Querubim

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Querubim (do Hebraico כרוב - "keruv" ou do plural כרובים - keruvim) é uma criatura sobrenatural, espiritual, mencionada várias vezes no Tanach (ou o Antigo Testamento), em livros apócrifos e em muitos escritos judaicos.

Em uma das interpretações, os querubins seriam anjos em segundo lugar na hierarquia celeste, logo abaixo dos Serafins.

Numa visão moderna, tendo uma origem em parte do Judaísmo, o querubim é um ser em forma de um bebê alado que estava sobre o Propiciatório da Arca da Aliança, sendo este ponto de vista anacrônico em relação a estes seres, originada do Renascimento, já que, como bem relatou o historiador judeu Flávio Josefo, a representação dos querubins tinha sido esquecida já no século I d.C..

A origem do nome "querubim" (keruv em Hebraico) ainda é obscura. Alguns pesquisadores defendem que sua raíz está na palavra babilônica "karabu", significando "um ser abençoado, bendito". Outros defendem que sua origem está no nome do deus assírio "Kirabu", cuja representação é de um ser com aparência humana com corpo de um touro alado.

Os querubins na Bíblia

As descrições bíblicas variam sobre esta criatura, mas em geral todas descrevem-na como uma ser alado combinando partes humanas e animais, especialmente de touros. No livro de Gênesis, querubins, são designados por Deus para guardar o caminho para a Árvore da Vida, ao oriente do Jardim do Éden, armados com espadas flamejantes.

"O SENHOR Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado. E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida." (Gen. 3: 23-24)

O livro de Êxodo testemunha que figuras dos querubins ornamentavam as cortinas do Tabernáculo. "O tabernáculo farás de dez cortinas de linho fino torcido, e de estofo azul, púrpura, e carmesim; com querubins as farás, obra de artífice. (Ex. 26: 1)

Sobre o Propiciatório, a tampa que cobria a Arca da Aliança, haviam duas esculturas de querubins. No Templo de Salomão foram escupidas, da madeira de oliveiras, mais duas representações de querubins cobertas por ouro puro. Essas esculturas, que foram colocadas ao lado da Arca para guardá-la, mediam 10 côvados (aproximadamente 5 metros) de altura. A Arca Santa se encontrava no Santo dos Santos, lugar esse onde o Deus de Israel aparecia entre os querubins.

Numa época mais anterior, quando Deus aparecia fisicamente, os querubins constituíam um tipo de carruagem divina, como é descrito no livro de Salmos e de Samuel: "E montou num querubim, e voou; sim, voou sobre as asas do vento." (Sal. 18; 11) - "E subiu sobre um querubim, e voou; e foi visto sobre as asas do vento." (II Sam. 22; 11).

O profeta Ezequiel descreve uma outra figura de querubim que, aparentemente, tem uma origem da cultura popular. Os querubins mostrados no livro do profeta são de quatro cabeças - uma de leão, uma de touro, uma de águia e uma de homem - com caracteristicas comuns entre eles: corpo e mãos humanas, pés de bezerro e asas.

Os Querubins no Templo

Os querubins que existiam no Templo (ao lado da Arca Santa) eram de fato representações de animais (touro ou leão) com um par de asas estendidas, que cobriam só a parte inferior do Debir (um dos nomes hebraicos para Santo dos Santos, a área mais interior do Templo que, provavelmente, tinha uma elevação em relação ao chão do Templo) e então Deus, invisivelmente, sentava sobre elas e acomodava seus pés sobre a Arca da Aliança.

As figuras dos querubins que existiam no Primeiro Templo não eram obras extraordinárias, aberrantes. De acordo com ó texto bíblico, eram figuras comuns que adornavam as paredes do Templo:

"E todas as paredes da casa, em redor, lavrou de esculturas e entalhes de querubins, e de palmas, e de flores abertas, por dentro e por fora." (I Reis 6; 29).

Adornavam as portas do Santuário:

"Também as duas portas eram de madeira de oliveira; e lavrou nelas entalhes de querubins, e de palmas, e de flores abertas, os quais revestiu de ouro; também estendeu ouro sobre os querubins e sobre as palmas." (I Reis 6; 32).

E o Templo em geral:

"35. E as lavrou de querubins e de palmas, e de flores abertas, e as revestiu de ouro acomodado ao lavor." (I Reis 6; 35).

Seres e querubins adornavam o Templo abundantemente, dando a entender que eram figuras bem conhecidas entre o povo e para os artesãos que as criaram. Então, para identificar uma provável aparência dos querubins, é necessário buscarmos seus paralelos nas artes e culturas síria-canaanita em centenas de anos.

A Identificação da Aparência dos Querubins

Uma das poucas bases fundamentais e certas da aparência de um querubim que chegou a nós é que ele é um ser alado, com asas. Por tanto, partindo deste ponto, podemos encontrar representações de animais ou seres híbridos com parte de animais que tem, sem dúvida, alguma relação com os querubins bíblicos. Na Assíria achava-se o Kirubu, expressão que designa um touro alado, achado em vários templos mesopotâmicos antigos.

Adicionalmente a este ser, encontra-se outro em forma de um leão alado (chamado “shedu” ou “lamassu”) que só não serviam como adorno nas paredes e portas dos templos, mas eram achados em pares (de leões ou touros alados), servindo também como guardas postos na entrada dos templos mesopotâmicos. É provável então a leitura do termo “keruvim araiot” (querubins-leões) como uma expressão hebraica relacionada a figura em forma de leão (shedu), ao contrário do querubim na forma de um touro (kerubu).


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