de Deus é traído Ele não exista em punir com a severidade que for necessária a quem quer que seja. Deus é único, ninguém é como Ele. Ele nunca hesita em reprovar ou punir qualquer um que cruzar a linha da obediência, para que a humanidade saiba que “Ele é o mesmo ontem, hoje e será eternamente.”

3. Dunamis X Ergozomai.

É sabido que quase todo o Novo Testamento foi escrito em grego.

Por esta razão, considerar o sentido de algumas palavras no original pode significar muito na compreensão dos textos. Estas duas palavras gregas que aparecem no texto em questão (dunamis e ergozomai) têm funções extremamente importantes naquilo que estou ensinando neste artigo. Vale à pena checar isso com carinho.

Quando os líderes falsos, descritos no verso 22, trouxerem seus relatórios para Jesus, eles dirão: "Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres?"

A palavra “milagres”, sublinhada por mim no texto, aparece no original grego como “dunamis”, a mesma palavra usada pelo próprio Senhor Jesus em Atos 1:8, quando prometeu aos Seus discípulos o poder (dunamis) do Espírito Santo se eles permanecessem em Jerusalém até o tempo certo.

Portanto, dunamis é uma palavra poderosa com um significado poderoso.

Quando Jesus usou a palavras dunamis Ele estava falando de:

a. Força, poder e habilidade; b. Poder inerente. Poder residindo em algo (alguém) por virtude; c. Poder para realizar milagres; d. Poder moral e excelência de alma.


Isto é o que a verdadeira Igreja tem o direito de ter e ser.

Dunamis só pode vir do Espírito Santo.

Toda obra que um cristão verdadeiro faz é resultado (do Espirito de Deus) de dunamis.

Não há jamais como confundir dunamis com habilidade humana, influência do diabo, sorte, acaso, ou seja, lá o que for. Quando dunamis entra em operação, todos ao redor sabem que o Espírito Santo está agindo.

Dunamis em ação produz temor e reverência e faz desaparecer o ego humano, o orgulho, a prepotência e o espírito de grandeza.

Quando Jesus nos prometeu poder, Ele tomou o cuidado de garantir – com o uso da palavra certa – que esse poder glorificaria a Deus e não ao homem, que ele traria dividendos ao Seu reino e não aos reinos individuais humanos.

Jesus sabia que muitos usariam da Sua delegação para promover a si mesma, mas, os que o fazem, fazem por corrupção própria porque Jesus deixou claro qual o propósito dos Seus dons extraordinários concedidos ao homem por pura graça e amor: alcançar o máximo de almas possível para o reino de Deus.

Onde está o problema então? Está no fato de que Jesus não endossa a palavra dunamis quando tais líderes a usam como argumento no verso 22.

Na verdade fica claro que essa palavra nos lábios de tais líderes, no dia do juízo, será uma tentativa desesperada de tentar convencer a Jesus de que eles cumpriram com o Seu propósito original. Eles usarão a mesma palavra que Jesus usou em Atos 1:8 para tentar se proteger. Porém, Jesus não tem nenhuma dificuldade em rejeitar o que não é verdade.

Jesus imediatamente, ao respondê-los, substitui a palavra dunamis (duvnamiß) pela palavra ergozomai (ejraunavw) acompanhada da palavra anomia (ajnomiva), uma terrível combinação para quem achava que vai impressionar a Deus. Quando eles perguntam a Jesus no fim do verso 22 “em teu nome não fizemos muitos milagres (dunamis)?” Jesus responde de forma cortante: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (ergozomai anomia). O que me assusta é que tanto dunamis como ergozomai falam de frutos produzidos por alguém.

Muitos daqueles frutos que serão apresentados ao Senhor no Dia do Juízo por aqueles líderes que se corromperam serão frutos legítimos porque ergozomai fala de trabalho e trabalho duro. Jesus não questiona o fruto, mas sim a motivação.

Nós sabemos que o fruto determina a árvore. Porém, no reino de Deus, o que motiva o homem a fazer o que faz é extremamente importante.

Para Deus, não basta ir para o radio ou para a televisão ganhar almas, Ele quer saber o que é que nos motiva a fazê-lo. Muitos estão na mídia não por causa das almas, mas para ter os seus nomes entre os grandes, para que suas igrejas sejam vistas como importantes, para que sejam venerados por outros, para viver uma vida de luxo e riquezas, para venderem seus produtos pessoais ou ainda, para que todos saibam que seus ministérios são grandes e belos. Esta é a grande diferença entre dunamis e ergozomai.


4. Frutos de Justiça X Frutos de Iniquidade.

A prova de fogo para muitos líderes no Dia do Julgamento não será o fato de ter ou não produzido fruto mas, sim, o fato do seu fruto ser fruto de justiça ou fruto de iniquidade. Para Deus isso conta, e muito.

Todo aquele que hoje está usando mau a autoridade que Deus lhe concedeu, pagará caro.

Muitos líderes ao invés de trazer lucros para o reino de Deus traz miséria e destruição para pessoas e famílias que estão debaixo das suas mãos por puro orgulho e egoísmo.

Existe também aquele tipo de líder que canaliza tudo que Deus lhe confiou para beneficiar os seus amigos e parentes. Todos os seus amigos pessoais e todos os seus parentes prosperam no seu ministério enquanto que pessoas fiéis e idôneas vivem das migalhas que sobram dos devoradores insaciáveis.

É muito comum se encontrar líderes exibindo riqueza enquanto pessoas fiéis à sua volta sofrem necessidades básicas. Tudo isso será checado por Deus! Todos aqueles que acham que são donos das vidas daqueles que estão debaixo da sua liderança um dia terão que prestar a Aquele que morreu por eles. Uma posição de liderança traz muitos privilégios mas, definitivamente, traz muito mais responsabilidades.

Todo obreiro deveria pensar duas vezes antes de aceitar uma ordenação ao ministério porque, depois de ordenado, terá que prestar contas a Deus por si mesmo por tudo o que fez com tal ordenação. Todo aquele que aceitou o precioso dom do ministério apenas para se sentir importante, ou para satisfazer ao ego de quem o ordenou, terá que se suster sozinho diante do Trono do Julgamento. Naquele dia, não importa o quanto se produziu, se esta produção for classificada por Deus como “ergozomai”. Haverá muitas surpresas naquele dia!

A minha oração é que a liderança do corpo de Cristo, da qual faço parte, comece a levar a Bíblia um pouco mais a sério. Tudo que está escrito se cumprirá e naquele dia ninguém será especial, todos, sem exceção, terão que passar pelo crivo desta Palavra imutável e responder ao Todo Poderoso suas perguntas cortantes, perfeitas e fiéis.

Se o que estamos produzindo é dunamis, prossigamos, mas se é ergozomai, precisamos nos arrepender enquanto é tempo.

Que Deus abençoe a todos.

Jefferson Netto