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A palavra "Inteligível" é usada no sentido platônico, para denotar um modo de ser, poder ou percepção que transcende a compreensão intelectual, ou seja, completamente distinto e superior ao raciocínio. Os caldeus reconheciam três modos de percepção, a saber, o testemunho dos vários sentidos, os processos comuns da atividade intelectual e as concepções inteligíveis mencionadas anteriormente. Cada uma dessas operações é distinta das outras e, além disso, conduzidas em matrizes ou veículos separados. A anatomia da alma, no entanto, vai muito além disso e, embora em sua raiz última seja reconhecida como idêntica à divindade, no ser manifestado, ela é concebida como altamente complexa. Os Oráculos falam dos "Caminhos da Alma", das trilhas do fogo inflexível pelas quais suas partes essenciais estão associadas em integridade, enquanto seus vários "cumes", "fontes" e "veículos" são todos rastreáveis por analogia com princípios universais. Esse último fato não é, com efeito, a característica menos notável do sistema caldeu. Como várias das cosmogonias antigas, cuja característica principal parece ter sido uma certa adaptabilidade à introversão, a metafísica caldeia sintetiza-se mais claramente na constituição humana.
A palavra "Inteligível" é usada no sentido platônico, para denotar um modo de ser, poder ou percepção que transcende a compreensão intelectual, ou seja, completamente distinto e superior ao raciocínio. Os caldeus reconheciam três modos de percepção, a saber, o testemunho dos vários sentidos, os processos comuns da atividade intelectual e as concepções inteligíveis mencionadas anteriormente. Cada uma dessas operações é distinta das outras e, além disso, conduzidas em matrizes ou veículos separados. A anatomia da alma, no entanto, vai muito além disso e, embora em sua raiz última seja reconhecida como idêntica à divindade, no ser manifestado, ela é concebida como altamente complexa. Os Oráculos falam dos "Caminhos da Alma", das trilhas do fogo inflexível pelas quais suas partes essenciais estão associadas em integridade, enquanto seus vários "cumes", "fontes" e "veículos" são todos rastreáveis por analogia com princípios universais. Esse último fato não é, com efeito, a característica menos notável do sistema caldeu. Como várias das cosmogonias antigas, cuja característica principal parece ter sido uma certa adaptabilidade à introversão, a metafísica caldeia sintetiza-se mais claramente na constituição humana.


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Em cada um dos Mundos Divinos Caldeus, uma trindade de poderes divinos operava, constituindo sinteticamente um quarto termo. "Em cada Mundo", diz o Oráculo, "uma Tríade brilha, na qual a Mônada é o princípio governante." Essas "Mônadas" são os Vice-gerentes divinos pelos quais o Universo foi concebido para ser administrado. Cada um dos quatro Mundos, isto é, o Empíreo, Etéreo, Elementar e Material, era presidido por um Poder Supremo, em contato direto com "o Pai" e "movido por conselhos inexprimíveis". Estes são claramente idênticos à concepção cabalística das cabeças presidenciais das quatro letras que compõem o nome da Divindade em tantas línguas diferentes. Um princípio paralelo é transmitido no Oráculo que diz: "Existe um Nome Venerável projetado através dos Mundos com uma revolução insone". A kabalah novamente fornece a chave para esta declaração, ao considerar que os Quatro Mundos estão sob a presidência das quatro letras do Venerável Nome, sendo que uma certa letra das quatro é atribuída a cada Mundo, assim como uma forma especial de escrever o nome com quatro letras apropriada a ele; e, de fato, nesse sistema, é ensinado que a ordem dos Elementos, tanto macrocósmicos quanto microcósmicos, em cada plano, é controlada diretamente pela "revolução do nome". Esse Nome está associado aos Éteres dos Elementos e, portanto, é considerado como uma Lei Universal; é o poder que organiza a hoste criativa, resumida no Demiurgo, Hypezokos ou Flor de Fogo.
 
Pode-se fazer referência aqui à anatomia psíquica do ser humano de acordo com Platão. Ele coloca o intelecto na cabeça; a Alma dotada de algumas das paixões, como a coragem, no coração; enquanto outra Alma, cujas faculdades são os apetites, desejos e paixões mais grosseiras, está localizada no estômago e no baço.
 
               Então, a doutrina caldeia, conforme registrado por Psellus, considerava que o homem era composto por três tipos de almas, que podem ser chamadas respectivamente de:
 
               Primeiro, oInteligível ou alma divina;
 
               Segundo, o Intelecto ou alma racional; e
 
               Terceiro, a Alma Irracional ou passional.
 
               Esta última era considerada sujeita a mutação, a se dissolver e perecer com a morte do corpo.
 
               Sobre a o Inteligível ou alma divina, os Oráculos ensinam que "É um fogo brilhante, que, pelo poder do Pai, permanece imortal e é a Senhora da Vida"; seu poder pode ser vagamente compreendido por meio de uma fantasia regenerada e quando a esfera do Intelecto deixou de responder às imagens da natureza passional.
 
               Em relação à Alma racional, os caldeus ensinavam que era possível que ela se assemelhasse à divindade de um lado, ou à Alma irracional de outro. "Coisas divinas", lemos, "não podem ser obtidas por mortais cujo intelecto está voltado apenas para o corpo, mas somente aqueles que estão despidos de suas vestimentas alcançam o topo."
 
               Para as três Almas às quais se fez referência, os caldeus também atribuíram três veículos distintos: o da Alma divina era imortal, o da Alma racional por aproximação se tornou imortal; enquanto à Alma irracional foi atribuída o que se chamava de "a imagem", ou seja, a forma astral do corpo físico.
 
               Assim, a vida física integra três modos especiais de atividade, que, após a dissolução do corpo, estão respectivamente envolvidos na teia do destino decorrentes das energias encarnadas em três destinos diferentes.
 
               Os Oráculos instam os homens a se dedicarem às coisas divinas e a não cederem às impulsos da Alma irracional, pois, para aqueles que falham aqui, é dito significativamente: "Teu vaso as bestas da terra habitarão".
 
               Os caldeus atribuíram o lugar da Imagem, o veículo da alma irracional, à Esfera Lunar; é provável que, por Esfera Lunar, se referissem a algo mais do que o orbe da Lua, toda a região sublunar, da qual a Terra terrestre é, por assim dizer, o centro. Na morte, a Alma racional se elevava acima da influência lunar, desde que o passado sempre permitisse essa feliz libertação. Grande importância foi atribuída à forma como a vida física foi vivida durante a estadia da Alma na morada da carne, e frequentes são as exortações para se elevar à comunhão com esses poderes Divinos, aos quais nada além da mais alta Teurgia pode aspirar.
 
               "Deixe a profundidade imortal da sua Alma guiá-lo", diz um Oráculo, "mas levante sinceramente seus olhos para cima". Taylor comenta isso na seguinte passagem bela: "Pelos olhos devem ser entendidos todos os poderes gnósticos da Alma, pois quando estes são estendidos, a Alma se torna repleta com a vida mais excelente e iluminação divina; e é, por assim dizer, elevada acima de si mesma".
 
               Dos Magos caldeus, poderia ser verdadeiramente dito que eles "entre os sonhos primeiro discriminaram a visão verídica!", pois certamente eram dotados de uma percepção mental e espiritual de grande alcance; atentos às imagens e inflamados com fervores místicos, eles eram algo mais do que meros teóricos, mas também exemplares práticos da filosofia que ensinavam. A vida nas planícies da Caldéia, com suas noites amenas e céus brilhantes, tendia a promover o desenvolvimento interior; na juventude, os discípulos dos Magos aprenderam a resolver as Amarras da proscrição e adentrar na região imensurável. Um Oráculo nos assegura que "As vigas da Alma, que lhe dão respiração, são fáceis de serem liberadas", e em outro lugar lemos sobre a "Melodia do Éter" e os "Confrontos Lunares", experiências que testemunham a realidade de seus métodos ocultos.
 
               Os Oráculos afirmam que as impressões de personagens e outras visões divinas aparecem no Éter. A filosofia caldeia reconhecia os éteres dos Elementos como os meios sutis pelos quais a operação dos elementos mais grosseiros é efetuada - por elementos mais grosseiros, quero dizer o que conhecemos como Terra, Ar, Água e Fogo - os princípios de secura e umidade, de calor e frio. Esses éteres sutis são realmente os elementos dos antigos e vistos, desde cedo, conectados com a astrologia Caldeia, assim como os signos do Zodíaco estavam conectados a eles. Os doze signos do Zodíaco são permutações dos éteres dos elementos - quatro elementos com três variações cada; e de acordo com a predominância de uma ou outra condição elemental na constituição do indivíduo, assim eram deduzidas suas inclinações naturais. Portanto, quando na linguagem astrológica dizia-se que um homem tinha ascendente em Áries, dizia-se que ele tinha uma natureza ígnea, suas tendências naturais sendo ativas, enérgicas e ígneas, pois na constituição desse indivíduo predomina o éter ígneo. E esses éteres eram estimulados, ou dotados de um certo tipo de vibração, por seus Presidentes, os Planetas; estes últimos sendo assim suspensos em zonas ordenadamente dispostas. Também foram atribuídas cores e sons aos Planetas; as cores planetárias estão conectadas aos éteres, e cada uma das forças planetárias tinha domínio especial sobre ou afinidade com uma ou outra constelações Zodiacais. A comunhão com as hierarquias dessas constelações formava parte da teurgia caldeia, e num fragmento curioso diz-se: "Se tu a invocas frequentemente" (a constelação celestial chamada Leão) "então, quando não mais te for visível a Abóbada dos Céus, quando as Estrelas perderem sua luz, a lâmpada da Lua for velada, a Terra não permanecer, e ao teu redor disparar a chama do relâmpago, então todas as coisas te parecerão na forma de um Leão!" Os caldeus, assim como os egípcios, parecem ter tido uma apreciação altamente desenvolvida das cores, uma evidência de sua suscetibilidade psíquica. O uso de cores vibrantes engendra o reconhecimento da variedade subsistente e estimula aquela percepção da mente que se energiza através da imaginação, ou a operação de imagens. O método Caldeu de Contemplação parece ter sido identificar o eu com o objeto de contemplação; isto é claro, idêntico ao processo do Yoga indiano e é uma ideia que parece repleta de sugestão; como está escrito: "Ele assimila as imagens a si mesmo, lançando-as ao redor de sua própria forma." Mas nos dizem: "Todas as naturezas divinas são incorpóreas, mas os corpos estão presos a ela por sua causa." <references />

Edição das 16h03min de 29 de junho de 2023

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OS ORÁCULOS CALDEUS por William Wynn Westcott

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Oráculos Caldeus são um conjunto de versos em hexâmetros que floresceu no segundo e terceiro séculos d.C. e são o primeiro testemunho da teurgia, doutrina que marcou o desenvolvimento de todo o neoplatonismo a partir de Porfírio. Os versos foram coletados de citações de neoplatônicos como Proclo, Damáscio, Pselo e Pletón, para os quais a doutrina dos Oráculos Caldeus eram familiares e constituíam, junto do hermetismo e do gnosticismo, o “submundo do platonismo” tardio. Os Oráculos são conhecidos por buscar a salvação da alma humana a partir da inspiração divina e dos rituais tradicionais; os teurgos usavam uma linguagem simbólica e palavras mágicas para invocar divindades das quais recebiam as mensagens oraculares em transe, concepção que desafia o racionalismo helenístico da época. Os Oráculos são considerados o último resquício do paganismo antigo. O neoplatônico Jâmblico é uma fonte importante para se conhecer a doutrina, tendo escrito uma obra em defesa da teurgia, que foi preservada.[1]

PREFÁCIO POR SAPERE AUDE[2]

ESTES Oráculos são levados em consideração por incorporarem muitos dos principais elementos da filosofia caldeia. Chegaram até nós por meio de traduções gregas e foram altamente valorizados ao longo da antiguidade, sentimento compartilhado tanto pelos primeiros Padres Cristãos quanto pelos mais tardios Platonistas. As doutrinas contidas neles são atribuídas a Zoroastro, embora não se saiba a qual Zoroastro específico se refere; historiadores mencionam até seis indivíduos diferentes com esse nome, que provavelmente era um título para o Príncipe dos Magos e um termo genérico. A palavra Zoroastro tem diferentes derivações de acordo com várias autoridades: Kircher apresenta uma das derivações mais interessantes quando busca mostrar que ela vem de TzURA = uma figura, e TzIUR = modelar, ASH = fogo, e STR = oculto; a partir dessas palavras ele obtém os termos Zairaster = moldando imagens de fogo oculto; ou Tzuraster = a imagem de coisas secretas. Outros a derivam de palavras caldeias e gregas que significam "um contemplador das estrelas".

Não se pretende, é claro, que esta coleção, como se apresenta, seja outra coisa senão desarticulada e fragmentária, sendo bastante provável que o verdadeiro sentido de muitas passagens tenha sido obscurecido, e até mesmo, em alguns casos, irremediavelmente apagado por traduções inadequadas.

Sempre que possível, foi feita uma tentativa de elucidar expressões duvidosas ou ambíguas, seja modificando a tradução existente do grego, quando considerado adequado, seja fornecendo notas explicativas.

Alguns sugeriram que esses Oráculos são uma invenção grega, mas já foi apontado por Stanley que Picus de Mirandula assegurou a Ficinus que tinha o Original Caldeu em sua posse, "no qual aquelas coisas que são defeituosas e imperfeitas no grego são lidas perfeitas e íntegras", e Ficinus, de fato, declara ter encontrado esse manuscrito após a morte de Mirandula. Além disso, deve-se notar que, aqui e ali, na versão grega original, aparecem palavras que não têm origem grega, mas são caldeias helenizadas.

Berosus é tido como o primeiro a ter introduzido os escritos dos caldeus sobre astronomia e filosofia entre os gregos, e é certo que as tradições da Caldéia influenciaram em grande parte o pensamento grego. Taylor considera que algumas dessas expressões místicas são as fontes das quais foram formadas as concepções sublimes de Platão, e foram escritos extensos comentários sobre elas por Porfírio, Jâmblico, Próclus, Pletho e Psellus. O fato de homens de tão grande erudição e sagacidade terem pensado tão bem desses Oráculos é algo que, por si só, deveria chamar nossa atenção para eles.

O termo "Oráculos" foi provavelmente atribuído a essas declarações epigramáticas para enfatizar a ideia de sua natureza profunda e profundamente misteriosa. No entanto, os caldeus tinham um Oráculo que eles veneravam tão altamente quanto os gregos veneravam o de Delfos.

Somos gratos a Psellus e Pletho por seus comentários detalhados sobre os Oráculos caldeus, e a coleção apresentada por esses escritores foi consideravelmente ampliada por Franciscus Patricius, que fez muitas adições de Proclo, Hermias, Simplício, Damascius, Synesius, Olímpiodorus, Nicephorus e Arnóbio; sua coleção, que compreendia cerca de 324 oráculos agrupados em categorias gerais, foi publicada em latim em 1593 e constitui a base da classificação posterior alcançada por Taylor e Cory; todas essas edições foram utilizadas na produção da revisão atual.

Uma certa porção desses Oráculos coletados por Psellus parece ser corretamente atribuída a um Zoroastro caldeu de data muito antiga, e é marcada com "Z", seguindo o método indicado por Taylor, com uma ou duas exceções. Outra parte é atribuída a uma seita de filósofos chamada teurgos, que floresceram durante o reinado de Marco Aurélio, com base na autoridade de Proclo, e esses são marcados com "T". Oráculos adicionais a essas duas séries e de fonte menos definida são marcados com "Z ou T". Outras passagens oraculares de autores diversos são indicadas por seus nomes.

As cópias impressas dos Oráculos encontradas na Inglaterra são as seguintes:

  1. Oracula Magica, Ludovicus Tiletanus, Paris, 1563
  2. Zoroaster et ejus 320 oracula Chaldaica; de Franciscus Patricius, 1593.
  3. Fred. Morellus; Zoroastris oracula, 1597. Fornece cerca de cem versos.
  4. Otto Heurnius; Barbaricæ Philosophiæ antiquitatum libri duo, 1600.
  5. Johannes Opsopoeus; Oracula Magica Zoroastris 1599. Inclui os comentários de Pletho e Psellus em latim.
  6. Servatus Gallœus; Sibulliakoi Chresmoi, 1688. Contém uma versão dos Oráculos.
  7. Thomas Stanley. The History of the Chaldaic Philosophy, 1701. Este tratado contém o texto em latim de Patricius e os comentários de Pletho e Psellus em inglês
  8. Johannes Alb. Fabricius, Bibliotheca Græca, 1705-7. Cita os Oráculos.
  9. Jacobus Marthanus, 1689. Essa versão contém o comentário de Gemistus Pletho.
  10. Thomas Taylor, The Chaldæan Oracles, no Monthly Magazine, e publicado independentemente, 1806.
  11. Bibliotheca Classica Latina; A. Lemaire, volume 124, Paris, 1823.
  12. Isaac Preston Cory, Ancient Fragments, Londres, 1828. (Uma terceira edição desta obra foi publicada, omitindo os Oráculos.)
  13. Phœnix, Nova York, 1835. Uma coleção de curiosos panfletos antigos, entre os quais estão os Oráculos de Zoroastro, copiados de Thomas Taylor e I. P. Cory; com um ensaio de Edward Gibbon.

INTRODUÇÃO POR L. O. [3]

Afirma-se que os Magos Caldeus[4] preservaram seu aprendizado oculto entre seu povo por meio de uma tradição contínua de Pai para Filho. Diodoro diz: "Eles aprendem essas coisas, não da mesma maneira que os gregos: pois entre os caldeus, a filosofia é transmitida pela tradição familiar, o Filho a recebendo de seu Pai, sendo isento de qualquer outro emprego; e assim, tendo seus pais como professores, eles aprendem todas as coisas plena e abundantemente, acreditando mais firmemente no que lhes é comunicado."

Os vestígios, então, dessa tradição oral parecem existir nesses Oráculos, que devem ser estudados à luz da Cabala e da Teologia Egípcia.

Os estudantes estão cientes de que a Cabala é suscetível a uma interpretação extraordinária com a ajuda do Tarô, retomando, como este último faz, as próprias raízes da Teologia Egípcia. Se um curso similar tivesse sido adotado pelos comentaristas do passado, o sistema caldeu exposto nesses Oráculos não teria sido distorcido da maneira como foi.

A fundação sobre a qual repousa toda a estrutura da Cabala Hebraica é uma exposição de dez poderes divinos emanados sucessivamente da Luz Ilimitada, que em suas disposições variáveis é considerada como a chave de todas as coisas. Essa procissão divina na forma de Três Tríades de Poderes, sintetizadas em uma décima, é dito ser estendida por quatro mundos, denominados respectivamente Atziluth, Briah, Yetzirah e Assiah, uma graduação quádrupla do sutil ao grosseiro. Esta proposição em suas raízes metafísicas é panteísta, embora, se assim se pode afirmar, mediatamente teísta; enquanto o noumenon[5] último de todos os fenômenos é a Deidade absoluta, cuja ideação constitui o Universo objetivo.

Agora, essas observações se aplicam estritamente também ao sistema Caldeu.

Os diagramas que acompanham indicam suficientemente a harmonia e identidade da filosofia caldeia com a Cabala hebraica. Será observado que a Primeira Mente e a Tríade Inteligível, Pater, Potentia ou Mater, e Mens, são atribuídas ao Mundo Inteligível da Luz Supramundana: a "Primeira Mente" representa a inteligência arquetípica como uma entidade no seio da Profundidade Paternal. Isso se concentra por reflexão na "Segunda Mente", representativa do Poder Divino no Mundo Empyræum, que é identificado com a segunda grande Tríade de poderes divinos, conhecida como a Tríade Inteligível e ao mesmo tempo Intelectual: o Mundo Etéreo compreende a terceira Tríade dual denominada Intelectual; enquanto a quarta ou Mundo Elementar é governada por Hypezokos, ou Flor de Fogo, o construtor real do mundo.

Esquema Caldeu.png


Esquema cabalístico.png
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A Teologia Caldéia contemplava três grandes divisões de coisas supramundanas: a Primeira era Eterna, sem começo nem fim, sendo a "Profundidade Paternal", o seio da Divindade. A Segunda era concebida como um modo de ser com começo, mas sem fim; o Mundo Criativo ou Empyræum se enquadra nessa cabeça, abundante em produções, mas sua fonte permanecendo superior a elas. A terceira e última ordem de coisas divinas teve um começo no tempo e terá um fim, este é o Mundo Etéreo transitório. Sete esferas se estendiam por esses três Mundos, ou seja, uma no Empyræum ou próximo dele, três no Mundo Etéreo e três no Mundo Elementar, enquanto todo o reino físico sintetizava o anterior. Essas sete esferas não devem ser confundidas com os Sete Planetas materiais; embora estes últimos sejam representantes físicos dos primeiros, que só podem ser considerados materiais no sentido metafísico do termo. Psellus professava identificá-los, mas suas sugestões são inadequadas, como Stanley apontou. Mas Stanley, embora discordando de Psellus, é inconsistente neste ponto, pois, embora explique os quatro Mundos dos caldeus como sucessivamente numenal em relação ao reino físico, ele obviamente contradiz isso ao dizer que um mundo corpóreo está no Empyræum.

Antes da Luz supramundana estava o "Profundidade Paternal", a Divindade Absoluta, contendo todas as coisas "in potentia" e eternamente imanentes. Isso é análogo ao Ain Suph Aur da Cabala, três palavras de três letras, expressando três tríades de Poderes, que posteriormente são traduzidas em objetividade e constituem a grande Lei Triádica sob a direção do Demiurgo, ou artífice do Universo.

Ao considerar este esquema, deve-se lembrar que a Luz supramundana era considerada a radiação primordial da Profundidade Paternal e o noumenon[5] arquetípico do Empyræum, uma essência universal, pervasiva - e, para a compreensão humana - essência última. O Empyræum, por sua vez, é um Fogo um pouco mais grosseiro, embora ainda altamente sutil, e uma fonte criativa, sendo o noumenon[5] do Mundo Formativo ou Etéreo, assim como este último, é o noumenon[5] do Mundo Elementar. Através desses meios graduados, as concepções da Mente Paternal são finalmente realizadas no tempo e no espaço.

Em alguns aspectos, é provável que a mente oriental não tenha mudado muito desde milhares de anos atrás, e muito do que agora nos parece curioso e fantasioso nas tradições orientais ainda encontra eco responsivo nos corações e mentes de uma vasta porção da humanidade. Um grande número de pensadores e cientistas nos tempos modernos defendeu princípios que, embora não sejam exatamente iguais, são paralelos às antigas concepções Caldeias; isso é exemplificado na noção de que a operação da lei natural no Universo é controlada ou operada por um poder consciente e discriminatório que é coordenado com a inteligência. É apenas um passo adiante admitir que as forças são entidades, para povoar os vastos espaços do Universo com os filhos da fantasia. Assim, a história se repete, e o antigo e o novo refletem igualmente a verdade multifacetada.

Sem entrar em detalhes no aspecto metafísico, é importante observar a supremacia atribuída à "Mente Paternal". A inteligência do Universo, poeticamente descrita como "energizando antes da energia", estabelece no alto os tipos primordiais ou padrões das coisas que estão por vir e, então, inescrutavelmente latente, confere o desenvolvimento destas aos Rectores Mundorum[6], os regentes divinos ou poderes já mencionados. Como se diz, "A mente está com Ele, o poder está com eles".

A palavra "Inteligível" é usada no sentido platônico, para denotar um modo de ser, poder ou percepção que transcende a compreensão intelectual, ou seja, completamente distinto e superior ao raciocínio. Os caldeus reconheciam três modos de percepção, a saber, o testemunho dos vários sentidos, os processos comuns da atividade intelectual e as concepções inteligíveis mencionadas anteriormente. Cada uma dessas operações é distinta das outras e, além disso, conduzidas em matrizes ou veículos separados. A anatomia da alma, no entanto, vai muito além disso e, embora em sua raiz última seja reconhecida como idêntica à divindade, no ser manifestado, ela é concebida como altamente complexa. Os Oráculos falam dos "Caminhos da Alma", das trilhas do fogo inflexível pelas quais suas partes essenciais estão associadas em integridade, enquanto seus vários "cumes", "fontes" e "veículos" são todos rastreáveis por analogia com princípios universais. Esse último fato não é, com efeito, a característica menos notável do sistema caldeu. Como várias das cosmogonias antigas, cuja característica principal parece ter sido uma certa adaptabilidade à introversão, a metafísica caldeia sintetiza-se mais claramente na constituição humana.

Em cada um dos Mundos Divinos Caldeus, uma trindade de poderes divinos operava, constituindo sinteticamente um quarto termo. "Em cada Mundo", diz o Oráculo, "uma Tríade brilha, na qual a Mônada é o princípio governante." Essas "Mônadas" são os Vice-gerentes divinos pelos quais o Universo foi concebido para ser administrado. Cada um dos quatro Mundos, isto é, o Empíreo, Etéreo, Elementar e Material, era presidido por um Poder Supremo, em contato direto com "o Pai" e "movido por conselhos inexprimíveis". Estes são claramente idênticos à concepção cabalística das cabeças presidenciais das quatro letras que compõem o nome da Divindade em tantas línguas diferentes. Um princípio paralelo é transmitido no Oráculo que diz: "Existe um Nome Venerável projetado através dos Mundos com uma revolução insone". A kabalah novamente fornece a chave para esta declaração, ao considerar que os Quatro Mundos estão sob a presidência das quatro letras do Venerável Nome, sendo que uma certa letra das quatro é atribuída a cada Mundo, assim como uma forma especial de escrever o nome com quatro letras apropriada a ele; e, de fato, nesse sistema, é ensinado que a ordem dos Elementos, tanto macrocósmicos quanto microcósmicos, em cada plano, é controlada diretamente pela "revolução do nome". Esse Nome está associado aos Éteres dos Elementos e, portanto, é considerado como uma Lei Universal; é o poder que organiza a hoste criativa, resumida no Demiurgo, Hypezokos ou Flor de Fogo.

Pode-se fazer referência aqui à anatomia psíquica do ser humano de acordo com Platão. Ele coloca o intelecto na cabeça; a Alma dotada de algumas das paixões, como a coragem, no coração; enquanto outra Alma, cujas faculdades são os apetites, desejos e paixões mais grosseiras, está localizada no estômago e no baço.

               Então, a doutrina caldeia, conforme registrado por Psellus, considerava que o homem era composto por três tipos de almas, que podem ser chamadas respectivamente de:

               Primeiro, oInteligível ou alma divina;

               Segundo, o Intelecto ou alma racional; e

               Terceiro, a Alma Irracional ou passional.

               Esta última era considerada sujeita a mutação, a se dissolver e perecer com a morte do corpo.

               Sobre a o Inteligível ou alma divina, os Oráculos ensinam que "É um fogo brilhante, que, pelo poder do Pai, permanece imortal e é a Senhora da Vida"; seu poder pode ser vagamente compreendido por meio de uma fantasia regenerada e quando a esfera do Intelecto deixou de responder às imagens da natureza passional.

               Em relação à Alma racional, os caldeus ensinavam que era possível que ela se assemelhasse à divindade de um lado, ou à Alma irracional de outro. "Coisas divinas", lemos, "não podem ser obtidas por mortais cujo intelecto está voltado apenas para o corpo, mas somente aqueles que estão despidos de suas vestimentas alcançam o topo."

               Para as três Almas às quais se fez referência, os caldeus também atribuíram três veículos distintos: o da Alma divina era imortal, o da Alma racional por aproximação se tornou imortal; enquanto à Alma irracional foi atribuída o que se chamava de "a imagem", ou seja, a forma astral do corpo físico.

               Assim, a vida física integra três modos especiais de atividade, que, após a dissolução do corpo, estão respectivamente envolvidos na teia do destino decorrentes das energias encarnadas em três destinos diferentes.

               Os Oráculos instam os homens a se dedicarem às coisas divinas e a não cederem às impulsos da Alma irracional, pois, para aqueles que falham aqui, é dito significativamente: "Teu vaso as bestas da terra habitarão".

               Os caldeus atribuíram o lugar da Imagem, o veículo da alma irracional, à Esfera Lunar; é provável que, por Esfera Lunar, se referissem a algo mais do que o orbe da Lua, toda a região sublunar, da qual a Terra terrestre é, por assim dizer, o centro. Na morte, a Alma racional se elevava acima da influência lunar, desde que o passado sempre permitisse essa feliz libertação. Grande importância foi atribuída à forma como a vida física foi vivida durante a estadia da Alma na morada da carne, e frequentes são as exortações para se elevar à comunhão com esses poderes Divinos, aos quais nada além da mais alta Teurgia pode aspirar.

               "Deixe a profundidade imortal da sua Alma guiá-lo", diz um Oráculo, "mas levante sinceramente seus olhos para cima". Taylor comenta isso na seguinte passagem bela: "Pelos olhos devem ser entendidos todos os poderes gnósticos da Alma, pois quando estes são estendidos, a Alma se torna repleta com a vida mais excelente e iluminação divina; e é, por assim dizer, elevada acima de si mesma".

               Dos Magos caldeus, poderia ser verdadeiramente dito que eles "entre os sonhos primeiro discriminaram a visão verídica!", pois certamente eram dotados de uma percepção mental e espiritual de grande alcance; atentos às imagens e inflamados com fervores místicos, eles eram algo mais do que meros teóricos, mas também exemplares práticos da filosofia que ensinavam. A vida nas planícies da Caldéia, com suas noites amenas e céus brilhantes, tendia a promover o desenvolvimento interior; na juventude, os discípulos dos Magos aprenderam a resolver as Amarras da proscrição e adentrar na região imensurável. Um Oráculo nos assegura que "As vigas da Alma, que lhe dão respiração, são fáceis de serem liberadas", e em outro lugar lemos sobre a "Melodia do Éter" e os "Confrontos Lunares", experiências que testemunham a realidade de seus métodos ocultos.

               Os Oráculos afirmam que as impressões de personagens e outras visões divinas aparecem no Éter. A filosofia caldeia reconhecia os éteres dos Elementos como os meios sutis pelos quais a operação dos elementos mais grosseiros é efetuada - por elementos mais grosseiros, quero dizer o que conhecemos como Terra, Ar, Água e Fogo - os princípios de secura e umidade, de calor e frio. Esses éteres sutis são realmente os elementos dos antigos e vistos, desde cedo, conectados com a astrologia Caldeia, assim como os signos do Zodíaco estavam conectados a eles. Os doze signos do Zodíaco são permutações dos éteres dos elementos - quatro elementos com três variações cada; e de acordo com a predominância de uma ou outra condição elemental na constituição do indivíduo, assim eram deduzidas suas inclinações naturais. Portanto, quando na linguagem astrológica dizia-se que um homem tinha ascendente em Áries, dizia-se que ele tinha uma natureza ígnea, suas tendências naturais sendo ativas, enérgicas e ígneas, pois na constituição desse indivíduo predomina o éter ígneo. E esses éteres eram estimulados, ou dotados de um certo tipo de vibração, por seus Presidentes, os Planetas; estes últimos sendo assim suspensos em zonas ordenadamente dispostas. Também foram atribuídas cores e sons aos Planetas; as cores planetárias estão conectadas aos éteres, e cada uma das forças planetárias tinha domínio especial sobre ou afinidade com uma ou outra constelações Zodiacais. A comunhão com as hierarquias dessas constelações formava parte da teurgia caldeia, e num fragmento curioso diz-se: "Se tu a invocas frequentemente" (a constelação celestial chamada Leão) "então, quando não mais te for visível a Abóbada dos Céus, quando as Estrelas perderem sua luz, a lâmpada da Lua for velada, a Terra não permanecer, e ao teu redor disparar a chama do relâmpago, então todas as coisas te parecerão na forma de um Leão!" Os caldeus, assim como os egípcios, parecem ter tido uma apreciação altamente desenvolvida das cores, uma evidência de sua suscetibilidade psíquica. O uso de cores vibrantes engendra o reconhecimento da variedade subsistente e estimula aquela percepção da mente que se energiza através da imaginação, ou a operação de imagens. O método Caldeu de Contemplação parece ter sido identificar o eu com o objeto de contemplação; isto é claro, idêntico ao processo do Yoga indiano e é uma ideia que parece repleta de sugestão; como está escrito: "Ele assimila as imagens a si mesmo, lançando-as ao redor de sua própria forma." Mas nos dizem: "Todas as naturezas divinas são incorpóreas, mas os corpos estão presos a ela por sua causa."

  1. https://revistas.ufrj.br/index.php/CODEX/article/view/14999
  2. Nome mágico de William Wynn Westcott
  3. Nome mágico de Percy Bullock
  4. Essa poderosa guilda era a guardiã da filosofia caldeia, que ultrapassava os limites de seu país e se difundia pela Pérsia e pela Arábia que faz fronteira com ela; por essa razão, o conhecimento dos caldeus, persas e árabes é compreendido sob o título geral de caldeu.
  5. 5,0 5,1 5,2 5,3 Nota do Tradutor: Um "noumenon" é um termo filosófico que foi introduzido por Immanuel Kant para se referir a uma coisa em si, uma realidade em sua forma absoluta e independente da nossa percepção. Em contraste com os "fenômenos", que são as coisas como as experimentamos através dos nossos sentidos e da nossa mente, o noumenon representa a natureza da realidade que está além da nossa capacidade de perceber diretamente.
  6. Nota do Tradutor: "Rectores Mundorum" é uma expressão em latim que pode ser traduzida como "Governantes do Mundo" em português. A palavra "rectores" deriva do verbo "regere", que significa "governar" ou "dirigir". "Mundorum" é o genitivo plural de "mundus", que pode ser traduzido como "mundo" ou "terra".