Rubi Estrela

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O Ritual Rubi Estrela

1.

De frente para o leste, no centro, puxe profundamente do fundo da garganta, fechando a boca com o dedo indicador direito pressionado contra o lábio inferior. Então, lançando para baixo a mão com grande varredura para trás e para fora, expelindo o ar com força, exclame APO PANTOS KAKODAIMONOS (ΑΠΟ ΠΑΝΤΟΣ ΚΑΚΟ∆ΑΙΜΟΝΟΣ - "Afasta-te Espírito do Mal").

2. A Cruz Cabalística:

a. Com o mesmo indicador, toque a testa e diga SOI (ΣΟΙ - "A Ti");
b. teu membro, e diga O PHALLE (Ω ΦΑΛΛΕ - "Ó Phallus");
c. teu ombro direito, e diga ISKUROS, (ΙΣΧΥΡΟΣ - "a Força");
d. teu ombro esquerdo e diga EUKARISTOS (ΕΥΧΑΡΙΣΤΟΣ - "e a Benevolência");
e. depois feche as mãos entrelaçando os dedos e vibre IAO (ΙΑΩ - "O Deus dos Gnósticos"; Isis "As forças da Natureza", Apophis "são destruídas" e Osiris "e renascem")

3.

Avance para o leste.

a. Imagine fortemente um Pentagrama, corretamente, em sua testa. Levando as mãos aos olhos, arremesse o pentagrama para fora, fazendo o sinal de Horus (Sinal do Entrante) e rugindo THERION. Faça o Sinal de Hoor-paar-Kraat (Sinal do Silêncio).
b. De frente para o Norte, repetindo o gesto anterior, lance o Pentagrama para frente e grite NUIT. Faça o Sinal do Silêncio.
c. De frente para o Oeste, repita o processo anterior, e sussurre BABALON. Faça o Sinal do Silêncio.
d. De frente para o Sul, repita o processo anterior e diga baixo HADIT. Faça o Sinal do Silêncio.

4. Completando o círculo no sentido anti-horário, volte ao centro e alteie a voz no Paian, com estas pakavras IO PAN (ΙΟ ΠΑΝ), com os sinais de N.O.X.:

a. Puella: Em pé, mão direita sobre o peito, e a mão esquerda aberta sobre a virilha.
b. Puer: Sinal de "figa" na mão esquerda, apontando para baixo na área genital. Mão direita, aberta, apontando para cima.
c. Vir: Mãos fechadas nas têmporas com os polegares voltados para fora, lembrando chifres.
d. Mulier: Braços formando um ângulo de aproximadamente 90º acima da cabeça, com os cotovelos levemente flexionados, com as mãos abertas. Os pés são um pouco mais abertos do que os ombros, apontados para frente. Joelhos levemente flexionados e cabeça olhando para cima.
e. Isis Rejoicing: Cabeça olhando um pouco para baixo e para o lado, a mão direita aperta o mamilo esquerdo, enquanto a mão esquerda embala logo abaixo do plexo solar, como se estivesse amamentando um bebê.

5. Estenda os braços na forma de um Tau e diga baixo, mas claro:

a. PRO MOU YUNGES - ΠΡΟ ΜΟΥ ΙΥΓΕΧ "a minha frente Iunges";
b. OPISÔ MOU TELETARCAI - ΟΠΙΧΩ ΜΟΥ ΤΕΛΕΤΑΡΧΑΙ "atrás de mim Teletarcai";
c. EPI DEXIA SUNOKEIS - ΕΠΙ ∆ΕΞΙΑ ΣΥΝΟΧΕΣ "na minha direita Sainoses";
d. EPARISTERA DAIMONES - ΕΠΑΡΙΣΤΕΡΑ ∆ΑΙΜΟΝΕΣ "na minha esquerda Daimones";
e. FLEGEI GAR PERI MOU hO ASTÊR TÔN PENTE - ΦΛΕΓΕΙ ΓΑΡ ΠΕΡΙ ΜΟΥ Ο ΑΣΤΗΡ ΤΩΝ ΠΕΝΤΕ "ao meu redor flamejam os pentagramas";
f. KAI EN TÊI STÊLÊI hO ASTÊR TÔN hEX hESTÊKE - ΚΑΙ ΕΝ ΤΗΙ ΣΤΗΛΗΙ Ο ΑΣΤΗΡ ΤΩΝ ΕΞ ΕΣΤΗΚΕ "e na coluna do meio brilha a estrela de seis pontas".

6. Repita a Cruz Cabalística, como na parte 1., e termine como você começou.

Versão Original (The Book of Lies)

Em The Book of Lies o ritual é essencialmente o mesmo exceto que no lugar de THERION, NUIT, BABALON e HADIT, o texto tinha (em grego) CHAOS, BABALON, EROS e PSYCHE (respectivamente).

Comentário (KE)

Crowley, na nota de rodapé do Liber XXV (25), publicado no The Book of Lies, indica claramente que esse é um ritual da A.'.A.'. sobre a qual ele escolheu não escrever mais nenhum comentário. Ele fornece uma única nota que indica que existem interpretações qabalísticas a serem consideradas.

"25 é o quadrado de 5, e o Pentagrama tem a cor vermelha de Geburah.
O capítulo é uma nova versão, mais elaborada, do Ritual de Banimento do Pentagrama.
Seria impróprio comentar mais sobre um ritual oficial da A.'.A.'.
O FALLE (Ω ΦΑΛΛΕ - "O Falus"): O sentido secreto destas palavras é revelado na numeração de cada uma."

Crowley sobre o Rubi Estrela

O propósito do Rubi Estrela é produzir uma atitude própria e apropriada de mente/espírito para invocações, preparando um espaço (pessoal, para um círculo ou templo) thelêmico através do banimento. Nas palavras de Crowley, capítulo 13 de Magick:

"Geralmente é suficiente realizar um banimento geral e confiar na ajuda dos guardiões invocados. Deixe o banimento, portanto, ser curto, mas de modo algum impregnado - pois é útil uma vez que tende a produzir a atitude apropriada da mente para as invocações".

História

Esse ritual apareceu impresso pela primeira vez com a publicação de The Book of Lies 1913 e.v. Discípulos na Abadia de Thelema em Cefalu realizavam o ritual modificado como parte de suas práticas diárias, juntamente com Will (Pronunciar a Vontade antes das refeições), Liber Resh e Safira Estrela (Liber XXVI). O ritual modificado foi posteriormente lançado em 1929 e.v. como um apêndice de Magia em Teoria e Prática (Magick, Livro 4, Parte III).

Construído a partir do tradicional Ritual Menor do Pentagrama da Golden Dawn, embora similar em alguns aspectos, o Rubi Estrela tem diferenças significativas em sua estrutura, por exemplo, usar grego em vez de entonações hebraicas. Além disso, enquanto seu antecessor é adequado tanto para invocar e banir forças elementais, o Rubi Estrela é exclusivamente um ritual de banimento.

Expressões em grego

ΑΠΟ ΠΑΝΤΟΣ ΚΑΚΟΔΑΙΜΟΝΟΣ

Segundo Fr. AL:

"Isso significa, 'Afastem-se completamente (daqui), Espíritos do Mal'. A palavra KAKOS significa literalmente 'ruim', que é para ser tomada em um sentido funcional, ao invés de moralista, como 'aquilo que é contrário ao desempenho da minha Verdadeira Vontade'. Na verdade, KAKODAIMON significa 'gênio maligno', ou o lado sombrio do SAG de alguém (KALODAIMON, 'belo gênio')".

Esta expressão caracteriza o ritual como sendo essencialmente um banimento. Faz paralelo com a bíblia numa passagem em que Satanás, no topo da montanha, tenta Jesus, obtendo "Vade retro, Satanás!" como resposta.

A expressão é uma preposicional com um verbo compreendido. A palavra APO implica movimento para trás, e leva o caso genitivo de que está para ser colocado atrás. PANTOS KAKODAIMONOS traduzido literalmente significa "todos os espíritos (daemon) malignos". Com um verbo implícito "ir" ou "ficar", a expressão significa "Para trás todos os espíritos malignos".

O mago está no centro do seu universo, voltado para o leste, na direção do sol nascente. Ele inala a energia ou prana. O significado da expressão é enfatizado pela ação de varrer a mão para trás, forçando a respiração, isto é, figurativamente explodindo cada daemon mal. Agora, o "daemon mal" não está definido. No sentido Thelêmico este daemon representa qualquer aspecto negativo da vida que diminui o desempenho de sua Verdadeira Vontade.

A palavra DAIMONOS inclui coisas que derivam as deidades, ou de destino. O KAKO é um prefixo derivado do adjetivo que significa "mal", porém definido. No início do ritual, o mago está em Malkuth. O banimento dos "daemons do mal" é a partir deste plano. De acordo com Liederkranz (1974), ele se torna o mestre desses daemons ao fazê-lo.

O equivalente a esta expressão inexiste no Ritual Menor do Pentagrama ou em Liber Reguli.

ΣΟΙ/Ω ΦΑΛΛΕ/ΙΣΧΥΡΟΣ/ΕΥΧΑΡΙΣΤΟΣ/ΙΑΩ

Esta é a Cruz Cabalística, equivalente à primeira linha de ação, tanto no Ritual Menor do Pentagrama quanto em Liber Reguli, e posiciona o mago na Árvore da Vida (Kether, Malkuth, Geburah e Chesed).

SOI significa "Para Ti". Essa é uma menção para o Altíssimo, aspecto de Kether do Eu. Fr. AL (1983) curiosamente reconhece seu valor numérico 280, que é o relativo ao Nome do Arcanjo de Malkuth, Sandalphon, lembrando-nos que "Malkuth está em Kether e Kether está em Malkuth". O nome de Sandalphon foi traduzido para significar "o som de sandálias", o som da passagem d'Aquele Que Vai. Em grego, o número 280 é escrito ΣΠ, equivalente a Samekh-Peh. É na interseção desses dois caminhos na Árvore da Vida, antes do Véu de Paroketh, que o praticante simbolicamente se destaca, olhando para Tiphereth ao longo do Pilar do Meio, ao executar o tradicional Ritual Menor do Pentagrama. Parece provável que esse simbolismo tenha sido mantido no Rubi Estrela. Isso é enfatizado por outro significado de 280: é o número de quadrados nas paredes da Abóbada dos Adeptos, onde os iniciados da Golden Dawn foram elevados à plena capacidade de Adeptos. Essa psique do pronunciamento da palavra SOI, então, é nada menos que a consciência da mais alta manifestação próprio Sagrado Anjo Guardião. Liederkranz (1974) indica que 280 representa a "díade passando a zero em virtude de 8, o Cocheiro que carrega a Taça de Babalon". Novamente, a frase tem um verbo implícito, de "ser". A primeira palavra, Soi, é um significado dativo "para você". Ele direciona a ação para o vocativo, O Falle, o falo. Portanto, parece apropriado atribuir Soi a Kether.

No entanto, é mais apropriado atribuir "falo" a Yesod, correlacionados à Svadisthana Chakra no Estrela Rubi. O mago moveu-se acima do plano de Malkuth em Assiah. Em "O Phallus" observe que Crowley poderia simplesmente ter dito 'Falo', mas em vez disso cantou um breve elogio àquela parte do corpo correspondente às esferas inferiores da Árvore da Vida, acrescentando o ponto de exclamação. "O Falle" tem um valor total de 1366, o produto de dois números primos, 2 e 683. A palavra falle, como 566, é equivalente a DVS, segredo, soletrando. Também é o produto de dois números primos de 2 e 283. Este último número é equivalente a "aurum inclusum", ouro confinado, ou RVGs BHZ. Liederkranz escreve que ao tocar em sua "arma", o mago declara a técnica mais poderosa de magia, e que o seu trabalho é pertinente para o Aeon de Horus. Aqui Crowley acrescenta uma nota de rodapé que o significado da palavra é para ser encontrado em sua interpretação cabalística. A palavra Fallos, na sua forma nominativa, soma 831, assim como a palavra PYRAMIS (Pirâmide). A esta luz as duas palavras significam o portão ou fonte esotérica de iniciação. Com os seguintes adjetivos, uma conotação sexual também pode ser implícita. Além disso, 831 é o produto de 3 e 277, e este último, em hebraico refere-se a ORZ, que significa "para semear, propagar, semente, sêmen" (Crowley, 1977). Mais uma vez, falo é referido Yesod, em vez de Malkuth. Também podemos analizar que "O Phallus" possui valor numérico 1369. Este número é o quadrado de 37! Trinta e sete é o valor da palavra YECHIDAH, o aspecto da consciência atribuído a Kether. Notavelmente nós não apenas colocamos o Arcanjo de Malkuth em Kether, mas também a consciência de Kether em Malkuth. Nenhuma outra fórmula seria tão completa. Em grego, 1369 também escreve: o primordial Sopro-de-Vida (A), a cruz fálica (T), a cruz fálica (C), e a serpente fálica (F). Parece que esse número é mais apropriado para 'O Phallus'.

"A palavra Iskuros significa forte, poderoso, também duro, firme, duradouro e severo, grande, excessivo.O significado é bem claro nas várias conotações. Seguindo o padrão do Ritual Menor do Pentagrama, esta palavra é atribuída a Geburah, e reflete a conotação da severidade ou força de seu significado. O seu valor é 1580, o produto de 20 e 79. Estes valores refletem um elemento da dualidade aperfeiçoado e a união. O número 79, um dos dois pilares do templo (zob e yixai), é um primo não enumerado nas significações dos números primos em 777 (Crowley, 1977).


A palavra Eukaristos é 1886, o produto de 2, 23 e 41. Os dois últimos números têm sido atribuídos a pentagramas. O conceito de "eucaristia", ou "sacramento", deriva do prefixo da EU, que significa "bom" ou "bem", e o verbo xarizomai significando favor ou amabilidade, para agradar ou satisfazer, para entrar, ou para ser agradável, grato ou ser concedido um favor. O adjetivo descreve assim a condição de ser vitorioso. vencedor, agradável, bondoso, grato ou agradecido. Em contraste com Iskuros, esta palavra é atribuído a Chesed, e seu significado se encaixa bem com a sua posição no Pilar da Misericórdia. Eukaristos, interpretada como "comunhão", pode ser facilmente interpretado em vários níveis.

IAO por gematria, o número de é 811 um número primo. O equivalente grego Palavra AIO significa que eu respiro, eu vivo, eu sei. Este é o quinto elemento, que, quando adicionado à Cruz Cabalística tradicional (do Ritual Menor do Pentagrama) cria a figura de um pentagrama, ou se colocar em um plano superior, indica o ápice de uma pirâmide. Nesta palavra o foco centra-se em Tiphareth. Pouco precisa ser dito sobre IAO, o ser supremo gnóstico. Massey (1974) ao discutir o Hebraico e outras Criações, inclui IAO como um dos sete Elohim, os filhos da antiga mãe Sophia. "Em sua fase primordial eram sete poderes elementares, guerreando em caos, sem lei e intemporal. Eles foram primeiro nascido da mãe no espaço; e então os sete companheiros passaram para a esfera do tempo, como auxiliares de Kronos, ou Filhos do Pai Masculino.". Esta fórmula estabelece o equilíbrio da cruz de quatro braços na conclusão do pentagrama. Para mais informações acerca de IAO, consulte o Capítulo V de Magick.

Kaos/Babalon/Eros/Psique

Kaos(Xaoc) tem o número 871, o produto dos primos 13 e 67, e é uma divindade grega primitiva que precedeu os deuses olímpicos, antes de Saturno, com paralelo a Urano, send referido a Chokmah. Ele é a personificação do espaço, o primeiro estado da existência. Nesse sentido ele é um equivalente grego de Nuit, mas percebido como fator masculino. A julgar pela sua posição oriental, e a palavra paralela na segunda sequência, é representativo ao elemento terra. Entre parênteses, deve notar-se que Liederkranz (1974) utiliza os elementos de terra e ar intercambiados.

BABALON tem o número 156, tanto em grego e em hebraico, embora seja nativo a nenhum idioma. A relação entre Kaos e Babalon pode ser derivada da mitologia egípcia. Aqui ela parece representar o elemento ar e é atribuído a Binah. Como complemento ao Kaos, ela representa o estado sublime de Nuit. Ela está ligada ao Kaos pelo 15º caminho, horizontal acima do abismo. A dupla personifica a divisão "por amor". Isto também é representado pela barra transversal superior da Cruz Hierofântica.

Kaos e Babalon, representam uma polaridade masculino/feminino primordial ou arquetípica. Babalon, é a manifestação inferior do conceito de Nuit - o infinito do céu e as Infinitas Estrelas, assim, a razão para Babalon estar no norte.

Eros (Eroc) é igual a 375 ou 1105, se é utilizado um Q. Eros é o deus grego do amor, o filho do Kaos (Ares ou Hermes) e Afrodite, e, particularmente, representa os aspectos mundanos do amor. Como na sequência alternativa para estas linhas, o elemento água, emoção, é enfatizado pela sua designação para o oeste. É facilmente atribuído a Netzach.

Psique (Wuxh) é igual a 1708, 61 x 7 x 2 x 2. O termo refere-se a anima, o sinal de vida, espírito; a alma em oposição ao corpo; a sede pela vontade, desejo ou paixões; ou alma, mente, razão ou compreensão. Em muitos aspectos, é Eros e foi atribuído a Hod. Como o complemento de Eros ele completa a barra menor da cruz Hierofântica. Pode-se esperar que ele represente o elemento do ar, mas é fogo, no sul.

Fr. AL (1983) tem uma discussão interessante relacionar essa palavra a uma fórmula da Rosa-Cruz. No preenchimento da Cruz Hierofântica, note que a direção é oposta nas barras transversais superior e inferior à do meio. Este é um paralelo direto com o processo simbólico em Liber Reguli. Além disso, a seqüência de quatro indica um desdobramento das forças. Esta sequência de quatro palavras, feitas com os movimentos do sinal do entrante e o Sinal do Silêncio em cada direção cardeal, reflete mais a abordagem clássica, e um entendimento anterior da personificação das forças por Crowley.

Therion/Nuit/Babalon/Hadit

Em Magick (Crowley, 1973), ocorre uma alteração enfática, e os símbolos utilizados parecem ser mais abertamente Thelêmicos. No entanto, há também uma diferença no fluxo das forças, como se segue:

Therion (Jherion) é igual a 247. A palavra é usada no sentido de A Grande Besta, ao invés de apenas "besta (indefinida)" ou um animal selvagem, especialmente o macho. Ele é atribuído ao elemento terra no leste. Para Thelemitas, a explicação desta palavra parece supérflua. É parte de uma das denominações de Crowley como "A Grande Besta", To Mega Therion, quando usado em um nível não-divino. Ele é atribuído a Taurus, ao considerar a posição cardeal, ou para Hod.

Nuit (Nuij) é igual a 469. É o produto de números primos 7 e 67, que têm alguma influência sobre os conceitos de Gêmeos, Zain, e Binah. 67 representa o útero da mãe contendo os gêmeos. Isto representa o nível de Babalon (= Nuit) na discussão acima. Aqui ela é o epítome do elemento ar. É uma forma helênica de uma deusa egípcia, e a consoante final é um J em vez de um T. Ela é atribuída ao Aquário no zodíaco. No entanto, ela representa a mãe arquetípica, e, portanto, nesta sequência é atribuída a Binah. A sequência aqui dá a parte inferior e superior do Pilar da Severidade, uma ação para cima.

Babalon é igual a 156 ou 12 vezes 13. Babalon, aqui, é muito parecido com Babalon acima. Ela é a Mulher Escarlate montada na besta, a grande prostituta, uma manifestação inferior de Nuit, o epítome do sexo feminino, ou o reflexo de Binah em Netzach, na base do Pilar da Misericórdia. A atribuição ao elemento água e oeste estão bem estabelecidos. Ela é o complemento de Therion e é atribuído a Scorpião.

Hadit (Adij) tem um valor de 24 gemátrico. Hadit é o complemento de Nuit, e representa o elemento de fogo. Como Nuit é a expansão infinita, Hadit é a contração infinita. Eles se relacionam como espaço para o movimento ou energia. Hadit é também uma palavra helenizada. Ele é atribuído a Leo. Aqui Hadit está no topo do Pilar da Misericórdia, em Chokmah.

O movimento é mais uma vez sobre a Árvore da Vida. O círculo de banimento é completado ao voltar para o leste, anti-horário. Esse círculo tem um aspecto macrocósmico.

IO PAN

IO Pan é repetido cinco vezes. Após a conclusão do círculo com os Nomes Divinos em sentido anti-horário, o mago se retira para o centro do círculo. Ele, então, eleva a voz nas palavras, IO PAN, ao dar os sinais de N.O.X.

Geralmente os sinais são realizados de frente para o leste. Um procedimento mais satisfatório parece ser de encarar a direção adequada, como indicado em Reguli (Puella ao Norte, Puer ao Sul, Vir ao Leste, Mulier a Oeste e Mater Triumphans para o Leste ou para Boleskine, o leste Thelemico de alguns rituais). O último sinal, se interpretado como em outro plano, define o topo da pirâmide. Enquanto os sinais são feitos o Paian é entoado. O efeito disso é completar um cruzamento - norte, sul, leste, oeste - com as primeiras quatro repetições. Afinal, não são círculos e cruzes os sinais da A.'.A.'. e da O.T.O.?

Observe a sequência dos sinais interpretados por Liederkranz (1974), ou seja, Vir, Mulier, Puer, Puella, indica a sequência no Tarot e no IHVH. As direções sucessivas seria então leste, oeste, sul, norte. Ele não inclui o sinal de Mater Triumphans.

A seguir uma tabela comparativa:

Referência Sinal/Direção
Reguli Puella/Norte Puer/Sul Vir/Leste Mulier/Oeste Mater Triumphans/Leste ou Boleskine
Liederkranz Vir/Leste Mulier/Oeste Puer/Sul Puella/Norte Sem o quarto Sinal

O texto é uma saudação ao Pan, o Todo (Pan, Pangenetor, Pamfage). O leitor é remetido para o Livro das Mentiras, Capítulo 1 para as relações e as explicações de NOX e PAN; e o número 210 para o último.

Nomes Divinos e suas Direções

Direção Leste Norte Sul Oeste
The Book of Lies CHAOS BABALON EROS PSIQUE
Magick THERION NUIT BABALON HADIT

As Inteligências Neoplatônicas do Ritual

Os nomes Iunges, Teletarchai, Sunoches e Daimones, que são invocados no Ritual Rubi Estrela, podem ser considerados seres angélicos do sistema magico-religioso neoplatônico, ou seja, são inteligências do Neoplatonismo, originárias dos Oráculos Caldeus (Chaldean Oracles), falsamente atribuídos a Zoroastro (que morreu mil anos antes dos Oráculos serem escritos) e que contém a doutrina e a filosofia da antiga Balilônia.

Cada um destes nomes não identifica um ser em particular, cada um destes nomes se refere a uma determinada classe de semideuses, no caso dos três primeiros, e o último se refere as seres espirituais em menor posição hierárquica. Os Iunges, Sunoches e Teletarchai, que podem ser ligeiramente traduzidos como Rodopiantes, Conectores e Aperfeiçoadores, pertencem à Segunda Ordem da Hierarquia Emanacionista, à Segunda Mente, ao Mundo Empírico, no sistema dos Oráculos Caldeus. Neste sistema, eles são os intelectuais e inteligíveis e formam a "Tríade Intelectual”, os Três Supernais. Note-se que aqui “intelectuais” e “inteligíveis’ nada tem a ver com o com seus significados comuns, e seus reais significados só podem ser perfeitamente compreendidos acima do abismo. A Tríade Intelectual se origina dos Pensamentos do Pai, uma Inteligência Superior e Fonte todas as Coisas. Eles são os guardiões das obras do Pai e da Mente Única, a Inteligível. Os Daimones são espíritos que estão abaixo do abismo. Segundo estudiosos modernos, Iunges, Sunoches e Teletarchai, correspondem, respectivamente, a: Chockmah, Binah e ao Pilar Mediano, e não exatamente às três Sephiroth Supernais da Qabalah Hebraica ou da Ocidental.

Todos estes são “Espíritos Mediadores” e são essenciais nos Ritos Teúrgicos. Eles participam no governo do universo mantendo os canais de influência e vínculos de harmonia emanados de Nous (Inteligência em Grego). Eles são os Iniciadores (Iunges), Mantenedores (Sunoches), Aperfeiçoadores (Teletarchais) e Executores (Daimones) do Impulso Criativo Divino que se origina no mundo inteligível e se manifesta no mundo sensível.

Iunges (os Iniciadores)

São os que dão poderes às Idéias Simbólicas, Signos, e Símbolos usados nos Ritos Teúrgicos. Aeschylus usou esta palavra para metaforicamente se referir a "encanto, feitiço, desejo ardente e apaixonado". A palavra vem do grego IUGMOS denotando um som agudo e foi usada para se referir ao som emitido pelo pássaro chamado wryneck, significando “grito”. O wryneck, cujo nome em português é torcicolo, é um pássaro semelhante ao pica-pau e recebe este nome (torcicolo) devido ao seu hábito de torcer a cabeça e o pescoço. Ele é conectado ao simbolismo da roda. Os antigos Feiticeiros Gregos os utilizavam como amuletos, amarrando-os a rodas em movimento para que recuperassem amantes infiéis. Os Iunges são, metaforicamente, o grito dos wrynecks na roda em movimento.

Os Iunges são inteligências conceptivas, férteis, fecundas. Assim, eles fecundam os os Sunoches (os Conectores), e o resultado disto serão os Teletharcai. Os Iunge é o Operador; o Doador de Vida que porta o Fogo Noético (de Nous); ele enche o peito de Hécate, a Mãe Natureza, fornecendo a vida; e instila (introduz gota a gota) nos Synoches a força vivificante do Fogo Noético, dotando-os com vigoroso Poder. Os Iunges são uma conjuração, os Synoches são uma ligação, com amor (Amor sob Vontade), conectada e forte. Nesta visão, fica muito coerente ligar os Iunges à Chockmah e os Sunoches à Binah, pois também na Qabalah Chockmah (AB, o Pai) fecunda Binah (a Mãe Supernal). Nesta linha, eu me atreveria a associar os Teletarchai com o Microprosopus, ou o Pequeno Rosto, composto pelas seis Sephiroth posteriores lideradas por Tiphereth.; sendo Tiphereth um grande símbolo de Iniciação. Continuando neste pensamento, eu diria que os Daimones seriam os espíritos mais próximos a Malkhut, que estão entre Malkuth e as demais Sephiroth, seriam o que poderíamos de certa forma chamar simplesmente de anjos.

Teletarchais (os Aperfeiçoadores)

Os “Mestres da Iniciação”, são os principais seres nesta Teurgia. Também são chamados de: Mestres de Cerimônia, Mestres do Templo, Hierofantes. A palavra Teletarchai se origina das palavras gregas telete ou “rito” (especialmente de iniciação aos mistérios) e archon/archai, que significa “senhor” ou “líder”, sendo assim o “senhor do rito”. Eles não são apenas conectados à própria iniciação, mas também ao resultado de uma iniciação. Teletarchai é o resultado dos “Iunges fertilizando os Sunoches”. Os Teletarchais são chefiados por Eros, e são aqueles que unem as Idéias. Antes das idéias serem criadas, Eros saltou da Inteligência Paternal, e misturou o que viriam a ser as Idéias, cujo estado embrionário existia nesta mesma fonte, por meio de Seu Fogo de União (União aqui é igual a: Encantamento de Amor). Pois sem seu poder de união, as Idéias não poderiam ser consolidadas dentro do Logos. Três tipos de Teletarchais são os Kosmagoi ou Governates dos Três Mundos Neoplatônicos (Empíreo, Etéreo, Material): Aiôn (não o Deus inefável de mesmo nome), Helios, e Selene. Note que os Iunges são os Iniciadores, os que plantam a semente, e os Teletarchai os Mestres da Iniciação.

Sunoches (ou Synokheis - os Mantenedores)

Sunocheis é o plural de "sunochos", que significa "unidos". Metaforicamente, tem o significado de "concordar com" ou "adequar". Ele também tem o significado de "uma passagem estreita na estrada", que no Novo Testamento passa a significar "constrangimento, aflição, angústia". São os Conectores, são aqueles que mantém unido, inseparável, o elo, a ligação. Eles se referem à noção de eternidade. Para compreender os Sunoches deve-se compreender os Iunges.

Daimones (os Executores)

É o plural de Daimon e se referem a “seres do mundo espiritual”. Daimon é uma divindade ou poder divino; também o destino pessoal de alguém. Mais tarde, passou a significar as almas dos mortos, que ligavam os deuses e os homens. Nos Oráculos Caldeus, a tríade Iunges/Teletarchai/Sunoches fazem parte de um grupo específico, mas Daimones recebem uma diferenciada classificação. Neste sistema, os Daimones são classificados inferiores aos semideuses, sendo assim espíritos mais ligados ao ambiente terrestre que ao espiritual propriamente dito. Não obstante, a direção norte, a da mais vasta escuridão, pertence a eles. Hesíodo se referiu ales como “as almas da Idade Dourada que formaram um vínculo entre os deuses e os homens”; na verdade são eles que conectam os homens com as três inteligências (semideuses) anteriores. Nesta linha, os Daimones poderiam ser considerados como um grupo de pessoas que alcançaram as sua Verdadeiras Vontades. De fato eles estão conectados com a Verdadeira Vontade, e há quem os considere como sendo o SAG (Sagrado Anjo Guardião). O nome Daimones pode causar uma ligeira confusão, já que com o advento do Novo Testamento o nome passou a ser uma referência para “demônio”, mas a palavra Daimon (no singular) é anterior a este Testamento e se refere mesmo a seres do mundo espiritual, puros indiferentes, amorais, eles são dependentes da natureza humana. Daimon pode variavelmente se referir a: deus, deusa, gênio, etc.

Tabela

Iunges Iniciadores Rodopiantes Encantos/Feitiços
Teletarchais Aperfeiçoadores Senhores do Rito Mistérios
Sunoches Mantenedores Conectores Restrições
Daimones Executores Espíritos Gênios

Agora, é possível traduzir da seguinte maneira as invocações do Rubi Estrela:

PRO MOU IUGGES: Diante de mim os Encantos/Feitiços.
OPISO MOU TELETARKAI: Atrás de mim os Mistérios.
EPI DEXIA SUNOKES: À minha direita as Restrições (no sentido de manter preso a algo).
EPARISTERA DAIMONES: À minha esquerda os Gênios.

Este é apenas um breve estudo sobre estas Inteligências que aparecem na Quarta parte do Ritual Rubi Estrela. Vale lembrar que, mesmo tendo-se idéia de seus significados, é sempre importante que as invocações destas Inteligências sejam feitas com seus próprios nomes bárbaros, pois estes são mais eficazes.

Referências Bibliográficas

  • Chaldæan Oracles Zoroaster, The. Editado e revisado por Sapere Aude (William Wynn Westcott) com uma introdução por L. O. (Percy Bullock). 1895 e.v.
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  • Analysys of the Star Ruby Ritual, An. Por Frater A.L. (443).
  • Summary of Pythagorean Theology, A. John Opsopaus.
  • Notas de Frater Sabazius para o Rubi Estrela.
  • Notas de Præcentor para o Rubi Estrela.
  • Notas do site Serpente Secreta
  • Notas de Soror Marfiza no site Thelemistas