ASP

De Ocultura
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Este artigo é parte integrante da série A Visão e a Voz - Liber 418

Liber 418: A Visão e a Voz, é considerado por Aleister Crowley como o segundo livro em importância, perdendo apenas para Liber AL vel Legis Para obtê-lo, Aleister Crowley e seu discípulo, o poeta inglês Victor Benjamin Neuburg, viajaram as terras áridas da Argélia e ali realizaram invocações específicas valendo-se do sistema enoquiano de John Dee e Edward Kelley.


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Definição - Æthyr
A Visão e a Voz - Liber 418
TEX - 30º Æthyr
RII - 29º Æthyr
BAG - 28º Æthyr
ZAA - 27º Æthyr
DES - 26º Æthyr
VTI - 25º Æthyr
NIA - 24º Æthyr
TOR - 23º Æthyr
LIN - 22º Æthyr
ASP - 21º Æthyr
KHR - 20º Æthyr
POP - 19º Æthyr
ZEN - 18º Æthyr
TAN - 17º Æthyr
LEA - 16º Æthyr
OXO - 15º Æthyr
UTA - 14º Æthyr
ZIM - 13º Æthyr
LOE - 12º Æthyr
IKH - 11º Æthyr
ZAX - 10º Æthyr
ZIP - 9º Æthyr
ZID - 8º Æthyr
DEO - 7º Æthyr
MAZ - 6º Æthyr
LIT - 5º Æthyr
PAZ - 4º Æthyr
ZOM - 3º Æthyr
ARN - 2º Æthyr
LIL - 1º Æthyr

A INVOCAÇÃO DO 21º ÆTHYR CHAMADO ASP

Uma poderosa ventania percorre o Æthyr, uma sensação de vazio absoluto impera; não existe cor, formas ou substância. Creio ter visto sombras de grandes anjos passarem. Não existe som; há algo de cruel na ventania, ela é terrível, enervante. Parece que algo tentou surgir atrás da ventania e, quando esteve próximo de conseguir, desistiu exausto. O vento não é frio ou quente; não traz qualquer sensação semelhante. Mesmo sendo tocado por ele, nada é sentido.


Então aquilo que quase aparecera consegue se manifestar e vislumbro rapidamente uma via de pilares tendo no fim um trono sustentado por uma esfinge. Tudo construído em mármore negro. (279)


Sou levado pelo vento, acho, para diante do trono, porém, o seu ocupante está invisível. Toda essa desolação vem desta figura. (280)


Ele está tentando me fazer entender pondo sabores em minha boca, rapidamente, um após o outro. Sal, mel, açúcar (281), assa-fétida, betume, mel novamente, algum que não sei qual, alho, um muito amargo como nux vomica, outro sabor ainda mais amargo; limão, cravo, pétalas de rosa, mel novamente; o suco de alguma planta como dente-de-leão, acho; mel novamente, sal, um sabor parecido com fósforo, mel, louro, um gosto bem desagradável que desconheço, café, um ardente, então um sabor ácido o qual também desconheço. Todos esses sabores saem de seus olhos; ele assinala-os.


Posso ver seus olhos agora. São bem redondos com pupilas extremamente negras, íris muito brancas e córneas azul pálidas. Sinto um desolar tão intenso que tento acabar com a visão. (282)


Digo a ele que não consegui entender a sua linguagem de sabores e então, imediatamente, ele começou um zunido, como o de uma grande usina elétrica com seus dínamos em atividade.


A atmosfera tornou-se azul escura e pela sua força os pilares se inflamam num brilhante carmesim e o trono em um dourado escarlate (283). Então os zumbidos tornam-se mais compreensíveis, parecendo sinos tendo ao fundo um murmúrio como o de uma tempestade se aproximando.


Então ouço o seu significado: Eu precedi a aurora e em minha desolação clamei para deixar-me contemplar meu semblante no vão do abismo (284). E eu contemplei, veja! nas trevas do abismo estava negro e vazio e distorcido (285) e, uma vez, invisível e puro.


Então fechei meu olho, pois não poderia estar vendo isso. Está escrito que um vislumbre do meu olho destruirá tudo (286). Não me aventuro a abri-lo por causa da impudência da visão. Por isso contemplo com esses dois olhos todo o æon (287). Não existe alguém entre meus adeptos que virá a mim e cortará meus cílios para que eu possa contemplar e destruir? (288)


Então pego uma adaga e procuro o seu terceiro olho para cortar os cílios, porém eles são feitos de adamantina. E a lâmina (289) da adaga entorta.


E lágrimas (290) brotam de seus olhos e surge uma fúnebre voz: Assim sempre foi: assim deve sempre ser! Mesmo que possuas a força de cinco touros tu não aproveitarás isso. (291)


Pergunto a ele: Quem aproveitará? E ele responde: eu sei não (292). Porém a adaga da penitencia (293) tu temperarás sete vezes afligindo os sete cursos de tua alma. E tu afiarás tua lâmina sete vezes pelos sete ordálios.


(Ele fica olhando ao redor tentando achar alguma coisa por causa do terror ali presente. Mas nada muda (294). Não há nada, exceto o trono vazio, os olhos e a via de pilares!)


Então digo a ele: Ó tu que és o primeiro semblante antes do tempo (295); tu do qual está escrito “Ele, Deus, é um; Ele é o eterno, sem igual, filho ou companhia. Nada ficara diante de Tua face” (296); todos ouvimos de tua infinita glória e santidade, de tua beleza e majestade e veja! não há nada além de desta abominação e desolação.


Ele fala; não consigo ouvir; algo sobre o Livro da Lei. A resposta está escrita no Livro da Lei ou algo assim (297).


É um longo discurso; tudo que posso ouvir dele é: De mim vertem as chamas da vida que brotam incessantemente na terra. De mim fluem rios de água e óleo e vinho. De mim corre o vento que leva a semente das plantas e flores e frutas e ervas para o seu seio. De mim sai a terra em sua indizível variedade. Sim! tudo vem de mim, nada vem para mim. Assim sou eu, solitário e horrível em cima deste trono inútil. Somente aqueles que aceitam nada de mim podem trazer algo a mim.


(E ele continua falando: não consigo ouvir direito. Talvez ouça apenas um quarto do que diz.) Então replico: estava escrito que o Seu nome é Silêncio mas tu falas sem parar.


Ele responde: Não, o murmúrio que tu ouves não é o da minha voz. É a voz do macaco.


(Quando digo que ele responde, quero dizer que é a mesma voz. O ser no trono não proferiu a palavra). Eu digo: Ó, tu macaco que falas por Ele cujo nome é Silêncio, como saberei eu que tu falas verdadeiramente o que Ele pensa? E o murmúrio continua: nem Ele fala ou pensa, assim o que digo é a verdade, pois estou mentindo ao falar os pensamentos Dele. (299)


Ele parte, nada o detém; e o murmúrio vem tão rápido que não consigo ouvi-lo todo.


Então o som cessa ou encoberto pelos sinos e os sinos em seu badalar são encobertos pelo zumbido e o zumbido pelo silêncio. E a luz azul se vai e o trono e os pilares retornam ao negrume e os olhos daquele sentado no trono não se encontram mais visíveis.


Eu procuro me aproximar do trono, mas sou empurrado de volta, pois não posso fazer o sinal. Eu fiz todos que conhecia e sou autorizado (300) e tentei fazer o que eu conhecia e não fui autorizado (301), mas não tenho o complemento necessário e mesmo se o tivesse seria inútil, pois existem mais dois sinais necessários. (302)


Achei que estivesse errado em dizer (303) que o Mestre do Templo teria o direito a entrar no templo de um Magus ou de um Ipsissimus. Ao contrário, a regra que o segura abaixo, também o mantém acima. Quanto mais alto você sobe maior é a distancia de um grau ao outro. (304)


A ventania me leva lentamente para a via. Sou lançado, rodopiando como uma folha morta.


E um grande Anjo voa através do vento e me segura trazendo-me para si e me coloca no ápice da ventania e sussurra em meus ouvidos: Saia pelo mundo, Ó três e quatro vezes abençoado contemplador do horror da solidão do Primeiro (305). Nenhum homem verá tua face e viverá (306). E tu viste teus olhos e compreendeste o teu coração pois a voz do macaco é a batida do coração dele e o labor do seu peito. Vá, portanto e regozija-te pois és o profeta do Æon que surge onde Ele é não. (307)


Louvai tua senhora Nuit e ao senhor dela Hadit que estão por ti e tua noiva e os vencedores do ordálio X. (308)


E com isso nos dirigimos para a muralha do Æthyr e nela há um portal estreito e ele empurra-me para dentro e então, subitamente, volto ao deserto.



Bou-Saada
29 de Novembro de 1909, 13:30 as 14:50hs.