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[[Image:Hpb.jpg|right|thumb|200px|'''Helena Petrovna Blavatsky''' (1831-1891) ativista, escritora, ocultista, teósofa russa e uma das fundadoras da [[Sociedade Teosófica]] (retrato de 1877 em Nova Iorque).]]
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[[Image:Hpb.jpg|right|thumb|200px|'''Helena Petrovna Blavatsky''' (1831-1891), ativista, escritora, ocultista, teósofa russa e uma das fundadoras da [[Sociedade Teosófica]] (retrato de 1877 em Nova Iorque).]]
'''Helena Petrovna Blavatsky''' ([[Dnipropetrovsk|Ekaterinoslav]], [[12 de agosto]] de [[1831]] — [[Londres]], [[8 de maio]] de [[1891]]) foi a responsável pela sistematização da moderna [[Teosofia]], e foi uma das fundadoras da [[Sociedade Teosófica]]. Os seus mais importantes livros são ''[[Ísis Sem Véu]]'' e ''[[A Doutrina Secreta]]'', escritos em [[1875]] e [[1888]], respectivamente.
 
  
Seu  [[nome de batismo]] era '''Helena von Hahn''' e em [[Língua russa|russo]] ''Елена Петровна Блаватская''. Blavatsky nasceu na cidade de [[Dnipropetrovsk|Ekaterinoslav]], situada às margens do [[rio Dnieper]], no sul da [[Rússia]] (atualmente território da [[Ucrânia]]).
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'''Helena Petrovna Blavatsky''' (Ekaterinoslav, 12 de agosto de 1831 — Londres, 8 de maio de 1891), ou apenas Mme. Blavatsky como era conhecida, foi a responsável pela sistematização da moderna [[Teosofia]], e foi uma das fundadoras da [[Sociedade Teosófica]]. Os seus mais importantes livros são ''Ísis Sem Véu'' e ''A Doutrina Secreta'', escritos em 1875 e 1888, respectivamente.
  
O [[sobrenome]] ''Blavatsky'' deve-se a um curto casamento com um homem bem mais velho, chamado Nikifor Vassilievitch Blavatsky, aos dezessete anos de idade. A rigor, a grafia correta e coerente com a forma feminina russa do sobrenome seria ''Blavatskaia''. Já ''Petrovna'' é um [[patronímico]], ou seja, identifica o pai. Deste modo, ''Petrovna'' significa "filha de Petr (Pedro)".
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Seu  nome de batismo era '''Helena von Hahn''' e em russo ''Елена Петровна Блаватская''. Blavatsky nasceu na cidade de Ekaterinoslav, situada às margens do rio Dnieper, no sul da Rússia (atualmente território da Ucrânia).
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O sobrenome ''Blavatsky'' deve-se a um curto casamento com um homem bem mais velho, chamado '''Nikifor Vassilievitch Blavatsky''', aos dezessete anos de idade. A rigor, a grafia correta e coerente com a forma feminina russa do sobrenome seria ''Blavatskaia''. Já ''Petrovna'' é um patronímico, ou seja, identifica o pai. Deste modo, ''Petrovna'' significa "filha de Petr (Pedro)".
  
 
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Blavatsky era filha do Coronel Peter von Hahn e [[Helena de Fadeyev]], uma conhecida [[literatura|escritora]] de [[romance]]s. Pela parte materna, era neta da princesa Helena Dolgorukov, [[botânica]] e [[Literatura|escritora]]. Depois do precoce falecimento de sua mãe em [[1842]], Helena cresceu sob cuidados de seus avós em [[Saratov]], onde seu avô era governador. Helena era uma talentosa [[Piano|pianista]] e, segundo várias testemunhas, era dotada de [[Parapsicologia|poderes psíquicos]] ou sobrenaturais. Desde nova mostrou-se interessada no [[esoterismo]], lendo várias obras da biblioteca pessoal do seu bisavô que tinha sido iniciado na [[Maçonaria]] no final do [[século XVIII]].
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Blavatsky era filha do Coronel Peter von Hahn e Helena de Fadeyev, uma conhecida escritora de romances. Pela parte materna, era neta da princesa Helena Dolgorukov, botânica e escritora. Depois do precoce falecimento de sua mãe em 1842, Helena cresceu sob cuidados de seus avós em Saratov, onde seu avô era governador. Helena era uma talentosa pianista e, segundo várias testemunhas, era dotada de poderes psíquicos ou sobrenaturais. Desde nova mostrou-se interessada no esoterismo, lendo várias obras da biblioteca pessoal do seu bisavô que tinha sido iniciado na [[Maçonaria]] no final do século XVIII.
  
Aos dezessete anos, Helena casou-se com Nikifor Vassilievitch Blavatsky, vice-governador da província de [[Erevan]] na [[Arménia]]. Ele era muito mais velho do que ela, e o casamento nunca se consumou de fato. Helena aceitou casar-se com a esperança de adquirir independência. Afastou-se do marido quando ainda estava a decorrer a lua-de-mel e iniciou uma série de viagens que incluiram a [[Turquia]], [[Egipto|Egito]] e [[Grécia]]. Em algumas dessas viagens, ela foi acompanhada por Albert Rawson, um explorador natural dos Estados Unidos, também interessado no esoterismo e que era membro de lojas maçónicas.
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Aos dezessete anos, Helena casou-se com Nikifor Vassilievitch Blavatsky, vice-governador da província de Erevan na Arménia. Ele era muito mais velho do que ela, e o casamento nunca se consumou de fato. Helena aceitou casar-se com a esperança de adquirir independência. Afastou-se do marido quando ainda estava a decorrer a lua-de-mel e iniciou uma série de viagens que incluiram a Turquia, Egito e Grécia. Em algumas dessas viagens, ela foi acompanhada por Albert Rawson, um explorador natural dos Estados Unidos, também interessado no esoterismo e que era membro de lojas maçónicas.
  
Segundo conta-se, em seu aniversário de vinte anos, em [[1851]], Helena estava com seu pai em Londres, quando pela primeira vez encontrou-se com seu Mestre, que ela conhecia de visões e sonhos desde sua infância. Este Mestre seria um iniciado oriental de Rajput, o [[Mahatma]] M. (ou Mestre Morya), como é conhecido entre os teósofos.  
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Segundo conta-se, em seu aniversário de vinte anos, em 1851, Helena estava com seu pai em Londres, quando pela primeira vez encontrou-se com seu Mestre, que ela conhecia de visões e sonhos desde sua infância. Este Mestre seria um iniciado oriental de '''Rajput''', o '''Mahatma M.''' (ou '''Mestre Morya'''), como é conhecido entre os teósofos.  
  
No mesmo ano, Blavatsky embarcou para o [[Canadá]], e depois viajou por várias partes dos [[Estados Unidos da América|EUA]], [[México]], [[América do Sul]], e [[Índia]]. Sua primeira tentativa em entrar no [[Tibete]] falhou, retornando então a Inglaterra, passando por [[Java (ilha)|Java]].
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No mesmo ano, Blavatsky embarcou para o Canadá, e depois viajou por várias partes dos EUA, México, América do Sul, e Índia. Sua primeira tentativa em entrar no Tibete falhou, retornando então a Inglaterra, passando por Java.
 
   
 
   
 
[[Image:Blavatsky.jpeg|right|thumb|Fotografia com a assinatura de '''Helena Blavatsky'''.]]
 
[[Image:Blavatsky.jpeg|right|thumb|Fotografia com a assinatura de '''Helena Blavatsky'''.]]
  
Em [[1855]], retornou à Índia e foi bem sucedida em sua tentativa de entrar no Tibete através de [[Caxemira]] e [[Ladakh]]. No Tibete, passou por um período de treinamento sob a influência de seu Mestre. Em [[1858]], foi para a [[França]] e para a [[Alemanha]], e retornou à Rússia no mesmo ano, passando um curto período com sua irmã Vera em [[Pskov]]. De [[1860]] até [[1865]], viveu e viajou no [[Cáucaso]], passando por experiências e crises de natureza psíquicas. O que lhe possibilitou, segundo ela própria, adquirir total controle sobre seus poderes psíquicos. Partiu da Rússia novamente em [[1865]], e viajou extensivamente nas [[Bálcãs|Balcãs]], Grécia, Egito, [[Síria]] e [[Itália]], entre outros lugares.
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Em 1855, retornou à Índia e foi bem sucedida em sua tentativa de entrar no Tibete através de Caxemira e Ladakh. No Tibete, passou por um período de treinamento sob a influência de seu Mestre. Em 1858, foi para a França e para a Alemanha, e retornou à Rússia no mesmo ano, passando um curto período com sua irmã Vera em Pskov. De 1860 até 1865, viveu e viajou no Cáucaso, passando por experiências e crises de natureza psíquicas. O que lhe possibilitou, segundo ela própria, adquirir total controle sobre seus poderes psíquicos. Partiu da Rússia novamente em 1865, e viajou extensivamente nas Balcãs, Grécia, Egito, Síria e Itália, entre outros lugares.
  
Em [[1868]], retornou à Índia, via Tibete. Nesta viagem, Blavatsky, segundo conta-se, conheceu o Mestre K.H. (ou Mestre Koot Hoomi) e hospedou-se em sua residência. No final de [[1870]], retornou a [[Chipre]] e à Grécia. Embarcou, depois, para o Egito, do porto de [[Perea]] na Grécia. O navio por onde viajava, a caminho do Egito, naufragou próximo à ilha de [[Spetsai]] em [[4 de Julho]] de [[1871]]. Salva, foi para o [[Cairo]] e fundou a ''Societe Spirite'', onde pretendia inicialmente incentivar os fenômenos espíritas e mediúnicos codificados por [[Allan Kardec]] para aos poucos introduzir os ensinamentos do ocultismo e demonstrar a natureza ''mayávica'' (ou seja, ilusória, em uma perspectiva teosófica) de tais práticas. Em cartas para seus familiares, Blavatsky fica desolada com os participantes do grupo. Alguns fingiam serem médiuns, enquanto outros eram alcólatras contumazes e assim por diante. O Grupo não durou muito tempo e não alcançou os objetivos iniciais.   
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Em 1868, retornou à Índia, via Tibete. Nesta viagem, Blavatsky, segundo conta-se, conheceu o '''Mestre K.H.''' (ou '''Mestre Koot Hoomi''') e hospedou-se em sua residência. No final de 1870, retornou a Chipre e à Grécia. Embarcou, depois, para o Egito, do porto de Perea na Grécia. O navio por onde viajava, a caminho do Egito, naufragou próximo à ilha de Spetsai em 4 de Julho de 1871. Salva, foi para o Cairo e fundou a ''Societe Spirite'', onde pretendia inicialmente incentivar os fenômenos espíritas e mediúnicos codificados por Allan Kardec para aos poucos introduzir os ensinamentos do ocultismo e demonstrar a natureza ''mayávica'' (ou seja, ilusória, em uma perspectiva teosófica) de tais práticas. Em cartas para seus familiares, Blavatsky fica desolada com os participantes do grupo. Alguns fingiam ser médiuns, enquanto outros eram alcólatras contumazes e assim por diante. O Grupo não durou muito tempo e não alcançou os objetivos iniciais.   
  
Depois de viagens através do [[Oriente Médio]], retornou por um curto período de tempo a [[Odessa]], na Rússia, em Julho de [[1872]]. Segundo Helena, na primavera de [[1873]], o seu Mestre deu-lhe instruções para seguir para [[Paris]] e, depois, para [[Nova York]].
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Depois de viagens através do Oriente Médio, retornou por um curto período de tempo a Odessa, na Rússia, em Julho de 1872. Segundo Helena, na primavera de 1873, o seu Mestre deu-lhe instruções para seguir para Paris e, depois, para Nova York.
  
 
=== Fundação da S.T. e publicações ===
 
=== Fundação da S.T. e publicações ===
[[Image:Tsseal1875.gif|left|thumb|230px|Emblema da '''[[Sociedade Teosófica]]''' (a [[suástica]] ou cruz gamada no topo do selo teosófico é um antigo símbolo religioso do Oriente, não tendo aqui nenhum tipo de conotação [[Nazismo|nazista]]. A suástica da S.T. representa evolução espiritual, enquanto que a suástica nazista é invertida, possuindo uma outra simbologia associada).]]
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[[Image:Tsseal1875.gif|left|thumb|230px|Emblema da '''[[Sociedade Teosófica]]''' (a suástica ou cruz gamada no topo do selo teosófico é um antigo símbolo religioso do Oriente, não tendo aqui nenhum tipo de conotação nazista. A suástica da S.T. representa evolução espiritual, enquanto que a suástica nazista é invertida, possuindo uma outra simbologia associada).]]
  
Em Outubro de [[1874]] Blavatsky conheceu o Coronel [[Henry Steel Olcott]], bem como [[William Quan Judge]], um jovem advogado irlandês em [[Nova Iorque]]. A fundação da [[Sociedade Teosófica]] se deu em [[7 de setembro]] de [[1875]], com a participação de dezesseis teósofos: Helena Blavatsky, Cel. Henry Steel Olcott, William Quan Judge, Charles Sotheram, Dr. Charles E. Simmons, W.L. Alden, G.H. Felt, J. Hyslop, D.E. de Lara. C.C. Massey, E.D. Monachesi, Henry J. Newton, H.M. Stevens, Jonh Storer Cobb, Dr. Britten e sua esposa, e seus nomes constam nas minutas elaboradas pelo então secretário William Quan Judge.
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Em Outubro de 1874 Blavatsky conheceu o Coronel [[Henry Steel Olcott]], bem como [[William Quan Judge]], um jovem advogado irlandês em Nova Iorque. A fundação da [[Sociedade Teosófica]] se deu em 7 de setembro de 1875, com a participação de dezesseis teósofos: Helena Blavatsky, Cel. Henry Steel Olcott, William Quan Judge, Charles Sotheram, Dr. Charles E. Simmons, W.L. Alden, G.H. Felt, J. Hyslop, D.E. de Lara. C.C. Massey, E.D. Monachesi, Henry J. Newton, H.M. Stevens, Jonh Storer Cobb, Dr. Britten e sua esposa, e seus nomes constam nas minutas elaboradas pelo então secretário William Quan Judge.
  
Em setembro de [[1875]], Blavatsky publicou sua primeira grande obra, ''[[Ísis Sem Véu]]'', uma obra que menciona a história, o desenvolvimento das [[ocultismo|ciências ocultas]], a natureza e origem da [[magia]], as raízes do [[cristianismo]], e, segundo a perspectiva da autora, os erros da [[teologia]] [[Cristianismo|cristã]] e as falácias estabelecidas pela [[ciência]] ortodoxa. Neste mesmo ano, H.P. Blavatsky foi naturalizada cidadã estadunidense. Em [[1878]], Blavatsky e Henry Olcott transferiram a Sede da Sociedade Teosófica para a Adyar, Índia [http://www.teosofia.com.br/artigo108.php]. Conheceram nessa altura [[Alfred Percy Sinnett]], o editor do jornal oficial do governo da Índia, [[The Pioneer de Allahabad]]. Este contato foi extremamente importante para Blavatsky e para a Sociedade Teosófica.
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Em setembro de 1875, Blavatsky publicou sua primeira grande obra, ''Ísis Sem Véu'', uma obra que menciona a história, o desenvolvimento das ciências ocultas, a natureza e origem da magia, as raízes do cristianismo (ou melhor, Cristismo), e, segundo a perspectiva da autora, os erros da teologia cristã (ou melhor, cristista) e as falácias estabelecidas pela ciência ortodoxa. Neste mesmo ano, H.P. Blavatsky foi naturalizada cidadã estadunidense. Em 1878, Blavatsky e Henry Olcott transferiram a Sede da Sociedade Teosófica para a Adyar, Índia. Conheceram nessa altura [[Alfred Percy Sinnett]], o editor do jornal oficial do governo da Índia, The Pioneer de Allahabad. Este contato foi extremamente importante para Blavatsky e para a Sociedade Teosófica.
  
Em outubro de [[1879]], foi iniciada a publicação da primeira revista teosófica, ''The Theosophist'' (ainda publicada), e Blavatsky era a editora responsável. A Sociedade Teosófica rapidamente cresceu, tendo a ela associadas pessoas de grande importância.
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Em outubro de 1879, foi iniciada a publicação da primeira revista teosófica, ''The Theosophist'' (ainda publicada), e Blavatsky era a editora responsável. A Sociedade Teosófica rapidamente cresceu, tendo a ela associadas pessoas de grande importância.
  
Em [[1880]] Blavatsky e Olcott passaram algum tempo no Ceilão (atual [[Sri Lanka]]), o que estreitou ainda mais o apreço deles para o sistema ético do budismo esotérico mahayana. Em setembro desse ano, H.P.B. e o Coronel Olcott visitaram A.P. Sinnett e sua esposa em [[Simla]] na Índia. O sério interesse de Sinnett nos ensinamentos e trabalho da Sociedade Teosófica fez com que Blavatsky estabelecesse correspondência entre Sinnett e os Mahatma K.H. e M. Como fruto desta correspondência, Sinnet escreveu ''[[O Mundo Oculto]]'' ([[1881]]) e o ''[[Budismo Esotérico]]'' ([[1883]]). Ambos os livros exerceram grande influência e fizeram com que o interesse pela teosofia e pela Sociedade Teosófica aumentasse. As respostas e explanações enviadas pelos [[Mahatmas]] a Sinnett estão contidas em uma correspondência que durou de [[1880]] até [[1885]] e foram publicadas em [[1923]] como as ''Cartas dos Mahatmas para A.P. Sinnett''. As cartas originais dos Mahatmas estão preservadas no [[Museu Britânico]] em [[Londres]]. Elas podem ser vistas com uma permissão especial do departamento de manuscritos raros do Museu Britânico.
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Em 1880 Blavatsky e Olcott passaram algum tempo no Ceilão (atual Sri Lanka), o que estreitou ainda mais o apreço deles para o sistema ético do budismo esotérico mahayana. Em setembro desse ano, H.P.B. e o Coronel Olcott visitaram A.P. Sinnett e sua esposa em Simla na Índia. O sério interesse de Sinnett nos ensinamentos e trabalho da Sociedade Teosófica fez com que Blavatsky estabelecesse correspondência entre Sinnett e os Mahatma K.H. e M. Como fruto desta correspondência, Sinnet escreveu ''O Mundo Oculto'' (1881) e o ''Budismo Esotérico'' (1883). Ambos os livros exerceram grande influência e fizeram com que o interesse pela teosofia e pela Sociedade Teosófica aumentasse. As respostas e explanações enviadas pelos Mahatmas a Sinnett estão contidas em uma correspondência que durou de 1880 até 1885 e foram publicadas em 1923 como as ''Cartas dos Mahatmas para A.P. Sinnett''. As cartas originais dos Mahatmas estão preservadas no Museu Britânico em Londres. Elas podem ser vistas com uma permissão especial do departamento de manuscritos raros do Museu Britânico.
  
Em Maio de [[1882]], Blavatsky e Olcott adquiriram uma grande área em [[Madras]], na Índia, no bairro de [[Adyar]], estabelecendo oficialmente lá a Sede Internacional da Sociedade Teosófica.
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Em Maio de 1882, Blavatsky e Olcott adquiriram uma grande área em Madras, na Índia, no bairro de Adyar, estabelecendo oficialmente lá a Sede Internacional da Sociedade Teosófica.
  
 
=== Ataques pessoais contra Blavatsky ===
 
=== Ataques pessoais contra Blavatsky ===
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[[Image:Blavatsky and Olcott.jpg|thumb|right|250px|'''Helena Blavatsky''' e '''[[Henry Steel Olcott|Henry Olcott]]''' em 1888, os principais fundadores da '''[[Sociedade Teosófica]]'''.]]
 
[[Image:Blavatsky and Olcott.jpg|thumb|right|250px|'''Helena Blavatsky''' e '''[[Henry Steel Olcott|Henry Olcott]]''' em 1888, os principais fundadores da '''[[Sociedade Teosófica]]'''.]]
  
Um forte ataque contra Blavatsky, feito por Alexis e Emma Coulomb (dois membros do grupo de trabalho de Adyar), teve rapidamente efeitos na vida e obra de Blavatsky. Ela retornou para Adyar em [[21 de dezembro]] de [[1884]] para informar-se melhor sobre a situação. Ela desejava processar o casal, que havia sido banido de Adyar por tentar acusar Blavatsky de fraude. Mas o comitê líder da S.T. não aceitou que Blavatsky processasse o casal. Muito desapontada, renunciou ao cargo de secretária correspondente de Adyar. Em Março de [[1885]], partiu para a Europa para nunca mais retornar à Índia.
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Um forte ataque contra Blavatsky, feito por Alexis e Emma Coulomb (dois membros do grupo de trabalho de Adyar), teve rapidamente efeitos na vida e obra de Blavatsky. Ela retornou para Adyar em 21 de dezembro de 1884 para informar-se melhor sobre a situação. Ela desejava processar o casal, que havia sido banido de Adyar por tentar acusar Blavatsky de fraude. Mas o comitê líder da S.T. não aceitou que Blavatsky processasse o casal. Muito desapontada, renunciou ao cargo de secretária correspondente de Adyar. Em Março de 1885, partiu para a Europa para nunca mais retornar à Índia.
  
 
O ataque de Coulomb, como foi depois comprovado, não tinha bases sólidas. Foi fundamentado em cartas falsificadas, supostamente escritas por Blavatsky, com instruções para organização de fraudulentos fenômenos psíquicos. Uma revista de missionários cristãos em Madras publicou a maioria das cartas.
 
O ataque de Coulomb, como foi depois comprovado, não tinha bases sólidas. Foi fundamentado em cartas falsificadas, supostamente escritas por Blavatsky, com instruções para organização de fraudulentos fenômenos psíquicos. Uma revista de missionários cristãos em Madras publicou a maioria das cartas.
  
A [[Sociedade para a Pesquisa Psíquica]] em Londres (''London Society for Psychical Research'')  criou um comitê especial para investigar Madame Blavatsky. Em dezembro de [[1884]], Richard Hodgson, um membro do comitê da S.P.P. chegou à Índia para investigar e preparar um relatório sobre as alegações dos Coulomb. Baseado no relatório Hodgson, o comitê da  S.P.P., em um relatório final em [[1885]], acusou Madame Blavatsky como "uma das maiores impostoras da história”.  Hodgson também acusou Madame Blavatsky de ser uma espiã russa. Esse relatório foi utilizado durante anos como base para atacar Madame Blavatsky e tentar provar a inexistência dos Mestres ou [[Mahatmas]].  
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A Sociedade para a Pesquisa Psíquica em Londres (''London Society for Psychical Research'')  criou um comitê especial para investigar Madame Blavatsky. Em dezembro de 1884, Richard Hodgson, um membro do comitê da S.P.P. chegou à Índia para investigar e preparar um relatório sobre as alegações dos Coulomb. Baseado no relatório Hodgson, o comitê da  S.P.P., em um relatório final em 1885, acusou Madame Blavatsky como "uma das maiores impostoras da história”.  Hodgson também acusou Madame Blavatsky de ser uma espiã russa. Esse relatório foi utilizado durante anos como base para atacar Madame Blavatsky e tentar provar a inexistência dos Mestres ou Mahatmas.  
  
Em [[1963]], Adlai Waterman (pseudónimo  Walter A. Carrithers, Jr.) em sua obra ''Obituário do Relatório de Hodgson sobre Madame Blavatsky'', analisou e refutou as acusações de Hodgson a Madame Blavatsky. Uma mais recente refutação de algumas das acusações de Hodgson contra Blavatsky é o livro de Vernon Harrison intitulado ''H. P. Blavatsky and the SPR: An Examination of the Hodgson Report of 1885''.
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Em 1963, Adlai Waterman (pseudónimo  Walter A. Carrithers, Jr.) em sua obra ''Obituário do Relatório de Hodgson sobre Madame Blavatsky'', analisou e refutou as acusações de Hodgson a Madame Blavatsky. Uma mais recente refutação de algumas das acusações de Hodgson contra Blavatsky é o livro de Vernon Harrison intitulado ''H. P. Blavatsky and the SPR: An Examination of the Hodgson Report of 1885''.
  
Esse ataque afetou a saúde de Blavatsky, que partiu da Índia para a Europa em agosto de [[1885]]. Na Alemanha, em [[Wurtzburgo|Wurzburg]], começou a escrever ''[[A Doutrina Secreta]]'', sua obra-prima. Em Maio de [[1887]], aceitando o convite de teósofos da Inglaterra, mudou-se para [[Londres]].
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Esse ataque afetou a saúde de Blavatsky, que partiu da Índia para a Europa em agosto de 1885. Na Alemanha, em Wurzburg, começou a escrever ''A Doutrina Secreta'', sua obra-prima. Em Maio de 1887, aceitando o convite de teósofos da Inglaterra, mudou-se para Londres.
  
 
=== Retorno a Londres ===
 
=== Retorno a Londres ===
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Quando Blavatsky chegou a Londres, as atividades teosóficas intensificaram-se e fundou-se a Loja Blavatsky.
 
Quando Blavatsky chegou a Londres, as atividades teosóficas intensificaram-se e fundou-se a Loja Blavatsky.
  
Na Inglaterra, iniciou a revista ''Lúcifer'' [http://www.blavatsky.net/portuguese/oqueha.htm] (do latim [[Lúcifer|luciferius]]'', significando "estrela matutina", "estrela d'alva" ou "aquele que é portador da luz").
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Na Inglaterra, iniciou a revista ''Lúcifer'' [http://www.blavatsky.net/portuguese/oqueha.htm] (do latim luciferius'', significando "estrela matutina", "estrela d'alva" ou "aquele que é portador da luz").
  
Por várias vezes desde as acusações de fraude levantadas na Índia, Madame Blavatsky foi repetidas vezes desenganada pelos médicos. Segundo o testemunho de Helena, ela recebeu um dia, a visita de um de seus instrutores tibetanos que lhe deu, segundo ela, a seguinte escolha: "ou morrer, libertando-me (do corpo doente), ou continuar viva para terminar ''A Doutrina Secreta''". Ela recuperou-se e continuou a escrever sua grande obra, que finalizou, e foi publicada em [[1888]], simultaneamente em Londres e [[Nova Iorque]]. Seus auxiliares na transcrição e edição dos manuscritos foram Bertram Keightley e [[Archibald Keightley]].  
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Por várias vezes desde as acusações de fraude levantadas na Índia, Madame Blavatsky foi repetidas vezes desenganada pelos médicos. Segundo o testemunho de Helena, ela recebeu um dia, a visita de um de seus instrutores tibetanos que lhe deu, segundo ela, a seguinte escolha: "ou morrer, libertando-me (do corpo doente), ou continuar viva para terminar ''A Doutrina Secreta''". Ela recuperou-se e continuou a escrever sua grande obra, que finalizou, e foi publicada em 1888, simultaneamente em Londres e Nova Iorque. Seus auxiliares na transcrição e edição dos manuscritos foram Bertram Keightley e Archibald Keightley.  
  
''[[A Doutrina Secreta]]'' é a maior obra da carreira literária de Blavatsky. O volume primeiro é dedicado à [[cosmogênese]] e é, basicamente, composto por estudos relativos à evolução do Universo. O esqueleto deste volume é formado por sete ''stanzas'' traduzidas do ''Livro de Dyzian'' com comentários e explanações feitas por Blavatsky. Neste volume também são elucidados os símbolos fundamentais contidos nas grandes religiões e mitologias do mundo. O segundo volume contém outra série de ''stanzas'' do ''Livro de Dyzian'', que descrevem a evolução humana ([[antropogênese]])
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''A Doutrina Secreta'' é a maior obra da carreira literária de Blavatsky. O volume primeiro é dedicado à cosmogênese e é, basicamente, composto por estudos relativos à evolução do Universo. O esqueleto deste volume é formado por sete ''stanzas'' traduzidas do ''Livro de Dyzian'' com comentários e explanações feitas por Blavatsky. Neste volume também são elucidados os símbolos fundamentais contidos nas grandes religiões e mitologias do mundo. O segundo volume contém outra série de ''stanzas'' do ''Livro de Dyzian'', que descrevem a evolução humana (antropogênese)
  
 
As palavras finais de Blavatsky sobre a obra foram: "Esta obra é dedicada a todos os verdadeiros teosofistas".
 
As palavras finais de Blavatsky sobre a obra foram: "Esta obra é dedicada a todos os verdadeiros teosofistas".
  
Também em [[1888]], Madame Blavatsky fundou a Seção Esotérica da Sociedade Teosófica dedicada a um estudo mais profundo da [[esoterismo|filosofia esotérica]] e escreveu para os estudantes desta escola três trabalhos.
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Também em 1888, Madame Blavatsky fundou a Seção Esotérica da Sociedade Teosófica dedicada a um estudo mais profundo da filosofia esotérica e escreveu para os estudantes desta escola três trabalhos.
  
Em [[1889]] Blavatsky publicou o livro ''[[A Chave para a Teosofia]]'', uma exposição clara de [[Ética]], [[Filosofia]] e [[Ciência]] em forma de perguntas e respostas expondo a razão pela qual a Sociedade Teosófica foi fundada e quais eram seus ensinamentos básicos.
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Em 1889 Blavatsky publicou o livro ''A Chave para a Teosofia'', uma exposição clara de Ética, Filosofia e Ciência em forma de perguntas e respostas expondo a razão pela qual a Sociedade Teosófica foi fundada e quais eram seus ensinamentos básicos.
Ela também publicou ''A Voz do Silêncio'', um livro poético baseado no ''Livro dos Preceitos de Ouro'', que ela havia memorizado enquanto residia em uma lamaseria tibetana, e que foi traduzido para a [[língua portuguesa]] por [[Fernando Pessoa]].
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Ela também publicou ''A Voz do Silêncio'', um livro poético baseado no ''Livro dos Preceitos de Ouro'', que ela havia memorizado enquanto residia em uma lamaseria tibetana, e que foi traduzido para a língua portuguesa por [[Fernando Pessoa]].
  
 
=== Trabalho, dedicação e polêmicas ===
 
=== Trabalho, dedicação e polêmicas ===
  
[[Image:Annie Besant in 1897.JPG|thumb|right|'''[[Annie Wood Besant]]''' ([[1847]] - [[1933]]), discípula favorita e sucessora de '''Blavatsky''' na liderança da [[Sociedade Teosófica]].]]
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[[Image:Annie Besant in 1897.JPG|thumb|right|'''[[Annie Wood Besant]]''' (1847 - 1933), discípula favorita e sucessora de '''Blavatsky''' na liderança da [[Sociedade Teosófica]].]]
  
 
Segundo testemunhas da época, Blavatsky trabalhava incessantemente em seus projetos, mesmo com sua saúde seriamente abalada. Seu trabalho pode ser visto na monumental obra ''A Doutrina Secreta''. Nesta obra ela inclui mais de 2.000 citações, com indicações precisas de páginas e autores, relacionadas a livros que ela não poderia ter lido, pelo menos diretamente. Outro exemplo de seu extenso trabalho e dedicação é o livro ''Ísis Sem Véu'', com mais de 1.300 páginas.
 
Segundo testemunhas da época, Blavatsky trabalhava incessantemente em seus projetos, mesmo com sua saúde seriamente abalada. Seu trabalho pode ser visto na monumental obra ''A Doutrina Secreta''. Nesta obra ela inclui mais de 2.000 citações, com indicações precisas de páginas e autores, relacionadas a livros que ela não poderia ter lido, pelo menos diretamente. Outro exemplo de seu extenso trabalho e dedicação é o livro ''Ísis Sem Véu'', com mais de 1.300 páginas.
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Várias testemunhas afirmam que sua biblioteca, que a acompanhava nas viagens, se limitava a poucos dicionários de inglês.  
 
Várias testemunhas afirmam que sua biblioteca, que a acompanhava nas viagens, se limitava a poucos dicionários de inglês.  
  
Segundo o crítico [[Inglaterra|inglês]] William Emmett Coleman, para escrever ''Isis sem Véu'', Blavatsky precisaria ter estudado 1.400 livros, o que seria impossível para alguém que viajava constantemente com uma pequena quantidade de livros em sua biblioteca pessoal. Além disso, se Blavatsky tivesse lido todos os livros (muitos deles disponíveis somente em alguns museus ou bibliotecas longínquos) dos quais cita trechos ''in verbatim'' durante seus livros, teria levado várias vidas para concluir a leitura.
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Segundo o crítico inglês  William Emmett Coleman, para escrever ''Isis sem Véu'', Blavatsky precisaria ter estudado 1.400 livros, o que seria impossível para alguém que viajava constantemente com uma pequena quantidade de livros em sua biblioteca pessoal. Além disso, se Blavatsky tivesse lido todos os livros (muitos deles disponíveis somente em alguns museus ou bibliotecas longínquos) dos quais cita trechos ''in verbatim'' durante seus livros, teria levado várias vidas para concluir a leitura.
  
Madame Blavatsky explicava que escreveu tanto ''Ísis Sem Véu'' quanto a ''Doutrina Secreta'' com a ajuda dos Mahatmas, que certas vezes transferiam suas consciências para o corpo físico de HPB, em um processo chamado [[tulku]]. Blavatsky afirma que tal processo não é mediúnico, uma vez que os Mahatmas não eram espíritos mortos, mas seres humanos reais em corpos fisicos. Ainda segundo ela própria, algumas cenas e citações lhes eram mostradas clarividentemente através da [[luz astral]], outras vezes, enquanto dormia, páginas inteiras eram precipitadas em sua própria letra, ou cartas dos Mestres se materializavam em papéis.
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Madame Blavatsky explicava que escreveu tanto ''Ísis Sem Véu'' quanto a ''Doutrina Secreta'' com a ajuda dos Mahatmas, que certas vezes transferiam suas consciências para o corpo físico de HPB, em um processo chamado [[tulku]]. Blavatsky afirma que tal processo não é mediúnico, uma vez que os Mahatmas não eram espíritos mortos, mas seres humanos reais em corpos fisicos. Ainda segundo ela própria, algumas cenas e citações lhes eram mostradas clarividentemente através da luz astral, outras vezes, enquanto dormia, páginas inteiras eram precipitadas em sua própria letra, ou cartas dos Mestres se materializavam em papéis.
  
 
Esses fatos contribuiram fortemente para que Blavatsky fosse tomada como uma farsante.
 
Esses fatos contribuiram fortemente para que Blavatsky fosse tomada como uma farsante.
  
Além disto, seus críticos a acusam de [[racismo]], particularmente quando Blavatsky refere-se a alguns grupos étnicos, os [[Povo indígena|aborígenes]] [[Austrália|australianos]], por exemplo, como pertencendo a uma raça inferior, já que os identifica como "mestiços atlanto-lemurianos". Com relação aos [[semita]]s, particularmente os [[Arábia|árabes]], diz que são "espiritualmente degenerados".
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Além disto, seus críticos a acusam de racismo, particularmente quando Blavatsky refere-se a alguns grupos étnicos, os aborígenes australianos, por exemplo, como pertencendo a uma raça inferior, já que os identifica como "mestiços atlanto-lemurianos". Com relação aos semitas, particularmente os árabes, diz que são "espiritualmente degenerados".
  
 
=== Sucessão e testamento ===
 
=== Sucessão e testamento ===
  
Helena Blavatsky faleceu [[1891]], em [[Londres]]. Após sua morte e a de [[Henry Steel Olcott]], a liderança da Sociedade Teosófica foi entregue à discípula favorita de Blavatsky, [[Annie Wood Besant|Annie Besant]], e a [[William Quan Judge]]. Seu corpo foi cremado e um terço das cinzas ficou na [[Europa]], um terço foi para os [[Estados Unidos]], levado por [[William Quan Judge]], e o outro terço encontra-se na Sede Internacional da S.T., depositadas no interior de uma estátua dela.
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Helena Blavatsky faleceu 1891, em Londres. Após sua morte e a de [[Henry Steel Olcott]], a liderança da Sociedade Teosófica foi entregue à discípula favorita de Blavatsky, [[Annie Wood Besant|Annie Besant]], e a [[William Quan Judge]]. Seu corpo foi cremado e um terço das cinzas ficou na Europa, um terço foi para os Estados Unidos, levado por [[William Quan Judge]], e o outro terço encontra-se na Sede Internacional da S.T., depositadas no interior de uma estátua dela.
  
Em seu testamento, Blavatsky pede aos teósofos que celebrem a data de seu falecimento como o ''Dia do Lótus Branco''. Atendendo ao seu pedido, desde [[1892]], os membros da Sociedade Teosófica ao redor do mundo reúnem-se nesta data para homenageá-la.
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Em seu testamento, Blavatsky pede aos teósofos que celebrem a data de seu falecimento como o ''Dia do Lótus Branco''. Atendendo ao seu pedido, desde 1892, os membros da Sociedade Teosófica ao redor do mundo reúnem-se nesta data para homenageá-la.
  
 
== Obras principais ==
 
== Obras principais ==
  
* ''[[Ísis Sem Véu]]'' ([[1877]])
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* ''Ísis Sem Véu'', vol. I, II, III e IV (1877)
* ''[[A Doutrina Secreta]]'', vol. I e II ([[1888]])  
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* ''A Doutrina Secreta'', vol. I, II, III, IV, V e VI (1888)  
* ''[[Glossário Teosófico]]'' (editado em [[1892]])
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* ''Glossário Teosófico'' (editado em 1892)
* ''[[A Chave para a Teosofia]]'' ([[1889]])
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* ''A Chave para a Teosofia'' (1889)
 
* ''Ocultismo Prático''
 
* ''Ocultismo Prático''
* ''A Voz do Silêncio'' ([[1889]])
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* ''A Voz do Silêncio'' (1889)
 
* ''No País das Montanhas Azuis''
 
* ''No País das Montanhas Azuis''
 
* ''Pelas Grutas e Selvas do Hindustão''  
 
* ''Pelas Grutas e Selvas do Hindustão''  
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* [[Max Heindel]]
 
* [[Max Heindel]]
 
* [[William Butler Yeats]]
 
* [[William Butler Yeats]]
 
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* [[Marcelo Motta|Marcelo Ramos Motta]]
=={{Ver também}}==
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* [[Euclydes Lacerda de Almeida]]
* [[Teosofia]]
 
* [[Sociedade Teosófica]]
 
* [[A Doutrina Secreta]]
 
* [[Ísis Sem Véu]]
 
* [[A Chave para a Teosofia]]
 
* [[Glossário Teosófico]]
 
* [[Ocultismo]]
 
* [[Esoterismo]]
 
* [[Parapsicologia]]
 
* [[Hinduísmo]]
 
* [[Budismo]]
 
  
 
== Referências ==
 
== Referências ==
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* CRANSTON, Sylvia. ''HPB: The Extraordinary Life and Influence of Helena Blavatsky''.
 
* CRANSTON, Sylvia. ''HPB: The Extraordinary Life and Influence of Helena Blavatsky''.
 
* GOODRICK-CLARKE, Nicholas. ''Helena Blavatsky''.
 
* GOODRICK-CLARKE, Nicholas. ''Helena Blavatsky''.
* [[René Guénon|GUÉNON, René.]] ''Theosophy: History of a pseudo-religion''.
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* GUÉNON, René.  ''Theosophy: History of a pseudo-religion''.
 
* HARRISON, Vernon. ''H.P. Blavatsky and the SPR: An Examination of the Hodgson Report of 1885''.
 
* HARRISON, Vernon. ''H.P. Blavatsky and the SPR: An Examination of the Hodgson Report of 1885''.
* [[Max Heindel|HEINDEL, Max.]] ''Blavatsky and The Secret Doctrine''.
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* HEINDEL, Max. ''Blavatsky and The Secret Doctrine''.
 
* KNOCHE, Grace F. ''To Light a Thousand Lamps: A Theosophic Vision''.  
 
* KNOCHE, Grace F. ''To Light a Thousand Lamps: A Theosophic Vision''.  
 
* MEADE, Marion. ''Madame Blavatsky: The Woman Behind the Myth''.
 
* MEADE, Marion. ''Madame Blavatsky: The Woman Behind the Myth''.
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* WEHR, Gerhard. ''Helena Petrovna Blavatsky. Eine moderne Sphinx''.
 
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Edição atual tal como às 22h14min de 21 de fevereiro de 2007

Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), ativista, escritora, ocultista, teósofa russa e uma das fundadoras da Sociedade Teosófica (retrato de 1877 em Nova Iorque).

Helena Petrovna Blavatsky (Ekaterinoslav, 12 de agosto de 1831 — Londres, 8 de maio de 1891), ou apenas Mme. Blavatsky como era conhecida, foi a responsável pela sistematização da moderna Teosofia, e foi uma das fundadoras da Sociedade Teosófica. Os seus mais importantes livros são Ísis Sem Véu e A Doutrina Secreta, escritos em 1875 e 1888, respectivamente.

Seu nome de batismo era Helena von Hahn e em russo Елена Петровна Блаватская. Blavatsky nasceu na cidade de Ekaterinoslav, situada às margens do rio Dnieper, no sul da Rússia (atualmente território da Ucrânia).

O sobrenome Blavatsky deve-se a um curto casamento com um homem bem mais velho, chamado Nikifor Vassilievitch Blavatsky, aos dezessete anos de idade. A rigor, a grafia correta e coerente com a forma feminina russa do sobrenome seria Blavatskaia. Já Petrovna é um patronímico, ou seja, identifica o pai. Deste modo, Petrovna significa "filha de Petr (Pedro)".

Vida

Nascimento, casamento e viagens

Blavatsky.002.gif

Blavatsky era filha do Coronel Peter von Hahn e Helena de Fadeyev, uma conhecida escritora de romances. Pela parte materna, era neta da princesa Helena Dolgorukov, botânica e escritora. Depois do precoce falecimento de sua mãe em 1842, Helena cresceu sob cuidados de seus avós em Saratov, onde seu avô era governador. Helena era uma talentosa pianista e, segundo várias testemunhas, era dotada de poderes psíquicos ou sobrenaturais. Desde nova mostrou-se interessada no esoterismo, lendo várias obras da biblioteca pessoal do seu bisavô que tinha sido iniciado na Maçonaria no final do século XVIII.

Aos dezessete anos, Helena casou-se com Nikifor Vassilievitch Blavatsky, vice-governador da província de Erevan na Arménia. Ele era muito mais velho do que ela, e o casamento nunca se consumou de fato. Helena aceitou casar-se com a esperança de adquirir independência. Afastou-se do marido quando ainda estava a decorrer a lua-de-mel e iniciou uma série de viagens que incluiram a Turquia, Egito e Grécia. Em algumas dessas viagens, ela foi acompanhada por Albert Rawson, um explorador natural dos Estados Unidos, também interessado no esoterismo e que era membro de lojas maçónicas.

Segundo conta-se, em seu aniversário de vinte anos, em 1851, Helena estava com seu pai em Londres, quando pela primeira vez encontrou-se com seu Mestre, que ela conhecia de visões e sonhos desde sua infância. Este Mestre seria um iniciado oriental de Rajput, o Mahatma M. (ou Mestre Morya), como é conhecido entre os teósofos.

No mesmo ano, Blavatsky embarcou para o Canadá, e depois viajou por várias partes dos EUA, México, América do Sul, e Índia. Sua primeira tentativa em entrar no Tibete falhou, retornando então a Inglaterra, passando por Java.

Fotografia com a assinatura de Helena Blavatsky.

Em 1855, retornou à Índia e foi bem sucedida em sua tentativa de entrar no Tibete através de Caxemira e Ladakh. No Tibete, passou por um período de treinamento sob a influência de seu Mestre. Em 1858, foi para a França e para a Alemanha, e retornou à Rússia no mesmo ano, passando um curto período com sua irmã Vera em Pskov. De 1860 até 1865, viveu e viajou no Cáucaso, passando por experiências e crises de natureza psíquicas. O que lhe possibilitou, segundo ela própria, adquirir total controle sobre seus poderes psíquicos. Partiu da Rússia novamente em 1865, e viajou extensivamente nas Balcãs, Grécia, Egito, Síria e Itália, entre outros lugares.

Em 1868, retornou à Índia, via Tibete. Nesta viagem, Blavatsky, segundo conta-se, conheceu o Mestre K.H. (ou Mestre Koot Hoomi) e hospedou-se em sua residência. No final de 1870, retornou a Chipre e à Grécia. Embarcou, depois, para o Egito, do porto de Perea na Grécia. O navio por onde viajava, a caminho do Egito, naufragou próximo à ilha de Spetsai em 4 de Julho de 1871. Salva, foi para o Cairo e fundou a Societe Spirite, onde pretendia inicialmente incentivar os fenômenos espíritas e mediúnicos codificados por Allan Kardec para aos poucos introduzir os ensinamentos do ocultismo e demonstrar a natureza mayávica (ou seja, ilusória, em uma perspectiva teosófica) de tais práticas. Em cartas para seus familiares, Blavatsky fica desolada com os participantes do grupo. Alguns fingiam ser médiuns, enquanto outros eram alcólatras contumazes e assim por diante. O Grupo não durou muito tempo e não alcançou os objetivos iniciais.

Depois de viagens através do Oriente Médio, retornou por um curto período de tempo a Odessa, na Rússia, em Julho de 1872. Segundo Helena, na primavera de 1873, o seu Mestre deu-lhe instruções para seguir para Paris e, depois, para Nova York.

Fundação da S.T. e publicações

Emblema da Sociedade Teosófica (a suástica ou cruz gamada no topo do selo teosófico é um antigo símbolo religioso do Oriente, não tendo aqui nenhum tipo de conotação nazista. A suástica da S.T. representa evolução espiritual, enquanto que a suástica nazista é invertida, possuindo uma outra simbologia associada).

Em Outubro de 1874 Blavatsky conheceu o Coronel Henry Steel Olcott, bem como William Quan Judge, um jovem advogado irlandês em Nova Iorque. A fundação da Sociedade Teosófica se deu em 7 de setembro de 1875, com a participação de dezesseis teósofos: Helena Blavatsky, Cel. Henry Steel Olcott, William Quan Judge, Charles Sotheram, Dr. Charles E. Simmons, W.L. Alden, G.H. Felt, J. Hyslop, D.E. de Lara. C.C. Massey, E.D. Monachesi, Henry J. Newton, H.M. Stevens, Jonh Storer Cobb, Dr. Britten e sua esposa, e seus nomes constam nas minutas elaboradas pelo então secretário William Quan Judge.

Em setembro de 1875, Blavatsky publicou sua primeira grande obra, Ísis Sem Véu, uma obra que menciona a história, o desenvolvimento das ciências ocultas, a natureza e origem da magia, as raízes do cristianismo (ou melhor, Cristismo), e, segundo a perspectiva da autora, os erros da teologia cristã (ou melhor, cristista) e as falácias estabelecidas pela ciência ortodoxa. Neste mesmo ano, H.P. Blavatsky foi naturalizada cidadã estadunidense. Em 1878, Blavatsky e Henry Olcott transferiram a Sede da Sociedade Teosófica para a Adyar, Índia. Conheceram nessa altura Alfred Percy Sinnett, o editor do jornal oficial do governo da Índia, The Pioneer de Allahabad. Este contato foi extremamente importante para Blavatsky e para a Sociedade Teosófica.

Em outubro de 1879, foi iniciada a publicação da primeira revista teosófica, The Theosophist (ainda publicada), e Blavatsky era a editora responsável. A Sociedade Teosófica rapidamente cresceu, tendo a ela associadas pessoas de grande importância.

Em 1880 Blavatsky e Olcott passaram algum tempo no Ceilão (atual Sri Lanka), o que estreitou ainda mais o apreço deles para o sistema ético do budismo esotérico mahayana. Em setembro desse ano, H.P.B. e o Coronel Olcott visitaram A.P. Sinnett e sua esposa em Simla na Índia. O sério interesse de Sinnett nos ensinamentos e trabalho da Sociedade Teosófica fez com que Blavatsky estabelecesse correspondência entre Sinnett e os Mahatma K.H. e M. Como fruto desta correspondência, Sinnet escreveu O Mundo Oculto (1881) e o Budismo Esotérico (1883). Ambos os livros exerceram grande influência e fizeram com que o interesse pela teosofia e pela Sociedade Teosófica aumentasse. As respostas e explanações enviadas pelos Mahatmas a Sinnett estão contidas em uma correspondência que durou de 1880 até 1885 e foram publicadas em 1923 como as Cartas dos Mahatmas para A.P. Sinnett. As cartas originais dos Mahatmas estão preservadas no Museu Britânico em Londres. Elas podem ser vistas com uma permissão especial do departamento de manuscritos raros do Museu Britânico.

Em Maio de 1882, Blavatsky e Olcott adquiriram uma grande área em Madras, na Índia, no bairro de Adyar, estabelecendo oficialmente lá a Sede Internacional da Sociedade Teosófica.

Ataques pessoais contra Blavatsky

Helena Blavatsky e Henry Olcott em 1888, os principais fundadores da Sociedade Teosófica.

Um forte ataque contra Blavatsky, feito por Alexis e Emma Coulomb (dois membros do grupo de trabalho de Adyar), teve rapidamente efeitos na vida e obra de Blavatsky. Ela retornou para Adyar em 21 de dezembro de 1884 para informar-se melhor sobre a situação. Ela desejava processar o casal, que havia sido banido de Adyar por tentar acusar Blavatsky de fraude. Mas o comitê líder da S.T. não aceitou que Blavatsky processasse o casal. Muito desapontada, renunciou ao cargo de secretária correspondente de Adyar. Em Março de 1885, partiu para a Europa para nunca mais retornar à Índia.

O ataque de Coulomb, como foi depois comprovado, não tinha bases sólidas. Foi fundamentado em cartas falsificadas, supostamente escritas por Blavatsky, com instruções para organização de fraudulentos fenômenos psíquicos. Uma revista de missionários cristãos em Madras publicou a maioria das cartas.

A Sociedade para a Pesquisa Psíquica em Londres (London Society for Psychical Research) criou um comitê especial para investigar Madame Blavatsky. Em dezembro de 1884, Richard Hodgson, um membro do comitê da S.P.P. chegou à Índia para investigar e preparar um relatório sobre as alegações dos Coulomb. Baseado no relatório Hodgson, o comitê da S.P.P., em um relatório final em 1885, acusou Madame Blavatsky como "uma das maiores impostoras da história”. Hodgson também acusou Madame Blavatsky de ser uma espiã russa. Esse relatório foi utilizado durante anos como base para atacar Madame Blavatsky e tentar provar a inexistência dos Mestres ou Mahatmas.

Em 1963, Adlai Waterman (pseudónimo Walter A. Carrithers, Jr.) em sua obra Obituário do Relatório de Hodgson sobre Madame Blavatsky, analisou e refutou as acusações de Hodgson a Madame Blavatsky. Uma mais recente refutação de algumas das acusações de Hodgson contra Blavatsky é o livro de Vernon Harrison intitulado H. P. Blavatsky and the SPR: An Examination of the Hodgson Report of 1885.

Esse ataque afetou a saúde de Blavatsky, que partiu da Índia para a Europa em agosto de 1885. Na Alemanha, em Wurzburg, começou a escrever A Doutrina Secreta, sua obra-prima. Em Maio de 1887, aceitando o convite de teósofos da Inglaterra, mudou-se para Londres.

Retorno a Londres

Um momento descontraído de Blavatsky, dedicado aos seus escritos e à leitura.

Quando Blavatsky chegou a Londres, as atividades teosóficas intensificaram-se e fundou-se a Loja Blavatsky.

Na Inglaterra, iniciou a revista Lúcifer [1] (do latim luciferius, significando "estrela matutina", "estrela d'alva" ou "aquele que é portador da luz").

Por várias vezes desde as acusações de fraude levantadas na Índia, Madame Blavatsky foi repetidas vezes desenganada pelos médicos. Segundo o testemunho de Helena, ela recebeu um dia, a visita de um de seus instrutores tibetanos que lhe deu, segundo ela, a seguinte escolha: "ou morrer, libertando-me (do corpo doente), ou continuar viva para terminar A Doutrina Secreta". Ela recuperou-se e continuou a escrever sua grande obra, que finalizou, e foi publicada em 1888, simultaneamente em Londres e Nova Iorque. Seus auxiliares na transcrição e edição dos manuscritos foram Bertram Keightley e Archibald Keightley.

A Doutrina Secreta é a maior obra da carreira literária de Blavatsky. O volume primeiro é dedicado à cosmogênese e é, basicamente, composto por estudos relativos à evolução do Universo. O esqueleto deste volume é formado por sete stanzas traduzidas do Livro de Dyzian com comentários e explanações feitas por Blavatsky. Neste volume também são elucidados os símbolos fundamentais contidos nas grandes religiões e mitologias do mundo. O segundo volume contém outra série de stanzas do Livro de Dyzian, que descrevem a evolução humana (antropogênese)

As palavras finais de Blavatsky sobre a obra foram: "Esta obra é dedicada a todos os verdadeiros teosofistas".

Também em 1888, Madame Blavatsky fundou a Seção Esotérica da Sociedade Teosófica dedicada a um estudo mais profundo da filosofia esotérica e escreveu para os estudantes desta escola três trabalhos.

Em 1889 Blavatsky publicou o livro A Chave para a Teosofia, uma exposição clara de Ética, Filosofia e Ciência em forma de perguntas e respostas expondo a razão pela qual a Sociedade Teosófica foi fundada e quais eram seus ensinamentos básicos. Ela também publicou A Voz do Silêncio, um livro poético baseado no Livro dos Preceitos de Ouro, que ela havia memorizado enquanto residia em uma lamaseria tibetana, e que foi traduzido para a língua portuguesa por Fernando Pessoa.

Trabalho, dedicação e polêmicas

Annie Wood Besant (1847 - 1933), discípula favorita e sucessora de Blavatsky na liderança da Sociedade Teosófica.

Segundo testemunhas da época, Blavatsky trabalhava incessantemente em seus projetos, mesmo com sua saúde seriamente abalada. Seu trabalho pode ser visto na monumental obra A Doutrina Secreta. Nesta obra ela inclui mais de 2.000 citações, com indicações precisas de páginas e autores, relacionadas a livros que ela não poderia ter lido, pelo menos diretamente. Outro exemplo de seu extenso trabalho e dedicação é o livro Ísis Sem Véu, com mais de 1.300 páginas.

Várias testemunhas afirmam que sua biblioteca, que a acompanhava nas viagens, se limitava a poucos dicionários de inglês.

Segundo o crítico inglês William Emmett Coleman, para escrever Isis sem Véu, Blavatsky precisaria ter estudado 1.400 livros, o que seria impossível para alguém que viajava constantemente com uma pequena quantidade de livros em sua biblioteca pessoal. Além disso, se Blavatsky tivesse lido todos os livros (muitos deles disponíveis somente em alguns museus ou bibliotecas longínquos) dos quais cita trechos in verbatim durante seus livros, teria levado várias vidas para concluir a leitura.

Madame Blavatsky explicava que escreveu tanto Ísis Sem Véu quanto a Doutrina Secreta com a ajuda dos Mahatmas, que certas vezes transferiam suas consciências para o corpo físico de HPB, em um processo chamado tulku. Blavatsky afirma que tal processo não é mediúnico, uma vez que os Mahatmas não eram espíritos mortos, mas seres humanos reais em corpos fisicos. Ainda segundo ela própria, algumas cenas e citações lhes eram mostradas clarividentemente através da luz astral, outras vezes, enquanto dormia, páginas inteiras eram precipitadas em sua própria letra, ou cartas dos Mestres se materializavam em papéis.

Esses fatos contribuiram fortemente para que Blavatsky fosse tomada como uma farsante.

Além disto, seus críticos a acusam de racismo, particularmente quando Blavatsky refere-se a alguns grupos étnicos, os aborígenes australianos, por exemplo, como pertencendo a uma raça inferior, já que os identifica como "mestiços atlanto-lemurianos". Com relação aos semitas, particularmente os árabes, diz que são "espiritualmente degenerados".

Sucessão e testamento

Helena Blavatsky faleceu 1891, em Londres. Após sua morte e a de Henry Steel Olcott, a liderança da Sociedade Teosófica foi entregue à discípula favorita de Blavatsky, Annie Besant, e a William Quan Judge. Seu corpo foi cremado e um terço das cinzas ficou na Europa, um terço foi para os Estados Unidos, levado por William Quan Judge, e o outro terço encontra-se na Sede Internacional da S.T., depositadas no interior de uma estátua dela.

Em seu testamento, Blavatsky pede aos teósofos que celebrem a data de seu falecimento como o Dia do Lótus Branco. Atendendo ao seu pedido, desde 1892, os membros da Sociedade Teosófica ao redor do mundo reúnem-se nesta data para homenageá-la.

Obras principais

  • Ísis Sem Véu, vol. I, II, III e IV (1877)
  • A Doutrina Secreta, vol. I, II, III, IV, V e VI (1888)
  • Glossário Teosófico (editado em 1892)
  • A Chave para a Teosofia (1889)
  • Ocultismo Prático
  • A Voz do Silêncio (1889)
  • No País das Montanhas Azuis
  • Pelas Grutas e Selvas do Hindustão
  • Cinco Anos de Teosofia (artigos da revista The Theosophist)
  • Gemas do Oriente (pensamentos para cada dia do ano)
  • Transações da Loja de Londres
  • Narrativas Fantásticas
  • O Dubar em Lahore (escrito em russo sob o pseudônimo de Radha-Bai)
  • Cartas de Blavatsky para as Convençôes da Sociedade Teosofica nos EUA
  • As Obras Completas de Blavatsky (editada por Trevor Barker)
  • Estudos em Ocultismo
  • Cartas de Blavatsky para A.P. Sinnet
  • Cartas de Blavatsky para sua Família na Rússia
  • Cartas de Blavatsky para William Q. Judge
  • Sonhos
  • Programa Original da Sociedade Teosófica

Influências

Blavatsky foi influenciada pelos seguintes escritores:

Blavatsky influenciou os seguintes escritores, místicos, filósofos, políticos e artistas:

Referências

Em português
  • CRANSTON, Sylvia. HPB: A Vida e a Influência Extraordinária de Helena Blavatsky.
Em inglês
  • BARBOKA, Geoffrey. The Divine Plan. (estudos baseados na Doutrina Secreta de H.P.B.).
  • BLAVATSKY, Helena P. H.P.B. Teaches An Anthology of 40 Articles from H.P. Blavatsky's pen.
  • CALDWELL, Daniel H. The Esoteric World of Madame Blavatsky.
  • CRANSTON, Sylvia. HPB: The Extraordinary Life and Influence of Helena Blavatsky.
  • GOODRICK-CLARKE, Nicholas. Helena Blavatsky.
  • GUÉNON, René. Theosophy: History of a pseudo-religion.
  • HARRISON, Vernon. H.P. Blavatsky and the SPR: An Examination of the Hodgson Report of 1885.
  • HEINDEL, Max. Blavatsky and The Secret Doctrine.
  • KNOCHE, Grace F. To Light a Thousand Lamps: A Theosophic Vision.
  • MEADE, Marion. Madame Blavatsky: The Woman Behind the Myth.
  • RYAN, Charles. H.P. Blavatsky and the Theosophical Movement.
  • WASHINGTON, Peter. Madame Blavatsky's Baboon.
  • WILLIAMS, Gertrude M. Priestess of the Occult.
Em alemão
  • BESANT, Annie W. H. P. Blavatsky und die Meister der Weisheit.
  • BOTHEROYD, Sylvia. Helena Petrowna Blavatsky: Theosophie und Geheimwissenschaft. Ausgewählte Werke.
  • FEDJUSCHIN, Victor B. Russlands Sehnsucht nach Spiritualität. Theosophie, Anthroposophie und die Russen.
  • FREIMARK, Hans. Helena Petrovan Blavatsky - Eine Studie - Mit vier Portraits und einem Faksimile der Handschrift.
  • HARRISON, Vernon. H.P. Blavatksy und die SPR.
  • HARTMANN, Dr. Franz.Helene Petrowna Blavatsky, die Shinx des 19. Jahrhunderts.
  • IHREN, Schülern Von . H. P. Blavatsky, die Botin des Neuen Zeitalters.
  • KLATT, Dr. Norbert. Theosophie und Anthroposophie. Neue Aspekte zu ihrer Geschichte.
  • RUGE, Ludwig. Zum Gedächtnis an H. P. Blavatsky (1831-1891).
  • SCHELICHOWSKAJA, W. P. H. P. Blavatsky - Ihr Leben und ihr Wirken.
  • SEIDEL-DREFFKE, Dr. Björn. A. Belyi und die Theosophie E. P. Blavatskajas. Wirkung und polemische Auseinandersetzung im Roman Miskva (1926).
  • SEIDEL-DREFFKE, Dr. Björn. E. P. Blavatskaja. Erzählungen und Reiseberichte.
  • STEINBERGER, Dr. F.K. Frau Blavatsky und ihre Zeit.
  • THIBAUX, Jean-Michel. Die 7 Geister der Revolte. Historischer Roman über die Abenteuer der Helena Blavatsky.
  • TINGLEY, Katherine. Helena Petrowna Blavatsky. Ein Genius verändert die Welt.
  • WEFERS, Richard. Eine edle Frau und ihre Widersacher.
  • WEHR, Gerhard. Helena Petrovna Blavatsky. Eine moderne Sphinx.

Links externos

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