Marcelo Motta

De Ocultura
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Marcelo Ramos Motta

93!

Marcelo Ramos Motta foi um homem controvertido. Amado e admirado por alguns e temido e odiado por outros, teve uma vida de variações de humor, períodos de carência finaceira, bem como oportunidades de estudar e morar fora do Brasil.

Os dados sobre sua vida são conseguidos através de seus escritos, principalmente os escritos auto-biográficos "A Quem Interessar" em Chamando os Filhos do Sol e "Os Serviços de inteligência não são inteligentes ou a O.T.O. desde a Morte de Crowley".

Suas cartas a Frater Saturnus (Karl Germer), a um discípulo com quem conviveu durante muitos anos, Frater Zaratustra (Euclydes Lacerda de Almeida), bem como citações e relatos feitos sobre Motta, por este último e outros, serve para formarmos, por nós mesmos, uma imagem sobre este homem, que a despeito de seus erros e exageros foi, inegavelmente, um pioneiro na difusão da filosofia de Thelema e nosso país.

Optmos em apresentar o máximo de informações possíveis, começando com as fornecidas pelo próprio biografado, bem como documentos, cartas, etc., que serão apresentados em lugar próprio. Seguirão, artigos, notas, pesquisas e críticas sobre Marcelo Motta, possibilitando aos interessados formarem uma imagem real deste controverso thelemita.

93.93/93 Q.V.I.F.

Obs: Os dados da auto-biografia abaixo, foram tirados de livro "Chamando os Filhos do Sol", editado em 1962 e.v. Recentemente o mesmo foi reeditado (edição bilingue) pela Editora Bhavani


"A Quem Interessar Possa


Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei

O Escriba M.

Nasci no dia 27 de junho de 1931, na cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro, às 9:15 da manhã, com o segundo decanato de Léo no Ascendente e o Sol em Câncer.

Aos onze anos de idade interessei-me pela primeira vez nos misteriosos "Rosacruzes", depois da leitura de Zanoni, romance por Sir Edward Bulwer-Lytton, e resolvi dedicar-me a procurá-los e tornar-me um desses misteriosos Adeptos.

Durante os anos seguintes, estudei avidamente todos os livros de ocultismo que me vinham às mãos. Isto provocou o alarme e oposição de minha família e eventualmente fui obrigado a prosseguir meus estudos às escondidas. Esta fase durou até os dezessete anos de idade.

Durante essa época, estudei magia, alquimia e a filosofia Yoga, nos poucos livros de valor e nos muitos sem valor que tratam em português de tais assuntos.

Sempre procurava todos os documentos pertencendo ou pretendendo pertencer à assim chamada "Fraternidade Rosacruz". Desta forma entrei em contato sucessivamente com os livros de Max Heindel, com a "ordem" chamada AMORC, com os livros de R.S. Clymer, e eventualmente com a novela .Rosacruz do Dr. Arnold Krumm-Heller.

Sempre media tais correntes pela régua de Zanoni, e encontrava todas elas em falta. Max Heindel era um tagarela piegas; AMORC tentou fazer-me pagar dinheiro pelos seus mistérios; Clymer falava, falava e não dizia nada. Somente o Dr. Krumm-Heller me parecia ter ligação com a alta corrente que eu aspirava.

Deve-se observar aqui que eu era muito exigente. Para mim, os "rosacruzes", para serem "rosacruzes", teriam que possuir o Elixir de Longa Vida, a medicina Universal e a Pedra Filosofal. tudo aquilo que em Zanoni parecia tão incrível e romântico era o que eu queria e o que necessitava. recusava-me a considerar as descrições de Lord Lytton como licença poética. Minha posição era que tais poderosos Seres, tais Adeptos, deviam existir, ou a vida seria uma mentira sem valor. Mais; eu não aspirava a tornar-me discípulo de algum "Mestre"; não, queria ser "Mestre"" eu mesmo.

Tal ambição pode parecer ridícula se eu observar que, na minha vida pessoal, eu era magicamente dominado por minha mãe, uma poderosa maga natural; que era donzel anos após a puberdade; que tinha receio das mulheres; que me entregava à masturbação; e que, enfim, meu desenvolvimento emocional, devido ao laço mágico com minha mãe (chamado pelos psicólogos profanos de "Complexo de Édipo") estava retardado vários anos.

No entanto, existiam simultaneamente em um só rapazelho essas falhas graves e essas grandiosas aspirações.

Aproximadamente aos treze anos de idade, voltei-me espontaneamente ao Serviço da Humanidade. Sem que eu soubesse, os Senhores do Karma receberam o voto (qual sempre acontece quando o voto é sincero) e puseram em movimento as necessárias correntes para que eu pudesse provar ou desaprovar a minha resolução.

Aos dezessete anos de idade, através de minha mãe (ironia para o profano - sabedoria para o iniciado!) descobri que existia uma ordem "rosacruz" ligada ao Dr. Krumm-Heller. Não perdi tempo em entrar em contato, e fui iniciado na [1]Fraternidade Rosacruciana Antiqua a 19 de agosto de 1948.

A minha iniciação foi uma decepção para mim; esperava coisa tal como descrita na novela do Dr. Krumm-Heller, e em vez disso o ritual foi todo sobre o plano físico e do tipo maçônico com o qual já estava familiarizado. Não possuía eu então o conhecimento necessário para compreender que um laço importante se havia formado - o que se tornará aparente, àqueles que estão preparados para recebê-lo, da sequência dos acontecimentos.

Escrevi ao comentadador da Ordem, Dr. D...E...de P..., que presidia à minha iniciação (outro detalhe importante), confiando-lhe a minha decepção e minhas dúvidas. Ele respondeu-me calorosamente, admitindo que esta não era a verdadeira Iniciação, mas aconcelhando paciência e trabalho.

Foi-me dito que devia comparecer as missas gnósticas (assim chamadas!) aos domingos. Já havia assistido uma, e não gostara. Porém, em espírito de obediência, e para comprovar definitivamente a eficácia do sacramento, fui a uma e comunguei. Não senti absolutamente nada, e concluí daí que a missa, tal como a católica, era sem valor (que iniciados ao Santuário da Gnosis notem esse detalhe importante!). Jamais compareci a outra.

Enrementes, minha batalha pessoal contra a dominação de minha mãe continuava cada vez mais acessa. Ela opunha-se ao meu novo interesse, de que ela mesma fora instrumento e elo, suspeitando toda e qualquer influência que alienasse a dela. Futricava, sem que eu soubesse, às minhas coisas.

Eu continuava masturbando-me periodicamente, e sentia intuitivamente que minha presença no trabalho de loja era, em tais condições, indesejável. Ao mesmo tempo, fomentava em mim uma revolta surda contra a classede pessoas com as quais tinha que, durante o ritual, formar uma cadeia. Sentia que, suja qual estava a minha aura, ainda assim faltava a essa gente certos ingredientes necessários para formar uma cadeia mágica comigo; sentia, de fato, que eles não eram dignos ( que Iniciados notem o paradoxo aparente) de contato tão íntimo comigo, e não queria sujeitar-me à influência do magnetismo deles.

Finalmente, matei dois coelhos de uma só cajadada indo ao Comendador e confiando-lhe, sob o selo de discrição profissional (fui ao seu consultório médico), o meu vício solitário e minha intuição de que tornava minha presença no trabalho ritual inconveniente. Ele deu-me permissão para não comparecer ao trabalho ritual, mas não me deu nenhuma informação nem esclarecimento sobre o meu problema sexual (que Iniciados da Gnosis notem este detalhe importante!).

Afastei-me por completo, no plano físico, da atividade da Fraternitas Rosicruciana Antiqua. Entrementes, minha batalha contra a influência de minha mãe, depois de várias cenas violentas, atingiu um ponto culminante, e resolvi deixar o Brasil. Tinha então quase vinte anos de idade; e desde que deixei a atmosfera psíquica da família, meus problemas sexuais começaram a dissolver-se e a desaparecer.

A ORDEM

Em véspera de partir (contra a vontade e com a oposição de minha mãe, naturalmente) para a Europa e depois para estudar nos Estados Unidos da América, fui visitar o Dr. D...E...de P..., que então me confiou um assunto de grande importância para ele e que muito me surpreendeu. Disse ele que, com a morte do Dr. Krumm-Heller, a chefia da Fraternitas Rosicruciana Antiqua havia passado às mãos de Parsival Krumm-Heller, filho do fundador. Disse que, algum tempo antes de sua morte, o Dr. Krumm-Heller havia fomentado a união da Fraternitas Rosicrucianan Antiqua com a assim-chamada Rosicruciam Fraternity in America, de R. S. Clymer (Lembrei-me então de que, quando de minha filiação, tinha-me fornecido a alternativa de ligar-me ou à American ou a Antiqua. Perguntara qual era a do Dr. Krumm-Heller, e sendo informado, escolhi sem hesitar a Antiqua. Que notem os iniciados!)

Disse o Dr. D...que uma das primeiras coisas que o Parsival Krumm-Heller fez ao assumir chefia foi escrever ao Dr. D..., ordenando-lhe que se desligasse imediatamente de Clymer e dissolvesse o ramo da ! Americana" ligado à Antiqua.

O Dr. D...considerara a carta de Parsival Krumm-Heller demasiado autoritária e peremptória, e disse-me que havia respondido protestando contra a maneira brusca por que era tratado. Disse que em resposta Parsival lhe havia escrito uma carta ainda mais grosseira (nenhuma das cartas de Parsival Krumm-Heller assim descritas me foi mostrada). Disse que havia replicado no mesmo tom, e que Parsival desde então nunca mais lhe escrevera.

Como eu ia à Europa, e depois aos estados Unidos, o Dr. D...pediu-me que visitasse, como embaixador da Fraternitas no Brasil, tanto Parsival quanto Clymer; que tentasse reconciliação com Parsival e que sondasse Clymer quanto a profundidade ou pureza espiritual.

É evidente que aceitei com alacridade tal missão. Minha mais amarga decepção havia sido, ao ingressar na F.R.A.m saber que o Dr. Krumm-Heller já não vivia; havia anos que ueria entrar em contato com ele. Eis agora que aprendia de repente que o único homem que, ao meu ver, havia em nossa época tido contato com os verdadeiros "rosacruzes", tinha um filho, seu sucessor; e eu poderia ir ver e conversar com esse filho!...


continua-----