Liber 418, "A Visão e a Voz, é considerado por Aleister Crowley como o segundo livro em importância, perdendo apenas para Liber Al vel Legis (o Tarô de Thoth por exemplo utiliza bastante as conclusões da obra)). Para obtê-lo, Aleister Crowley e seu discípulo, o poeta inglês Victor Benjamin Neuburg, viajaram as terras áridas da Argélia e ali realizaram invocações específicas de onde saíram a série de conceitos que alicerçaram a filosofia de Thelema.
Valendo-se do sistema enoquiano de John Dee e Eduard Kelley, Crowley iniciou as invocações no ano e 1900 e.v. no México, porém o seu despreparo espiritual o levou apenas a invocação dos dois primeiros Aethyrs (as invocações se iniciaram no trigésimo e seguiram na ordem decrescente). Em 1909 e.v., no dia 18 de Novembro chega a Argélia e dá seqüência ao processo, repetindo a experiências de seus compatriotas: no dia 23 de Novembro, de posse de uma pedra-de-vidência, um topázio dourado, incrustada numa cruz grega de cinco quadrados e uma rosa de quarenta e nove pétalas no meio, penetrou nos Aethyrs, entoando o chamado da décima nona chave enoquiana, ficando a cargo de seu chela a função de escriba.
O resultado foi um conjunto de visões de caráter enigmático, em sua maioria, porém, de uma força e beleza impressionantes. Nitidamente influenciada pelo Apocalipse de São João (originalmente um apócrifo), a obra expõe acontecimentos futuros e explica alguns pontos importantes da iniciação thelêmica: ali está reconstrução do ritual de Abramelim, o Mago, o caminho para a Travessia do Abismo, a simbolização da derrocada do Aeon de Virgem-Peixes e a revelação de Babalon e seu papel na evolução espiritual, todos esses eventos costurados pelo tema principal: o nascimento de um Magister Templi ou Buda. Ambas as obras tratam do mesmo evento, a primeira, no entanto, tornou-se obscura e hermética, cabendo a Besta desenvolver uma mais adequada (e ainda hermética) a nova era que anunciou.
Os Aethyrs e o Liber 418
| Æthyr | Nome | Título (418) | Descrição |
| 30º | (figr) | Exordium do Equinócio dos Deuses | Fora do Cubo - o mundo material - está a esfera-sistema do mundo espiritual que o envolve. A Invocação parece ser um tipo de Exordium, um resumo da chegada no novo Æon, o Æon de Hórus, a criança coroada. |
| 29º | (figr) | O Destroçar do Æon de Osíris | O destroçar do Equilíbrio causado pela Chegada do Æon. |
| 28º | (figr) | A Visão da Aurora do Æon de Hórus (Atu XVII) | Perceba que o Rei do Novo Æon não aparece até o primeiro Æthyr. |
| 27º | (figr) | A Visão da Iniciação de Hécate (Atu XIV) - A Redenção da feiticeira por Amor | Hécate aparece - o filho dela, de uma virgem, um magus, trás o Æon. E ela, o arauto, sua função realizada, retirase com seu véu místico. |
| 26º | (figr) | A substituição dos Deuses-Escravos (A Visão do Atu XX, a Estela) A Visão da Estela da Revelação, o crepúsculo do Æon do Deuses Escravos | A morte do Æon passado, aquele de Jeová e Jesus, termina com a visão do novo, a da Estela da Revelação de Ankh-f-n-khonsu cuja descoberta trouxe à consciência humana o conhecimento do Equinócio dos Deuses em 21/03/1904. |
| 25º | (figr) | O caminho de Teth (Atu XI. O Querubim do Fogo na Iniciação). A Visão do Fruto da Grande Obra da Besta - 666. O Leão | Surge o Deus Leão de Hórus, o filho do leão que encarnou nele. O primeiro Anjo é Isis sua mãe. |
| 24º | (figr) | A Rosa. (A Mulher do Atu XIV. Ministra de Babalon; O Querubim da Água na Iniciação.) O Primeiro Beijo da Dama da Iniciação. | Agora surge sua companheira, a Vênus celestial, a Mulher Escarlate que os homens concebem como Babalon e ele como Chaos. |
| 23º | (figr) | O Querubim da Terra e Ar (oficiais
Menores na Iniciaçãok ao 8º=3□) A Visão da Relação E Identidade da Terra e do Ar |
Aqui aparece o Querubin, os outros oficiais do novo Templo, a terra e a água tornam-se assistentes do fogo e do ar, a Besta e a Mulher Escarlate. |
| 22º | (figr) | A Tábua de 49 partes (primeira Aparição da Criança Coroada e
Conquistadora para o Adeptus Exemptus como no Pastos) A Visão da Rosa, o Coração de BABALON e O Nascimento do Universo |
Aqui está a Primeira Chave da fórmula de Hórus, um arranjo sétuplo. Uma sombra de Hórus revela sua natureza. |
| 21º | (figr) | Kether. (O Hierofante prepara o Candidato). A Visão do Destino Inevitável | Parece que a Visão de Deus, face a face é o ordálio pelo qual ele ultrapasse o Abismo. A autorização para ser o profeta do Æon que surge é dada ao Vidente.Deus é o Hierofante na Cerimônia do Magister Templi. |
| 20º | (figr) | O caminho de Kaph (Atu X). O Hiereus prepara o Candidato). A Visão da Roda da Fortuna. As Três Energias do Universo | Um guia é oferecido ao Vidente, o seu Sagrado Anjo Guardião. Ocorrendo pelo domínio do Universo concebido como uma roda. O Hiereus na Cerimônia do Magister Templi. |
| 19º | (figr) | O Caminho de Gimel (O Hegemone entre os Pilares. Preliminar: A Visão do Universo Desgovernado) | Agora vem o Anjo instrutor na sua forma mais baixa. O Hegemone na Cerimônia do Magister Templi na qual o Vidente passa. |
| 18º | (figr) | Tiphareth. (A Câmara do Rei. A Visão do Sagrado Anjo Guardião). A Instrução Relativa a Obtenção da Visão e da Voz dos Trinta Æthyrs. A Preparação do Candidato | A Câmara da preparação para a Cerimônia do Magister Templi. O Véu é a Cruxificação, o símbolo do Æon morto. O primeiro ordálio é vivido. |
| 17º | (figr) | O Caminho de Lamed. (A União de Gimel, Lamed, Samech). A Visão da Justiça ou Equilíbrio do Universo | O símbolo da Balança é dado ao Aspirante. |
| 16º | (figr) | Keter. (caminho de Pe.) A Derrocada dos Deuses-Escravos pela Besta 666 | O sacrifício é feito. A Alta Sacerdotisa (uma imagem de Babalon) avança sobre sua Besta e o realiza. |
| 15º | (figr) | A Visão da Rosa de 49 Pétalas e da Sagrada Tábua de 12 Partes. Exame do Candidato para M.T. | A dança mística de Salomé. O novo Templo. Os sinais dos graus são recebidos e o Adeptus Exemptus recusa. |
| 14º | (figr) | A Visão da Cidade das Pirâmides. A Recepção Do Mestre do Templo | O Santuário das Trevas. A iniciação final ao grau de Magister Templi. |