Karl von Eckartshausen (1752 – 1803)
Nascido em 28 de junho de 1752, em Burg Haimhausen, na Alta Baviera, sendo filho ilegítimo do castelão Karl von Haimhausen e da filha de seu administrador, Maria Anna Eckart. A família von Haimhausen nunca reconheceu a criança e von Eckartshausen passou sua juventude com a mãe.
Em 1770, foi para a Universidade de Ingostadt que estava sob a direção de jesuítas onde ele estudou Filosofia e Direito Civil. Naquela época ocorriam mudanças radicais no âmbito filosófico e religioso: a religião transformara-se em ciência da religião e a universidade tornou-se o pódio no qual ocorria a batalha entre o racionalismo e a cultura tradicional, conflito esse que também influenciou o desenvolvimento intelectual e espiritual de Eckartshausen.
Em 1776, após a conclusão de seus estudos universitários, recebeu um título de nobreza e foi nomeado para o conselho da corte. Casou-se com Gabriele von Wolter, filha do médico assistente do príncipe. Em 1777, tornou-se membro da Academia de Ciência da Baviera, e em 1784 foi nomeado responsável pelo arquivo. Nessa época, Eckartshausen filiou-se à Ordem dos Iluminados, uma sociedade de iluministas radicais cujas teorias humanísticas e científicas ele muito apreciava.
Os últimos anos da vida de Eckartshausen foram os mais importantes no que diz respeito a seu desenvolvimento espiritual. Depois da publicação de sua primeira obra esotérica, no ano de 1788, seu misticismo intensificou-se cada vez mais. A linha do pensamento espiritual e hermético da Renascença, como por exemplo a de Marsílio Ficino, trouxe a ele uma nova luz para muitas questões esotéricas de seu tempo.
Profundamente influenciado pelas idéias gnósticas de Jacob Boehme e de Paracelso, estudou a literatura esotérica mais antiga e a mais recente, desde cabala até alquimia. Escreveu numerosas cartas e livros publicados, aperfeiçoando o ideário hermético que, já na sua época e também mais tarde, inspiraram muitos artistas, eruditos e pesquisadores esotéricos, tanto em seu país como no exterior como, por exemplo, Goethe, Schiller e também místicos russos.
Em suas obras ele sempre apresenta o conceito hermético de um mundo por trás do mundo perceptível. Também sua concepção de Deus abrange dois elementos, um visível e um invisível, o divino no homem na sua forma mais pura. A reunificação do homem com Deus foi um dos temas que, para ele, tinham primazia.
Por mais que sua visão do cosmo, de Deus e da humanidade, assim como a de seu ilustre predecessor Boehme, seja controvertida, a vida de Eckartshausen, transcorreu numa relativa tranqüilidade, ao contrário da de Boehme, pois o tempo estava maduro para dar um passo à frente: o Iluminismo já havia deixado sua marca. Para ele não houve perseguições, aprisionamento nem proibição de publicações.
Eckartshausen faleceu no ano de 1803, em Munique, em conseqüência de uma queda.
