IKH

De Ocultura
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Este artigo é parte integrante da série A Visão e a Voz - Liber 418

Liber 418: A Visão e a Voz, é considerado por Aleister Crowley como o segundo livro em importância, perdendo apenas para Liber AL vel Legis Para obtê-lo, Aleister Crowley e seu discípulo, o poeta inglês Victor Benjamin Neuburg, viajaram as terras áridas da Argélia e ali realizaram invocações específicas valendo-se do sistema enoquiano de John Dee e Edward Kelley.


Menu aethyrs.jpg
Definição - Æthyr
A Visão e a Voz - Liber 418
TEX - 30º Æthyr
RII - 29º Æthyr
BAG - 28º Æthyr
ZAA - 27º Æthyr
DES - 26º Æthyr
VTI - 25º Æthyr
NIA - 24º Æthyr
TOR - 23º Æthyr
LIN - 22º Æthyr
ASP - 21º Æthyr
KHR - 20º Æthyr
POP - 19º Æthyr
ZEN - 18º Æthyr
TAN - 17º Æthyr
LEA - 16º Æthyr
OXO - 15º Æthyr
UTA - 14º Æthyr
ZIM - 13º Æthyr
LOE - 12º Æthyr
IKH - 11º Æthyr
ZAX - 10º Æthyr
ZIP - 9º Æthyr
ZID - 8º Æthyr
DEO - 7º Æthyr
MAZ - 6º Æthyr
LIT - 5º Æthyr
PAZ - 4º Æthyr
ZOM - 3º Æthyr
ARN - 2º Æthyr
LIL - 1º Æthyr

IKH é o 11º Æthyr invocado no Liber 418. Refere-se a Yesod. A fronteira do Abismo.

Aethyr 11.gif

A invocação do 11º Æthyr chamado IKH

Aparece imediatamente na pedra a Kamea da Lua. Está dobrada e atrás dela surge uma grande Hoste de Anjos. Eles estão de costas para mim, porém eu posso ver o quão extraordinários são seus braços sob a forma de espadas e lanças. Eles possuem asas em seus elmos e calcanhares: estão vestindo uma armadura toda completa e a menor de suas espadas tem a forma de uma extraordinária tempestade de luz. A menor de suas lanças assemelha-se um enorme tornado. Em seus escudos estão os olhos do Tetragrammaton, alado e flamejante.... branco, vermelho, negro, amarelo e azul. Nas alas estão vastos esquadrões de elefantes e por trás a artilharia. Eles estão sentados nos elefantes armados com os raios de Zeus.


Agora em tudo que nos cerca não há movimento algum. Ainda que não estejam soltos seus braços mantêm-se tensos e vigilantes. E entre nós está o Deus Shu que eu não notara antes devido a sua força preenchedora de todo o Æthyr. E de fato ele não é visível em sua forma. Nem pode ser percebido por qualquer sentido; ele é mais compreendido do que definido.Noto que todo esse exército está defendendo nove poderosas torres de ferro sobre a fronteira do Æthyr. Dentro de cada uma estão guerreiros de armadura prateada. É impossível descrever a sensação de tensão; eles parecem remadores aguardando o tiro de largada.


Eu noto que um Anjo está postando-se ao meu lado; agora estou no meio da companhia de anjos armados e seu capitão está posicionado diante de mim. Ele também usa uma armadura prateada, envolto em seu corpo está um redemoinho de vento, tão veloz que qualquer sopro é rebatido.


E ele me diz as seguintes palavras:


Observai um poderoso guardião contra o terror das cousas, o mais veloz do Altíssimo, as legiões da eterna vigília; são esses que mantém guarda e proteção dia e noite através dos æons. Na sua união está a força do Todo-poderoso ainda que eles não mexam sequer uma pluma das asas de seus elmos.


Observai a fundação da Cidade Santa, suas torres e bastiões! Observai os exércitos da luz que erguem-se contra o mais longínquo Abismo, contra o horror do vazio e a malícia de Choronzon. Observai o quão venerada é a sabedoria do Mestre que colocara sua estabilidade no irrequieto Ar e na inconstância da Lua. Nos flashes púrpuros do relâmpago ele escreveu a palavra Eternidade e nas asas da andorinha ele instituiu descanso.


Por três e por três e por três firmou Ele a fundação contra o terremoto que é o três. Pois no número nove está a mutabilidade dos números reduzidos ao nada. Pois qualquer que seja o número que tu o envolveres ele aparecerá imutável.


Tais coisas são ditas para ele que compreende, esse é a placa peitoral para os elefantes ou colete para os anjos ou uma escala para as torres de ferro; ainda que este poderoso hospedeiro permaneça imóvel, somente na defensiva, não importando quem ultrapasse suas linhas, nunca o auxiliará.


Ele deve avançar para o mais distante Abismo e lá falar com aquele posto acima do quádruplo terror, o Príncipe do mal, Choronzon, o poderoso demônio que habita o mais distante abismo. E ninguém pode falar com ele ou compreende-lo, porém os servos da Babilônia compreendem e aqueles que não o conseguem servem-no.


Observai! Ele não penetrou no coração nem na mente do homem para conceber esta questão; pois a doença do corpo é morte e a doença do coração é desespero e a doença da mente é loucura. Porém, no mais distante abismo, está a doença da aspiração e a doença da vontade e a doença da essência do todo e não existe palavra nem pensamento onde a imagem desta imagem é refletida.


E aquele que adentrar o mais distante Abismo, exceto o capaz de compreender, deve estender suas mãos e inclinar sua cabeça em direção as correntes de Choronzon. E como um demônio ele caminhou sobre a terra aparentemente imortal e amaldiçoou as flores e corrompeu o ar puro e pôs venenos na água e no fogo que é o amigo do homem e a promessa de sua aspiração e vendo que isso os erguia como grandes pirâmides e vendo que eles roubaram dos céus, mesmo esse fogo transformou em ruina e em locura em febre e destruição. E tu que és um monte de areia seca na cidade das pirâmides deves compreender essas cousas.


E agora acontece algo que se mostra desafortunadamente imerso em tolices; o æthyr, a fundação do universo foi atacado pelo Mais Distante Abismo e a única maneira de descrever é dizendo que o universo sofreu um abalo. Porém o universo “não” foi abalado. E isso é a verdade; a mente racional tentando interpretar essas questões espirituais ofende-se; porém, sendo treinada a obedecer, aceita que não as compreendeu realmente. Visto que ela nunca alcança a comprensão; todavia o Vidente está entre os que conseguem.


E o Anjo diz:


Observai, Ele instituiu Sua misericórdia e Seu poder e ao seu poder é adicionado vitória e para sua Misericórdia é acrescentado esplendor. E tudo isso Ele ordenou em beleza e Ele juntou-as firmemente sobre a Rocha Eterna e daqui a diante Ele ergueu Seu reino tal como uma pérola é colocada em uma jóia de sessenta pérolas e doze e Ele enfeitou-o com as Quatro Santas Criaturas Vivas dos Guardiões e nele gravou o selo da virtuosidade e Ele poliu com o fogo de Seu Anjo e Ele ruborizou seus Afetos e com deleite e com sutileza Ele alegrou o coração e o centro é o Segredo de Seu ser e nisto está o Seu nome Geração. E essa estabilidade possui o número 80 pois o seu preço para tal é a Guerra.


Acautela-te, então, Ó tu que apontas para a compreensão o segredo do mais distante Abismo, pois em cada Abismo tu deves assumir a máscara e a forma do Anjo local. Tens um nome e tu definitivamente o perdeste. Procura então, se ainda existir, uma gota de sangue que não fora colhido pela taça da Babilônia a Bela, pois nesse pequeno monte de pó, se lá estiver uma gota de sangue, devera sê-la totalmente corrupta; brotando escorpiões e víboras e a saliva do gato.


E eu digo ao Anjo: Não existe ninguém vigiando? E ele responde: Eloi, Eloi, lama sabacthani. Para poder passar por Choronzon ele deve abandonar a interpretação e identidade dos elementos da visão. Tal como um êxtase de angústia responde-me que eu não posso dar-lhe a voz, ainda eu sabendo que se encontra igual a angústia do Getsâme. E essa é a última palavra do Æthyr. As fronteiras foram atravessadas e ante o vidente estende-se o mais distante Abismo. Eu retornei.



Bou Saada
5 de Dezembro de 1909.

Referências