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	<title>Ocultura - Contribuições do usuário [pt-br]</title>
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		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Martinismo&amp;diff=7162</id>
		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-25T03:27:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* Os ensinamentos martinistas */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[imagem:Pantáculo.gif|thumb|right]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A '''Ordem Martinista''' é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã, muito embora exista algumas linhagens do Martinismo que conciliam os ensinamentos da tradição esotérica cristã com os ensinamentos de algumas tradições esotéricas do oriente. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis Claude de Saint-Martin:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da '''Reintegração'''. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: ''Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo.'' Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um '''Homem de Desejo'''. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O martinismo é um caminho da '''Vontade'''. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual ''podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis Claude de Saint-Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O martinismo moderno==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a transição de Louis Claude de Saint Martin, os martinistas (assim eram chamados seus discípulos) não estiveram muito ativos. As cerimônias e os ensinamentos tradicionais eram transmitidos somente de maneira pessoal e privada. Após um longo período de discrição, um grande esforço foi feito em 1888 para estruturar aquilo que na época não podia verdadeiramente ser chamado de uma Ordem iniciática e que se limitava a alguns iniciados. Foi graças ao empenho de [[Papus]] e [[Augustin Chaboseau]] que essa Ordem veio à luz e recebeu o nome de Ordem Martinista. Esse movimento foi coroado de êxito em 1891 e resultou na formação do Conselho Supremo da '''Ordem Martinista''', composto de vinte e um Membros, com autoridade sobre todas as Lojas do mundo. O célebre ocultista francês Papus ([[Papus | Dr. Gerard Encause]]) foi eleito primeiro Presidente desse Conselho Supremo. Sob sua brilhante e infatigável direção, a Ordem cresceu rapidamente e, por volta de 1900, contava com centenas de Membros ativos na maior parte dos países do mundo. Papus tornou-se rapidamente uma autoridade em matéria de martinismo e suas obras constituem uma fonte preciosa de informação para os martinistas e todos aqueles que se interessam pela Tradição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==As ordens martinistas visíveis==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer do tempo a luz martinista difundiu-se pelo mundo. Atualmente, existem vários grupos organizados sob o título de martinistas. Eis algumas delas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tradicional ordem martinista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Tradicional Ordem Martinista permanece como a maior Ordem Martinista não operativa em atividade no mundo, para tanto conta com a aliança com a Ordem Rosacruz AMORC, é a organização Martinista que possui o maior número de Heptadas tradicionalmente constituídas e é a que possui a melhor organização administrativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão da Tradicional Ordem Martinista possui vários ramos a saber :1. V.E. Michelet 2. Augustin Chaboseau (Sar Augustus) 3. Ralph Maxwell Lewis (Sar Validivar) 4. Gary L. Stewart 5. Cristian Bernard (Phenix) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sucessões iniciáticas: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. o Charles Deter (Teder) 3. Blanchard 4. H.S.Lewis &lt;br /&gt;
1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. Charles Deter (Teder) 3. Georges de Bogè LagrËze (Mikael) 4. Ralph Lewis. &lt;br /&gt;
O Soberano Grande Mestre da Tradicional Ordem Martinista é o Ir Christian Bernard ( Phenix) que possui duas linhagens: &lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Sepulcros de Orval 3. Cristian Bernard e&lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Cecil UM. Poole 3. Gary L. Stewart 4. Christian Bernard.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Tradicional Ordem Martinista, trabalham-se em três graus:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Associado&lt;br /&gt;
* Iniciado&lt;br /&gt;
* S.I.(Superior Incógnito) e CFD (Círculo dos Filósofos Desconhecidos)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para se afiliar à TOM, é exigido que o aspirante seja um membro iniciado ao primeiro Grau de Templo da Ordem Rosacruz, AMORC e que esteja em dia com suas contribuições. Então, após a admissão à classe dos membros de Oratório ele pode solicitar afiliação a uma das Heptadas Martinistas espalhadas pela jurisdição. Para ser iniciado em uma Heptada Martinista, no grau Associado, deve-se passar por uma entrevista com o mestre em exercício. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os membros da TOM reúnem-se em reuniões chamadas de &amp;quot;Conventículos Martinistas&amp;quot;, onde são estudados os manuscritos correspondentes ao grau do conventículo. Para ser admitido ao grau seguinte, exige-se, principalmente, que o membro participe, durante 1 ano, de todos os conventículos referente ao seu grau atual (tolerando-se no máximo 6 faltas). Os conventículos de cada grau são realizados quinzenalmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do estudo do S.I. em Heptada, e desde que eles tenham atendido todas as exigências estabelecidas pela Grande Heptada, os membros são admitidos ao Círculo dos Filósofos Desconhecidos (CFD), onde escolhem um nome místico. No CFD, os novos mestres estão aptos a participarem de todos os trabalhos templários, a escreverem manuscritos e enviarem para a Grande Heptada, onde serão apreciados e redistribuídos para as outras Heptadas, para estudo e meditação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O intuito desta compilação é o de fornecer informações históricas sobre o Martinismo através dos séculos. Como todo Martinista deve saber, não se julga um irmão pela riqueza ou pobreza do berço que o embalou e sim pela fraternidade que une dois seres que possuem gravados em seus íntimos a mesma iniciação e a mesma paternidade espiritual. Este é o elo que nos une.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista sinárquica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta ordem é a mais antiga das que tiveram uma existência ininterrupta desde sua fundação em 1918 por Blanchard (Sar Yesir). Originalmente era Blanchard que iria se tornar o sucessor de Detré como Grande Mestre da Ordem Martinista Martinezista. Blanchard desistiu disto, pois ele não estava a favor da exigência de afiliação maçônica no Martinismo. Assim em 1918 Blanchard reuniu o Conselho Supremo anterior de Martinistas e Martinistas independentes que não aderiram ou pertenceram às Ordens Martinistas maçônicas e formaram uma Ordem de Martinistas sob a constituição original que Iniciou homens e mulheres. Depois, em 1934 a Ordem de Blanchard mudou seu nome para Ordem Martinista e Sinarquica, e Blanchard foi eleito Soberano Grande Mestre Universal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com uma idade de 75 anos, Blanchard faleceu em 1953, em Paris. O Soberano Grão Mestre a substitui-lo foi Sar Alkmaion (Dr. Edouard Bertholet), da Suíça. Foi Sar Alkmaion, Soberano Grão Mestre da Ordem para as Lojas Inglesas que recebeu a Carta Constitutiva como Delegado Geral para a Grã Bretanha e a Comunidade britânica. A Grande Loja Britânica era governada por um comitê interno conhecido como o Tribunal Soberano do qual este era um dos membros permanentes: Presidente: Sar Sorath (também conhecido como Sar Gulion, ainda em vida). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No momento, a jurisdição principal desta ordem está na Inglaterra sob da liderança de Sar Gulion. Nos E.U.A. há uma filial da ordem que funciona regularmente com uma carta constitutiva da Inglaterra. Depois da morte de Fusiller, o sucessor de Blanchard, a Ordem Martinista dos Eleitos Cohens fundiu com o OMS e mantém o nome do posterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A linhagem de OMS atual: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de BogÈ LagrËze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Gulion/Sorath (o Grande Mestre Inglês) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O OM&amp;amp;S independente do Canadá, tem estas linhagens; 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de Bogè Lagrëze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Sendivogius 7. William Pendleton 8. Sar Parsifal/Petrus (morto 1994). &lt;br /&gt;
O tribunal de OM&amp;amp;S no Canadá, 1965, era compostos de: 1. Sar Resurrectus, Presidente (iniciado por Pendleton) 2. Sar Sendivogious, 3. Sar Petrus &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Jurisdição canadense se declarou independente. Sar Resurrectus se tornou o Grande Mestre, Sar Sendivogious se retirou das atividades da OMS para se concentrar nos Elus Cohen, e Sar Petrus se tornou Grande Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem Martinista dos Elus Cohens===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Originalmente fundado por Martinez de Pasqually em 1768. Foi fundido com alguns ritos Maçons pelo discípulo dele e sucessor Jean-Baptiste Willermoz. O Dr. Blitz de Eduoard, um companheiro antigo de Papus, trabalhou com os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa de Willermoz, nos E.U.A., e consequentemente mantinha a exigência de afiliação maçônica. Depois da Segunda Guerra Mundial, Robert Ambelain (Sar Aurifer),era seu Grande Mestre e mantinha rituais Elus Cohen que ele tinha obtido de várias fontes , reavivou a Ordem Martiniste des lus Cohens que praticava justamente esta forma operativa de teurgia. Ambelain também preservou somente esta Ordem aos Homens. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem original do Cohens Eleitos tinha trabalhado de 1767 a pelo menos até 1807. De lá para cá a linhagem está quebrada ou pelo menos incompleta. Estes são o iniciados principais da Ordem dos Cavaleiros Maçons Eleitos do Elus Cohen do Universo na França: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Martinez de Pasqually 1767-1774 2. Caignet Lestere 1774-1779 3. o Sebastian las de Casas 1780 4. G.Z.W.J. 1807 de 1942-1967: 1. Robert Ambelain (Aurifer) 1942-1967 2. Ivan Mosca (Hermete) 1967-1968 &lt;br /&gt;
No seguimento Italiano : 1. Krisna Frater 2. Francesco Brunelli &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os graus transmitidos nos Elus Cohen são assim: &lt;br /&gt;
1º grau - o Mestre Elus-Cohen 2º grau - Cavaleiro do Oriente 3º grau - o Chefe do Oriente 4º grau - RÈaux-Croix Outras fontes relatam assim: 1 - Ordem dos Cavaleiros de Elus-Cohen L'Univers 2 - ordem de Cavaleiros maçons 3 - Eleitos sacerdotes do Universo 4 - RÈaux-Croix &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ordem se fundiu com a Ordem de Martinista de Phillipe Encausse. Ambelain publicou uma declaração na revista de Martinista ´L'Initiation&amp;quot; em 1964 relatando o fechamento da ordem. 30 anos depois foi reavivado mais uma vez - novamente por Ambelain - que ainda parece estar morando em Paris. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista de papus===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É o nome da primeira ordem criado por Papus em Paris 1888. Papus foi o primeiro Soberano Grande Mestre de 1888 até a sua morte em 1916. O seu primeiro Conselho Supremo foi constituído dos seguintes Irmãos: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Papus (o Grande Mestre ) 2. Pierre Augustin Chaboseau 3. Paul Adam 4. Charles Barlet 5. Maurice Barres 6. Burget 7. Lucien Chamuel, 8. de Stanislas Guaita 9. LeJay 10. Montiere 11. Josephin Peladan 12. Yvon Le Loup (Sedir) 13. Eduoard&lt;br /&gt;
Maurice Barres e Josephin Peladan foram posteriormente substituídos por Marc e Emile Michelet. O Dr. Blitz de Edouard , Delegado Soberano no E.U.A., também era um membro do Conselho Supremo, entretanto ele é negligenciado freqüentemente na história do Martinismo, provavelmente porque ele deixou a Ordem, depois de uma controvérsia com Papus que não pretendia manter a subordinação maçônica em sua organização. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem Martinista Sufi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta linhagem do Martinismo concilia ensinamentos da tradição esotérica cristã com ensinamentos da tradição esotérica islâmica, também conhecido como sufismo. Papus travou contato com algumas fraternidades iniciáticas do oriente médio que resultou na união de alguns martinistas europeus com adeptos do sufismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão de Papus na linhagem de Saint Martin era assim: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude Saint Martin (1743-1803) 2. Jean-Antoine Chaptal (de Compte Chanteloup)(morto em 1832) 3. (?)X 4. Henri Delaage (morreu 1882) 5. Dr. Gérard Encausse. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, havia um elo, ou melhor, um vácuo (o X) na linhagem de Papus, assim em 1888, Augustin Chaboseau (um membro do Conselho Supremo original de 1888) e Gérard Encausse trocaram Iniciações pessoais para consolidar a sucessão. A Ordem Martinista se constituiu então de duas linhagens espirituais, a que vimos acima e a seguinte: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude de Saint Martin (1743-1803) 2. Abbe de la Noue (morreu 1820) 3. J. Antoine-Marie Hennequin (morreu 1851) 4. Adolphe Desbarolles (morto em 1880) 5. Henri la de Touche (Paul-Hyacinthe de Nouel de la Touche)(morto em 1851) 6. a marquesa de Amélie de Mortemart Boisse 7. Pierre Augustin Chaboseau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de morte de Papus , Charles Detré (nome místico Teder ) se tornou o Soberano Grande Mestre, ele decidiu limitar a afiliação à Ordem Martinista (L`Ordre Martiniste) para Mestres Maçons, especialmente do Rito de Memphis &amp;amp; Misraim. Claro que isto significou que as mulheres seriam excluídas do Martinismo, e isto também não estava de acordo à filosofia do Martinismo original. Naturalmente isto causou grande discordância entre os membros, e vários membros do Conselho Supremo original de 1891 deixaram a Ordem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Martinismo]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ordens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
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		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Louis_Cloude_de_Saint-Martin&amp;diff=7161</id>
		<title>Louis Cloude de Saint-Martin</title>
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		<updated>2007-10-25T03:23:29Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: Louis Cloude de Saint-Martin movido para Louis Claude de Saint-Martin&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;#REDIRECT [[Louis Claude de Saint-Martin]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
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		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Louis_Claude_de_Saint-Martin&amp;diff=7160</id>
		<title>Louis Claude de Saint-Martin</title>
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		<updated>2007-10-25T03:23:29Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: Louis Cloude de Saint-Martin movido para Louis Claude de Saint-Martin&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[imagem:SaintMartin.gif|thumb|right]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Louis Claude de Saint-Martin''', o &amp;quot;Filósofo Desconhecido&amp;quot;, pensador profundo e grande iniciado, nasceu a 18 de janeiro de 1743 em Amboise, Tourraine, no centro da França, no seio de uma família nobre, mas pouco abastada e desconhecida. Logo depois do nascimento de Saint-Martin, sua mãe faleceu, e ele foi criado pelo pai e por uma madrasta, pessoa amável e de bom coração, que o iniciou na leitura de Jacques Abbadie, ministro protestante de Genebra. Com esse autor, apreendeu a conhecer a si mesmo, relegando a um plano secundário a análise decepcionante e estéril dos filósofos em voga na época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Influências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''&amp;quot;É à obra de Abbadie, A Arte de Conhecer a Si Mesmo, que devo meu afastamento das coisas mundanas; é a Burlamaqui que devo minha inclinação pelas bases naturais da razão; é a Martinez de Pasqually que devo meu ingresso nas verdades superiores; é a Jacob Böehme que devo meus passos mais importantes nos caminhos da Verdade.&amp;quot;(1)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro autor que influenciou o Filósofo Desconhecido desde sua juventude foi Pascal. Aos 18 anos, em meio às discussões filosóficas dos livros que lia, deu-se conta de que, existindo o Criador do Universo e uma alma, nada mais seria necessário para ser sábio. (2) Foi com base nessas concepções que fundou sua doutrina posterior. Na época de seus estudos no Colégio de Pontlevoi, o Ocultismo já fazia parte de suas meditações. Na Faculdade, igualmente, eram os estudos metafísicos que o atraíam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Formação==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudou Direito conforme a vontade de seu pai, e esse ambiente proporcionou-lhe maior contato com o mundo filosófico e literário da época. Conheceu as obras de Voltaire, Rousseau, Montesquieu e outros autores não iniciados, mas sem ceder à inclinação dos enciclopedistas. &amp;quot;Li, vi e escutei os filósofos da matéria e os doutores que devastam o mundo com suas instruções; nenhuma gota de seus venenos penetrou-me; nem as mordidas de uma só dessas serpentes prejudicaram-me.&amp;quot;(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jovem estudante procurava tudo o que pudesse conduzi-lo ao conhecimento da Verdade, particularmente as ciências e princípios exatos. Dedicou-se assim ao estudo filosófico dos números e, por algum tempo, esteve ligado a Lalande e sua escola filosófica, sintetizada em Ciência dos Números. Esse convívio, entretanto, não foi longo, pois seus pontos de vista eram divergentes e nosso Filósofo passou a estudar Jean Jacques Rousseau. Como ele, pensava ser o homem naturalmente bom; mas entendia que as virtudes perdidas originalmente, em razão da Queda, poderiam ser reconquistadas desde que o homem o desejasse ardentemente. Acreditava que o naufrágio no materialismo era conseqüência mais das associações viciosas e desvirtuadas do que do pecado original. E, nisso, afirma-nos seu discípulo Gence(4), ele se diferenciava de Rousseau, a quem considerava um misantropo por sua excessiva sensibilidade, ao olhar os homens, não como eram, mas como gostaria que fossem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin amava a humanidade e considerava-a melhor do que parecia ser; e o encanto da sociedade da época levou nosso Filósofo a pensar que a vivência nas rodas sociais poderia levá-lo ao melhor conhecimento do homem e conduzi-lo à intimidade mais perfeita com os seus princípios. Assim, agiu conforme seu pensamento: freqüentou os saraus musicais e toda sorte de recreações da alta nobreza, desde os passeios ao campo até as conversas com amigos; os atos de gentileza eram a manifestação de sua própria alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''&amp;quot;Foram de sua intimidade as pessoas da mais alta classe, dentre as quais podemos citar o Marquês de Lusignan, o Marechal de Richelieu, o Duque de Orléans, a Duquesa de Bourbon, o Cavaleiro de Fouflers e tantos outros que seria longo enumerar. Devotou-se inteiramente à busca da Verdade e à prática das Virtudes, que foram o objeto constante de seus estudos, dos seus trabalhos e das suas realizações.&amp;quot;(5)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Iniciado, pois no estudo das leis e da jurisprudência, aplicou-se mais à pesquisa das bases naturais da Justiça, relegando a um plano secundário as regras da jurisprudência. Paralelamente, desenvolvia seus estudos sobre os mistérios ocultos e logo descobriu que não poderia dedicar-se inteiramente à magistratura, como desejava sua família. Não encontrando sua vocação no Direito, abandonou a magistratura que exerceu em Tours durante seis meses. Alistou-se aos 22 anos de idade no Regimento de Foix, então aquartelado em Boudeaux, onde pode encontrar mais tempo para dedicar-se ao estudo do Ocultismo, que era sua verdadeira vocação. Após ter lido os autores mais em evidência no gênero, procurou a iniciação de uma maneira mais efetiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Caminho iniciático==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi graças a um colega do Regimento, Grainville, que bateu às portas do Templo. Grainville era iniciado em uma sociedade oculta muito importante, cujo chefe era Martinez de Pasqually. Este era casado com uma sobrinha do maior, comandante do Regimento, que se encontrava na mesma cidade de residência de Martinez. A Escola de Pasqually, seu iniciador nas práticas teúrgicas, era a Ordem dos Elus Cohens do Universo (Sacerdotes Eleitos), revigorada mais tarde pela ação de Saint-Martin e Jean Baptiste Willermoz, sob a inspiração das obras de M. Pasqually e de J. Böehme e a partir de suas próprias pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fins de 1768, Saint-Martin foi iniciado nos três primeiros graus simbólicos da referida Ordem pela espada de Balzac, avô de Honoré de Balzac, o famoso romancista francês das primeiras décadas do século XIX. Com efeito, em carta de 12 de agosto de 1771, dirigida a seu colega Willermoz, de Lyon, confirmou ter sido iniciado por Balzac e que recebera de uma só vez os três graus simbólicos. &amp;quot;Não é comum darem-se os três graus simbólicos ao mesmo tempo; deixam-se, ao contrário&amp;quot;, prosseguiu Saint-Martin na referida carta, &amp;quot;grandes intervalos de tempo entre um grau e outro, segundo o progresso de cada um.&amp;quot;(6) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, Saint-Martin submeteu-se em seguida ao método iniciático de Pasqually, de quem se tornou secretário particular e discípulo zeloso. Mas não deixou, logo depois, de criticar seu primeiro Mestre, por não concordar com tudo o que era feito em tal sistema. Considerava supérfluas todas as manifestações físicas exteriores e todos os detalhes do cerimonial Cohen: &amp;quot;São necessárias todas essas coisas para orar a Deus?&amp;quot;, perguntou Saint-Martin a seu mestre Martinez. &amp;quot;É preciso que nos contentemos com o que temos&amp;quot;(7), respondeu o Grão-Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade, era necessário trabalhar mais profundamente no sentido interior para produzir a luz. Isso certamente Martinez teria feito dentro de seu próprio sistema, se não tivesse partido da França e falecido em seguida. Sua semente ficou, no entanto, e coube a Saint-Martin e a Willermoz cuidar da planta que deveria nascer. A Providência Divina não os deixou abandonados; inspirou-os constantemente, colocando em seu caminho homens que os ajudaram, direta ou indiretamente, e proporcionando-lhes o conhecimento do sistema de Jacob Böehme. Esse sistema confirmou as descobertas que tinham feito e abriu as portas para a obtenção das chaves ainda não encontradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época em que conheceu Pasqually, tinha pouco mais de vinte e cinco anos e acabava de debutar no Ocultismo, de sorte que nem todas verdades da Iniciação pode receber de seu primeiro mestre, com o qual permaneceu cinco anos. Soube reconhecer mais tarde sua grandeza (porque é bom que se afirme que Martinez de Pasqually foi um adepto de grande iluminação). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Havia coisas preciosas em nossa primeira Escola&amp;quot;, relata Saint-Martin a seu discípulo Kircheberger. &amp;quot;Sou mesmo induzido a pensar que o Sr. Martinez de Pasqually, que era nosso mestre, possuía a chave ativa referente a tudo o que nosso prezado Jacob Böehme expõe em suas teorias, mas não julgava que fôssemos capazes de entender tão altas verdades, naquela época. Ele era sabedor de alguns pontos que nosso amigo Böehme não conhecia, ou pelo menos não revelou, como a resipiscência do ser perverso, contra o qual o primeiro homem teria tido a missão de trabalhar... Quanto à Sofia e ao Rei do Mundo, ele nada nos revelou, deixando-nos com as noções comuns de Maria e do Demônio. Mas não afirmarei que ele não teve conhecimento delas e estou convicto de que chegaríamos a esse conhecimento, se o tivéssemos conosco por mais tempo...&amp;quot;(8)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin nunca concordou com a iniciação realizada fora do silêncio e da realidade invisível, que chamava de centro ou via interior. Para ele, o interior deve ser o termômetro, a verdadeira pedra de toque do que passa fora...; e o estudo da Natureza exterior só teria sentido se conduzisse à senda interior, ativa. Esse estudo poderia, pois, ser útil na medida em que conduzisse à Verdade, mas a Iniciação, explicava ele a Kircheberger, deve agir no ser central.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''&amp;quot;Não lhe ocultarei que anteriormente entrei nesse caminho externo, e através dele me foi aberta a porta de minha carreira. Meu condutor era um homem de muitas virtudes ativas, e a maioria daqueles que o seguiram, inclusive eu, receberam confirmações que talvez tenham sido úteis para nossa instrução e desenvolvimento. Todavia, em todos os instantes, eu sentia forte inclinação para o caminho intimamente secreto, o externo nunca me seduziu, nem em minha juventude.&amp;quot;(9)'' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entendia Saint-Martin que todo o aparato exterior não era necessário para encontrar Deus e que, ao contrário, em muitas ocasiões dificultava essa busca. Discordava das numerosas e freqüentes comunicações sensíveis de todos os tipos, manifestadas nos trabalhos de que tomava parte na sua primeira Escola, embora o signo do Reparador sempre estivesse presente, manifestando a ação da Causa Ativa e Inteligente no mundo objetivo. Afirmava, no entanto, que sua senda interior, desenvolvida depois, proporcionava-lhe resultados mil vezes superiores aos produzidos pela senda que denominava exterior e que era preconizada por Pasqually.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afirmava, no entanto, e é bom repetir, que deveria haver trabalhos internos da Ordem que não lhes foram transmitidos por causa de sua curta passagem pelo sistema e por não terem ainda passado pelos estágios iniciais. O Mestre não poderia ter agido de modo diferente, revelam-lhes os mistérios de ordem mais elevada. Acreditava, ademais, que os Princípios Divinos poderiam mesmo nascer naquele sistema, mas os trabalhos para esse efeito deveriam ser mais alguns anos com Pasqually. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não apenas Saint-Martin discordava do sistema de Martinez, uma vez que os resultados não se produziam de imediato; todos os discípulos reclamavam resultados espirituais que, em verdade, dependiam deles próprios. Willermoz parece ter sido o primeiro a manifestar a Saint-Martin seu descontentamento no que dizia respeito ao desenvolvimento das faculdades adormecidas do ser humano; é o que constatamos através da leitura de uma carta endereçada por Saint-Martin, do Oriente de Bordeaux, com data de 25 de março de 1771.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''&amp;quot;Quanto à confiança que vos dignais a testemunhar-me, abrindo-me sem escrúpulos vosso pensamento sobre nossas cerimônias, não me compete, tendo em vista nossa dignidade, fazer qualquer observação a respeito; e, diante de meu juiz, eu só deveria escutar e calar. Entretanto, as disposições puras que trazeis à Sabedoria fazem-me supor que poderíeis perdoar-me antecipadamente se ouso acrescentar, às vossas, algumas idéias próprias. Procuro, como vós, esclarecer-me... Confesso que o objetivo que buscamos na iniciação parece-me muito difícil de ser atingido.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredito que, mesmo nos encontrando nas melhores condições, quando todas as cerimônias são empregadas com a maior regularidade, a Coisa pode ainda guardar seu véu para nós tanto quanto quiser; ela está tão pouco à disposição do homem que ele não pode, jamais, apesar de seus esforços, estar certo de obtê-la. Ele deve esperar e orar sempre, eis nossa condição. O espírito conduz seu sopro onde quer, quando quer, sem que saibamos de onde vem e para onde vai... Se o poder não se manifesta agora, ele poderá ocorrer mais tarde; se não se opera pela visão, ele prepara a forma daquele que se mantém puro para receber as impressões salutares, quando o espírito assim quiser. Não atribuais, então, o estado em que vos encontrais a algum problema de vossa parte ou à invalidade das cerimônias.&amp;quot;(10)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz procurava obter por carta maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Pelo que constatamos, os resultados práticos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam. Era necessário muito trabalho, como em qualquer sistema de iniciação, para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A correspondência entre Saint-Martin e Willermoz, iniciada em 1768, estendeu-se até 1773. Em 1771, Saint-Martin abandonou a carreira militar para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo. Durante dois anos empregou todo o tempo disponível para trabalhar ao lado do mestre; foi durante esse período que se familiarizou com a ritualística dos Cohens e com a doutrina de Martinez, bem como com todas as suas práticas iniciáticas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partiu de Bordeaux em maio de 1773, na ocasião em que Martinez preparava-se para viajar para as Antilhas. Antes de se despedir, entretanto, Saint-Martin foi recebido no último grau dos Cohens, aquele de Réaux-Croix, como atesta uma carta de Martinez, datada de 17 de abril de 1772: &amp;quot;Após ter examinado e reexaminado os candidatos Saint-Martin e Seres, por nossa votação ordinária e em conseqüência das ordens que recebemos, nós os ordenamos Réaux-Croix...&amp;quot;(11) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1773, finalmente, Saint-Martin conheceu Willermoz, em Lyon, após terem trocado correspondência durante cinco anos. Seu círculo de amizade limitava-se aos irmãos da Ordem: Grainville, Balzac, Hauterive, Bacon de la Chevalerie, o Abade Fournier e Willermoz. Permaneceu um ano em Lyon, seguindo para sua cidade natal e, posteriormente, para Paris. Em abril de 1785, Willermoz obteve sucesso com suas operações: a &amp;quot;Coisa ativa e inteligente&amp;quot; finalmente mostrou-se aos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, sabendo da notícia, partiu de Paris em junho do mesmo ano, com destino a Lyon, levando consigo uma bíblia em hebraico e um dicionário, para entreter-se na viagem. Ficou seis meses em Lyon, partindo mais tarde para Nápoles e Londres, onde tomou conhecimento das publicações de Willian Law, morto em 1761, e que pertencia à tradição de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''&amp;quot;Seríamos excessivamente prolixos se procurássemos seguir as pegadas do nosso Filósofo Desconhecido, ao longo de sua jornada terrena, onde a cada passo, não obstante, encontraríamos o exemplo dignificante e o traço indelével da imensa esteira de luz que marcou sua trajetória neste mundo. Difícil ainda seria penetrarmos na profundeza do seu pensamento, da sua filosofia, da sua doutrina de elevação e regeneração do homem na busca da iluminação e da paz...&amp;quot;(12)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi inicialmente de Lyon que o Filósofo Desconhecido procurou irradiar a luz, após a partida de Martinez para o Oriente Eterno. A direção da Ordem dos Elus Cohen não ficou com Saint-Martin nem com Willermoz, mas nas mãos de pessoas menos preparadas para levar adiante um sistema que ainda necessitava de aperfeiçoamento. Coube a Saint-Martin e a Willermoz a resignação de continuarem ocultamente a pesquisa da Verdade por suas próprias forças. O &amp;quot;Agente Incógnito&amp;quot; teria ditado inúmeras instruções e partes de um livro que Louis Claude de Saint-Martin publicou, destinado a lutar contra o materialismo vigente na época. (13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez por esse motivo Saint-Martin tenha iniciado uma série de viagens, verdadeiros apostolados, para realizar propaganda das idéias espiritualistas, recolher dados e informações iniciáticas e entrar em contato com discípulos e homens de ciência. Em todos esses contatos sempre conquistava novas amizades e discípulos para continuarem sua obra. Saint-Martin tinha uma conversa muito agradável, uma vez que seu verbo não fazia senão expressar sua paz interior, seus conhecimentos e a nobreza de sua alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os salões mais aristocráticos de Paris disputavam sua presença. Essas qualidades eram agradáveis às mulheres, que não hesitavam em convidá-lo para as festas, pensando em casar suas filhas. Mas o Filósofo Desconhecido quis dedicar-se integralmente à sua obra de divulgação do Espírito. Em 1778, em Toulouse, esteve prestes a se casar; contudo, esse projeto desvaneceu-se como todos os demais a esse respeito. Afirmava sentir uma voz no seu interior que lhe dizia ser ele originário de um lugar onde não existem mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agente Incógnito desapareceu de cena em 1788, época em que Saint-Martin retornou à Lyon, mas reapareceu em 1790 para destruir uma série de cadernos de instruções por ele próprio ditados: &amp;quot;Eu devolvi ao Agente&amp;quot;, conta-nos Willermoz, &amp;quot;a seu pedido, mais de 80 cadernos manuscritos inéditos, que destruiu.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Pasqually, ocorrida em 1774 em São Domingos, o centro oculto da iniciação Cohen passou a Lyon e foi lá, como contam seus biógrafos, &amp;quot;que o Filósofo Desconhecido, armado com a Sabedoria Divina, passou a fazer oposição à doutrina materialista dos Enciclopedistas. Combatendo o materialismo revolucionário e sua doutrina errônea inserida em uma pretensa filosofia da natureza e da história, Saint-Martin chamou o homem de volta à Verdade, fundamentando-se no princípio do conhecimento de si mesmo e na natureza do ser inteligente&amp;quot;.(14) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, entretanto, nunca ficou muito ligado ao rigor das instituições iniciáticas, mas, em razão da problemática da época, em pleno desenvolvimento da Revolução Francesa, procurou, para a salvaguarda das suas próprias doutrinas e das tradições de que então já era depositário, unir-se a grupos ou formar grupos cujos membros desejassem, sinceramente, dedicar-se ao culto da Verdade e à prática das Virtudes. Estudava, paralelamente, as doutrinas de Pasqually e de Swedenborg, as primeiras mostrando-lhe a ciência do Espírito e as segundas a ciência da Alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''&amp;quot;A Revolução, em todas as suas fases, encontrou Saint-Martin sempre o mesmo, dedicado a seu objetivo. Por princípio, esteve acima das considerações de nascimento e opiniões, por isso não emigrou; enquanto se mantinha ao seu redor todo o horror das desordens e dos excessos, acreditou sempre que o bem podia surgir do terrível advento da Revolução Francesa, pela intermediação da Divina Providência; pensou ver um grande instrumento temporal no homem que se levantou para suprimir seus excessos.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''&amp;quot;Foi em 1793, quando a família e a sociedade dissolviam-se, que vendeu as suas últimas posses para manter e cuidar de seu pai, velho e paralítico. Na mesma época, não obstante os estreitos limites a que ficou reduzida a sua fortuna, contribuiu para as necessidades públicas de sua comunidade. Retornando à capital, foi atingido pelo decreto de expulsão dos nobres. Saint-Martin submeteu-se e deixou Paris.(15)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o terror revolucionário, era necessária muita prudência, mesmo para os assuntos iniciáticos. Saint-Martin recebeu um mandado de prisão, embora vivesse mergulhado nos estudos e na meditação, sem nunca ter feito política. Não subiu ao cadafalso porque Robespierre caiu em seguida. Havia a proteção do Alto, que o guiava na terra, obscurecida pela agitação dos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''&amp;quot;Uma corrente de prestígios inundou a inteligência humana em geral, e a dos parisienses em particular, porque a cidade, que comporta sábios e doutores de toda espécie, possui poucos que orientam seu pensamento na direção dos conhecimentos verdadeiros, e há menos ainda que buscam esses conhecimentos com um espírito reto. A maior parte deles não fazem mais que dissecar as cascas da Natureza, medir, pesar e enumerar todas as suas moléculas. Eles tentam, insensatos, a conquista de tudo que se encontra em composição no Universo, como se isso lhes fosse possível. Esses sábios, tão célebres e tão ruidosos, não sabem que o Universo (ou o Templo) é a imagem reduzida da indivisível e universal eternidade; eles podem contemplar e admirar, pelo espetáculo de suas propriedades e de suas maravilhas, ... mas jamais poderão conquistar o segredo de sua existência.&amp;quot;(16) ''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, para cumprir seu dever cívico, serviu na Guarda Nacional e, em Amboise, foi escolhido para ser um dos instrutores da Escola Normal Superior, que formava jovens professores; tomou parte em 1795 da primeira Assembléia Eleitoral, sem contudo tornar-se membro efetivo de qualquer corpo legislativo. O que buscava era o Conhecimento e a difusão de suas doutrinas. Jamais fez proselitismo e procurava ter por discípulos amigos fiéis da Verdade. Quem visse seu jeito humilde jamais poderia suspeitar de sua elevada espiritualidade. Sua docilidade para com o tratamento, sua serenidade, manifestava no entanto o sábio, O Novo Homem formado pela filosofia profunda do aperfeiçoamento moral e espiritual. A luz que irradiava de seu centro fazia justiça à sua condição de Homem-Espírito, o grande sol da transição ao século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi em 1788, em Estrasburgo, que Saint-Martin tomou conhecimento das obras de Jacob Böehme, o Teósofo Teutônico, através de Rodolphe de Salzmann. Surpreso, constatou que essa doutrina combinava com a de seu antigo mestre Martinez de Pasqually, sendo idênticas em essência.. Coube a ele a tarefa de fazer o feliz casamento das duas correntes doutrinárias, elaborando um sistema sintático, capaz de satisfazer seus anseios e colocar à disposição de todos os Homens de Desejo um caminho seguro para chegar à Iluminação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A síntese iniciática foi obtida em poucos anos de trabalho pelo nosso Filósofo Desconhecido, secundado que foi por seu colega Jean Baptiste Willermoz. Necessitava, entretanto, de uma transmissão iniciática da corrente de Böehme para associar à sua, advinha de Pasqually. Essa corrente alemã de Jacob Böehme foi obtida ao ser iniciada pelo Barão de Salzmann, em Estrasburgo, e confirmada na linha mais antiga dos Templários, ao associar-se com a Estrita Observância Templária, do Barão de Hund. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz foi o encarregado, em Lyon, de organizar o sistema maçônico do Rito Escocês Retificado, fruto do Convento de Wilhelmsbad de 1782. Coube a Saint-Martin a chefia e a realização de iniciações individuais da Ordem Interior dos Filósofos Desconhecidos. Vários alemães foram iniciados no novo sistema (muitos dos quais já eram discípulos de Martinez de Pasqually), ingressando na iniciação real que conduz à Iluminação e à Reintegração a partir deste mundo na Unidade Divina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin considerava as obras de Jacob Böehme de uma profundidade e de um valor inestimáveis e não se achava digno nem de desatar as sandálias de Jacob Böehme; entendia que seria necessário que o homem se tivesse tornado pedra ou demônio para não tirar proveito de tais obras. (17)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi assim que passou a estudar o alemão, com quase 50 anos de idade, para melhor penetrar no sentido oculto e no pensamento do autor. Procurou traduzir para o francês as principais obras do Mestre. A partir de então, sempre que se referia a Jacob Böehme dizia que o Iluminado teutônico foi a maior luz que veio a este mundo depois daquele que era a própria Luz, isto é, o Cristo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após ter percorrido parte da Europa, estabeleceu seu apostolado em Toulouse, Versailles e Lyon, sempre lançando a semente espiritual em uma terra que se tornou fecunda, recolhendo ele próprio as doutrinas mais apropriadas para o seu espírito e seu sistema. Mais tarde, centralizou sua ação em três cidades: Estrasburgo, Amboise e Paris, que eram, como confessou, seu paraíso, seu inferno e seu purgatório. Fora dessas cidades possuía membros correspondentes de sua sociedade, como o Barão de Kircheberger, que não chegou a conhecer, mas a quem enviou um emissário, o Conde Divonne, para certamente lhe transmitir a iniciação. Kircheberger era grande admirador das obras de Saint-Martin; pertencia à Escola de Böehme, da qual tomaram parte igualmente Khunrath e Gichtel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kircheberger escreveu a Saint-Martin que, segundo uma lenda corrente em sua Escola, a Virgem Celeste, a Divina Sofia, nos dias das núpcias compareceu com seu corpo celeste de Glória e escolheu Gichtel, vindo à sua casa, colocando em ordem seus papéis e completando com seu próprio punho os manuscritos por ele deixados inacabados. Em vida teria igualmente recebido favores de sua esposa celeste, pois como general venceu o exército de Luiz XIV, que pretendia conquistar Amsterdã, cidade onde o adepto residia. Durante toda a batalha, o general não teria saído do quarto.(18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não somente Saint-Martin acreditava no relato de Kircheberger, como lhe pedia maiores detalhes sobre Gichtel. &amp;quot;Se estivéssemos um perto do outro, escreveu-lhe Saint-Martin, eu também teria uma história de casamento para vos contar. Os mesmos passos foram dados por mim, mas de um modo um pouco diferente, embora chegando aos mesmos resultados. Creio, com efeito, ter conhecido a esposa de Gichtel..., mas não de modo tão particular como ele. Eis o que me aconteceu por ocasião do casamento de que falei: eu estava orando... e me foi dito intelectualmente, mas de modo muito claro, o seguinte: Depois que o Verbo é feito carne, nenhuma carne deve dispor dela própria sem que Ele o permita. Essas palavras penetram profundamente em meu ser; ainda que não tenham significado uma proibição formal, recusei-me a toda negociação posterior.&amp;quot;(19) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredita-se que a chave da iniciação está no desejo do homem de purificar-se, de evoluir e de atingir a iluminação. Essa evolução é necessária para remediar a degradação a que o homem se submeteu após a Queda Original. Antes, o homem podia obrar em conformidade com a Vontade do Pai, sendo dessa maneira poderoso, mas após ter se revestido de um envoltório material, suas capacidades espirituais atrofiaram-se e a Vontade e a pureza de outrora aniquilaram-se. Foi na cidade de Estrasburgo que Saint-Martin deu a um discípulo a chave de O Homem de desejo, que, por extensão, serve para a própria Iniciação:&lt;br /&gt;
A Chave do Homem de Desejo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Avant qu'Adam mangeât la pomme,&lt;br /&gt;
Sans effort nous pouviouns oeuvrer.&lt;br /&gt;
Depouis, L'oeuvre ne se consomme.&lt;br /&gt;
Qu'au edu pur d'un ardent supir;&lt;br /&gt;
La Clef de l'Homme de Désir&lt;br /&gt;
Doit naître du désir de l'homme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto é, antes de Adão ter comido a maçã, o homem podia realizar sua obra sem esforço; depois, a obra não se concretiza a não ser com a ajuda do fogo puro, emanado de um ardente suspiro, advindo do grande esforço individual. Assim, a chave do Homem de Desejo deve nascer do desejo do homem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu livro O Homem de Desejo, publicado pela primeira vez em 1790, são litânias no estilo do salmista, nas quais a alma humana evolui para o seu primeiro estágio, num caminho que o Espírito pode ajudá-la a percorrer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin escreveu este livro por sugestão do filósofo religioso Thiaman, durante suas viagens a Estrasburgo e a Londres. Lavater, então clérico em Zurique, elogiou essa obra como um dos livros que mais tinha gostado, embora reconhecesse não ter tido condições de penetrar nas bases da doutrina exposta. Kircheberger, mais familiar aos princípios do livro, considerou-o como o mais rico em pensamentos iluminados. O próprio Saint-Martin concordou que nesse livro encontram-se os germes do conhecimento que ignorava até a leitura das obras de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo de seu livro O Homem de Desejo é mostrar que o homem deve confiar na Regeneração, chamando sua atenção para a necessidade de retorno ao Mundo Divino de onde saiu e ao trabalho que deverá realizar para alcançar esse objetivo, isto é, concentrando suas forças pelo desejo ardente de aperfeiçoar-se e tornar-se um homem de vontade forte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''&amp;quot;Não há nenhum outro mistério para se chegar a essa sagrada iniciação, senão penetrando cada vez mais no fundo de nosso ser e não esmorecendo até que possamos produzir a viva e edificante raiz; porque, então, todos os frutos que haveremos de gerar, conforme nossa espécie, serão produzidos dentro de nós e sem nós, naturalmente; é o que ocorre com nossas árvores terrestres, porque elas aderem às próprias raízes e, incessantemente, retiram sua seiva.&amp;quot;(20) ''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compreende-se, assim, que o ensinamento deixado por Saint-Martin, e que veio de Martinez de Pasqually e de Jacob Böehme, era muito profundo e de natureza divina. Constitui-se uma Escola de Homens de Desejo, ávidos por adquirirem conhecimentos, uma elite do pensamento, embaçada em um sistema filosófico iniciático, tendo como objetivo o desenvolvimento moral e espiritual do homem. Não é uma Escola de especulação abstrata, mas um centro onde os membros procuram conhecer a doutrina e a experiência dos mestres e onde procuram vivê-la na vida diária, para atingir a perfeição interior, através de um processo de autotransformação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de homens livres eram formados por um pequeno número de pessoas inteligentes e de mente sã, escrupulosamente examinadas, Saint-Martin dizia que as grandes verdades só podem ser bem ensinadas no silêncio. Todos aqueles que não sabem calar, que falam mais do que observam, não podem ser recebidos na senda interior. Saber guardar o silêncio é condição indispensável para que o homem se torne digno de receber outros ensinamentos cada vez mais profundos, emanados não apenas de seu iniciador, como do próprio Mundo Invisível. Para isso, necessitamos de treinamento, que se efetua guardando-se o silêncio em relação às pequenas coisas, mesmo profanas. Qualquer sociedade iniciática não pode ser aberta, pois assim perderia a força que porventura tivesse recebido do Alto. Guardar o silêncio significa fechar-se às influências exteriores, às opiniões contrárias que só trazem ações conflitantes. Fechar-se em torno de si mesmo é magnetizar-se; é evitar que as próprias forças divinas se dispersem na Natureza, passando por nós. É criar um pólo de atração; é tornar-se um receptáculo das influências celestes; é tornar-se a taça que recebe o influxo divino.&lt;br /&gt;
A Iniciação é um processo interior de aperfeiçoamento do homem, tornando-o apto a receber as forças divinas. O homem é a soma de todos os problemas da existência; é a síntese, o enigma dos enigmas, a pedra bruta que deve ser talhada e aperfeiçoada. Esse desenvolvimento deve ocorrer de tal modo que o ser criado se religue ao Criador, através da aproximação da natureza impura com a natureza pura. Por isso, a primeira deve ser trabalhada até ficar quase no mesmo estado da segunda; somente depois haverá uma atração tal, que a Natureza Superior descerá até a inferior, purificando-a em definitivo e deixando-a conforme ela mesma: é a Iluminação do Iniciado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele que possuir o conhecimento de si mesmo terá acesso à ciência do mundo, dos demais seres. O conhecimento de si próprio é somente em si que deve buscar. É no espírito do homem que se devem encontrar as leis que dirigem sua origem. É preciso, pois, que o iniciado encontre seu centro iniciático, a divindade em si, para adquirir o pleno conhecimento de si mesmo. É necessário conhecer suas fraquezas para melhor dominá-las e não voltar a praticar os mesmos erros. Jesus Cristo dizia aos homens para não pecarem mais menos, até o dia em que, tendo encontrado seu equilíbrio iniciático, possam chegar a não pecar mais. Sua luta deve ser constante, contra as paixões, suas contrariedades internas e a ira. A docilidade representa a presença de Deus no centro iniciático; a ira representa a sua ausência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''&amp;quot;O homem não pode ser integralmente livre da ira e do pecado porque os movimentos do abismo deste mundo tampouco são totalmente puros ante o coração de Deus; o amor e a ira sempre lutam entre si.&amp;quot;(21)''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A doutrina de Saint-Martin difundiu-se na Alemanha e na Rússia, através de seus discípulos. Na Rússia, a doutrina martinista encontrou um grande divulgador em Joseph de Maistre, que afirmava a existência de Deus no interior de cada indivíduo e, por conseguinte, que o segredo de toda a iniciação consistia em descobrir o centro iniciático próprio, a senda interior, a fim de proceder ao próprio desenvolvimento espiritual. Assim, a iniciação é uma senda real, interior, individual, e não se encontra no exterior, nas sociedades ou no Enciclopedismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1803, o Filósofo Desconhecido dava seus últimos passos em direção à Eternidade, pois sua saúde mostrava-se débil. Mas não se afligiu com essa perspectiva; ao contrário, dizia que a Providência sempre lhe havia dispensado muito cuidado, de modo que só poderia render-lhe graças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta-nos Gence que certa vez, visitando um amigo comum, Saint-Martin confessou-lhe que estava partindo para o Oriente Eterno e no dia seguinte, visitando seu amigo o Conde Lenoir la Roche, em Aulnay, após leve refeição, retirou-se para o quarto; sofreu um ataque de apoplexia e partiu. Era o dia 13 de outubro de 1803. Foi então que seus discípulos e amigos perderam a convivência física com o Mestre, mas ganharam a eterna e permanente proteção espiritual que nos envia do Reino da Glória, através dos Mundos Invisíveis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a obra de Louis Claude de Saint-Martin continua através dos Grupos de Iniciados que seguem sua doutrina. A Conquista da Iluminação é o objetivo último de todos os Homens de Desejo, que encontram nas obras do Mestre e no seu exemplo, como Homem e como Iniciado, o respaldo necessário para prosseguir na senda sem desânimo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que cada um possa transformar-se em um Novo Homem, renascido pela Luz, que resplandece na alma de todos, e que engendrará, no futuro, o Homem-Espírito, o novo Sol que acalentará os corações de todos com seu procedimento e com sua serenidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras de Louis Claude de Saint-Martin==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*1-) Des Erreurs et de la Vérité, ou les Hommes Rappelés au Principe Universel de la Science. Edimbourg, 1775, 2 vol.&lt;br /&gt;
*2-) Suite des Erreurs et de la Vérité. A Salomonopolis, Androphile, 1784.&lt;br /&gt;
*3-) Tableau Naturel des Rapports qui Existent entre Dieu, l'Homme et l'Univers. Édimbourg. 1782.&lt;br /&gt;
*4-) L'Homme de Désir. Lyon, 1790.&lt;br /&gt;
*5-) Ecce Homo. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
*6-) Le Nouvel Homme. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
*7-) Letre à un Ami, ou Considérations Philosophiques et Religieuses sur la Révolution Française. Paris, Louvet, Palais, Égalité, 1796.&lt;br /&gt;
*8-) Éclair sur l'Association Humaine. Paris, Marais, 1797. &lt;br /&gt;
*9-) Le Crocodille ou la Guerre du Bien et du Mal, Arrivée sous le Règne de Louis XV. Paris, Cercle Social, 1798.&lt;br /&gt;
*10-) Réflexiones d'un Observateur sur la Question Proposée por l'Institut: &amp;quot;Quelles sont les Institutions les plus Propres à Fonder la Morale d'un Peuple?. Paris, 1798.&lt;br /&gt;
*11-) De l'Influence des Signes sur la Pensée (inserido incialmente no Crocodile). Paris, 1799.&lt;br /&gt;
*12-) L'Esprit des Choses ou Coup d'Deil Philosophique sur la Nature des Étres et sur l'Objet de leur Existence. Paris, 1800, 2 vol.&lt;br /&gt;
*13-) Le Ministère de l'Homme-Esprit. Paris, 1802.&lt;br /&gt;
*14-) Oeuvres Posthumes de Saint-Martin. Tours, 1807, 2vol.&lt;br /&gt;
*15-) Traité des Nombres. S/1, M. Léon, 1844.&lt;br /&gt;
*16-) Correspondence de Saint-Martin avec Kircheberger, Baron de Liebisdorf, des annèes 1792 a 1799, S. n. t.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Traduções das obras de Jacob Boehme==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*17-) L'Aurore Naissante ou la Racine de la Philosophie, de l'Astrologie et de la Théologie. Paris, 1800.&lt;br /&gt;
*18-)Des Trois Principes de l'Essence Divine ou de l'Eternel Engendrement sans Origine de l'Homme, d'où il a été Crée et pour quelle Fin. Paris, 1802, 2 vol. &lt;br /&gt;
*19-)Quarente Questions sur l'Origine, l'Essence, l'Etre, la Nature et la Propriété de l'Âme, suivies des &amp;quot;Six Poit&amp;quot;. Paris, 1807.&lt;br /&gt;
*20-) De la Triple Vie de l'Homme selon de Mystère des Trois Principes de la Manifestation Divine. Paris, 1809.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*1- SAINT-MARTIN, L. C. Oeuvres Posthumes; Portrait Historique et Phisosophique de Saint-Martin fait par lui-même, p. 58-59. &lt;br /&gt;
*2- Id., t.1, p.5.&lt;br /&gt;
*3- Id., t.1, p.78-9.&lt;br /&gt;
*4- J. B. M. Gence foi discípulo de Saint-Martin e com ele conviveu longos anos: seu relato encontra-se no prefácio de Teosophic Correspondence between L. C. de Saint-Martin and Kircheberger, Baron de Liebistorf, P. V.&lt;br /&gt;
*5- Id., p. VI.&lt;br /&gt;
*6- PAPUS. L'Illuminismo en France, 1771-1803: Louis-Claude de Saint-Martin, as Vie, as Voie Theurgique, ses Oeuvrages, son Oeuvre, ses Disciples, suivi de la Publicatino de 50 Letters Inédites, p. 109.&lt;br /&gt;
*7- MATER, M. Saint-Martin, le Philosophe Inconnu. Ed. d'Aujourd'hui, p. 20.&lt;br /&gt;
*8- SAINT-MARTIN, L. C. Theosophic Correspondense, op. Cit. Carta XCII.&lt;br /&gt;
*9- Id. Carta IV.&lt;br /&gt;
*10- PAPUS. Louis Claude de S. Martin. 1902.&lt;br /&gt;
*11- Id., p. 12.&lt;br /&gt;
*12- Comentário deixado por Ary Ilha Xavier, profundo conhecedor das obras de Saint-Martin.&lt;br /&gt;
*13- Des Erreurs et de la Vérité. Edimbourg, 1775, 2v.&lt;br /&gt;
*14- Gence. Op. Cit., p. IV.&lt;br /&gt;
*15- Id., p. VII.&lt;br /&gt;
*16- SAINT-MARTIN, L.C. Le Crocodile, Canto XV, p.53.&lt;br /&gt;
*17- SAINT-MARTIN, L.C. Mont Portrait. Op. Cit., p. 42.&lt;br /&gt;
*18- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Op. Cit. Carta LVIII.&lt;br /&gt;
*19- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence Op. Cit. Carta LXII.&lt;br /&gt;
*20- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Carta número CX.&lt;br /&gt;
*21- BÖEHME, J. Confesiones, p. 44.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referência==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*[http://hermanubis.com.br Hermanubis] - Adaptado em 24/10/2007 e.v.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Biografias]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Martinistas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
	<entry>
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		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-25T03:18:40Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* Os ensinamentos martinistas */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[imagem:Pantáculo.gif|thumb|right]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A '''Ordem Martinista''' é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã, muito embora exista algumas linhagens do Martinismo que conciliam os ensinamentos da tradição esotérica cristã com os ensinamentos de algumas tradições esotéricas do oriente. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis Claude de Saint-Martin:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da '''Reintegração'''. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: ''Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo.'' Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um '''Homem de Desejo'''. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O martinismo é um caminho da '''Vontade'''. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual ''podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis Cloude de Saint-Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O martinismo moderno==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a transição de Louis Claude de Saint Martin, os martinistas (assim eram chamados seus discípulos) não estiveram muito ativos. As cerimônias e os ensinamentos tradicionais eram transmitidos somente de maneira pessoal e privada. Após um longo período de discrição, um grande esforço foi feito em 1888 para estruturar aquilo que na época não podia verdadeiramente ser chamado de uma Ordem iniciática e que se limitava a alguns iniciados. Foi graças ao empenho de [[Papus]] e [[Augustin Chaboseau]] que essa Ordem veio à luz e recebeu o nome de Ordem Martinista. Esse movimento foi coroado de êxito em 1891 e resultou na formação do Conselho Supremo da '''Ordem Martinista''', composto de vinte e um Membros, com autoridade sobre todas as Lojas do mundo. O célebre ocultista francês Papus ([[Papus | Dr. Gerard Encause]]) foi eleito primeiro Presidente desse Conselho Supremo. Sob sua brilhante e infatigável direção, a Ordem cresceu rapidamente e, por volta de 1900, contava com centenas de Membros ativos na maior parte dos países do mundo. Papus tornou-se rapidamente uma autoridade em matéria de martinismo e suas obras constituem uma fonte preciosa de informação para os martinistas e todos aqueles que se interessam pela Tradição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==As ordens martinistas visíveis==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer do tempo a luz martinista difundiu-se pelo mundo. Atualmente, existem vários grupos organizados sob o título de martinistas. Eis algumas delas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tradicional ordem martinista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Tradicional Ordem Martinista permanece como a maior Ordem Martinista não operativa em atividade no mundo, para tanto conta com a aliança com a Ordem Rosacruz AMORC, é a organização Martinista que possui o maior número de Heptadas tradicionalmente constituídas e é a que possui a melhor organização administrativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão da Tradicional Ordem Martinista possui vários ramos a saber :1. V.E. Michelet 2. Augustin Chaboseau (Sar Augustus) 3. Ralph Maxwell Lewis (Sar Validivar) 4. Gary L. Stewart 5. Cristian Bernard (Phenix) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sucessões iniciáticas: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. o Charles Deter (Teder) 3. Blanchard 4. H.S.Lewis &lt;br /&gt;
1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. Charles Deter (Teder) 3. Georges de Bogè LagrËze (Mikael) 4. Ralph Lewis. &lt;br /&gt;
O Soberano Grande Mestre da Tradicional Ordem Martinista é o Ir Christian Bernard ( Phenix) que possui duas linhagens: &lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Sepulcros de Orval 3. Cristian Bernard e&lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Cecil UM. Poole 3. Gary L. Stewart 4. Christian Bernard.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Tradicional Ordem Martinista, trabalham-se em três graus:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Associado&lt;br /&gt;
* Iniciado&lt;br /&gt;
* S.I.(Superior Incógnito) e CFD (Círculo dos Filósofos Desconhecidos)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para se afiliar à TOM, é exigido que o aspirante seja um membro iniciado ao primeiro Grau de Templo da Ordem Rosacruz, AMORC e que esteja em dia com suas contribuições. Então, após a admissão à classe dos membros de Oratório ele pode solicitar afiliação a uma das Heptadas Martinistas espalhadas pela jurisdição. Para ser iniciado em uma Heptada Martinista, no grau Associado, deve-se passar por uma entrevista com o mestre em exercício. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os membros da TOM reúnem-se em reuniões chamadas de &amp;quot;Conventículos Martinistas&amp;quot;, onde são estudados os manuscritos correspondentes ao grau do conventículo. Para ser admitido ao grau seguinte, exige-se, principalmente, que o membro participe, durante 1 ano, de todos os conventículos referente ao seu grau atual (tolerando-se no máximo 6 faltas). Os conventículos de cada grau são realizados quinzenalmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do estudo do S.I. em Heptada, e desde que eles tenham atendido todas as exigências estabelecidas pela Grande Heptada, os membros são admitidos ao Círculo dos Filósofos Desconhecidos (CFD), onde escolhem um nome místico. No CFD, os novos mestres estão aptos a participarem de todos os trabalhos templários, a escreverem manuscritos e enviarem para a Grande Heptada, onde serão apreciados e redistribuídos para as outras Heptadas, para estudo e meditação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O intuito desta compilação é o de fornecer informações históricas sobre o Martinismo através dos séculos. Como todo Martinista deve saber, não se julga um irmão pela riqueza ou pobreza do berço que o embalou e sim pela fraternidade que une dois seres que possuem gravados em seus íntimos a mesma iniciação e a mesma paternidade espiritual. Este é o elo que nos une.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista sinárquica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta ordem é a mais antiga das que tiveram uma existência ininterrupta desde sua fundação em 1918 por Blanchard (Sar Yesir). Originalmente era Blanchard que iria se tornar o sucessor de Detré como Grande Mestre da Ordem Martinista Martinezista. Blanchard desistiu disto, pois ele não estava a favor da exigência de afiliação maçônica no Martinismo. Assim em 1918 Blanchard reuniu o Conselho Supremo anterior de Martinistas e Martinistas independentes que não aderiram ou pertenceram às Ordens Martinistas maçônicas e formaram uma Ordem de Martinistas sob a constituição original que Iniciou homens e mulheres. Depois, em 1934 a Ordem de Blanchard mudou seu nome para Ordem Martinista e Sinarquica, e Blanchard foi eleito Soberano Grande Mestre Universal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com uma idade de 75 anos, Blanchard faleceu em 1953, em Paris. O Soberano Grão Mestre a substitui-lo foi Sar Alkmaion (Dr. Edouard Bertholet), da Suíça. Foi Sar Alkmaion, Soberano Grão Mestre da Ordem para as Lojas Inglesas que recebeu a Carta Constitutiva como Delegado Geral para a Grã Bretanha e a Comunidade britânica. A Grande Loja Britânica era governada por um comitê interno conhecido como o Tribunal Soberano do qual este era um dos membros permanentes: Presidente: Sar Sorath (também conhecido como Sar Gulion, ainda em vida). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No momento, a jurisdição principal desta ordem está na Inglaterra sob da liderança de Sar Gulion. Nos E.U.A. há uma filial da ordem que funciona regularmente com uma carta constitutiva da Inglaterra. Depois da morte de Fusiller, o sucessor de Blanchard, a Ordem Martinista dos Eleitos Cohens fundiu com o OMS e mantém o nome do posterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A linhagem de OMS atual: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de BogÈ LagrËze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Gulion/Sorath (o Grande Mestre Inglês) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O OM&amp;amp;S independente do Canadá, tem estas linhagens; 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de Bogè Lagrëze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Sendivogius 7. William Pendleton 8. Sar Parsifal/Petrus (morto 1994). &lt;br /&gt;
O tribunal de OM&amp;amp;S no Canadá, 1965, era compostos de: 1. Sar Resurrectus, Presidente (iniciado por Pendleton) 2. Sar Sendivogious, 3. Sar Petrus &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Jurisdição canadense se declarou independente. Sar Resurrectus se tornou o Grande Mestre, Sar Sendivogious se retirou das atividades da OMS para se concentrar nos Elus Cohen, e Sar Petrus se tornou Grande Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem Martinista dos Elus Cohens===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Originalmente fundado por Martinez de Pasqually em 1768. Foi fundido com alguns ritos Maçons pelo discípulo dele e sucessor Jean-Baptiste Willermoz. O Dr. Blitz de Eduoard, um companheiro antigo de Papus, trabalhou com os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa de Willermoz, nos E.U.A., e consequentemente mantinha a exigência de afiliação maçônica. Depois da Segunda Guerra Mundial, Robert Ambelain (Sar Aurifer),era seu Grande Mestre e mantinha rituais Elus Cohen que ele tinha obtido de várias fontes , reavivou a Ordem Martiniste des lus Cohens que praticava justamente esta forma operativa de teurgia. Ambelain também preservou somente esta Ordem aos Homens. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem original do Cohens Eleitos tinha trabalhado de 1767 a pelo menos até 1807. De lá para cá a linhagem está quebrada ou pelo menos incompleta. Estes são o iniciados principais da Ordem dos Cavaleiros Maçons Eleitos do Elus Cohen do Universo na França: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Martinez de Pasqually 1767-1774 2. Caignet Lestere 1774-1779 3. o Sebastian las de Casas 1780 4. G.Z.W.J. 1807 de 1942-1967: 1. Robert Ambelain (Aurifer) 1942-1967 2. Ivan Mosca (Hermete) 1967-1968 &lt;br /&gt;
No seguimento Italiano : 1. Krisna Frater 2. Francesco Brunelli &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os graus transmitidos nos Elus Cohen são assim: &lt;br /&gt;
1º grau - o Mestre Elus-Cohen 2º grau - Cavaleiro do Oriente 3º grau - o Chefe do Oriente 4º grau - RÈaux-Croix Outras fontes relatam assim: 1 - Ordem dos Cavaleiros de Elus-Cohen L'Univers 2 - ordem de Cavaleiros maçons 3 - Eleitos sacerdotes do Universo 4 - RÈaux-Croix &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ordem se fundiu com a Ordem de Martinista de Phillipe Encausse. Ambelain publicou uma declaração na revista de Martinista ´L'Initiation&amp;quot; em 1964 relatando o fechamento da ordem. 30 anos depois foi reavivado mais uma vez - novamente por Ambelain - que ainda parece estar morando em Paris. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista de papus===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É o nome da primeira ordem criado por Papus em Paris 1888. Papus foi o primeiro Soberano Grande Mestre de 1888 até a sua morte em 1916. O seu primeiro Conselho Supremo foi constituído dos seguintes Irmãos: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Papus (o Grande Mestre ) 2. Pierre Augustin Chaboseau 3. Paul Adam 4. Charles Barlet 5. Maurice Barres 6. Burget 7. Lucien Chamuel, 8. de Stanislas Guaita 9. LeJay 10. Montiere 11. Josephin Peladan 12. Yvon Le Loup (Sedir) 13. Eduoard&lt;br /&gt;
Maurice Barres e Josephin Peladan foram posteriormente substituídos por Marc e Emile Michelet. O Dr. Blitz de Edouard , Delegado Soberano no E.U.A., também era um membro do Conselho Supremo, entretanto ele é negligenciado freqüentemente na história do Martinismo, provavelmente porque ele deixou a Ordem, depois de uma controvérsia com Papus que não pretendia manter a subordinação maçônica em sua organização. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem Martinista Sufi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta linhagem do Martinismo concilia ensinamentos da tradição esotérica cristã com ensinamentos da tradição esotérica islâmica, também conhecido como sufismo. Papus travou contato com algumas fraternidades iniciáticas do oriente médio que resultou na união de alguns martinistas europeus com adeptos do sufismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão de Papus na linhagem de Saint Martin era assim: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude Saint Martin (1743-1803) 2. Jean-Antoine Chaptal (de Compte Chanteloup)(morto em 1832) 3. (?)X 4. Henri Delaage (morreu 1882) 5. Dr. Gérard Encausse. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, havia um elo, ou melhor, um vácuo (o X) na linhagem de Papus, assim em 1888, Augustin Chaboseau (um membro do Conselho Supremo original de 1888) e Gérard Encausse trocaram Iniciações pessoais para consolidar a sucessão. A Ordem Martinista se constituiu então de duas linhagens espirituais, a que vimos acima e a seguinte: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude de Saint Martin (1743-1803) 2. Abbe de la Noue (morreu 1820) 3. J. Antoine-Marie Hennequin (morreu 1851) 4. Adolphe Desbarolles (morto em 1880) 5. Henri la de Touche (Paul-Hyacinthe de Nouel de la Touche)(morto em 1851) 6. a marquesa de Amélie de Mortemart Boisse 7. Pierre Augustin Chaboseau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de morte de Papus , Charles Detré (nome místico Teder ) se tornou o Soberano Grande Mestre, ele decidiu limitar a afiliação à Ordem Martinista (L`Ordre Martiniste) para Mestres Maçons, especialmente do Rito de Memphis &amp;amp; Misraim. Claro que isto significou que as mulheres seriam excluídas do Martinismo, e isto também não estava de acordo à filosofia do Martinismo original. Naturalmente isto causou grande discordância entre os membros, e vários membros do Conselho Supremo original de 1891 deixaram a Ordem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Martinismo]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ordens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Louis_Claude_de_Saint-Martin&amp;diff=7155</id>
		<title>Louis Claude de Saint-Martin</title>
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		<updated>2007-10-24T06:46:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* Notas */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:SaintMartin.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Louis Claude de Saint-Martin, o &amp;quot;Filósofo Desconhecido&amp;quot;, pensador profundo e grande iniciado, nasceu a 18 de janeiro de 1743 em Amboise, Tourraine, no centro da França, no seio de uma família nobre, mas pouco abastada e desconhecida. Logo depois do nascimento de Saint-Martin, sua mãe faleceu, e ele foi criado pelo pai e por uma madrasta, pessoa amável e de bom coração, que o iniciou na leitura de Jacques Abbadie, ministro protestante de Genebra. Com esse autor, apreendeu a conhecer a si mesmo, relegando a um plano secundário a análise decepcionante e estéril dos filósofos em voga na época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Influências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;É à obra de Abbadie, A Arte de Conhecer a Si Mesmo, que devo meu afastamento das coisas mundanas; é a Burlamaqui que devo minha inclinação pelas bases naturais da razão; é a Martinez de Pasqually que devo meu ingresso nas verdades superiores; é a Jacob Böehme que devo meus passos mais importantes nos caminhos da Verdade.&amp;quot;(1) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro autor que influenciou o Filósofo Desconhecido desde sua juventude foi Pascal. Aos 18 anos, em meio às discussões filosóficas dos livros que lia, deu-se conta de que, existindo o Criador do Universo e uma alma, nada mais seria necessário para ser sábio. (2) Foi com base nessas concepções que fundou sua doutrina posterior. Na época de seus estudos no Colégio de Pontlevoi, o Ocultismo já fazia parte de suas meditações. Na Faculdade, igualmente, eram os estudos metafísicos que o atraíam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Formação==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudou Direito conforme a vontade de seu pai, e esse ambiente proporcionou-lhe maior contato com o mundo filosófico e literário da época. Conheceu as obras de Voltaire, Rousseau, Montesquieu e outros autores não iniciados, mas sem ceder à inclinação dos enciclopedistas. &amp;quot;Li, vi e escutei os filósofos da matéria e os doutores que devastam o mundo com suas instruções; nenhuma gota de seus venenos penetrou-me; nem as mordidas de uma só dessas serpentes prejudicaram-me.&amp;quot;(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jovem estudante procurava tudo o que pudesse conduzi-lo ao conhecimento da Verdade, particularmente as ciências e princípios exatos. Dedicou-se assim ao estudo filosófico dos números e, por algum tempo, esteve ligado a Lalande e sua escola filosófica, sintetizada em Ciência dos Números. Esse convívio, entretanto, não foi longo, pois seus pontos de vista eram divergentes e nosso Filósofo passou a estudar Jean Jacques Rousseau. Como ele, pensava ser o homem naturalmente bom; mas entendia que as virtudes perdidas originalmente, em razão da Queda, poderiam ser reconquistadas desde que o homem o desejasse ardentemente. Acreditava que o naufrágio no materialismo era conseqüência mais das associações viciosas e desvirtuadas do que do pecado original. E, nisso, afirma-nos seu discípulo Gence(4), ele se diferenciava de Rousseau, a quem considerava um misantropo por sua excessiva sensibilidade, ao olhar os homens, não como eram, mas como gostaria que fossem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin amava a humanidade e considerava-a melhor do que parecia ser; e o encanto da sociedade da época levou nosso Filósofo a pensar que a vivência nas rodas sociais poderia levá-lo ao melhor conhecimento do homem e conduzi-lo à intimidade mais perfeita com os seus princípios. Assim, agiu conforme seu pensamento: freqüentou os saraus musicais e toda sorte de recreações da alta nobreza, desde os passeios ao campo até as conversas com amigos; os atos de gentileza eram a manifestação de sua própria alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foram de sua intimidade as pessoas da mais alta classe, dentre as quais podemos citar o Marquês de Lusignan, o Marechal de Richelieu, o Duque de Orléans, a Duquesa de Bourbon, o Cavaleiro de Fouflers e tantos outros que seria longo enumerar. Devotou-se inteiramente à busca da Verdade e à prática das Virtudes, que foram o objeto constante de seus estudos, dos seus trabalhos e das suas realizações.&amp;quot;(5) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Iniciado, pois no estudo das leis e da jurisprudência, aplicou-se mais à pesquisa das bases naturais da Justiça, relegando a um plano secundário as regras da jurisprudência. Paralelamente, desenvolvia seus estudos sobre os mistérios ocultos e logo descobriu que não poderia dedicar-se inteiramente à magistratura, como desejava sua família. Não encontrando sua vocação no Direito, abandonou a magistratura que exerceu em Tours durante seis meses. Alistou-se aos 22 anos de idade no Regimento de Foix, então aquartelado em Boudeaux, onde pode encontrar mais tempo para dedicar-se ao estudo do Ocultismo, que era sua verdadeira vocação. Após ter lido os autores mais em evidência no gênero, procurou a iniciação de uma maneira mais efetiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Caminho iniciático==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi graças a um colega do Regimento, Grainville, que bateu às portas do Templo. Grainville era iniciado em uma sociedade oculta muito importante, cujo chefe era Martinez de Pasqually. Este era casado com uma sobrinha do maior, comandante do Regimento, que se encontrava na mesma cidade de residência de Martinez. A Escola de Pasqually, seu iniciador nas práticas teúrgicas, era a Ordem dos Elus Cohens do Universo (Sacerdotes Eleitos), revigorada mais tarde pela ação de Saint-Martin e Jean Baptiste Willermoz, sob a inspiração das obras de M. Pasqually e de J. Böehme e a partir de suas próprias pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fins de 1768, Saint-Martin foi iniciado nos três primeiros graus simbólicos da referida Ordem pela espada de Balzac, avô de Honoré de Balzac, o famoso romancista francês das primeiras décadas do século XIX. Com efeito, em carta de 12 de agosto de 1771, dirigida a seu colega Willermoz, de Lyon, confirmou ter sido iniciado por Balzac e que recebera de uma só vez os três graus simbólicos. &amp;quot;Não é comum darem-se os três graus simbólicos ao mesmo tempo; deixam-se, ao contrário&amp;quot;, prosseguiu Saint-Martin na referida carta, &amp;quot;grandes intervalos de tempo entre um grau e outro, segundo o progresso de cada um.&amp;quot;(6) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, Saint-Martin submeteu-se em seguida ao método iniciático de Pasqually, de quem se tornou secretário particular e discípulo zeloso. Mas não deixou, logo depois, de criticar seu primeiro Mestre, por não concordar com tudo o que era feito em tal sistema. Considerava supérfluas todas as manifestações físicas exteriores e todos os detalhes do cerimonial Cohen: &amp;quot;São necessárias todas essas coisas para orar a Deus?&amp;quot;, perguntou Saint-Martin a seu mestre Martinez. &amp;quot;É preciso que nos contentemos com o que temos&amp;quot;(7), respondeu o Grão-Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade, era necessário trabalhar mais profundamente no sentido interior para produzir a luz. Isso certamente Martinez teria feito dentro de seu próprio sistema, se não tivesse partido da França e falecido em seguida. Sua semente ficou, no entanto, e coube a Saint-Martin e a Willermoz cuidar da planta que deveria nascer. A Providência Divina não os deixou abandonados; inspirou-os constantemente, colocando em seu caminho homens que os ajudaram, direta ou indiretamente, e proporcionando-lhes o conhecimento do sistema de Jacob Böehme. Esse sistema confirmou as descobertas que tinham feito e abriu as portas para a obtenção das chaves ainda não encontradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época em que conheceu Pasqually, tinha pouco mais de vinte e cinco anos e acabava de debutar no Ocultismo, de sorte que nem todas verdades da Iniciação pode receber de seu primeiro mestre, com o qual permaneceu cinco anos. Soube reconhecer mais tarde sua grandeza (porque é bom que se afirme que Martinez de Pasqually foi um adepto de grande iluminação). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Havia coisas preciosas em nossa primeira Escola&amp;quot;, relata Saint-Martin a seu discípulo Kircheberger. &amp;quot;Sou mesmo induzido a pensar que o Sr. Martinez de Pasqually, que era nosso mestre, possuía a chave ativa referente a tudo o que nosso prezado Jacob Böehme expõe em suas teorias, mas não julgava que fôssemos capazes de entender tão altas verdades, naquela época. Ele era sabedor de alguns pontos que nosso amigo Böehme não conhecia, ou pelo menos não revelou, como a resipiscência do ser perverso, contra o qual o primeiro homem teria tido a missão de trabalhar... Quanto à Sofia e ao Rei do Mundo, ele nada nos revelou, deixando-nos com as noções comuns de Maria e do Demônio. Mas não afirmarei que ele não teve conhecimento delas e estou convicto de que chegaríamos a esse conhecimento, se o tivéssemos conosco por mais tempo...&amp;quot;(8)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin nunca concordou com a iniciação realizada fora do silêncio e da realidade invisível, que chamava de centro ou via interior. Para ele, o interior deve ser o termômetro, a verdadeira pedra de toque do que passa fora...; e o estudo da Natureza exterior só teria sentido se conduzisse à senda interior, ativa. Esse estudo poderia, pois, ser útil na medida em que conduzisse à Verdade, mas a Iniciação, explicava ele a Kircheberger, deve agir no ser central.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não lhe ocultarei que anteriormente entrei nesse caminho externo, e através dele me foi aberta a porta de minha carreira. Meu condutor era um homem de muitas virtudes ativas, e a maioria daqueles que o seguiram, inclusive eu, receberam confirmações que talvez tenham sido úteis para nossa instrução e desenvolvimento. Todavia, em todos os instantes, eu sentia forte inclinação para o caminho intimamente secreto, o externo nunca me seduziu, nem em minha juventude.&amp;quot;(9) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entendia Saint-Martin que todo o aparato exterior não era necessário para encontrar Deus e que, ao contrário, em muitas ocasiões dificultava essa busca. Discordava das numerosas e freqüentes comunicações sensíveis de todos os tipos, manifestadas nos trabalhos de que tomava parte na sua primeira Escola, embora o signo do Reparador sempre estivesse presente, manifestando a ação da Causa Ativa e Inteligente no mundo objetivo. Afirmava, no entanto, que sua senda interior, desenvolvida depois, proporcionava-lhe resultados mil vezes superiores aos produzidos pela senda que denominava exterior e que era preconizada por Pasqually.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afirmava, no entanto, e é bom repetir, que deveria haver trabalhos internos da Ordem que não lhes foram transmitidos por causa de sua curta passagem pelo sistema e por não terem ainda passado pelos estágios iniciais. O Mestre não poderia ter agido de modo diferente, revelam-lhes os mistérios de ordem mais elevada. Acreditava, ademais, que os Princípios Divinos poderiam mesmo nascer naquele sistema, mas os trabalhos para esse efeito deveriam ser mais alguns anos com Pasqually. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não apenas Saint-Martin discordava do sistema de Martinez, uma vez que os resultados não se produziam de imediato; todos os discípulos reclamavam resultados espirituais que, em verdade, dependiam deles próprios. Willermoz parece ter sido o primeiro a manifestar a Saint-Martin seu descontentamento no que dizia respeito ao desenvolvimento das faculdades adormecidas do ser humano; é o que constatamos através da leitura de uma carta endereçada por Saint-Martin, do Oriente de Bordeaux, com data de 25 de março de 1771.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Quanto à confiança que vos dignais a testemunhar-me, abrindo-me sem escrúpulos vosso pensamento sobre nossas cerimônias, não me compete, tendo em vista nossa dignidade, fazer qualquer observação a respeito; e, diante de meu juiz, eu só deveria escutar e calar. Entretanto, as disposições puras que trazeis à Sabedoria fazem-me supor que poderíeis perdoar-me antecipadamente se ouso acrescentar, às vossas, algumas idéias próprias. Procuro, como vós, esclarecer-me... Confesso que o objetivo que buscamos na iniciação parece-me muito difícil de ser atingido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredito que, mesmo nos encontrando nas melhores condições, quando todas as cerimônias são empregadas com a maior regularidade, a Coisa pode ainda guardar seu véu para nós tanto quanto quiser; ela está tão pouco à disposição do homem que ele não pode, jamais, apesar de seus esforços, estar certo de obtê-la. Ele deve esperar e orar sempre, eis nossa condição. O espírito conduz seu sopro onde quer, quando quer, sem que saibamos de onde vem e para onde vai... Se o poder não se manifesta agora, ele poderá ocorrer mais tarde; se não se opera pela visão, ele prepara a forma daquele que se mantém puro para receber as impressões salutares, quando o espírito assim quiser. Não atribuais, então, o estado em que vos encontrais a algum problema de vossa parte ou à invalidade das cerimônias.&amp;quot;(10)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz procurava obter por carta maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Pelo que constatamos, os resultados práticos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam. Era necessário muito trabalho, como em qualquer sistema de iniciação, para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A correspondência entre Saint-Martin e Willermoz, iniciada em 1768, estendeu-se até 1773. Em 1771, Saint-Martin abandonou a carreira militar para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo. Durante dois anos empregou todo o tempo disponível para trabalhar ao lado do mestre; foi durante esse período que se familiarizou com a ritualística dos Cohens e com a doutrina de Martinez, bem como com todas as suas práticas iniciáticas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partiu de Bordeaux em maio de 1773, na ocasião em que Martinez preparava-se para viajar para as Antilhas. Antes de se despedir, entretanto, Saint-Martin foi recebido no último grau dos Cohens, aquele de Réaux-Croix, como atesta uma carta de Martinez, datada de 17 de abril de 1772: &amp;quot;Após ter examinado e reexaminado os candidatos Saint-Martin e Seres, por nossa votação ordinária e em conseqüência das ordens que recebemos, nós os ordenamos Réaux-Croix...&amp;quot;(11) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1773, finalmente, Saint-Martin conheceu Willermoz, em Lyon, após terem trocado correspondência durante cinco anos. Seu círculo de amizade limitava-se aos irmãos da Ordem: Grainville, Balzac, Hauterive, Bacon de la Chevalerie, o Abade Fournier e Willermoz. Permaneceu um ano em Lyon, seguindo para sua cidade natal e, posteriormente, para Paris. Em abril de 1785, Willermoz obteve sucesso com suas operações: a &amp;quot;Coisa ativa e inteligente&amp;quot; finalmente mostrou-se aos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, sabendo da notícia, partiu de Paris em junho do mesmo ano, com destino a Lyon, levando consigo uma bíblia em hebraico e um dicionário, para entreter-se na viagem. Ficou seis meses em Lyon, partindo mais tarde para Nápoles e Londres, onde tomou conhecimento das publicações de Willian Law, morto em 1761, e que pertencia à tradição de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Seríamos excessivamente prolixos se procurássemos seguir as pegadas do nosso Filósofo Desconhecido, ao longo de sua jornada terrena, onde a cada passo, não obstante, encontraríamos o exemplo dignificante e o traço indelével da imensa esteira de luz que marcou sua trajetória neste mundo. Difícil ainda seria penetrarmos na profundeza do seu pensamento, da sua filosofia, da sua doutrina de elevação e regeneração do homem na busca da iluminação e da paz...&amp;quot;(12) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi inicialmente de Lyon que o Filósofo Desconhecido procurou irradiar a luz, após a partida de Martinez para o Oriente Eterno. A direção da Ordem dos Elus Cohen não ficou com Saint-Martin nem com Willermoz, mas nas mãos de pessoas menos preparadas para levar adiante um sistema que ainda necessitava de aperfeiçoamento. Coube a Saint-Martin e a Willermoz a resignação de continuarem ocultamente a pesquisa da Verdade por suas próprias forças. O &amp;quot;Agente Incógnito&amp;quot; teria ditado inúmeras instruções e partes de um livro que Louis Claude de Saint-Martin publicou, destinado a lutar contra o materialismo vigente na época. (13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez por esse motivo Saint-Martin tenha iniciado uma série de viagens, verdadeiros apostolados, para realizar propaganda das idéias espiritualistas, recolher dados e informações iniciáticas e entrar em contato com discípulos e homens de ciência. Em todos esses contatos sempre conquistava novas amizades e discípulos para continuarem sua obra. Saint-Martin tinha uma conversa muito agradável, uma vez que seu verbo não fazia senão expressar sua paz interior, seus conhecimentos e a nobreza de sua alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os salões mais aristocráticos de Paris disputavam sua presença. Essas qualidades eram agradáveis às mulheres, que não hesitavam em convidá-lo para as festas, pensando em casar suas filhas. Mas o Filósofo Desconhecido quis dedicar-se integralmente à sua obra de divulgação do Espírito. Em 1778, em Toulouse, esteve prestes a se casar; contudo, esse projeto desvaneceu-se como todos os demais a esse respeito. Afirmava sentir uma voz no seu interior que lhe dizia ser ele originário de um lugar onde não existem mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agente Incógnito desapareceu de cena em 1788, época em que Saint-Martin retornou à Lyon, mas reapareceu em 1790 para destruir uma série de cadernos de instruções por ele próprio ditados: &amp;quot;Eu devolvi ao Agente&amp;quot;, conta-nos Willermoz, &amp;quot;a seu pedido, mais de 80 cadernos manuscritos inéditos, que destruiu.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Pasqually, ocorrida em 1774 em São Domingos, o centro oculto da iniciação Cohen passou a Lyon e foi lá, como contam seus biógrafos, &amp;quot;que o Filósofo Desconhecido, armado com a Sabedoria Divina, passou a fazer oposição à doutrina materialista dos Enciclopedistas. Combatendo o materialismo revolucionário e sua doutrina errônea inserida em uma pretensa filosofia da natureza e da história, Saint-Martin chamou o homem de volta à Verdade, fundamentando-se no princípio do conhecimento de si mesmo e na natureza do ser inteligente&amp;quot;.(14) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, entretanto, nunca ficou muito ligado ao rigor das instituições iniciáticas, mas, em razão da problemática da época, em pleno desenvolvimento da Revolução Francesa, procurou, para a salvaguarda das suas próprias doutrinas e das tradições de que então já era depositário, unir-se a grupos ou formar grupos cujos membros desejassem, sinceramente, dedicar-se ao culto da Verdade e à prática das Virtudes. Estudava, paralelamente, as doutrinas de Pasqually e de Swedenborg, as primeiras mostrando-lhe a ciência do Espírito e as segundas a ciência da Alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;A Revolução, em todas as suas fases, encontrou Saint-Martin sempre o mesmo, dedicado a seu objetivo. Por princípio, esteve acima das considerações de nascimento e opiniões, por isso não emigrou; enquanto se mantinha ao seu redor todo o horror das desordens e dos excessos, acreditou sempre que o bem podia surgir do terrível advento da Revolução Francesa, pela intermediação da Divina Providência; pensou ver um grande instrumento temporal no homem que se levantou para suprimir seus excessos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foi em 1793, quando a família e a sociedade dissolviam-se, que vendeu as suas últimas posses para manter e cuidar de seu pai, velho e paralítico. Na mesma época, não obstante os estreitos limites a que ficou reduzida a sua fortuna, contribuiu para as necessidades públicas de sua comunidade. Retornando à capital, foi atingido pelo decreto de expulsão dos nobres. Saint-Martin submeteu-se e deixou Paris.(15)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o terror revolucionário, era necessária muita prudência, mesmo para os assuntos iniciáticos. Saint-Martin recebeu um mandado de prisão, embora vivesse mergulhado nos estudos e na meditação, sem nunca ter feito política. Não subiu ao cadafalso porque Robespierre caiu em seguida. Havia a proteção do Alto, que o guiava na terra, obscurecida pela agitação dos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Uma corrente de prestígios inundou a inteligência humana em geral, e a dos parisienses em particular, porque a cidade, que comporta sábios e doutores de toda espécie, possui poucos que orientam seu pensamento na direção dos conhecimentos verdadeiros, e há menos ainda que buscam esses conhecimentos com um espírito reto. A maior parte deles não fazem mais que dissecar as cascas da Natureza, medir, pesar e enumerar todas as suas moléculas. Eles tentam, insensatos, a conquista de tudo que se encontra em composição no Universo, como se isso lhes fosse possível. Esses sábios, tão célebres e tão ruidosos, não sabem que o Universo (ou o Templo) é a imagem reduzida da indivisível e universal eternidade; eles podem contemplar e admirar, pelo espetáculo de suas propriedades e de suas maravilhas, ... mas jamais poderão conquistar o segredo de sua existência.&amp;quot;(16) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, para cumprir seu dever cívico, serviu na Guarda Nacional e, em Amboise, foi escolhido para ser um dos instrutores da Escola Normal Superior, que formava jovens professores; tomou parte em 1795 da primeira Assembléia Eleitoral, sem contudo tornar-se membro efetivo de qualquer corpo legislativo. O que buscava era o Conhecimento e a difusão de suas doutrinas. Jamais fez proselitismo e procurava ter por discípulos amigos fiéis da Verdade. Quem visse seu jeito humilde jamais poderia suspeitar de sua elevada espiritualidade. Sua docilidade para com o tratamento, sua serenidade, manifestava no entanto o sábio, O Novo Homem formado pela filosofia profunda do aperfeiçoamento moral e espiritual. A luz que irradiava de seu centro fazia justiça à sua condição de Homem-Espírito, o grande sol da transição ao século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi em 1788, em Estrasburgo, que Saint-Martin tomou conhecimento das obras de Jacob Böehme, o Teósofo Teutônico, através de Rodolphe de Salzmann. Surpreso, constatou que essa doutrina combinava com a de seu antigo mestre Martinez de Pasqually, sendo idênticas em essência.. Coube a ele a tarefa de fazer o feliz casamento das duas correntes doutrinárias, elaborando um sistema sintático, capaz de satisfazer seus anseios e colocar à disposição de todos os Homens de Desejo um caminho seguro para chegar à Iluminação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A síntese iniciática foi obtida em poucos anos de trabalho pelo nosso Filósofo Desconhecido, secundado que foi por seu colega Jean Baptiste Willermoz. Necessitava, entretanto, de uma transmissão iniciática da corrente de Böehme para associar à sua, advinha de Pasqually. Essa corrente alemã de Jacob Böehme foi obtida ao ser iniciada pelo Barão de Salzmann, em Estrasburgo, e confirmada na linha mais antiga dos Templários, ao associar-se com a Estrita Observância Templária, do Barão de Hund. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz foi o encarregado, em Lyon, de organizar o sistema maçônico do Rito Escocês Retificado, fruto do Convento de Wilhelmsbad de 1782. Coube a Saint-Martin a chefia e a realização de iniciações individuais da Ordem Interior dos Filósofos Desconhecidos. Vários alemães foram iniciados no novo sistema (muitos dos quais já eram discípulos de Martinez de Pasqually), ingressando na iniciação real que conduz à Iluminação e à Reintegração a partir deste mundo na Unidade Divina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin considerava as obras de Jacob Böehme de uma profundidade e de um valor inestimáveis e não se achava digno nem de desatar as sandálias de Jacob Böehme; entendia que seria necessário que o homem se tivesse tornado pedra ou demônio para não tirar proveito de tais obras. (17)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi assim que passou a estudar o alemão, com quase 50 anos de idade, para melhor penetrar no sentido oculto e no pensamento do autor. Procurou traduzir para o francês as principais obras do Mestre. A partir de então, sempre que se referia a Jacob Böehme dizia que o Iluminado teutônico foi a maior luz que veio a este mundo depois daquele que era a própria Luz, isto é, o Cristo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após ter percorrido parte da Europa, estabeleceu seu apostolado em Toulouse, Versailles e Lyon, sempre lançando a semente espiritual em uma terra que se tornou fecunda, recolhendo ele próprio as doutrinas mais apropriadas para o seu espírito e seu sistema. Mais tarde, centralizou sua ação em três cidades: Estrasburgo, Amboise e Paris, que eram, como confessou, seu paraíso, seu inferno e seu purgatório. Fora dessas cidades possuía membros correspondentes de sua sociedade, como o Barão de Kircheberger, que não chegou a conhecer, mas a quem enviou um emissário, o Conde Divonne, para certamente lhe transmitir a iniciação. Kircheberger era grande admirador das obras de Saint-Martin; pertencia à Escola de Böehme, da qual tomaram parte igualmente Khunrath e Gichtel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kircheberger escreveu a Saint-Martin que, segundo uma lenda corrente em sua Escola, a Virgem Celeste, a Divina Sofia, nos dias das núpcias compareceu com seu corpo celeste de Glória e escolheu Gichtel, vindo à sua casa, colocando em ordem seus papéis e completando com seu próprio punho os manuscritos por ele deixados inacabados. Em vida teria igualmente recebido favores de sua esposa celeste, pois como general venceu o exército de Luiz XIV, que pretendia conquistar Amsterdã, cidade onde o adepto residia. Durante toda a batalha, o general não teria saído do quarto.(18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não somente Saint-Martin acreditava no relato de Kircheberger, como lhe pedia maiores detalhes sobre Gichtel. &amp;quot;Se estivéssemos um perto do outro, escreveu-lhe Saint-Martin, eu também teria uma história de casamento para vos contar. Os mesmos passos foram dados por mim, mas de um modo um pouco diferente, embora chegando aos mesmos resultados. Creio, com efeito, ter conhecido a esposa de Gichtel..., mas não de modo tão particular como ele. Eis o que me aconteceu por ocasião do casamento de que falei: eu estava orando... e me foi dito intelectualmente, mas de modo muito claro, o seguinte: Depois que o Verbo é feito carne, nenhuma carne deve dispor dela própria sem que Ele o permita. Essas palavras penetram profundamente em meu ser; ainda que não tenham significado uma proibição formal, recusei-me a toda negociação posterior.&amp;quot;(19) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredita-se que a chave da iniciação está no desejo do homem de purificar-se, de evoluir e de atingir a iluminação. Essa evolução é necessária para remediar a degradação a que o homem se submeteu após a Queda Original. Antes, o homem podia obrar em conformidade com a Vontade do Pai, sendo dessa maneira poderoso, mas após ter se revestido de um envoltório material, suas capacidades espirituais atrofiaram-se e a Vontade e a pureza de outrora aniquilaram-se. Foi na cidade de Estrasburgo que Saint-Martin deu a um discípulo a chave de O Homem de desejo, que, por extensão, serve para a própria Iniciação:&lt;br /&gt;
A Chave do Homem de Desejo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Avant qu'Adam mangeât la pomme,&lt;br /&gt;
Sans effort nous pouviouns oeuvrer.&lt;br /&gt;
Depouis, L'oeuvre ne se consomme.&lt;br /&gt;
Qu'au edu pur d'un ardent supir;&lt;br /&gt;
La Clef de l'Homme de Désir&lt;br /&gt;
Doit naître du désir de l'homme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto é, antes de Adão ter comido a maçã, o homem podia realizar sua obra sem esforço; depois, a obra não se concretiza a não ser com a ajuda do fogo puro, emanado de um ardente suspiro, advindo do grande esforço individual. Assim, a chave do Homem de Desejo deve nascer do desejo do homem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu livro O Homem de Desejo, publicado pela primeira vez em 1790, são litânias no estilo do salmista, nas quais a alma humana evolui para o seu primeiro estágio, num caminho que o Espírito pode ajudá-la a percorrer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin escreveu este livro por sugestão do filósofo religioso Thiaman, durante suas viagens a Estrasburgo e a Londres. Lavater, então clérico em Zurique, elogiou essa obra como um dos livros que mais tinha gostado, embora reconhecesse não ter tido condições de penetrar nas bases da doutrina exposta. Kircheberger, mais familiar aos princípios do livro, considerou-o como o mais rico em pensamentos iluminados. O próprio Saint-Martin concordou que nesse livro encontram-se os germes do conhecimento que ignorava até a leitura das obras de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo de seu livro O Homem de Desejo é mostrar que o homem deve confiar na Regeneração, chamando sua atenção para a necessidade de retorno ao Mundo Divino de onde saiu e ao trabalho que deverá realizar para alcançar esse objetivo, isto é, concentrando suas forças pelo desejo ardente de aperfeiçoar-se e tornar-se um homem de vontade forte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não há nenhum outro mistério para se chegar a essa sagrada iniciação, senão penetrando cada vez mais no fundo de nosso ser e não esmorecendo até que possamos produzir a viva e edificante raiz; porque, então, todos os frutos que haveremos de gerar, conforme nossa espécie, serão produzidos dentro de nós e sem nós, naturalmente; é o que ocorre com nossas árvores terrestres, porque elas aderem às próprias raízes e, incessantemente, retiram sua seiva.&amp;quot;(20) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compreende-se, assim, que o ensinamento deixado por Saint-Martin, e que veio de Martinez de Pasqually e de Jacob Böehme, era muito profundo e de natureza divina. Constitui-se uma Escola de Homens de Desejo, ávidos por adquirirem conhecimentos, uma elite do pensamento, embaçada em um sistema filosófico iniciático, tendo como objetivo o desenvolvimento moral e espiritual do homem. Não é uma Escola de especulação abstrata, mas um centro onde os membros procuram conhecer a doutrina e a experiência dos mestres e onde procuram vivê-la na vida diária, para atingir a perfeição interior, através de um processo de autotransformação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de homens livres eram formados por um pequeno número de pessoas inteligentes e de mente sã, escrupulosamente examinadas, Saint-Martin dizia que as grandes verdades só podem ser bem ensinadas no silêncio. Todos aqueles que não sabem calar, que falam mais do que observam, não podem ser recebidos na senda interior. Saber guardar o silêncio é condição indispensável para que o homem se torne digno de receber outros ensinamentos cada vez mais profundos, emanados não apenas de seu iniciador, como do próprio Mundo Invisível. Para isso, necessitamos de treinamento, que se efetua guardando-se o silêncio em relação às pequenas coisas, mesmo profanas. Qualquer sociedade iniciática não pode ser aberta, pois assim perderia a força que porventura tivesse recebido do Alto. Guardar o silêncio significa fechar-se às influências exteriores, às opiniões contrárias que só trazem ações conflitantes. Fechar-se em torno de si mesmo é magnetizar-se; é evitar que as próprias forças divinas se dispersem na Natureza, passando por nós. É criar um pólo de atração; é tornar-se um receptáculo das influências celestes; é tornar-se a taça que recebe o influxo divino.&lt;br /&gt;
A Iniciação é um processo interior de aperfeiçoamento do homem, tornando-o apto a receber as forças divinas. O homem é a soma de todos os problemas da existência; é a síntese, o enigma dos enigmas, a pedra bruta que deve ser talhada e aperfeiçoada. Esse desenvolvimento deve ocorrer de tal modo que o ser criado se religue ao Criador, através da aproximação da natureza impura com a natureza pura. Por isso, a primeira deve ser trabalhada até ficar quase no mesmo estado da segunda; somente depois haverá uma atração tal, que a Natureza Superior descerá até a inferior, purificando-a em definitivo e deixando-a conforme ela mesma: é a Iluminação do Iniciado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele que possuir o conhecimento de si mesmo terá acesso à ciência do mundo, dos demais seres. O conhecimento de si próprio é somente em si que deve buscar. É no espírito do homem que se devem encontrar as leis que dirigem sua origem. É preciso, pois, que o iniciado encontre seu centro iniciático, a divindade em si, para adquirir o pleno conhecimento de si mesmo. É necessário conhecer suas fraquezas para melhor dominá-las e não voltar a praticar os mesmos erros. Jesus Cristo dizia aos homens para não pecarem mais menos, até o dia em que, tendo encontrado seu equilíbrio iniciático, possam chegar a não pecar mais. Sua luta deve ser constante, contra as paixões, suas contrariedades internas e a ira. A docilidade representa a presença de Deus no centro iniciático; a ira representa a sua ausência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O homem não pode ser integralmente livre da ira e do pecado porque os movimentos do abismo deste mundo tampouco são totalmente puros ante o coração de Deus; o amor e a ira sempre lutam entre si.&amp;quot;(21)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A doutrina de Saint-Martin difundiu-se na Alemanha e na Rússia, através de seus discípulos. Na Rússia, a doutrina martinista encontrou um grande divulgador em Joseph de Maistre, que afirmava a existência de Deus no interior de cada indivíduo e, por conseguinte, que o segredo de toda a iniciação consistia em descobrir o centro iniciático próprio, a senda interior, a fim de proceder ao próprio desenvolvimento espiritual. Assim, a iniciação é uma senda real, interior, individual, e não se encontra no exterior, nas sociedades ou no Enciclopedismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1803, o Filósofo Desconhecido dava seus últimos passos em direção à Eternidade, pois sua saúde mostrava-se débil. Mas não se afligiu com essa perspectiva; ao contrário, dizia que a Providência sempre lhe havia dispensado muito cuidado, de modo que só poderia render-lhe graças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta-nos Gence que certa vez, visitando um amigo comum, Saint-Martin confessou-lhe que estava partindo para o Oriente Eterno e no dia seguinte, visitando seu amigo o Conde Lenoir la Roche, em Aulnay, após leve refeição, retirou-se para o quarto; sofreu um ataque de apoplexia e partiu. Era o dia 13 de outubro de 1803. Foi então que seus discípulos e amigos perderam a convivência física com o Mestre, mas ganharam a eterna e permanente proteção espiritual que nos envia do Reino da Glória, através dos Mundos Invisíveis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a obra de Louis Claude de Saint-Martin continua através dos Grupos de Iniciados que seguem sua doutrina. A Conquista da Iluminação é o objetivo último de todos os Homens de Desejo, que encontram nas obras do Mestre e no seu exemplo, como Homem e como Iniciado, o respaldo necessário para prosseguir na senda sem desânimo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que cada um possa transformar-se em um Novo Homem, renascido pela Luz, que resplandece na alma de todos, e que engendrará, no futuro, o Homem-Espírito, o novo Sol que acalentará os corações de todos com seu procedimento e com sua serenidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras de Louis Claude de Saint-Martin==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*1-) Des Erreurs et de la Vérité, ou les Hommes Rappelés au Principe Universel de la Science. Edimbourg, 1775, 2 vol.&lt;br /&gt;
*2-) Suite des Erreurs et de la Vérité. A Salomonopolis, Androphile, 1784.&lt;br /&gt;
*3-) Tableau Naturel des Rapports qui Existent entre Dieu, l'Homme et l'Univers. Édimbourg. 1782.&lt;br /&gt;
*4-) L'Homme de Désir. Lyon, 1790.&lt;br /&gt;
*5-) Ecce Homo. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
*6-) Le Nouvel Homme. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
*7-) Letre à un Ami, ou Considérations Philosophiques et Religieuses sur la Révolution Française. Paris, Louvet, Palais, Égalité, 1796.&lt;br /&gt;
*8-) Éclair sur l'Association Humaine. Paris, Marais, 1797. &lt;br /&gt;
*9-) Le Crocodille ou la Guerre du Bien et du Mal, Arrivée sous le Règne de Louis XV. Paris, Cercle Social, 1798.&lt;br /&gt;
*10-) Réflexiones d'un Observateur sur la Question Proposée por l'Institut: &amp;quot;Quelles sont les Institutions les plus Propres à Fonder la Morale d'un Peuple?. Paris, 1798.&lt;br /&gt;
*11-) De l'Influence des Signes sur la Pensée (inserido incialmente no Crocodile). Paris, 1799.&lt;br /&gt;
*12-) L'Esprit des Choses ou Coup d'Deil Philosophique sur la Nature des Étres et sur l'Objet de leur Existence. Paris, 1800, 2 vol.&lt;br /&gt;
*13-) Le Ministère de l'Homme-Esprit. Paris, 1802.&lt;br /&gt;
*14-) Oeuvres Posthumes de Saint-Martin. Tours, 1807, 2vol.&lt;br /&gt;
*15-) Traité des Nombres. S/1, M. Léon, 1844.&lt;br /&gt;
*16-) Correspondence de Saint-Martin avec Kircheberger, Baron de Liebisdorf, des annèes 1792 a 1799, S. n. t.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Traduções das obras de Jacob Boehme==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*17-) L'Aurore Naissante ou la Racine de la Philosophie, de l'Astrologie et de la Théologie. Paris, 1800.&lt;br /&gt;
*18-)Des Trois Principes de l'Essence Divine ou de l'Eternel Engendrement sans Origine de l'Homme, d'où il a été Crée et pour quelle Fin. Paris, 1802, 2 vol. &lt;br /&gt;
*19-)Quarente Questions sur l'Origine, l'Essence, l'Etre, la Nature et la Propriété de l'Âme, suivies des &amp;quot;Six Poit&amp;quot;. Paris, 1807.&lt;br /&gt;
*20-) De la Triple Vie de l'Homme selon de Mystère des Trois Principes de la Manifestation Divine. Paris, 1809.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*1- SAINT-MARTIN, L. C. Oeuvres Posthumes; Portrait Historique et Phisosophique de Saint-Martin fait par lui-même, p. 58-59. &lt;br /&gt;
*2- Id., t.1, p.5.&lt;br /&gt;
*3- Id., t.1, p.78-9.&lt;br /&gt;
*4- J. B. M. Gence foi discípulo de Saint-Martin e com ele conviveu longos anos: seu relato encontra-se no prefácio de Teosophic Correspondence between L. C. de Saint-Martin and Kircheberger, Baron de Liebistorf, P. V.&lt;br /&gt;
*5- Id., p. VI.&lt;br /&gt;
*6- PAPUS. L'Illuminismo en France, 1771-1803: Louis-Claude de Saint-Martin, as Vie, as Voie Theurgique, ses Oeuvrages, son Oeuvre, ses Disciples, suivi de la Publicatino de 50 Letters Inédites, p. 109.&lt;br /&gt;
*7- MATER, M. Saint-Martin, le Philosophe Inconnu. Ed. d'Aujourd'hui, p. 20.&lt;br /&gt;
*8- SAINT-MARTIN, L. C. Theosophic Correspondense, op. Cit. Carta XCII.&lt;br /&gt;
*9- Id. Carta IV.&lt;br /&gt;
*10- PAPUS. Louis Claude de S. Martin. 1902.&lt;br /&gt;
*11- Id., p. 12.&lt;br /&gt;
*12- Comentário deixado por Ary Ilha Xavier, profundo conhecedor das obras de Saint-Martin.&lt;br /&gt;
*13- Des Erreurs et de la Vérité. Edimbourg, 1775, 2v.&lt;br /&gt;
*14- Gence. Op. Cit., p. IV.&lt;br /&gt;
*15- Id., p. VII.&lt;br /&gt;
*16- SAINT-MARTIN, L.C. Le Crocodile, Canto XV, p.53.&lt;br /&gt;
*17- SAINT-MARTIN, L.C. Mont Portrait. Op. Cit., p. 42.&lt;br /&gt;
*18- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Op. Cit. Carta LVIII.&lt;br /&gt;
*19- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence Op. Cit. Carta LXII.&lt;br /&gt;
*20- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Carta número CX.&lt;br /&gt;
*21- BÖEHME, J. Confesiones, p. 44.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referência==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Adaptado do site [[http://hermanubis.com.br Hermanubis]] em 24/10/2007.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Biografias]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Martinistas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Louis_Claude_de_Saint-Martin&amp;diff=7154</id>
		<title>Louis Claude de Saint-Martin</title>
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		<updated>2007-10-24T06:38:11Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* Traduções das obras de Jacob Boehme */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:SaintMartin.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Louis Claude de Saint-Martin, o &amp;quot;Filósofo Desconhecido&amp;quot;, pensador profundo e grande iniciado, nasceu a 18 de janeiro de 1743 em Amboise, Tourraine, no centro da França, no seio de uma família nobre, mas pouco abastada e desconhecida. Logo depois do nascimento de Saint-Martin, sua mãe faleceu, e ele foi criado pelo pai e por uma madrasta, pessoa amável e de bom coração, que o iniciou na leitura de Jacques Abbadie, ministro protestante de Genebra. Com esse autor, apreendeu a conhecer a si mesmo, relegando a um plano secundário a análise decepcionante e estéril dos filósofos em voga na época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Influências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;É à obra de Abbadie, A Arte de Conhecer a Si Mesmo, que devo meu afastamento das coisas mundanas; é a Burlamaqui que devo minha inclinação pelas bases naturais da razão; é a Martinez de Pasqually que devo meu ingresso nas verdades superiores; é a Jacob Böehme que devo meus passos mais importantes nos caminhos da Verdade.&amp;quot;(1) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro autor que influenciou o Filósofo Desconhecido desde sua juventude foi Pascal. Aos 18 anos, em meio às discussões filosóficas dos livros que lia, deu-se conta de que, existindo o Criador do Universo e uma alma, nada mais seria necessário para ser sábio. (2) Foi com base nessas concepções que fundou sua doutrina posterior. Na época de seus estudos no Colégio de Pontlevoi, o Ocultismo já fazia parte de suas meditações. Na Faculdade, igualmente, eram os estudos metafísicos que o atraíam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Formação==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudou Direito conforme a vontade de seu pai, e esse ambiente proporcionou-lhe maior contato com o mundo filosófico e literário da época. Conheceu as obras de Voltaire, Rousseau, Montesquieu e outros autores não iniciados, mas sem ceder à inclinação dos enciclopedistas. &amp;quot;Li, vi e escutei os filósofos da matéria e os doutores que devastam o mundo com suas instruções; nenhuma gota de seus venenos penetrou-me; nem as mordidas de uma só dessas serpentes prejudicaram-me.&amp;quot;(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jovem estudante procurava tudo o que pudesse conduzi-lo ao conhecimento da Verdade, particularmente as ciências e princípios exatos. Dedicou-se assim ao estudo filosófico dos números e, por algum tempo, esteve ligado a Lalande e sua escola filosófica, sintetizada em Ciência dos Números. Esse convívio, entretanto, não foi longo, pois seus pontos de vista eram divergentes e nosso Filósofo passou a estudar Jean Jacques Rousseau. Como ele, pensava ser o homem naturalmente bom; mas entendia que as virtudes perdidas originalmente, em razão da Queda, poderiam ser reconquistadas desde que o homem o desejasse ardentemente. Acreditava que o naufrágio no materialismo era conseqüência mais das associações viciosas e desvirtuadas do que do pecado original. E, nisso, afirma-nos seu discípulo Gence(4), ele se diferenciava de Rousseau, a quem considerava um misantropo por sua excessiva sensibilidade, ao olhar os homens, não como eram, mas como gostaria que fossem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin amava a humanidade e considerava-a melhor do que parecia ser; e o encanto da sociedade da época levou nosso Filósofo a pensar que a vivência nas rodas sociais poderia levá-lo ao melhor conhecimento do homem e conduzi-lo à intimidade mais perfeita com os seus princípios. Assim, agiu conforme seu pensamento: freqüentou os saraus musicais e toda sorte de recreações da alta nobreza, desde os passeios ao campo até as conversas com amigos; os atos de gentileza eram a manifestação de sua própria alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foram de sua intimidade as pessoas da mais alta classe, dentre as quais podemos citar o Marquês de Lusignan, o Marechal de Richelieu, o Duque de Orléans, a Duquesa de Bourbon, o Cavaleiro de Fouflers e tantos outros que seria longo enumerar. Devotou-se inteiramente à busca da Verdade e à prática das Virtudes, que foram o objeto constante de seus estudos, dos seus trabalhos e das suas realizações.&amp;quot;(5) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Iniciado, pois no estudo das leis e da jurisprudência, aplicou-se mais à pesquisa das bases naturais da Justiça, relegando a um plano secundário as regras da jurisprudência. Paralelamente, desenvolvia seus estudos sobre os mistérios ocultos e logo descobriu que não poderia dedicar-se inteiramente à magistratura, como desejava sua família. Não encontrando sua vocação no Direito, abandonou a magistratura que exerceu em Tours durante seis meses. Alistou-se aos 22 anos de idade no Regimento de Foix, então aquartelado em Boudeaux, onde pode encontrar mais tempo para dedicar-se ao estudo do Ocultismo, que era sua verdadeira vocação. Após ter lido os autores mais em evidência no gênero, procurou a iniciação de uma maneira mais efetiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Caminho iniciático==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi graças a um colega do Regimento, Grainville, que bateu às portas do Templo. Grainville era iniciado em uma sociedade oculta muito importante, cujo chefe era Martinez de Pasqually. Este era casado com uma sobrinha do maior, comandante do Regimento, que se encontrava na mesma cidade de residência de Martinez. A Escola de Pasqually, seu iniciador nas práticas teúrgicas, era a Ordem dos Elus Cohens do Universo (Sacerdotes Eleitos), revigorada mais tarde pela ação de Saint-Martin e Jean Baptiste Willermoz, sob a inspiração das obras de M. Pasqually e de J. Böehme e a partir de suas próprias pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fins de 1768, Saint-Martin foi iniciado nos três primeiros graus simbólicos da referida Ordem pela espada de Balzac, avô de Honoré de Balzac, o famoso romancista francês das primeiras décadas do século XIX. Com efeito, em carta de 12 de agosto de 1771, dirigida a seu colega Willermoz, de Lyon, confirmou ter sido iniciado por Balzac e que recebera de uma só vez os três graus simbólicos. &amp;quot;Não é comum darem-se os três graus simbólicos ao mesmo tempo; deixam-se, ao contrário&amp;quot;, prosseguiu Saint-Martin na referida carta, &amp;quot;grandes intervalos de tempo entre um grau e outro, segundo o progresso de cada um.&amp;quot;(6) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, Saint-Martin submeteu-se em seguida ao método iniciático de Pasqually, de quem se tornou secretário particular e discípulo zeloso. Mas não deixou, logo depois, de criticar seu primeiro Mestre, por não concordar com tudo o que era feito em tal sistema. Considerava supérfluas todas as manifestações físicas exteriores e todos os detalhes do cerimonial Cohen: &amp;quot;São necessárias todas essas coisas para orar a Deus?&amp;quot;, perguntou Saint-Martin a seu mestre Martinez. &amp;quot;É preciso que nos contentemos com o que temos&amp;quot;(7), respondeu o Grão-Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade, era necessário trabalhar mais profundamente no sentido interior para produzir a luz. Isso certamente Martinez teria feito dentro de seu próprio sistema, se não tivesse partido da França e falecido em seguida. Sua semente ficou, no entanto, e coube a Saint-Martin e a Willermoz cuidar da planta que deveria nascer. A Providência Divina não os deixou abandonados; inspirou-os constantemente, colocando em seu caminho homens que os ajudaram, direta ou indiretamente, e proporcionando-lhes o conhecimento do sistema de Jacob Böehme. Esse sistema confirmou as descobertas que tinham feito e abriu as portas para a obtenção das chaves ainda não encontradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época em que conheceu Pasqually, tinha pouco mais de vinte e cinco anos e acabava de debutar no Ocultismo, de sorte que nem todas verdades da Iniciação pode receber de seu primeiro mestre, com o qual permaneceu cinco anos. Soube reconhecer mais tarde sua grandeza (porque é bom que se afirme que Martinez de Pasqually foi um adepto de grande iluminação). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Havia coisas preciosas em nossa primeira Escola&amp;quot;, relata Saint-Martin a seu discípulo Kircheberger. &amp;quot;Sou mesmo induzido a pensar que o Sr. Martinez de Pasqually, que era nosso mestre, possuía a chave ativa referente a tudo o que nosso prezado Jacob Böehme expõe em suas teorias, mas não julgava que fôssemos capazes de entender tão altas verdades, naquela época. Ele era sabedor de alguns pontos que nosso amigo Böehme não conhecia, ou pelo menos não revelou, como a resipiscência do ser perverso, contra o qual o primeiro homem teria tido a missão de trabalhar... Quanto à Sofia e ao Rei do Mundo, ele nada nos revelou, deixando-nos com as noções comuns de Maria e do Demônio. Mas não afirmarei que ele não teve conhecimento delas e estou convicto de que chegaríamos a esse conhecimento, se o tivéssemos conosco por mais tempo...&amp;quot;(8)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin nunca concordou com a iniciação realizada fora do silêncio e da realidade invisível, que chamava de centro ou via interior. Para ele, o interior deve ser o termômetro, a verdadeira pedra de toque do que passa fora...; e o estudo da Natureza exterior só teria sentido se conduzisse à senda interior, ativa. Esse estudo poderia, pois, ser útil na medida em que conduzisse à Verdade, mas a Iniciação, explicava ele a Kircheberger, deve agir no ser central.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não lhe ocultarei que anteriormente entrei nesse caminho externo, e através dele me foi aberta a porta de minha carreira. Meu condutor era um homem de muitas virtudes ativas, e a maioria daqueles que o seguiram, inclusive eu, receberam confirmações que talvez tenham sido úteis para nossa instrução e desenvolvimento. Todavia, em todos os instantes, eu sentia forte inclinação para o caminho intimamente secreto, o externo nunca me seduziu, nem em minha juventude.&amp;quot;(9) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entendia Saint-Martin que todo o aparato exterior não era necessário para encontrar Deus e que, ao contrário, em muitas ocasiões dificultava essa busca. Discordava das numerosas e freqüentes comunicações sensíveis de todos os tipos, manifestadas nos trabalhos de que tomava parte na sua primeira Escola, embora o signo do Reparador sempre estivesse presente, manifestando a ação da Causa Ativa e Inteligente no mundo objetivo. Afirmava, no entanto, que sua senda interior, desenvolvida depois, proporcionava-lhe resultados mil vezes superiores aos produzidos pela senda que denominava exterior e que era preconizada por Pasqually.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afirmava, no entanto, e é bom repetir, que deveria haver trabalhos internos da Ordem que não lhes foram transmitidos por causa de sua curta passagem pelo sistema e por não terem ainda passado pelos estágios iniciais. O Mestre não poderia ter agido de modo diferente, revelam-lhes os mistérios de ordem mais elevada. Acreditava, ademais, que os Princípios Divinos poderiam mesmo nascer naquele sistema, mas os trabalhos para esse efeito deveriam ser mais alguns anos com Pasqually. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não apenas Saint-Martin discordava do sistema de Martinez, uma vez que os resultados não se produziam de imediato; todos os discípulos reclamavam resultados espirituais que, em verdade, dependiam deles próprios. Willermoz parece ter sido o primeiro a manifestar a Saint-Martin seu descontentamento no que dizia respeito ao desenvolvimento das faculdades adormecidas do ser humano; é o que constatamos através da leitura de uma carta endereçada por Saint-Martin, do Oriente de Bordeaux, com data de 25 de março de 1771.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Quanto à confiança que vos dignais a testemunhar-me, abrindo-me sem escrúpulos vosso pensamento sobre nossas cerimônias, não me compete, tendo em vista nossa dignidade, fazer qualquer observação a respeito; e, diante de meu juiz, eu só deveria escutar e calar. Entretanto, as disposições puras que trazeis à Sabedoria fazem-me supor que poderíeis perdoar-me antecipadamente se ouso acrescentar, às vossas, algumas idéias próprias. Procuro, como vós, esclarecer-me... Confesso que o objetivo que buscamos na iniciação parece-me muito difícil de ser atingido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredito que, mesmo nos encontrando nas melhores condições, quando todas as cerimônias são empregadas com a maior regularidade, a Coisa pode ainda guardar seu véu para nós tanto quanto quiser; ela está tão pouco à disposição do homem que ele não pode, jamais, apesar de seus esforços, estar certo de obtê-la. Ele deve esperar e orar sempre, eis nossa condição. O espírito conduz seu sopro onde quer, quando quer, sem que saibamos de onde vem e para onde vai... Se o poder não se manifesta agora, ele poderá ocorrer mais tarde; se não se opera pela visão, ele prepara a forma daquele que se mantém puro para receber as impressões salutares, quando o espírito assim quiser. Não atribuais, então, o estado em que vos encontrais a algum problema de vossa parte ou à invalidade das cerimônias.&amp;quot;(10)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz procurava obter por carta maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Pelo que constatamos, os resultados práticos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam. Era necessário muito trabalho, como em qualquer sistema de iniciação, para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A correspondência entre Saint-Martin e Willermoz, iniciada em 1768, estendeu-se até 1773. Em 1771, Saint-Martin abandonou a carreira militar para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo. Durante dois anos empregou todo o tempo disponível para trabalhar ao lado do mestre; foi durante esse período que se familiarizou com a ritualística dos Cohens e com a doutrina de Martinez, bem como com todas as suas práticas iniciáticas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partiu de Bordeaux em maio de 1773, na ocasião em que Martinez preparava-se para viajar para as Antilhas. Antes de se despedir, entretanto, Saint-Martin foi recebido no último grau dos Cohens, aquele de Réaux-Croix, como atesta uma carta de Martinez, datada de 17 de abril de 1772: &amp;quot;Após ter examinado e reexaminado os candidatos Saint-Martin e Seres, por nossa votação ordinária e em conseqüência das ordens que recebemos, nós os ordenamos Réaux-Croix...&amp;quot;(11) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1773, finalmente, Saint-Martin conheceu Willermoz, em Lyon, após terem trocado correspondência durante cinco anos. Seu círculo de amizade limitava-se aos irmãos da Ordem: Grainville, Balzac, Hauterive, Bacon de la Chevalerie, o Abade Fournier e Willermoz. Permaneceu um ano em Lyon, seguindo para sua cidade natal e, posteriormente, para Paris. Em abril de 1785, Willermoz obteve sucesso com suas operações: a &amp;quot;Coisa ativa e inteligente&amp;quot; finalmente mostrou-se aos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, sabendo da notícia, partiu de Paris em junho do mesmo ano, com destino a Lyon, levando consigo uma bíblia em hebraico e um dicionário, para entreter-se na viagem. Ficou seis meses em Lyon, partindo mais tarde para Nápoles e Londres, onde tomou conhecimento das publicações de Willian Law, morto em 1761, e que pertencia à tradição de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Seríamos excessivamente prolixos se procurássemos seguir as pegadas do nosso Filósofo Desconhecido, ao longo de sua jornada terrena, onde a cada passo, não obstante, encontraríamos o exemplo dignificante e o traço indelével da imensa esteira de luz que marcou sua trajetória neste mundo. Difícil ainda seria penetrarmos na profundeza do seu pensamento, da sua filosofia, da sua doutrina de elevação e regeneração do homem na busca da iluminação e da paz...&amp;quot;(12) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi inicialmente de Lyon que o Filósofo Desconhecido procurou irradiar a luz, após a partida de Martinez para o Oriente Eterno. A direção da Ordem dos Elus Cohen não ficou com Saint-Martin nem com Willermoz, mas nas mãos de pessoas menos preparadas para levar adiante um sistema que ainda necessitava de aperfeiçoamento. Coube a Saint-Martin e a Willermoz a resignação de continuarem ocultamente a pesquisa da Verdade por suas próprias forças. O &amp;quot;Agente Incógnito&amp;quot; teria ditado inúmeras instruções e partes de um livro que Louis Claude de Saint-Martin publicou, destinado a lutar contra o materialismo vigente na época. (13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez por esse motivo Saint-Martin tenha iniciado uma série de viagens, verdadeiros apostolados, para realizar propaganda das idéias espiritualistas, recolher dados e informações iniciáticas e entrar em contato com discípulos e homens de ciência. Em todos esses contatos sempre conquistava novas amizades e discípulos para continuarem sua obra. Saint-Martin tinha uma conversa muito agradável, uma vez que seu verbo não fazia senão expressar sua paz interior, seus conhecimentos e a nobreza de sua alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os salões mais aristocráticos de Paris disputavam sua presença. Essas qualidades eram agradáveis às mulheres, que não hesitavam em convidá-lo para as festas, pensando em casar suas filhas. Mas o Filósofo Desconhecido quis dedicar-se integralmente à sua obra de divulgação do Espírito. Em 1778, em Toulouse, esteve prestes a se casar; contudo, esse projeto desvaneceu-se como todos os demais a esse respeito. Afirmava sentir uma voz no seu interior que lhe dizia ser ele originário de um lugar onde não existem mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agente Incógnito desapareceu de cena em 1788, época em que Saint-Martin retornou à Lyon, mas reapareceu em 1790 para destruir uma série de cadernos de instruções por ele próprio ditados: &amp;quot;Eu devolvi ao Agente&amp;quot;, conta-nos Willermoz, &amp;quot;a seu pedido, mais de 80 cadernos manuscritos inéditos, que destruiu.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Pasqually, ocorrida em 1774 em São Domingos, o centro oculto da iniciação Cohen passou a Lyon e foi lá, como contam seus biógrafos, &amp;quot;que o Filósofo Desconhecido, armado com a Sabedoria Divina, passou a fazer oposição à doutrina materialista dos Enciclopedistas. Combatendo o materialismo revolucionário e sua doutrina errônea inserida em uma pretensa filosofia da natureza e da história, Saint-Martin chamou o homem de volta à Verdade, fundamentando-se no princípio do conhecimento de si mesmo e na natureza do ser inteligente&amp;quot;.(14) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, entretanto, nunca ficou muito ligado ao rigor das instituições iniciáticas, mas, em razão da problemática da época, em pleno desenvolvimento da Revolução Francesa, procurou, para a salvaguarda das suas próprias doutrinas e das tradições de que então já era depositário, unir-se a grupos ou formar grupos cujos membros desejassem, sinceramente, dedicar-se ao culto da Verdade e à prática das Virtudes. Estudava, paralelamente, as doutrinas de Pasqually e de Swedenborg, as primeiras mostrando-lhe a ciência do Espírito e as segundas a ciência da Alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;A Revolução, em todas as suas fases, encontrou Saint-Martin sempre o mesmo, dedicado a seu objetivo. Por princípio, esteve acima das considerações de nascimento e opiniões, por isso não emigrou; enquanto se mantinha ao seu redor todo o horror das desordens e dos excessos, acreditou sempre que o bem podia surgir do terrível advento da Revolução Francesa, pela intermediação da Divina Providência; pensou ver um grande instrumento temporal no homem que se levantou para suprimir seus excessos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foi em 1793, quando a família e a sociedade dissolviam-se, que vendeu as suas últimas posses para manter e cuidar de seu pai, velho e paralítico. Na mesma época, não obstante os estreitos limites a que ficou reduzida a sua fortuna, contribuiu para as necessidades públicas de sua comunidade. Retornando à capital, foi atingido pelo decreto de expulsão dos nobres. Saint-Martin submeteu-se e deixou Paris.(15)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o terror revolucionário, era necessária muita prudência, mesmo para os assuntos iniciáticos. Saint-Martin recebeu um mandado de prisão, embora vivesse mergulhado nos estudos e na meditação, sem nunca ter feito política. Não subiu ao cadafalso porque Robespierre caiu em seguida. Havia a proteção do Alto, que o guiava na terra, obscurecida pela agitação dos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Uma corrente de prestígios inundou a inteligência humana em geral, e a dos parisienses em particular, porque a cidade, que comporta sábios e doutores de toda espécie, possui poucos que orientam seu pensamento na direção dos conhecimentos verdadeiros, e há menos ainda que buscam esses conhecimentos com um espírito reto. A maior parte deles não fazem mais que dissecar as cascas da Natureza, medir, pesar e enumerar todas as suas moléculas. Eles tentam, insensatos, a conquista de tudo que se encontra em composição no Universo, como se isso lhes fosse possível. Esses sábios, tão célebres e tão ruidosos, não sabem que o Universo (ou o Templo) é a imagem reduzida da indivisível e universal eternidade; eles podem contemplar e admirar, pelo espetáculo de suas propriedades e de suas maravilhas, ... mas jamais poderão conquistar o segredo de sua existência.&amp;quot;(16) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, para cumprir seu dever cívico, serviu na Guarda Nacional e, em Amboise, foi escolhido para ser um dos instrutores da Escola Normal Superior, que formava jovens professores; tomou parte em 1795 da primeira Assembléia Eleitoral, sem contudo tornar-se membro efetivo de qualquer corpo legislativo. O que buscava era o Conhecimento e a difusão de suas doutrinas. Jamais fez proselitismo e procurava ter por discípulos amigos fiéis da Verdade. Quem visse seu jeito humilde jamais poderia suspeitar de sua elevada espiritualidade. Sua docilidade para com o tratamento, sua serenidade, manifestava no entanto o sábio, O Novo Homem formado pela filosofia profunda do aperfeiçoamento moral e espiritual. A luz que irradiava de seu centro fazia justiça à sua condição de Homem-Espírito, o grande sol da transição ao século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi em 1788, em Estrasburgo, que Saint-Martin tomou conhecimento das obras de Jacob Böehme, o Teósofo Teutônico, através de Rodolphe de Salzmann. Surpreso, constatou que essa doutrina combinava com a de seu antigo mestre Martinez de Pasqually, sendo idênticas em essência.. Coube a ele a tarefa de fazer o feliz casamento das duas correntes doutrinárias, elaborando um sistema sintático, capaz de satisfazer seus anseios e colocar à disposição de todos os Homens de Desejo um caminho seguro para chegar à Iluminação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A síntese iniciática foi obtida em poucos anos de trabalho pelo nosso Filósofo Desconhecido, secundado que foi por seu colega Jean Baptiste Willermoz. Necessitava, entretanto, de uma transmissão iniciática da corrente de Böehme para associar à sua, advinha de Pasqually. Essa corrente alemã de Jacob Böehme foi obtida ao ser iniciada pelo Barão de Salzmann, em Estrasburgo, e confirmada na linha mais antiga dos Templários, ao associar-se com a Estrita Observância Templária, do Barão de Hund. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz foi o encarregado, em Lyon, de organizar o sistema maçônico do Rito Escocês Retificado, fruto do Convento de Wilhelmsbad de 1782. Coube a Saint-Martin a chefia e a realização de iniciações individuais da Ordem Interior dos Filósofos Desconhecidos. Vários alemães foram iniciados no novo sistema (muitos dos quais já eram discípulos de Martinez de Pasqually), ingressando na iniciação real que conduz à Iluminação e à Reintegração a partir deste mundo na Unidade Divina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin considerava as obras de Jacob Böehme de uma profundidade e de um valor inestimáveis e não se achava digno nem de desatar as sandálias de Jacob Böehme; entendia que seria necessário que o homem se tivesse tornado pedra ou demônio para não tirar proveito de tais obras. (17)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi assim que passou a estudar o alemão, com quase 50 anos de idade, para melhor penetrar no sentido oculto e no pensamento do autor. Procurou traduzir para o francês as principais obras do Mestre. A partir de então, sempre que se referia a Jacob Böehme dizia que o Iluminado teutônico foi a maior luz que veio a este mundo depois daquele que era a própria Luz, isto é, o Cristo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após ter percorrido parte da Europa, estabeleceu seu apostolado em Toulouse, Versailles e Lyon, sempre lançando a semente espiritual em uma terra que se tornou fecunda, recolhendo ele próprio as doutrinas mais apropriadas para o seu espírito e seu sistema. Mais tarde, centralizou sua ação em três cidades: Estrasburgo, Amboise e Paris, que eram, como confessou, seu paraíso, seu inferno e seu purgatório. Fora dessas cidades possuía membros correspondentes de sua sociedade, como o Barão de Kircheberger, que não chegou a conhecer, mas a quem enviou um emissário, o Conde Divonne, para certamente lhe transmitir a iniciação. Kircheberger era grande admirador das obras de Saint-Martin; pertencia à Escola de Böehme, da qual tomaram parte igualmente Khunrath e Gichtel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kircheberger escreveu a Saint-Martin que, segundo uma lenda corrente em sua Escola, a Virgem Celeste, a Divina Sofia, nos dias das núpcias compareceu com seu corpo celeste de Glória e escolheu Gichtel, vindo à sua casa, colocando em ordem seus papéis e completando com seu próprio punho os manuscritos por ele deixados inacabados. Em vida teria igualmente recebido favores de sua esposa celeste, pois como general venceu o exército de Luiz XIV, que pretendia conquistar Amsterdã, cidade onde o adepto residia. Durante toda a batalha, o general não teria saído do quarto.(18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não somente Saint-Martin acreditava no relato de Kircheberger, como lhe pedia maiores detalhes sobre Gichtel. &amp;quot;Se estivéssemos um perto do outro, escreveu-lhe Saint-Martin, eu também teria uma história de casamento para vos contar. Os mesmos passos foram dados por mim, mas de um modo um pouco diferente, embora chegando aos mesmos resultados. Creio, com efeito, ter conhecido a esposa de Gichtel..., mas não de modo tão particular como ele. Eis o que me aconteceu por ocasião do casamento de que falei: eu estava orando... e me foi dito intelectualmente, mas de modo muito claro, o seguinte: Depois que o Verbo é feito carne, nenhuma carne deve dispor dela própria sem que Ele o permita. Essas palavras penetram profundamente em meu ser; ainda que não tenham significado uma proibição formal, recusei-me a toda negociação posterior.&amp;quot;(19) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredita-se que a chave da iniciação está no desejo do homem de purificar-se, de evoluir e de atingir a iluminação. Essa evolução é necessária para remediar a degradação a que o homem se submeteu após a Queda Original. Antes, o homem podia obrar em conformidade com a Vontade do Pai, sendo dessa maneira poderoso, mas após ter se revestido de um envoltório material, suas capacidades espirituais atrofiaram-se e a Vontade e a pureza de outrora aniquilaram-se. Foi na cidade de Estrasburgo que Saint-Martin deu a um discípulo a chave de O Homem de desejo, que, por extensão, serve para a própria Iniciação:&lt;br /&gt;
A Chave do Homem de Desejo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Avant qu'Adam mangeât la pomme,&lt;br /&gt;
Sans effort nous pouviouns oeuvrer.&lt;br /&gt;
Depouis, L'oeuvre ne se consomme.&lt;br /&gt;
Qu'au edu pur d'un ardent supir;&lt;br /&gt;
La Clef de l'Homme de Désir&lt;br /&gt;
Doit naître du désir de l'homme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto é, antes de Adão ter comido a maçã, o homem podia realizar sua obra sem esforço; depois, a obra não se concretiza a não ser com a ajuda do fogo puro, emanado de um ardente suspiro, advindo do grande esforço individual. Assim, a chave do Homem de Desejo deve nascer do desejo do homem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu livro O Homem de Desejo, publicado pela primeira vez em 1790, são litânias no estilo do salmista, nas quais a alma humana evolui para o seu primeiro estágio, num caminho que o Espírito pode ajudá-la a percorrer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin escreveu este livro por sugestão do filósofo religioso Thiaman, durante suas viagens a Estrasburgo e a Londres. Lavater, então clérico em Zurique, elogiou essa obra como um dos livros que mais tinha gostado, embora reconhecesse não ter tido condições de penetrar nas bases da doutrina exposta. Kircheberger, mais familiar aos princípios do livro, considerou-o como o mais rico em pensamentos iluminados. O próprio Saint-Martin concordou que nesse livro encontram-se os germes do conhecimento que ignorava até a leitura das obras de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo de seu livro O Homem de Desejo é mostrar que o homem deve confiar na Regeneração, chamando sua atenção para a necessidade de retorno ao Mundo Divino de onde saiu e ao trabalho que deverá realizar para alcançar esse objetivo, isto é, concentrando suas forças pelo desejo ardente de aperfeiçoar-se e tornar-se um homem de vontade forte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não há nenhum outro mistério para se chegar a essa sagrada iniciação, senão penetrando cada vez mais no fundo de nosso ser e não esmorecendo até que possamos produzir a viva e edificante raiz; porque, então, todos os frutos que haveremos de gerar, conforme nossa espécie, serão produzidos dentro de nós e sem nós, naturalmente; é o que ocorre com nossas árvores terrestres, porque elas aderem às próprias raízes e, incessantemente, retiram sua seiva.&amp;quot;(20) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compreende-se, assim, que o ensinamento deixado por Saint-Martin, e que veio de Martinez de Pasqually e de Jacob Böehme, era muito profundo e de natureza divina. Constitui-se uma Escola de Homens de Desejo, ávidos por adquirirem conhecimentos, uma elite do pensamento, embaçada em um sistema filosófico iniciático, tendo como objetivo o desenvolvimento moral e espiritual do homem. Não é uma Escola de especulação abstrata, mas um centro onde os membros procuram conhecer a doutrina e a experiência dos mestres e onde procuram vivê-la na vida diária, para atingir a perfeição interior, através de um processo de autotransformação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de homens livres eram formados por um pequeno número de pessoas inteligentes e de mente sã, escrupulosamente examinadas, Saint-Martin dizia que as grandes verdades só podem ser bem ensinadas no silêncio. Todos aqueles que não sabem calar, que falam mais do que observam, não podem ser recebidos na senda interior. Saber guardar o silêncio é condição indispensável para que o homem se torne digno de receber outros ensinamentos cada vez mais profundos, emanados não apenas de seu iniciador, como do próprio Mundo Invisível. Para isso, necessitamos de treinamento, que se efetua guardando-se o silêncio em relação às pequenas coisas, mesmo profanas. Qualquer sociedade iniciática não pode ser aberta, pois assim perderia a força que porventura tivesse recebido do Alto. Guardar o silêncio significa fechar-se às influências exteriores, às opiniões contrárias que só trazem ações conflitantes. Fechar-se em torno de si mesmo é magnetizar-se; é evitar que as próprias forças divinas se dispersem na Natureza, passando por nós. É criar um pólo de atração; é tornar-se um receptáculo das influências celestes; é tornar-se a taça que recebe o influxo divino.&lt;br /&gt;
A Iniciação é um processo interior de aperfeiçoamento do homem, tornando-o apto a receber as forças divinas. O homem é a soma de todos os problemas da existência; é a síntese, o enigma dos enigmas, a pedra bruta que deve ser talhada e aperfeiçoada. Esse desenvolvimento deve ocorrer de tal modo que o ser criado se religue ao Criador, através da aproximação da natureza impura com a natureza pura. Por isso, a primeira deve ser trabalhada até ficar quase no mesmo estado da segunda; somente depois haverá uma atração tal, que a Natureza Superior descerá até a inferior, purificando-a em definitivo e deixando-a conforme ela mesma: é a Iluminação do Iniciado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele que possuir o conhecimento de si mesmo terá acesso à ciência do mundo, dos demais seres. O conhecimento de si próprio é somente em si que deve buscar. É no espírito do homem que se devem encontrar as leis que dirigem sua origem. É preciso, pois, que o iniciado encontre seu centro iniciático, a divindade em si, para adquirir o pleno conhecimento de si mesmo. É necessário conhecer suas fraquezas para melhor dominá-las e não voltar a praticar os mesmos erros. Jesus Cristo dizia aos homens para não pecarem mais menos, até o dia em que, tendo encontrado seu equilíbrio iniciático, possam chegar a não pecar mais. Sua luta deve ser constante, contra as paixões, suas contrariedades internas e a ira. A docilidade representa a presença de Deus no centro iniciático; a ira representa a sua ausência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O homem não pode ser integralmente livre da ira e do pecado porque os movimentos do abismo deste mundo tampouco são totalmente puros ante o coração de Deus; o amor e a ira sempre lutam entre si.&amp;quot;(21)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A doutrina de Saint-Martin difundiu-se na Alemanha e na Rússia, através de seus discípulos. Na Rússia, a doutrina martinista encontrou um grande divulgador em Joseph de Maistre, que afirmava a existência de Deus no interior de cada indivíduo e, por conseguinte, que o segredo de toda a iniciação consistia em descobrir o centro iniciático próprio, a senda interior, a fim de proceder ao próprio desenvolvimento espiritual. Assim, a iniciação é uma senda real, interior, individual, e não se encontra no exterior, nas sociedades ou no Enciclopedismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1803, o Filósofo Desconhecido dava seus últimos passos em direção à Eternidade, pois sua saúde mostrava-se débil. Mas não se afligiu com essa perspectiva; ao contrário, dizia que a Providência sempre lhe havia dispensado muito cuidado, de modo que só poderia render-lhe graças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta-nos Gence que certa vez, visitando um amigo comum, Saint-Martin confessou-lhe que estava partindo para o Oriente Eterno e no dia seguinte, visitando seu amigo o Conde Lenoir la Roche, em Aulnay, após leve refeição, retirou-se para o quarto; sofreu um ataque de apoplexia e partiu. Era o dia 13 de outubro de 1803. Foi então que seus discípulos e amigos perderam a convivência física com o Mestre, mas ganharam a eterna e permanente proteção espiritual que nos envia do Reino da Glória, através dos Mundos Invisíveis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a obra de Louis Claude de Saint-Martin continua através dos Grupos de Iniciados que seguem sua doutrina. A Conquista da Iluminação é o objetivo último de todos os Homens de Desejo, que encontram nas obras do Mestre e no seu exemplo, como Homem e como Iniciado, o respaldo necessário para prosseguir na senda sem desânimo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que cada um possa transformar-se em um Novo Homem, renascido pela Luz, que resplandece na alma de todos, e que engendrará, no futuro, o Homem-Espírito, o novo Sol que acalentará os corações de todos com seu procedimento e com sua serenidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras de Louis Claude de Saint-Martin==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*1-) Des Erreurs et de la Vérité, ou les Hommes Rappelés au Principe Universel de la Science. Edimbourg, 1775, 2 vol.&lt;br /&gt;
*2-) Suite des Erreurs et de la Vérité. A Salomonopolis, Androphile, 1784.&lt;br /&gt;
*3-) Tableau Naturel des Rapports qui Existent entre Dieu, l'Homme et l'Univers. Édimbourg. 1782.&lt;br /&gt;
*4-) L'Homme de Désir. Lyon, 1790.&lt;br /&gt;
*5-) Ecce Homo. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
*6-) Le Nouvel Homme. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
*7-) Letre à un Ami, ou Considérations Philosophiques et Religieuses sur la Révolution Française. Paris, Louvet, Palais, Égalité, 1796.&lt;br /&gt;
*8-) Éclair sur l'Association Humaine. Paris, Marais, 1797. &lt;br /&gt;
*9-) Le Crocodille ou la Guerre du Bien et du Mal, Arrivée sous le Règne de Louis XV. Paris, Cercle Social, 1798.&lt;br /&gt;
*10-) Réflexiones d'un Observateur sur la Question Proposée por l'Institut: &amp;quot;Quelles sont les Institutions les plus Propres à Fonder la Morale d'un Peuple?. Paris, 1798.&lt;br /&gt;
*11-) De l'Influence des Signes sur la Pensée (inserido incialmente no Crocodile). Paris, 1799.&lt;br /&gt;
*12-) L'Esprit des Choses ou Coup d'Deil Philosophique sur la Nature des Étres et sur l'Objet de leur Existence. Paris, 1800, 2 vol.&lt;br /&gt;
*13-) Le Ministère de l'Homme-Esprit. Paris, 1802.&lt;br /&gt;
*14-) Oeuvres Posthumes de Saint-Martin. Tours, 1807, 2vol.&lt;br /&gt;
*15-) Traité des Nombres. S/1, M. Léon, 1844.&lt;br /&gt;
*16-) Correspondence de Saint-Martin avec Kircheberger, Baron de Liebisdorf, des annèes 1792 a 1799, S. n. t.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Traduções das obras de Jacob Boehme==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*17-) L'Aurore Naissante ou la Racine de la Philosophie, de l'Astrologie et de la Théologie. Paris, 1800.&lt;br /&gt;
*18-)Des Trois Principes de l'Essence Divine ou de l'Eternel Engendrement sans Origine de l'Homme, d'où il a été Crée et pour quelle Fin. Paris, 1802, 2 vol. &lt;br /&gt;
*19-)Quarente Questions sur l'Origine, l'Essence, l'Etre, la Nature et la Propriété de l'Âme, suivies des &amp;quot;Six Poit&amp;quot;. Paris, 1807.&lt;br /&gt;
*20-) De la Triple Vie de l'Homme selon de Mystère des Trois Principes de la Manifestation Divine. Paris, 1809.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*1- SAINT-MARTIN, L. C. Oeuvres Posthumes; Portrait Historique et Phisosophique de Saint-Martin fait par lui-même, p. 58-59. &lt;br /&gt;
*2- Id., t.1, p.5.&lt;br /&gt;
*3- Id., t.1, p.78-9.&lt;br /&gt;
*4- J. B. M. Gence foi discípulo de Saint-Martin e com ele conviveu longos anos: seu relato encontra-se no prefácio de Teosophic Correspondence between L. C. de Saint-Martin and Kircheberger, Baron de Liebistorf, P. V.&lt;br /&gt;
*5- Id., p. VI.&lt;br /&gt;
*6- PAPUS. L'Illuminismo en France, 1771-1803: Louis-Claude de Saint-Martin, as Vie, as Voie Theurgique, ses Oeuvrages, son Oeuvre, ses Disciples, suivi de la Publicatino de 50 Letters Inédites, p. 109.&lt;br /&gt;
*7- MATER, M. Saint-Martin, le Philosophe Inconnu. Ed. d'Aujourd'hui, p. 20.&lt;br /&gt;
*8- SAINT-MARTIN, L. C. Theosophic Correspondense, op. Cit. Carta XCII.&lt;br /&gt;
*9- Id. Carta IV.&lt;br /&gt;
*10- PAPUS. Louis Claude de S. Martin. 1902.&lt;br /&gt;
*11- Id., p. 12.&lt;br /&gt;
*12- Comentário deixado por Ary Ilha Xavier, profundo conhecedor das obras de Saint-Martin.&lt;br /&gt;
*13- Des Erreurs et de la Vérité. Edimbourg, 1775, 2v.&lt;br /&gt;
*14- Gence. Op. Cit., p. IV.&lt;br /&gt;
*15- Id., p. VII.&lt;br /&gt;
*16- SAINT-MARTIN, L.C. Le Crocodile, Canto XV, p.53.&lt;br /&gt;
*17- SAINT-MARTIN, L.C. Mont Portrait. Op. Cit., p. 42.&lt;br /&gt;
*18- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Op. Cit. Carta LVIII.&lt;br /&gt;
*19- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence Op. Cit. Carta LXII.&lt;br /&gt;
*20- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Carta número CX.&lt;br /&gt;
*21- BÖEHME, J. Confesiones, p. 44.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Biografias]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Martinistas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Louis_Claude_de_Saint-Martin&amp;diff=7153</id>
		<title>Louis Claude de Saint-Martin</title>
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		<updated>2007-10-24T06:37:15Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* Obras de Louis Claude de Saint-Martin */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:SaintMartin.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Louis Claude de Saint-Martin, o &amp;quot;Filósofo Desconhecido&amp;quot;, pensador profundo e grande iniciado, nasceu a 18 de janeiro de 1743 em Amboise, Tourraine, no centro da França, no seio de uma família nobre, mas pouco abastada e desconhecida. Logo depois do nascimento de Saint-Martin, sua mãe faleceu, e ele foi criado pelo pai e por uma madrasta, pessoa amável e de bom coração, que o iniciou na leitura de Jacques Abbadie, ministro protestante de Genebra. Com esse autor, apreendeu a conhecer a si mesmo, relegando a um plano secundário a análise decepcionante e estéril dos filósofos em voga na época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Influências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;É à obra de Abbadie, A Arte de Conhecer a Si Mesmo, que devo meu afastamento das coisas mundanas; é a Burlamaqui que devo minha inclinação pelas bases naturais da razão; é a Martinez de Pasqually que devo meu ingresso nas verdades superiores; é a Jacob Böehme que devo meus passos mais importantes nos caminhos da Verdade.&amp;quot;(1) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro autor que influenciou o Filósofo Desconhecido desde sua juventude foi Pascal. Aos 18 anos, em meio às discussões filosóficas dos livros que lia, deu-se conta de que, existindo o Criador do Universo e uma alma, nada mais seria necessário para ser sábio. (2) Foi com base nessas concepções que fundou sua doutrina posterior. Na época de seus estudos no Colégio de Pontlevoi, o Ocultismo já fazia parte de suas meditações. Na Faculdade, igualmente, eram os estudos metafísicos que o atraíam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Formação==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudou Direito conforme a vontade de seu pai, e esse ambiente proporcionou-lhe maior contato com o mundo filosófico e literário da época. Conheceu as obras de Voltaire, Rousseau, Montesquieu e outros autores não iniciados, mas sem ceder à inclinação dos enciclopedistas. &amp;quot;Li, vi e escutei os filósofos da matéria e os doutores que devastam o mundo com suas instruções; nenhuma gota de seus venenos penetrou-me; nem as mordidas de uma só dessas serpentes prejudicaram-me.&amp;quot;(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jovem estudante procurava tudo o que pudesse conduzi-lo ao conhecimento da Verdade, particularmente as ciências e princípios exatos. Dedicou-se assim ao estudo filosófico dos números e, por algum tempo, esteve ligado a Lalande e sua escola filosófica, sintetizada em Ciência dos Números. Esse convívio, entretanto, não foi longo, pois seus pontos de vista eram divergentes e nosso Filósofo passou a estudar Jean Jacques Rousseau. Como ele, pensava ser o homem naturalmente bom; mas entendia que as virtudes perdidas originalmente, em razão da Queda, poderiam ser reconquistadas desde que o homem o desejasse ardentemente. Acreditava que o naufrágio no materialismo era conseqüência mais das associações viciosas e desvirtuadas do que do pecado original. E, nisso, afirma-nos seu discípulo Gence(4), ele se diferenciava de Rousseau, a quem considerava um misantropo por sua excessiva sensibilidade, ao olhar os homens, não como eram, mas como gostaria que fossem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin amava a humanidade e considerava-a melhor do que parecia ser; e o encanto da sociedade da época levou nosso Filósofo a pensar que a vivência nas rodas sociais poderia levá-lo ao melhor conhecimento do homem e conduzi-lo à intimidade mais perfeita com os seus princípios. Assim, agiu conforme seu pensamento: freqüentou os saraus musicais e toda sorte de recreações da alta nobreza, desde os passeios ao campo até as conversas com amigos; os atos de gentileza eram a manifestação de sua própria alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foram de sua intimidade as pessoas da mais alta classe, dentre as quais podemos citar o Marquês de Lusignan, o Marechal de Richelieu, o Duque de Orléans, a Duquesa de Bourbon, o Cavaleiro de Fouflers e tantos outros que seria longo enumerar. Devotou-se inteiramente à busca da Verdade e à prática das Virtudes, que foram o objeto constante de seus estudos, dos seus trabalhos e das suas realizações.&amp;quot;(5) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Iniciado, pois no estudo das leis e da jurisprudência, aplicou-se mais à pesquisa das bases naturais da Justiça, relegando a um plano secundário as regras da jurisprudência. Paralelamente, desenvolvia seus estudos sobre os mistérios ocultos e logo descobriu que não poderia dedicar-se inteiramente à magistratura, como desejava sua família. Não encontrando sua vocação no Direito, abandonou a magistratura que exerceu em Tours durante seis meses. Alistou-se aos 22 anos de idade no Regimento de Foix, então aquartelado em Boudeaux, onde pode encontrar mais tempo para dedicar-se ao estudo do Ocultismo, que era sua verdadeira vocação. Após ter lido os autores mais em evidência no gênero, procurou a iniciação de uma maneira mais efetiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Caminho iniciático==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi graças a um colega do Regimento, Grainville, que bateu às portas do Templo. Grainville era iniciado em uma sociedade oculta muito importante, cujo chefe era Martinez de Pasqually. Este era casado com uma sobrinha do maior, comandante do Regimento, que se encontrava na mesma cidade de residência de Martinez. A Escola de Pasqually, seu iniciador nas práticas teúrgicas, era a Ordem dos Elus Cohens do Universo (Sacerdotes Eleitos), revigorada mais tarde pela ação de Saint-Martin e Jean Baptiste Willermoz, sob a inspiração das obras de M. Pasqually e de J. Böehme e a partir de suas próprias pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fins de 1768, Saint-Martin foi iniciado nos três primeiros graus simbólicos da referida Ordem pela espada de Balzac, avô de Honoré de Balzac, o famoso romancista francês das primeiras décadas do século XIX. Com efeito, em carta de 12 de agosto de 1771, dirigida a seu colega Willermoz, de Lyon, confirmou ter sido iniciado por Balzac e que recebera de uma só vez os três graus simbólicos. &amp;quot;Não é comum darem-se os três graus simbólicos ao mesmo tempo; deixam-se, ao contrário&amp;quot;, prosseguiu Saint-Martin na referida carta, &amp;quot;grandes intervalos de tempo entre um grau e outro, segundo o progresso de cada um.&amp;quot;(6) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, Saint-Martin submeteu-se em seguida ao método iniciático de Pasqually, de quem se tornou secretário particular e discípulo zeloso. Mas não deixou, logo depois, de criticar seu primeiro Mestre, por não concordar com tudo o que era feito em tal sistema. Considerava supérfluas todas as manifestações físicas exteriores e todos os detalhes do cerimonial Cohen: &amp;quot;São necessárias todas essas coisas para orar a Deus?&amp;quot;, perguntou Saint-Martin a seu mestre Martinez. &amp;quot;É preciso que nos contentemos com o que temos&amp;quot;(7), respondeu o Grão-Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade, era necessário trabalhar mais profundamente no sentido interior para produzir a luz. Isso certamente Martinez teria feito dentro de seu próprio sistema, se não tivesse partido da França e falecido em seguida. Sua semente ficou, no entanto, e coube a Saint-Martin e a Willermoz cuidar da planta que deveria nascer. A Providência Divina não os deixou abandonados; inspirou-os constantemente, colocando em seu caminho homens que os ajudaram, direta ou indiretamente, e proporcionando-lhes o conhecimento do sistema de Jacob Böehme. Esse sistema confirmou as descobertas que tinham feito e abriu as portas para a obtenção das chaves ainda não encontradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época em que conheceu Pasqually, tinha pouco mais de vinte e cinco anos e acabava de debutar no Ocultismo, de sorte que nem todas verdades da Iniciação pode receber de seu primeiro mestre, com o qual permaneceu cinco anos. Soube reconhecer mais tarde sua grandeza (porque é bom que se afirme que Martinez de Pasqually foi um adepto de grande iluminação). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Havia coisas preciosas em nossa primeira Escola&amp;quot;, relata Saint-Martin a seu discípulo Kircheberger. &amp;quot;Sou mesmo induzido a pensar que o Sr. Martinez de Pasqually, que era nosso mestre, possuía a chave ativa referente a tudo o que nosso prezado Jacob Böehme expõe em suas teorias, mas não julgava que fôssemos capazes de entender tão altas verdades, naquela época. Ele era sabedor de alguns pontos que nosso amigo Böehme não conhecia, ou pelo menos não revelou, como a resipiscência do ser perverso, contra o qual o primeiro homem teria tido a missão de trabalhar... Quanto à Sofia e ao Rei do Mundo, ele nada nos revelou, deixando-nos com as noções comuns de Maria e do Demônio. Mas não afirmarei que ele não teve conhecimento delas e estou convicto de que chegaríamos a esse conhecimento, se o tivéssemos conosco por mais tempo...&amp;quot;(8)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin nunca concordou com a iniciação realizada fora do silêncio e da realidade invisível, que chamava de centro ou via interior. Para ele, o interior deve ser o termômetro, a verdadeira pedra de toque do que passa fora...; e o estudo da Natureza exterior só teria sentido se conduzisse à senda interior, ativa. Esse estudo poderia, pois, ser útil na medida em que conduzisse à Verdade, mas a Iniciação, explicava ele a Kircheberger, deve agir no ser central.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não lhe ocultarei que anteriormente entrei nesse caminho externo, e através dele me foi aberta a porta de minha carreira. Meu condutor era um homem de muitas virtudes ativas, e a maioria daqueles que o seguiram, inclusive eu, receberam confirmações que talvez tenham sido úteis para nossa instrução e desenvolvimento. Todavia, em todos os instantes, eu sentia forte inclinação para o caminho intimamente secreto, o externo nunca me seduziu, nem em minha juventude.&amp;quot;(9) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entendia Saint-Martin que todo o aparato exterior não era necessário para encontrar Deus e que, ao contrário, em muitas ocasiões dificultava essa busca. Discordava das numerosas e freqüentes comunicações sensíveis de todos os tipos, manifestadas nos trabalhos de que tomava parte na sua primeira Escola, embora o signo do Reparador sempre estivesse presente, manifestando a ação da Causa Ativa e Inteligente no mundo objetivo. Afirmava, no entanto, que sua senda interior, desenvolvida depois, proporcionava-lhe resultados mil vezes superiores aos produzidos pela senda que denominava exterior e que era preconizada por Pasqually.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afirmava, no entanto, e é bom repetir, que deveria haver trabalhos internos da Ordem que não lhes foram transmitidos por causa de sua curta passagem pelo sistema e por não terem ainda passado pelos estágios iniciais. O Mestre não poderia ter agido de modo diferente, revelam-lhes os mistérios de ordem mais elevada. Acreditava, ademais, que os Princípios Divinos poderiam mesmo nascer naquele sistema, mas os trabalhos para esse efeito deveriam ser mais alguns anos com Pasqually. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não apenas Saint-Martin discordava do sistema de Martinez, uma vez que os resultados não se produziam de imediato; todos os discípulos reclamavam resultados espirituais que, em verdade, dependiam deles próprios. Willermoz parece ter sido o primeiro a manifestar a Saint-Martin seu descontentamento no que dizia respeito ao desenvolvimento das faculdades adormecidas do ser humano; é o que constatamos através da leitura de uma carta endereçada por Saint-Martin, do Oriente de Bordeaux, com data de 25 de março de 1771.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Quanto à confiança que vos dignais a testemunhar-me, abrindo-me sem escrúpulos vosso pensamento sobre nossas cerimônias, não me compete, tendo em vista nossa dignidade, fazer qualquer observação a respeito; e, diante de meu juiz, eu só deveria escutar e calar. Entretanto, as disposições puras que trazeis à Sabedoria fazem-me supor que poderíeis perdoar-me antecipadamente se ouso acrescentar, às vossas, algumas idéias próprias. Procuro, como vós, esclarecer-me... Confesso que o objetivo que buscamos na iniciação parece-me muito difícil de ser atingido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredito que, mesmo nos encontrando nas melhores condições, quando todas as cerimônias são empregadas com a maior regularidade, a Coisa pode ainda guardar seu véu para nós tanto quanto quiser; ela está tão pouco à disposição do homem que ele não pode, jamais, apesar de seus esforços, estar certo de obtê-la. Ele deve esperar e orar sempre, eis nossa condição. O espírito conduz seu sopro onde quer, quando quer, sem que saibamos de onde vem e para onde vai... Se o poder não se manifesta agora, ele poderá ocorrer mais tarde; se não se opera pela visão, ele prepara a forma daquele que se mantém puro para receber as impressões salutares, quando o espírito assim quiser. Não atribuais, então, o estado em que vos encontrais a algum problema de vossa parte ou à invalidade das cerimônias.&amp;quot;(10)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz procurava obter por carta maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Pelo que constatamos, os resultados práticos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam. Era necessário muito trabalho, como em qualquer sistema de iniciação, para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A correspondência entre Saint-Martin e Willermoz, iniciada em 1768, estendeu-se até 1773. Em 1771, Saint-Martin abandonou a carreira militar para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo. Durante dois anos empregou todo o tempo disponível para trabalhar ao lado do mestre; foi durante esse período que se familiarizou com a ritualística dos Cohens e com a doutrina de Martinez, bem como com todas as suas práticas iniciáticas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partiu de Bordeaux em maio de 1773, na ocasião em que Martinez preparava-se para viajar para as Antilhas. Antes de se despedir, entretanto, Saint-Martin foi recebido no último grau dos Cohens, aquele de Réaux-Croix, como atesta uma carta de Martinez, datada de 17 de abril de 1772: &amp;quot;Após ter examinado e reexaminado os candidatos Saint-Martin e Seres, por nossa votação ordinária e em conseqüência das ordens que recebemos, nós os ordenamos Réaux-Croix...&amp;quot;(11) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1773, finalmente, Saint-Martin conheceu Willermoz, em Lyon, após terem trocado correspondência durante cinco anos. Seu círculo de amizade limitava-se aos irmãos da Ordem: Grainville, Balzac, Hauterive, Bacon de la Chevalerie, o Abade Fournier e Willermoz. Permaneceu um ano em Lyon, seguindo para sua cidade natal e, posteriormente, para Paris. Em abril de 1785, Willermoz obteve sucesso com suas operações: a &amp;quot;Coisa ativa e inteligente&amp;quot; finalmente mostrou-se aos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, sabendo da notícia, partiu de Paris em junho do mesmo ano, com destino a Lyon, levando consigo uma bíblia em hebraico e um dicionário, para entreter-se na viagem. Ficou seis meses em Lyon, partindo mais tarde para Nápoles e Londres, onde tomou conhecimento das publicações de Willian Law, morto em 1761, e que pertencia à tradição de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Seríamos excessivamente prolixos se procurássemos seguir as pegadas do nosso Filósofo Desconhecido, ao longo de sua jornada terrena, onde a cada passo, não obstante, encontraríamos o exemplo dignificante e o traço indelével da imensa esteira de luz que marcou sua trajetória neste mundo. Difícil ainda seria penetrarmos na profundeza do seu pensamento, da sua filosofia, da sua doutrina de elevação e regeneração do homem na busca da iluminação e da paz...&amp;quot;(12) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi inicialmente de Lyon que o Filósofo Desconhecido procurou irradiar a luz, após a partida de Martinez para o Oriente Eterno. A direção da Ordem dos Elus Cohen não ficou com Saint-Martin nem com Willermoz, mas nas mãos de pessoas menos preparadas para levar adiante um sistema que ainda necessitava de aperfeiçoamento. Coube a Saint-Martin e a Willermoz a resignação de continuarem ocultamente a pesquisa da Verdade por suas próprias forças. O &amp;quot;Agente Incógnito&amp;quot; teria ditado inúmeras instruções e partes de um livro que Louis Claude de Saint-Martin publicou, destinado a lutar contra o materialismo vigente na época. (13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez por esse motivo Saint-Martin tenha iniciado uma série de viagens, verdadeiros apostolados, para realizar propaganda das idéias espiritualistas, recolher dados e informações iniciáticas e entrar em contato com discípulos e homens de ciência. Em todos esses contatos sempre conquistava novas amizades e discípulos para continuarem sua obra. Saint-Martin tinha uma conversa muito agradável, uma vez que seu verbo não fazia senão expressar sua paz interior, seus conhecimentos e a nobreza de sua alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os salões mais aristocráticos de Paris disputavam sua presença. Essas qualidades eram agradáveis às mulheres, que não hesitavam em convidá-lo para as festas, pensando em casar suas filhas. Mas o Filósofo Desconhecido quis dedicar-se integralmente à sua obra de divulgação do Espírito. Em 1778, em Toulouse, esteve prestes a se casar; contudo, esse projeto desvaneceu-se como todos os demais a esse respeito. Afirmava sentir uma voz no seu interior que lhe dizia ser ele originário de um lugar onde não existem mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agente Incógnito desapareceu de cena em 1788, época em que Saint-Martin retornou à Lyon, mas reapareceu em 1790 para destruir uma série de cadernos de instruções por ele próprio ditados: &amp;quot;Eu devolvi ao Agente&amp;quot;, conta-nos Willermoz, &amp;quot;a seu pedido, mais de 80 cadernos manuscritos inéditos, que destruiu.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Pasqually, ocorrida em 1774 em São Domingos, o centro oculto da iniciação Cohen passou a Lyon e foi lá, como contam seus biógrafos, &amp;quot;que o Filósofo Desconhecido, armado com a Sabedoria Divina, passou a fazer oposição à doutrina materialista dos Enciclopedistas. Combatendo o materialismo revolucionário e sua doutrina errônea inserida em uma pretensa filosofia da natureza e da história, Saint-Martin chamou o homem de volta à Verdade, fundamentando-se no princípio do conhecimento de si mesmo e na natureza do ser inteligente&amp;quot;.(14) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, entretanto, nunca ficou muito ligado ao rigor das instituições iniciáticas, mas, em razão da problemática da época, em pleno desenvolvimento da Revolução Francesa, procurou, para a salvaguarda das suas próprias doutrinas e das tradições de que então já era depositário, unir-se a grupos ou formar grupos cujos membros desejassem, sinceramente, dedicar-se ao culto da Verdade e à prática das Virtudes. Estudava, paralelamente, as doutrinas de Pasqually e de Swedenborg, as primeiras mostrando-lhe a ciência do Espírito e as segundas a ciência da Alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;A Revolução, em todas as suas fases, encontrou Saint-Martin sempre o mesmo, dedicado a seu objetivo. Por princípio, esteve acima das considerações de nascimento e opiniões, por isso não emigrou; enquanto se mantinha ao seu redor todo o horror das desordens e dos excessos, acreditou sempre que o bem podia surgir do terrível advento da Revolução Francesa, pela intermediação da Divina Providência; pensou ver um grande instrumento temporal no homem que se levantou para suprimir seus excessos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foi em 1793, quando a família e a sociedade dissolviam-se, que vendeu as suas últimas posses para manter e cuidar de seu pai, velho e paralítico. Na mesma época, não obstante os estreitos limites a que ficou reduzida a sua fortuna, contribuiu para as necessidades públicas de sua comunidade. Retornando à capital, foi atingido pelo decreto de expulsão dos nobres. Saint-Martin submeteu-se e deixou Paris.(15)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o terror revolucionário, era necessária muita prudência, mesmo para os assuntos iniciáticos. Saint-Martin recebeu um mandado de prisão, embora vivesse mergulhado nos estudos e na meditação, sem nunca ter feito política. Não subiu ao cadafalso porque Robespierre caiu em seguida. Havia a proteção do Alto, que o guiava na terra, obscurecida pela agitação dos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Uma corrente de prestígios inundou a inteligência humana em geral, e a dos parisienses em particular, porque a cidade, que comporta sábios e doutores de toda espécie, possui poucos que orientam seu pensamento na direção dos conhecimentos verdadeiros, e há menos ainda que buscam esses conhecimentos com um espírito reto. A maior parte deles não fazem mais que dissecar as cascas da Natureza, medir, pesar e enumerar todas as suas moléculas. Eles tentam, insensatos, a conquista de tudo que se encontra em composição no Universo, como se isso lhes fosse possível. Esses sábios, tão célebres e tão ruidosos, não sabem que o Universo (ou o Templo) é a imagem reduzida da indivisível e universal eternidade; eles podem contemplar e admirar, pelo espetáculo de suas propriedades e de suas maravilhas, ... mas jamais poderão conquistar o segredo de sua existência.&amp;quot;(16) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, para cumprir seu dever cívico, serviu na Guarda Nacional e, em Amboise, foi escolhido para ser um dos instrutores da Escola Normal Superior, que formava jovens professores; tomou parte em 1795 da primeira Assembléia Eleitoral, sem contudo tornar-se membro efetivo de qualquer corpo legislativo. O que buscava era o Conhecimento e a difusão de suas doutrinas. Jamais fez proselitismo e procurava ter por discípulos amigos fiéis da Verdade. Quem visse seu jeito humilde jamais poderia suspeitar de sua elevada espiritualidade. Sua docilidade para com o tratamento, sua serenidade, manifestava no entanto o sábio, O Novo Homem formado pela filosofia profunda do aperfeiçoamento moral e espiritual. A luz que irradiava de seu centro fazia justiça à sua condição de Homem-Espírito, o grande sol da transição ao século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi em 1788, em Estrasburgo, que Saint-Martin tomou conhecimento das obras de Jacob Böehme, o Teósofo Teutônico, através de Rodolphe de Salzmann. Surpreso, constatou que essa doutrina combinava com a de seu antigo mestre Martinez de Pasqually, sendo idênticas em essência.. Coube a ele a tarefa de fazer o feliz casamento das duas correntes doutrinárias, elaborando um sistema sintático, capaz de satisfazer seus anseios e colocar à disposição de todos os Homens de Desejo um caminho seguro para chegar à Iluminação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A síntese iniciática foi obtida em poucos anos de trabalho pelo nosso Filósofo Desconhecido, secundado que foi por seu colega Jean Baptiste Willermoz. Necessitava, entretanto, de uma transmissão iniciática da corrente de Böehme para associar à sua, advinha de Pasqually. Essa corrente alemã de Jacob Böehme foi obtida ao ser iniciada pelo Barão de Salzmann, em Estrasburgo, e confirmada na linha mais antiga dos Templários, ao associar-se com a Estrita Observância Templária, do Barão de Hund. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz foi o encarregado, em Lyon, de organizar o sistema maçônico do Rito Escocês Retificado, fruto do Convento de Wilhelmsbad de 1782. Coube a Saint-Martin a chefia e a realização de iniciações individuais da Ordem Interior dos Filósofos Desconhecidos. Vários alemães foram iniciados no novo sistema (muitos dos quais já eram discípulos de Martinez de Pasqually), ingressando na iniciação real que conduz à Iluminação e à Reintegração a partir deste mundo na Unidade Divina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin considerava as obras de Jacob Böehme de uma profundidade e de um valor inestimáveis e não se achava digno nem de desatar as sandálias de Jacob Böehme; entendia que seria necessário que o homem se tivesse tornado pedra ou demônio para não tirar proveito de tais obras. (17)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi assim que passou a estudar o alemão, com quase 50 anos de idade, para melhor penetrar no sentido oculto e no pensamento do autor. Procurou traduzir para o francês as principais obras do Mestre. A partir de então, sempre que se referia a Jacob Böehme dizia que o Iluminado teutônico foi a maior luz que veio a este mundo depois daquele que era a própria Luz, isto é, o Cristo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após ter percorrido parte da Europa, estabeleceu seu apostolado em Toulouse, Versailles e Lyon, sempre lançando a semente espiritual em uma terra que se tornou fecunda, recolhendo ele próprio as doutrinas mais apropriadas para o seu espírito e seu sistema. Mais tarde, centralizou sua ação em três cidades: Estrasburgo, Amboise e Paris, que eram, como confessou, seu paraíso, seu inferno e seu purgatório. Fora dessas cidades possuía membros correspondentes de sua sociedade, como o Barão de Kircheberger, que não chegou a conhecer, mas a quem enviou um emissário, o Conde Divonne, para certamente lhe transmitir a iniciação. Kircheberger era grande admirador das obras de Saint-Martin; pertencia à Escola de Böehme, da qual tomaram parte igualmente Khunrath e Gichtel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kircheberger escreveu a Saint-Martin que, segundo uma lenda corrente em sua Escola, a Virgem Celeste, a Divina Sofia, nos dias das núpcias compareceu com seu corpo celeste de Glória e escolheu Gichtel, vindo à sua casa, colocando em ordem seus papéis e completando com seu próprio punho os manuscritos por ele deixados inacabados. Em vida teria igualmente recebido favores de sua esposa celeste, pois como general venceu o exército de Luiz XIV, que pretendia conquistar Amsterdã, cidade onde o adepto residia. Durante toda a batalha, o general não teria saído do quarto.(18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não somente Saint-Martin acreditava no relato de Kircheberger, como lhe pedia maiores detalhes sobre Gichtel. &amp;quot;Se estivéssemos um perto do outro, escreveu-lhe Saint-Martin, eu também teria uma história de casamento para vos contar. Os mesmos passos foram dados por mim, mas de um modo um pouco diferente, embora chegando aos mesmos resultados. Creio, com efeito, ter conhecido a esposa de Gichtel..., mas não de modo tão particular como ele. Eis o que me aconteceu por ocasião do casamento de que falei: eu estava orando... e me foi dito intelectualmente, mas de modo muito claro, o seguinte: Depois que o Verbo é feito carne, nenhuma carne deve dispor dela própria sem que Ele o permita. Essas palavras penetram profundamente em meu ser; ainda que não tenham significado uma proibição formal, recusei-me a toda negociação posterior.&amp;quot;(19) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredita-se que a chave da iniciação está no desejo do homem de purificar-se, de evoluir e de atingir a iluminação. Essa evolução é necessária para remediar a degradação a que o homem se submeteu após a Queda Original. Antes, o homem podia obrar em conformidade com a Vontade do Pai, sendo dessa maneira poderoso, mas após ter se revestido de um envoltório material, suas capacidades espirituais atrofiaram-se e a Vontade e a pureza de outrora aniquilaram-se. Foi na cidade de Estrasburgo que Saint-Martin deu a um discípulo a chave de O Homem de desejo, que, por extensão, serve para a própria Iniciação:&lt;br /&gt;
A Chave do Homem de Desejo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Avant qu'Adam mangeât la pomme,&lt;br /&gt;
Sans effort nous pouviouns oeuvrer.&lt;br /&gt;
Depouis, L'oeuvre ne se consomme.&lt;br /&gt;
Qu'au edu pur d'un ardent supir;&lt;br /&gt;
La Clef de l'Homme de Désir&lt;br /&gt;
Doit naître du désir de l'homme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto é, antes de Adão ter comido a maçã, o homem podia realizar sua obra sem esforço; depois, a obra não se concretiza a não ser com a ajuda do fogo puro, emanado de um ardente suspiro, advindo do grande esforço individual. Assim, a chave do Homem de Desejo deve nascer do desejo do homem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu livro O Homem de Desejo, publicado pela primeira vez em 1790, são litânias no estilo do salmista, nas quais a alma humana evolui para o seu primeiro estágio, num caminho que o Espírito pode ajudá-la a percorrer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin escreveu este livro por sugestão do filósofo religioso Thiaman, durante suas viagens a Estrasburgo e a Londres. Lavater, então clérico em Zurique, elogiou essa obra como um dos livros que mais tinha gostado, embora reconhecesse não ter tido condições de penetrar nas bases da doutrina exposta. Kircheberger, mais familiar aos princípios do livro, considerou-o como o mais rico em pensamentos iluminados. O próprio Saint-Martin concordou que nesse livro encontram-se os germes do conhecimento que ignorava até a leitura das obras de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo de seu livro O Homem de Desejo é mostrar que o homem deve confiar na Regeneração, chamando sua atenção para a necessidade de retorno ao Mundo Divino de onde saiu e ao trabalho que deverá realizar para alcançar esse objetivo, isto é, concentrando suas forças pelo desejo ardente de aperfeiçoar-se e tornar-se um homem de vontade forte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não há nenhum outro mistério para se chegar a essa sagrada iniciação, senão penetrando cada vez mais no fundo de nosso ser e não esmorecendo até que possamos produzir a viva e edificante raiz; porque, então, todos os frutos que haveremos de gerar, conforme nossa espécie, serão produzidos dentro de nós e sem nós, naturalmente; é o que ocorre com nossas árvores terrestres, porque elas aderem às próprias raízes e, incessantemente, retiram sua seiva.&amp;quot;(20) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compreende-se, assim, que o ensinamento deixado por Saint-Martin, e que veio de Martinez de Pasqually e de Jacob Böehme, era muito profundo e de natureza divina. Constitui-se uma Escola de Homens de Desejo, ávidos por adquirirem conhecimentos, uma elite do pensamento, embaçada em um sistema filosófico iniciático, tendo como objetivo o desenvolvimento moral e espiritual do homem. Não é uma Escola de especulação abstrata, mas um centro onde os membros procuram conhecer a doutrina e a experiência dos mestres e onde procuram vivê-la na vida diária, para atingir a perfeição interior, através de um processo de autotransformação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de homens livres eram formados por um pequeno número de pessoas inteligentes e de mente sã, escrupulosamente examinadas, Saint-Martin dizia que as grandes verdades só podem ser bem ensinadas no silêncio. Todos aqueles que não sabem calar, que falam mais do que observam, não podem ser recebidos na senda interior. Saber guardar o silêncio é condição indispensável para que o homem se torne digno de receber outros ensinamentos cada vez mais profundos, emanados não apenas de seu iniciador, como do próprio Mundo Invisível. Para isso, necessitamos de treinamento, que se efetua guardando-se o silêncio em relação às pequenas coisas, mesmo profanas. Qualquer sociedade iniciática não pode ser aberta, pois assim perderia a força que porventura tivesse recebido do Alto. Guardar o silêncio significa fechar-se às influências exteriores, às opiniões contrárias que só trazem ações conflitantes. Fechar-se em torno de si mesmo é magnetizar-se; é evitar que as próprias forças divinas se dispersem na Natureza, passando por nós. É criar um pólo de atração; é tornar-se um receptáculo das influências celestes; é tornar-se a taça que recebe o influxo divino.&lt;br /&gt;
A Iniciação é um processo interior de aperfeiçoamento do homem, tornando-o apto a receber as forças divinas. O homem é a soma de todos os problemas da existência; é a síntese, o enigma dos enigmas, a pedra bruta que deve ser talhada e aperfeiçoada. Esse desenvolvimento deve ocorrer de tal modo que o ser criado se religue ao Criador, através da aproximação da natureza impura com a natureza pura. Por isso, a primeira deve ser trabalhada até ficar quase no mesmo estado da segunda; somente depois haverá uma atração tal, que a Natureza Superior descerá até a inferior, purificando-a em definitivo e deixando-a conforme ela mesma: é a Iluminação do Iniciado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele que possuir o conhecimento de si mesmo terá acesso à ciência do mundo, dos demais seres. O conhecimento de si próprio é somente em si que deve buscar. É no espírito do homem que se devem encontrar as leis que dirigem sua origem. É preciso, pois, que o iniciado encontre seu centro iniciático, a divindade em si, para adquirir o pleno conhecimento de si mesmo. É necessário conhecer suas fraquezas para melhor dominá-las e não voltar a praticar os mesmos erros. Jesus Cristo dizia aos homens para não pecarem mais menos, até o dia em que, tendo encontrado seu equilíbrio iniciático, possam chegar a não pecar mais. Sua luta deve ser constante, contra as paixões, suas contrariedades internas e a ira. A docilidade representa a presença de Deus no centro iniciático; a ira representa a sua ausência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O homem não pode ser integralmente livre da ira e do pecado porque os movimentos do abismo deste mundo tampouco são totalmente puros ante o coração de Deus; o amor e a ira sempre lutam entre si.&amp;quot;(21)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A doutrina de Saint-Martin difundiu-se na Alemanha e na Rússia, através de seus discípulos. Na Rússia, a doutrina martinista encontrou um grande divulgador em Joseph de Maistre, que afirmava a existência de Deus no interior de cada indivíduo e, por conseguinte, que o segredo de toda a iniciação consistia em descobrir o centro iniciático próprio, a senda interior, a fim de proceder ao próprio desenvolvimento espiritual. Assim, a iniciação é uma senda real, interior, individual, e não se encontra no exterior, nas sociedades ou no Enciclopedismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1803, o Filósofo Desconhecido dava seus últimos passos em direção à Eternidade, pois sua saúde mostrava-se débil. Mas não se afligiu com essa perspectiva; ao contrário, dizia que a Providência sempre lhe havia dispensado muito cuidado, de modo que só poderia render-lhe graças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta-nos Gence que certa vez, visitando um amigo comum, Saint-Martin confessou-lhe que estava partindo para o Oriente Eterno e no dia seguinte, visitando seu amigo o Conde Lenoir la Roche, em Aulnay, após leve refeição, retirou-se para o quarto; sofreu um ataque de apoplexia e partiu. Era o dia 13 de outubro de 1803. Foi então que seus discípulos e amigos perderam a convivência física com o Mestre, mas ganharam a eterna e permanente proteção espiritual que nos envia do Reino da Glória, através dos Mundos Invisíveis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a obra de Louis Claude de Saint-Martin continua através dos Grupos de Iniciados que seguem sua doutrina. A Conquista da Iluminação é o objetivo último de todos os Homens de Desejo, que encontram nas obras do Mestre e no seu exemplo, como Homem e como Iniciado, o respaldo necessário para prosseguir na senda sem desânimo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que cada um possa transformar-se em um Novo Homem, renascido pela Luz, que resplandece na alma de todos, e que engendrará, no futuro, o Homem-Espírito, o novo Sol que acalentará os corações de todos com seu procedimento e com sua serenidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras de Louis Claude de Saint-Martin==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*1-) Des Erreurs et de la Vérité, ou les Hommes Rappelés au Principe Universel de la Science. Edimbourg, 1775, 2 vol.&lt;br /&gt;
*2-) Suite des Erreurs et de la Vérité. A Salomonopolis, Androphile, 1784.&lt;br /&gt;
*3-) Tableau Naturel des Rapports qui Existent entre Dieu, l'Homme et l'Univers. Édimbourg. 1782.&lt;br /&gt;
*4-) L'Homme de Désir. Lyon, 1790.&lt;br /&gt;
*5-) Ecce Homo. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
*6-) Le Nouvel Homme. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
*7-) Letre à un Ami, ou Considérations Philosophiques et Religieuses sur la Révolution Française. Paris, Louvet, Palais, Égalité, 1796.&lt;br /&gt;
*8-) Éclair sur l'Association Humaine. Paris, Marais, 1797. &lt;br /&gt;
*9-) Le Crocodille ou la Guerre du Bien et du Mal, Arrivée sous le Règne de Louis XV. Paris, Cercle Social, 1798.&lt;br /&gt;
*10-) Réflexiones d'un Observateur sur la Question Proposée por l'Institut: &amp;quot;Quelles sont les Institutions les plus Propres à Fonder la Morale d'un Peuple?. Paris, 1798.&lt;br /&gt;
*11-) De l'Influence des Signes sur la Pensée (inserido incialmente no Crocodile). Paris, 1799.&lt;br /&gt;
*12-) L'Esprit des Choses ou Coup d'Deil Philosophique sur la Nature des Étres et sur l'Objet de leur Existence. Paris, 1800, 2 vol.&lt;br /&gt;
*13-) Le Ministère de l'Homme-Esprit. Paris, 1802.&lt;br /&gt;
*14-) Oeuvres Posthumes de Saint-Martin. Tours, 1807, 2vol.&lt;br /&gt;
*15-) Traité des Nombres. S/1, M. Léon, 1844.&lt;br /&gt;
*16-) Correspondence de Saint-Martin avec Kircheberger, Baron de Liebisdorf, des annèes 1792 a 1799, S. n. t.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Traduções das obras de Jacob Boehme==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17-) L'Aurore Naissante ou la Racine de la Philosophie, de l'Astrologie et de la Théologie. Paris, 1800.&lt;br /&gt;
18-)Des Trois Principes de l'Essence Divine ou de l'Eternel Engendrement sans Origine de l'Homme, d'où il a été Crée et pour quelle Fin. Paris, 1802, 2 vol. &lt;br /&gt;
19-)Quarente Questions sur l'Origine, l'Essence, l'Etre, la Nature et la Propriété de l'Âme, suivies des &amp;quot;Six Poit&amp;quot;. Paris, 1807.&lt;br /&gt;
20-) De la Triple Vie de l'Homme selon de Mystère des Trois Principes de la Manifestation Divine. Paris, 1809.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*1- SAINT-MARTIN, L. C. Oeuvres Posthumes; Portrait Historique et Phisosophique de Saint-Martin fait par lui-même, p. 58-59. &lt;br /&gt;
*2- Id., t.1, p.5.&lt;br /&gt;
*3- Id., t.1, p.78-9.&lt;br /&gt;
*4- J. B. M. Gence foi discípulo de Saint-Martin e com ele conviveu longos anos: seu relato encontra-se no prefácio de Teosophic Correspondence between L. C. de Saint-Martin and Kircheberger, Baron de Liebistorf, P. V.&lt;br /&gt;
*5- Id., p. VI.&lt;br /&gt;
*6- PAPUS. L'Illuminismo en France, 1771-1803: Louis-Claude de Saint-Martin, as Vie, as Voie Theurgique, ses Oeuvrages, son Oeuvre, ses Disciples, suivi de la Publicatino de 50 Letters Inédites, p. 109.&lt;br /&gt;
*7- MATER, M. Saint-Martin, le Philosophe Inconnu. Ed. d'Aujourd'hui, p. 20.&lt;br /&gt;
*8- SAINT-MARTIN, L. C. Theosophic Correspondense, op. Cit. Carta XCII.&lt;br /&gt;
*9- Id. Carta IV.&lt;br /&gt;
*10- PAPUS. Louis Claude de S. Martin. 1902.&lt;br /&gt;
*11- Id., p. 12.&lt;br /&gt;
*12- Comentário deixado por Ary Ilha Xavier, profundo conhecedor das obras de Saint-Martin.&lt;br /&gt;
*13- Des Erreurs et de la Vérité. Edimbourg, 1775, 2v.&lt;br /&gt;
*14- Gence. Op. Cit., p. IV.&lt;br /&gt;
*15- Id., p. VII.&lt;br /&gt;
*16- SAINT-MARTIN, L.C. Le Crocodile, Canto XV, p.53.&lt;br /&gt;
*17- SAINT-MARTIN, L.C. Mont Portrait. Op. Cit., p. 42.&lt;br /&gt;
*18- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Op. Cit. Carta LVIII.&lt;br /&gt;
*19- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence Op. Cit. Carta LXII.&lt;br /&gt;
*20- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Carta número CX.&lt;br /&gt;
*21- BÖEHME, J. Confesiones, p. 44.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Biografias]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Martinistas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Louis_Claude_de_Saint-Martin&amp;diff=7152</id>
		<title>Louis Claude de Saint-Martin</title>
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		<updated>2007-10-24T06:35:49Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* Notas */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:SaintMartin.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Louis Claude de Saint-Martin, o &amp;quot;Filósofo Desconhecido&amp;quot;, pensador profundo e grande iniciado, nasceu a 18 de janeiro de 1743 em Amboise, Tourraine, no centro da França, no seio de uma família nobre, mas pouco abastada e desconhecida. Logo depois do nascimento de Saint-Martin, sua mãe faleceu, e ele foi criado pelo pai e por uma madrasta, pessoa amável e de bom coração, que o iniciou na leitura de Jacques Abbadie, ministro protestante de Genebra. Com esse autor, apreendeu a conhecer a si mesmo, relegando a um plano secundário a análise decepcionante e estéril dos filósofos em voga na época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Influências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;É à obra de Abbadie, A Arte de Conhecer a Si Mesmo, que devo meu afastamento das coisas mundanas; é a Burlamaqui que devo minha inclinação pelas bases naturais da razão; é a Martinez de Pasqually que devo meu ingresso nas verdades superiores; é a Jacob Böehme que devo meus passos mais importantes nos caminhos da Verdade.&amp;quot;(1) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro autor que influenciou o Filósofo Desconhecido desde sua juventude foi Pascal. Aos 18 anos, em meio às discussões filosóficas dos livros que lia, deu-se conta de que, existindo o Criador do Universo e uma alma, nada mais seria necessário para ser sábio. (2) Foi com base nessas concepções que fundou sua doutrina posterior. Na época de seus estudos no Colégio de Pontlevoi, o Ocultismo já fazia parte de suas meditações. Na Faculdade, igualmente, eram os estudos metafísicos que o atraíam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Formação==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudou Direito conforme a vontade de seu pai, e esse ambiente proporcionou-lhe maior contato com o mundo filosófico e literário da época. Conheceu as obras de Voltaire, Rousseau, Montesquieu e outros autores não iniciados, mas sem ceder à inclinação dos enciclopedistas. &amp;quot;Li, vi e escutei os filósofos da matéria e os doutores que devastam o mundo com suas instruções; nenhuma gota de seus venenos penetrou-me; nem as mordidas de uma só dessas serpentes prejudicaram-me.&amp;quot;(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jovem estudante procurava tudo o que pudesse conduzi-lo ao conhecimento da Verdade, particularmente as ciências e princípios exatos. Dedicou-se assim ao estudo filosófico dos números e, por algum tempo, esteve ligado a Lalande e sua escola filosófica, sintetizada em Ciência dos Números. Esse convívio, entretanto, não foi longo, pois seus pontos de vista eram divergentes e nosso Filósofo passou a estudar Jean Jacques Rousseau. Como ele, pensava ser o homem naturalmente bom; mas entendia que as virtudes perdidas originalmente, em razão da Queda, poderiam ser reconquistadas desde que o homem o desejasse ardentemente. Acreditava que o naufrágio no materialismo era conseqüência mais das associações viciosas e desvirtuadas do que do pecado original. E, nisso, afirma-nos seu discípulo Gence(4), ele se diferenciava de Rousseau, a quem considerava um misantropo por sua excessiva sensibilidade, ao olhar os homens, não como eram, mas como gostaria que fossem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin amava a humanidade e considerava-a melhor do que parecia ser; e o encanto da sociedade da época levou nosso Filósofo a pensar que a vivência nas rodas sociais poderia levá-lo ao melhor conhecimento do homem e conduzi-lo à intimidade mais perfeita com os seus princípios. Assim, agiu conforme seu pensamento: freqüentou os saraus musicais e toda sorte de recreações da alta nobreza, desde os passeios ao campo até as conversas com amigos; os atos de gentileza eram a manifestação de sua própria alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foram de sua intimidade as pessoas da mais alta classe, dentre as quais podemos citar o Marquês de Lusignan, o Marechal de Richelieu, o Duque de Orléans, a Duquesa de Bourbon, o Cavaleiro de Fouflers e tantos outros que seria longo enumerar. Devotou-se inteiramente à busca da Verdade e à prática das Virtudes, que foram o objeto constante de seus estudos, dos seus trabalhos e das suas realizações.&amp;quot;(5) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Iniciado, pois no estudo das leis e da jurisprudência, aplicou-se mais à pesquisa das bases naturais da Justiça, relegando a um plano secundário as regras da jurisprudência. Paralelamente, desenvolvia seus estudos sobre os mistérios ocultos e logo descobriu que não poderia dedicar-se inteiramente à magistratura, como desejava sua família. Não encontrando sua vocação no Direito, abandonou a magistratura que exerceu em Tours durante seis meses. Alistou-se aos 22 anos de idade no Regimento de Foix, então aquartelado em Boudeaux, onde pode encontrar mais tempo para dedicar-se ao estudo do Ocultismo, que era sua verdadeira vocação. Após ter lido os autores mais em evidência no gênero, procurou a iniciação de uma maneira mais efetiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Caminho iniciático==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi graças a um colega do Regimento, Grainville, que bateu às portas do Templo. Grainville era iniciado em uma sociedade oculta muito importante, cujo chefe era Martinez de Pasqually. Este era casado com uma sobrinha do maior, comandante do Regimento, que se encontrava na mesma cidade de residência de Martinez. A Escola de Pasqually, seu iniciador nas práticas teúrgicas, era a Ordem dos Elus Cohens do Universo (Sacerdotes Eleitos), revigorada mais tarde pela ação de Saint-Martin e Jean Baptiste Willermoz, sob a inspiração das obras de M. Pasqually e de J. Böehme e a partir de suas próprias pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fins de 1768, Saint-Martin foi iniciado nos três primeiros graus simbólicos da referida Ordem pela espada de Balzac, avô de Honoré de Balzac, o famoso romancista francês das primeiras décadas do século XIX. Com efeito, em carta de 12 de agosto de 1771, dirigida a seu colega Willermoz, de Lyon, confirmou ter sido iniciado por Balzac e que recebera de uma só vez os três graus simbólicos. &amp;quot;Não é comum darem-se os três graus simbólicos ao mesmo tempo; deixam-se, ao contrário&amp;quot;, prosseguiu Saint-Martin na referida carta, &amp;quot;grandes intervalos de tempo entre um grau e outro, segundo o progresso de cada um.&amp;quot;(6) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, Saint-Martin submeteu-se em seguida ao método iniciático de Pasqually, de quem se tornou secretário particular e discípulo zeloso. Mas não deixou, logo depois, de criticar seu primeiro Mestre, por não concordar com tudo o que era feito em tal sistema. Considerava supérfluas todas as manifestações físicas exteriores e todos os detalhes do cerimonial Cohen: &amp;quot;São necessárias todas essas coisas para orar a Deus?&amp;quot;, perguntou Saint-Martin a seu mestre Martinez. &amp;quot;É preciso que nos contentemos com o que temos&amp;quot;(7), respondeu o Grão-Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade, era necessário trabalhar mais profundamente no sentido interior para produzir a luz. Isso certamente Martinez teria feito dentro de seu próprio sistema, se não tivesse partido da França e falecido em seguida. Sua semente ficou, no entanto, e coube a Saint-Martin e a Willermoz cuidar da planta que deveria nascer. A Providência Divina não os deixou abandonados; inspirou-os constantemente, colocando em seu caminho homens que os ajudaram, direta ou indiretamente, e proporcionando-lhes o conhecimento do sistema de Jacob Böehme. Esse sistema confirmou as descobertas que tinham feito e abriu as portas para a obtenção das chaves ainda não encontradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época em que conheceu Pasqually, tinha pouco mais de vinte e cinco anos e acabava de debutar no Ocultismo, de sorte que nem todas verdades da Iniciação pode receber de seu primeiro mestre, com o qual permaneceu cinco anos. Soube reconhecer mais tarde sua grandeza (porque é bom que se afirme que Martinez de Pasqually foi um adepto de grande iluminação). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Havia coisas preciosas em nossa primeira Escola&amp;quot;, relata Saint-Martin a seu discípulo Kircheberger. &amp;quot;Sou mesmo induzido a pensar que o Sr. Martinez de Pasqually, que era nosso mestre, possuía a chave ativa referente a tudo o que nosso prezado Jacob Böehme expõe em suas teorias, mas não julgava que fôssemos capazes de entender tão altas verdades, naquela época. Ele era sabedor de alguns pontos que nosso amigo Böehme não conhecia, ou pelo menos não revelou, como a resipiscência do ser perverso, contra o qual o primeiro homem teria tido a missão de trabalhar... Quanto à Sofia e ao Rei do Mundo, ele nada nos revelou, deixando-nos com as noções comuns de Maria e do Demônio. Mas não afirmarei que ele não teve conhecimento delas e estou convicto de que chegaríamos a esse conhecimento, se o tivéssemos conosco por mais tempo...&amp;quot;(8)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin nunca concordou com a iniciação realizada fora do silêncio e da realidade invisível, que chamava de centro ou via interior. Para ele, o interior deve ser o termômetro, a verdadeira pedra de toque do que passa fora...; e o estudo da Natureza exterior só teria sentido se conduzisse à senda interior, ativa. Esse estudo poderia, pois, ser útil na medida em que conduzisse à Verdade, mas a Iniciação, explicava ele a Kircheberger, deve agir no ser central.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não lhe ocultarei que anteriormente entrei nesse caminho externo, e através dele me foi aberta a porta de minha carreira. Meu condutor era um homem de muitas virtudes ativas, e a maioria daqueles que o seguiram, inclusive eu, receberam confirmações que talvez tenham sido úteis para nossa instrução e desenvolvimento. Todavia, em todos os instantes, eu sentia forte inclinação para o caminho intimamente secreto, o externo nunca me seduziu, nem em minha juventude.&amp;quot;(9) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entendia Saint-Martin que todo o aparato exterior não era necessário para encontrar Deus e que, ao contrário, em muitas ocasiões dificultava essa busca. Discordava das numerosas e freqüentes comunicações sensíveis de todos os tipos, manifestadas nos trabalhos de que tomava parte na sua primeira Escola, embora o signo do Reparador sempre estivesse presente, manifestando a ação da Causa Ativa e Inteligente no mundo objetivo. Afirmava, no entanto, que sua senda interior, desenvolvida depois, proporcionava-lhe resultados mil vezes superiores aos produzidos pela senda que denominava exterior e que era preconizada por Pasqually.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afirmava, no entanto, e é bom repetir, que deveria haver trabalhos internos da Ordem que não lhes foram transmitidos por causa de sua curta passagem pelo sistema e por não terem ainda passado pelos estágios iniciais. O Mestre não poderia ter agido de modo diferente, revelam-lhes os mistérios de ordem mais elevada. Acreditava, ademais, que os Princípios Divinos poderiam mesmo nascer naquele sistema, mas os trabalhos para esse efeito deveriam ser mais alguns anos com Pasqually. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não apenas Saint-Martin discordava do sistema de Martinez, uma vez que os resultados não se produziam de imediato; todos os discípulos reclamavam resultados espirituais que, em verdade, dependiam deles próprios. Willermoz parece ter sido o primeiro a manifestar a Saint-Martin seu descontentamento no que dizia respeito ao desenvolvimento das faculdades adormecidas do ser humano; é o que constatamos através da leitura de uma carta endereçada por Saint-Martin, do Oriente de Bordeaux, com data de 25 de março de 1771.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Quanto à confiança que vos dignais a testemunhar-me, abrindo-me sem escrúpulos vosso pensamento sobre nossas cerimônias, não me compete, tendo em vista nossa dignidade, fazer qualquer observação a respeito; e, diante de meu juiz, eu só deveria escutar e calar. Entretanto, as disposições puras que trazeis à Sabedoria fazem-me supor que poderíeis perdoar-me antecipadamente se ouso acrescentar, às vossas, algumas idéias próprias. Procuro, como vós, esclarecer-me... Confesso que o objetivo que buscamos na iniciação parece-me muito difícil de ser atingido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredito que, mesmo nos encontrando nas melhores condições, quando todas as cerimônias são empregadas com a maior regularidade, a Coisa pode ainda guardar seu véu para nós tanto quanto quiser; ela está tão pouco à disposição do homem que ele não pode, jamais, apesar de seus esforços, estar certo de obtê-la. Ele deve esperar e orar sempre, eis nossa condição. O espírito conduz seu sopro onde quer, quando quer, sem que saibamos de onde vem e para onde vai... Se o poder não se manifesta agora, ele poderá ocorrer mais tarde; se não se opera pela visão, ele prepara a forma daquele que se mantém puro para receber as impressões salutares, quando o espírito assim quiser. Não atribuais, então, o estado em que vos encontrais a algum problema de vossa parte ou à invalidade das cerimônias.&amp;quot;(10)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz procurava obter por carta maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Pelo que constatamos, os resultados práticos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam. Era necessário muito trabalho, como em qualquer sistema de iniciação, para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A correspondência entre Saint-Martin e Willermoz, iniciada em 1768, estendeu-se até 1773. Em 1771, Saint-Martin abandonou a carreira militar para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo. Durante dois anos empregou todo o tempo disponível para trabalhar ao lado do mestre; foi durante esse período que se familiarizou com a ritualística dos Cohens e com a doutrina de Martinez, bem como com todas as suas práticas iniciáticas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partiu de Bordeaux em maio de 1773, na ocasião em que Martinez preparava-se para viajar para as Antilhas. Antes de se despedir, entretanto, Saint-Martin foi recebido no último grau dos Cohens, aquele de Réaux-Croix, como atesta uma carta de Martinez, datada de 17 de abril de 1772: &amp;quot;Após ter examinado e reexaminado os candidatos Saint-Martin e Seres, por nossa votação ordinária e em conseqüência das ordens que recebemos, nós os ordenamos Réaux-Croix...&amp;quot;(11) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1773, finalmente, Saint-Martin conheceu Willermoz, em Lyon, após terem trocado correspondência durante cinco anos. Seu círculo de amizade limitava-se aos irmãos da Ordem: Grainville, Balzac, Hauterive, Bacon de la Chevalerie, o Abade Fournier e Willermoz. Permaneceu um ano em Lyon, seguindo para sua cidade natal e, posteriormente, para Paris. Em abril de 1785, Willermoz obteve sucesso com suas operações: a &amp;quot;Coisa ativa e inteligente&amp;quot; finalmente mostrou-se aos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, sabendo da notícia, partiu de Paris em junho do mesmo ano, com destino a Lyon, levando consigo uma bíblia em hebraico e um dicionário, para entreter-se na viagem. Ficou seis meses em Lyon, partindo mais tarde para Nápoles e Londres, onde tomou conhecimento das publicações de Willian Law, morto em 1761, e que pertencia à tradição de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Seríamos excessivamente prolixos se procurássemos seguir as pegadas do nosso Filósofo Desconhecido, ao longo de sua jornada terrena, onde a cada passo, não obstante, encontraríamos o exemplo dignificante e o traço indelével da imensa esteira de luz que marcou sua trajetória neste mundo. Difícil ainda seria penetrarmos na profundeza do seu pensamento, da sua filosofia, da sua doutrina de elevação e regeneração do homem na busca da iluminação e da paz...&amp;quot;(12) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi inicialmente de Lyon que o Filósofo Desconhecido procurou irradiar a luz, após a partida de Martinez para o Oriente Eterno. A direção da Ordem dos Elus Cohen não ficou com Saint-Martin nem com Willermoz, mas nas mãos de pessoas menos preparadas para levar adiante um sistema que ainda necessitava de aperfeiçoamento. Coube a Saint-Martin e a Willermoz a resignação de continuarem ocultamente a pesquisa da Verdade por suas próprias forças. O &amp;quot;Agente Incógnito&amp;quot; teria ditado inúmeras instruções e partes de um livro que Louis Claude de Saint-Martin publicou, destinado a lutar contra o materialismo vigente na época. (13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez por esse motivo Saint-Martin tenha iniciado uma série de viagens, verdadeiros apostolados, para realizar propaganda das idéias espiritualistas, recolher dados e informações iniciáticas e entrar em contato com discípulos e homens de ciência. Em todos esses contatos sempre conquistava novas amizades e discípulos para continuarem sua obra. Saint-Martin tinha uma conversa muito agradável, uma vez que seu verbo não fazia senão expressar sua paz interior, seus conhecimentos e a nobreza de sua alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os salões mais aristocráticos de Paris disputavam sua presença. Essas qualidades eram agradáveis às mulheres, que não hesitavam em convidá-lo para as festas, pensando em casar suas filhas. Mas o Filósofo Desconhecido quis dedicar-se integralmente à sua obra de divulgação do Espírito. Em 1778, em Toulouse, esteve prestes a se casar; contudo, esse projeto desvaneceu-se como todos os demais a esse respeito. Afirmava sentir uma voz no seu interior que lhe dizia ser ele originário de um lugar onde não existem mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agente Incógnito desapareceu de cena em 1788, época em que Saint-Martin retornou à Lyon, mas reapareceu em 1790 para destruir uma série de cadernos de instruções por ele próprio ditados: &amp;quot;Eu devolvi ao Agente&amp;quot;, conta-nos Willermoz, &amp;quot;a seu pedido, mais de 80 cadernos manuscritos inéditos, que destruiu.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Pasqually, ocorrida em 1774 em São Domingos, o centro oculto da iniciação Cohen passou a Lyon e foi lá, como contam seus biógrafos, &amp;quot;que o Filósofo Desconhecido, armado com a Sabedoria Divina, passou a fazer oposição à doutrina materialista dos Enciclopedistas. Combatendo o materialismo revolucionário e sua doutrina errônea inserida em uma pretensa filosofia da natureza e da história, Saint-Martin chamou o homem de volta à Verdade, fundamentando-se no princípio do conhecimento de si mesmo e na natureza do ser inteligente&amp;quot;.(14) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, entretanto, nunca ficou muito ligado ao rigor das instituições iniciáticas, mas, em razão da problemática da época, em pleno desenvolvimento da Revolução Francesa, procurou, para a salvaguarda das suas próprias doutrinas e das tradições de que então já era depositário, unir-se a grupos ou formar grupos cujos membros desejassem, sinceramente, dedicar-se ao culto da Verdade e à prática das Virtudes. Estudava, paralelamente, as doutrinas de Pasqually e de Swedenborg, as primeiras mostrando-lhe a ciência do Espírito e as segundas a ciência da Alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;A Revolução, em todas as suas fases, encontrou Saint-Martin sempre o mesmo, dedicado a seu objetivo. Por princípio, esteve acima das considerações de nascimento e opiniões, por isso não emigrou; enquanto se mantinha ao seu redor todo o horror das desordens e dos excessos, acreditou sempre que o bem podia surgir do terrível advento da Revolução Francesa, pela intermediação da Divina Providência; pensou ver um grande instrumento temporal no homem que se levantou para suprimir seus excessos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foi em 1793, quando a família e a sociedade dissolviam-se, que vendeu as suas últimas posses para manter e cuidar de seu pai, velho e paralítico. Na mesma época, não obstante os estreitos limites a que ficou reduzida a sua fortuna, contribuiu para as necessidades públicas de sua comunidade. Retornando à capital, foi atingido pelo decreto de expulsão dos nobres. Saint-Martin submeteu-se e deixou Paris.(15)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o terror revolucionário, era necessária muita prudência, mesmo para os assuntos iniciáticos. Saint-Martin recebeu um mandado de prisão, embora vivesse mergulhado nos estudos e na meditação, sem nunca ter feito política. Não subiu ao cadafalso porque Robespierre caiu em seguida. Havia a proteção do Alto, que o guiava na terra, obscurecida pela agitação dos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Uma corrente de prestígios inundou a inteligência humana em geral, e a dos parisienses em particular, porque a cidade, que comporta sábios e doutores de toda espécie, possui poucos que orientam seu pensamento na direção dos conhecimentos verdadeiros, e há menos ainda que buscam esses conhecimentos com um espírito reto. A maior parte deles não fazem mais que dissecar as cascas da Natureza, medir, pesar e enumerar todas as suas moléculas. Eles tentam, insensatos, a conquista de tudo que se encontra em composição no Universo, como se isso lhes fosse possível. Esses sábios, tão célebres e tão ruidosos, não sabem que o Universo (ou o Templo) é a imagem reduzida da indivisível e universal eternidade; eles podem contemplar e admirar, pelo espetáculo de suas propriedades e de suas maravilhas, ... mas jamais poderão conquistar o segredo de sua existência.&amp;quot;(16) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, para cumprir seu dever cívico, serviu na Guarda Nacional e, em Amboise, foi escolhido para ser um dos instrutores da Escola Normal Superior, que formava jovens professores; tomou parte em 1795 da primeira Assembléia Eleitoral, sem contudo tornar-se membro efetivo de qualquer corpo legislativo. O que buscava era o Conhecimento e a difusão de suas doutrinas. Jamais fez proselitismo e procurava ter por discípulos amigos fiéis da Verdade. Quem visse seu jeito humilde jamais poderia suspeitar de sua elevada espiritualidade. Sua docilidade para com o tratamento, sua serenidade, manifestava no entanto o sábio, O Novo Homem formado pela filosofia profunda do aperfeiçoamento moral e espiritual. A luz que irradiava de seu centro fazia justiça à sua condição de Homem-Espírito, o grande sol da transição ao século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi em 1788, em Estrasburgo, que Saint-Martin tomou conhecimento das obras de Jacob Böehme, o Teósofo Teutônico, através de Rodolphe de Salzmann. Surpreso, constatou que essa doutrina combinava com a de seu antigo mestre Martinez de Pasqually, sendo idênticas em essência.. Coube a ele a tarefa de fazer o feliz casamento das duas correntes doutrinárias, elaborando um sistema sintático, capaz de satisfazer seus anseios e colocar à disposição de todos os Homens de Desejo um caminho seguro para chegar à Iluminação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A síntese iniciática foi obtida em poucos anos de trabalho pelo nosso Filósofo Desconhecido, secundado que foi por seu colega Jean Baptiste Willermoz. Necessitava, entretanto, de uma transmissão iniciática da corrente de Böehme para associar à sua, advinha de Pasqually. Essa corrente alemã de Jacob Böehme foi obtida ao ser iniciada pelo Barão de Salzmann, em Estrasburgo, e confirmada na linha mais antiga dos Templários, ao associar-se com a Estrita Observância Templária, do Barão de Hund. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz foi o encarregado, em Lyon, de organizar o sistema maçônico do Rito Escocês Retificado, fruto do Convento de Wilhelmsbad de 1782. Coube a Saint-Martin a chefia e a realização de iniciações individuais da Ordem Interior dos Filósofos Desconhecidos. Vários alemães foram iniciados no novo sistema (muitos dos quais já eram discípulos de Martinez de Pasqually), ingressando na iniciação real que conduz à Iluminação e à Reintegração a partir deste mundo na Unidade Divina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin considerava as obras de Jacob Böehme de uma profundidade e de um valor inestimáveis e não se achava digno nem de desatar as sandálias de Jacob Böehme; entendia que seria necessário que o homem se tivesse tornado pedra ou demônio para não tirar proveito de tais obras. (17)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi assim que passou a estudar o alemão, com quase 50 anos de idade, para melhor penetrar no sentido oculto e no pensamento do autor. Procurou traduzir para o francês as principais obras do Mestre. A partir de então, sempre que se referia a Jacob Böehme dizia que o Iluminado teutônico foi a maior luz que veio a este mundo depois daquele que era a própria Luz, isto é, o Cristo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após ter percorrido parte da Europa, estabeleceu seu apostolado em Toulouse, Versailles e Lyon, sempre lançando a semente espiritual em uma terra que se tornou fecunda, recolhendo ele próprio as doutrinas mais apropriadas para o seu espírito e seu sistema. Mais tarde, centralizou sua ação em três cidades: Estrasburgo, Amboise e Paris, que eram, como confessou, seu paraíso, seu inferno e seu purgatório. Fora dessas cidades possuía membros correspondentes de sua sociedade, como o Barão de Kircheberger, que não chegou a conhecer, mas a quem enviou um emissário, o Conde Divonne, para certamente lhe transmitir a iniciação. Kircheberger era grande admirador das obras de Saint-Martin; pertencia à Escola de Böehme, da qual tomaram parte igualmente Khunrath e Gichtel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kircheberger escreveu a Saint-Martin que, segundo uma lenda corrente em sua Escola, a Virgem Celeste, a Divina Sofia, nos dias das núpcias compareceu com seu corpo celeste de Glória e escolheu Gichtel, vindo à sua casa, colocando em ordem seus papéis e completando com seu próprio punho os manuscritos por ele deixados inacabados. Em vida teria igualmente recebido favores de sua esposa celeste, pois como general venceu o exército de Luiz XIV, que pretendia conquistar Amsterdã, cidade onde o adepto residia. Durante toda a batalha, o general não teria saído do quarto.(18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não somente Saint-Martin acreditava no relato de Kircheberger, como lhe pedia maiores detalhes sobre Gichtel. &amp;quot;Se estivéssemos um perto do outro, escreveu-lhe Saint-Martin, eu também teria uma história de casamento para vos contar. Os mesmos passos foram dados por mim, mas de um modo um pouco diferente, embora chegando aos mesmos resultados. Creio, com efeito, ter conhecido a esposa de Gichtel..., mas não de modo tão particular como ele. Eis o que me aconteceu por ocasião do casamento de que falei: eu estava orando... e me foi dito intelectualmente, mas de modo muito claro, o seguinte: Depois que o Verbo é feito carne, nenhuma carne deve dispor dela própria sem que Ele o permita. Essas palavras penetram profundamente em meu ser; ainda que não tenham significado uma proibição formal, recusei-me a toda negociação posterior.&amp;quot;(19) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredita-se que a chave da iniciação está no desejo do homem de purificar-se, de evoluir e de atingir a iluminação. Essa evolução é necessária para remediar a degradação a que o homem se submeteu após a Queda Original. Antes, o homem podia obrar em conformidade com a Vontade do Pai, sendo dessa maneira poderoso, mas após ter se revestido de um envoltório material, suas capacidades espirituais atrofiaram-se e a Vontade e a pureza de outrora aniquilaram-se. Foi na cidade de Estrasburgo que Saint-Martin deu a um discípulo a chave de O Homem de desejo, que, por extensão, serve para a própria Iniciação:&lt;br /&gt;
A Chave do Homem de Desejo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Avant qu'Adam mangeât la pomme,&lt;br /&gt;
Sans effort nous pouviouns oeuvrer.&lt;br /&gt;
Depouis, L'oeuvre ne se consomme.&lt;br /&gt;
Qu'au edu pur d'un ardent supir;&lt;br /&gt;
La Clef de l'Homme de Désir&lt;br /&gt;
Doit naître du désir de l'homme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto é, antes de Adão ter comido a maçã, o homem podia realizar sua obra sem esforço; depois, a obra não se concretiza a não ser com a ajuda do fogo puro, emanado de um ardente suspiro, advindo do grande esforço individual. Assim, a chave do Homem de Desejo deve nascer do desejo do homem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu livro O Homem de Desejo, publicado pela primeira vez em 1790, são litânias no estilo do salmista, nas quais a alma humana evolui para o seu primeiro estágio, num caminho que o Espírito pode ajudá-la a percorrer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin escreveu este livro por sugestão do filósofo religioso Thiaman, durante suas viagens a Estrasburgo e a Londres. Lavater, então clérico em Zurique, elogiou essa obra como um dos livros que mais tinha gostado, embora reconhecesse não ter tido condições de penetrar nas bases da doutrina exposta. Kircheberger, mais familiar aos princípios do livro, considerou-o como o mais rico em pensamentos iluminados. O próprio Saint-Martin concordou que nesse livro encontram-se os germes do conhecimento que ignorava até a leitura das obras de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo de seu livro O Homem de Desejo é mostrar que o homem deve confiar na Regeneração, chamando sua atenção para a necessidade de retorno ao Mundo Divino de onde saiu e ao trabalho que deverá realizar para alcançar esse objetivo, isto é, concentrando suas forças pelo desejo ardente de aperfeiçoar-se e tornar-se um homem de vontade forte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não há nenhum outro mistério para se chegar a essa sagrada iniciação, senão penetrando cada vez mais no fundo de nosso ser e não esmorecendo até que possamos produzir a viva e edificante raiz; porque, então, todos os frutos que haveremos de gerar, conforme nossa espécie, serão produzidos dentro de nós e sem nós, naturalmente; é o que ocorre com nossas árvores terrestres, porque elas aderem às próprias raízes e, incessantemente, retiram sua seiva.&amp;quot;(20) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compreende-se, assim, que o ensinamento deixado por Saint-Martin, e que veio de Martinez de Pasqually e de Jacob Böehme, era muito profundo e de natureza divina. Constitui-se uma Escola de Homens de Desejo, ávidos por adquirirem conhecimentos, uma elite do pensamento, embaçada em um sistema filosófico iniciático, tendo como objetivo o desenvolvimento moral e espiritual do homem. Não é uma Escola de especulação abstrata, mas um centro onde os membros procuram conhecer a doutrina e a experiência dos mestres e onde procuram vivê-la na vida diária, para atingir a perfeição interior, através de um processo de autotransformação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de homens livres eram formados por um pequeno número de pessoas inteligentes e de mente sã, escrupulosamente examinadas, Saint-Martin dizia que as grandes verdades só podem ser bem ensinadas no silêncio. Todos aqueles que não sabem calar, que falam mais do que observam, não podem ser recebidos na senda interior. Saber guardar o silêncio é condição indispensável para que o homem se torne digno de receber outros ensinamentos cada vez mais profundos, emanados não apenas de seu iniciador, como do próprio Mundo Invisível. Para isso, necessitamos de treinamento, que se efetua guardando-se o silêncio em relação às pequenas coisas, mesmo profanas. Qualquer sociedade iniciática não pode ser aberta, pois assim perderia a força que porventura tivesse recebido do Alto. Guardar o silêncio significa fechar-se às influências exteriores, às opiniões contrárias que só trazem ações conflitantes. Fechar-se em torno de si mesmo é magnetizar-se; é evitar que as próprias forças divinas se dispersem na Natureza, passando por nós. É criar um pólo de atração; é tornar-se um receptáculo das influências celestes; é tornar-se a taça que recebe o influxo divino.&lt;br /&gt;
A Iniciação é um processo interior de aperfeiçoamento do homem, tornando-o apto a receber as forças divinas. O homem é a soma de todos os problemas da existência; é a síntese, o enigma dos enigmas, a pedra bruta que deve ser talhada e aperfeiçoada. Esse desenvolvimento deve ocorrer de tal modo que o ser criado se religue ao Criador, através da aproximação da natureza impura com a natureza pura. Por isso, a primeira deve ser trabalhada até ficar quase no mesmo estado da segunda; somente depois haverá uma atração tal, que a Natureza Superior descerá até a inferior, purificando-a em definitivo e deixando-a conforme ela mesma: é a Iluminação do Iniciado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele que possuir o conhecimento de si mesmo terá acesso à ciência do mundo, dos demais seres. O conhecimento de si próprio é somente em si que deve buscar. É no espírito do homem que se devem encontrar as leis que dirigem sua origem. É preciso, pois, que o iniciado encontre seu centro iniciático, a divindade em si, para adquirir o pleno conhecimento de si mesmo. É necessário conhecer suas fraquezas para melhor dominá-las e não voltar a praticar os mesmos erros. Jesus Cristo dizia aos homens para não pecarem mais menos, até o dia em que, tendo encontrado seu equilíbrio iniciático, possam chegar a não pecar mais. Sua luta deve ser constante, contra as paixões, suas contrariedades internas e a ira. A docilidade representa a presença de Deus no centro iniciático; a ira representa a sua ausência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O homem não pode ser integralmente livre da ira e do pecado porque os movimentos do abismo deste mundo tampouco são totalmente puros ante o coração de Deus; o amor e a ira sempre lutam entre si.&amp;quot;(21)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A doutrina de Saint-Martin difundiu-se na Alemanha e na Rússia, através de seus discípulos. Na Rússia, a doutrina martinista encontrou um grande divulgador em Joseph de Maistre, que afirmava a existência de Deus no interior de cada indivíduo e, por conseguinte, que o segredo de toda a iniciação consistia em descobrir o centro iniciático próprio, a senda interior, a fim de proceder ao próprio desenvolvimento espiritual. Assim, a iniciação é uma senda real, interior, individual, e não se encontra no exterior, nas sociedades ou no Enciclopedismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1803, o Filósofo Desconhecido dava seus últimos passos em direção à Eternidade, pois sua saúde mostrava-se débil. Mas não se afligiu com essa perspectiva; ao contrário, dizia que a Providência sempre lhe havia dispensado muito cuidado, de modo que só poderia render-lhe graças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta-nos Gence que certa vez, visitando um amigo comum, Saint-Martin confessou-lhe que estava partindo para o Oriente Eterno e no dia seguinte, visitando seu amigo o Conde Lenoir la Roche, em Aulnay, após leve refeição, retirou-se para o quarto; sofreu um ataque de apoplexia e partiu. Era o dia 13 de outubro de 1803. Foi então que seus discípulos e amigos perderam a convivência física com o Mestre, mas ganharam a eterna e permanente proteção espiritual que nos envia do Reino da Glória, através dos Mundos Invisíveis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a obra de Louis Claude de Saint-Martin continua através dos Grupos de Iniciados que seguem sua doutrina. A Conquista da Iluminação é o objetivo último de todos os Homens de Desejo, que encontram nas obras do Mestre e no seu exemplo, como Homem e como Iniciado, o respaldo necessário para prosseguir na senda sem desânimo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que cada um possa transformar-se em um Novo Homem, renascido pela Luz, que resplandece na alma de todos, e que engendrará, no futuro, o Homem-Espírito, o novo Sol que acalentará os corações de todos com seu procedimento e com sua serenidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras de Louis Claude de Saint-Martin==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1-) Des Erreurs et de la Vérité, ou les Hommes Rappelés au Principe Universel de la Science. Edimbourg, 1775, 2 vol.&lt;br /&gt;
2-) Suite des Erreurs et de la Vérité. A Salomonopolis, Androphile, 1784.&lt;br /&gt;
3-) Tableau Naturel des Rapports qui Existent entre Dieu, l'Homme et l'Univers. Édimbourg. 1782.&lt;br /&gt;
4-) L'Homme de Désir. Lyon, 1790.&lt;br /&gt;
5-) Ecce Homo. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
6-) Le Nouvel Homme. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
7-) Letre à un Ami, ou Considérations Philosophiques et Religieuses sur la Révolution Française. Paris, Louvet, Palais, Égalité, 1796.&lt;br /&gt;
8-) Éclair sur l'Association Humaine. Paris, Marais, 1797. &lt;br /&gt;
9-) Le Crocodille ou la Guerre du Bien et du Mal, Arrivée sous le Règne de Louis XV. Paris, Cercle Social, 1798.&lt;br /&gt;
10-) Réflexiones d'un Observateur sur la Question Proposée por l'Institut: &amp;quot;Quelles sont les Institutions les plus Propres à Fonder la Morale d'un Peuple?. Paris, 1798.&lt;br /&gt;
11-) De l'Influence des Signes sur la Pensée (inserido incialmente no Crocodile). Paris, 1799.&lt;br /&gt;
12-) L'Esprit des Choses ou Coup d'Deil Philosophique sur la Nature des Étres et sur l'Objet de leur Existence. Paris, 1800, 2 vol.&lt;br /&gt;
13-) Le Ministère de l'Homme-Esprit. Paris, 1802.&lt;br /&gt;
14-) Oeuvres Posthumes de Saint-Martin. Tours, 1807, 2vol.&lt;br /&gt;
15-) Traité des Nombres. S/1, M. Léon, 1844.&lt;br /&gt;
16-) Correspondence de Saint-Martin avec Kircheberger, Baron de Liebisdorf, des annèes 1792 a 1799, S. n. t. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Traduções das obras de Jacob Boehme==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17-) L'Aurore Naissante ou la Racine de la Philosophie, de l'Astrologie et de la Théologie. Paris, 1800.&lt;br /&gt;
18-)Des Trois Principes de l'Essence Divine ou de l'Eternel Engendrement sans Origine de l'Homme, d'où il a été Crée et pour quelle Fin. Paris, 1802, 2 vol. &lt;br /&gt;
19-)Quarente Questions sur l'Origine, l'Essence, l'Etre, la Nature et la Propriété de l'Âme, suivies des &amp;quot;Six Poit&amp;quot;. Paris, 1807.&lt;br /&gt;
20-) De la Triple Vie de l'Homme selon de Mystère des Trois Principes de la Manifestation Divine. Paris, 1809.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*1- SAINT-MARTIN, L. C. Oeuvres Posthumes; Portrait Historique et Phisosophique de Saint-Martin fait par lui-même, p. 58-59. &lt;br /&gt;
*2- Id., t.1, p.5.&lt;br /&gt;
*3- Id., t.1, p.78-9.&lt;br /&gt;
*4- J. B. M. Gence foi discípulo de Saint-Martin e com ele conviveu longos anos: seu relato encontra-se no prefácio de Teosophic Correspondence between L. C. de Saint-Martin and Kircheberger, Baron de Liebistorf, P. V.&lt;br /&gt;
*5- Id., p. VI.&lt;br /&gt;
*6- PAPUS. L'Illuminismo en France, 1771-1803: Louis-Claude de Saint-Martin, as Vie, as Voie Theurgique, ses Oeuvrages, son Oeuvre, ses Disciples, suivi de la Publicatino de 50 Letters Inédites, p. 109.&lt;br /&gt;
*7- MATER, M. Saint-Martin, le Philosophe Inconnu. Ed. d'Aujourd'hui, p. 20.&lt;br /&gt;
*8- SAINT-MARTIN, L. C. Theosophic Correspondense, op. Cit. Carta XCII.&lt;br /&gt;
*9- Id. Carta IV.&lt;br /&gt;
*10- PAPUS. Louis Claude de S. Martin. 1902.&lt;br /&gt;
*11- Id., p. 12.&lt;br /&gt;
*12- Comentário deixado por Ary Ilha Xavier, profundo conhecedor das obras de Saint-Martin.&lt;br /&gt;
*13- Des Erreurs et de la Vérité. Edimbourg, 1775, 2v.&lt;br /&gt;
*14- Gence. Op. Cit., p. IV.&lt;br /&gt;
*15- Id., p. VII.&lt;br /&gt;
*16- SAINT-MARTIN, L.C. Le Crocodile, Canto XV, p.53.&lt;br /&gt;
*17- SAINT-MARTIN, L.C. Mont Portrait. Op. Cit., p. 42.&lt;br /&gt;
*18- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Op. Cit. Carta LVIII.&lt;br /&gt;
*19- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence Op. Cit. Carta LXII.&lt;br /&gt;
*20- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Carta número CX.&lt;br /&gt;
*21- BÖEHME, J. Confesiones, p. 44.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Biografias]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Martinistas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
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		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Louis_Claude_de_Saint-Martin&amp;diff=7151</id>
		<title>Louis Claude de Saint-Martin</title>
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		<updated>2007-10-24T06:33:51Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* Notas */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:SaintMartin.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Louis Claude de Saint-Martin, o &amp;quot;Filósofo Desconhecido&amp;quot;, pensador profundo e grande iniciado, nasceu a 18 de janeiro de 1743 em Amboise, Tourraine, no centro da França, no seio de uma família nobre, mas pouco abastada e desconhecida. Logo depois do nascimento de Saint-Martin, sua mãe faleceu, e ele foi criado pelo pai e por uma madrasta, pessoa amável e de bom coração, que o iniciou na leitura de Jacques Abbadie, ministro protestante de Genebra. Com esse autor, apreendeu a conhecer a si mesmo, relegando a um plano secundário a análise decepcionante e estéril dos filósofos em voga na época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Influências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;É à obra de Abbadie, A Arte de Conhecer a Si Mesmo, que devo meu afastamento das coisas mundanas; é a Burlamaqui que devo minha inclinação pelas bases naturais da razão; é a Martinez de Pasqually que devo meu ingresso nas verdades superiores; é a Jacob Böehme que devo meus passos mais importantes nos caminhos da Verdade.&amp;quot;(1) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro autor que influenciou o Filósofo Desconhecido desde sua juventude foi Pascal. Aos 18 anos, em meio às discussões filosóficas dos livros que lia, deu-se conta de que, existindo o Criador do Universo e uma alma, nada mais seria necessário para ser sábio. (2) Foi com base nessas concepções que fundou sua doutrina posterior. Na época de seus estudos no Colégio de Pontlevoi, o Ocultismo já fazia parte de suas meditações. Na Faculdade, igualmente, eram os estudos metafísicos que o atraíam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Formação==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudou Direito conforme a vontade de seu pai, e esse ambiente proporcionou-lhe maior contato com o mundo filosófico e literário da época. Conheceu as obras de Voltaire, Rousseau, Montesquieu e outros autores não iniciados, mas sem ceder à inclinação dos enciclopedistas. &amp;quot;Li, vi e escutei os filósofos da matéria e os doutores que devastam o mundo com suas instruções; nenhuma gota de seus venenos penetrou-me; nem as mordidas de uma só dessas serpentes prejudicaram-me.&amp;quot;(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jovem estudante procurava tudo o que pudesse conduzi-lo ao conhecimento da Verdade, particularmente as ciências e princípios exatos. Dedicou-se assim ao estudo filosófico dos números e, por algum tempo, esteve ligado a Lalande e sua escola filosófica, sintetizada em Ciência dos Números. Esse convívio, entretanto, não foi longo, pois seus pontos de vista eram divergentes e nosso Filósofo passou a estudar Jean Jacques Rousseau. Como ele, pensava ser o homem naturalmente bom; mas entendia que as virtudes perdidas originalmente, em razão da Queda, poderiam ser reconquistadas desde que o homem o desejasse ardentemente. Acreditava que o naufrágio no materialismo era conseqüência mais das associações viciosas e desvirtuadas do que do pecado original. E, nisso, afirma-nos seu discípulo Gence(4), ele se diferenciava de Rousseau, a quem considerava um misantropo por sua excessiva sensibilidade, ao olhar os homens, não como eram, mas como gostaria que fossem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin amava a humanidade e considerava-a melhor do que parecia ser; e o encanto da sociedade da época levou nosso Filósofo a pensar que a vivência nas rodas sociais poderia levá-lo ao melhor conhecimento do homem e conduzi-lo à intimidade mais perfeita com os seus princípios. Assim, agiu conforme seu pensamento: freqüentou os saraus musicais e toda sorte de recreações da alta nobreza, desde os passeios ao campo até as conversas com amigos; os atos de gentileza eram a manifestação de sua própria alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foram de sua intimidade as pessoas da mais alta classe, dentre as quais podemos citar o Marquês de Lusignan, o Marechal de Richelieu, o Duque de Orléans, a Duquesa de Bourbon, o Cavaleiro de Fouflers e tantos outros que seria longo enumerar. Devotou-se inteiramente à busca da Verdade e à prática das Virtudes, que foram o objeto constante de seus estudos, dos seus trabalhos e das suas realizações.&amp;quot;(5) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Iniciado, pois no estudo das leis e da jurisprudência, aplicou-se mais à pesquisa das bases naturais da Justiça, relegando a um plano secundário as regras da jurisprudência. Paralelamente, desenvolvia seus estudos sobre os mistérios ocultos e logo descobriu que não poderia dedicar-se inteiramente à magistratura, como desejava sua família. Não encontrando sua vocação no Direito, abandonou a magistratura que exerceu em Tours durante seis meses. Alistou-se aos 22 anos de idade no Regimento de Foix, então aquartelado em Boudeaux, onde pode encontrar mais tempo para dedicar-se ao estudo do Ocultismo, que era sua verdadeira vocação. Após ter lido os autores mais em evidência no gênero, procurou a iniciação de uma maneira mais efetiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Caminho iniciático==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi graças a um colega do Regimento, Grainville, que bateu às portas do Templo. Grainville era iniciado em uma sociedade oculta muito importante, cujo chefe era Martinez de Pasqually. Este era casado com uma sobrinha do maior, comandante do Regimento, que se encontrava na mesma cidade de residência de Martinez. A Escola de Pasqually, seu iniciador nas práticas teúrgicas, era a Ordem dos Elus Cohens do Universo (Sacerdotes Eleitos), revigorada mais tarde pela ação de Saint-Martin e Jean Baptiste Willermoz, sob a inspiração das obras de M. Pasqually e de J. Böehme e a partir de suas próprias pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fins de 1768, Saint-Martin foi iniciado nos três primeiros graus simbólicos da referida Ordem pela espada de Balzac, avô de Honoré de Balzac, o famoso romancista francês das primeiras décadas do século XIX. Com efeito, em carta de 12 de agosto de 1771, dirigida a seu colega Willermoz, de Lyon, confirmou ter sido iniciado por Balzac e que recebera de uma só vez os três graus simbólicos. &amp;quot;Não é comum darem-se os três graus simbólicos ao mesmo tempo; deixam-se, ao contrário&amp;quot;, prosseguiu Saint-Martin na referida carta, &amp;quot;grandes intervalos de tempo entre um grau e outro, segundo o progresso de cada um.&amp;quot;(6) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, Saint-Martin submeteu-se em seguida ao método iniciático de Pasqually, de quem se tornou secretário particular e discípulo zeloso. Mas não deixou, logo depois, de criticar seu primeiro Mestre, por não concordar com tudo o que era feito em tal sistema. Considerava supérfluas todas as manifestações físicas exteriores e todos os detalhes do cerimonial Cohen: &amp;quot;São necessárias todas essas coisas para orar a Deus?&amp;quot;, perguntou Saint-Martin a seu mestre Martinez. &amp;quot;É preciso que nos contentemos com o que temos&amp;quot;(7), respondeu o Grão-Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade, era necessário trabalhar mais profundamente no sentido interior para produzir a luz. Isso certamente Martinez teria feito dentro de seu próprio sistema, se não tivesse partido da França e falecido em seguida. Sua semente ficou, no entanto, e coube a Saint-Martin e a Willermoz cuidar da planta que deveria nascer. A Providência Divina não os deixou abandonados; inspirou-os constantemente, colocando em seu caminho homens que os ajudaram, direta ou indiretamente, e proporcionando-lhes o conhecimento do sistema de Jacob Böehme. Esse sistema confirmou as descobertas que tinham feito e abriu as portas para a obtenção das chaves ainda não encontradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época em que conheceu Pasqually, tinha pouco mais de vinte e cinco anos e acabava de debutar no Ocultismo, de sorte que nem todas verdades da Iniciação pode receber de seu primeiro mestre, com o qual permaneceu cinco anos. Soube reconhecer mais tarde sua grandeza (porque é bom que se afirme que Martinez de Pasqually foi um adepto de grande iluminação). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Havia coisas preciosas em nossa primeira Escola&amp;quot;, relata Saint-Martin a seu discípulo Kircheberger. &amp;quot;Sou mesmo induzido a pensar que o Sr. Martinez de Pasqually, que era nosso mestre, possuía a chave ativa referente a tudo o que nosso prezado Jacob Böehme expõe em suas teorias, mas não julgava que fôssemos capazes de entender tão altas verdades, naquela época. Ele era sabedor de alguns pontos que nosso amigo Böehme não conhecia, ou pelo menos não revelou, como a resipiscência do ser perverso, contra o qual o primeiro homem teria tido a missão de trabalhar... Quanto à Sofia e ao Rei do Mundo, ele nada nos revelou, deixando-nos com as noções comuns de Maria e do Demônio. Mas não afirmarei que ele não teve conhecimento delas e estou convicto de que chegaríamos a esse conhecimento, se o tivéssemos conosco por mais tempo...&amp;quot;(8)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin nunca concordou com a iniciação realizada fora do silêncio e da realidade invisível, que chamava de centro ou via interior. Para ele, o interior deve ser o termômetro, a verdadeira pedra de toque do que passa fora...; e o estudo da Natureza exterior só teria sentido se conduzisse à senda interior, ativa. Esse estudo poderia, pois, ser útil na medida em que conduzisse à Verdade, mas a Iniciação, explicava ele a Kircheberger, deve agir no ser central.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não lhe ocultarei que anteriormente entrei nesse caminho externo, e através dele me foi aberta a porta de minha carreira. Meu condutor era um homem de muitas virtudes ativas, e a maioria daqueles que o seguiram, inclusive eu, receberam confirmações que talvez tenham sido úteis para nossa instrução e desenvolvimento. Todavia, em todos os instantes, eu sentia forte inclinação para o caminho intimamente secreto, o externo nunca me seduziu, nem em minha juventude.&amp;quot;(9) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entendia Saint-Martin que todo o aparato exterior não era necessário para encontrar Deus e que, ao contrário, em muitas ocasiões dificultava essa busca. Discordava das numerosas e freqüentes comunicações sensíveis de todos os tipos, manifestadas nos trabalhos de que tomava parte na sua primeira Escola, embora o signo do Reparador sempre estivesse presente, manifestando a ação da Causa Ativa e Inteligente no mundo objetivo. Afirmava, no entanto, que sua senda interior, desenvolvida depois, proporcionava-lhe resultados mil vezes superiores aos produzidos pela senda que denominava exterior e que era preconizada por Pasqually.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afirmava, no entanto, e é bom repetir, que deveria haver trabalhos internos da Ordem que não lhes foram transmitidos por causa de sua curta passagem pelo sistema e por não terem ainda passado pelos estágios iniciais. O Mestre não poderia ter agido de modo diferente, revelam-lhes os mistérios de ordem mais elevada. Acreditava, ademais, que os Princípios Divinos poderiam mesmo nascer naquele sistema, mas os trabalhos para esse efeito deveriam ser mais alguns anos com Pasqually. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não apenas Saint-Martin discordava do sistema de Martinez, uma vez que os resultados não se produziam de imediato; todos os discípulos reclamavam resultados espirituais que, em verdade, dependiam deles próprios. Willermoz parece ter sido o primeiro a manifestar a Saint-Martin seu descontentamento no que dizia respeito ao desenvolvimento das faculdades adormecidas do ser humano; é o que constatamos através da leitura de uma carta endereçada por Saint-Martin, do Oriente de Bordeaux, com data de 25 de março de 1771.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Quanto à confiança que vos dignais a testemunhar-me, abrindo-me sem escrúpulos vosso pensamento sobre nossas cerimônias, não me compete, tendo em vista nossa dignidade, fazer qualquer observação a respeito; e, diante de meu juiz, eu só deveria escutar e calar. Entretanto, as disposições puras que trazeis à Sabedoria fazem-me supor que poderíeis perdoar-me antecipadamente se ouso acrescentar, às vossas, algumas idéias próprias. Procuro, como vós, esclarecer-me... Confesso que o objetivo que buscamos na iniciação parece-me muito difícil de ser atingido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredito que, mesmo nos encontrando nas melhores condições, quando todas as cerimônias são empregadas com a maior regularidade, a Coisa pode ainda guardar seu véu para nós tanto quanto quiser; ela está tão pouco à disposição do homem que ele não pode, jamais, apesar de seus esforços, estar certo de obtê-la. Ele deve esperar e orar sempre, eis nossa condição. O espírito conduz seu sopro onde quer, quando quer, sem que saibamos de onde vem e para onde vai... Se o poder não se manifesta agora, ele poderá ocorrer mais tarde; se não se opera pela visão, ele prepara a forma daquele que se mantém puro para receber as impressões salutares, quando o espírito assim quiser. Não atribuais, então, o estado em que vos encontrais a algum problema de vossa parte ou à invalidade das cerimônias.&amp;quot;(10)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz procurava obter por carta maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Pelo que constatamos, os resultados práticos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam. Era necessário muito trabalho, como em qualquer sistema de iniciação, para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A correspondência entre Saint-Martin e Willermoz, iniciada em 1768, estendeu-se até 1773. Em 1771, Saint-Martin abandonou a carreira militar para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo. Durante dois anos empregou todo o tempo disponível para trabalhar ao lado do mestre; foi durante esse período que se familiarizou com a ritualística dos Cohens e com a doutrina de Martinez, bem como com todas as suas práticas iniciáticas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partiu de Bordeaux em maio de 1773, na ocasião em que Martinez preparava-se para viajar para as Antilhas. Antes de se despedir, entretanto, Saint-Martin foi recebido no último grau dos Cohens, aquele de Réaux-Croix, como atesta uma carta de Martinez, datada de 17 de abril de 1772: &amp;quot;Após ter examinado e reexaminado os candidatos Saint-Martin e Seres, por nossa votação ordinária e em conseqüência das ordens que recebemos, nós os ordenamos Réaux-Croix...&amp;quot;(11) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1773, finalmente, Saint-Martin conheceu Willermoz, em Lyon, após terem trocado correspondência durante cinco anos. Seu círculo de amizade limitava-se aos irmãos da Ordem: Grainville, Balzac, Hauterive, Bacon de la Chevalerie, o Abade Fournier e Willermoz. Permaneceu um ano em Lyon, seguindo para sua cidade natal e, posteriormente, para Paris. Em abril de 1785, Willermoz obteve sucesso com suas operações: a &amp;quot;Coisa ativa e inteligente&amp;quot; finalmente mostrou-se aos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, sabendo da notícia, partiu de Paris em junho do mesmo ano, com destino a Lyon, levando consigo uma bíblia em hebraico e um dicionário, para entreter-se na viagem. Ficou seis meses em Lyon, partindo mais tarde para Nápoles e Londres, onde tomou conhecimento das publicações de Willian Law, morto em 1761, e que pertencia à tradição de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Seríamos excessivamente prolixos se procurássemos seguir as pegadas do nosso Filósofo Desconhecido, ao longo de sua jornada terrena, onde a cada passo, não obstante, encontraríamos o exemplo dignificante e o traço indelével da imensa esteira de luz que marcou sua trajetória neste mundo. Difícil ainda seria penetrarmos na profundeza do seu pensamento, da sua filosofia, da sua doutrina de elevação e regeneração do homem na busca da iluminação e da paz...&amp;quot;(12) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi inicialmente de Lyon que o Filósofo Desconhecido procurou irradiar a luz, após a partida de Martinez para o Oriente Eterno. A direção da Ordem dos Elus Cohen não ficou com Saint-Martin nem com Willermoz, mas nas mãos de pessoas menos preparadas para levar adiante um sistema que ainda necessitava de aperfeiçoamento. Coube a Saint-Martin e a Willermoz a resignação de continuarem ocultamente a pesquisa da Verdade por suas próprias forças. O &amp;quot;Agente Incógnito&amp;quot; teria ditado inúmeras instruções e partes de um livro que Louis Claude de Saint-Martin publicou, destinado a lutar contra o materialismo vigente na época. (13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez por esse motivo Saint-Martin tenha iniciado uma série de viagens, verdadeiros apostolados, para realizar propaganda das idéias espiritualistas, recolher dados e informações iniciáticas e entrar em contato com discípulos e homens de ciência. Em todos esses contatos sempre conquistava novas amizades e discípulos para continuarem sua obra. Saint-Martin tinha uma conversa muito agradável, uma vez que seu verbo não fazia senão expressar sua paz interior, seus conhecimentos e a nobreza de sua alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os salões mais aristocráticos de Paris disputavam sua presença. Essas qualidades eram agradáveis às mulheres, que não hesitavam em convidá-lo para as festas, pensando em casar suas filhas. Mas o Filósofo Desconhecido quis dedicar-se integralmente à sua obra de divulgação do Espírito. Em 1778, em Toulouse, esteve prestes a se casar; contudo, esse projeto desvaneceu-se como todos os demais a esse respeito. Afirmava sentir uma voz no seu interior que lhe dizia ser ele originário de um lugar onde não existem mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agente Incógnito desapareceu de cena em 1788, época em que Saint-Martin retornou à Lyon, mas reapareceu em 1790 para destruir uma série de cadernos de instruções por ele próprio ditados: &amp;quot;Eu devolvi ao Agente&amp;quot;, conta-nos Willermoz, &amp;quot;a seu pedido, mais de 80 cadernos manuscritos inéditos, que destruiu.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Pasqually, ocorrida em 1774 em São Domingos, o centro oculto da iniciação Cohen passou a Lyon e foi lá, como contam seus biógrafos, &amp;quot;que o Filósofo Desconhecido, armado com a Sabedoria Divina, passou a fazer oposição à doutrina materialista dos Enciclopedistas. Combatendo o materialismo revolucionário e sua doutrina errônea inserida em uma pretensa filosofia da natureza e da história, Saint-Martin chamou o homem de volta à Verdade, fundamentando-se no princípio do conhecimento de si mesmo e na natureza do ser inteligente&amp;quot;.(14) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, entretanto, nunca ficou muito ligado ao rigor das instituições iniciáticas, mas, em razão da problemática da época, em pleno desenvolvimento da Revolução Francesa, procurou, para a salvaguarda das suas próprias doutrinas e das tradições de que então já era depositário, unir-se a grupos ou formar grupos cujos membros desejassem, sinceramente, dedicar-se ao culto da Verdade e à prática das Virtudes. Estudava, paralelamente, as doutrinas de Pasqually e de Swedenborg, as primeiras mostrando-lhe a ciência do Espírito e as segundas a ciência da Alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;A Revolução, em todas as suas fases, encontrou Saint-Martin sempre o mesmo, dedicado a seu objetivo. Por princípio, esteve acima das considerações de nascimento e opiniões, por isso não emigrou; enquanto se mantinha ao seu redor todo o horror das desordens e dos excessos, acreditou sempre que o bem podia surgir do terrível advento da Revolução Francesa, pela intermediação da Divina Providência; pensou ver um grande instrumento temporal no homem que se levantou para suprimir seus excessos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foi em 1793, quando a família e a sociedade dissolviam-se, que vendeu as suas últimas posses para manter e cuidar de seu pai, velho e paralítico. Na mesma época, não obstante os estreitos limites a que ficou reduzida a sua fortuna, contribuiu para as necessidades públicas de sua comunidade. Retornando à capital, foi atingido pelo decreto de expulsão dos nobres. Saint-Martin submeteu-se e deixou Paris.(15)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o terror revolucionário, era necessária muita prudência, mesmo para os assuntos iniciáticos. Saint-Martin recebeu um mandado de prisão, embora vivesse mergulhado nos estudos e na meditação, sem nunca ter feito política. Não subiu ao cadafalso porque Robespierre caiu em seguida. Havia a proteção do Alto, que o guiava na terra, obscurecida pela agitação dos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Uma corrente de prestígios inundou a inteligência humana em geral, e a dos parisienses em particular, porque a cidade, que comporta sábios e doutores de toda espécie, possui poucos que orientam seu pensamento na direção dos conhecimentos verdadeiros, e há menos ainda que buscam esses conhecimentos com um espírito reto. A maior parte deles não fazem mais que dissecar as cascas da Natureza, medir, pesar e enumerar todas as suas moléculas. Eles tentam, insensatos, a conquista de tudo que se encontra em composição no Universo, como se isso lhes fosse possível. Esses sábios, tão célebres e tão ruidosos, não sabem que o Universo (ou o Templo) é a imagem reduzida da indivisível e universal eternidade; eles podem contemplar e admirar, pelo espetáculo de suas propriedades e de suas maravilhas, ... mas jamais poderão conquistar o segredo de sua existência.&amp;quot;(16) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, para cumprir seu dever cívico, serviu na Guarda Nacional e, em Amboise, foi escolhido para ser um dos instrutores da Escola Normal Superior, que formava jovens professores; tomou parte em 1795 da primeira Assembléia Eleitoral, sem contudo tornar-se membro efetivo de qualquer corpo legislativo. O que buscava era o Conhecimento e a difusão de suas doutrinas. Jamais fez proselitismo e procurava ter por discípulos amigos fiéis da Verdade. Quem visse seu jeito humilde jamais poderia suspeitar de sua elevada espiritualidade. Sua docilidade para com o tratamento, sua serenidade, manifestava no entanto o sábio, O Novo Homem formado pela filosofia profunda do aperfeiçoamento moral e espiritual. A luz que irradiava de seu centro fazia justiça à sua condição de Homem-Espírito, o grande sol da transição ao século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi em 1788, em Estrasburgo, que Saint-Martin tomou conhecimento das obras de Jacob Böehme, o Teósofo Teutônico, através de Rodolphe de Salzmann. Surpreso, constatou que essa doutrina combinava com a de seu antigo mestre Martinez de Pasqually, sendo idênticas em essência.. Coube a ele a tarefa de fazer o feliz casamento das duas correntes doutrinárias, elaborando um sistema sintático, capaz de satisfazer seus anseios e colocar à disposição de todos os Homens de Desejo um caminho seguro para chegar à Iluminação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A síntese iniciática foi obtida em poucos anos de trabalho pelo nosso Filósofo Desconhecido, secundado que foi por seu colega Jean Baptiste Willermoz. Necessitava, entretanto, de uma transmissão iniciática da corrente de Böehme para associar à sua, advinha de Pasqually. Essa corrente alemã de Jacob Böehme foi obtida ao ser iniciada pelo Barão de Salzmann, em Estrasburgo, e confirmada na linha mais antiga dos Templários, ao associar-se com a Estrita Observância Templária, do Barão de Hund. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz foi o encarregado, em Lyon, de organizar o sistema maçônico do Rito Escocês Retificado, fruto do Convento de Wilhelmsbad de 1782. Coube a Saint-Martin a chefia e a realização de iniciações individuais da Ordem Interior dos Filósofos Desconhecidos. Vários alemães foram iniciados no novo sistema (muitos dos quais já eram discípulos de Martinez de Pasqually), ingressando na iniciação real que conduz à Iluminação e à Reintegração a partir deste mundo na Unidade Divina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin considerava as obras de Jacob Böehme de uma profundidade e de um valor inestimáveis e não se achava digno nem de desatar as sandálias de Jacob Böehme; entendia que seria necessário que o homem se tivesse tornado pedra ou demônio para não tirar proveito de tais obras. (17)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi assim que passou a estudar o alemão, com quase 50 anos de idade, para melhor penetrar no sentido oculto e no pensamento do autor. Procurou traduzir para o francês as principais obras do Mestre. A partir de então, sempre que se referia a Jacob Böehme dizia que o Iluminado teutônico foi a maior luz que veio a este mundo depois daquele que era a própria Luz, isto é, o Cristo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após ter percorrido parte da Europa, estabeleceu seu apostolado em Toulouse, Versailles e Lyon, sempre lançando a semente espiritual em uma terra que se tornou fecunda, recolhendo ele próprio as doutrinas mais apropriadas para o seu espírito e seu sistema. Mais tarde, centralizou sua ação em três cidades: Estrasburgo, Amboise e Paris, que eram, como confessou, seu paraíso, seu inferno e seu purgatório. Fora dessas cidades possuía membros correspondentes de sua sociedade, como o Barão de Kircheberger, que não chegou a conhecer, mas a quem enviou um emissário, o Conde Divonne, para certamente lhe transmitir a iniciação. Kircheberger era grande admirador das obras de Saint-Martin; pertencia à Escola de Böehme, da qual tomaram parte igualmente Khunrath e Gichtel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kircheberger escreveu a Saint-Martin que, segundo uma lenda corrente em sua Escola, a Virgem Celeste, a Divina Sofia, nos dias das núpcias compareceu com seu corpo celeste de Glória e escolheu Gichtel, vindo à sua casa, colocando em ordem seus papéis e completando com seu próprio punho os manuscritos por ele deixados inacabados. Em vida teria igualmente recebido favores de sua esposa celeste, pois como general venceu o exército de Luiz XIV, que pretendia conquistar Amsterdã, cidade onde o adepto residia. Durante toda a batalha, o general não teria saído do quarto.(18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não somente Saint-Martin acreditava no relato de Kircheberger, como lhe pedia maiores detalhes sobre Gichtel. &amp;quot;Se estivéssemos um perto do outro, escreveu-lhe Saint-Martin, eu também teria uma história de casamento para vos contar. Os mesmos passos foram dados por mim, mas de um modo um pouco diferente, embora chegando aos mesmos resultados. Creio, com efeito, ter conhecido a esposa de Gichtel..., mas não de modo tão particular como ele. Eis o que me aconteceu por ocasião do casamento de que falei: eu estava orando... e me foi dito intelectualmente, mas de modo muito claro, o seguinte: Depois que o Verbo é feito carne, nenhuma carne deve dispor dela própria sem que Ele o permita. Essas palavras penetram profundamente em meu ser; ainda que não tenham significado uma proibição formal, recusei-me a toda negociação posterior.&amp;quot;(19) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredita-se que a chave da iniciação está no desejo do homem de purificar-se, de evoluir e de atingir a iluminação. Essa evolução é necessária para remediar a degradação a que o homem se submeteu após a Queda Original. Antes, o homem podia obrar em conformidade com a Vontade do Pai, sendo dessa maneira poderoso, mas após ter se revestido de um envoltório material, suas capacidades espirituais atrofiaram-se e a Vontade e a pureza de outrora aniquilaram-se. Foi na cidade de Estrasburgo que Saint-Martin deu a um discípulo a chave de O Homem de desejo, que, por extensão, serve para a própria Iniciação:&lt;br /&gt;
A Chave do Homem de Desejo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Avant qu'Adam mangeât la pomme,&lt;br /&gt;
Sans effort nous pouviouns oeuvrer.&lt;br /&gt;
Depouis, L'oeuvre ne se consomme.&lt;br /&gt;
Qu'au edu pur d'un ardent supir;&lt;br /&gt;
La Clef de l'Homme de Désir&lt;br /&gt;
Doit naître du désir de l'homme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto é, antes de Adão ter comido a maçã, o homem podia realizar sua obra sem esforço; depois, a obra não se concretiza a não ser com a ajuda do fogo puro, emanado de um ardente suspiro, advindo do grande esforço individual. Assim, a chave do Homem de Desejo deve nascer do desejo do homem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu livro O Homem de Desejo, publicado pela primeira vez em 1790, são litânias no estilo do salmista, nas quais a alma humana evolui para o seu primeiro estágio, num caminho que o Espírito pode ajudá-la a percorrer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin escreveu este livro por sugestão do filósofo religioso Thiaman, durante suas viagens a Estrasburgo e a Londres. Lavater, então clérico em Zurique, elogiou essa obra como um dos livros que mais tinha gostado, embora reconhecesse não ter tido condições de penetrar nas bases da doutrina exposta. Kircheberger, mais familiar aos princípios do livro, considerou-o como o mais rico em pensamentos iluminados. O próprio Saint-Martin concordou que nesse livro encontram-se os germes do conhecimento que ignorava até a leitura das obras de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo de seu livro O Homem de Desejo é mostrar que o homem deve confiar na Regeneração, chamando sua atenção para a necessidade de retorno ao Mundo Divino de onde saiu e ao trabalho que deverá realizar para alcançar esse objetivo, isto é, concentrando suas forças pelo desejo ardente de aperfeiçoar-se e tornar-se um homem de vontade forte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não há nenhum outro mistério para se chegar a essa sagrada iniciação, senão penetrando cada vez mais no fundo de nosso ser e não esmorecendo até que possamos produzir a viva e edificante raiz; porque, então, todos os frutos que haveremos de gerar, conforme nossa espécie, serão produzidos dentro de nós e sem nós, naturalmente; é o que ocorre com nossas árvores terrestres, porque elas aderem às próprias raízes e, incessantemente, retiram sua seiva.&amp;quot;(20) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compreende-se, assim, que o ensinamento deixado por Saint-Martin, e que veio de Martinez de Pasqually e de Jacob Böehme, era muito profundo e de natureza divina. Constitui-se uma Escola de Homens de Desejo, ávidos por adquirirem conhecimentos, uma elite do pensamento, embaçada em um sistema filosófico iniciático, tendo como objetivo o desenvolvimento moral e espiritual do homem. Não é uma Escola de especulação abstrata, mas um centro onde os membros procuram conhecer a doutrina e a experiência dos mestres e onde procuram vivê-la na vida diária, para atingir a perfeição interior, através de um processo de autotransformação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de homens livres eram formados por um pequeno número de pessoas inteligentes e de mente sã, escrupulosamente examinadas, Saint-Martin dizia que as grandes verdades só podem ser bem ensinadas no silêncio. Todos aqueles que não sabem calar, que falam mais do que observam, não podem ser recebidos na senda interior. Saber guardar o silêncio é condição indispensável para que o homem se torne digno de receber outros ensinamentos cada vez mais profundos, emanados não apenas de seu iniciador, como do próprio Mundo Invisível. Para isso, necessitamos de treinamento, que se efetua guardando-se o silêncio em relação às pequenas coisas, mesmo profanas. Qualquer sociedade iniciática não pode ser aberta, pois assim perderia a força que porventura tivesse recebido do Alto. Guardar o silêncio significa fechar-se às influências exteriores, às opiniões contrárias que só trazem ações conflitantes. Fechar-se em torno de si mesmo é magnetizar-se; é evitar que as próprias forças divinas se dispersem na Natureza, passando por nós. É criar um pólo de atração; é tornar-se um receptáculo das influências celestes; é tornar-se a taça que recebe o influxo divino.&lt;br /&gt;
A Iniciação é um processo interior de aperfeiçoamento do homem, tornando-o apto a receber as forças divinas. O homem é a soma de todos os problemas da existência; é a síntese, o enigma dos enigmas, a pedra bruta que deve ser talhada e aperfeiçoada. Esse desenvolvimento deve ocorrer de tal modo que o ser criado se religue ao Criador, através da aproximação da natureza impura com a natureza pura. Por isso, a primeira deve ser trabalhada até ficar quase no mesmo estado da segunda; somente depois haverá uma atração tal, que a Natureza Superior descerá até a inferior, purificando-a em definitivo e deixando-a conforme ela mesma: é a Iluminação do Iniciado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele que possuir o conhecimento de si mesmo terá acesso à ciência do mundo, dos demais seres. O conhecimento de si próprio é somente em si que deve buscar. É no espírito do homem que se devem encontrar as leis que dirigem sua origem. É preciso, pois, que o iniciado encontre seu centro iniciático, a divindade em si, para adquirir o pleno conhecimento de si mesmo. É necessário conhecer suas fraquezas para melhor dominá-las e não voltar a praticar os mesmos erros. Jesus Cristo dizia aos homens para não pecarem mais menos, até o dia em que, tendo encontrado seu equilíbrio iniciático, possam chegar a não pecar mais. Sua luta deve ser constante, contra as paixões, suas contrariedades internas e a ira. A docilidade representa a presença de Deus no centro iniciático; a ira representa a sua ausência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O homem não pode ser integralmente livre da ira e do pecado porque os movimentos do abismo deste mundo tampouco são totalmente puros ante o coração de Deus; o amor e a ira sempre lutam entre si.&amp;quot;(21)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A doutrina de Saint-Martin difundiu-se na Alemanha e na Rússia, através de seus discípulos. Na Rússia, a doutrina martinista encontrou um grande divulgador em Joseph de Maistre, que afirmava a existência de Deus no interior de cada indivíduo e, por conseguinte, que o segredo de toda a iniciação consistia em descobrir o centro iniciático próprio, a senda interior, a fim de proceder ao próprio desenvolvimento espiritual. Assim, a iniciação é uma senda real, interior, individual, e não se encontra no exterior, nas sociedades ou no Enciclopedismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1803, o Filósofo Desconhecido dava seus últimos passos em direção à Eternidade, pois sua saúde mostrava-se débil. Mas não se afligiu com essa perspectiva; ao contrário, dizia que a Providência sempre lhe havia dispensado muito cuidado, de modo que só poderia render-lhe graças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta-nos Gence que certa vez, visitando um amigo comum, Saint-Martin confessou-lhe que estava partindo para o Oriente Eterno e no dia seguinte, visitando seu amigo o Conde Lenoir la Roche, em Aulnay, após leve refeição, retirou-se para o quarto; sofreu um ataque de apoplexia e partiu. Era o dia 13 de outubro de 1803. Foi então que seus discípulos e amigos perderam a convivência física com o Mestre, mas ganharam a eterna e permanente proteção espiritual que nos envia do Reino da Glória, através dos Mundos Invisíveis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a obra de Louis Claude de Saint-Martin continua através dos Grupos de Iniciados que seguem sua doutrina. A Conquista da Iluminação é o objetivo último de todos os Homens de Desejo, que encontram nas obras do Mestre e no seu exemplo, como Homem e como Iniciado, o respaldo necessário para prosseguir na senda sem desânimo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que cada um possa transformar-se em um Novo Homem, renascido pela Luz, que resplandece na alma de todos, e que engendrará, no futuro, o Homem-Espírito, o novo Sol que acalentará os corações de todos com seu procedimento e com sua serenidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras de Louis Claude de Saint-Martin==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1-) Des Erreurs et de la Vérité, ou les Hommes Rappelés au Principe Universel de la Science. Edimbourg, 1775, 2 vol.&lt;br /&gt;
2-) Suite des Erreurs et de la Vérité. A Salomonopolis, Androphile, 1784.&lt;br /&gt;
3-) Tableau Naturel des Rapports qui Existent entre Dieu, l'Homme et l'Univers. Édimbourg. 1782.&lt;br /&gt;
4-) L'Homme de Désir. Lyon, 1790.&lt;br /&gt;
5-) Ecce Homo. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
6-) Le Nouvel Homme. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
7-) Letre à un Ami, ou Considérations Philosophiques et Religieuses sur la Révolution Française. Paris, Louvet, Palais, Égalité, 1796.&lt;br /&gt;
8-) Éclair sur l'Association Humaine. Paris, Marais, 1797. &lt;br /&gt;
9-) Le Crocodille ou la Guerre du Bien et du Mal, Arrivée sous le Règne de Louis XV. Paris, Cercle Social, 1798.&lt;br /&gt;
10-) Réflexiones d'un Observateur sur la Question Proposée por l'Institut: &amp;quot;Quelles sont les Institutions les plus Propres à Fonder la Morale d'un Peuple?. Paris, 1798.&lt;br /&gt;
11-) De l'Influence des Signes sur la Pensée (inserido incialmente no Crocodile). Paris, 1799.&lt;br /&gt;
12-) L'Esprit des Choses ou Coup d'Deil Philosophique sur la Nature des Étres et sur l'Objet de leur Existence. Paris, 1800, 2 vol.&lt;br /&gt;
13-) Le Ministère de l'Homme-Esprit. Paris, 1802.&lt;br /&gt;
14-) Oeuvres Posthumes de Saint-Martin. Tours, 1807, 2vol.&lt;br /&gt;
15-) Traité des Nombres. S/1, M. Léon, 1844.&lt;br /&gt;
16-) Correspondence de Saint-Martin avec Kircheberger, Baron de Liebisdorf, des annèes 1792 a 1799, S. n. t. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Traduções das obras de Jacob Boehme==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17-) L'Aurore Naissante ou la Racine de la Philosophie, de l'Astrologie et de la Théologie. Paris, 1800.&lt;br /&gt;
18-)Des Trois Principes de l'Essence Divine ou de l'Eternel Engendrement sans Origine de l'Homme, d'où il a été Crée et pour quelle Fin. Paris, 1802, 2 vol. &lt;br /&gt;
19-)Quarente Questions sur l'Origine, l'Essence, l'Etre, la Nature et la Propriété de l'Âme, suivies des &amp;quot;Six Poit&amp;quot;. Paris, 1807.&lt;br /&gt;
20-) De la Triple Vie de l'Homme selon de Mystère des Trois Principes de la Manifestation Divine. Paris, 1809.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- SAINT-MARTIN, L. C. Oeuvres Posthumes; Portrait Historique et Phisosophique de Saint-Martin fait par lui-même, p. 58-59. &lt;br /&gt;
2- Id., t.1, p.5.&lt;br /&gt;
3- Id., t.1, p.78-9.&lt;br /&gt;
4- J. B. M. Gence foi discípulo de Saint-Martin e com ele conviveu longos anos: seu relato encontra-se no prefácio de Teosophic Correspondence between L. C. de Saint-Martin and Kircheberger, Baron de Liebistorf, P. V.&lt;br /&gt;
5- Id., p. VI.&lt;br /&gt;
6- PAPUS. L'Illuminismo en France, 1771-1803: Louis-Claude de Saint-Martin, as Vie, as Voie Theurgique, ses Oeuvrages, son Oeuvre, ses Disciples, suivi de la Publicatino de 50 Letters Inédites, p. 109.&lt;br /&gt;
7- MATER, M. Saint-Martin, le Philosophe Inconnu. Ed. d'Aujourd'hui, p. 20.&lt;br /&gt;
8- SAINT-MARTIN, L. C. Theosophic Correspondense, op. Cit. Carta XCII.&lt;br /&gt;
9- Id. Carta IV.&lt;br /&gt;
10- PAPUS. Louis Claude de S. Martin. 1902.&lt;br /&gt;
11- Id., p. 12.&lt;br /&gt;
12- Comentário deixado por Ary Ilha Xavier, profundo conhecedor das obras de Saint-Martin.&lt;br /&gt;
13- Des Erreurs et de la Vérité. Edimbourg, 1775, 2v.&lt;br /&gt;
14- Gence. Op. Cit., p. IV.&lt;br /&gt;
15- Id., p. VII.&lt;br /&gt;
16- SAINT-MARTIN, L.C. Le Crocodile, Canto XV, p.53.&lt;br /&gt;
17- SAINT-MARTIN, L.C. Mont Portrait. Op. Cit., p. 42.&lt;br /&gt;
18- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Op. Cit. Carta LVIII.&lt;br /&gt;
19- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence Op. Cit. Carta LXII.&lt;br /&gt;
20- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Carta número CX.&lt;br /&gt;
21- BÖEHME, J. Confesiones, p. 44.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Biografias]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Martinistas]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
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		<title>Louis Claude de Saint-Martin</title>
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		<updated>2007-10-24T06:33:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* Notas */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:SaintMartin.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Louis Claude de Saint-Martin, o &amp;quot;Filósofo Desconhecido&amp;quot;, pensador profundo e grande iniciado, nasceu a 18 de janeiro de 1743 em Amboise, Tourraine, no centro da França, no seio de uma família nobre, mas pouco abastada e desconhecida. Logo depois do nascimento de Saint-Martin, sua mãe faleceu, e ele foi criado pelo pai e por uma madrasta, pessoa amável e de bom coração, que o iniciou na leitura de Jacques Abbadie, ministro protestante de Genebra. Com esse autor, apreendeu a conhecer a si mesmo, relegando a um plano secundário a análise decepcionante e estéril dos filósofos em voga na época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Influências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;É à obra de Abbadie, A Arte de Conhecer a Si Mesmo, que devo meu afastamento das coisas mundanas; é a Burlamaqui que devo minha inclinação pelas bases naturais da razão; é a Martinez de Pasqually que devo meu ingresso nas verdades superiores; é a Jacob Böehme que devo meus passos mais importantes nos caminhos da Verdade.&amp;quot;(1) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro autor que influenciou o Filósofo Desconhecido desde sua juventude foi Pascal. Aos 18 anos, em meio às discussões filosóficas dos livros que lia, deu-se conta de que, existindo o Criador do Universo e uma alma, nada mais seria necessário para ser sábio. (2) Foi com base nessas concepções que fundou sua doutrina posterior. Na época de seus estudos no Colégio de Pontlevoi, o Ocultismo já fazia parte de suas meditações. Na Faculdade, igualmente, eram os estudos metafísicos que o atraíam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Formação==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudou Direito conforme a vontade de seu pai, e esse ambiente proporcionou-lhe maior contato com o mundo filosófico e literário da época. Conheceu as obras de Voltaire, Rousseau, Montesquieu e outros autores não iniciados, mas sem ceder à inclinação dos enciclopedistas. &amp;quot;Li, vi e escutei os filósofos da matéria e os doutores que devastam o mundo com suas instruções; nenhuma gota de seus venenos penetrou-me; nem as mordidas de uma só dessas serpentes prejudicaram-me.&amp;quot;(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jovem estudante procurava tudo o que pudesse conduzi-lo ao conhecimento da Verdade, particularmente as ciências e princípios exatos. Dedicou-se assim ao estudo filosófico dos números e, por algum tempo, esteve ligado a Lalande e sua escola filosófica, sintetizada em Ciência dos Números. Esse convívio, entretanto, não foi longo, pois seus pontos de vista eram divergentes e nosso Filósofo passou a estudar Jean Jacques Rousseau. Como ele, pensava ser o homem naturalmente bom; mas entendia que as virtudes perdidas originalmente, em razão da Queda, poderiam ser reconquistadas desde que o homem o desejasse ardentemente. Acreditava que o naufrágio no materialismo era conseqüência mais das associações viciosas e desvirtuadas do que do pecado original. E, nisso, afirma-nos seu discípulo Gence(4), ele se diferenciava de Rousseau, a quem considerava um misantropo por sua excessiva sensibilidade, ao olhar os homens, não como eram, mas como gostaria que fossem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin amava a humanidade e considerava-a melhor do que parecia ser; e o encanto da sociedade da época levou nosso Filósofo a pensar que a vivência nas rodas sociais poderia levá-lo ao melhor conhecimento do homem e conduzi-lo à intimidade mais perfeita com os seus princípios. Assim, agiu conforme seu pensamento: freqüentou os saraus musicais e toda sorte de recreações da alta nobreza, desde os passeios ao campo até as conversas com amigos; os atos de gentileza eram a manifestação de sua própria alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foram de sua intimidade as pessoas da mais alta classe, dentre as quais podemos citar o Marquês de Lusignan, o Marechal de Richelieu, o Duque de Orléans, a Duquesa de Bourbon, o Cavaleiro de Fouflers e tantos outros que seria longo enumerar. Devotou-se inteiramente à busca da Verdade e à prática das Virtudes, que foram o objeto constante de seus estudos, dos seus trabalhos e das suas realizações.&amp;quot;(5) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Iniciado, pois no estudo das leis e da jurisprudência, aplicou-se mais à pesquisa das bases naturais da Justiça, relegando a um plano secundário as regras da jurisprudência. Paralelamente, desenvolvia seus estudos sobre os mistérios ocultos e logo descobriu que não poderia dedicar-se inteiramente à magistratura, como desejava sua família. Não encontrando sua vocação no Direito, abandonou a magistratura que exerceu em Tours durante seis meses. Alistou-se aos 22 anos de idade no Regimento de Foix, então aquartelado em Boudeaux, onde pode encontrar mais tempo para dedicar-se ao estudo do Ocultismo, que era sua verdadeira vocação. Após ter lido os autores mais em evidência no gênero, procurou a iniciação de uma maneira mais efetiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Caminho iniciático==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi graças a um colega do Regimento, Grainville, que bateu às portas do Templo. Grainville era iniciado em uma sociedade oculta muito importante, cujo chefe era Martinez de Pasqually. Este era casado com uma sobrinha do maior, comandante do Regimento, que se encontrava na mesma cidade de residência de Martinez. A Escola de Pasqually, seu iniciador nas práticas teúrgicas, era a Ordem dos Elus Cohens do Universo (Sacerdotes Eleitos), revigorada mais tarde pela ação de Saint-Martin e Jean Baptiste Willermoz, sob a inspiração das obras de M. Pasqually e de J. Böehme e a partir de suas próprias pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fins de 1768, Saint-Martin foi iniciado nos três primeiros graus simbólicos da referida Ordem pela espada de Balzac, avô de Honoré de Balzac, o famoso romancista francês das primeiras décadas do século XIX. Com efeito, em carta de 12 de agosto de 1771, dirigida a seu colega Willermoz, de Lyon, confirmou ter sido iniciado por Balzac e que recebera de uma só vez os três graus simbólicos. &amp;quot;Não é comum darem-se os três graus simbólicos ao mesmo tempo; deixam-se, ao contrário&amp;quot;, prosseguiu Saint-Martin na referida carta, &amp;quot;grandes intervalos de tempo entre um grau e outro, segundo o progresso de cada um.&amp;quot;(6) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, Saint-Martin submeteu-se em seguida ao método iniciático de Pasqually, de quem se tornou secretário particular e discípulo zeloso. Mas não deixou, logo depois, de criticar seu primeiro Mestre, por não concordar com tudo o que era feito em tal sistema. Considerava supérfluas todas as manifestações físicas exteriores e todos os detalhes do cerimonial Cohen: &amp;quot;São necessárias todas essas coisas para orar a Deus?&amp;quot;, perguntou Saint-Martin a seu mestre Martinez. &amp;quot;É preciso que nos contentemos com o que temos&amp;quot;(7), respondeu o Grão-Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade, era necessário trabalhar mais profundamente no sentido interior para produzir a luz. Isso certamente Martinez teria feito dentro de seu próprio sistema, se não tivesse partido da França e falecido em seguida. Sua semente ficou, no entanto, e coube a Saint-Martin e a Willermoz cuidar da planta que deveria nascer. A Providência Divina não os deixou abandonados; inspirou-os constantemente, colocando em seu caminho homens que os ajudaram, direta ou indiretamente, e proporcionando-lhes o conhecimento do sistema de Jacob Böehme. Esse sistema confirmou as descobertas que tinham feito e abriu as portas para a obtenção das chaves ainda não encontradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época em que conheceu Pasqually, tinha pouco mais de vinte e cinco anos e acabava de debutar no Ocultismo, de sorte que nem todas verdades da Iniciação pode receber de seu primeiro mestre, com o qual permaneceu cinco anos. Soube reconhecer mais tarde sua grandeza (porque é bom que se afirme que Martinez de Pasqually foi um adepto de grande iluminação). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Havia coisas preciosas em nossa primeira Escola&amp;quot;, relata Saint-Martin a seu discípulo Kircheberger. &amp;quot;Sou mesmo induzido a pensar que o Sr. Martinez de Pasqually, que era nosso mestre, possuía a chave ativa referente a tudo o que nosso prezado Jacob Böehme expõe em suas teorias, mas não julgava que fôssemos capazes de entender tão altas verdades, naquela época. Ele era sabedor de alguns pontos que nosso amigo Böehme não conhecia, ou pelo menos não revelou, como a resipiscência do ser perverso, contra o qual o primeiro homem teria tido a missão de trabalhar... Quanto à Sofia e ao Rei do Mundo, ele nada nos revelou, deixando-nos com as noções comuns de Maria e do Demônio. Mas não afirmarei que ele não teve conhecimento delas e estou convicto de que chegaríamos a esse conhecimento, se o tivéssemos conosco por mais tempo...&amp;quot;(8)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin nunca concordou com a iniciação realizada fora do silêncio e da realidade invisível, que chamava de centro ou via interior. Para ele, o interior deve ser o termômetro, a verdadeira pedra de toque do que passa fora...; e o estudo da Natureza exterior só teria sentido se conduzisse à senda interior, ativa. Esse estudo poderia, pois, ser útil na medida em que conduzisse à Verdade, mas a Iniciação, explicava ele a Kircheberger, deve agir no ser central.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não lhe ocultarei que anteriormente entrei nesse caminho externo, e através dele me foi aberta a porta de minha carreira. Meu condutor era um homem de muitas virtudes ativas, e a maioria daqueles que o seguiram, inclusive eu, receberam confirmações que talvez tenham sido úteis para nossa instrução e desenvolvimento. Todavia, em todos os instantes, eu sentia forte inclinação para o caminho intimamente secreto, o externo nunca me seduziu, nem em minha juventude.&amp;quot;(9) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entendia Saint-Martin que todo o aparato exterior não era necessário para encontrar Deus e que, ao contrário, em muitas ocasiões dificultava essa busca. Discordava das numerosas e freqüentes comunicações sensíveis de todos os tipos, manifestadas nos trabalhos de que tomava parte na sua primeira Escola, embora o signo do Reparador sempre estivesse presente, manifestando a ação da Causa Ativa e Inteligente no mundo objetivo. Afirmava, no entanto, que sua senda interior, desenvolvida depois, proporcionava-lhe resultados mil vezes superiores aos produzidos pela senda que denominava exterior e que era preconizada por Pasqually.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afirmava, no entanto, e é bom repetir, que deveria haver trabalhos internos da Ordem que não lhes foram transmitidos por causa de sua curta passagem pelo sistema e por não terem ainda passado pelos estágios iniciais. O Mestre não poderia ter agido de modo diferente, revelam-lhes os mistérios de ordem mais elevada. Acreditava, ademais, que os Princípios Divinos poderiam mesmo nascer naquele sistema, mas os trabalhos para esse efeito deveriam ser mais alguns anos com Pasqually. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não apenas Saint-Martin discordava do sistema de Martinez, uma vez que os resultados não se produziam de imediato; todos os discípulos reclamavam resultados espirituais que, em verdade, dependiam deles próprios. Willermoz parece ter sido o primeiro a manifestar a Saint-Martin seu descontentamento no que dizia respeito ao desenvolvimento das faculdades adormecidas do ser humano; é o que constatamos através da leitura de uma carta endereçada por Saint-Martin, do Oriente de Bordeaux, com data de 25 de março de 1771.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Quanto à confiança que vos dignais a testemunhar-me, abrindo-me sem escrúpulos vosso pensamento sobre nossas cerimônias, não me compete, tendo em vista nossa dignidade, fazer qualquer observação a respeito; e, diante de meu juiz, eu só deveria escutar e calar. Entretanto, as disposições puras que trazeis à Sabedoria fazem-me supor que poderíeis perdoar-me antecipadamente se ouso acrescentar, às vossas, algumas idéias próprias. Procuro, como vós, esclarecer-me... Confesso que o objetivo que buscamos na iniciação parece-me muito difícil de ser atingido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredito que, mesmo nos encontrando nas melhores condições, quando todas as cerimônias são empregadas com a maior regularidade, a Coisa pode ainda guardar seu véu para nós tanto quanto quiser; ela está tão pouco à disposição do homem que ele não pode, jamais, apesar de seus esforços, estar certo de obtê-la. Ele deve esperar e orar sempre, eis nossa condição. O espírito conduz seu sopro onde quer, quando quer, sem que saibamos de onde vem e para onde vai... Se o poder não se manifesta agora, ele poderá ocorrer mais tarde; se não se opera pela visão, ele prepara a forma daquele que se mantém puro para receber as impressões salutares, quando o espírito assim quiser. Não atribuais, então, o estado em que vos encontrais a algum problema de vossa parte ou à invalidade das cerimônias.&amp;quot;(10)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz procurava obter por carta maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Pelo que constatamos, os resultados práticos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam. Era necessário muito trabalho, como em qualquer sistema de iniciação, para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A correspondência entre Saint-Martin e Willermoz, iniciada em 1768, estendeu-se até 1773. Em 1771, Saint-Martin abandonou a carreira militar para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo. Durante dois anos empregou todo o tempo disponível para trabalhar ao lado do mestre; foi durante esse período que se familiarizou com a ritualística dos Cohens e com a doutrina de Martinez, bem como com todas as suas práticas iniciáticas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partiu de Bordeaux em maio de 1773, na ocasião em que Martinez preparava-se para viajar para as Antilhas. Antes de se despedir, entretanto, Saint-Martin foi recebido no último grau dos Cohens, aquele de Réaux-Croix, como atesta uma carta de Martinez, datada de 17 de abril de 1772: &amp;quot;Após ter examinado e reexaminado os candidatos Saint-Martin e Seres, por nossa votação ordinária e em conseqüência das ordens que recebemos, nós os ordenamos Réaux-Croix...&amp;quot;(11) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1773, finalmente, Saint-Martin conheceu Willermoz, em Lyon, após terem trocado correspondência durante cinco anos. Seu círculo de amizade limitava-se aos irmãos da Ordem: Grainville, Balzac, Hauterive, Bacon de la Chevalerie, o Abade Fournier e Willermoz. Permaneceu um ano em Lyon, seguindo para sua cidade natal e, posteriormente, para Paris. Em abril de 1785, Willermoz obteve sucesso com suas operações: a &amp;quot;Coisa ativa e inteligente&amp;quot; finalmente mostrou-se aos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, sabendo da notícia, partiu de Paris em junho do mesmo ano, com destino a Lyon, levando consigo uma bíblia em hebraico e um dicionário, para entreter-se na viagem. Ficou seis meses em Lyon, partindo mais tarde para Nápoles e Londres, onde tomou conhecimento das publicações de Willian Law, morto em 1761, e que pertencia à tradição de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Seríamos excessivamente prolixos se procurássemos seguir as pegadas do nosso Filósofo Desconhecido, ao longo de sua jornada terrena, onde a cada passo, não obstante, encontraríamos o exemplo dignificante e o traço indelével da imensa esteira de luz que marcou sua trajetória neste mundo. Difícil ainda seria penetrarmos na profundeza do seu pensamento, da sua filosofia, da sua doutrina de elevação e regeneração do homem na busca da iluminação e da paz...&amp;quot;(12) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi inicialmente de Lyon que o Filósofo Desconhecido procurou irradiar a luz, após a partida de Martinez para o Oriente Eterno. A direção da Ordem dos Elus Cohen não ficou com Saint-Martin nem com Willermoz, mas nas mãos de pessoas menos preparadas para levar adiante um sistema que ainda necessitava de aperfeiçoamento. Coube a Saint-Martin e a Willermoz a resignação de continuarem ocultamente a pesquisa da Verdade por suas próprias forças. O &amp;quot;Agente Incógnito&amp;quot; teria ditado inúmeras instruções e partes de um livro que Louis Claude de Saint-Martin publicou, destinado a lutar contra o materialismo vigente na época. (13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez por esse motivo Saint-Martin tenha iniciado uma série de viagens, verdadeiros apostolados, para realizar propaganda das idéias espiritualistas, recolher dados e informações iniciáticas e entrar em contato com discípulos e homens de ciência. Em todos esses contatos sempre conquistava novas amizades e discípulos para continuarem sua obra. Saint-Martin tinha uma conversa muito agradável, uma vez que seu verbo não fazia senão expressar sua paz interior, seus conhecimentos e a nobreza de sua alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os salões mais aristocráticos de Paris disputavam sua presença. Essas qualidades eram agradáveis às mulheres, que não hesitavam em convidá-lo para as festas, pensando em casar suas filhas. Mas o Filósofo Desconhecido quis dedicar-se integralmente à sua obra de divulgação do Espírito. Em 1778, em Toulouse, esteve prestes a se casar; contudo, esse projeto desvaneceu-se como todos os demais a esse respeito. Afirmava sentir uma voz no seu interior que lhe dizia ser ele originário de um lugar onde não existem mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agente Incógnito desapareceu de cena em 1788, época em que Saint-Martin retornou à Lyon, mas reapareceu em 1790 para destruir uma série de cadernos de instruções por ele próprio ditados: &amp;quot;Eu devolvi ao Agente&amp;quot;, conta-nos Willermoz, &amp;quot;a seu pedido, mais de 80 cadernos manuscritos inéditos, que destruiu.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Pasqually, ocorrida em 1774 em São Domingos, o centro oculto da iniciação Cohen passou a Lyon e foi lá, como contam seus biógrafos, &amp;quot;que o Filósofo Desconhecido, armado com a Sabedoria Divina, passou a fazer oposição à doutrina materialista dos Enciclopedistas. Combatendo o materialismo revolucionário e sua doutrina errônea inserida em uma pretensa filosofia da natureza e da história, Saint-Martin chamou o homem de volta à Verdade, fundamentando-se no princípio do conhecimento de si mesmo e na natureza do ser inteligente&amp;quot;.(14) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, entretanto, nunca ficou muito ligado ao rigor das instituições iniciáticas, mas, em razão da problemática da época, em pleno desenvolvimento da Revolução Francesa, procurou, para a salvaguarda das suas próprias doutrinas e das tradições de que então já era depositário, unir-se a grupos ou formar grupos cujos membros desejassem, sinceramente, dedicar-se ao culto da Verdade e à prática das Virtudes. Estudava, paralelamente, as doutrinas de Pasqually e de Swedenborg, as primeiras mostrando-lhe a ciência do Espírito e as segundas a ciência da Alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;A Revolução, em todas as suas fases, encontrou Saint-Martin sempre o mesmo, dedicado a seu objetivo. Por princípio, esteve acima das considerações de nascimento e opiniões, por isso não emigrou; enquanto se mantinha ao seu redor todo o horror das desordens e dos excessos, acreditou sempre que o bem podia surgir do terrível advento da Revolução Francesa, pela intermediação da Divina Providência; pensou ver um grande instrumento temporal no homem que se levantou para suprimir seus excessos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foi em 1793, quando a família e a sociedade dissolviam-se, que vendeu as suas últimas posses para manter e cuidar de seu pai, velho e paralítico. Na mesma época, não obstante os estreitos limites a que ficou reduzida a sua fortuna, contribuiu para as necessidades públicas de sua comunidade. Retornando à capital, foi atingido pelo decreto de expulsão dos nobres. Saint-Martin submeteu-se e deixou Paris.(15)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o terror revolucionário, era necessária muita prudência, mesmo para os assuntos iniciáticos. Saint-Martin recebeu um mandado de prisão, embora vivesse mergulhado nos estudos e na meditação, sem nunca ter feito política. Não subiu ao cadafalso porque Robespierre caiu em seguida. Havia a proteção do Alto, que o guiava na terra, obscurecida pela agitação dos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Uma corrente de prestígios inundou a inteligência humana em geral, e a dos parisienses em particular, porque a cidade, que comporta sábios e doutores de toda espécie, possui poucos que orientam seu pensamento na direção dos conhecimentos verdadeiros, e há menos ainda que buscam esses conhecimentos com um espírito reto. A maior parte deles não fazem mais que dissecar as cascas da Natureza, medir, pesar e enumerar todas as suas moléculas. Eles tentam, insensatos, a conquista de tudo que se encontra em composição no Universo, como se isso lhes fosse possível. Esses sábios, tão célebres e tão ruidosos, não sabem que o Universo (ou o Templo) é a imagem reduzida da indivisível e universal eternidade; eles podem contemplar e admirar, pelo espetáculo de suas propriedades e de suas maravilhas, ... mas jamais poderão conquistar o segredo de sua existência.&amp;quot;(16) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, para cumprir seu dever cívico, serviu na Guarda Nacional e, em Amboise, foi escolhido para ser um dos instrutores da Escola Normal Superior, que formava jovens professores; tomou parte em 1795 da primeira Assembléia Eleitoral, sem contudo tornar-se membro efetivo de qualquer corpo legislativo. O que buscava era o Conhecimento e a difusão de suas doutrinas. Jamais fez proselitismo e procurava ter por discípulos amigos fiéis da Verdade. Quem visse seu jeito humilde jamais poderia suspeitar de sua elevada espiritualidade. Sua docilidade para com o tratamento, sua serenidade, manifestava no entanto o sábio, O Novo Homem formado pela filosofia profunda do aperfeiçoamento moral e espiritual. A luz que irradiava de seu centro fazia justiça à sua condição de Homem-Espírito, o grande sol da transição ao século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi em 1788, em Estrasburgo, que Saint-Martin tomou conhecimento das obras de Jacob Böehme, o Teósofo Teutônico, através de Rodolphe de Salzmann. Surpreso, constatou que essa doutrina combinava com a de seu antigo mestre Martinez de Pasqually, sendo idênticas em essência.. Coube a ele a tarefa de fazer o feliz casamento das duas correntes doutrinárias, elaborando um sistema sintático, capaz de satisfazer seus anseios e colocar à disposição de todos os Homens de Desejo um caminho seguro para chegar à Iluminação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A síntese iniciática foi obtida em poucos anos de trabalho pelo nosso Filósofo Desconhecido, secundado que foi por seu colega Jean Baptiste Willermoz. Necessitava, entretanto, de uma transmissão iniciática da corrente de Böehme para associar à sua, advinha de Pasqually. Essa corrente alemã de Jacob Böehme foi obtida ao ser iniciada pelo Barão de Salzmann, em Estrasburgo, e confirmada na linha mais antiga dos Templários, ao associar-se com a Estrita Observância Templária, do Barão de Hund. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz foi o encarregado, em Lyon, de organizar o sistema maçônico do Rito Escocês Retificado, fruto do Convento de Wilhelmsbad de 1782. Coube a Saint-Martin a chefia e a realização de iniciações individuais da Ordem Interior dos Filósofos Desconhecidos. Vários alemães foram iniciados no novo sistema (muitos dos quais já eram discípulos de Martinez de Pasqually), ingressando na iniciação real que conduz à Iluminação e à Reintegração a partir deste mundo na Unidade Divina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin considerava as obras de Jacob Böehme de uma profundidade e de um valor inestimáveis e não se achava digno nem de desatar as sandálias de Jacob Böehme; entendia que seria necessário que o homem se tivesse tornado pedra ou demônio para não tirar proveito de tais obras. (17)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi assim que passou a estudar o alemão, com quase 50 anos de idade, para melhor penetrar no sentido oculto e no pensamento do autor. Procurou traduzir para o francês as principais obras do Mestre. A partir de então, sempre que se referia a Jacob Böehme dizia que o Iluminado teutônico foi a maior luz que veio a este mundo depois daquele que era a própria Luz, isto é, o Cristo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após ter percorrido parte da Europa, estabeleceu seu apostolado em Toulouse, Versailles e Lyon, sempre lançando a semente espiritual em uma terra que se tornou fecunda, recolhendo ele próprio as doutrinas mais apropriadas para o seu espírito e seu sistema. Mais tarde, centralizou sua ação em três cidades: Estrasburgo, Amboise e Paris, que eram, como confessou, seu paraíso, seu inferno e seu purgatório. Fora dessas cidades possuía membros correspondentes de sua sociedade, como o Barão de Kircheberger, que não chegou a conhecer, mas a quem enviou um emissário, o Conde Divonne, para certamente lhe transmitir a iniciação. Kircheberger era grande admirador das obras de Saint-Martin; pertencia à Escola de Böehme, da qual tomaram parte igualmente Khunrath e Gichtel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kircheberger escreveu a Saint-Martin que, segundo uma lenda corrente em sua Escola, a Virgem Celeste, a Divina Sofia, nos dias das núpcias compareceu com seu corpo celeste de Glória e escolheu Gichtel, vindo à sua casa, colocando em ordem seus papéis e completando com seu próprio punho os manuscritos por ele deixados inacabados. Em vida teria igualmente recebido favores de sua esposa celeste, pois como general venceu o exército de Luiz XIV, que pretendia conquistar Amsterdã, cidade onde o adepto residia. Durante toda a batalha, o general não teria saído do quarto.(18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não somente Saint-Martin acreditava no relato de Kircheberger, como lhe pedia maiores detalhes sobre Gichtel. &amp;quot;Se estivéssemos um perto do outro, escreveu-lhe Saint-Martin, eu também teria uma história de casamento para vos contar. Os mesmos passos foram dados por mim, mas de um modo um pouco diferente, embora chegando aos mesmos resultados. Creio, com efeito, ter conhecido a esposa de Gichtel..., mas não de modo tão particular como ele. Eis o que me aconteceu por ocasião do casamento de que falei: eu estava orando... e me foi dito intelectualmente, mas de modo muito claro, o seguinte: Depois que o Verbo é feito carne, nenhuma carne deve dispor dela própria sem que Ele o permita. Essas palavras penetram profundamente em meu ser; ainda que não tenham significado uma proibição formal, recusei-me a toda negociação posterior.&amp;quot;(19) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredita-se que a chave da iniciação está no desejo do homem de purificar-se, de evoluir e de atingir a iluminação. Essa evolução é necessária para remediar a degradação a que o homem se submeteu após a Queda Original. Antes, o homem podia obrar em conformidade com a Vontade do Pai, sendo dessa maneira poderoso, mas após ter se revestido de um envoltório material, suas capacidades espirituais atrofiaram-se e a Vontade e a pureza de outrora aniquilaram-se. Foi na cidade de Estrasburgo que Saint-Martin deu a um discípulo a chave de O Homem de desejo, que, por extensão, serve para a própria Iniciação:&lt;br /&gt;
A Chave do Homem de Desejo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Avant qu'Adam mangeât la pomme,&lt;br /&gt;
Sans effort nous pouviouns oeuvrer.&lt;br /&gt;
Depouis, L'oeuvre ne se consomme.&lt;br /&gt;
Qu'au edu pur d'un ardent supir;&lt;br /&gt;
La Clef de l'Homme de Désir&lt;br /&gt;
Doit naître du désir de l'homme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto é, antes de Adão ter comido a maçã, o homem podia realizar sua obra sem esforço; depois, a obra não se concretiza a não ser com a ajuda do fogo puro, emanado de um ardente suspiro, advindo do grande esforço individual. Assim, a chave do Homem de Desejo deve nascer do desejo do homem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu livro O Homem de Desejo, publicado pela primeira vez em 1790, são litânias no estilo do salmista, nas quais a alma humana evolui para o seu primeiro estágio, num caminho que o Espírito pode ajudá-la a percorrer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin escreveu este livro por sugestão do filósofo religioso Thiaman, durante suas viagens a Estrasburgo e a Londres. Lavater, então clérico em Zurique, elogiou essa obra como um dos livros que mais tinha gostado, embora reconhecesse não ter tido condições de penetrar nas bases da doutrina exposta. Kircheberger, mais familiar aos princípios do livro, considerou-o como o mais rico em pensamentos iluminados. O próprio Saint-Martin concordou que nesse livro encontram-se os germes do conhecimento que ignorava até a leitura das obras de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo de seu livro O Homem de Desejo é mostrar que o homem deve confiar na Regeneração, chamando sua atenção para a necessidade de retorno ao Mundo Divino de onde saiu e ao trabalho que deverá realizar para alcançar esse objetivo, isto é, concentrando suas forças pelo desejo ardente de aperfeiçoar-se e tornar-se um homem de vontade forte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não há nenhum outro mistério para se chegar a essa sagrada iniciação, senão penetrando cada vez mais no fundo de nosso ser e não esmorecendo até que possamos produzir a viva e edificante raiz; porque, então, todos os frutos que haveremos de gerar, conforme nossa espécie, serão produzidos dentro de nós e sem nós, naturalmente; é o que ocorre com nossas árvores terrestres, porque elas aderem às próprias raízes e, incessantemente, retiram sua seiva.&amp;quot;(20) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compreende-se, assim, que o ensinamento deixado por Saint-Martin, e que veio de Martinez de Pasqually e de Jacob Böehme, era muito profundo e de natureza divina. Constitui-se uma Escola de Homens de Desejo, ávidos por adquirirem conhecimentos, uma elite do pensamento, embaçada em um sistema filosófico iniciático, tendo como objetivo o desenvolvimento moral e espiritual do homem. Não é uma Escola de especulação abstrata, mas um centro onde os membros procuram conhecer a doutrina e a experiência dos mestres e onde procuram vivê-la na vida diária, para atingir a perfeição interior, através de um processo de autotransformação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de homens livres eram formados por um pequeno número de pessoas inteligentes e de mente sã, escrupulosamente examinadas, Saint-Martin dizia que as grandes verdades só podem ser bem ensinadas no silêncio. Todos aqueles que não sabem calar, que falam mais do que observam, não podem ser recebidos na senda interior. Saber guardar o silêncio é condição indispensável para que o homem se torne digno de receber outros ensinamentos cada vez mais profundos, emanados não apenas de seu iniciador, como do próprio Mundo Invisível. Para isso, necessitamos de treinamento, que se efetua guardando-se o silêncio em relação às pequenas coisas, mesmo profanas. Qualquer sociedade iniciática não pode ser aberta, pois assim perderia a força que porventura tivesse recebido do Alto. Guardar o silêncio significa fechar-se às influências exteriores, às opiniões contrárias que só trazem ações conflitantes. Fechar-se em torno de si mesmo é magnetizar-se; é evitar que as próprias forças divinas se dispersem na Natureza, passando por nós. É criar um pólo de atração; é tornar-se um receptáculo das influências celestes; é tornar-se a taça que recebe o influxo divino.&lt;br /&gt;
A Iniciação é um processo interior de aperfeiçoamento do homem, tornando-o apto a receber as forças divinas. O homem é a soma de todos os problemas da existência; é a síntese, o enigma dos enigmas, a pedra bruta que deve ser talhada e aperfeiçoada. Esse desenvolvimento deve ocorrer de tal modo que o ser criado se religue ao Criador, através da aproximação da natureza impura com a natureza pura. Por isso, a primeira deve ser trabalhada até ficar quase no mesmo estado da segunda; somente depois haverá uma atração tal, que a Natureza Superior descerá até a inferior, purificando-a em definitivo e deixando-a conforme ela mesma: é a Iluminação do Iniciado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele que possuir o conhecimento de si mesmo terá acesso à ciência do mundo, dos demais seres. O conhecimento de si próprio é somente em si que deve buscar. É no espírito do homem que se devem encontrar as leis que dirigem sua origem. É preciso, pois, que o iniciado encontre seu centro iniciático, a divindade em si, para adquirir o pleno conhecimento de si mesmo. É necessário conhecer suas fraquezas para melhor dominá-las e não voltar a praticar os mesmos erros. Jesus Cristo dizia aos homens para não pecarem mais menos, até o dia em que, tendo encontrado seu equilíbrio iniciático, possam chegar a não pecar mais. Sua luta deve ser constante, contra as paixões, suas contrariedades internas e a ira. A docilidade representa a presença de Deus no centro iniciático; a ira representa a sua ausência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O homem não pode ser integralmente livre da ira e do pecado porque os movimentos do abismo deste mundo tampouco são totalmente puros ante o coração de Deus; o amor e a ira sempre lutam entre si.&amp;quot;(21)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A doutrina de Saint-Martin difundiu-se na Alemanha e na Rússia, através de seus discípulos. Na Rússia, a doutrina martinista encontrou um grande divulgador em Joseph de Maistre, que afirmava a existência de Deus no interior de cada indivíduo e, por conseguinte, que o segredo de toda a iniciação consistia em descobrir o centro iniciático próprio, a senda interior, a fim de proceder ao próprio desenvolvimento espiritual. Assim, a iniciação é uma senda real, interior, individual, e não se encontra no exterior, nas sociedades ou no Enciclopedismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1803, o Filósofo Desconhecido dava seus últimos passos em direção à Eternidade, pois sua saúde mostrava-se débil. Mas não se afligiu com essa perspectiva; ao contrário, dizia que a Providência sempre lhe havia dispensado muito cuidado, de modo que só poderia render-lhe graças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta-nos Gence que certa vez, visitando um amigo comum, Saint-Martin confessou-lhe que estava partindo para o Oriente Eterno e no dia seguinte, visitando seu amigo o Conde Lenoir la Roche, em Aulnay, após leve refeição, retirou-se para o quarto; sofreu um ataque de apoplexia e partiu. Era o dia 13 de outubro de 1803. Foi então que seus discípulos e amigos perderam a convivência física com o Mestre, mas ganharam a eterna e permanente proteção espiritual que nos envia do Reino da Glória, através dos Mundos Invisíveis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a obra de Louis Claude de Saint-Martin continua através dos Grupos de Iniciados que seguem sua doutrina. A Conquista da Iluminação é o objetivo último de todos os Homens de Desejo, que encontram nas obras do Mestre e no seu exemplo, como Homem e como Iniciado, o respaldo necessário para prosseguir na senda sem desânimo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que cada um possa transformar-se em um Novo Homem, renascido pela Luz, que resplandece na alma de todos, e que engendrará, no futuro, o Homem-Espírito, o novo Sol que acalentará os corações de todos com seu procedimento e com sua serenidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras de Louis Claude de Saint-Martin==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1-) Des Erreurs et de la Vérité, ou les Hommes Rappelés au Principe Universel de la Science. Edimbourg, 1775, 2 vol.&lt;br /&gt;
2-) Suite des Erreurs et de la Vérité. A Salomonopolis, Androphile, 1784.&lt;br /&gt;
3-) Tableau Naturel des Rapports qui Existent entre Dieu, l'Homme et l'Univers. Édimbourg. 1782.&lt;br /&gt;
4-) L'Homme de Désir. Lyon, 1790.&lt;br /&gt;
5-) Ecce Homo. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
6-) Le Nouvel Homme. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
7-) Letre à un Ami, ou Considérations Philosophiques et Religieuses sur la Révolution Française. Paris, Louvet, Palais, Égalité, 1796.&lt;br /&gt;
8-) Éclair sur l'Association Humaine. Paris, Marais, 1797. &lt;br /&gt;
9-) Le Crocodille ou la Guerre du Bien et du Mal, Arrivée sous le Règne de Louis XV. Paris, Cercle Social, 1798.&lt;br /&gt;
10-) Réflexiones d'un Observateur sur la Question Proposée por l'Institut: &amp;quot;Quelles sont les Institutions les plus Propres à Fonder la Morale d'un Peuple?. Paris, 1798.&lt;br /&gt;
11-) De l'Influence des Signes sur la Pensée (inserido incialmente no Crocodile). Paris, 1799.&lt;br /&gt;
12-) L'Esprit des Choses ou Coup d'Deil Philosophique sur la Nature des Étres et sur l'Objet de leur Existence. Paris, 1800, 2 vol.&lt;br /&gt;
13-) Le Ministère de l'Homme-Esprit. Paris, 1802.&lt;br /&gt;
14-) Oeuvres Posthumes de Saint-Martin. Tours, 1807, 2vol.&lt;br /&gt;
15-) Traité des Nombres. S/1, M. Léon, 1844.&lt;br /&gt;
16-) Correspondence de Saint-Martin avec Kircheberger, Baron de Liebisdorf, des annèes 1792 a 1799, S. n. t. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Traduções das obras de Jacob Boehme==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17-) L'Aurore Naissante ou la Racine de la Philosophie, de l'Astrologie et de la Théologie. Paris, 1800.&lt;br /&gt;
18-)Des Trois Principes de l'Essence Divine ou de l'Eternel Engendrement sans Origine de l'Homme, d'où il a été Crée et pour quelle Fin. Paris, 1802, 2 vol. &lt;br /&gt;
19-)Quarente Questions sur l'Origine, l'Essence, l'Etre, la Nature et la Propriété de l'Âme, suivies des &amp;quot;Six Poit&amp;quot;. Paris, 1807.&lt;br /&gt;
20-) De la Triple Vie de l'Homme selon de Mystère des Trois Principes de la Manifestation Divine. Paris, 1809.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- SAINT-MARTIN, L. C. Oeuvres Posthumes; Portrait Historique et Phisosophique de Saint-Martin fait par lui-même, p. 58-59. &lt;br /&gt;
2- Id., t.1, p.5.&lt;br /&gt;
3- Id., t.1, p.78-9.&lt;br /&gt;
4- J. B. M. Gence foi discípulo de Saint-Martin e com ele conviveu longos anos: seu relato encontra-se no prefácio de Teosophic Correspondence between L. C. de Saint-Martin and Kircheberger, Baron de Liebistorf, P. V.&lt;br /&gt;
5- Id., p. VI.&lt;br /&gt;
6- PAPUS. L'Illuminismo en France, 1771-1803: Louis-Claude de Saint-Martin, as Vie, as Voie Theurgique, ses Oeuvrages, son Oeuvre, ses Disciples, suivi de la Publicatino de 50 Letters Inédites, p. 109.&lt;br /&gt;
7- MATER, M. Saint-Martin, le Philosophe Inconnu. Ed. d'Aujourd'hui, p. 20.&lt;br /&gt;
8- SAINT-MARTIN, L. C. Theosophic Correspondense, op. Cit. Carta XCII.&lt;br /&gt;
9- Id. Carta IV.&lt;br /&gt;
10- PAPUS. Louis Claude de S. Martin. 1902.&lt;br /&gt;
11- Id., p. 12.&lt;br /&gt;
12- Comentário deixado por Ary Ilha Xavier, profundo conhecedor das obras de Saint-Martin.&lt;br /&gt;
13- Des Erreurs et de la Vérité. Edimbourg, 1775, 2v.&lt;br /&gt;
14- Gence. Op. Cit., p. IV.&lt;br /&gt;
15- Id., p. VII.&lt;br /&gt;
16- SAINT-MARTIN, L.C. Le Crocodile, Canto XV, p.53.&lt;br /&gt;
17- SAINT-MARTIN, L.C. Mont Portrait. Op. Cit., p. 42.&lt;br /&gt;
18- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Op. Cit. Carta LVIII.&lt;br /&gt;
19- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence Op. Cit. Carta LXII.&lt;br /&gt;
20- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Carta número CX.&lt;br /&gt;
21- BÖEHME, J. Confesiones, p. 44.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Biografias]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: Saint-Martin, o &amp;quot;Filósofo Desconhecido&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Saint-Martin, o &amp;quot;Filósofo Desconhecido&amp;quot;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<title>Louis Claude de Saint-Martin</title>
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		<updated>2007-10-24T06:29:52Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:SaintMartin.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Louis Claude de Saint-Martin, o &amp;quot;Filósofo Desconhecido&amp;quot;, pensador profundo e grande iniciado, nasceu a 18 de janeiro de 1743 em Amboise, Tourraine, no centro da França, no seio de uma família nobre, mas pouco abastada e desconhecida. Logo depois do nascimento de Saint-Martin, sua mãe faleceu, e ele foi criado pelo pai e por uma madrasta, pessoa amável e de bom coração, que o iniciou na leitura de Jacques Abbadie, ministro protestante de Genebra. Com esse autor, apreendeu a conhecer a si mesmo, relegando a um plano secundário a análise decepcionante e estéril dos filósofos em voga na época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Influências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;É à obra de Abbadie, A Arte de Conhecer a Si Mesmo, que devo meu afastamento das coisas mundanas; é a Burlamaqui que devo minha inclinação pelas bases naturais da razão; é a Martinez de Pasqually que devo meu ingresso nas verdades superiores; é a Jacob Böehme que devo meus passos mais importantes nos caminhos da Verdade.&amp;quot;(1) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro autor que influenciou o Filósofo Desconhecido desde sua juventude foi Pascal. Aos 18 anos, em meio às discussões filosóficas dos livros que lia, deu-se conta de que, existindo o Criador do Universo e uma alma, nada mais seria necessário para ser sábio. (2) Foi com base nessas concepções que fundou sua doutrina posterior. Na época de seus estudos no Colégio de Pontlevoi, o Ocultismo já fazia parte de suas meditações. Na Faculdade, igualmente, eram os estudos metafísicos que o atraíam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Formação==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudou Direito conforme a vontade de seu pai, e esse ambiente proporcionou-lhe maior contato com o mundo filosófico e literário da época. Conheceu as obras de Voltaire, Rousseau, Montesquieu e outros autores não iniciados, mas sem ceder à inclinação dos enciclopedistas. &amp;quot;Li, vi e escutei os filósofos da matéria e os doutores que devastam o mundo com suas instruções; nenhuma gota de seus venenos penetrou-me; nem as mordidas de uma só dessas serpentes prejudicaram-me.&amp;quot;(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jovem estudante procurava tudo o que pudesse conduzi-lo ao conhecimento da Verdade, particularmente as ciências e princípios exatos. Dedicou-se assim ao estudo filosófico dos números e, por algum tempo, esteve ligado a Lalande e sua escola filosófica, sintetizada em Ciência dos Números. Esse convívio, entretanto, não foi longo, pois seus pontos de vista eram divergentes e nosso Filósofo passou a estudar Jean Jacques Rousseau. Como ele, pensava ser o homem naturalmente bom; mas entendia que as virtudes perdidas originalmente, em razão da Queda, poderiam ser reconquistadas desde que o homem o desejasse ardentemente. Acreditava que o naufrágio no materialismo era conseqüência mais das associações viciosas e desvirtuadas do que do pecado original. E, nisso, afirma-nos seu discípulo Gence(4), ele se diferenciava de Rousseau, a quem considerava um misantropo por sua excessiva sensibilidade, ao olhar os homens, não como eram, mas como gostaria que fossem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin amava a humanidade e considerava-a melhor do que parecia ser; e o encanto da sociedade da época levou nosso Filósofo a pensar que a vivência nas rodas sociais poderia levá-lo ao melhor conhecimento do homem e conduzi-lo à intimidade mais perfeita com os seus princípios. Assim, agiu conforme seu pensamento: freqüentou os saraus musicais e toda sorte de recreações da alta nobreza, desde os passeios ao campo até as conversas com amigos; os atos de gentileza eram a manifestação de sua própria alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foram de sua intimidade as pessoas da mais alta classe, dentre as quais podemos citar o Marquês de Lusignan, o Marechal de Richelieu, o Duque de Orléans, a Duquesa de Bourbon, o Cavaleiro de Fouflers e tantos outros que seria longo enumerar. Devotou-se inteiramente à busca da Verdade e à prática das Virtudes, que foram o objeto constante de seus estudos, dos seus trabalhos e das suas realizações.&amp;quot;(5) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Iniciado, pois no estudo das leis e da jurisprudência, aplicou-se mais à pesquisa das bases naturais da Justiça, relegando a um plano secundário as regras da jurisprudência. Paralelamente, desenvolvia seus estudos sobre os mistérios ocultos e logo descobriu que não poderia dedicar-se inteiramente à magistratura, como desejava sua família. Não encontrando sua vocação no Direito, abandonou a magistratura que exerceu em Tours durante seis meses. Alistou-se aos 22 anos de idade no Regimento de Foix, então aquartelado em Boudeaux, onde pode encontrar mais tempo para dedicar-se ao estudo do Ocultismo, que era sua verdadeira vocação. Após ter lido os autores mais em evidência no gênero, procurou a iniciação de uma maneira mais efetiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Caminho iniciático==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi graças a um colega do Regimento, Grainville, que bateu às portas do Templo. Grainville era iniciado em uma sociedade oculta muito importante, cujo chefe era Martinez de Pasqually. Este era casado com uma sobrinha do maior, comandante do Regimento, que se encontrava na mesma cidade de residência de Martinez. A Escola de Pasqually, seu iniciador nas práticas teúrgicas, era a Ordem dos Elus Cohens do Universo (Sacerdotes Eleitos), revigorada mais tarde pela ação de Saint-Martin e Jean Baptiste Willermoz, sob a inspiração das obras de M. Pasqually e de J. Böehme e a partir de suas próprias pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fins de 1768, Saint-Martin foi iniciado nos três primeiros graus simbólicos da referida Ordem pela espada de Balzac, avô de Honoré de Balzac, o famoso romancista francês das primeiras décadas do século XIX. Com efeito, em carta de 12 de agosto de 1771, dirigida a seu colega Willermoz, de Lyon, confirmou ter sido iniciado por Balzac e que recebera de uma só vez os três graus simbólicos. &amp;quot;Não é comum darem-se os três graus simbólicos ao mesmo tempo; deixam-se, ao contrário&amp;quot;, prosseguiu Saint-Martin na referida carta, &amp;quot;grandes intervalos de tempo entre um grau e outro, segundo o progresso de cada um.&amp;quot;(6) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, Saint-Martin submeteu-se em seguida ao método iniciático de Pasqually, de quem se tornou secretário particular e discípulo zeloso. Mas não deixou, logo depois, de criticar seu primeiro Mestre, por não concordar com tudo o que era feito em tal sistema. Considerava supérfluas todas as manifestações físicas exteriores e todos os detalhes do cerimonial Cohen: &amp;quot;São necessárias todas essas coisas para orar a Deus?&amp;quot;, perguntou Saint-Martin a seu mestre Martinez. &amp;quot;É preciso que nos contentemos com o que temos&amp;quot;(7), respondeu o Grão-Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade, era necessário trabalhar mais profundamente no sentido interior para produzir a luz. Isso certamente Martinez teria feito dentro de seu próprio sistema, se não tivesse partido da França e falecido em seguida. Sua semente ficou, no entanto, e coube a Saint-Martin e a Willermoz cuidar da planta que deveria nascer. A Providência Divina não os deixou abandonados; inspirou-os constantemente, colocando em seu caminho homens que os ajudaram, direta ou indiretamente, e proporcionando-lhes o conhecimento do sistema de Jacob Böehme. Esse sistema confirmou as descobertas que tinham feito e abriu as portas para a obtenção das chaves ainda não encontradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época em que conheceu Pasqually, tinha pouco mais de vinte e cinco anos e acabava de debutar no Ocultismo, de sorte que nem todas verdades da Iniciação pode receber de seu primeiro mestre, com o qual permaneceu cinco anos. Soube reconhecer mais tarde sua grandeza (porque é bom que se afirme que Martinez de Pasqually foi um adepto de grande iluminação). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Havia coisas preciosas em nossa primeira Escola&amp;quot;, relata Saint-Martin a seu discípulo Kircheberger. &amp;quot;Sou mesmo induzido a pensar que o Sr. Martinez de Pasqually, que era nosso mestre, possuía a chave ativa referente a tudo o que nosso prezado Jacob Böehme expõe em suas teorias, mas não julgava que fôssemos capazes de entender tão altas verdades, naquela época. Ele era sabedor de alguns pontos que nosso amigo Böehme não conhecia, ou pelo menos não revelou, como a resipiscência do ser perverso, contra o qual o primeiro homem teria tido a missão de trabalhar... Quanto à Sofia e ao Rei do Mundo, ele nada nos revelou, deixando-nos com as noções comuns de Maria e do Demônio. Mas não afirmarei que ele não teve conhecimento delas e estou convicto de que chegaríamos a esse conhecimento, se o tivéssemos conosco por mais tempo...&amp;quot;(8)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin nunca concordou com a iniciação realizada fora do silêncio e da realidade invisível, que chamava de centro ou via interior. Para ele, o interior deve ser o termômetro, a verdadeira pedra de toque do que passa fora...; e o estudo da Natureza exterior só teria sentido se conduzisse à senda interior, ativa. Esse estudo poderia, pois, ser útil na medida em que conduzisse à Verdade, mas a Iniciação, explicava ele a Kircheberger, deve agir no ser central.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não lhe ocultarei que anteriormente entrei nesse caminho externo, e através dele me foi aberta a porta de minha carreira. Meu condutor era um homem de muitas virtudes ativas, e a maioria daqueles que o seguiram, inclusive eu, receberam confirmações que talvez tenham sido úteis para nossa instrução e desenvolvimento. Todavia, em todos os instantes, eu sentia forte inclinação para o caminho intimamente secreto, o externo nunca me seduziu, nem em minha juventude.&amp;quot;(9) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entendia Saint-Martin que todo o aparato exterior não era necessário para encontrar Deus e que, ao contrário, em muitas ocasiões dificultava essa busca. Discordava das numerosas e freqüentes comunicações sensíveis de todos os tipos, manifestadas nos trabalhos de que tomava parte na sua primeira Escola, embora o signo do Reparador sempre estivesse presente, manifestando a ação da Causa Ativa e Inteligente no mundo objetivo. Afirmava, no entanto, que sua senda interior, desenvolvida depois, proporcionava-lhe resultados mil vezes superiores aos produzidos pela senda que denominava exterior e que era preconizada por Pasqually.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afirmava, no entanto, e é bom repetir, que deveria haver trabalhos internos da Ordem que não lhes foram transmitidos por causa de sua curta passagem pelo sistema e por não terem ainda passado pelos estágios iniciais. O Mestre não poderia ter agido de modo diferente, revelam-lhes os mistérios de ordem mais elevada. Acreditava, ademais, que os Princípios Divinos poderiam mesmo nascer naquele sistema, mas os trabalhos para esse efeito deveriam ser mais alguns anos com Pasqually. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não apenas Saint-Martin discordava do sistema de Martinez, uma vez que os resultados não se produziam de imediato; todos os discípulos reclamavam resultados espirituais que, em verdade, dependiam deles próprios. Willermoz parece ter sido o primeiro a manifestar a Saint-Martin seu descontentamento no que dizia respeito ao desenvolvimento das faculdades adormecidas do ser humano; é o que constatamos através da leitura de uma carta endereçada por Saint-Martin, do Oriente de Bordeaux, com data de 25 de março de 1771.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Quanto à confiança que vos dignais a testemunhar-me, abrindo-me sem escrúpulos vosso pensamento sobre nossas cerimônias, não me compete, tendo em vista nossa dignidade, fazer qualquer observação a respeito; e, diante de meu juiz, eu só deveria escutar e calar. Entretanto, as disposições puras que trazeis à Sabedoria fazem-me supor que poderíeis perdoar-me antecipadamente se ouso acrescentar, às vossas, algumas idéias próprias. Procuro, como vós, esclarecer-me... Confesso que o objetivo que buscamos na iniciação parece-me muito difícil de ser atingido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredito que, mesmo nos encontrando nas melhores condições, quando todas as cerimônias são empregadas com a maior regularidade, a Coisa pode ainda guardar seu véu para nós tanto quanto quiser; ela está tão pouco à disposição do homem que ele não pode, jamais, apesar de seus esforços, estar certo de obtê-la. Ele deve esperar e orar sempre, eis nossa condição. O espírito conduz seu sopro onde quer, quando quer, sem que saibamos de onde vem e para onde vai... Se o poder não se manifesta agora, ele poderá ocorrer mais tarde; se não se opera pela visão, ele prepara a forma daquele que se mantém puro para receber as impressões salutares, quando o espírito assim quiser. Não atribuais, então, o estado em que vos encontrais a algum problema de vossa parte ou à invalidade das cerimônias.&amp;quot;(10)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz procurava obter por carta maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Pelo que constatamos, os resultados práticos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam. Era necessário muito trabalho, como em qualquer sistema de iniciação, para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A correspondência entre Saint-Martin e Willermoz, iniciada em 1768, estendeu-se até 1773. Em 1771, Saint-Martin abandonou a carreira militar para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo. Durante dois anos empregou todo o tempo disponível para trabalhar ao lado do mestre; foi durante esse período que se familiarizou com a ritualística dos Cohens e com a doutrina de Martinez, bem como com todas as suas práticas iniciáticas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partiu de Bordeaux em maio de 1773, na ocasião em que Martinez preparava-se para viajar para as Antilhas. Antes de se despedir, entretanto, Saint-Martin foi recebido no último grau dos Cohens, aquele de Réaux-Croix, como atesta uma carta de Martinez, datada de 17 de abril de 1772: &amp;quot;Após ter examinado e reexaminado os candidatos Saint-Martin e Seres, por nossa votação ordinária e em conseqüência das ordens que recebemos, nós os ordenamos Réaux-Croix...&amp;quot;(11) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1773, finalmente, Saint-Martin conheceu Willermoz, em Lyon, após terem trocado correspondência durante cinco anos. Seu círculo de amizade limitava-se aos irmãos da Ordem: Grainville, Balzac, Hauterive, Bacon de la Chevalerie, o Abade Fournier e Willermoz. Permaneceu um ano em Lyon, seguindo para sua cidade natal e, posteriormente, para Paris. Em abril de 1785, Willermoz obteve sucesso com suas operações: a &amp;quot;Coisa ativa e inteligente&amp;quot; finalmente mostrou-se aos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, sabendo da notícia, partiu de Paris em junho do mesmo ano, com destino a Lyon, levando consigo uma bíblia em hebraico e um dicionário, para entreter-se na viagem. Ficou seis meses em Lyon, partindo mais tarde para Nápoles e Londres, onde tomou conhecimento das publicações de Willian Law, morto em 1761, e que pertencia à tradição de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Seríamos excessivamente prolixos se procurássemos seguir as pegadas do nosso Filósofo Desconhecido, ao longo de sua jornada terrena, onde a cada passo, não obstante, encontraríamos o exemplo dignificante e o traço indelével da imensa esteira de luz que marcou sua trajetória neste mundo. Difícil ainda seria penetrarmos na profundeza do seu pensamento, da sua filosofia, da sua doutrina de elevação e regeneração do homem na busca da iluminação e da paz...&amp;quot;(12) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi inicialmente de Lyon que o Filósofo Desconhecido procurou irradiar a luz, após a partida de Martinez para o Oriente Eterno. A direção da Ordem dos Elus Cohen não ficou com Saint-Martin nem com Willermoz, mas nas mãos de pessoas menos preparadas para levar adiante um sistema que ainda necessitava de aperfeiçoamento. Coube a Saint-Martin e a Willermoz a resignação de continuarem ocultamente a pesquisa da Verdade por suas próprias forças. O &amp;quot;Agente Incógnito&amp;quot; teria ditado inúmeras instruções e partes de um livro que Louis Claude de Saint-Martin publicou, destinado a lutar contra o materialismo vigente na época. (13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez por esse motivo Saint-Martin tenha iniciado uma série de viagens, verdadeiros apostolados, para realizar propaganda das idéias espiritualistas, recolher dados e informações iniciáticas e entrar em contato com discípulos e homens de ciência. Em todos esses contatos sempre conquistava novas amizades e discípulos para continuarem sua obra. Saint-Martin tinha uma conversa muito agradável, uma vez que seu verbo não fazia senão expressar sua paz interior, seus conhecimentos e a nobreza de sua alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os salões mais aristocráticos de Paris disputavam sua presença. Essas qualidades eram agradáveis às mulheres, que não hesitavam em convidá-lo para as festas, pensando em casar suas filhas. Mas o Filósofo Desconhecido quis dedicar-se integralmente à sua obra de divulgação do Espírito. Em 1778, em Toulouse, esteve prestes a se casar; contudo, esse projeto desvaneceu-se como todos os demais a esse respeito. Afirmava sentir uma voz no seu interior que lhe dizia ser ele originário de um lugar onde não existem mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agente Incógnito desapareceu de cena em 1788, época em que Saint-Martin retornou à Lyon, mas reapareceu em 1790 para destruir uma série de cadernos de instruções por ele próprio ditados: &amp;quot;Eu devolvi ao Agente&amp;quot;, conta-nos Willermoz, &amp;quot;a seu pedido, mais de 80 cadernos manuscritos inéditos, que destruiu.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Pasqually, ocorrida em 1774 em São Domingos, o centro oculto da iniciação Cohen passou a Lyon e foi lá, como contam seus biógrafos, &amp;quot;que o Filósofo Desconhecido, armado com a Sabedoria Divina, passou a fazer oposição à doutrina materialista dos Enciclopedistas. Combatendo o materialismo revolucionário e sua doutrina errônea inserida em uma pretensa filosofia da natureza e da história, Saint-Martin chamou o homem de volta à Verdade, fundamentando-se no princípio do conhecimento de si mesmo e na natureza do ser inteligente&amp;quot;.(14) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, entretanto, nunca ficou muito ligado ao rigor das instituições iniciáticas, mas, em razão da problemática da época, em pleno desenvolvimento da Revolução Francesa, procurou, para a salvaguarda das suas próprias doutrinas e das tradições de que então já era depositário, unir-se a grupos ou formar grupos cujos membros desejassem, sinceramente, dedicar-se ao culto da Verdade e à prática das Virtudes. Estudava, paralelamente, as doutrinas de Pasqually e de Swedenborg, as primeiras mostrando-lhe a ciência do Espírito e as segundas a ciência da Alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;A Revolução, em todas as suas fases, encontrou Saint-Martin sempre o mesmo, dedicado a seu objetivo. Por princípio, esteve acima das considerações de nascimento e opiniões, por isso não emigrou; enquanto se mantinha ao seu redor todo o horror das desordens e dos excessos, acreditou sempre que o bem podia surgir do terrível advento da Revolução Francesa, pela intermediação da Divina Providência; pensou ver um grande instrumento temporal no homem que se levantou para suprimir seus excessos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foi em 1793, quando a família e a sociedade dissolviam-se, que vendeu as suas últimas posses para manter e cuidar de seu pai, velho e paralítico. Na mesma época, não obstante os estreitos limites a que ficou reduzida a sua fortuna, contribuiu para as necessidades públicas de sua comunidade. Retornando à capital, foi atingido pelo decreto de expulsão dos nobres. Saint-Martin submeteu-se e deixou Paris.(15)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o terror revolucionário, era necessária muita prudência, mesmo para os assuntos iniciáticos. Saint-Martin recebeu um mandado de prisão, embora vivesse mergulhado nos estudos e na meditação, sem nunca ter feito política. Não subiu ao cadafalso porque Robespierre caiu em seguida. Havia a proteção do Alto, que o guiava na terra, obscurecida pela agitação dos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Uma corrente de prestígios inundou a inteligência humana em geral, e a dos parisienses em particular, porque a cidade, que comporta sábios e doutores de toda espécie, possui poucos que orientam seu pensamento na direção dos conhecimentos verdadeiros, e há menos ainda que buscam esses conhecimentos com um espírito reto. A maior parte deles não fazem mais que dissecar as cascas da Natureza, medir, pesar e enumerar todas as suas moléculas. Eles tentam, insensatos, a conquista de tudo que se encontra em composição no Universo, como se isso lhes fosse possível. Esses sábios, tão célebres e tão ruidosos, não sabem que o Universo (ou o Templo) é a imagem reduzida da indivisível e universal eternidade; eles podem contemplar e admirar, pelo espetáculo de suas propriedades e de suas maravilhas, ... mas jamais poderão conquistar o segredo de sua existência.&amp;quot;(16) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, para cumprir seu dever cívico, serviu na Guarda Nacional e, em Amboise, foi escolhido para ser um dos instrutores da Escola Normal Superior, que formava jovens professores; tomou parte em 1795 da primeira Assembléia Eleitoral, sem contudo tornar-se membro efetivo de qualquer corpo legislativo. O que buscava era o Conhecimento e a difusão de suas doutrinas. Jamais fez proselitismo e procurava ter por discípulos amigos fiéis da Verdade. Quem visse seu jeito humilde jamais poderia suspeitar de sua elevada espiritualidade. Sua docilidade para com o tratamento, sua serenidade, manifestava no entanto o sábio, O Novo Homem formado pela filosofia profunda do aperfeiçoamento moral e espiritual. A luz que irradiava de seu centro fazia justiça à sua condição de Homem-Espírito, o grande sol da transição ao século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi em 1788, em Estrasburgo, que Saint-Martin tomou conhecimento das obras de Jacob Böehme, o Teósofo Teutônico, através de Rodolphe de Salzmann. Surpreso, constatou que essa doutrina combinava com a de seu antigo mestre Martinez de Pasqually, sendo idênticas em essência.. Coube a ele a tarefa de fazer o feliz casamento das duas correntes doutrinárias, elaborando um sistema sintático, capaz de satisfazer seus anseios e colocar à disposição de todos os Homens de Desejo um caminho seguro para chegar à Iluminação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A síntese iniciática foi obtida em poucos anos de trabalho pelo nosso Filósofo Desconhecido, secundado que foi por seu colega Jean Baptiste Willermoz. Necessitava, entretanto, de uma transmissão iniciática da corrente de Böehme para associar à sua, advinha de Pasqually. Essa corrente alemã de Jacob Böehme foi obtida ao ser iniciada pelo Barão de Salzmann, em Estrasburgo, e confirmada na linha mais antiga dos Templários, ao associar-se com a Estrita Observância Templária, do Barão de Hund. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz foi o encarregado, em Lyon, de organizar o sistema maçônico do Rito Escocês Retificado, fruto do Convento de Wilhelmsbad de 1782. Coube a Saint-Martin a chefia e a realização de iniciações individuais da Ordem Interior dos Filósofos Desconhecidos. Vários alemães foram iniciados no novo sistema (muitos dos quais já eram discípulos de Martinez de Pasqually), ingressando na iniciação real que conduz à Iluminação e à Reintegração a partir deste mundo na Unidade Divina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin considerava as obras de Jacob Böehme de uma profundidade e de um valor inestimáveis e não se achava digno nem de desatar as sandálias de Jacob Böehme; entendia que seria necessário que o homem se tivesse tornado pedra ou demônio para não tirar proveito de tais obras. (17)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi assim que passou a estudar o alemão, com quase 50 anos de idade, para melhor penetrar no sentido oculto e no pensamento do autor. Procurou traduzir para o francês as principais obras do Mestre. A partir de então, sempre que se referia a Jacob Böehme dizia que o Iluminado teutônico foi a maior luz que veio a este mundo depois daquele que era a própria Luz, isto é, o Cristo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após ter percorrido parte da Europa, estabeleceu seu apostolado em Toulouse, Versailles e Lyon, sempre lançando a semente espiritual em uma terra que se tornou fecunda, recolhendo ele próprio as doutrinas mais apropriadas para o seu espírito e seu sistema. Mais tarde, centralizou sua ação em três cidades: Estrasburgo, Amboise e Paris, que eram, como confessou, seu paraíso, seu inferno e seu purgatório. Fora dessas cidades possuía membros correspondentes de sua sociedade, como o Barão de Kircheberger, que não chegou a conhecer, mas a quem enviou um emissário, o Conde Divonne, para certamente lhe transmitir a iniciação. Kircheberger era grande admirador das obras de Saint-Martin; pertencia à Escola de Böehme, da qual tomaram parte igualmente Khunrath e Gichtel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kircheberger escreveu a Saint-Martin que, segundo uma lenda corrente em sua Escola, a Virgem Celeste, a Divina Sofia, nos dias das núpcias compareceu com seu corpo celeste de Glória e escolheu Gichtel, vindo à sua casa, colocando em ordem seus papéis e completando com seu próprio punho os manuscritos por ele deixados inacabados. Em vida teria igualmente recebido favores de sua esposa celeste, pois como general venceu o exército de Luiz XIV, que pretendia conquistar Amsterdã, cidade onde o adepto residia. Durante toda a batalha, o general não teria saído do quarto.(18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não somente Saint-Martin acreditava no relato de Kircheberger, como lhe pedia maiores detalhes sobre Gichtel. &amp;quot;Se estivéssemos um perto do outro, escreveu-lhe Saint-Martin, eu também teria uma história de casamento para vos contar. Os mesmos passos foram dados por mim, mas de um modo um pouco diferente, embora chegando aos mesmos resultados. Creio, com efeito, ter conhecido a esposa de Gichtel..., mas não de modo tão particular como ele. Eis o que me aconteceu por ocasião do casamento de que falei: eu estava orando... e me foi dito intelectualmente, mas de modo muito claro, o seguinte: Depois que o Verbo é feito carne, nenhuma carne deve dispor dela própria sem que Ele o permita. Essas palavras penetram profundamente em meu ser; ainda que não tenham significado uma proibição formal, recusei-me a toda negociação posterior.&amp;quot;(19) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredita-se que a chave da iniciação está no desejo do homem de purificar-se, de evoluir e de atingir a iluminação. Essa evolução é necessária para remediar a degradação a que o homem se submeteu após a Queda Original. Antes, o homem podia obrar em conformidade com a Vontade do Pai, sendo dessa maneira poderoso, mas após ter se revestido de um envoltório material, suas capacidades espirituais atrofiaram-se e a Vontade e a pureza de outrora aniquilaram-se. Foi na cidade de Estrasburgo que Saint-Martin deu a um discípulo a chave de O Homem de desejo, que, por extensão, serve para a própria Iniciação:&lt;br /&gt;
A Chave do Homem de Desejo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Avant qu'Adam mangeât la pomme,&lt;br /&gt;
Sans effort nous pouviouns oeuvrer.&lt;br /&gt;
Depouis, L'oeuvre ne se consomme.&lt;br /&gt;
Qu'au edu pur d'un ardent supir;&lt;br /&gt;
La Clef de l'Homme de Désir&lt;br /&gt;
Doit naître du désir de l'homme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto é, antes de Adão ter comido a maçã, o homem podia realizar sua obra sem esforço; depois, a obra não se concretiza a não ser com a ajuda do fogo puro, emanado de um ardente suspiro, advindo do grande esforço individual. Assim, a chave do Homem de Desejo deve nascer do desejo do homem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu livro O Homem de Desejo, publicado pela primeira vez em 1790, são litânias no estilo do salmista, nas quais a alma humana evolui para o seu primeiro estágio, num caminho que o Espírito pode ajudá-la a percorrer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin escreveu este livro por sugestão do filósofo religioso Thiaman, durante suas viagens a Estrasburgo e a Londres. Lavater, então clérico em Zurique, elogiou essa obra como um dos livros que mais tinha gostado, embora reconhecesse não ter tido condições de penetrar nas bases da doutrina exposta. Kircheberger, mais familiar aos princípios do livro, considerou-o como o mais rico em pensamentos iluminados. O próprio Saint-Martin concordou que nesse livro encontram-se os germes do conhecimento que ignorava até a leitura das obras de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo de seu livro O Homem de Desejo é mostrar que o homem deve confiar na Regeneração, chamando sua atenção para a necessidade de retorno ao Mundo Divino de onde saiu e ao trabalho que deverá realizar para alcançar esse objetivo, isto é, concentrando suas forças pelo desejo ardente de aperfeiçoar-se e tornar-se um homem de vontade forte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não há nenhum outro mistério para se chegar a essa sagrada iniciação, senão penetrando cada vez mais no fundo de nosso ser e não esmorecendo até que possamos produzir a viva e edificante raiz; porque, então, todos os frutos que haveremos de gerar, conforme nossa espécie, serão produzidos dentro de nós e sem nós, naturalmente; é o que ocorre com nossas árvores terrestres, porque elas aderem às próprias raízes e, incessantemente, retiram sua seiva.&amp;quot;(20) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compreende-se, assim, que o ensinamento deixado por Saint-Martin, e que veio de Martinez de Pasqually e de Jacob Böehme, era muito profundo e de natureza divina. Constitui-se uma Escola de Homens de Desejo, ávidos por adquirirem conhecimentos, uma elite do pensamento, embaçada em um sistema filosófico iniciático, tendo como objetivo o desenvolvimento moral e espiritual do homem. Não é uma Escola de especulação abstrata, mas um centro onde os membros procuram conhecer a doutrina e a experiência dos mestres e onde procuram vivê-la na vida diária, para atingir a perfeição interior, através de um processo de autotransformação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de homens livres eram formados por um pequeno número de pessoas inteligentes e de mente sã, escrupulosamente examinadas, Saint-Martin dizia que as grandes verdades só podem ser bem ensinadas no silêncio. Todos aqueles que não sabem calar, que falam mais do que observam, não podem ser recebidos na senda interior. Saber guardar o silêncio é condição indispensável para que o homem se torne digno de receber outros ensinamentos cada vez mais profundos, emanados não apenas de seu iniciador, como do próprio Mundo Invisível. Para isso, necessitamos de treinamento, que se efetua guardando-se o silêncio em relação às pequenas coisas, mesmo profanas. Qualquer sociedade iniciática não pode ser aberta, pois assim perderia a força que porventura tivesse recebido do Alto. Guardar o silêncio significa fechar-se às influências exteriores, às opiniões contrárias que só trazem ações conflitantes. Fechar-se em torno de si mesmo é magnetizar-se; é evitar que as próprias forças divinas se dispersem na Natureza, passando por nós. É criar um pólo de atração; é tornar-se um receptáculo das influências celestes; é tornar-se a taça que recebe o influxo divino.&lt;br /&gt;
A Iniciação é um processo interior de aperfeiçoamento do homem, tornando-o apto a receber as forças divinas. O homem é a soma de todos os problemas da existência; é a síntese, o enigma dos enigmas, a pedra bruta que deve ser talhada e aperfeiçoada. Esse desenvolvimento deve ocorrer de tal modo que o ser criado se religue ao Criador, através da aproximação da natureza impura com a natureza pura. Por isso, a primeira deve ser trabalhada até ficar quase no mesmo estado da segunda; somente depois haverá uma atração tal, que a Natureza Superior descerá até a inferior, purificando-a em definitivo e deixando-a conforme ela mesma: é a Iluminação do Iniciado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele que possuir o conhecimento de si mesmo terá acesso à ciência do mundo, dos demais seres. O conhecimento de si próprio é somente em si que deve buscar. É no espírito do homem que se devem encontrar as leis que dirigem sua origem. É preciso, pois, que o iniciado encontre seu centro iniciático, a divindade em si, para adquirir o pleno conhecimento de si mesmo. É necessário conhecer suas fraquezas para melhor dominá-las e não voltar a praticar os mesmos erros. Jesus Cristo dizia aos homens para não pecarem mais menos, até o dia em que, tendo encontrado seu equilíbrio iniciático, possam chegar a não pecar mais. Sua luta deve ser constante, contra as paixões, suas contrariedades internas e a ira. A docilidade representa a presença de Deus no centro iniciático; a ira representa a sua ausência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O homem não pode ser integralmente livre da ira e do pecado porque os movimentos do abismo deste mundo tampouco são totalmente puros ante o coração de Deus; o amor e a ira sempre lutam entre si.&amp;quot;(21)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A doutrina de Saint-Martin difundiu-se na Alemanha e na Rússia, através de seus discípulos. Na Rússia, a doutrina martinista encontrou um grande divulgador em Joseph de Maistre, que afirmava a existência de Deus no interior de cada indivíduo e, por conseguinte, que o segredo de toda a iniciação consistia em descobrir o centro iniciático próprio, a senda interior, a fim de proceder ao próprio desenvolvimento espiritual. Assim, a iniciação é uma senda real, interior, individual, e não se encontra no exterior, nas sociedades ou no Enciclopedismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1803, o Filósofo Desconhecido dava seus últimos passos em direção à Eternidade, pois sua saúde mostrava-se débil. Mas não se afligiu com essa perspectiva; ao contrário, dizia que a Providência sempre lhe havia dispensado muito cuidado, de modo que só poderia render-lhe graças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta-nos Gence que certa vez, visitando um amigo comum, Saint-Martin confessou-lhe que estava partindo para o Oriente Eterno e no dia seguinte, visitando seu amigo o Conde Lenoir la Roche, em Aulnay, após leve refeição, retirou-se para o quarto; sofreu um ataque de apoplexia e partiu. Era o dia 13 de outubro de 1803. Foi então que seus discípulos e amigos perderam a convivência física com o Mestre, mas ganharam a eterna e permanente proteção espiritual que nos envia do Reino da Glória, através dos Mundos Invisíveis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a obra de Louis Claude de Saint-Martin continua através dos Grupos de Iniciados que seguem sua doutrina. A Conquista da Iluminação é o objetivo último de todos os Homens de Desejo, que encontram nas obras do Mestre e no seu exemplo, como Homem e como Iniciado, o respaldo necessário para prosseguir na senda sem desânimo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que cada um possa transformar-se em um Novo Homem, renascido pela Luz, que resplandece na alma de todos, e que engendrará, no futuro, o Homem-Espírito, o novo Sol que acalentará os corações de todos com seu procedimento e com sua serenidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras de Louis Claude de Saint-Martin==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1-) Des Erreurs et de la Vérité, ou les Hommes Rappelés au Principe Universel de la Science. Edimbourg, 1775, 2 vol.&lt;br /&gt;
2-) Suite des Erreurs et de la Vérité. A Salomonopolis, Androphile, 1784.&lt;br /&gt;
3-) Tableau Naturel des Rapports qui Existent entre Dieu, l'Homme et l'Univers. Édimbourg. 1782.&lt;br /&gt;
4-) L'Homme de Désir. Lyon, 1790.&lt;br /&gt;
5-) Ecce Homo. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
6-) Le Nouvel Homme. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
7-) Letre à un Ami, ou Considérations Philosophiques et Religieuses sur la Révolution Française. Paris, Louvet, Palais, Égalité, 1796.&lt;br /&gt;
8-) Éclair sur l'Association Humaine. Paris, Marais, 1797. &lt;br /&gt;
9-) Le Crocodille ou la Guerre du Bien et du Mal, Arrivée sous le Règne de Louis XV. Paris, Cercle Social, 1798.&lt;br /&gt;
10-) Réflexiones d'un Observateur sur la Question Proposée por l'Institut: &amp;quot;Quelles sont les Institutions les plus Propres à Fonder la Morale d'un Peuple?. Paris, 1798.&lt;br /&gt;
11-) De l'Influence des Signes sur la Pensée (inserido incialmente no Crocodile). Paris, 1799.&lt;br /&gt;
12-) L'Esprit des Choses ou Coup d'Deil Philosophique sur la Nature des Étres et sur l'Objet de leur Existence. Paris, 1800, 2 vol.&lt;br /&gt;
13-) Le Ministère de l'Homme-Esprit. Paris, 1802.&lt;br /&gt;
14-) Oeuvres Posthumes de Saint-Martin. Tours, 1807, 2vol.&lt;br /&gt;
15-) Traité des Nombres. S/1, M. Léon, 1844.&lt;br /&gt;
16-) Correspondence de Saint-Martin avec Kircheberger, Baron de Liebisdorf, des annèes 1792 a 1799, S. n. t. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Traduções das obras de Jacob Boehme==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17-) L'Aurore Naissante ou la Racine de la Philosophie, de l'Astrologie et de la Théologie. Paris, 1800.&lt;br /&gt;
18-)Des Trois Principes de l'Essence Divine ou de l'Eternel Engendrement sans Origine de l'Homme, d'où il a été Crée et pour quelle Fin. Paris, 1802, 2 vol. &lt;br /&gt;
19-)Quarente Questions sur l'Origine, l'Essence, l'Etre, la Nature et la Propriété de l'Âme, suivies des &amp;quot;Six Poit&amp;quot;. Paris, 1807.&lt;br /&gt;
20-) De la Triple Vie de l'Homme selon de Mystère des Trois Principes de la Manifestation Divine. Paris, 1809.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- SAINT-MARTIN, L. C. Oeuvres Posthumes; Portrait Historique et Phisosophique de Saint-Martin fait par lui-même, p. 58-59. &lt;br /&gt;
2- Id., t.1, p.5.&lt;br /&gt;
3- Id., t.1, p.78-9.&lt;br /&gt;
4- J. B. M. Gence foi discípulo de Saint-Martin e com ele conviveu longos anos: seu relato encontra-se no prefácio de Teosophic Correspondence between L. C. de Saint-Martin and Kircheberger, Baron de Liebistorf, P. V.&lt;br /&gt;
5- Id., p. VI.&lt;br /&gt;
6- PAPUS. L'Illuminismo en France, 1771-1803: Louis-Claude de Saint-Martin, as Vie, as Voie Theurgique, ses Oeuvrages, son Oeuvre, ses Disciples, suivi de la Publicatino de 50 Letters Inédites, p. 109.&lt;br /&gt;
7- MATER, M. Saint-Martin, le Philosophe Inconnu. Ed. d'Aujourd'hui, p. 20.&lt;br /&gt;
8- SAINT-MARTIN, L. C. Theosophic Correspondense, op. Cit. Carta XCII.&lt;br /&gt;
9- Id. Carta IV.&lt;br /&gt;
10- PAPUS. Louis Claude de S. Martin. 1902.&lt;br /&gt;
11- Id., p. 12.&lt;br /&gt;
12- Comentário deixado por Ary Ilha Xavier, profundo conhecedor das obras de Saint-Martin.&lt;br /&gt;
13- Des Erreurs et de la Vérité. Edimbourg, 1775, 2v.&lt;br /&gt;
14- Gence. Op. Cit., p. IV.&lt;br /&gt;
15- Id., p. VII.&lt;br /&gt;
16- SAINT-MARTIN, L.C. Le Crocodile, Canto XV, p.53.&lt;br /&gt;
17- SAINT-MARTIN, L.C. Mont Portrait. Op. Cit., p. 42.&lt;br /&gt;
18- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Op. Cit. Carta LVIII.&lt;br /&gt;
19- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence Op. Cit. Carta LXII.&lt;br /&gt;
20- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Carta número CX.&lt;br /&gt;
21- BÖEHME, J. Confesiones, p. 44.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Louis_Cloude_de_Saint_Martin&amp;diff=7147</id>
		<title>Louis Cloude de Saint Martin</title>
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		<updated>2007-10-24T06:25:46Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: Louis Cloude de Saint Martin movido para Louis Cloude de Saint-Martin&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;#REDIRECT [[Louis Cloude de Saint-Martin]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Louis_Claude_de_Saint-Martin&amp;diff=7146</id>
		<title>Louis Claude de Saint-Martin</title>
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		<updated>2007-10-24T06:25:46Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: Louis Cloude de Saint Martin movido para Louis Cloude de Saint-Martin&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Louis Claude de Saint-Martin, o &amp;quot;Filósofo Desconhecido&amp;quot;, pensador profundo e grande iniciado, nasceu a 18 de janeiro de 1743 em Amboise, Tourraine, no centro da França, no seio de uma família nobre, mas pouco abastada e desconhecida. Logo depois do nascimento de Saint-Martin, sua mãe faleceu, e ele foi criado pelo pai e por uma madrasta, pessoa amável e de bom coração, que o iniciou na leitura de Jacques Abbadie, ministro protestante de Genebra. Com esse autor, apreendeu a conhecer a si mesmo, relegando a um plano secundário a análise decepcionante e estéril dos filósofos em voga na época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Influências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;É à obra de Abbadie, A Arte de Conhecer a Si Mesmo, que devo meu afastamento das coisas mundanas; é a Burlamaqui que devo minha inclinação pelas bases naturais da razão; é a Martinez de Pasqually que devo meu ingresso nas verdades superiores; é a Jacob Böehme que devo meus passos mais importantes nos caminhos da Verdade.&amp;quot;(1) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro autor que influenciou o Filósofo Desconhecido desde sua juventude foi Pascal. Aos 18 anos, em meio às discussões filosóficas dos livros que lia, deu-se conta de que, existindo o Criador do Universo e uma alma, nada mais seria necessário para ser sábio. (2) Foi com base nessas concepções que fundou sua doutrina posterior. Na época de seus estudos no Colégio de Pontlevoi, o Ocultismo já fazia parte de suas meditações. Na Faculdade, igualmente, eram os estudos metafísicos que o atraíam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Formação==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudou Direito conforme a vontade de seu pai, e esse ambiente proporcionou-lhe maior contato com o mundo filosófico e literário da época. Conheceu as obras de Voltaire, Rousseau, Montesquieu e outros autores não iniciados, mas sem ceder à inclinação dos enciclopedistas. &amp;quot;Li, vi e escutei os filósofos da matéria e os doutores que devastam o mundo com suas instruções; nenhuma gota de seus venenos penetrou-me; nem as mordidas de uma só dessas serpentes prejudicaram-me.&amp;quot;(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jovem estudante procurava tudo o que pudesse conduzi-lo ao conhecimento da Verdade, particularmente as ciências e princípios exatos. Dedicou-se assim ao estudo filosófico dos números e, por algum tempo, esteve ligado a Lalande e sua escola filosófica, sintetizada em Ciência dos Números. Esse convívio, entretanto, não foi longo, pois seus pontos de vista eram divergentes e nosso Filósofo passou a estudar Jean Jacques Rousseau. Como ele, pensava ser o homem naturalmente bom; mas entendia que as virtudes perdidas originalmente, em razão da Queda, poderiam ser reconquistadas desde que o homem o desejasse ardentemente. Acreditava que o naufrágio no materialismo era conseqüência mais das associações viciosas e desvirtuadas do que do pecado original. E, nisso, afirma-nos seu discípulo Gence(4), ele se diferenciava de Rousseau, a quem considerava um misantropo por sua excessiva sensibilidade, ao olhar os homens, não como eram, mas como gostaria que fossem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin amava a humanidade e considerava-a melhor do que parecia ser; e o encanto da sociedade da época levou nosso Filósofo a pensar que a vivência nas rodas sociais poderia levá-lo ao melhor conhecimento do homem e conduzi-lo à intimidade mais perfeita com os seus princípios. Assim, agiu conforme seu pensamento: freqüentou os saraus musicais e toda sorte de recreações da alta nobreza, desde os passeios ao campo até as conversas com amigos; os atos de gentileza eram a manifestação de sua própria alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foram de sua intimidade as pessoas da mais alta classe, dentre as quais podemos citar o Marquês de Lusignan, o Marechal de Richelieu, o Duque de Orléans, a Duquesa de Bourbon, o Cavaleiro de Fouflers e tantos outros que seria longo enumerar. Devotou-se inteiramente à busca da Verdade e à prática das Virtudes, que foram o objeto constante de seus estudos, dos seus trabalhos e das suas realizações.&amp;quot;(5) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Iniciado, pois no estudo das leis e da jurisprudência, aplicou-se mais à pesquisa das bases naturais da Justiça, relegando a um plano secundário as regras da jurisprudência. Paralelamente, desenvolvia seus estudos sobre os mistérios ocultos e logo descobriu que não poderia dedicar-se inteiramente à magistratura, como desejava sua família. Não encontrando sua vocação no Direito, abandonou a magistratura que exerceu em Tours durante seis meses. Alistou-se aos 22 anos de idade no Regimento de Foix, então aquartelado em Boudeaux, onde pode encontrar mais tempo para dedicar-se ao estudo do Ocultismo, que era sua verdadeira vocação. Após ter lido os autores mais em evidência no gênero, procurou a iniciação de uma maneira mais efetiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Caminho iniciático==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi graças a um colega do Regimento, Grainville, que bateu às portas do Templo. Grainville era iniciado em uma sociedade oculta muito importante, cujo chefe era Martinez de Pasqually. Este era casado com uma sobrinha do maior, comandante do Regimento, que se encontrava na mesma cidade de residência de Martinez. A Escola de Pasqually, seu iniciador nas práticas teúrgicas, era a Ordem dos Elus Cohens do Universo (Sacerdotes Eleitos), revigorada mais tarde pela ação de Saint-Martin e Jean Baptiste Willermoz, sob a inspiração das obras de M. Pasqually e de J. Böehme e a partir de suas próprias pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fins de 1768, Saint-Martin foi iniciado nos três primeiros graus simbólicos da referida Ordem pela espada de Balzac, avô de Honoré de Balzac, o famoso romancista francês das primeiras décadas do século XIX. Com efeito, em carta de 12 de agosto de 1771, dirigida a seu colega Willermoz, de Lyon, confirmou ter sido iniciado por Balzac e que recebera de uma só vez os três graus simbólicos. &amp;quot;Não é comum darem-se os três graus simbólicos ao mesmo tempo; deixam-se, ao contrário&amp;quot;, prosseguiu Saint-Martin na referida carta, &amp;quot;grandes intervalos de tempo entre um grau e outro, segundo o progresso de cada um.&amp;quot;(6) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, Saint-Martin submeteu-se em seguida ao método iniciático de Pasqually, de quem se tornou secretário particular e discípulo zeloso. Mas não deixou, logo depois, de criticar seu primeiro Mestre, por não concordar com tudo o que era feito em tal sistema. Considerava supérfluas todas as manifestações físicas exteriores e todos os detalhes do cerimonial Cohen: &amp;quot;São necessárias todas essas coisas para orar a Deus?&amp;quot;, perguntou Saint-Martin a seu mestre Martinez. &amp;quot;É preciso que nos contentemos com o que temos&amp;quot;(7), respondeu o Grão-Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade, era necessário trabalhar mais profundamente no sentido interior para produzir a luz. Isso certamente Martinez teria feito dentro de seu próprio sistema, se não tivesse partido da França e falecido em seguida. Sua semente ficou, no entanto, e coube a Saint-Martin e a Willermoz cuidar da planta que deveria nascer. A Providência Divina não os deixou abandonados; inspirou-os constantemente, colocando em seu caminho homens que os ajudaram, direta ou indiretamente, e proporcionando-lhes o conhecimento do sistema de Jacob Böehme. Esse sistema confirmou as descobertas que tinham feito e abriu as portas para a obtenção das chaves ainda não encontradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época em que conheceu Pasqually, tinha pouco mais de vinte e cinco anos e acabava de debutar no Ocultismo, de sorte que nem todas verdades da Iniciação pode receber de seu primeiro mestre, com o qual permaneceu cinco anos. Soube reconhecer mais tarde sua grandeza (porque é bom que se afirme que Martinez de Pasqually foi um adepto de grande iluminação). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Havia coisas preciosas em nossa primeira Escola&amp;quot;, relata Saint-Martin a seu discípulo Kircheberger. &amp;quot;Sou mesmo induzido a pensar que o Sr. Martinez de Pasqually, que era nosso mestre, possuía a chave ativa referente a tudo o que nosso prezado Jacob Böehme expõe em suas teorias, mas não julgava que fôssemos capazes de entender tão altas verdades, naquela época. Ele era sabedor de alguns pontos que nosso amigo Böehme não conhecia, ou pelo menos não revelou, como a resipiscência do ser perverso, contra o qual o primeiro homem teria tido a missão de trabalhar... Quanto à Sofia e ao Rei do Mundo, ele nada nos revelou, deixando-nos com as noções comuns de Maria e do Demônio. Mas não afirmarei que ele não teve conhecimento delas e estou convicto de que chegaríamos a esse conhecimento, se o tivéssemos conosco por mais tempo...&amp;quot;(8)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin nunca concordou com a iniciação realizada fora do silêncio e da realidade invisível, que chamava de centro ou via interior. Para ele, o interior deve ser o termômetro, a verdadeira pedra de toque do que passa fora...; e o estudo da Natureza exterior só teria sentido se conduzisse à senda interior, ativa. Esse estudo poderia, pois, ser útil na medida em que conduzisse à Verdade, mas a Iniciação, explicava ele a Kircheberger, deve agir no ser central.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não lhe ocultarei que anteriormente entrei nesse caminho externo, e através dele me foi aberta a porta de minha carreira. Meu condutor era um homem de muitas virtudes ativas, e a maioria daqueles que o seguiram, inclusive eu, receberam confirmações que talvez tenham sido úteis para nossa instrução e desenvolvimento. Todavia, em todos os instantes, eu sentia forte inclinação para o caminho intimamente secreto, o externo nunca me seduziu, nem em minha juventude.&amp;quot;(9) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entendia Saint-Martin que todo o aparato exterior não era necessário para encontrar Deus e que, ao contrário, em muitas ocasiões dificultava essa busca. Discordava das numerosas e freqüentes comunicações sensíveis de todos os tipos, manifestadas nos trabalhos de que tomava parte na sua primeira Escola, embora o signo do Reparador sempre estivesse presente, manifestando a ação da Causa Ativa e Inteligente no mundo objetivo. Afirmava, no entanto, que sua senda interior, desenvolvida depois, proporcionava-lhe resultados mil vezes superiores aos produzidos pela senda que denominava exterior e que era preconizada por Pasqually.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afirmava, no entanto, e é bom repetir, que deveria haver trabalhos internos da Ordem que não lhes foram transmitidos por causa de sua curta passagem pelo sistema e por não terem ainda passado pelos estágios iniciais. O Mestre não poderia ter agido de modo diferente, revelam-lhes os mistérios de ordem mais elevada. Acreditava, ademais, que os Princípios Divinos poderiam mesmo nascer naquele sistema, mas os trabalhos para esse efeito deveriam ser mais alguns anos com Pasqually. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não apenas Saint-Martin discordava do sistema de Martinez, uma vez que os resultados não se produziam de imediato; todos os discípulos reclamavam resultados espirituais que, em verdade, dependiam deles próprios. Willermoz parece ter sido o primeiro a manifestar a Saint-Martin seu descontentamento no que dizia respeito ao desenvolvimento das faculdades adormecidas do ser humano; é o que constatamos através da leitura de uma carta endereçada por Saint-Martin, do Oriente de Bordeaux, com data de 25 de março de 1771.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Quanto à confiança que vos dignais a testemunhar-me, abrindo-me sem escrúpulos vosso pensamento sobre nossas cerimônias, não me compete, tendo em vista nossa dignidade, fazer qualquer observação a respeito; e, diante de meu juiz, eu só deveria escutar e calar. Entretanto, as disposições puras que trazeis à Sabedoria fazem-me supor que poderíeis perdoar-me antecipadamente se ouso acrescentar, às vossas, algumas idéias próprias. Procuro, como vós, esclarecer-me... Confesso que o objetivo que buscamos na iniciação parece-me muito difícil de ser atingido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredito que, mesmo nos encontrando nas melhores condições, quando todas as cerimônias são empregadas com a maior regularidade, a Coisa pode ainda guardar seu véu para nós tanto quanto quiser; ela está tão pouco à disposição do homem que ele não pode, jamais, apesar de seus esforços, estar certo de obtê-la. Ele deve esperar e orar sempre, eis nossa condição. O espírito conduz seu sopro onde quer, quando quer, sem que saibamos de onde vem e para onde vai... Se o poder não se manifesta agora, ele poderá ocorrer mais tarde; se não se opera pela visão, ele prepara a forma daquele que se mantém puro para receber as impressões salutares, quando o espírito assim quiser. Não atribuais, então, o estado em que vos encontrais a algum problema de vossa parte ou à invalidade das cerimônias.&amp;quot;(10)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz procurava obter por carta maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Pelo que constatamos, os resultados práticos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam. Era necessário muito trabalho, como em qualquer sistema de iniciação, para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A correspondência entre Saint-Martin e Willermoz, iniciada em 1768, estendeu-se até 1773. Em 1771, Saint-Martin abandonou a carreira militar para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo. Durante dois anos empregou todo o tempo disponível para trabalhar ao lado do mestre; foi durante esse período que se familiarizou com a ritualística dos Cohens e com a doutrina de Martinez, bem como com todas as suas práticas iniciáticas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partiu de Bordeaux em maio de 1773, na ocasião em que Martinez preparava-se para viajar para as Antilhas. Antes de se despedir, entretanto, Saint-Martin foi recebido no último grau dos Cohens, aquele de Réaux-Croix, como atesta uma carta de Martinez, datada de 17 de abril de 1772: &amp;quot;Após ter examinado e reexaminado os candidatos Saint-Martin e Seres, por nossa votação ordinária e em conseqüência das ordens que recebemos, nós os ordenamos Réaux-Croix...&amp;quot;(11) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1773, finalmente, Saint-Martin conheceu Willermoz, em Lyon, após terem trocado correspondência durante cinco anos. Seu círculo de amizade limitava-se aos irmãos da Ordem: Grainville, Balzac, Hauterive, Bacon de la Chevalerie, o Abade Fournier e Willermoz. Permaneceu um ano em Lyon, seguindo para sua cidade natal e, posteriormente, para Paris. Em abril de 1785, Willermoz obteve sucesso com suas operações: a &amp;quot;Coisa ativa e inteligente&amp;quot; finalmente mostrou-se aos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, sabendo da notícia, partiu de Paris em junho do mesmo ano, com destino a Lyon, levando consigo uma bíblia em hebraico e um dicionário, para entreter-se na viagem. Ficou seis meses em Lyon, partindo mais tarde para Nápoles e Londres, onde tomou conhecimento das publicações de Willian Law, morto em 1761, e que pertencia à tradição de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Seríamos excessivamente prolixos se procurássemos seguir as pegadas do nosso Filósofo Desconhecido, ao longo de sua jornada terrena, onde a cada passo, não obstante, encontraríamos o exemplo dignificante e o traço indelével da imensa esteira de luz que marcou sua trajetória neste mundo. Difícil ainda seria penetrarmos na profundeza do seu pensamento, da sua filosofia, da sua doutrina de elevação e regeneração do homem na busca da iluminação e da paz...&amp;quot;(12) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi inicialmente de Lyon que o Filósofo Desconhecido procurou irradiar a luz, após a partida de Martinez para o Oriente Eterno. A direção da Ordem dos Elus Cohen não ficou com Saint-Martin nem com Willermoz, mas nas mãos de pessoas menos preparadas para levar adiante um sistema que ainda necessitava de aperfeiçoamento. Coube a Saint-Martin e a Willermoz a resignação de continuarem ocultamente a pesquisa da Verdade por suas próprias forças. O &amp;quot;Agente Incógnito&amp;quot; teria ditado inúmeras instruções e partes de um livro que Louis Claude de Saint-Martin publicou, destinado a lutar contra o materialismo vigente na época. (13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez por esse motivo Saint-Martin tenha iniciado uma série de viagens, verdadeiros apostolados, para realizar propaganda das idéias espiritualistas, recolher dados e informações iniciáticas e entrar em contato com discípulos e homens de ciência. Em todos esses contatos sempre conquistava novas amizades e discípulos para continuarem sua obra. Saint-Martin tinha uma conversa muito agradável, uma vez que seu verbo não fazia senão expressar sua paz interior, seus conhecimentos e a nobreza de sua alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os salões mais aristocráticos de Paris disputavam sua presença. Essas qualidades eram agradáveis às mulheres, que não hesitavam em convidá-lo para as festas, pensando em casar suas filhas. Mas o Filósofo Desconhecido quis dedicar-se integralmente à sua obra de divulgação do Espírito. Em 1778, em Toulouse, esteve prestes a se casar; contudo, esse projeto desvaneceu-se como todos os demais a esse respeito. Afirmava sentir uma voz no seu interior que lhe dizia ser ele originário de um lugar onde não existem mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agente Incógnito desapareceu de cena em 1788, época em que Saint-Martin retornou à Lyon, mas reapareceu em 1790 para destruir uma série de cadernos de instruções por ele próprio ditados: &amp;quot;Eu devolvi ao Agente&amp;quot;, conta-nos Willermoz, &amp;quot;a seu pedido, mais de 80 cadernos manuscritos inéditos, que destruiu.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Pasqually, ocorrida em 1774 em São Domingos, o centro oculto da iniciação Cohen passou a Lyon e foi lá, como contam seus biógrafos, &amp;quot;que o Filósofo Desconhecido, armado com a Sabedoria Divina, passou a fazer oposição à doutrina materialista dos Enciclopedistas. Combatendo o materialismo revolucionário e sua doutrina errônea inserida em uma pretensa filosofia da natureza e da história, Saint-Martin chamou o homem de volta à Verdade, fundamentando-se no princípio do conhecimento de si mesmo e na natureza do ser inteligente&amp;quot;.(14) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, entretanto, nunca ficou muito ligado ao rigor das instituições iniciáticas, mas, em razão da problemática da época, em pleno desenvolvimento da Revolução Francesa, procurou, para a salvaguarda das suas próprias doutrinas e das tradições de que então já era depositário, unir-se a grupos ou formar grupos cujos membros desejassem, sinceramente, dedicar-se ao culto da Verdade e à prática das Virtudes. Estudava, paralelamente, as doutrinas de Pasqually e de Swedenborg, as primeiras mostrando-lhe a ciência do Espírito e as segundas a ciência da Alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;A Revolução, em todas as suas fases, encontrou Saint-Martin sempre o mesmo, dedicado a seu objetivo. Por princípio, esteve acima das considerações de nascimento e opiniões, por isso não emigrou; enquanto se mantinha ao seu redor todo o horror das desordens e dos excessos, acreditou sempre que o bem podia surgir do terrível advento da Revolução Francesa, pela intermediação da Divina Providência; pensou ver um grande instrumento temporal no homem que se levantou para suprimir seus excessos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foi em 1793, quando a família e a sociedade dissolviam-se, que vendeu as suas últimas posses para manter e cuidar de seu pai, velho e paralítico. Na mesma época, não obstante os estreitos limites a que ficou reduzida a sua fortuna, contribuiu para as necessidades públicas de sua comunidade. Retornando à capital, foi atingido pelo decreto de expulsão dos nobres. Saint-Martin submeteu-se e deixou Paris.(15)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o terror revolucionário, era necessária muita prudência, mesmo para os assuntos iniciáticos. Saint-Martin recebeu um mandado de prisão, embora vivesse mergulhado nos estudos e na meditação, sem nunca ter feito política. Não subiu ao cadafalso porque Robespierre caiu em seguida. Havia a proteção do Alto, que o guiava na terra, obscurecida pela agitação dos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Uma corrente de prestígios inundou a inteligência humana em geral, e a dos parisienses em particular, porque a cidade, que comporta sábios e doutores de toda espécie, possui poucos que orientam seu pensamento na direção dos conhecimentos verdadeiros, e há menos ainda que buscam esses conhecimentos com um espírito reto. A maior parte deles não fazem mais que dissecar as cascas da Natureza, medir, pesar e enumerar todas as suas moléculas. Eles tentam, insensatos, a conquista de tudo que se encontra em composição no Universo, como se isso lhes fosse possível. Esses sábios, tão célebres e tão ruidosos, não sabem que o Universo (ou o Templo) é a imagem reduzida da indivisível e universal eternidade; eles podem contemplar e admirar, pelo espetáculo de suas propriedades e de suas maravilhas, ... mas jamais poderão conquistar o segredo de sua existência.&amp;quot;(16) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, para cumprir seu dever cívico, serviu na Guarda Nacional e, em Amboise, foi escolhido para ser um dos instrutores da Escola Normal Superior, que formava jovens professores; tomou parte em 1795 da primeira Assembléia Eleitoral, sem contudo tornar-se membro efetivo de qualquer corpo legislativo. O que buscava era o Conhecimento e a difusão de suas doutrinas. Jamais fez proselitismo e procurava ter por discípulos amigos fiéis da Verdade. Quem visse seu jeito humilde jamais poderia suspeitar de sua elevada espiritualidade. Sua docilidade para com o tratamento, sua serenidade, manifestava no entanto o sábio, O Novo Homem formado pela filosofia profunda do aperfeiçoamento moral e espiritual. A luz que irradiava de seu centro fazia justiça à sua condição de Homem-Espírito, o grande sol da transição ao século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi em 1788, em Estrasburgo, que Saint-Martin tomou conhecimento das obras de Jacob Böehme, o Teósofo Teutônico, através de Rodolphe de Salzmann. Surpreso, constatou que essa doutrina combinava com a de seu antigo mestre Martinez de Pasqually, sendo idênticas em essência.. Coube a ele a tarefa de fazer o feliz casamento das duas correntes doutrinárias, elaborando um sistema sintático, capaz de satisfazer seus anseios e colocar à disposição de todos os Homens de Desejo um caminho seguro para chegar à Iluminação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A síntese iniciática foi obtida em poucos anos de trabalho pelo nosso Filósofo Desconhecido, secundado que foi por seu colega Jean Baptiste Willermoz. Necessitava, entretanto, de uma transmissão iniciática da corrente de Böehme para associar à sua, advinha de Pasqually. Essa corrente alemã de Jacob Böehme foi obtida ao ser iniciada pelo Barão de Salzmann, em Estrasburgo, e confirmada na linha mais antiga dos Templários, ao associar-se com a Estrita Observância Templária, do Barão de Hund. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz foi o encarregado, em Lyon, de organizar o sistema maçônico do Rito Escocês Retificado, fruto do Convento de Wilhelmsbad de 1782. Coube a Saint-Martin a chefia e a realização de iniciações individuais da Ordem Interior dos Filósofos Desconhecidos. Vários alemães foram iniciados no novo sistema (muitos dos quais já eram discípulos de Martinez de Pasqually), ingressando na iniciação real que conduz à Iluminação e à Reintegração a partir deste mundo na Unidade Divina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin considerava as obras de Jacob Böehme de uma profundidade e de um valor inestimáveis e não se achava digno nem de desatar as sandálias de Jacob Böehme; entendia que seria necessário que o homem se tivesse tornado pedra ou demônio para não tirar proveito de tais obras. (17)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi assim que passou a estudar o alemão, com quase 50 anos de idade, para melhor penetrar no sentido oculto e no pensamento do autor. Procurou traduzir para o francês as principais obras do Mestre. A partir de então, sempre que se referia a Jacob Böehme dizia que o Iluminado teutônico foi a maior luz que veio a este mundo depois daquele que era a própria Luz, isto é, o Cristo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após ter percorrido parte da Europa, estabeleceu seu apostolado em Toulouse, Versailles e Lyon, sempre lançando a semente espiritual em uma terra que se tornou fecunda, recolhendo ele próprio as doutrinas mais apropriadas para o seu espírito e seu sistema. Mais tarde, centralizou sua ação em três cidades: Estrasburgo, Amboise e Paris, que eram, como confessou, seu paraíso, seu inferno e seu purgatório. Fora dessas cidades possuía membros correspondentes de sua sociedade, como o Barão de Kircheberger, que não chegou a conhecer, mas a quem enviou um emissário, o Conde Divonne, para certamente lhe transmitir a iniciação. Kircheberger era grande admirador das obras de Saint-Martin; pertencia à Escola de Böehme, da qual tomaram parte igualmente Khunrath e Gichtel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kircheberger escreveu a Saint-Martin que, segundo uma lenda corrente em sua Escola, a Virgem Celeste, a Divina Sofia, nos dias das núpcias compareceu com seu corpo celeste de Glória e escolheu Gichtel, vindo à sua casa, colocando em ordem seus papéis e completando com seu próprio punho os manuscritos por ele deixados inacabados. Em vida teria igualmente recebido favores de sua esposa celeste, pois como general venceu o exército de Luiz XIV, que pretendia conquistar Amsterdã, cidade onde o adepto residia. Durante toda a batalha, o general não teria saído do quarto.(18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não somente Saint-Martin acreditava no relato de Kircheberger, como lhe pedia maiores detalhes sobre Gichtel. &amp;quot;Se estivéssemos um perto do outro, escreveu-lhe Saint-Martin, eu também teria uma história de casamento para vos contar. Os mesmos passos foram dados por mim, mas de um modo um pouco diferente, embora chegando aos mesmos resultados. Creio, com efeito, ter conhecido a esposa de Gichtel..., mas não de modo tão particular como ele. Eis o que me aconteceu por ocasião do casamento de que falei: eu estava orando... e me foi dito intelectualmente, mas de modo muito claro, o seguinte: Depois que o Verbo é feito carne, nenhuma carne deve dispor dela própria sem que Ele o permita. Essas palavras penetram profundamente em meu ser; ainda que não tenham significado uma proibição formal, recusei-me a toda negociação posterior.&amp;quot;(19) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredita-se que a chave da iniciação está no desejo do homem de purificar-se, de evoluir e de atingir a iluminação. Essa evolução é necessária para remediar a degradação a que o homem se submeteu após a Queda Original. Antes, o homem podia obrar em conformidade com a Vontade do Pai, sendo dessa maneira poderoso, mas após ter se revestido de um envoltório material, suas capacidades espirituais atrofiaram-se e a Vontade e a pureza de outrora aniquilaram-se. Foi na cidade de Estrasburgo que Saint-Martin deu a um discípulo a chave de O Homem de desejo, que, por extensão, serve para a própria Iniciação:&lt;br /&gt;
A Chave do Homem de Desejo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Avant qu'Adam mangeât la pomme,&lt;br /&gt;
Sans effort nous pouviouns oeuvrer.&lt;br /&gt;
Depouis, L'oeuvre ne se consomme.&lt;br /&gt;
Qu'au edu pur d'un ardent supir;&lt;br /&gt;
La Clef de l'Homme de Désir&lt;br /&gt;
Doit naître du désir de l'homme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto é, antes de Adão ter comido a maçã, o homem podia realizar sua obra sem esforço; depois, a obra não se concretiza a não ser com a ajuda do fogo puro, emanado de um ardente suspiro, advindo do grande esforço individual. Assim, a chave do Homem de Desejo deve nascer do desejo do homem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu livro O Homem de Desejo, publicado pela primeira vez em 1790, são litânias no estilo do salmista, nas quais a alma humana evolui para o seu primeiro estágio, num caminho que o Espírito pode ajudá-la a percorrer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin escreveu este livro por sugestão do filósofo religioso Thiaman, durante suas viagens a Estrasburgo e a Londres. Lavater, então clérico em Zurique, elogiou essa obra como um dos livros que mais tinha gostado, embora reconhecesse não ter tido condições de penetrar nas bases da doutrina exposta. Kircheberger, mais familiar aos princípios do livro, considerou-o como o mais rico em pensamentos iluminados. O próprio Saint-Martin concordou que nesse livro encontram-se os germes do conhecimento que ignorava até a leitura das obras de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo de seu livro O Homem de Desejo é mostrar que o homem deve confiar na Regeneração, chamando sua atenção para a necessidade de retorno ao Mundo Divino de onde saiu e ao trabalho que deverá realizar para alcançar esse objetivo, isto é, concentrando suas forças pelo desejo ardente de aperfeiçoar-se e tornar-se um homem de vontade forte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não há nenhum outro mistério para se chegar a essa sagrada iniciação, senão penetrando cada vez mais no fundo de nosso ser e não esmorecendo até que possamos produzir a viva e edificante raiz; porque, então, todos os frutos que haveremos de gerar, conforme nossa espécie, serão produzidos dentro de nós e sem nós, naturalmente; é o que ocorre com nossas árvores terrestres, porque elas aderem às próprias raízes e, incessantemente, retiram sua seiva.&amp;quot;(20) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compreende-se, assim, que o ensinamento deixado por Saint-Martin, e que veio de Martinez de Pasqually e de Jacob Böehme, era muito profundo e de natureza divina. Constitui-se uma Escola de Homens de Desejo, ávidos por adquirirem conhecimentos, uma elite do pensamento, embaçada em um sistema filosófico iniciático, tendo como objetivo o desenvolvimento moral e espiritual do homem. Não é uma Escola de especulação abstrata, mas um centro onde os membros procuram conhecer a doutrina e a experiência dos mestres e onde procuram vivê-la na vida diária, para atingir a perfeição interior, através de um processo de autotransformação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de homens livres eram formados por um pequeno número de pessoas inteligentes e de mente sã, escrupulosamente examinadas, Saint-Martin dizia que as grandes verdades só podem ser bem ensinadas no silêncio. Todos aqueles que não sabem calar, que falam mais do que observam, não podem ser recebidos na senda interior. Saber guardar o silêncio é condição indispensável para que o homem se torne digno de receber outros ensinamentos cada vez mais profundos, emanados não apenas de seu iniciador, como do próprio Mundo Invisível. Para isso, necessitamos de treinamento, que se efetua guardando-se o silêncio em relação às pequenas coisas, mesmo profanas. Qualquer sociedade iniciática não pode ser aberta, pois assim perderia a força que porventura tivesse recebido do Alto. Guardar o silêncio significa fechar-se às influências exteriores, às opiniões contrárias que só trazem ações conflitantes. Fechar-se em torno de si mesmo é magnetizar-se; é evitar que as próprias forças divinas se dispersem na Natureza, passando por nós. É criar um pólo de atração; é tornar-se um receptáculo das influências celestes; é tornar-se a taça que recebe o influxo divino.&lt;br /&gt;
A Iniciação é um processo interior de aperfeiçoamento do homem, tornando-o apto a receber as forças divinas. O homem é a soma de todos os problemas da existência; é a síntese, o enigma dos enigmas, a pedra bruta que deve ser talhada e aperfeiçoada. Esse desenvolvimento deve ocorrer de tal modo que o ser criado se religue ao Criador, através da aproximação da natureza impura com a natureza pura. Por isso, a primeira deve ser trabalhada até ficar quase no mesmo estado da segunda; somente depois haverá uma atração tal, que a Natureza Superior descerá até a inferior, purificando-a em definitivo e deixando-a conforme ela mesma: é a Iluminação do Iniciado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele que possuir o conhecimento de si mesmo terá acesso à ciência do mundo, dos demais seres. O conhecimento de si próprio é somente em si que deve buscar. É no espírito do homem que se devem encontrar as leis que dirigem sua origem. É preciso, pois, que o iniciado encontre seu centro iniciático, a divindade em si, para adquirir o pleno conhecimento de si mesmo. É necessário conhecer suas fraquezas para melhor dominá-las e não voltar a praticar os mesmos erros. Jesus Cristo dizia aos homens para não pecarem mais menos, até o dia em que, tendo encontrado seu equilíbrio iniciático, possam chegar a não pecar mais. Sua luta deve ser constante, contra as paixões, suas contrariedades internas e a ira. A docilidade representa a presença de Deus no centro iniciático; a ira representa a sua ausência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O homem não pode ser integralmente livre da ira e do pecado porque os movimentos do abismo deste mundo tampouco são totalmente puros ante o coração de Deus; o amor e a ira sempre lutam entre si.&amp;quot;(21)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A doutrina de Saint-Martin difundiu-se na Alemanha e na Rússia, através de seus discípulos. Na Rússia, a doutrina martinista encontrou um grande divulgador em Joseph de Maistre, que afirmava a existência de Deus no interior de cada indivíduo e, por conseguinte, que o segredo de toda a iniciação consistia em descobrir o centro iniciático próprio, a senda interior, a fim de proceder ao próprio desenvolvimento espiritual. Assim, a iniciação é uma senda real, interior, individual, e não se encontra no exterior, nas sociedades ou no Enciclopedismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1803, o Filósofo Desconhecido dava seus últimos passos em direção à Eternidade, pois sua saúde mostrava-se débil. Mas não se afligiu com essa perspectiva; ao contrário, dizia que a Providência sempre lhe havia dispensado muito cuidado, de modo que só poderia render-lhe graças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta-nos Gence que certa vez, visitando um amigo comum, Saint-Martin confessou-lhe que estava partindo para o Oriente Eterno e no dia seguinte, visitando seu amigo o Conde Lenoir la Roche, em Aulnay, após leve refeição, retirou-se para o quarto; sofreu um ataque de apoplexia e partiu. Era o dia 13 de outubro de 1803. Foi então que seus discípulos e amigos perderam a convivência física com o Mestre, mas ganharam a eterna e permanente proteção espiritual que nos envia do Reino da Glória, através dos Mundos Invisíveis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a obra de Louis Claude de Saint-Martin continua através dos Grupos de Iniciados que seguem sua doutrina. A Conquista da Iluminação é o objetivo último de todos os Homens de Desejo, que encontram nas obras do Mestre e no seu exemplo, como Homem e como Iniciado, o respaldo necessário para prosseguir na senda sem desânimo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que cada um possa transformar-se em um Novo Homem, renascido pela Luz, que resplandece na alma de todos, e que engendrará, no futuro, o Homem-Espírito, o novo Sol que acalentará os corações de todos com seu procedimento e com sua serenidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras de Louis Claude de Saint-Martin==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1-) Des Erreurs et de la Vérité, ou les Hommes Rappelés au Principe Universel de la Science. Edimbourg, 1775, 2 vol.&lt;br /&gt;
2-) Suite des Erreurs et de la Vérité. A Salomonopolis, Androphile, 1784.&lt;br /&gt;
3-) Tableau Naturel des Rapports qui Existent entre Dieu, l'Homme et l'Univers. Édimbourg. 1782.&lt;br /&gt;
4-) L'Homme de Désir. Lyon, 1790.&lt;br /&gt;
5-) Ecce Homo. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
6-) Le Nouvel Homme. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
7-) Letre à un Ami, ou Considérations Philosophiques et Religieuses sur la Révolution Française. Paris, Louvet, Palais, Égalité, 1796.&lt;br /&gt;
8-) Éclair sur l'Association Humaine. Paris, Marais, 1797. &lt;br /&gt;
9-) Le Crocodille ou la Guerre du Bien et du Mal, Arrivée sous le Règne de Louis XV. Paris, Cercle Social, 1798.&lt;br /&gt;
10-) Réflexiones d'un Observateur sur la Question Proposée por l'Institut: &amp;quot;Quelles sont les Institutions les plus Propres à Fonder la Morale d'un Peuple?. Paris, 1798.&lt;br /&gt;
11-) De l'Influence des Signes sur la Pensée (inserido incialmente no Crocodile). Paris, 1799.&lt;br /&gt;
12-) L'Esprit des Choses ou Coup d'Deil Philosophique sur la Nature des Étres et sur l'Objet de leur Existence. Paris, 1800, 2 vol.&lt;br /&gt;
13-) Le Ministère de l'Homme-Esprit. Paris, 1802.&lt;br /&gt;
14-) Oeuvres Posthumes de Saint-Martin. Tours, 1807, 2vol.&lt;br /&gt;
15-) Traité des Nombres. S/1, M. Léon, 1844.&lt;br /&gt;
16-) Correspondence de Saint-Martin avec Kircheberger, Baron de Liebisdorf, des annèes 1792 a 1799, S. n. t. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Traduções das obras de Jacob Boehme==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17-) L'Aurore Naissante ou la Racine de la Philosophie, de l'Astrologie et de la Théologie. Paris, 1800.&lt;br /&gt;
18-)Des Trois Principes de l'Essence Divine ou de l'Eternel Engendrement sans Origine de l'Homme, d'où il a été Crée et pour quelle Fin. Paris, 1802, 2 vol. &lt;br /&gt;
19-)Quarente Questions sur l'Origine, l'Essence, l'Etre, la Nature et la Propriété de l'Âme, suivies des &amp;quot;Six Poit&amp;quot;. Paris, 1807.&lt;br /&gt;
20-) De la Triple Vie de l'Homme selon de Mystère des Trois Principes de la Manifestation Divine. Paris, 1809.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- SAINT-MARTIN, L. C. Oeuvres Posthumes; Portrait Historique et Phisosophique de Saint-Martin fait par lui-même, p. 58-59. &lt;br /&gt;
2- Id., t.1, p.5.&lt;br /&gt;
3- Id., t.1, p.78-9.&lt;br /&gt;
4- J. B. M. Gence foi discípulo de Saint-Martin e com ele conviveu longos anos: seu relato encontra-se no prefácio de Teosophic Correspondence between L. C. de Saint-Martin and Kircheberger, Baron de Liebistorf, P. V.&lt;br /&gt;
5- Id., p. VI.&lt;br /&gt;
6- PAPUS. L'Illuminismo en France, 1771-1803: Louis-Claude de Saint-Martin, as Vie, as Voie Theurgique, ses Oeuvrages, son Oeuvre, ses Disciples, suivi de la Publicatino de 50 Letters Inédites, p. 109.&lt;br /&gt;
7- MATER, M. Saint-Martin, le Philosophe Inconnu. Ed. d'Aujourd'hui, p. 20.&lt;br /&gt;
8- SAINT-MARTIN, L. C. Theosophic Correspondense, op. Cit. Carta XCII.&lt;br /&gt;
9- Id. Carta IV.&lt;br /&gt;
10- PAPUS. Louis Claude de S. Martin. 1902.&lt;br /&gt;
11- Id., p. 12.&lt;br /&gt;
12- Comentário deixado por Ary Ilha Xavier, profundo conhecedor das obras de Saint-Martin.&lt;br /&gt;
13- Des Erreurs et de la Vérité. Edimbourg, 1775, 2v.&lt;br /&gt;
14- Gence. Op. Cit., p. IV.&lt;br /&gt;
15- Id., p. VII.&lt;br /&gt;
16- SAINT-MARTIN, L.C. Le Crocodile, Canto XV, p.53.&lt;br /&gt;
17- SAINT-MARTIN, L.C. Mont Portrait. Op. Cit., p. 42.&lt;br /&gt;
18- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Op. Cit. Carta LVIII.&lt;br /&gt;
19- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence Op. Cit. Carta LXII.&lt;br /&gt;
20- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Carta número CX.&lt;br /&gt;
21- BÖEHME, J. Confesiones, p. 44.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Martinismo&amp;diff=7145</id>
		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-24T06:24:36Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:Pantáculo.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A '''Ordem Martinista''' é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã, muito embora exista algumas linhagens do Martinismo que conciliam os ensinamentos da tradição esotérica cristã com os ensinamentos de algumas tradições esotéricas do oriente. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis Claude de Saint-Martin:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da '''Reintegração'''. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: ''Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo.'' Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um '''Homem de Desejo'''. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O martinismo é um caminho da '''Vontade'''. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual ''podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis Claude de Saint-Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O martinismo moderno==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a transição de Louis Claude de Saint Martin, os martinistas (assim eram chamados seus discípulos) não estiveram muito ativos. As cerimônias e os ensinamentos tradicionais eram transmitidos somente de maneira pessoal e privada. Após um longo período de discrição, um grande esforço foi feito em 1888 para estruturar aquilo que na época não podia verdadeiramente ser chamado de uma Ordem iniciática e que se limitava a alguns iniciados. Foi graças ao empenho de [[Papus]] e [[Augustin Chaboseau]] que essa Ordem veio à luz e recebeu o nome de Ordem Martinista. Esse movimento foi coroado de êxito em 1891 e resultou na formação do Conselho Supremo da '''Ordem Martinista''', composto de vinte e um Membros, com autoridade sobre todas as Lojas do mundo. O célebre ocultista francês Papus ([[Papus | Dr. Gerard Encause]]) foi eleito primeiro Presidente desse Conselho Supremo. Sob sua brilhante e infatigável direção, a Ordem cresceu rapidamente e, por volta de 1900, contava com centenas de Membros ativos na maior parte dos países do mundo. Papus tornou-se rapidamente uma autoridade em matéria de martinismo e suas obras constituem uma fonte preciosa de informação para os martinistas e todos aqueles que se interessam pela Tradição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==As ordens martinistas visíveis==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer do tempo a luz martinista difundiu-se pelo mundo. Atualmente, existem vários grupos organizados sob o título de martinistas. Eis algumas delas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tradicional ordem martinista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Tradicional Ordem Martinista permanece como a maior Ordem Martinista não operativa em atividade no mundo, para tanto conta com a aliança com a Ordem Rosacruz AMORC, é a organização Martinista que possui o maior número de Heptadas tradicionalmente constituídas e é a que possui a melhor organização administrativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão da Tradicional Ordem Martinista possui vários ramos a saber :1. V.E. Michelet 2. Augustin Chaboseau (Sar Augustus) 3. Ralph Maxwell Lewis (Sar Validivar) 4. Gary L. Stewart 5. Cristian Bernard (Phenix) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sucessões iniciáticas: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. o Charles Deter (Teder) 3. Blanchard 4. H.S.Lewis &lt;br /&gt;
1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. Charles Deter (Teder) 3. Georges de Bogè LagrËze (Mikael) 4. Ralph Lewis. &lt;br /&gt;
O Soberano Grande Mestre da Tradicional Ordem Martinista é o Ir Christian Bernard ( Phenix) que possui duas linhagens: &lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Sepulcros de Orval 3. Cristian Bernard e&lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Cecil UM. Poole 3. Gary L. Stewart 4. Christian Bernard.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Tradicional Ordem Martinista, trabalham-se em três graus:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Associado&lt;br /&gt;
* Iniciado&lt;br /&gt;
* S.I.(Superior Incógnito) e CFD (Círculo dos Filósofos Desconhecidos)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para se afiliar à TOM, é exigido que o aspirante seja um membro iniciado ao primeiro Grau de Templo da Ordem Rosacruz, AMORC e que esteja em dia com suas contribuições. Então, após a admissão à classe dos membros de Oratório ele pode solicitar afiliação a uma das Heptadas Martinistas espalhadas pela jurisdição. Para ser iniciado em uma Heptada Martinista, no grau Associado, deve-se passar por uma entrevista com o mestre em exercício. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os membros da TOM reúnem-se em reuniões chamadas de &amp;quot;Conventículos Martinistas&amp;quot;, onde são estudados os manuscritos correspondentes ao grau do conventículo. Para ser admitido ao grau seguinte, exige-se, principalmente, que o membro participe, durante 1 ano, de todos os conventículos referente ao seu grau atual (tolerando-se no máximo 6 faltas). Os conventículos de cada grau são realizados quinzenalmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do estudo do S.I. em Heptada, e desde que eles tenham atendido todas as exigências estabelecidas pela Grande Heptada, os membros são admitidos ao Círculo dos Filósofos Desconhecidos (CFD), onde escolhem um nome místico. No CFD, os novos mestres estão aptos a participarem de todos os trabalhos templários, a escreverem manuscritos e enviarem para a Grande Heptada, onde serão apreciados e redistribuídos para as outras Heptadas, para estudo e meditação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O intuito desta compilação é o de fornecer informações históricas sobre o Martinismo através dos séculos. Como todo Martinista deve saber, não se julga um irmão pela riqueza ou pobreza do berço que o embalou e sim pela fraternidade que une dois seres que possuem gravados em seus íntimos a mesma iniciação e a mesma paternidade espiritual. Este é o elo que nos une.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista sinárquica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta ordem é a mais antiga das que tiveram uma existência ininterrupta desde sua fundação em 1918 por Blanchard (Sar Yesir). Originalmente era Blanchard que iria se tornar o sucessor de Detré como Grande Mestre da Ordem Martinista Martinezista. Blanchard desistiu disto, pois ele não estava a favor da exigência de afiliação maçônica no Martinismo. Assim em 1918 Blanchard reuniu o Conselho Supremo anterior de Martinistas e Martinistas independentes que não aderiram ou pertenceram às Ordens Martinistas maçônicas e formaram uma Ordem de Martinistas sob a constituição original que Iniciou homens e mulheres. Depois, em 1934 a Ordem de Blanchard mudou seu nome para Ordem Martinista e Sinarquica, e Blanchard foi eleito Soberano Grande Mestre Universal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com uma idade de 75 anos, Blanchard faleceu em 1953, em Paris. O Soberano Grão Mestre a substitui-lo foi Sar Alkmaion (Dr. Edouard Bertholet), da Suíça. Foi Sar Alkmaion, Soberano Grão Mestre da Ordem para as Lojas Inglesas que recebeu a Carta Constitutiva como Delegado Geral para a Grã Bretanha e a Comunidade britânica. A Grande Loja Britânica era governada por um comitê interno conhecido como o Tribunal Soberano do qual este era um dos membros permanentes: Presidente: Sar Sorath (também conhecido como Sar Gulion, ainda em vida). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No momento, a jurisdição principal desta ordem está na Inglaterra sob da liderança de Sar Gulion. Nos E.U.A. há uma filial da ordem que funciona regularmente com uma carta constitutiva da Inglaterra. Depois da morte de Fusiller, o sucessor de Blanchard, a Ordem Martinista dos Eleitos Cohens fundiu com o OMS e mantém o nome do posterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A linhagem de OMS atual: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de BogÈ LagrËze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Gulion/Sorath (o Grande Mestre Inglês) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O OM&amp;amp;S independente do Canadá, tem estas linhagens; 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de Bogè Lagrëze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Sendivogius 7. William Pendleton 8. Sar Parsifal/Petrus (morto 1994). &lt;br /&gt;
O tribunal de OM&amp;amp;S no Canadá, 1965, era compostos de: 1. Sar Resurrectus, Presidente (iniciado por Pendleton) 2. Sar Sendivogious, 3. Sar Petrus &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Jurisdição canadense se declarou independente. Sar Resurrectus se tornou o Grande Mestre, Sar Sendivogious se retirou das atividades da OMS para se concentrar nos Elus Cohen, e Sar Petrus se tornou Grande Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem Martinista dos Elus Cohens===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Originalmente fundado por Martinez de Pasqually em 1768. Foi fundido com alguns ritos Maçons pelo discípulo dele e sucessor Jean-Baptiste Willermoz. O Dr. Blitz de Eduoard, um companheiro antigo de Papus, trabalhou com os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa de Willermoz, nos E.U.A., e consequentemente mantinha a exigência de afiliação maçônica. Depois da Segunda Guerra Mundial, Robert Ambelain (Sar Aurifer),era seu Grande Mestre e mantinha rituais Elus Cohen que ele tinha obtido de várias fontes , reavivou a Ordem Martiniste des lus Cohens que praticava justamente esta forma operativa de teurgia. Ambelain também preservou somente esta Ordem aos Homens. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem original do Cohens Eleitos tinha trabalhado de 1767 a pelo menos até 1807. De lá para cá a linhagem está quebrada ou pelo menos incompleta. Estes são o iniciados principais da Ordem dos Cavaleiros Maçons Eleitos do Elus Cohen do Universo na França: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Martinez de Pasqually 1767-1774 2. Caignet Lestere 1774-1779 3. o Sebastian las de Casas 1780 4. G.Z.W.J. 1807 de 1942-1967: 1. Robert Ambelain (Aurifer) 1942-1967 2. Ivan Mosca (Hermete) 1967-1968 &lt;br /&gt;
No seguimento Italiano : 1. Krisna Frater 2. Francesco Brunelli &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os graus transmitidos nos Elus Cohen são assim: &lt;br /&gt;
1º grau - o Mestre Elus-Cohen 2º grau - Cavaleiro do Oriente 3º grau - o Chefe do Oriente 4º grau - RÈaux-Croix Outras fontes relatam assim: 1 - Ordem dos Cavaleiros de Elus-Cohen L'Univers 2 - ordem de Cavaleiros maçons 3 - Eleitos sacerdotes do Universo 4 - RÈaux-Croix &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ordem se fundiu com a Ordem de Martinista de Phillipe Encausse. Ambelain publicou uma declaração na revista de Martinista ´L'Initiation&amp;quot; em 1964 relatando o fechamento da ordem. 30 anos depois foi reavivado mais uma vez - novamente por Ambelain - que ainda parece estar morando em Paris. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista de papus===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É o nome da primeira ordem criado por Papus em Paris 1888. Papus foi o primeiro Soberano Grande Mestre de 1888 até a sua morte em 1916. O seu primeiro Conselho Supremo foi constituído dos seguintes Irmãos: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Papus (o Grande Mestre ) 2. Pierre Augustin Chaboseau 3. Paul Adam 4. Charles Barlet 5. Maurice Barres 6. Burget 7. Lucien Chamuel, 8. de Stanislas Guaita 9. LeJay 10. Montiere 11. Josephin Peladan 12. Yvon Le Loup (Sedir) 13. Eduoard&lt;br /&gt;
Maurice Barres e Josephin Peladan foram posteriormente substituídos por Marc e Emile Michelet. O Dr. Blitz de Edouard , Delegado Soberano no E.U.A., também era um membro do Conselho Supremo, entretanto ele é negligenciado freqüentemente na história do Martinismo, provavelmente porque ele deixou a Ordem, depois de uma controvérsia com Papus que não pretendia manter a subordinação maçônica em sua organização. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem Martinista Sufi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta linhagem do Martinismo concilia ensinamentos da tradição esotérica cristã com ensinamentos da tradição esotérica islâmica, também conhecido como sufismo. Papus travou contato com algumas fraternidades iniciáticas do oriente médio que resultou na união de alguns martinistas europeus com adeptos do sufismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão de Papus na linhagem de Saint Martin era assim: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude Saint Martin (1743-1803) 2. Jean-Antoine Chaptal (de Compte Chanteloup)(morto em 1832) 3. (?)X 4. Henri Delaage (morreu 1882) 5. Dr. Gérard Encausse. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, havia um elo, ou melhor, um vácuo (o X) na linhagem de Papus, assim em 1888, Augustin Chaboseau (um membro do Conselho Supremo original de 1888) e Gérard Encausse trocaram Iniciações pessoais para consolidar a sucessão. A Ordem Martinista se constituiu então de duas linhagens espirituais, a que vimos acima e a seguinte: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude de Saint Martin (1743-1803) 2. Abbe de la Noue (morreu 1820) 3. J. Antoine-Marie Hennequin (morreu 1851) 4. Adolphe Desbarolles (morto em 1880) 5. Henri la de Touche (Paul-Hyacinthe de Nouel de la Touche)(morto em 1851) 6. a marquesa de Amélie de Mortemart Boisse 7. Pierre Augustin Chaboseau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de morte de Papus , Charles Detré (nome místico Teder ) se tornou o Soberano Grande Mestre, ele decidiu limitar a afiliação à Ordem Martinista (L`Ordre Martiniste) para Mestres Maçons, especialmente do Rito de Memphis &amp;amp; Misraim. Claro que isto significou que as mulheres seriam excluídas do Martinismo, e isto também não estava de acordo à filosofia do Martinismo original. Naturalmente isto causou grande discordância entre os membros, e vários membros do Conselho Supremo original de 1891 deixaram a Ordem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Martinismo]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ordens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Louis_Claude_de_Saint-Martin&amp;diff=7144</id>
		<title>Louis Claude de Saint-Martin</title>
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		<updated>2007-10-24T06:23:31Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Louis Claude de Saint-Martin, o &amp;quot;Filósofo Desconhecido&amp;quot;, pensador profundo e grande iniciado, nasceu a 18 de janeiro de 1743 em Amboise, Tourraine, no centro da França, no seio de uma família nobre, mas pouco abastada e desconhecida. Logo depois do nascimento de Saint-Martin, sua mãe faleceu, e ele foi criado pelo pai e por uma madrasta, pessoa amável e de bom coração, que o iniciou na leitura de Jacques Abbadie, ministro protestante de Genebra. Com esse autor, apreendeu a conhecer a si mesmo, relegando a um plano secundário a análise decepcionante e estéril dos filósofos em voga na época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Influências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;É à obra de Abbadie, A Arte de Conhecer a Si Mesmo, que devo meu afastamento das coisas mundanas; é a Burlamaqui que devo minha inclinação pelas bases naturais da razão; é a Martinez de Pasqually que devo meu ingresso nas verdades superiores; é a Jacob Böehme que devo meus passos mais importantes nos caminhos da Verdade.&amp;quot;(1) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro autor que influenciou o Filósofo Desconhecido desde sua juventude foi Pascal. Aos 18 anos, em meio às discussões filosóficas dos livros que lia, deu-se conta de que, existindo o Criador do Universo e uma alma, nada mais seria necessário para ser sábio. (2) Foi com base nessas concepções que fundou sua doutrina posterior. Na época de seus estudos no Colégio de Pontlevoi, o Ocultismo já fazia parte de suas meditações. Na Faculdade, igualmente, eram os estudos metafísicos que o atraíam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Formação==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudou Direito conforme a vontade de seu pai, e esse ambiente proporcionou-lhe maior contato com o mundo filosófico e literário da época. Conheceu as obras de Voltaire, Rousseau, Montesquieu e outros autores não iniciados, mas sem ceder à inclinação dos enciclopedistas. &amp;quot;Li, vi e escutei os filósofos da matéria e os doutores que devastam o mundo com suas instruções; nenhuma gota de seus venenos penetrou-me; nem as mordidas de uma só dessas serpentes prejudicaram-me.&amp;quot;(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jovem estudante procurava tudo o que pudesse conduzi-lo ao conhecimento da Verdade, particularmente as ciências e princípios exatos. Dedicou-se assim ao estudo filosófico dos números e, por algum tempo, esteve ligado a Lalande e sua escola filosófica, sintetizada em Ciência dos Números. Esse convívio, entretanto, não foi longo, pois seus pontos de vista eram divergentes e nosso Filósofo passou a estudar Jean Jacques Rousseau. Como ele, pensava ser o homem naturalmente bom; mas entendia que as virtudes perdidas originalmente, em razão da Queda, poderiam ser reconquistadas desde que o homem o desejasse ardentemente. Acreditava que o naufrágio no materialismo era conseqüência mais das associações viciosas e desvirtuadas do que do pecado original. E, nisso, afirma-nos seu discípulo Gence(4), ele se diferenciava de Rousseau, a quem considerava um misantropo por sua excessiva sensibilidade, ao olhar os homens, não como eram, mas como gostaria que fossem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin amava a humanidade e considerava-a melhor do que parecia ser; e o encanto da sociedade da época levou nosso Filósofo a pensar que a vivência nas rodas sociais poderia levá-lo ao melhor conhecimento do homem e conduzi-lo à intimidade mais perfeita com os seus princípios. Assim, agiu conforme seu pensamento: freqüentou os saraus musicais e toda sorte de recreações da alta nobreza, desde os passeios ao campo até as conversas com amigos; os atos de gentileza eram a manifestação de sua própria alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foram de sua intimidade as pessoas da mais alta classe, dentre as quais podemos citar o Marquês de Lusignan, o Marechal de Richelieu, o Duque de Orléans, a Duquesa de Bourbon, o Cavaleiro de Fouflers e tantos outros que seria longo enumerar. Devotou-se inteiramente à busca da Verdade e à prática das Virtudes, que foram o objeto constante de seus estudos, dos seus trabalhos e das suas realizações.&amp;quot;(5) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Iniciado, pois no estudo das leis e da jurisprudência, aplicou-se mais à pesquisa das bases naturais da Justiça, relegando a um plano secundário as regras da jurisprudência. Paralelamente, desenvolvia seus estudos sobre os mistérios ocultos e logo descobriu que não poderia dedicar-se inteiramente à magistratura, como desejava sua família. Não encontrando sua vocação no Direito, abandonou a magistratura que exerceu em Tours durante seis meses. Alistou-se aos 22 anos de idade no Regimento de Foix, então aquartelado em Boudeaux, onde pode encontrar mais tempo para dedicar-se ao estudo do Ocultismo, que era sua verdadeira vocação. Após ter lido os autores mais em evidência no gênero, procurou a iniciação de uma maneira mais efetiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Caminho iniciático==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi graças a um colega do Regimento, Grainville, que bateu às portas do Templo. Grainville era iniciado em uma sociedade oculta muito importante, cujo chefe era Martinez de Pasqually. Este era casado com uma sobrinha do maior, comandante do Regimento, que se encontrava na mesma cidade de residência de Martinez. A Escola de Pasqually, seu iniciador nas práticas teúrgicas, era a Ordem dos Elus Cohens do Universo (Sacerdotes Eleitos), revigorada mais tarde pela ação de Saint-Martin e Jean Baptiste Willermoz, sob a inspiração das obras de M. Pasqually e de J. Böehme e a partir de suas próprias pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fins de 1768, Saint-Martin foi iniciado nos três primeiros graus simbólicos da referida Ordem pela espada de Balzac, avô de Honoré de Balzac, o famoso romancista francês das primeiras décadas do século XIX. Com efeito, em carta de 12 de agosto de 1771, dirigida a seu colega Willermoz, de Lyon, confirmou ter sido iniciado por Balzac e que recebera de uma só vez os três graus simbólicos. &amp;quot;Não é comum darem-se os três graus simbólicos ao mesmo tempo; deixam-se, ao contrário&amp;quot;, prosseguiu Saint-Martin na referida carta, &amp;quot;grandes intervalos de tempo entre um grau e outro, segundo o progresso de cada um.&amp;quot;(6) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, Saint-Martin submeteu-se em seguida ao método iniciático de Pasqually, de quem se tornou secretário particular e discípulo zeloso. Mas não deixou, logo depois, de criticar seu primeiro Mestre, por não concordar com tudo o que era feito em tal sistema. Considerava supérfluas todas as manifestações físicas exteriores e todos os detalhes do cerimonial Cohen: &amp;quot;São necessárias todas essas coisas para orar a Deus?&amp;quot;, perguntou Saint-Martin a seu mestre Martinez. &amp;quot;É preciso que nos contentemos com o que temos&amp;quot;(7), respondeu o Grão-Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade, era necessário trabalhar mais profundamente no sentido interior para produzir a luz. Isso certamente Martinez teria feito dentro de seu próprio sistema, se não tivesse partido da França e falecido em seguida. Sua semente ficou, no entanto, e coube a Saint-Martin e a Willermoz cuidar da planta que deveria nascer. A Providência Divina não os deixou abandonados; inspirou-os constantemente, colocando em seu caminho homens que os ajudaram, direta ou indiretamente, e proporcionando-lhes o conhecimento do sistema de Jacob Böehme. Esse sistema confirmou as descobertas que tinham feito e abriu as portas para a obtenção das chaves ainda não encontradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época em que conheceu Pasqually, tinha pouco mais de vinte e cinco anos e acabava de debutar no Ocultismo, de sorte que nem todas verdades da Iniciação pode receber de seu primeiro mestre, com o qual permaneceu cinco anos. Soube reconhecer mais tarde sua grandeza (porque é bom que se afirme que Martinez de Pasqually foi um adepto de grande iluminação). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Havia coisas preciosas em nossa primeira Escola&amp;quot;, relata Saint-Martin a seu discípulo Kircheberger. &amp;quot;Sou mesmo induzido a pensar que o Sr. Martinez de Pasqually, que era nosso mestre, possuía a chave ativa referente a tudo o que nosso prezado Jacob Böehme expõe em suas teorias, mas não julgava que fôssemos capazes de entender tão altas verdades, naquela época. Ele era sabedor de alguns pontos que nosso amigo Böehme não conhecia, ou pelo menos não revelou, como a resipiscência do ser perverso, contra o qual o primeiro homem teria tido a missão de trabalhar... Quanto à Sofia e ao Rei do Mundo, ele nada nos revelou, deixando-nos com as noções comuns de Maria e do Demônio. Mas não afirmarei que ele não teve conhecimento delas e estou convicto de que chegaríamos a esse conhecimento, se o tivéssemos conosco por mais tempo...&amp;quot;(8)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin nunca concordou com a iniciação realizada fora do silêncio e da realidade invisível, que chamava de centro ou via interior. Para ele, o interior deve ser o termômetro, a verdadeira pedra de toque do que passa fora...; e o estudo da Natureza exterior só teria sentido se conduzisse à senda interior, ativa. Esse estudo poderia, pois, ser útil na medida em que conduzisse à Verdade, mas a Iniciação, explicava ele a Kircheberger, deve agir no ser central.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não lhe ocultarei que anteriormente entrei nesse caminho externo, e através dele me foi aberta a porta de minha carreira. Meu condutor era um homem de muitas virtudes ativas, e a maioria daqueles que o seguiram, inclusive eu, receberam confirmações que talvez tenham sido úteis para nossa instrução e desenvolvimento. Todavia, em todos os instantes, eu sentia forte inclinação para o caminho intimamente secreto, o externo nunca me seduziu, nem em minha juventude.&amp;quot;(9) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entendia Saint-Martin que todo o aparato exterior não era necessário para encontrar Deus e que, ao contrário, em muitas ocasiões dificultava essa busca. Discordava das numerosas e freqüentes comunicações sensíveis de todos os tipos, manifestadas nos trabalhos de que tomava parte na sua primeira Escola, embora o signo do Reparador sempre estivesse presente, manifestando a ação da Causa Ativa e Inteligente no mundo objetivo. Afirmava, no entanto, que sua senda interior, desenvolvida depois, proporcionava-lhe resultados mil vezes superiores aos produzidos pela senda que denominava exterior e que era preconizada por Pasqually.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afirmava, no entanto, e é bom repetir, que deveria haver trabalhos internos da Ordem que não lhes foram transmitidos por causa de sua curta passagem pelo sistema e por não terem ainda passado pelos estágios iniciais. O Mestre não poderia ter agido de modo diferente, revelam-lhes os mistérios de ordem mais elevada. Acreditava, ademais, que os Princípios Divinos poderiam mesmo nascer naquele sistema, mas os trabalhos para esse efeito deveriam ser mais alguns anos com Pasqually. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não apenas Saint-Martin discordava do sistema de Martinez, uma vez que os resultados não se produziam de imediato; todos os discípulos reclamavam resultados espirituais que, em verdade, dependiam deles próprios. Willermoz parece ter sido o primeiro a manifestar a Saint-Martin seu descontentamento no que dizia respeito ao desenvolvimento das faculdades adormecidas do ser humano; é o que constatamos através da leitura de uma carta endereçada por Saint-Martin, do Oriente de Bordeaux, com data de 25 de março de 1771.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Quanto à confiança que vos dignais a testemunhar-me, abrindo-me sem escrúpulos vosso pensamento sobre nossas cerimônias, não me compete, tendo em vista nossa dignidade, fazer qualquer observação a respeito; e, diante de meu juiz, eu só deveria escutar e calar. Entretanto, as disposições puras que trazeis à Sabedoria fazem-me supor que poderíeis perdoar-me antecipadamente se ouso acrescentar, às vossas, algumas idéias próprias. Procuro, como vós, esclarecer-me... Confesso que o objetivo que buscamos na iniciação parece-me muito difícil de ser atingido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredito que, mesmo nos encontrando nas melhores condições, quando todas as cerimônias são empregadas com a maior regularidade, a Coisa pode ainda guardar seu véu para nós tanto quanto quiser; ela está tão pouco à disposição do homem que ele não pode, jamais, apesar de seus esforços, estar certo de obtê-la. Ele deve esperar e orar sempre, eis nossa condição. O espírito conduz seu sopro onde quer, quando quer, sem que saibamos de onde vem e para onde vai... Se o poder não se manifesta agora, ele poderá ocorrer mais tarde; se não se opera pela visão, ele prepara a forma daquele que se mantém puro para receber as impressões salutares, quando o espírito assim quiser. Não atribuais, então, o estado em que vos encontrais a algum problema de vossa parte ou à invalidade das cerimônias.&amp;quot;(10)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz procurava obter por carta maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Pelo que constatamos, os resultados práticos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam. Era necessário muito trabalho, como em qualquer sistema de iniciação, para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A correspondência entre Saint-Martin e Willermoz, iniciada em 1768, estendeu-se até 1773. Em 1771, Saint-Martin abandonou a carreira militar para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo. Durante dois anos empregou todo o tempo disponível para trabalhar ao lado do mestre; foi durante esse período que se familiarizou com a ritualística dos Cohens e com a doutrina de Martinez, bem como com todas as suas práticas iniciáticas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partiu de Bordeaux em maio de 1773, na ocasião em que Martinez preparava-se para viajar para as Antilhas. Antes de se despedir, entretanto, Saint-Martin foi recebido no último grau dos Cohens, aquele de Réaux-Croix, como atesta uma carta de Martinez, datada de 17 de abril de 1772: &amp;quot;Após ter examinado e reexaminado os candidatos Saint-Martin e Seres, por nossa votação ordinária e em conseqüência das ordens que recebemos, nós os ordenamos Réaux-Croix...&amp;quot;(11) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1773, finalmente, Saint-Martin conheceu Willermoz, em Lyon, após terem trocado correspondência durante cinco anos. Seu círculo de amizade limitava-se aos irmãos da Ordem: Grainville, Balzac, Hauterive, Bacon de la Chevalerie, o Abade Fournier e Willermoz. Permaneceu um ano em Lyon, seguindo para sua cidade natal e, posteriormente, para Paris. Em abril de 1785, Willermoz obteve sucesso com suas operações: a &amp;quot;Coisa ativa e inteligente&amp;quot; finalmente mostrou-se aos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, sabendo da notícia, partiu de Paris em junho do mesmo ano, com destino a Lyon, levando consigo uma bíblia em hebraico e um dicionário, para entreter-se na viagem. Ficou seis meses em Lyon, partindo mais tarde para Nápoles e Londres, onde tomou conhecimento das publicações de Willian Law, morto em 1761, e que pertencia à tradição de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Seríamos excessivamente prolixos se procurássemos seguir as pegadas do nosso Filósofo Desconhecido, ao longo de sua jornada terrena, onde a cada passo, não obstante, encontraríamos o exemplo dignificante e o traço indelével da imensa esteira de luz que marcou sua trajetória neste mundo. Difícil ainda seria penetrarmos na profundeza do seu pensamento, da sua filosofia, da sua doutrina de elevação e regeneração do homem na busca da iluminação e da paz...&amp;quot;(12) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi inicialmente de Lyon que o Filósofo Desconhecido procurou irradiar a luz, após a partida de Martinez para o Oriente Eterno. A direção da Ordem dos Elus Cohen não ficou com Saint-Martin nem com Willermoz, mas nas mãos de pessoas menos preparadas para levar adiante um sistema que ainda necessitava de aperfeiçoamento. Coube a Saint-Martin e a Willermoz a resignação de continuarem ocultamente a pesquisa da Verdade por suas próprias forças. O &amp;quot;Agente Incógnito&amp;quot; teria ditado inúmeras instruções e partes de um livro que Louis Claude de Saint-Martin publicou, destinado a lutar contra o materialismo vigente na época. (13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez por esse motivo Saint-Martin tenha iniciado uma série de viagens, verdadeiros apostolados, para realizar propaganda das idéias espiritualistas, recolher dados e informações iniciáticas e entrar em contato com discípulos e homens de ciência. Em todos esses contatos sempre conquistava novas amizades e discípulos para continuarem sua obra. Saint-Martin tinha uma conversa muito agradável, uma vez que seu verbo não fazia senão expressar sua paz interior, seus conhecimentos e a nobreza de sua alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os salões mais aristocráticos de Paris disputavam sua presença. Essas qualidades eram agradáveis às mulheres, que não hesitavam em convidá-lo para as festas, pensando em casar suas filhas. Mas o Filósofo Desconhecido quis dedicar-se integralmente à sua obra de divulgação do Espírito. Em 1778, em Toulouse, esteve prestes a se casar; contudo, esse projeto desvaneceu-se como todos os demais a esse respeito. Afirmava sentir uma voz no seu interior que lhe dizia ser ele originário de um lugar onde não existem mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agente Incógnito desapareceu de cena em 1788, época em que Saint-Martin retornou à Lyon, mas reapareceu em 1790 para destruir uma série de cadernos de instruções por ele próprio ditados: &amp;quot;Eu devolvi ao Agente&amp;quot;, conta-nos Willermoz, &amp;quot;a seu pedido, mais de 80 cadernos manuscritos inéditos, que destruiu.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Pasqually, ocorrida em 1774 em São Domingos, o centro oculto da iniciação Cohen passou a Lyon e foi lá, como contam seus biógrafos, &amp;quot;que o Filósofo Desconhecido, armado com a Sabedoria Divina, passou a fazer oposição à doutrina materialista dos Enciclopedistas. Combatendo o materialismo revolucionário e sua doutrina errônea inserida em uma pretensa filosofia da natureza e da história, Saint-Martin chamou o homem de volta à Verdade, fundamentando-se no princípio do conhecimento de si mesmo e na natureza do ser inteligente&amp;quot;.(14) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, entretanto, nunca ficou muito ligado ao rigor das instituições iniciáticas, mas, em razão da problemática da época, em pleno desenvolvimento da Revolução Francesa, procurou, para a salvaguarda das suas próprias doutrinas e das tradições de que então já era depositário, unir-se a grupos ou formar grupos cujos membros desejassem, sinceramente, dedicar-se ao culto da Verdade e à prática das Virtudes. Estudava, paralelamente, as doutrinas de Pasqually e de Swedenborg, as primeiras mostrando-lhe a ciência do Espírito e as segundas a ciência da Alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;A Revolução, em todas as suas fases, encontrou Saint-Martin sempre o mesmo, dedicado a seu objetivo. Por princípio, esteve acima das considerações de nascimento e opiniões, por isso não emigrou; enquanto se mantinha ao seu redor todo o horror das desordens e dos excessos, acreditou sempre que o bem podia surgir do terrível advento da Revolução Francesa, pela intermediação da Divina Providência; pensou ver um grande instrumento temporal no homem que se levantou para suprimir seus excessos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foi em 1793, quando a família e a sociedade dissolviam-se, que vendeu as suas últimas posses para manter e cuidar de seu pai, velho e paralítico. Na mesma época, não obstante os estreitos limites a que ficou reduzida a sua fortuna, contribuiu para as necessidades públicas de sua comunidade. Retornando à capital, foi atingido pelo decreto de expulsão dos nobres. Saint-Martin submeteu-se e deixou Paris.(15)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o terror revolucionário, era necessária muita prudência, mesmo para os assuntos iniciáticos. Saint-Martin recebeu um mandado de prisão, embora vivesse mergulhado nos estudos e na meditação, sem nunca ter feito política. Não subiu ao cadafalso porque Robespierre caiu em seguida. Havia a proteção do Alto, que o guiava na terra, obscurecida pela agitação dos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Uma corrente de prestígios inundou a inteligência humana em geral, e a dos parisienses em particular, porque a cidade, que comporta sábios e doutores de toda espécie, possui poucos que orientam seu pensamento na direção dos conhecimentos verdadeiros, e há menos ainda que buscam esses conhecimentos com um espírito reto. A maior parte deles não fazem mais que dissecar as cascas da Natureza, medir, pesar e enumerar todas as suas moléculas. Eles tentam, insensatos, a conquista de tudo que se encontra em composição no Universo, como se isso lhes fosse possível. Esses sábios, tão célebres e tão ruidosos, não sabem que o Universo (ou o Templo) é a imagem reduzida da indivisível e universal eternidade; eles podem contemplar e admirar, pelo espetáculo de suas propriedades e de suas maravilhas, ... mas jamais poderão conquistar o segredo de sua existência.&amp;quot;(16) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, para cumprir seu dever cívico, serviu na Guarda Nacional e, em Amboise, foi escolhido para ser um dos instrutores da Escola Normal Superior, que formava jovens professores; tomou parte em 1795 da primeira Assembléia Eleitoral, sem contudo tornar-se membro efetivo de qualquer corpo legislativo. O que buscava era o Conhecimento e a difusão de suas doutrinas. Jamais fez proselitismo e procurava ter por discípulos amigos fiéis da Verdade. Quem visse seu jeito humilde jamais poderia suspeitar de sua elevada espiritualidade. Sua docilidade para com o tratamento, sua serenidade, manifestava no entanto o sábio, O Novo Homem formado pela filosofia profunda do aperfeiçoamento moral e espiritual. A luz que irradiava de seu centro fazia justiça à sua condição de Homem-Espírito, o grande sol da transição ao século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi em 1788, em Estrasburgo, que Saint-Martin tomou conhecimento das obras de Jacob Böehme, o Teósofo Teutônico, através de Rodolphe de Salzmann. Surpreso, constatou que essa doutrina combinava com a de seu antigo mestre Martinez de Pasqually, sendo idênticas em essência.. Coube a ele a tarefa de fazer o feliz casamento das duas correntes doutrinárias, elaborando um sistema sintático, capaz de satisfazer seus anseios e colocar à disposição de todos os Homens de Desejo um caminho seguro para chegar à Iluminação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A síntese iniciática foi obtida em poucos anos de trabalho pelo nosso Filósofo Desconhecido, secundado que foi por seu colega Jean Baptiste Willermoz. Necessitava, entretanto, de uma transmissão iniciática da corrente de Böehme para associar à sua, advinha de Pasqually. Essa corrente alemã de Jacob Böehme foi obtida ao ser iniciada pelo Barão de Salzmann, em Estrasburgo, e confirmada na linha mais antiga dos Templários, ao associar-se com a Estrita Observância Templária, do Barão de Hund. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz foi o encarregado, em Lyon, de organizar o sistema maçônico do Rito Escocês Retificado, fruto do Convento de Wilhelmsbad de 1782. Coube a Saint-Martin a chefia e a realização de iniciações individuais da Ordem Interior dos Filósofos Desconhecidos. Vários alemães foram iniciados no novo sistema (muitos dos quais já eram discípulos de Martinez de Pasqually), ingressando na iniciação real que conduz à Iluminação e à Reintegração a partir deste mundo na Unidade Divina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin considerava as obras de Jacob Böehme de uma profundidade e de um valor inestimáveis e não se achava digno nem de desatar as sandálias de Jacob Böehme; entendia que seria necessário que o homem se tivesse tornado pedra ou demônio para não tirar proveito de tais obras. (17)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi assim que passou a estudar o alemão, com quase 50 anos de idade, para melhor penetrar no sentido oculto e no pensamento do autor. Procurou traduzir para o francês as principais obras do Mestre. A partir de então, sempre que se referia a Jacob Böehme dizia que o Iluminado teutônico foi a maior luz que veio a este mundo depois daquele que era a própria Luz, isto é, o Cristo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após ter percorrido parte da Europa, estabeleceu seu apostolado em Toulouse, Versailles e Lyon, sempre lançando a semente espiritual em uma terra que se tornou fecunda, recolhendo ele próprio as doutrinas mais apropriadas para o seu espírito e seu sistema. Mais tarde, centralizou sua ação em três cidades: Estrasburgo, Amboise e Paris, que eram, como confessou, seu paraíso, seu inferno e seu purgatório. Fora dessas cidades possuía membros correspondentes de sua sociedade, como o Barão de Kircheberger, que não chegou a conhecer, mas a quem enviou um emissário, o Conde Divonne, para certamente lhe transmitir a iniciação. Kircheberger era grande admirador das obras de Saint-Martin; pertencia à Escola de Böehme, da qual tomaram parte igualmente Khunrath e Gichtel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kircheberger escreveu a Saint-Martin que, segundo uma lenda corrente em sua Escola, a Virgem Celeste, a Divina Sofia, nos dias das núpcias compareceu com seu corpo celeste de Glória e escolheu Gichtel, vindo à sua casa, colocando em ordem seus papéis e completando com seu próprio punho os manuscritos por ele deixados inacabados. Em vida teria igualmente recebido favores de sua esposa celeste, pois como general venceu o exército de Luiz XIV, que pretendia conquistar Amsterdã, cidade onde o adepto residia. Durante toda a batalha, o general não teria saído do quarto.(18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não somente Saint-Martin acreditava no relato de Kircheberger, como lhe pedia maiores detalhes sobre Gichtel. &amp;quot;Se estivéssemos um perto do outro, escreveu-lhe Saint-Martin, eu também teria uma história de casamento para vos contar. Os mesmos passos foram dados por mim, mas de um modo um pouco diferente, embora chegando aos mesmos resultados. Creio, com efeito, ter conhecido a esposa de Gichtel..., mas não de modo tão particular como ele. Eis o que me aconteceu por ocasião do casamento de que falei: eu estava orando... e me foi dito intelectualmente, mas de modo muito claro, o seguinte: Depois que o Verbo é feito carne, nenhuma carne deve dispor dela própria sem que Ele o permita. Essas palavras penetram profundamente em meu ser; ainda que não tenham significado uma proibição formal, recusei-me a toda negociação posterior.&amp;quot;(19) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredita-se que a chave da iniciação está no desejo do homem de purificar-se, de evoluir e de atingir a iluminação. Essa evolução é necessária para remediar a degradação a que o homem se submeteu após a Queda Original. Antes, o homem podia obrar em conformidade com a Vontade do Pai, sendo dessa maneira poderoso, mas após ter se revestido de um envoltório material, suas capacidades espirituais atrofiaram-se e a Vontade e a pureza de outrora aniquilaram-se. Foi na cidade de Estrasburgo que Saint-Martin deu a um discípulo a chave de O Homem de desejo, que, por extensão, serve para a própria Iniciação:&lt;br /&gt;
A Chave do Homem de Desejo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Avant qu'Adam mangeât la pomme,&lt;br /&gt;
Sans effort nous pouviouns oeuvrer.&lt;br /&gt;
Depouis, L'oeuvre ne se consomme.&lt;br /&gt;
Qu'au edu pur d'un ardent supir;&lt;br /&gt;
La Clef de l'Homme de Désir&lt;br /&gt;
Doit naître du désir de l'homme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto é, antes de Adão ter comido a maçã, o homem podia realizar sua obra sem esforço; depois, a obra não se concretiza a não ser com a ajuda do fogo puro, emanado de um ardente suspiro, advindo do grande esforço individual. Assim, a chave do Homem de Desejo deve nascer do desejo do homem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu livro O Homem de Desejo, publicado pela primeira vez em 1790, são litânias no estilo do salmista, nas quais a alma humana evolui para o seu primeiro estágio, num caminho que o Espírito pode ajudá-la a percorrer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin escreveu este livro por sugestão do filósofo religioso Thiaman, durante suas viagens a Estrasburgo e a Londres. Lavater, então clérico em Zurique, elogiou essa obra como um dos livros que mais tinha gostado, embora reconhecesse não ter tido condições de penetrar nas bases da doutrina exposta. Kircheberger, mais familiar aos princípios do livro, considerou-o como o mais rico em pensamentos iluminados. O próprio Saint-Martin concordou que nesse livro encontram-se os germes do conhecimento que ignorava até a leitura das obras de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo de seu livro O Homem de Desejo é mostrar que o homem deve confiar na Regeneração, chamando sua atenção para a necessidade de retorno ao Mundo Divino de onde saiu e ao trabalho que deverá realizar para alcançar esse objetivo, isto é, concentrando suas forças pelo desejo ardente de aperfeiçoar-se e tornar-se um homem de vontade forte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não há nenhum outro mistério para se chegar a essa sagrada iniciação, senão penetrando cada vez mais no fundo de nosso ser e não esmorecendo até que possamos produzir a viva e edificante raiz; porque, então, todos os frutos que haveremos de gerar, conforme nossa espécie, serão produzidos dentro de nós e sem nós, naturalmente; é o que ocorre com nossas árvores terrestres, porque elas aderem às próprias raízes e, incessantemente, retiram sua seiva.&amp;quot;(20) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compreende-se, assim, que o ensinamento deixado por Saint-Martin, e que veio de Martinez de Pasqually e de Jacob Böehme, era muito profundo e de natureza divina. Constitui-se uma Escola de Homens de Desejo, ávidos por adquirirem conhecimentos, uma elite do pensamento, embaçada em um sistema filosófico iniciático, tendo como objetivo o desenvolvimento moral e espiritual do homem. Não é uma Escola de especulação abstrata, mas um centro onde os membros procuram conhecer a doutrina e a experiência dos mestres e onde procuram vivê-la na vida diária, para atingir a perfeição interior, através de um processo de autotransformação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de homens livres eram formados por um pequeno número de pessoas inteligentes e de mente sã, escrupulosamente examinadas, Saint-Martin dizia que as grandes verdades só podem ser bem ensinadas no silêncio. Todos aqueles que não sabem calar, que falam mais do que observam, não podem ser recebidos na senda interior. Saber guardar o silêncio é condição indispensável para que o homem se torne digno de receber outros ensinamentos cada vez mais profundos, emanados não apenas de seu iniciador, como do próprio Mundo Invisível. Para isso, necessitamos de treinamento, que se efetua guardando-se o silêncio em relação às pequenas coisas, mesmo profanas. Qualquer sociedade iniciática não pode ser aberta, pois assim perderia a força que porventura tivesse recebido do Alto. Guardar o silêncio significa fechar-se às influências exteriores, às opiniões contrárias que só trazem ações conflitantes. Fechar-se em torno de si mesmo é magnetizar-se; é evitar que as próprias forças divinas se dispersem na Natureza, passando por nós. É criar um pólo de atração; é tornar-se um receptáculo das influências celestes; é tornar-se a taça que recebe o influxo divino.&lt;br /&gt;
A Iniciação é um processo interior de aperfeiçoamento do homem, tornando-o apto a receber as forças divinas. O homem é a soma de todos os problemas da existência; é a síntese, o enigma dos enigmas, a pedra bruta que deve ser talhada e aperfeiçoada. Esse desenvolvimento deve ocorrer de tal modo que o ser criado se religue ao Criador, através da aproximação da natureza impura com a natureza pura. Por isso, a primeira deve ser trabalhada até ficar quase no mesmo estado da segunda; somente depois haverá uma atração tal, que a Natureza Superior descerá até a inferior, purificando-a em definitivo e deixando-a conforme ela mesma: é a Iluminação do Iniciado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele que possuir o conhecimento de si mesmo terá acesso à ciência do mundo, dos demais seres. O conhecimento de si próprio é somente em si que deve buscar. É no espírito do homem que se devem encontrar as leis que dirigem sua origem. É preciso, pois, que o iniciado encontre seu centro iniciático, a divindade em si, para adquirir o pleno conhecimento de si mesmo. É necessário conhecer suas fraquezas para melhor dominá-las e não voltar a praticar os mesmos erros. Jesus Cristo dizia aos homens para não pecarem mais menos, até o dia em que, tendo encontrado seu equilíbrio iniciático, possam chegar a não pecar mais. Sua luta deve ser constante, contra as paixões, suas contrariedades internas e a ira. A docilidade representa a presença de Deus no centro iniciático; a ira representa a sua ausência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O homem não pode ser integralmente livre da ira e do pecado porque os movimentos do abismo deste mundo tampouco são totalmente puros ante o coração de Deus; o amor e a ira sempre lutam entre si.&amp;quot;(21)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A doutrina de Saint-Martin difundiu-se na Alemanha e na Rússia, através de seus discípulos. Na Rússia, a doutrina martinista encontrou um grande divulgador em Joseph de Maistre, que afirmava a existência de Deus no interior de cada indivíduo e, por conseguinte, que o segredo de toda a iniciação consistia em descobrir o centro iniciático próprio, a senda interior, a fim de proceder ao próprio desenvolvimento espiritual. Assim, a iniciação é uma senda real, interior, individual, e não se encontra no exterior, nas sociedades ou no Enciclopedismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1803, o Filósofo Desconhecido dava seus últimos passos em direção à Eternidade, pois sua saúde mostrava-se débil. Mas não se afligiu com essa perspectiva; ao contrário, dizia que a Providência sempre lhe havia dispensado muito cuidado, de modo que só poderia render-lhe graças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta-nos Gence que certa vez, visitando um amigo comum, Saint-Martin confessou-lhe que estava partindo para o Oriente Eterno e no dia seguinte, visitando seu amigo o Conde Lenoir la Roche, em Aulnay, após leve refeição, retirou-se para o quarto; sofreu um ataque de apoplexia e partiu. Era o dia 13 de outubro de 1803. Foi então que seus discípulos e amigos perderam a convivência física com o Mestre, mas ganharam a eterna e permanente proteção espiritual que nos envia do Reino da Glória, através dos Mundos Invisíveis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a obra de Louis Claude de Saint-Martin continua através dos Grupos de Iniciados que seguem sua doutrina. A Conquista da Iluminação é o objetivo último de todos os Homens de Desejo, que encontram nas obras do Mestre e no seu exemplo, como Homem e como Iniciado, o respaldo necessário para prosseguir na senda sem desânimo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que cada um possa transformar-se em um Novo Homem, renascido pela Luz, que resplandece na alma de todos, e que engendrará, no futuro, o Homem-Espírito, o novo Sol que acalentará os corações de todos com seu procedimento e com sua serenidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras de Louis Claude de Saint-Martin==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1-) Des Erreurs et de la Vérité, ou les Hommes Rappelés au Principe Universel de la Science. Edimbourg, 1775, 2 vol.&lt;br /&gt;
2-) Suite des Erreurs et de la Vérité. A Salomonopolis, Androphile, 1784.&lt;br /&gt;
3-) Tableau Naturel des Rapports qui Existent entre Dieu, l'Homme et l'Univers. Édimbourg. 1782.&lt;br /&gt;
4-) L'Homme de Désir. Lyon, 1790.&lt;br /&gt;
5-) Ecce Homo. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
6-) Le Nouvel Homme. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
7-) Letre à un Ami, ou Considérations Philosophiques et Religieuses sur la Révolution Française. Paris, Louvet, Palais, Égalité, 1796.&lt;br /&gt;
8-) Éclair sur l'Association Humaine. Paris, Marais, 1797. &lt;br /&gt;
9-) Le Crocodille ou la Guerre du Bien et du Mal, Arrivée sous le Règne de Louis XV. Paris, Cercle Social, 1798.&lt;br /&gt;
10-) Réflexiones d'un Observateur sur la Question Proposée por l'Institut: &amp;quot;Quelles sont les Institutions les plus Propres à Fonder la Morale d'un Peuple?. Paris, 1798.&lt;br /&gt;
11-) De l'Influence des Signes sur la Pensée (inserido incialmente no Crocodile). Paris, 1799.&lt;br /&gt;
12-) L'Esprit des Choses ou Coup d'Deil Philosophique sur la Nature des Étres et sur l'Objet de leur Existence. Paris, 1800, 2 vol.&lt;br /&gt;
13-) Le Ministère de l'Homme-Esprit. Paris, 1802.&lt;br /&gt;
14-) Oeuvres Posthumes de Saint-Martin. Tours, 1807, 2vol.&lt;br /&gt;
15-) Traité des Nombres. S/1, M. Léon, 1844.&lt;br /&gt;
16-) Correspondence de Saint-Martin avec Kircheberger, Baron de Liebisdorf, des annèes 1792 a 1799, S. n. t. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Traduções das obras de Jacob Boehme==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17-) L'Aurore Naissante ou la Racine de la Philosophie, de l'Astrologie et de la Théologie. Paris, 1800.&lt;br /&gt;
18-)Des Trois Principes de l'Essence Divine ou de l'Eternel Engendrement sans Origine de l'Homme, d'où il a été Crée et pour quelle Fin. Paris, 1802, 2 vol. &lt;br /&gt;
19-)Quarente Questions sur l'Origine, l'Essence, l'Etre, la Nature et la Propriété de l'Âme, suivies des &amp;quot;Six Poit&amp;quot;. Paris, 1807.&lt;br /&gt;
20-) De la Triple Vie de l'Homme selon de Mystère des Trois Principes de la Manifestation Divine. Paris, 1809.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- SAINT-MARTIN, L. C. Oeuvres Posthumes; Portrait Historique et Phisosophique de Saint-Martin fait par lui-même, p. 58-59. &lt;br /&gt;
2- Id., t.1, p.5.&lt;br /&gt;
3- Id., t.1, p.78-9.&lt;br /&gt;
4- J. B. M. Gence foi discípulo de Saint-Martin e com ele conviveu longos anos: seu relato encontra-se no prefácio de Teosophic Correspondence between L. C. de Saint-Martin and Kircheberger, Baron de Liebistorf, P. V.&lt;br /&gt;
5- Id., p. VI.&lt;br /&gt;
6- PAPUS. L'Illuminismo en France, 1771-1803: Louis-Claude de Saint-Martin, as Vie, as Voie Theurgique, ses Oeuvrages, son Oeuvre, ses Disciples, suivi de la Publicatino de 50 Letters Inédites, p. 109.&lt;br /&gt;
7- MATER, M. Saint-Martin, le Philosophe Inconnu. Ed. d'Aujourd'hui, p. 20.&lt;br /&gt;
8- SAINT-MARTIN, L. C. Theosophic Correspondense, op. Cit. Carta XCII.&lt;br /&gt;
9- Id. Carta IV.&lt;br /&gt;
10- PAPUS. Louis Claude de S. Martin. 1902.&lt;br /&gt;
11- Id., p. 12.&lt;br /&gt;
12- Comentário deixado por Ary Ilha Xavier, profundo conhecedor das obras de Saint-Martin.&lt;br /&gt;
13- Des Erreurs et de la Vérité. Edimbourg, 1775, 2v.&lt;br /&gt;
14- Gence. Op. Cit., p. IV.&lt;br /&gt;
15- Id., p. VII.&lt;br /&gt;
16- SAINT-MARTIN, L.C. Le Crocodile, Canto XV, p.53.&lt;br /&gt;
17- SAINT-MARTIN, L.C. Mont Portrait. Op. Cit., p. 42.&lt;br /&gt;
18- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Op. Cit. Carta LVIII.&lt;br /&gt;
19- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence Op. Cit. Carta LXII.&lt;br /&gt;
20- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Carta número CX.&lt;br /&gt;
21- BÖEHME, J. Confesiones, p. 44.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Louis_Claude_de_Saint-Martin&amp;diff=7143</id>
		<title>Louis Claude de Saint-Martin</title>
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		<updated>2007-10-24T06:23:00Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;&lt;br /&gt;
Louis Claude de Saint-Martin, o &amp;quot;Filósofo Desconhecido&amp;quot;, pensador profundo e grande iniciado, nasceu a 18 de janeiro de 1743 em Amboise, Tourraine, no centro da França, no seio de uma família nobre, mas pouco abastada e desconhecida. Logo depois do nascimento de Saint-Martin, sua mãe faleceu, e ele foi criado pelo pai e por uma madrasta, pessoa amável e de bom coração, que o iniciou na leitura de Jacques Abbadie, ministro protestante de Genebra. Com esse autor, apreendeu a conhecer a si mesmo, relegando a um plano secundário a análise decepcionante e estéril dos filósofos em voga na época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Influências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;É à obra de Abbadie, A Arte de Conhecer a Si Mesmo, que devo meu afastamento das coisas mundanas; é a Burlamaqui que devo minha inclinação pelas bases naturais da razão; é a Martinez de Pasqually que devo meu ingresso nas verdades superiores; é a Jacob Böehme que devo meus passos mais importantes nos caminhos da Verdade.&amp;quot;(1) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro autor que influenciou o Filósofo Desconhecido desde sua juventude foi Pascal. Aos 18 anos, em meio às discussões filosóficas dos livros que lia, deu-se conta de que, existindo o Criador do Universo e uma alma, nada mais seria necessário para ser sábio. (2) Foi com base nessas concepções que fundou sua doutrina posterior. Na época de seus estudos no Colégio de Pontlevoi, o Ocultismo já fazia parte de suas meditações. Na Faculdade, igualmente, eram os estudos metafísicos que o atraíam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Formação==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudou Direito conforme a vontade de seu pai, e esse ambiente proporcionou-lhe maior contato com o mundo filosófico e literário da época. Conheceu as obras de Voltaire, Rousseau, Montesquieu e outros autores não iniciados, mas sem ceder à inclinação dos enciclopedistas. &amp;quot;Li, vi e escutei os filósofos da matéria e os doutores que devastam o mundo com suas instruções; nenhuma gota de seus venenos penetrou-me; nem as mordidas de uma só dessas serpentes prejudicaram-me.&amp;quot;(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jovem estudante procurava tudo o que pudesse conduzi-lo ao conhecimento da Verdade, particularmente as ciências e princípios exatos. Dedicou-se assim ao estudo filosófico dos números e, por algum tempo, esteve ligado a Lalande e sua escola filosófica, sintetizada em Ciência dos Números. Esse convívio, entretanto, não foi longo, pois seus pontos de vista eram divergentes e nosso Filósofo passou a estudar Jean Jacques Rousseau. Como ele, pensava ser o homem naturalmente bom; mas entendia que as virtudes perdidas originalmente, em razão da Queda, poderiam ser reconquistadas desde que o homem o desejasse ardentemente. Acreditava que o naufrágio no materialismo era conseqüência mais das associações viciosas e desvirtuadas do que do pecado original. E, nisso, afirma-nos seu discípulo Gence(4), ele se diferenciava de Rousseau, a quem considerava um misantropo por sua excessiva sensibilidade, ao olhar os homens, não como eram, mas como gostaria que fossem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin amava a humanidade e considerava-a melhor do que parecia ser; e o encanto da sociedade da época levou nosso Filósofo a pensar que a vivência nas rodas sociais poderia levá-lo ao melhor conhecimento do homem e conduzi-lo à intimidade mais perfeita com os seus princípios. Assim, agiu conforme seu pensamento: freqüentou os saraus musicais e toda sorte de recreações da alta nobreza, desde os passeios ao campo até as conversas com amigos; os atos de gentileza eram a manifestação de sua própria alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foram de sua intimidade as pessoas da mais alta classe, dentre as quais podemos citar o Marquês de Lusignan, o Marechal de Richelieu, o Duque de Orléans, a Duquesa de Bourbon, o Cavaleiro de Fouflers e tantos outros que seria longo enumerar. Devotou-se inteiramente à busca da Verdade e à prática das Virtudes, que foram o objeto constante de seus estudos, dos seus trabalhos e das suas realizações.&amp;quot;(5) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Iniciado, pois no estudo das leis e da jurisprudência, aplicou-se mais à pesquisa das bases naturais da Justiça, relegando a um plano secundário as regras da jurisprudência. Paralelamente, desenvolvia seus estudos sobre os mistérios ocultos e logo descobriu que não poderia dedicar-se inteiramente à magistratura, como desejava sua família. Não encontrando sua vocação no Direito, abandonou a magistratura que exerceu em Tours durante seis meses. Alistou-se aos 22 anos de idade no Regimento de Foix, então aquartelado em Boudeaux, onde pode encontrar mais tempo para dedicar-se ao estudo do Ocultismo, que era sua verdadeira vocação. Após ter lido os autores mais em evidência no gênero, procurou a iniciação de uma maneira mais efetiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Caminho iniciático==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi graças a um colega do Regimento, Grainville, que bateu às portas do Templo. Grainville era iniciado em uma sociedade oculta muito importante, cujo chefe era Martinez de Pasqually. Este era casado com uma sobrinha do maior, comandante do Regimento, que se encontrava na mesma cidade de residência de Martinez. A Escola de Pasqually, seu iniciador nas práticas teúrgicas, era a Ordem dos Elus Cohens do Universo (Sacerdotes Eleitos), revigorada mais tarde pela ação de Saint-Martin e Jean Baptiste Willermoz, sob a inspiração das obras de M. Pasqually e de J. Böehme e a partir de suas próprias pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fins de 1768, Saint-Martin foi iniciado nos três primeiros graus simbólicos da referida Ordem pela espada de Balzac, avô de Honoré de Balzac, o famoso romancista francês das primeiras décadas do século XIX. Com efeito, em carta de 12 de agosto de 1771, dirigida a seu colega Willermoz, de Lyon, confirmou ter sido iniciado por Balzac e que recebera de uma só vez os três graus simbólicos. &amp;quot;Não é comum darem-se os três graus simbólicos ao mesmo tempo; deixam-se, ao contrário&amp;quot;, prosseguiu Saint-Martin na referida carta, &amp;quot;grandes intervalos de tempo entre um grau e outro, segundo o progresso de cada um.&amp;quot;(6) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, Saint-Martin submeteu-se em seguida ao método iniciático de Pasqually, de quem se tornou secretário particular e discípulo zeloso. Mas não deixou, logo depois, de criticar seu primeiro Mestre, por não concordar com tudo o que era feito em tal sistema. Considerava supérfluas todas as manifestações físicas exteriores e todos os detalhes do cerimonial Cohen: &amp;quot;São necessárias todas essas coisas para orar a Deus?&amp;quot;, perguntou Saint-Martin a seu mestre Martinez. &amp;quot;É preciso que nos contentemos com o que temos&amp;quot;(7), respondeu o Grão-Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade, era necessário trabalhar mais profundamente no sentido interior para produzir a luz. Isso certamente Martinez teria feito dentro de seu próprio sistema, se não tivesse partido da França e falecido em seguida. Sua semente ficou, no entanto, e coube a Saint-Martin e a Willermoz cuidar da planta que deveria nascer. A Providência Divina não os deixou abandonados; inspirou-os constantemente, colocando em seu caminho homens que os ajudaram, direta ou indiretamente, e proporcionando-lhes o conhecimento do sistema de Jacob Böehme. Esse sistema confirmou as descobertas que tinham feito e abriu as portas para a obtenção das chaves ainda não encontradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época em que conheceu Pasqually, tinha pouco mais de vinte e cinco anos e acabava de debutar no Ocultismo, de sorte que nem todas verdades da Iniciação pode receber de seu primeiro mestre, com o qual permaneceu cinco anos. Soube reconhecer mais tarde sua grandeza (porque é bom que se afirme que Martinez de Pasqually foi um adepto de grande iluminação). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Havia coisas preciosas em nossa primeira Escola&amp;quot;, relata Saint-Martin a seu discípulo Kircheberger. &amp;quot;Sou mesmo induzido a pensar que o Sr. Martinez de Pasqually, que era nosso mestre, possuía a chave ativa referente a tudo o que nosso prezado Jacob Böehme expõe em suas teorias, mas não julgava que fôssemos capazes de entender tão altas verdades, naquela época. Ele era sabedor de alguns pontos que nosso amigo Böehme não conhecia, ou pelo menos não revelou, como a resipiscência do ser perverso, contra o qual o primeiro homem teria tido a missão de trabalhar... Quanto à Sofia e ao Rei do Mundo, ele nada nos revelou, deixando-nos com as noções comuns de Maria e do Demônio. Mas não afirmarei que ele não teve conhecimento delas e estou convicto de que chegaríamos a esse conhecimento, se o tivéssemos conosco por mais tempo...&amp;quot;(8)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin nunca concordou com a iniciação realizada fora do silêncio e da realidade invisível, que chamava de centro ou via interior. Para ele, o interior deve ser o termômetro, a verdadeira pedra de toque do que passa fora...; e o estudo da Natureza exterior só teria sentido se conduzisse à senda interior, ativa. Esse estudo poderia, pois, ser útil na medida em que conduzisse à Verdade, mas a Iniciação, explicava ele a Kircheberger, deve agir no ser central.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não lhe ocultarei que anteriormente entrei nesse caminho externo, e através dele me foi aberta a porta de minha carreira. Meu condutor era um homem de muitas virtudes ativas, e a maioria daqueles que o seguiram, inclusive eu, receberam confirmações que talvez tenham sido úteis para nossa instrução e desenvolvimento. Todavia, em todos os instantes, eu sentia forte inclinação para o caminho intimamente secreto, o externo nunca me seduziu, nem em minha juventude.&amp;quot;(9) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entendia Saint-Martin que todo o aparato exterior não era necessário para encontrar Deus e que, ao contrário, em muitas ocasiões dificultava essa busca. Discordava das numerosas e freqüentes comunicações sensíveis de todos os tipos, manifestadas nos trabalhos de que tomava parte na sua primeira Escola, embora o signo do Reparador sempre estivesse presente, manifestando a ação da Causa Ativa e Inteligente no mundo objetivo. Afirmava, no entanto, que sua senda interior, desenvolvida depois, proporcionava-lhe resultados mil vezes superiores aos produzidos pela senda que denominava exterior e que era preconizada por Pasqually.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afirmava, no entanto, e é bom repetir, que deveria haver trabalhos internos da Ordem que não lhes foram transmitidos por causa de sua curta passagem pelo sistema e por não terem ainda passado pelos estágios iniciais. O Mestre não poderia ter agido de modo diferente, revelam-lhes os mistérios de ordem mais elevada. Acreditava, ademais, que os Princípios Divinos poderiam mesmo nascer naquele sistema, mas os trabalhos para esse efeito deveriam ser mais alguns anos com Pasqually. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não apenas Saint-Martin discordava do sistema de Martinez, uma vez que os resultados não se produziam de imediato; todos os discípulos reclamavam resultados espirituais que, em verdade, dependiam deles próprios. Willermoz parece ter sido o primeiro a manifestar a Saint-Martin seu descontentamento no que dizia respeito ao desenvolvimento das faculdades adormecidas do ser humano; é o que constatamos através da leitura de uma carta endereçada por Saint-Martin, do Oriente de Bordeaux, com data de 25 de março de 1771.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Quanto à confiança que vos dignais a testemunhar-me, abrindo-me sem escrúpulos vosso pensamento sobre nossas cerimônias, não me compete, tendo em vista nossa dignidade, fazer qualquer observação a respeito; e, diante de meu juiz, eu só deveria escutar e calar. Entretanto, as disposições puras que trazeis à Sabedoria fazem-me supor que poderíeis perdoar-me antecipadamente se ouso acrescentar, às vossas, algumas idéias próprias. Procuro, como vós, esclarecer-me... Confesso que o objetivo que buscamos na iniciação parece-me muito difícil de ser atingido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredito que, mesmo nos encontrando nas melhores condições, quando todas as cerimônias são empregadas com a maior regularidade, a Coisa pode ainda guardar seu véu para nós tanto quanto quiser; ela está tão pouco à disposição do homem que ele não pode, jamais, apesar de seus esforços, estar certo de obtê-la. Ele deve esperar e orar sempre, eis nossa condição. O espírito conduz seu sopro onde quer, quando quer, sem que saibamos de onde vem e para onde vai... Se o poder não se manifesta agora, ele poderá ocorrer mais tarde; se não se opera pela visão, ele prepara a forma daquele que se mantém puro para receber as impressões salutares, quando o espírito assim quiser. Não atribuais, então, o estado em que vos encontrais a algum problema de vossa parte ou à invalidade das cerimônias.&amp;quot;(10)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz procurava obter por carta maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Pelo que constatamos, os resultados práticos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam. Era necessário muito trabalho, como em qualquer sistema de iniciação, para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A correspondência entre Saint-Martin e Willermoz, iniciada em 1768, estendeu-se até 1773. Em 1771, Saint-Martin abandonou a carreira militar para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo. Durante dois anos empregou todo o tempo disponível para trabalhar ao lado do mestre; foi durante esse período que se familiarizou com a ritualística dos Cohens e com a doutrina de Martinez, bem como com todas as suas práticas iniciáticas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partiu de Bordeaux em maio de 1773, na ocasião em que Martinez preparava-se para viajar para as Antilhas. Antes de se despedir, entretanto, Saint-Martin foi recebido no último grau dos Cohens, aquele de Réaux-Croix, como atesta uma carta de Martinez, datada de 17 de abril de 1772: &amp;quot;Após ter examinado e reexaminado os candidatos Saint-Martin e Seres, por nossa votação ordinária e em conseqüência das ordens que recebemos, nós os ordenamos Réaux-Croix...&amp;quot;(11) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1773, finalmente, Saint-Martin conheceu Willermoz, em Lyon, após terem trocado correspondência durante cinco anos. Seu círculo de amizade limitava-se aos irmãos da Ordem: Grainville, Balzac, Hauterive, Bacon de la Chevalerie, o Abade Fournier e Willermoz. Permaneceu um ano em Lyon, seguindo para sua cidade natal e, posteriormente, para Paris. Em abril de 1785, Willermoz obteve sucesso com suas operações: a &amp;quot;Coisa ativa e inteligente&amp;quot; finalmente mostrou-se aos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, sabendo da notícia, partiu de Paris em junho do mesmo ano, com destino a Lyon, levando consigo uma bíblia em hebraico e um dicionário, para entreter-se na viagem. Ficou seis meses em Lyon, partindo mais tarde para Nápoles e Londres, onde tomou conhecimento das publicações de Willian Law, morto em 1761, e que pertencia à tradição de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Seríamos excessivamente prolixos se procurássemos seguir as pegadas do nosso Filósofo Desconhecido, ao longo de sua jornada terrena, onde a cada passo, não obstante, encontraríamos o exemplo dignificante e o traço indelével da imensa esteira de luz que marcou sua trajetória neste mundo. Difícil ainda seria penetrarmos na profundeza do seu pensamento, da sua filosofia, da sua doutrina de elevação e regeneração do homem na busca da iluminação e da paz...&amp;quot;(12) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi inicialmente de Lyon que o Filósofo Desconhecido procurou irradiar a luz, após a partida de Martinez para o Oriente Eterno. A direção da Ordem dos Elus Cohen não ficou com Saint-Martin nem com Willermoz, mas nas mãos de pessoas menos preparadas para levar adiante um sistema que ainda necessitava de aperfeiçoamento. Coube a Saint-Martin e a Willermoz a resignação de continuarem ocultamente a pesquisa da Verdade por suas próprias forças. O &amp;quot;Agente Incógnito&amp;quot; teria ditado inúmeras instruções e partes de um livro que Louis Claude de Saint-Martin publicou, destinado a lutar contra o materialismo vigente na época. (13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez por esse motivo Saint-Martin tenha iniciado uma série de viagens, verdadeiros apostolados, para realizar propaganda das idéias espiritualistas, recolher dados e informações iniciáticas e entrar em contato com discípulos e homens de ciência. Em todos esses contatos sempre conquistava novas amizades e discípulos para continuarem sua obra. Saint-Martin tinha uma conversa muito agradável, uma vez que seu verbo não fazia senão expressar sua paz interior, seus conhecimentos e a nobreza de sua alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os salões mais aristocráticos de Paris disputavam sua presença. Essas qualidades eram agradáveis às mulheres, que não hesitavam em convidá-lo para as festas, pensando em casar suas filhas. Mas o Filósofo Desconhecido quis dedicar-se integralmente à sua obra de divulgação do Espírito. Em 1778, em Toulouse, esteve prestes a se casar; contudo, esse projeto desvaneceu-se como todos os demais a esse respeito. Afirmava sentir uma voz no seu interior que lhe dizia ser ele originário de um lugar onde não existem mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agente Incógnito desapareceu de cena em 1788, época em que Saint-Martin retornou à Lyon, mas reapareceu em 1790 para destruir uma série de cadernos de instruções por ele próprio ditados: &amp;quot;Eu devolvi ao Agente&amp;quot;, conta-nos Willermoz, &amp;quot;a seu pedido, mais de 80 cadernos manuscritos inéditos, que destruiu.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Pasqually, ocorrida em 1774 em São Domingos, o centro oculto da iniciação Cohen passou a Lyon e foi lá, como contam seus biógrafos, &amp;quot;que o Filósofo Desconhecido, armado com a Sabedoria Divina, passou a fazer oposição à doutrina materialista dos Enciclopedistas. Combatendo o materialismo revolucionário e sua doutrina errônea inserida em uma pretensa filosofia da natureza e da história, Saint-Martin chamou o homem de volta à Verdade, fundamentando-se no princípio do conhecimento de si mesmo e na natureza do ser inteligente&amp;quot;.(14) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, entretanto, nunca ficou muito ligado ao rigor das instituições iniciáticas, mas, em razão da problemática da época, em pleno desenvolvimento da Revolução Francesa, procurou, para a salvaguarda das suas próprias doutrinas e das tradições de que então já era depositário, unir-se a grupos ou formar grupos cujos membros desejassem, sinceramente, dedicar-se ao culto da Verdade e à prática das Virtudes. Estudava, paralelamente, as doutrinas de Pasqually e de Swedenborg, as primeiras mostrando-lhe a ciência do Espírito e as segundas a ciência da Alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;A Revolução, em todas as suas fases, encontrou Saint-Martin sempre o mesmo, dedicado a seu objetivo. Por princípio, esteve acima das considerações de nascimento e opiniões, por isso não emigrou; enquanto se mantinha ao seu redor todo o horror das desordens e dos excessos, acreditou sempre que o bem podia surgir do terrível advento da Revolução Francesa, pela intermediação da Divina Providência; pensou ver um grande instrumento temporal no homem que se levantou para suprimir seus excessos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foi em 1793, quando a família e a sociedade dissolviam-se, que vendeu as suas últimas posses para manter e cuidar de seu pai, velho e paralítico. Na mesma época, não obstante os estreitos limites a que ficou reduzida a sua fortuna, contribuiu para as necessidades públicas de sua comunidade. Retornando à capital, foi atingido pelo decreto de expulsão dos nobres. Saint-Martin submeteu-se e deixou Paris.(15)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o terror revolucionário, era necessária muita prudência, mesmo para os assuntos iniciáticos. Saint-Martin recebeu um mandado de prisão, embora vivesse mergulhado nos estudos e na meditação, sem nunca ter feito política. Não subiu ao cadafalso porque Robespierre caiu em seguida. Havia a proteção do Alto, que o guiava na terra, obscurecida pela agitação dos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Uma corrente de prestígios inundou a inteligência humana em geral, e a dos parisienses em particular, porque a cidade, que comporta sábios e doutores de toda espécie, possui poucos que orientam seu pensamento na direção dos conhecimentos verdadeiros, e há menos ainda que buscam esses conhecimentos com um espírito reto. A maior parte deles não fazem mais que dissecar as cascas da Natureza, medir, pesar e enumerar todas as suas moléculas. Eles tentam, insensatos, a conquista de tudo que se encontra em composição no Universo, como se isso lhes fosse possível. Esses sábios, tão célebres e tão ruidosos, não sabem que o Universo (ou o Templo) é a imagem reduzida da indivisível e universal eternidade; eles podem contemplar e admirar, pelo espetáculo de suas propriedades e de suas maravilhas, ... mas jamais poderão conquistar o segredo de sua existência.&amp;quot;(16) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, para cumprir seu dever cívico, serviu na Guarda Nacional e, em Amboise, foi escolhido para ser um dos instrutores da Escola Normal Superior, que formava jovens professores; tomou parte em 1795 da primeira Assembléia Eleitoral, sem contudo tornar-se membro efetivo de qualquer corpo legislativo. O que buscava era o Conhecimento e a difusão de suas doutrinas. Jamais fez proselitismo e procurava ter por discípulos amigos fiéis da Verdade. Quem visse seu jeito humilde jamais poderia suspeitar de sua elevada espiritualidade. Sua docilidade para com o tratamento, sua serenidade, manifestava no entanto o sábio, O Novo Homem formado pela filosofia profunda do aperfeiçoamento moral e espiritual. A luz que irradiava de seu centro fazia justiça à sua condição de Homem-Espírito, o grande sol da transição ao século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi em 1788, em Estrasburgo, que Saint-Martin tomou conhecimento das obras de Jacob Böehme, o Teósofo Teutônico, através de Rodolphe de Salzmann. Surpreso, constatou que essa doutrina combinava com a de seu antigo mestre Martinez de Pasqually, sendo idênticas em essência.. Coube a ele a tarefa de fazer o feliz casamento das duas correntes doutrinárias, elaborando um sistema sintático, capaz de satisfazer seus anseios e colocar à disposição de todos os Homens de Desejo um caminho seguro para chegar à Iluminação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A síntese iniciática foi obtida em poucos anos de trabalho pelo nosso Filósofo Desconhecido, secundado que foi por seu colega Jean Baptiste Willermoz. Necessitava, entretanto, de uma transmissão iniciática da corrente de Böehme para associar à sua, advinha de Pasqually. Essa corrente alemã de Jacob Böehme foi obtida ao ser iniciada pelo Barão de Salzmann, em Estrasburgo, e confirmada na linha mais antiga dos Templários, ao associar-se com a Estrita Observância Templária, do Barão de Hund. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz foi o encarregado, em Lyon, de organizar o sistema maçônico do Rito Escocês Retificado, fruto do Convento de Wilhelmsbad de 1782. Coube a Saint-Martin a chefia e a realização de iniciações individuais da Ordem Interior dos Filósofos Desconhecidos. Vários alemães foram iniciados no novo sistema (muitos dos quais já eram discípulos de Martinez de Pasqually), ingressando na iniciação real que conduz à Iluminação e à Reintegração a partir deste mundo na Unidade Divina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin considerava as obras de Jacob Böehme de uma profundidade e de um valor inestimáveis e não se achava digno nem de desatar as sandálias de Jacob Böehme; entendia que seria necessário que o homem se tivesse tornado pedra ou demônio para não tirar proveito de tais obras. (17)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi assim que passou a estudar o alemão, com quase 50 anos de idade, para melhor penetrar no sentido oculto e no pensamento do autor. Procurou traduzir para o francês as principais obras do Mestre. A partir de então, sempre que se referia a Jacob Böehme dizia que o Iluminado teutônico foi a maior luz que veio a este mundo depois daquele que era a própria Luz, isto é, o Cristo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após ter percorrido parte da Europa, estabeleceu seu apostolado em Toulouse, Versailles e Lyon, sempre lançando a semente espiritual em uma terra que se tornou fecunda, recolhendo ele próprio as doutrinas mais apropriadas para o seu espírito e seu sistema. Mais tarde, centralizou sua ação em três cidades: Estrasburgo, Amboise e Paris, que eram, como confessou, seu paraíso, seu inferno e seu purgatório. Fora dessas cidades possuía membros correspondentes de sua sociedade, como o Barão de Kircheberger, que não chegou a conhecer, mas a quem enviou um emissário, o Conde Divonne, para certamente lhe transmitir a iniciação. Kircheberger era grande admirador das obras de Saint-Martin; pertencia à Escola de Böehme, da qual tomaram parte igualmente Khunrath e Gichtel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kircheberger escreveu a Saint-Martin que, segundo uma lenda corrente em sua Escola, a Virgem Celeste, a Divina Sofia, nos dias das núpcias compareceu com seu corpo celeste de Glória e escolheu Gichtel, vindo à sua casa, colocando em ordem seus papéis e completando com seu próprio punho os manuscritos por ele deixados inacabados. Em vida teria igualmente recebido favores de sua esposa celeste, pois como general venceu o exército de Luiz XIV, que pretendia conquistar Amsterdã, cidade onde o adepto residia. Durante toda a batalha, o general não teria saído do quarto.(18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não somente Saint-Martin acreditava no relato de Kircheberger, como lhe pedia maiores detalhes sobre Gichtel. &amp;quot;Se estivéssemos um perto do outro, escreveu-lhe Saint-Martin, eu também teria uma história de casamento para vos contar. Os mesmos passos foram dados por mim, mas de um modo um pouco diferente, embora chegando aos mesmos resultados. Creio, com efeito, ter conhecido a esposa de Gichtel..., mas não de modo tão particular como ele. Eis o que me aconteceu por ocasião do casamento de que falei: eu estava orando... e me foi dito intelectualmente, mas de modo muito claro, o seguinte: Depois que o Verbo é feito carne, nenhuma carne deve dispor dela própria sem que Ele o permita. Essas palavras penetram profundamente em meu ser; ainda que não tenham significado uma proibição formal, recusei-me a toda negociação posterior.&amp;quot;(19) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredita-se que a chave da iniciação está no desejo do homem de purificar-se, de evoluir e de atingir a iluminação. Essa evolução é necessária para remediar a degradação a que o homem se submeteu após a Queda Original. Antes, o homem podia obrar em conformidade com a Vontade do Pai, sendo dessa maneira poderoso, mas após ter se revestido de um envoltório material, suas capacidades espirituais atrofiaram-se e a Vontade e a pureza de outrora aniquilaram-se. Foi na cidade de Estrasburgo que Saint-Martin deu a um discípulo a chave de O Homem de desejo, que, por extensão, serve para a própria Iniciação:&lt;br /&gt;
A Chave do Homem de Desejo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Avant qu'Adam mangeât la pomme,&lt;br /&gt;
Sans effort nous pouviouns oeuvrer.&lt;br /&gt;
Depouis, L'oeuvre ne se consomme.&lt;br /&gt;
Qu'au edu pur d'un ardent supir;&lt;br /&gt;
La Clef de l'Homme de Désir&lt;br /&gt;
Doit naître du désir de l'homme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto é, antes de Adão ter comido a maçã, o homem podia realizar sua obra sem esforço; depois, a obra não se concretiza a não ser com a ajuda do fogo puro, emanado de um ardente suspiro, advindo do grande esforço individual. Assim, a chave do Homem de Desejo deve nascer do desejo do homem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu livro O Homem de Desejo, publicado pela primeira vez em 1790, são litânias no estilo do salmista, nas quais a alma humana evolui para o seu primeiro estágio, num caminho que o Espírito pode ajudá-la a percorrer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin escreveu este livro por sugestão do filósofo religioso Thiaman, durante suas viagens a Estrasburgo e a Londres. Lavater, então clérico em Zurique, elogiou essa obra como um dos livros que mais tinha gostado, embora reconhecesse não ter tido condições de penetrar nas bases da doutrina exposta. Kircheberger, mais familiar aos princípios do livro, considerou-o como o mais rico em pensamentos iluminados. O próprio Saint-Martin concordou que nesse livro encontram-se os germes do conhecimento que ignorava até a leitura das obras de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo de seu livro O Homem de Desejo é mostrar que o homem deve confiar na Regeneração, chamando sua atenção para a necessidade de retorno ao Mundo Divino de onde saiu e ao trabalho que deverá realizar para alcançar esse objetivo, isto é, concentrando suas forças pelo desejo ardente de aperfeiçoar-se e tornar-se um homem de vontade forte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não há nenhum outro mistério para se chegar a essa sagrada iniciação, senão penetrando cada vez mais no fundo de nosso ser e não esmorecendo até que possamos produzir a viva e edificante raiz; porque, então, todos os frutos que haveremos de gerar, conforme nossa espécie, serão produzidos dentro de nós e sem nós, naturalmente; é o que ocorre com nossas árvores terrestres, porque elas aderem às próprias raízes e, incessantemente, retiram sua seiva.&amp;quot;(20) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compreende-se, assim, que o ensinamento deixado por Saint-Martin, e que veio de Martinez de Pasqually e de Jacob Böehme, era muito profundo e de natureza divina. Constitui-se uma Escola de Homens de Desejo, ávidos por adquirirem conhecimentos, uma elite do pensamento, embaçada em um sistema filosófico iniciático, tendo como objetivo o desenvolvimento moral e espiritual do homem. Não é uma Escola de especulação abstrata, mas um centro onde os membros procuram conhecer a doutrina e a experiência dos mestres e onde procuram vivê-la na vida diária, para atingir a perfeição interior, através de um processo de autotransformação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de homens livres eram formados por um pequeno número de pessoas inteligentes e de mente sã, escrupulosamente examinadas, Saint-Martin dizia que as grandes verdades só podem ser bem ensinadas no silêncio. Todos aqueles que não sabem calar, que falam mais do que observam, não podem ser recebidos na senda interior. Saber guardar o silêncio é condição indispensável para que o homem se torne digno de receber outros ensinamentos cada vez mais profundos, emanados não apenas de seu iniciador, como do próprio Mundo Invisível. Para isso, necessitamos de treinamento, que se efetua guardando-se o silêncio em relação às pequenas coisas, mesmo profanas. Qualquer sociedade iniciática não pode ser aberta, pois assim perderia a força que porventura tivesse recebido do Alto. Guardar o silêncio significa fechar-se às influências exteriores, às opiniões contrárias que só trazem ações conflitantes. Fechar-se em torno de si mesmo é magnetizar-se; é evitar que as próprias forças divinas se dispersem na Natureza, passando por nós. É criar um pólo de atração; é tornar-se um receptáculo das influências celestes; é tornar-se a taça que recebe o influxo divino.&lt;br /&gt;
A Iniciação é um processo interior de aperfeiçoamento do homem, tornando-o apto a receber as forças divinas. O homem é a soma de todos os problemas da existência; é a síntese, o enigma dos enigmas, a pedra bruta que deve ser talhada e aperfeiçoada. Esse desenvolvimento deve ocorrer de tal modo que o ser criado se religue ao Criador, através da aproximação da natureza impura com a natureza pura. Por isso, a primeira deve ser trabalhada até ficar quase no mesmo estado da segunda; somente depois haverá uma atração tal, que a Natureza Superior descerá até a inferior, purificando-a em definitivo e deixando-a conforme ela mesma: é a Iluminação do Iniciado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele que possuir o conhecimento de si mesmo terá acesso à ciência do mundo, dos demais seres. O conhecimento de si próprio é somente em si que deve buscar. É no espírito do homem que se devem encontrar as leis que dirigem sua origem. É preciso, pois, que o iniciado encontre seu centro iniciático, a divindade em si, para adquirir o pleno conhecimento de si mesmo. É necessário conhecer suas fraquezas para melhor dominá-las e não voltar a praticar os mesmos erros. Jesus Cristo dizia aos homens para não pecarem mais menos, até o dia em que, tendo encontrado seu equilíbrio iniciático, possam chegar a não pecar mais. Sua luta deve ser constante, contra as paixões, suas contrariedades internas e a ira. A docilidade representa a presença de Deus no centro iniciático; a ira representa a sua ausência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O homem não pode ser integralmente livre da ira e do pecado porque os movimentos do abismo deste mundo tampouco são totalmente puros ante o coração de Deus; o amor e a ira sempre lutam entre si.&amp;quot;(21)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A doutrina de Saint-Martin difundiu-se na Alemanha e na Rússia, através de seus discípulos. Na Rússia, a doutrina martinista encontrou um grande divulgador em Joseph de Maistre, que afirmava a existência de Deus no interior de cada indivíduo e, por conseguinte, que o segredo de toda a iniciação consistia em descobrir o centro iniciático próprio, a senda interior, a fim de proceder ao próprio desenvolvimento espiritual. Assim, a iniciação é uma senda real, interior, individual, e não se encontra no exterior, nas sociedades ou no Enciclopedismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1803, o Filósofo Desconhecido dava seus últimos passos em direção à Eternidade, pois sua saúde mostrava-se débil. Mas não se afligiu com essa perspectiva; ao contrário, dizia que a Providência sempre lhe havia dispensado muito cuidado, de modo que só poderia render-lhe graças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta-nos Gence que certa vez, visitando um amigo comum, Saint-Martin confessou-lhe que estava partindo para o Oriente Eterno e no dia seguinte, visitando seu amigo o Conde Lenoir la Roche, em Aulnay, após leve refeição, retirou-se para o quarto; sofreu um ataque de apoplexia e partiu. Era o dia 13 de outubro de 1803. Foi então que seus discípulos e amigos perderam a convivência física com o Mestre, mas ganharam a eterna e permanente proteção espiritual que nos envia do Reino da Glória, através dos Mundos Invisíveis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a obra de Louis Claude de Saint-Martin continua através dos Grupos de Iniciados que seguem sua doutrina. A Conquista da Iluminação é o objetivo último de todos os Homens de Desejo, que encontram nas obras do Mestre e no seu exemplo, como Homem e como Iniciado, o respaldo necessário para prosseguir na senda sem desânimo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que cada um possa transformar-se em um Novo Homem, renascido pela Luz, que resplandece na alma de todos, e que engendrará, no futuro, o Homem-Espírito, o novo Sol que acalentará os corações de todos com seu procedimento e com sua serenidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras de Louis Claude de Saint-Martin==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1-) Des Erreurs et de la Vérité, ou les Hommes Rappelés au Principe Universel de la Science. Edimbourg, 1775, 2 vol.&lt;br /&gt;
2-) Suite des Erreurs et de la Vérité. A Salomonopolis, Androphile, 1784.&lt;br /&gt;
3-) Tableau Naturel des Rapports qui Existent entre Dieu, l'Homme et l'Univers. Édimbourg. 1782.&lt;br /&gt;
4-) L'Homme de Désir. Lyon, 1790.&lt;br /&gt;
5-) Ecce Homo. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
6-) Le Nouvel Homme. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
7-) Letre à un Ami, ou Considérations Philosophiques et Religieuses sur la Révolution Française. Paris, Louvet, Palais, Égalité, 1796.&lt;br /&gt;
8-) Éclair sur l'Association Humaine. Paris, Marais, 1797. &lt;br /&gt;
9-) Le Crocodille ou la Guerre du Bien et du Mal, Arrivée sous le Règne de Louis XV. Paris, Cercle Social, 1798.&lt;br /&gt;
10-) Réflexiones d'un Observateur sur la Question Proposée por l'Institut: &amp;quot;Quelles sont les Institutions les plus Propres à Fonder la Morale d'un Peuple?. Paris, 1798.&lt;br /&gt;
11-) De l'Influence des Signes sur la Pensée (inserido incialmente no Crocodile). Paris, 1799.&lt;br /&gt;
12-) L'Esprit des Choses ou Coup d'Deil Philosophique sur la Nature des Étres et sur l'Objet de leur Existence. Paris, 1800, 2 vol.&lt;br /&gt;
13-) Le Ministère de l'Homme-Esprit. Paris, 1802.&lt;br /&gt;
14-) Oeuvres Posthumes de Saint-Martin. Tours, 1807, 2vol.&lt;br /&gt;
15-) Traité des Nombres. S/1, M. Léon, 1844.&lt;br /&gt;
16-) Correspondence de Saint-Martin avec Kircheberger, Baron de Liebisdorf, des annèes 1792 a 1799, S. n. t. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Traduções das obras de Jacob Boehme==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17-) L'Aurore Naissante ou la Racine de la Philosophie, de l'Astrologie et de la Théologie. Paris, 1800.&lt;br /&gt;
18-)Des Trois Principes de l'Essence Divine ou de l'Eternel Engendrement sans Origine de l'Homme, d'où il a été Crée et pour quelle Fin. Paris, 1802, 2 vol. &lt;br /&gt;
19-)Quarente Questions sur l'Origine, l'Essence, l'Etre, la Nature et la Propriété de l'Âme, suivies des &amp;quot;Six Poit&amp;quot;. Paris, 1807.&lt;br /&gt;
20-) De la Triple Vie de l'Homme selon de Mystère des Trois Principes de la Manifestation Divine. Paris, 1809.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- SAINT-MARTIN, L. C. Oeuvres Posthumes; Portrait Historique et Phisosophique de Saint-Martin fait par lui-même, p. 58-59. &lt;br /&gt;
2- Id., t.1, p.5.&lt;br /&gt;
3- Id., t.1, p.78-9.&lt;br /&gt;
4- J. B. M. Gence foi discípulo de Saint-Martin e com ele conviveu longos anos: seu relato encontra-se no prefácio de Teosophic Correspondence between L. C. de Saint-Martin and Kircheberger, Baron de Liebistorf, P. V.&lt;br /&gt;
5- Id., p. VI.&lt;br /&gt;
6- PAPUS. L'Illuminismo en France, 1771-1803: Louis-Claude de Saint-Martin, as Vie, as Voie Theurgique, ses Oeuvrages, son Oeuvre, ses Disciples, suivi de la Publicatino de 50 Letters Inédites, p. 109.&lt;br /&gt;
7- MATER, M. Saint-Martin, le Philosophe Inconnu. Ed. d'Aujourd'hui, p. 20.&lt;br /&gt;
8- SAINT-MARTIN, L. C. Theosophic Correspondense, op. Cit. Carta XCII.&lt;br /&gt;
9- Id. Carta IV.&lt;br /&gt;
10- PAPUS. Louis Claude de S. Martin. 1902.&lt;br /&gt;
11- Id., p. 12.&lt;br /&gt;
12- Comentário deixado por Ary Ilha Xavier, profundo conhecedor das obras de Saint-Martin.&lt;br /&gt;
13- Des Erreurs et de la Vérité. Edimbourg, 1775, 2v.&lt;br /&gt;
14- Gence. Op. Cit., p. IV.&lt;br /&gt;
15- Id., p. VII.&lt;br /&gt;
16- SAINT-MARTIN, L.C. Le Crocodile, Canto XV, p.53.&lt;br /&gt;
17- SAINT-MARTIN, L.C. Mont Portrait. Op. Cit., p. 42.&lt;br /&gt;
18- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Op. Cit. Carta LVIII.&lt;br /&gt;
19- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence Op. Cit. Carta LXII.&lt;br /&gt;
20- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Carta número CX.&lt;br /&gt;
21- BÖEHME, J. Confesiones, p. 44.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<title>Louis Claude de Saint-Martin</title>
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		<updated>2007-10-24T06:20:24Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;==Louis Claude de Saint Martin==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Louis Claude de Saint Martin, o &amp;quot;Filósofo Desconhecido&amp;quot;, pensador profundo e grande iniciado, nasceu a 18 de janeiro de 1743 em Amboise, Tourraine, no centro da França, no seio de uma família nobre, mas pouco abastada e desconhecida. Logo depois do nascimento de Saint-Martin, sua mãe faleceu, e ele foi criado pelo pai e por uma madrasta, pessoa amável e de bom coração, que o iniciou na leitura de Jacques Abbadie, ministro protestante de Genebra. Com esse autor, apreendeu a conhecer a si mesmo, relegando a um plano secundário a análise decepcionante e estéril dos filósofos em voga na época. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Influências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;É à obra de Abbadie, A Arte de Conhecer a Si Mesmo, que devo meu afastamento das coisas mundanas; é a Burlamaqui que devo minha inclinação pelas bases naturais da razão; é a Martinez de Pasqually que devo meu ingresso nas verdades superiores; é a Jacob Böehme que devo meus passos mais importantes nos caminhos da Verdade.&amp;quot;(1) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outro autor que influenciou o Filósofo Desconhecido desde sua juventude foi Pascal. Aos 18 anos, em meio às discussões filosóficas dos livros que lia, deu-se conta de que, existindo o Criador do Universo e uma alma, nada mais seria necessário para ser sábio. (2) Foi com base nessas concepções que fundou sua doutrina posterior. Na época de seus estudos no Colégio de Pontlevoi, o Ocultismo já fazia parte de suas meditações. Na Faculdade, igualmente, eram os estudos metafísicos que o atraíam. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Formação==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Estudou Direito conforme a vontade de seu pai, e esse ambiente proporcionou-lhe maior contato com o mundo filosófico e literário da época. Conheceu as obras de Voltaire, Rousseau, Montesquieu e outros autores não iniciados, mas sem ceder à inclinação dos enciclopedistas. &amp;quot;Li, vi e escutei os filósofos da matéria e os doutores que devastam o mundo com suas instruções; nenhuma gota de seus venenos penetrou-me; nem as mordidas de uma só dessas serpentes prejudicaram-me.&amp;quot;(3)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O jovem estudante procurava tudo o que pudesse conduzi-lo ao conhecimento da Verdade, particularmente as ciências e princípios exatos. Dedicou-se assim ao estudo filosófico dos números e, por algum tempo, esteve ligado a Lalande e sua escola filosófica, sintetizada em Ciência dos Números. Esse convívio, entretanto, não foi longo, pois seus pontos de vista eram divergentes e nosso Filósofo passou a estudar Jean Jacques Rousseau. Como ele, pensava ser o homem naturalmente bom; mas entendia que as virtudes perdidas originalmente, em razão da Queda, poderiam ser reconquistadas desde que o homem o desejasse ardentemente. Acreditava que o naufrágio no materialismo era conseqüência mais das associações viciosas e desvirtuadas do que do pecado original. E, nisso, afirma-nos seu discípulo Gence(4), ele se diferenciava de Rousseau, a quem considerava um misantropo por sua excessiva sensibilidade, ao olhar os homens, não como eram, mas como gostaria que fossem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin amava a humanidade e considerava-a melhor do que parecia ser; e o encanto da sociedade da época levou nosso Filósofo a pensar que a vivência nas rodas sociais poderia levá-lo ao melhor conhecimento do homem e conduzi-lo à intimidade mais perfeita com os seus princípios. Assim, agiu conforme seu pensamento: freqüentou os saraus musicais e toda sorte de recreações da alta nobreza, desde os passeios ao campo até as conversas com amigos; os atos de gentileza eram a manifestação de sua própria alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foram de sua intimidade as pessoas da mais alta classe, dentre as quais podemos citar o Marquês de Lusignan, o Marechal de Richelieu, o Duque de Orléans, a Duquesa de Bourbon, o Cavaleiro de Fouflers e tantos outros que seria longo enumerar. Devotou-se inteiramente à busca da Verdade e à prática das Virtudes, que foram o objeto constante de seus estudos, dos seus trabalhos e das suas realizações.&amp;quot;(5) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Iniciado, pois no estudo das leis e da jurisprudência, aplicou-se mais à pesquisa das bases naturais da Justiça, relegando a um plano secundário as regras da jurisprudência. Paralelamente, desenvolvia seus estudos sobre os mistérios ocultos e logo descobriu que não poderia dedicar-se inteiramente à magistratura, como desejava sua família. Não encontrando sua vocação no Direito, abandonou a magistratura que exerceu em Tours durante seis meses. Alistou-se aos 22 anos de idade no Regimento de Foix, então aquartelado em Boudeaux, onde pode encontrar mais tempo para dedicar-se ao estudo do Ocultismo, que era sua verdadeira vocação. Após ter lido os autores mais em evidência no gênero, procurou a iniciação de uma maneira mais efetiva. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Caminho iniciático==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi graças a um colega do Regimento, Grainville, que bateu às portas do Templo. Grainville era iniciado em uma sociedade oculta muito importante, cujo chefe era Martinez de Pasqually. Este era casado com uma sobrinha do maior, comandante do Regimento, que se encontrava na mesma cidade de residência de Martinez. A Escola de Pasqually, seu iniciador nas práticas teúrgicas, era a Ordem dos Elus Cohens do Universo (Sacerdotes Eleitos), revigorada mais tarde pela ação de Saint-Martin e Jean Baptiste Willermoz, sob a inspiração das obras de M. Pasqually e de J. Böehme e a partir de suas próprias pesquisas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em fins de 1768, Saint-Martin foi iniciado nos três primeiros graus simbólicos da referida Ordem pela espada de Balzac, avô de Honoré de Balzac, o famoso romancista francês das primeiras décadas do século XIX. Com efeito, em carta de 12 de agosto de 1771, dirigida a seu colega Willermoz, de Lyon, confirmou ter sido iniciado por Balzac e que recebera de uma só vez os três graus simbólicos. &amp;quot;Não é comum darem-se os três graus simbólicos ao mesmo tempo; deixam-se, ao contrário&amp;quot;, prosseguiu Saint-Martin na referida carta, &amp;quot;grandes intervalos de tempo entre um grau e outro, segundo o progresso de cada um.&amp;quot;(6) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Assim, Saint-Martin submeteu-se em seguida ao método iniciático de Pasqually, de quem se tornou secretário particular e discípulo zeloso. Mas não deixou, logo depois, de criticar seu primeiro Mestre, por não concordar com tudo o que era feito em tal sistema. Considerava supérfluas todas as manifestações físicas exteriores e todos os detalhes do cerimonial Cohen: &amp;quot;São necessárias todas essas coisas para orar a Deus?&amp;quot;, perguntou Saint-Martin a seu mestre Martinez. &amp;quot;É preciso que nos contentemos com o que temos&amp;quot;(7), respondeu o Grão-Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na realidade, era necessário trabalhar mais profundamente no sentido interior para produzir a luz. Isso certamente Martinez teria feito dentro de seu próprio sistema, se não tivesse partido da França e falecido em seguida. Sua semente ficou, no entanto, e coube a Saint-Martin e a Willermoz cuidar da planta que deveria nascer. A Providência Divina não os deixou abandonados; inspirou-os constantemente, colocando em seu caminho homens que os ajudaram, direta ou indiretamente, e proporcionando-lhes o conhecimento do sistema de Jacob Böehme. Esse sistema confirmou as descobertas que tinham feito e abriu as portas para a obtenção das chaves ainda não encontradas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na época em que conheceu Pasqually, tinha pouco mais de vinte e cinco anos e acabava de debutar no Ocultismo, de sorte que nem todas verdades da Iniciação pode receber de seu primeiro mestre, com o qual permaneceu cinco anos. Soube reconhecer mais tarde sua grandeza (porque é bom que se afirme que Martinez de Pasqually foi um adepto de grande iluminação). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Havia coisas preciosas em nossa primeira Escola&amp;quot;, relata Saint-Martin a seu discípulo Kircheberger. &amp;quot;Sou mesmo induzido a pensar que o Sr. Martinez de Pasqually, que era nosso mestre, possuía a chave ativa referente a tudo o que nosso prezado Jacob Böehme expõe em suas teorias, mas não julgava que fôssemos capazes de entender tão altas verdades, naquela época. Ele era sabedor de alguns pontos que nosso amigo Böehme não conhecia, ou pelo menos não revelou, como a resipiscência do ser perverso, contra o qual o primeiro homem teria tido a missão de trabalhar... Quanto à Sofia e ao Rei do Mundo, ele nada nos revelou, deixando-nos com as noções comuns de Maria e do Demônio. Mas não afirmarei que ele não teve conhecimento delas e estou convicto de que chegaríamos a esse conhecimento, se o tivéssemos conosco por mais tempo...&amp;quot;(8)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin nunca concordou com a iniciação realizada fora do silêncio e da realidade invisível, que chamava de centro ou via interior. Para ele, o interior deve ser o termômetro, a verdadeira pedra de toque do que passa fora...; e o estudo da Natureza exterior só teria sentido se conduzisse à senda interior, ativa. Esse estudo poderia, pois, ser útil na medida em que conduzisse à Verdade, mas a Iniciação, explicava ele a Kircheberger, deve agir no ser central.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não lhe ocultarei que anteriormente entrei nesse caminho externo, e através dele me foi aberta a porta de minha carreira. Meu condutor era um homem de muitas virtudes ativas, e a maioria daqueles que o seguiram, inclusive eu, receberam confirmações que talvez tenham sido úteis para nossa instrução e desenvolvimento. Todavia, em todos os instantes, eu sentia forte inclinação para o caminho intimamente secreto, o externo nunca me seduziu, nem em minha juventude.&amp;quot;(9) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entendia Saint-Martin que todo o aparato exterior não era necessário para encontrar Deus e que, ao contrário, em muitas ocasiões dificultava essa busca. Discordava das numerosas e freqüentes comunicações sensíveis de todos os tipos, manifestadas nos trabalhos de que tomava parte na sua primeira Escola, embora o signo do Reparador sempre estivesse presente, manifestando a ação da Causa Ativa e Inteligente no mundo objetivo. Afirmava, no entanto, que sua senda interior, desenvolvida depois, proporcionava-lhe resultados mil vezes superiores aos produzidos pela senda que denominava exterior e que era preconizada por Pasqually.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Afirmava, no entanto, e é bom repetir, que deveria haver trabalhos internos da Ordem que não lhes foram transmitidos por causa de sua curta passagem pelo sistema e por não terem ainda passado pelos estágios iniciais. O Mestre não poderia ter agido de modo diferente, revelam-lhes os mistérios de ordem mais elevada. Acreditava, ademais, que os Princípios Divinos poderiam mesmo nascer naquele sistema, mas os trabalhos para esse efeito deveriam ser mais alguns anos com Pasqually. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não apenas Saint-Martin discordava do sistema de Martinez, uma vez que os resultados não se produziam de imediato; todos os discípulos reclamavam resultados espirituais que, em verdade, dependiam deles próprios. Willermoz parece ter sido o primeiro a manifestar a Saint-Martin seu descontentamento no que dizia respeito ao desenvolvimento das faculdades adormecidas do ser humano; é o que constatamos através da leitura de uma carta endereçada por Saint-Martin, do Oriente de Bordeaux, com data de 25 de março de 1771.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Quanto à confiança que vos dignais a testemunhar-me, abrindo-me sem escrúpulos vosso pensamento sobre nossas cerimônias, não me compete, tendo em vista nossa dignidade, fazer qualquer observação a respeito; e, diante de meu juiz, eu só deveria escutar e calar. Entretanto, as disposições puras que trazeis à Sabedoria fazem-me supor que poderíeis perdoar-me antecipadamente se ouso acrescentar, às vossas, algumas idéias próprias. Procuro, como vós, esclarecer-me... Confesso que o objetivo que buscamos na iniciação parece-me muito difícil de ser atingido.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredito que, mesmo nos encontrando nas melhores condições, quando todas as cerimônias são empregadas com a maior regularidade, a Coisa pode ainda guardar seu véu para nós tanto quanto quiser; ela está tão pouco à disposição do homem que ele não pode, jamais, apesar de seus esforços, estar certo de obtê-la. Ele deve esperar e orar sempre, eis nossa condição. O espírito conduz seu sopro onde quer, quando quer, sem que saibamos de onde vem e para onde vai... Se o poder não se manifesta agora, ele poderá ocorrer mais tarde; se não se opera pela visão, ele prepara a forma daquele que se mantém puro para receber as impressões salutares, quando o espírito assim quiser. Não atribuais, então, o estado em que vos encontrais a algum problema de vossa parte ou à invalidade das cerimônias.&amp;quot;(10)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz procurava obter por carta maiores esclarecimentos acerca dos problemas que iam surgindo no transcorrer de sua jornada iniciática. Pelo que constatamos, os resultados práticos da iniciação não apareciam tão rapidamente como os discípulos desejavam. Era necessário muito trabalho, como em qualquer sistema de iniciação, para que surgisse alguma manifestação de aprimoramento espiritual.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A correspondência entre Saint-Martin e Willermoz, iniciada em 1768, estendeu-se até 1773. Em 1771, Saint-Martin abandonou a carreira militar para dedicar-se exclusivamente ao Ocultismo. Durante dois anos empregou todo o tempo disponível para trabalhar ao lado do mestre; foi durante esse período que se familiarizou com a ritualística dos Cohens e com a doutrina de Martinez, bem como com todas as suas práticas iniciáticas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Partiu de Bordeaux em maio de 1773, na ocasião em que Martinez preparava-se para viajar para as Antilhas. Antes de se despedir, entretanto, Saint-Martin foi recebido no último grau dos Cohens, aquele de Réaux-Croix, como atesta uma carta de Martinez, datada de 17 de abril de 1772: &amp;quot;Após ter examinado e reexaminado os candidatos Saint-Martin e Seres, por nossa votação ordinária e em conseqüência das ordens que recebemos, nós os ordenamos Réaux-Croix...&amp;quot;(11) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1773, finalmente, Saint-Martin conheceu Willermoz, em Lyon, após terem trocado correspondência durante cinco anos. Seu círculo de amizade limitava-se aos irmãos da Ordem: Grainville, Balzac, Hauterive, Bacon de la Chevalerie, o Abade Fournier e Willermoz. Permaneceu um ano em Lyon, seguindo para sua cidade natal e, posteriormente, para Paris. Em abril de 1785, Willermoz obteve sucesso com suas operações: a &amp;quot;Coisa ativa e inteligente&amp;quot; finalmente mostrou-se aos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, sabendo da notícia, partiu de Paris em junho do mesmo ano, com destino a Lyon, levando consigo uma bíblia em hebraico e um dicionário, para entreter-se na viagem. Ficou seis meses em Lyon, partindo mais tarde para Nápoles e Londres, onde tomou conhecimento das publicações de Willian Law, morto em 1761, e que pertencia à tradição de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Seríamos excessivamente prolixos se procurássemos seguir as pegadas do nosso Filósofo Desconhecido, ao longo de sua jornada terrena, onde a cada passo, não obstante, encontraríamos o exemplo dignificante e o traço indelével da imensa esteira de luz que marcou sua trajetória neste mundo. Difícil ainda seria penetrarmos na profundeza do seu pensamento, da sua filosofia, da sua doutrina de elevação e regeneração do homem na busca da iluminação e da paz...&amp;quot;(12) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi inicialmente de Lyon que o Filósofo Desconhecido procurou irradiar a luz, após a partida de Martinez para o Oriente Eterno. A direção da Ordem dos Elus Cohen não ficou com Saint-Martin nem com Willermoz, mas nas mãos de pessoas menos preparadas para levar adiante um sistema que ainda necessitava de aperfeiçoamento. Coube a Saint-Martin e a Willermoz a resignação de continuarem ocultamente a pesquisa da Verdade por suas próprias forças. O &amp;quot;Agente Incógnito&amp;quot; teria ditado inúmeras instruções e partes de um livro que Louis Claude de Saint-Martin publicou, destinado a lutar contra o materialismo vigente na época. (13)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Talvez por esse motivo Saint-Martin tenha iniciado uma série de viagens, verdadeiros apostolados, para realizar propaganda das idéias espiritualistas, recolher dados e informações iniciáticas e entrar em contato com discípulos e homens de ciência. Em todos esses contatos sempre conquistava novas amizades e discípulos para continuarem sua obra. Saint-Martin tinha uma conversa muito agradável, uma vez que seu verbo não fazia senão expressar sua paz interior, seus conhecimentos e a nobreza de sua alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os salões mais aristocráticos de Paris disputavam sua presença. Essas qualidades eram agradáveis às mulheres, que não hesitavam em convidá-lo para as festas, pensando em casar suas filhas. Mas o Filósofo Desconhecido quis dedicar-se integralmente à sua obra de divulgação do Espírito. Em 1778, em Toulouse, esteve prestes a se casar; contudo, esse projeto desvaneceu-se como todos os demais a esse respeito. Afirmava sentir uma voz no seu interior que lhe dizia ser ele originário de um lugar onde não existem mulheres.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Agente Incógnito desapareceu de cena em 1788, época em que Saint-Martin retornou à Lyon, mas reapareceu em 1790 para destruir uma série de cadernos de instruções por ele próprio ditados: &amp;quot;Eu devolvi ao Agente&amp;quot;, conta-nos Willermoz, &amp;quot;a seu pedido, mais de 80 cadernos manuscritos inéditos, que destruiu.&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com a morte de Pasqually, ocorrida em 1774 em São Domingos, o centro oculto da iniciação Cohen passou a Lyon e foi lá, como contam seus biógrafos, &amp;quot;que o Filósofo Desconhecido, armado com a Sabedoria Divina, passou a fazer oposição à doutrina materialista dos Enciclopedistas. Combatendo o materialismo revolucionário e sua doutrina errônea inserida em uma pretensa filosofia da natureza e da história, Saint-Martin chamou o homem de volta à Verdade, fundamentando-se no princípio do conhecimento de si mesmo e na natureza do ser inteligente&amp;quot;.(14) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, entretanto, nunca ficou muito ligado ao rigor das instituições iniciáticas, mas, em razão da problemática da época, em pleno desenvolvimento da Revolução Francesa, procurou, para a salvaguarda das suas próprias doutrinas e das tradições de que então já era depositário, unir-se a grupos ou formar grupos cujos membros desejassem, sinceramente, dedicar-se ao culto da Verdade e à prática das Virtudes. Estudava, paralelamente, as doutrinas de Pasqually e de Swedenborg, as primeiras mostrando-lhe a ciência do Espírito e as segundas a ciência da Alma.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;A Revolução, em todas as suas fases, encontrou Saint-Martin sempre o mesmo, dedicado a seu objetivo. Por princípio, esteve acima das considerações de nascimento e opiniões, por isso não emigrou; enquanto se mantinha ao seu redor todo o horror das desordens e dos excessos, acreditou sempre que o bem podia surgir do terrível advento da Revolução Francesa, pela intermediação da Divina Providência; pensou ver um grande instrumento temporal no homem que se levantou para suprimir seus excessos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Foi em 1793, quando a família e a sociedade dissolviam-se, que vendeu as suas últimas posses para manter e cuidar de seu pai, velho e paralítico. Na mesma época, não obstante os estreitos limites a que ficou reduzida a sua fortuna, contribuiu para as necessidades públicas de sua comunidade. Retornando à capital, foi atingido pelo decreto de expulsão dos nobres. Saint-Martin submeteu-se e deixou Paris.(15)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Durante o terror revolucionário, era necessária muita prudência, mesmo para os assuntos iniciáticos. Saint-Martin recebeu um mandado de prisão, embora vivesse mergulhado nos estudos e na meditação, sem nunca ter feito política. Não subiu ao cadafalso porque Robespierre caiu em seguida. Havia a proteção do Alto, que o guiava na terra, obscurecida pela agitação dos homens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Uma corrente de prestígios inundou a inteligência humana em geral, e a dos parisienses em particular, porque a cidade, que comporta sábios e doutores de toda espécie, possui poucos que orientam seu pensamento na direção dos conhecimentos verdadeiros, e há menos ainda que buscam esses conhecimentos com um espírito reto. A maior parte deles não fazem mais que dissecar as cascas da Natureza, medir, pesar e enumerar todas as suas moléculas. Eles tentam, insensatos, a conquista de tudo que se encontra em composição no Universo, como se isso lhes fosse possível. Esses sábios, tão célebres e tão ruidosos, não sabem que o Universo (ou o Templo) é a imagem reduzida da indivisível e universal eternidade; eles podem contemplar e admirar, pelo espetáculo de suas propriedades e de suas maravilhas, ... mas jamais poderão conquistar o segredo de sua existência.&amp;quot;(16) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin, para cumprir seu dever cívico, serviu na Guarda Nacional e, em Amboise, foi escolhido para ser um dos instrutores da Escola Normal Superior, que formava jovens professores; tomou parte em 1795 da primeira Assembléia Eleitoral, sem contudo tornar-se membro efetivo de qualquer corpo legislativo. O que buscava era o Conhecimento e a difusão de suas doutrinas. Jamais fez proselitismo e procurava ter por discípulos amigos fiéis da Verdade. Quem visse seu jeito humilde jamais poderia suspeitar de sua elevada espiritualidade. Sua docilidade para com o tratamento, sua serenidade, manifestava no entanto o sábio, O Novo Homem formado pela filosofia profunda do aperfeiçoamento moral e espiritual. A luz que irradiava de seu centro fazia justiça à sua condição de Homem-Espírito, o grande sol da transição ao século XIX.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi em 1788, em Estrasburgo, que Saint-Martin tomou conhecimento das obras de Jacob Böehme, o Teósofo Teutônico, através de Rodolphe de Salzmann. Surpreso, constatou que essa doutrina combinava com a de seu antigo mestre Martinez de Pasqually, sendo idênticas em essência.. Coube a ele a tarefa de fazer o feliz casamento das duas correntes doutrinárias, elaborando um sistema sintático, capaz de satisfazer seus anseios e colocar à disposição de todos os Homens de Desejo um caminho seguro para chegar à Iluminação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A síntese iniciática foi obtida em poucos anos de trabalho pelo nosso Filósofo Desconhecido, secundado que foi por seu colega Jean Baptiste Willermoz. Necessitava, entretanto, de uma transmissão iniciática da corrente de Böehme para associar à sua, advinha de Pasqually. Essa corrente alemã de Jacob Böehme foi obtida ao ser iniciada pelo Barão de Salzmann, em Estrasburgo, e confirmada na linha mais antiga dos Templários, ao associar-se com a Estrita Observância Templária, do Barão de Hund. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Willermoz foi o encarregado, em Lyon, de organizar o sistema maçônico do Rito Escocês Retificado, fruto do Convento de Wilhelmsbad de 1782. Coube a Saint-Martin a chefia e a realização de iniciações individuais da Ordem Interior dos Filósofos Desconhecidos. Vários alemães foram iniciados no novo sistema (muitos dos quais já eram discípulos de Martinez de Pasqually), ingressando na iniciação real que conduz à Iluminação e à Reintegração a partir deste mundo na Unidade Divina.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin considerava as obras de Jacob Böehme de uma profundidade e de um valor inestimáveis e não se achava digno nem de desatar as sandálias de Jacob Böehme; entendia que seria necessário que o homem se tivesse tornado pedra ou demônio para não tirar proveito de tais obras. (17)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Foi assim que passou a estudar o alemão, com quase 50 anos de idade, para melhor penetrar no sentido oculto e no pensamento do autor. Procurou traduzir para o francês as principais obras do Mestre. A partir de então, sempre que se referia a Jacob Böehme dizia que o Iluminado teutônico foi a maior luz que veio a este mundo depois daquele que era a própria Luz, isto é, o Cristo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após ter percorrido parte da Europa, estabeleceu seu apostolado em Toulouse, Versailles e Lyon, sempre lançando a semente espiritual em uma terra que se tornou fecunda, recolhendo ele próprio as doutrinas mais apropriadas para o seu espírito e seu sistema. Mais tarde, centralizou sua ação em três cidades: Estrasburgo, Amboise e Paris, que eram, como confessou, seu paraíso, seu inferno e seu purgatório. Fora dessas cidades possuía membros correspondentes de sua sociedade, como o Barão de Kircheberger, que não chegou a conhecer, mas a quem enviou um emissário, o Conde Divonne, para certamente lhe transmitir a iniciação. Kircheberger era grande admirador das obras de Saint-Martin; pertencia à Escola de Böehme, da qual tomaram parte igualmente Khunrath e Gichtel.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Kircheberger escreveu a Saint-Martin que, segundo uma lenda corrente em sua Escola, a Virgem Celeste, a Divina Sofia, nos dias das núpcias compareceu com seu corpo celeste de Glória e escolheu Gichtel, vindo à sua casa, colocando em ordem seus papéis e completando com seu próprio punho os manuscritos por ele deixados inacabados. Em vida teria igualmente recebido favores de sua esposa celeste, pois como general venceu o exército de Luiz XIV, que pretendia conquistar Amsterdã, cidade onde o adepto residia. Durante toda a batalha, o general não teria saído do quarto.(18)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não somente Saint-Martin acreditava no relato de Kircheberger, como lhe pedia maiores detalhes sobre Gichtel. &amp;quot;Se estivéssemos um perto do outro, escreveu-lhe Saint-Martin, eu também teria uma história de casamento para vos contar. Os mesmos passos foram dados por mim, mas de um modo um pouco diferente, embora chegando aos mesmos resultados. Creio, com efeito, ter conhecido a esposa de Gichtel..., mas não de modo tão particular como ele. Eis o que me aconteceu por ocasião do casamento de que falei: eu estava orando... e me foi dito intelectualmente, mas de modo muito claro, o seguinte: Depois que o Verbo é feito carne, nenhuma carne deve dispor dela própria sem que Ele o permita. Essas palavras penetram profundamente em meu ser; ainda que não tenham significado uma proibição formal, recusei-me a toda negociação posterior.&amp;quot;(19) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Acredita-se que a chave da iniciação está no desejo do homem de purificar-se, de evoluir e de atingir a iluminação. Essa evolução é necessária para remediar a degradação a que o homem se submeteu após a Queda Original. Antes, o homem podia obrar em conformidade com a Vontade do Pai, sendo dessa maneira poderoso, mas após ter se revestido de um envoltório material, suas capacidades espirituais atrofiaram-se e a Vontade e a pureza de outrora aniquilaram-se. Foi na cidade de Estrasburgo que Saint-Martin deu a um discípulo a chave de O Homem de desejo, que, por extensão, serve para a própria Iniciação:&lt;br /&gt;
A Chave do Homem de Desejo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Avant qu'Adam mangeât la pomme,&lt;br /&gt;
Sans effort nous pouviouns oeuvrer.&lt;br /&gt;
Depouis, L'oeuvre ne se consomme.&lt;br /&gt;
Qu'au edu pur d'un ardent supir;&lt;br /&gt;
La Clef de l'Homme de Désir&lt;br /&gt;
Doit naître du désir de l'homme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Isto é, antes de Adão ter comido a maçã, o homem podia realizar sua obra sem esforço; depois, a obra não se concretiza a não ser com a ajuda do fogo puro, emanado de um ardente suspiro, advindo do grande esforço individual. Assim, a chave do Homem de Desejo deve nascer do desejo do homem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Seu livro O Homem de Desejo, publicado pela primeira vez em 1790, são litânias no estilo do salmista, nas quais a alma humana evolui para o seu primeiro estágio, num caminho que o Espírito pode ajudá-la a percorrer. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Saint-Martin escreveu este livro por sugestão do filósofo religioso Thiaman, durante suas viagens a Estrasburgo e a Londres. Lavater, então clérico em Zurique, elogiou essa obra como um dos livros que mais tinha gostado, embora reconhecesse não ter tido condições de penetrar nas bases da doutrina exposta. Kircheberger, mais familiar aos princípios do livro, considerou-o como o mais rico em pensamentos iluminados. O próprio Saint-Martin concordou que nesse livro encontram-se os germes do conhecimento que ignorava até a leitura das obras de Jacob Böehme.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O objetivo de seu livro O Homem de Desejo é mostrar que o homem deve confiar na Regeneração, chamando sua atenção para a necessidade de retorno ao Mundo Divino de onde saiu e ao trabalho que deverá realizar para alcançar esse objetivo, isto é, concentrando suas forças pelo desejo ardente de aperfeiçoar-se e tornar-se um homem de vontade forte. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;Não há nenhum outro mistério para se chegar a essa sagrada iniciação, senão penetrando cada vez mais no fundo de nosso ser e não esmorecendo até que possamos produzir a viva e edificante raiz; porque, então, todos os frutos que haveremos de gerar, conforme nossa espécie, serão produzidos dentro de nós e sem nós, naturalmente; é o que ocorre com nossas árvores terrestres, porque elas aderem às próprias raízes e, incessantemente, retiram sua seiva.&amp;quot;(20) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Compreende-se, assim, que o ensinamento deixado por Saint-Martin, e que veio de Martinez de Pasqually e de Jacob Böehme, era muito profundo e de natureza divina. Constitui-se uma Escola de Homens de Desejo, ávidos por adquirirem conhecimentos, uma elite do pensamento, embaçada em um sistema filosófico iniciático, tendo como objetivo o desenvolvimento moral e espiritual do homem. Não é uma Escola de especulação abstrata, mas um centro onde os membros procuram conhecer a doutrina e a experiência dos mestres e onde procuram vivê-la na vida diária, para atingir a perfeição interior, através de um processo de autotransformação. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os grupos de homens livres eram formados por um pequeno número de pessoas inteligentes e de mente sã, escrupulosamente examinadas, Saint-Martin dizia que as grandes verdades só podem ser bem ensinadas no silêncio. Todos aqueles que não sabem calar, que falam mais do que observam, não podem ser recebidos na senda interior. Saber guardar o silêncio é condição indispensável para que o homem se torne digno de receber outros ensinamentos cada vez mais profundos, emanados não apenas de seu iniciador, como do próprio Mundo Invisível. Para isso, necessitamos de treinamento, que se efetua guardando-se o silêncio em relação às pequenas coisas, mesmo profanas. Qualquer sociedade iniciática não pode ser aberta, pois assim perderia a força que porventura tivesse recebido do Alto. Guardar o silêncio significa fechar-se às influências exteriores, às opiniões contrárias que só trazem ações conflitantes. Fechar-se em torno de si mesmo é magnetizar-se; é evitar que as próprias forças divinas se dispersem na Natureza, passando por nós. É criar um pólo de atração; é tornar-se um receptáculo das influências celestes; é tornar-se a taça que recebe o influxo divino.&lt;br /&gt;
A Iniciação é um processo interior de aperfeiçoamento do homem, tornando-o apto a receber as forças divinas. O homem é a soma de todos os problemas da existência; é a síntese, o enigma dos enigmas, a pedra bruta que deve ser talhada e aperfeiçoada. Esse desenvolvimento deve ocorrer de tal modo que o ser criado se religue ao Criador, através da aproximação da natureza impura com a natureza pura. Por isso, a primeira deve ser trabalhada até ficar quase no mesmo estado da segunda; somente depois haverá uma atração tal, que a Natureza Superior descerá até a inferior, purificando-a em definitivo e deixando-a conforme ela mesma: é a Iluminação do Iniciado.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aquele que possuir o conhecimento de si mesmo terá acesso à ciência do mundo, dos demais seres. O conhecimento de si próprio é somente em si que deve buscar. É no espírito do homem que se devem encontrar as leis que dirigem sua origem. É preciso, pois, que o iniciado encontre seu centro iniciático, a divindade em si, para adquirir o pleno conhecimento de si mesmo. É necessário conhecer suas fraquezas para melhor dominá-las e não voltar a praticar os mesmos erros. Jesus Cristo dizia aos homens para não pecarem mais menos, até o dia em que, tendo encontrado seu equilíbrio iniciático, possam chegar a não pecar mais. Sua luta deve ser constante, contra as paixões, suas contrariedades internas e a ira. A docilidade representa a presença de Deus no centro iniciático; a ira representa a sua ausência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;O homem não pode ser integralmente livre da ira e do pecado porque os movimentos do abismo deste mundo tampouco são totalmente puros ante o coração de Deus; o amor e a ira sempre lutam entre si.&amp;quot;(21)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A doutrina de Saint-Martin difundiu-se na Alemanha e na Rússia, através de seus discípulos. Na Rússia, a doutrina martinista encontrou um grande divulgador em Joseph de Maistre, que afirmava a existência de Deus no interior de cada indivíduo e, por conseguinte, que o segredo de toda a iniciação consistia em descobrir o centro iniciático próprio, a senda interior, a fim de proceder ao próprio desenvolvimento espiritual. Assim, a iniciação é uma senda real, interior, individual, e não se encontra no exterior, nas sociedades ou no Enciclopedismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1803, o Filósofo Desconhecido dava seus últimos passos em direção à Eternidade, pois sua saúde mostrava-se débil. Mas não se afligiu com essa perspectiva; ao contrário, dizia que a Providência sempre lhe havia dispensado muito cuidado, de modo que só poderia render-lhe graças.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Conta-nos Gence que certa vez, visitando um amigo comum, Saint-Martin confessou-lhe que estava partindo para o Oriente Eterno e no dia seguinte, visitando seu amigo o Conde Lenoir la Roche, em Aulnay, após leve refeição, retirou-se para o quarto; sofreu um ataque de apoplexia e partiu. Era o dia 13 de outubro de 1803. Foi então que seus discípulos e amigos perderam a convivência física com o Mestre, mas ganharam a eterna e permanente proteção espiritual que nos envia do Reino da Glória, através dos Mundos Invisíveis. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Hoje, a obra de Louis Claude de Saint-Martin continua através dos Grupos de Iniciados que seguem sua doutrina. A Conquista da Iluminação é o objetivo último de todos os Homens de Desejo, que encontram nas obras do Mestre e no seu exemplo, como Homem e como Iniciado, o respaldo necessário para prosseguir na senda sem desânimo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Que cada um possa transformar-se em um Novo Homem, renascido pela Luz, que resplandece na alma de todos, e que engendrará, no futuro, o Homem-Espírito, o novo Sol que acalentará os corações de todos com seu procedimento e com sua serenidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Obras de Louis Claude de Saint-Martin==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1-) Des Erreurs et de la Vérité, ou les Hommes Rappelés au Principe Universel de la Science. Edimbourg, 1775, 2 vol.&lt;br /&gt;
2-) Suite des Erreurs et de la Vérité. A Salomonopolis, Androphile, 1784.&lt;br /&gt;
3-) Tableau Naturel des Rapports qui Existent entre Dieu, l'Homme et l'Univers. Édimbourg. 1782.&lt;br /&gt;
4-) L'Homme de Désir. Lyon, 1790.&lt;br /&gt;
5-) Ecce Homo. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
6-) Le Nouvel Homme. Paris, Cercle Social, 1792.&lt;br /&gt;
7-) Letre à un Ami, ou Considérations Philosophiques et Religieuses sur la Révolution Française. Paris, Louvet, Palais, Égalité, 1796.&lt;br /&gt;
8-) Éclair sur l'Association Humaine. Paris, Marais, 1797. &lt;br /&gt;
9-) Le Crocodille ou la Guerre du Bien et du Mal, Arrivée sous le Règne de Louis XV. Paris, Cercle Social, 1798.&lt;br /&gt;
10-) Réflexiones d'un Observateur sur la Question Proposée por l'Institut: &amp;quot;Quelles sont les Institutions les plus Propres à Fonder la Morale d'un Peuple?. Paris, 1798.&lt;br /&gt;
11-) De l'Influence des Signes sur la Pensée (inserido incialmente no Crocodile). Paris, 1799.&lt;br /&gt;
12-) L'Esprit des Choses ou Coup d'Deil Philosophique sur la Nature des Étres et sur l'Objet de leur Existence. Paris, 1800, 2 vol.&lt;br /&gt;
13-) Le Ministère de l'Homme-Esprit. Paris, 1802.&lt;br /&gt;
14-) Oeuvres Posthumes de Saint-Martin. Tours, 1807, 2vol.&lt;br /&gt;
15-) Traité des Nombres. S/1, M. Léon, 1844.&lt;br /&gt;
16-) Correspondence de Saint-Martin avec Kircheberger, Baron de Liebisdorf, des annèes 1792 a 1799, S. n. t. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Traduções das obras de Jacob Boehme==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
17-) L'Aurore Naissante ou la Racine de la Philosophie, de l'Astrologie et de la Théologie. Paris, 1800.&lt;br /&gt;
18-)Des Trois Principes de l'Essence Divine ou de l'Eternel Engendrement sans Origine de l'Homme, d'où il a été Crée et pour quelle Fin. Paris, 1802, 2 vol. &lt;br /&gt;
19-)Quarente Questions sur l'Origine, l'Essence, l'Etre, la Nature et la Propriété de l'Âme, suivies des &amp;quot;Six Poit&amp;quot;. Paris, 1807.&lt;br /&gt;
20-) De la Triple Vie de l'Homme selon de Mystère des Trois Principes de la Manifestation Divine. Paris, 1809.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Notas==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1- SAINT-MARTIN, L. C. Oeuvres Posthumes; Portrait Historique et Phisosophique de Saint-Martin fait par lui-même, p. 58-59. &lt;br /&gt;
2- Id., t.1, p.5.&lt;br /&gt;
3- Id., t.1, p.78-9.&lt;br /&gt;
4- J. B. M. Gence foi discípulo de Saint-Martin e com ele conviveu longos anos: seu relato encontra-se no prefácio de Teosophic Correspondence between L. C. de Saint-Martin and Kircheberger, Baron de Liebistorf, P. V.&lt;br /&gt;
5- Id., p. VI.&lt;br /&gt;
6- PAPUS. L'Illuminismo en France, 1771-1803: Louis-Claude de Saint-Martin, as Vie, as Voie Theurgique, ses Oeuvrages, son Oeuvre, ses Disciples, suivi de la Publicatino de 50 Letters Inédites, p. 109.&lt;br /&gt;
7- MATER, M. Saint-Martin, le Philosophe Inconnu. Ed. d'Aujourd'hui, p. 20.&lt;br /&gt;
8- SAINT-MARTIN, L. C. Theosophic Correspondense, op. Cit. Carta XCII.&lt;br /&gt;
9- Id. Carta IV.&lt;br /&gt;
10- PAPUS. Louis Claude de S. Martin. 1902.&lt;br /&gt;
11- Id., p. 12.&lt;br /&gt;
12- Comentário deixado por Ary Ilha Xavier, profundo conhecedor das obras de Saint-Martin.&lt;br /&gt;
13- Des Erreurs et de la Vérité. Edimbourg, 1775, 2v.&lt;br /&gt;
14- Gence. Op. Cit., p. IV.&lt;br /&gt;
15- Id., p. VII.&lt;br /&gt;
16- SAINT-MARTIN, L.C. Le Crocodile, Canto XV, p.53.&lt;br /&gt;
17- SAINT-MARTIN, L.C. Mont Portrait. Op. Cit., p. 42.&lt;br /&gt;
18- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Op. Cit. Carta LVIII.&lt;br /&gt;
19- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence Op. Cit. Carta LXII.&lt;br /&gt;
20- SAINT-MARTIN, L.C. Theosophic Correspondence. Carta número CX.&lt;br /&gt;
21- BÖEHME, J. Confesiones, p. 44.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Martinismo&amp;diff=7141</id>
		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-24T06:11:25Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:Pantáculo.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A '''Ordem Martinista''' é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã, muito embora exista algumas linhagens do Martinismo que conciliam os ensinamentos da tradição esotérica cristã com os ensinamentos de algumas tradições esotéricas do oriente. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis Cloude de Saint Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis Claude de Saint-Martin:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da '''Reintegração'''. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: ''Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo.'' Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um '''Homem de Desejo'''. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O martinismo é um caminho da '''Vontade'''. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual ''podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis Claude de Saint Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O martinismo moderno==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a transição de Louis Claude de Saint Martin, os martinistas (assim eram chamados seus discípulos) não estiveram muito ativos. As cerimônias e os ensinamentos tradicionais eram transmitidos somente de maneira pessoal e privada. Após um longo período de discrição, um grande esforço foi feito em 1888 para estruturar aquilo que na época não podia verdadeiramente ser chamado de uma Ordem iniciática e que se limitava a alguns iniciados. Foi graças ao empenho de [[Papus]] e [[Augustin Chaboseau]] que essa Ordem veio à luz e recebeu o nome de Ordem Martinista. Esse movimento foi coroado de êxito em 1891 e resultou na formação do Conselho Supremo da '''Ordem Martinista''', composto de vinte e um Membros, com autoridade sobre todas as Lojas do mundo. O célebre ocultista francês Papus ([[Papus | Dr. Gerard Encause]]) foi eleito primeiro Presidente desse Conselho Supremo. Sob sua brilhante e infatigável direção, a Ordem cresceu rapidamente e, por volta de 1900, contava com centenas de Membros ativos na maior parte dos países do mundo. Papus tornou-se rapidamente uma autoridade em matéria de martinismo e suas obras constituem uma fonte preciosa de informação para os martinistas e todos aqueles que se interessam pela Tradição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==As ordens martinistas visíveis==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer do tempo a luz martinista difundiu-se pelo mundo. Atualmente, existem vários grupos organizados sob o título de martinistas. Eis algumas delas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tradicional ordem martinista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Tradicional Ordem Martinista permanece como a maior Ordem Martinista não operativa em atividade no mundo, para tanto conta com a aliança com a Ordem Rosacruz AMORC, é a organização Martinista que possui o maior número de Heptadas tradicionalmente constituídas e é a que possui a melhor organização administrativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão da Tradicional Ordem Martinista possui vários ramos a saber :1. V.E. Michelet 2. Augustin Chaboseau (Sar Augustus) 3. Ralph Maxwell Lewis (Sar Validivar) 4. Gary L. Stewart 5. Cristian Bernard (Phenix) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sucessões iniciáticas: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. o Charles Deter (Teder) 3. Blanchard 4. H.S.Lewis &lt;br /&gt;
1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. Charles Deter (Teder) 3. Georges de Bogè LagrËze (Mikael) 4. Ralph Lewis. &lt;br /&gt;
O Soberano Grande Mestre da Tradicional Ordem Martinista é o Ir Christian Bernard ( Phenix) que possui duas linhagens: &lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Sepulcros de Orval 3. Cristian Bernard e&lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Cecil UM. Poole 3. Gary L. Stewart 4. Christian Bernard.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Tradicional Ordem Martinista, trabalham-se em três graus:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Associado&lt;br /&gt;
* Iniciado&lt;br /&gt;
* S.I.(Superior Incógnito) e CFD (Círculo dos Filósofos Desconhecidos)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para se afiliar à TOM, é exigido que o aspirante seja um membro iniciado ao primeiro Grau de Templo da Ordem Rosacruz, AMORC e que esteja em dia com suas contribuições. Então, após a admissão à classe dos membros de Oratório ele pode solicitar afiliação a uma das Heptadas Martinistas espalhadas pela jurisdição. Para ser iniciado em uma Heptada Martinista, no grau Associado, deve-se passar por uma entrevista com o mestre em exercício. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os membros da TOM reúnem-se em reuniões chamadas de &amp;quot;Conventículos Martinistas&amp;quot;, onde são estudados os manuscritos correspondentes ao grau do conventículo. Para ser admitido ao grau seguinte, exige-se, principalmente, que o membro participe, durante 1 ano, de todos os conventículos referente ao seu grau atual (tolerando-se no máximo 6 faltas). Os conventículos de cada grau são realizados quinzenalmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do estudo do S.I. em Heptada, e desde que eles tenham atendido todas as exigências estabelecidas pela Grande Heptada, os membros são admitidos ao Círculo dos Filósofos Desconhecidos (CFD), onde escolhem um nome místico. No CFD, os novos mestres estão aptos a participarem de todos os trabalhos templários, a escreverem manuscritos e enviarem para a Grande Heptada, onde serão apreciados e redistribuídos para as outras Heptadas, para estudo e meditação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O intuito desta compilação é o de fornecer informações históricas sobre o Martinismo através dos séculos. Como todo Martinista deve saber, não se julga um irmão pela riqueza ou pobreza do berço que o embalou e sim pela fraternidade que une dois seres que possuem gravados em seus íntimos a mesma iniciação e a mesma paternidade espiritual. Este é o elo que nos une.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista sinárquica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta ordem é a mais antiga das que tiveram uma existência ininterrupta desde sua fundação em 1918 por Blanchard (Sar Yesir). Originalmente era Blanchard que iria se tornar o sucessor de Detré como Grande Mestre da Ordem Martinista Martinezista. Blanchard desistiu disto, pois ele não estava a favor da exigência de afiliação maçônica no Martinismo. Assim em 1918 Blanchard reuniu o Conselho Supremo anterior de Martinistas e Martinistas independentes que não aderiram ou pertenceram às Ordens Martinistas maçônicas e formaram uma Ordem de Martinistas sob a constituição original que Iniciou homens e mulheres. Depois, em 1934 a Ordem de Blanchard mudou seu nome para Ordem Martinista e Sinarquica, e Blanchard foi eleito Soberano Grande Mestre Universal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com uma idade de 75 anos, Blanchard faleceu em 1953, em Paris. O Soberano Grão Mestre a substitui-lo foi Sar Alkmaion (Dr. Edouard Bertholet), da Suíça. Foi Sar Alkmaion, Soberano Grão Mestre da Ordem para as Lojas Inglesas que recebeu a Carta Constitutiva como Delegado Geral para a Grã Bretanha e a Comunidade britânica. A Grande Loja Britânica era governada por um comitê interno conhecido como o Tribunal Soberano do qual este era um dos membros permanentes: Presidente: Sar Sorath (também conhecido como Sar Gulion, ainda em vida). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No momento, a jurisdição principal desta ordem está na Inglaterra sob da liderança de Sar Gulion. Nos E.U.A. há uma filial da ordem que funciona regularmente com uma carta constitutiva da Inglaterra. Depois da morte de Fusiller, o sucessor de Blanchard, a Ordem Martinista dos Eleitos Cohens fundiu com o OMS e mantém o nome do posterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A linhagem de OMS atual: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de BogÈ LagrËze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Gulion/Sorath (o Grande Mestre Inglês) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O OM&amp;amp;S independente do Canadá, tem estas linhagens; 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de Bogè Lagrëze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Sendivogius 7. William Pendleton 8. Sar Parsifal/Petrus (morto 1994). &lt;br /&gt;
O tribunal de OM&amp;amp;S no Canadá, 1965, era compostos de: 1. Sar Resurrectus, Presidente (iniciado por Pendleton) 2. Sar Sendivogious, 3. Sar Petrus &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Jurisdição canadense se declarou independente. Sar Resurrectus se tornou o Grande Mestre, Sar Sendivogious se retirou das atividades da OMS para se concentrar nos Elus Cohen, e Sar Petrus se tornou Grande Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem Martinista dos Elus Cohens===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Originalmente fundado por Martinez de Pasqually em 1768. Foi fundido com alguns ritos Maçons pelo discípulo dele e sucessor Jean-Baptiste Willermoz. O Dr. Blitz de Eduoard, um companheiro antigo de Papus, trabalhou com os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa de Willermoz, nos E.U.A., e consequentemente mantinha a exigência de afiliação maçônica. Depois da Segunda Guerra Mundial, Robert Ambelain (Sar Aurifer),era seu Grande Mestre e mantinha rituais Elus Cohen que ele tinha obtido de várias fontes , reavivou a Ordem Martiniste des lus Cohens que praticava justamente esta forma operativa de teurgia. Ambelain também preservou somente esta Ordem aos Homens. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem original do Cohens Eleitos tinha trabalhado de 1767 a pelo menos até 1807. De lá para cá a linhagem está quebrada ou pelo menos incompleta. Estes são o iniciados principais da Ordem dos Cavaleiros Maçons Eleitos do Elus Cohen do Universo na França: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Martinez de Pasqually 1767-1774 2. Caignet Lestere 1774-1779 3. o Sebastian las de Casas 1780 4. G.Z.W.J. 1807 de 1942-1967: 1. Robert Ambelain (Aurifer) 1942-1967 2. Ivan Mosca (Hermete) 1967-1968 &lt;br /&gt;
No seguimento Italiano : 1. Krisna Frater 2. Francesco Brunelli &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os graus transmitidos nos Elus Cohen são assim: &lt;br /&gt;
1º grau - o Mestre Elus-Cohen 2º grau - Cavaleiro do Oriente 3º grau - o Chefe do Oriente 4º grau - RÈaux-Croix Outras fontes relatam assim: 1 - Ordem dos Cavaleiros de Elus-Cohen L'Univers 2 - ordem de Cavaleiros maçons 3 - Eleitos sacerdotes do Universo 4 - RÈaux-Croix &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ordem se fundiu com a Ordem de Martinista de Phillipe Encausse. Ambelain publicou uma declaração na revista de Martinista ´L'Initiation&amp;quot; em 1964 relatando o fechamento da ordem. 30 anos depois foi reavivado mais uma vez - novamente por Ambelain - que ainda parece estar morando em Paris. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista de papus===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É o nome da primeira ordem criado por Papus em Paris 1888. Papus foi o primeiro Soberano Grande Mestre de 1888 até a sua morte em 1916. O seu primeiro Conselho Supremo foi constituído dos seguintes Irmãos: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Papus (o Grande Mestre ) 2. Pierre Augustin Chaboseau 3. Paul Adam 4. Charles Barlet 5. Maurice Barres 6. Burget 7. Lucien Chamuel, 8. de Stanislas Guaita 9. LeJay 10. Montiere 11. Josephin Peladan 12. Yvon Le Loup (Sedir) 13. Eduoard&lt;br /&gt;
Maurice Barres e Josephin Peladan foram posteriormente substituídos por Marc e Emile Michelet. O Dr. Blitz de Edouard , Delegado Soberano no E.U.A., também era um membro do Conselho Supremo, entretanto ele é negligenciado freqüentemente na história do Martinismo, provavelmente porque ele deixou a Ordem, depois de uma controvérsia com Papus que não pretendia manter a subordinação maçônica em sua organização. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem Martinista Sufi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta linhagem do Martinismo concilia ensinamentos da tradição esotérica cristã com ensinamentos da tradição esotérica islâmica, também conhecido como sufismo. Papus travou contato com algumas fraternidades iniciáticas do oriente médio que resultou na união de alguns martinistas europeus com adeptos do sufismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão de Papus na linhagem de Saint Martin era assim: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude Saint Martin (1743-1803) 2. Jean-Antoine Chaptal (de Compte Chanteloup)(morto em 1832) 3. (?)X 4. Henri Delaage (morreu 1882) 5. Dr. Gérard Encausse. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, havia um elo, ou melhor, um vácuo (o X) na linhagem de Papus, assim em 1888, Augustin Chaboseau (um membro do Conselho Supremo original de 1888) e Gérard Encausse trocaram Iniciações pessoais para consolidar a sucessão. A Ordem Martinista se constituiu então de duas linhagens espirituais, a que vimos acima e a seguinte: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude de Saint Martin (1743-1803) 2. Abbe de la Noue (morreu 1820) 3. J. Antoine-Marie Hennequin (morreu 1851) 4. Adolphe Desbarolles (morto em 1880) 5. Henri la de Touche (Paul-Hyacinthe de Nouel de la Touche)(morto em 1851) 6. a marquesa de Amélie de Mortemart Boisse 7. Pierre Augustin Chaboseau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de morte de Papus , Charles Detré (nome místico Teder ) se tornou o Soberano Grande Mestre, ele decidiu limitar a afiliação à Ordem Martinista (L`Ordre Martiniste) para Mestres Maçons, especialmente do Rito de Memphis &amp;amp; Misraim. Claro que isto significou que as mulheres seriam excluídas do Martinismo, e isto também não estava de acordo à filosofia do Martinismo original. Naturalmente isto causou grande discordância entre os membros, e vários membros do Conselho Supremo original de 1891 deixaram a Ordem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Martinismo]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ordens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Martinismo&amp;diff=7139</id>
		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-24T03:56:04Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* Tradicional ordem martinista */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:Pantáculo.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A '''Ordem Martinista''' é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã, muito embora exista algumas linhagens do Martinismo que conciliam os ensinamentos da tradição esotérica cristã com os ensinamentos de algumas tradições esotéricas do oriente. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis-Claude de Saint-Martin:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
:''“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da '''Reintegração'''. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: ''Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo.'' Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um '''Homem de Desejo'''. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O martinismo é um caminho da '''Vontade'''. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual ''podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis-Claude de Saint-Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O martinismo moderno==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a transição de Louis-Claude de Saint-Martin, os martinistas (assim eram chamados seus discípulos) não estiveram muito ativos. As cerimônias e os ensinamentos tradicionais eram transmitidos somente de maneira pessoal e privada. Após um longo período de discrição, um grande esforço foi feito em 1888 para estruturar aquilo que na época não podia verdadeiramente ser chamado de uma Ordem iniciática e que se limitava a alguns iniciados. Foi graças ao empenho de [[Papus]] e [[Augustin Chaboseau]] que essa Ordem veio à luz e recebeu o nome de Ordem Martinista. Esse movimento foi coroado de êxito em 1891 e resultou na formação do Conselho Supremo da '''Ordem Martinista''', composto de vinte e um Membros, com autoridade sobre todas as Lojas do mundo. O célebre ocultista francês Papus ([[Papus | Dr. Gerard Encause]]) foi eleito primeiro Presidente desse Conselho Supremo. Sob sua brilhante e infatigável direção, a Ordem cresceu rapidamente e, por volta de 1900, contava com centenas de Membros ativos na maior parte dos países do mundo. Papus tornou-se rapidamente uma autoridade em matéria de martinismo e suas obras constituem uma fonte preciosa de informação para os martinistas e todos aqueles que se interessam pela Tradição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==As ordens martinistas visíveis==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer do tempo a luz martinista difundiu-se pelo mundo. Atualmente, existem vários grupos organizados sob o título de martinistas. Eis algumas delas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tradicional ordem martinista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Tradicional Ordem Martinista permanece como a maior Ordem Martinista não operativa em atividade no mundo, para tanto conta com a aliança com a Ordem Rosacruz AMORC, é a organização Martinista que possui o maior número de Heptadas tradicionalmente constituídas e é a que possui a melhor organização administrativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão da Tradicional Ordem Martinista possui vários ramos a saber :1. V.E. Michelet 2. Augustin Chaboseau (Sar Augustus) 3. Ralph Maxwell Lewis (Sar Validivar) 4. Gary L. Stewart 5. Cristian Bernard (Phenix) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sucessões iniciáticas: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. o Charles Deter (Teder) 3. Blanchard 4. H.S.Lewis &lt;br /&gt;
1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. Charles Deter (Teder) 3. Georges de Bogè LagrËze (Mikael) 4. Ralph Lewis. &lt;br /&gt;
O Soberano Grande Mestre da Tradicional Ordem Martinista é o Ir Christian Bernard ( Phenix) que possui duas linhagens: &lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Sepulcros de Orval 3. Cristian Bernard e&lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Cecil UM. Poole 3. Gary L. Stewart 4. Christian Bernard.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Tradicional Ordem Martinista, trabalham-se em três graus:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Associado&lt;br /&gt;
* Iniciado&lt;br /&gt;
* S.I.(Superior Incógnito) e CFD (Círculo dos Filósofos Desconhecidos)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para se afiliar à TOM, é exigido que o aspirante seja um membro iniciado ao primeiro Grau de Templo da Ordem Rosacruz, AMORC e que esteja em dia com suas contribuições. Então, após a admissão à classe dos membros de Oratório ele pode solicitar afiliação a uma das Heptadas Martinistas espalhadas pela jurisdição. Para ser iniciado em uma Heptada Martinista, no grau Associado, deve-se passar por uma entrevista com o mestre em exercício. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os membros da TOM reúnem-se em reuniões chamadas de &amp;quot;Conventículos Martinistas&amp;quot;, onde são estudados os manuscritos correspondentes ao grau do conventículo. Para ser admitido ao grau seguinte, exige-se, principalmente, que o membro participe, durante 1 ano, de todos os conventículos referente ao seu grau atual (tolerando-se no máximo 6 faltas). Os conventículos de cada grau são realizados quinzenalmente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No final do estudo do S.I. em Heptada, e desde que eles tenham atendido todas as exigências estabelecidas pela Grande Heptada, os membros são admitidos ao Círculo dos Filósofos Desconhecidos (CFD), onde escolhem um nome místico. No CFD, os novos mestres estão aptos a participarem de todos os trabalhos templários, a escreverem manuscritos e enviarem para a Grande Heptada, onde serão apreciados e redistribuídos para as outras Heptadas, para estudo e meditação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O intuito desta compilação é o de fornecer informações históricas sobre o Martinismo através dos séculos. Como todo Martinista deve saber, não se julga um irmão pela riqueza ou pobreza do berço que o embalou e sim pela fraternidade que une dois seres que possuem gravados em seus íntimos a mesma iniciação e a mesma paternidade espiritual. Este é o elo que nos une.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista sinárquica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta ordem é a mais antiga das que tiveram uma existência ininterrupta desde sua fundação em 1918 por Blanchard (Sar Yesir). Originalmente era Blanchard que iria se tornar o sucessor de Detré como Grande Mestre da Ordem Martinista Martinezista. Blanchard desistiu disto, pois ele não estava a favor da exigência de afiliação maçônica no Martinismo. Assim em 1918 Blanchard reuniu o Conselho Supremo anterior de Martinistas e Martinistas independentes que não aderiram ou pertenceram às Ordens Martinistas maçônicas e formaram uma Ordem de Martinistas sob a constituição original que Iniciou homens e mulheres. Depois, em 1934 a Ordem de Blanchard mudou seu nome para Ordem Martinista e Sinarquica, e Blanchard foi eleito Soberano Grande Mestre Universal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com uma idade de 75 anos, Blanchard faleceu em 1953, em Paris. O Soberano Grão Mestre a substitui-lo foi Sar Alkmaion (Dr. Edouard Bertholet), da Suíça. Foi Sar Alkmaion, Soberano Grão Mestre da Ordem para as Lojas Inglesas que recebeu a Carta Constitutiva como Delegado Geral para a Grã Bretanha e a Comunidade britânica. A Grande Loja Britânica era governada por um comitê interno conhecido como o Tribunal Soberano do qual este era um dos membros permanentes: Presidente: Sar Sorath (também conhecido como Sar Gulion, ainda em vida). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No momento, a jurisdição principal desta ordem está na Inglaterra sob da liderança de Sar Gulion. Nos E.U.A. há uma filial da ordem que funciona regularmente com uma carta constitutiva da Inglaterra. Depois da morte de Fusiller, o sucessor de Blanchard, a Ordem Martinista dos Eleitos Cohens fundiu com o OMS e mantém o nome do posterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A linhagem de OMS atual: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de BogÈ LagrËze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Gulion/Sorath (o Grande Mestre Inglês) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O OM&amp;amp;S independente do Canadá, tem estas linhagens; 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de Bogè Lagrëze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Sendivogius 7. William Pendleton 8. Sar Parsifal/Petrus (morto 1994). &lt;br /&gt;
O tribunal de OM&amp;amp;S no Canadá, 1965, era compostos de: 1. Sar Resurrectus, Presidente (iniciado por Pendleton) 2. Sar Sendivogious, 3. Sar Petrus &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Jurisdição canadense se declarou independente. Sar Resurrectus se tornou o Grande Mestre, Sar Sendivogious se retirou das atividades da OMS para se concentrar nos Elus Cohen, e Sar Petrus se tornou Grande Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem Martinista dos Elus Cohens===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Originalmente fundado por Martinez de Pasqually em 1768. Foi fundido com alguns ritos Maçons pelo discípulo dele e sucessor Jean-Baptiste Willermoz. O Dr. Blitz de Eduoard, um companheiro antigo de Papus, trabalhou com os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa de Willermoz, nos E.U.A., e consequentemente mantinha a exigência de afiliação maçônica. Depois da Segunda Guerra Mundial, Robert Ambelain (Sar Aurifer),era seu Grande Mestre e mantinha rituais Elus Cohen que ele tinha obtido de várias fontes , reavivou a Ordem Martiniste des lus Cohens que praticava justamente esta forma operativa de teurgia. Ambelain também preservou somente esta Ordem aos Homens. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem original do Cohens Eleitos tinha trabalhado de 1767 a pelo menos até 1807. De lá para cá a linhagem está quebrada ou pelo menos incompleta. Estes são o iniciados principais da Ordem dos Cavaleiros Maçons Eleitos do Elus Cohen do Universo na França: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Martinez de Pasqually 1767-1774 2. Caignet Lestere 1774-1779 3. o Sebastian las de Casas 1780 4. G.Z.W.J. 1807 de 1942-1967: 1. Robert Ambelain (Aurifer) 1942-1967 2. Ivan Mosca (Hermete) 1967-1968 &lt;br /&gt;
No seguimento Italiano : 1. Krisna Frater 2. Francesco Brunelli &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os graus transmitidos nos Elus Cohen são assim: &lt;br /&gt;
1º grau - o Mestre Elus-Cohen 2º grau - Cavaleiro do Oriente 3º grau - o Chefe do Oriente 4º grau - RÈaux-Croix Outras fontes relatam assim: 1 - Ordem dos Cavaleiros de Elus-Cohen L'Univers 2 - ordem de Cavaleiros maçons 3 - Eleitos sacerdotes do Universo 4 - RÈaux-Croix &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ordem se fundiu com a Ordem de Martinista de Phillipe Encausse. Ambelain publicou uma declaração na revista de Martinista ´L'Initiation&amp;quot; em 1964 relatando o fechamento da ordem. 30 anos depois foi reavivado mais uma vez - novamente por Ambelain - que ainda parece estar morando em Paris. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista de papus===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É o nome da primeira ordem criado por Papus em Paris 1888. Papus foi o primeiro Soberano Grande Mestre de 1888 até a sua morte em 1916. O seu primeiro Conselho Supremo foi constituído dos seguintes Irmãos: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Papus (o Grande Mestre ) 2. Pierre Augustin Chaboseau 3. Paul Adam 4. Charles Barlet 5. Maurice Barres 6. Burget 7. Lucien Chamuel, 8. de Stanislas Guaita 9. LeJay 10. Montiere 11. Josephin Peladan 12. Yvon Le Loup (Sedir) 13. Eduoard&lt;br /&gt;
Maurice Barres e Josephin Peladan foram posteriormente substituídos por Marc e Emile Michelet. O Dr. Blitz de Edouard , Delegado Soberano no E.U.A., também era um membro do Conselho Supremo, entretanto ele é negligenciado freqüentemente na história do Martinismo, provavelmente porque ele deixou a Ordem, depois de uma controvérsia com Papus que não pretendia manter a subordinação maçônica em sua organização. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem Martinista Sufi===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta linhagem do Martinismo concilia ensinamentos da tradição esotérica cristã com ensinamentos da tradição esotérica islâmica, também conhecido como sufismo. Papus travou contato com algumas fraternidades iniciáticas do oriente médio que resultou na união de alguns martinistas europeus com adeptos do sufismo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão de Papus na linhagem de Saint Martin era assim: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude Saint Martin (1743-1803) 2. Jean-Antoine Chaptal (de Compte Chanteloup)(morto em 1832) 3. (?)X 4. Henri Delaage (morreu 1882) 5. Dr. Gérard Encausse. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, havia um elo, ou melhor, um vácuo (o X) na linhagem de Papus, assim em 1888, Augustin Chaboseau (um membro do Conselho Supremo original de 1888) e Gérard Encausse trocaram Iniciações pessoais para consolidar a sucessão. A Ordem Martinista se constituiu então de duas linhagens espirituais, a que vimos acima e a seguinte: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude de Saint Martin (1743-1803) 2. Abbe de la Noue (morreu 1820) 3. J. Antoine-Marie Hennequin (morreu 1851) 4. Adolphe Desbarolles (morto em 1880) 5. Henri la de Touche (Paul-Hyacinthe de Nouel de la Touche)(morto em 1851) 6. a marquesa de Amélie de Mortemart Boisse 7. Pierre Augustin Chaboseau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de morte de Papus , Charles Detré (nome místico Teder ) se tornou o Soberano Grande Mestre, ele decidiu limitar a afiliação à Ordem Martinista (L`Ordre Martiniste) para Mestres Maçons, especialmente do Rito de Memphis &amp;amp; Misraim. Claro que isto significou que as mulheres seriam excluídas do Martinismo, e isto também não estava de acordo à filosofia do Martinismo original. Naturalmente isto causou grande discordância entre os membros, e vários membros do Conselho Supremo original de 1891 deixaram a Ordem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Martinismo]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ordens]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
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		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-15T07:37:48Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:Pantáculo.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis-Claude de Saint-Martin:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da '''Reintegração'''. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: ''Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo.'' Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um '''Homem de Desejo'''. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O martinismo é um caminho da '''Vontade'''. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual ''podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis-Claude de Saint-Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O martinismo moderno==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a transição de Louis-Claude de Saint-Martin, os martinistas (assim eram chamados seus discípulos) não estiveram muito ativos. As cerimônias e os ensinamentos tradicionais eram transmitidos somente de maneira pessoal e privada. Após um longo período de discrição, um grande esforço foi feito em 1888 para estruturar aquilo que na época não podia verdadeiramente ser chamado de uma Ordem iniciática e que se limitava a alguns iniciados. Foi graças ao empenho de [[Papus]] e [[Augustin Chaboseau]] que essa Ordem veio à luz e recebeu o nome de Ordem Martinista. Esse movimento foi coroado de êxito em 1891 e resultou na formação do Conselho Supremo da '''Ordem Martinista''', composto de vinte e um Membros, com autoridade sobre todas as Lojas do mundo. O célebre ocultista francês Papus ([[Dr. Gerard Encause]]) foi eleito primeiro Presidente desse Conselho Supremo. Sob sua brilhante e infatigável direção, a Ordem cresceu rapidamente e, por volta de 1900, contava com centenas de Membros ativos na maior parte dos países do mundo. Papus tornou-se rapidamente uma autoridade em matéria de martinismo e suas obras constituem uma fonte preciosa de informação para os martinistas e todos aqueles que se interessam pela Tradição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==As ordens martinistas visíveis==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer do tempo a luz martinista difundiu-se pelo mundo. Atualmente, existem vários grupos organizados sob o título de martinistas. Eis algumas delas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tradicional ordem martinista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Tradicional Ordem Martinista permanece como a maior Ordem Martinista não operativa em atividade no mundo, para tanto conta com a aliança com a Ordem Rosacruz AMORC, é a organização Martinista que possui o maior número de Heptadas tradicionalmente constituídas e é a que possui a melhor organização administrativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão da Tradicional Ordem Martinista possui vários ramos a saber :1. V.E. Michelet 2. Augustin Chaboseau (Sar Augustus) 3. Ralph Maxwell Lewis (Sar Validivar) 4. Gary L. Stewart 5. Cristian Bernard (Phenix) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sucessões iniciáticas: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. o Charles Deter (Teder) 3. Blanchard 4. H.S.Lewis &lt;br /&gt;
1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. Charles Deter (Teder) 3. Georges de Bogè LagrËze (Mikael) 4. Ralph Lewis. &lt;br /&gt;
O Soberano Grande Mestre da Tradicional Ordem Martinista é o Ir Christian Bernard ( Phenix) que possui duas linhagens: &lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Sepulcros de Orval 3. Cristian Bernard e&lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Cecil UM. Poole 3. Gary L. Stewart 4. Christian Bernard.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O intuito desta compilação é o de fornecer informações históricas sobre o Martinismo através dos séculos. Como todo Martinista deve saber, não se julga um irmão pela riqueza ou pobreza do berço que o embalou e sim pela fraternidade que une dois seres que possuem gravados em seus íntimos a mesma iniciação e a mesma paternidade espiritual. Este é o elo que nos une.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista sinárquica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta ordem é a mais antiga das que tiveram uma existência ininterrupta desde sua fundação em 1918 por Blanchard (Sar Yesir). Originalmente era Blanchard que iria se tornar o sucessor de Detré como Grande Mestre da Ordem Martinista Martinezista. Blanchard desistiu disto, pois ele não estava a favor da exigência de afiliação maçônica no Martinismo. Assim em 1918 Blanchard reuniu o Conselho Supremo anterior de Martinistas e Martinistas independentes que não aderiram ou pertenceram às Ordens Martinistas maçônicas e formaram uma Ordem de Martinistas sob a constituição original que Iniciou homens e mulheres. Depois, em 1934 a Ordem de Blanchard mudou seu nome para Ordem Martinista e Sinarquica, e Blanchard foi eleito Soberano Grande Mestre Universal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com uma idade de 75 anos, Blanchard faleceu em 1953, em Paris. O Soberano Grão Mestre a substitui-lo foi Sar Alkmaion (Dr. Edouard Bertholet), da Suíça. Foi Sar Alkmaion, Soberano Grão Mestre da Ordem para as Lojas Inglesas que recebeu a Carta Constitutiva como Delegado Geral para a Grã Bretanha e a Comunidade britânica. A Grande Loja Britânica era governada por um comitê interno conhecido como o Tribunal Soberano do qual este era um dos membros permanentes: Presidente: Sar Sorath (também conhecido como Sar Gulion, ainda em vida). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No momento, a jurisdição principal desta ordem está na Inglaterra sob da liderança de Sar Gulion. Nos E.U.A. há uma filial da ordem que funciona regularmente com uma carta constitutiva da Inglaterra. Depois da morte de Fusiller, o sucessor de Blanchard, a Ordem Martinista dos Eleitos Cohens fundiu com o OMS e mantém o nome do posterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A linhagem de OMS atual: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de BogÈ LagrËze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Gulion/Sorath (o Grande Mestre Inglês) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O OM&amp;amp;S independente do Canadá, tem estas linhagens; 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de Bogè Lagrëze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Sendivogius 7. William Pendleton 8. Sar Parsifal/Petrus (morto 1994). &lt;br /&gt;
O tribunal de OM&amp;amp;S no Canadá, 1965, era compostos de: 1. Sar Resurrectus, Presidente (iniciado por Pendleton) 2. Sar Sendivogious, 3. Sar Petrus &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Jurisdição canadense se declarou independente. Sar Resurrectus se tornou o Grande Mestre, Sar Sendivogious se retirou das atividades da OMS para se concentrar nos Elus Cohen, e Sar Petrus se tornou Grande Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem Martinista dos Elus Cohens===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Originalmente fundado por Martinez de Pasqually em 1768. Foi fundido com alguns ritos Maçons pelo discípulo dele e sucessor Jean-Baptiste Willermoz. O Dr. Blitz de Eduoard, um companheiro antigo de Papus, trabalhou com os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa de Willermoz, nos E.U.A., e consequentemente mantinha a exigência de afiliação maçônica. Depois da Segunda Guerra Mundial, Robert Ambelain (Sar Aurifer),era seu Grande Mestre e mantinha rituais Elus Cohen que ele tinha obtido de várias fontes , reavivou a Ordem Martiniste des lus Cohens que praticava justamente esta forma operativa de teurgia. Ambelain também preservou somente esta Ordem aos Homens. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem original do Cohens Eleitos tinha trabalhado de 1767 a pelo menos até 1807. De lá para cá a linhagem está quebrada ou pelo menos incompleta. Estes são o iniciados principais da Ordem dos Cavaleiros Maçons Eleitos do Elus Cohen do Universo na França: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Martinez de Pasqually 1767-1774 2. Caignet Lestere 1774-1779 3. o Sebastian las de Casas 1780 4. G.Z.W.J. 1807 de 1942-1967: 1. Robert Ambelain (Aurifer) 1942-1967 2. Ivan Mosca (Hermete) 1967-1968 &lt;br /&gt;
No seguimento Italiano : 1. Krisna Frater 2. Francesco Brunelli &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os graus transmitidos nos Elus Cohen são assim: &lt;br /&gt;
1º grau - o Mestre Elus-Cohen 2º grau - Cavaleiro do Oriente 3º grau - o Chefe do Oriente 4º grau - RÈaux-Croix Outras fontes relatam assim: 1 - Ordem dos Cavaleiros de Elus-Cohen L'Univers 2 - ordem de Cavaleiros maçons 3 - Eleitos sacerdotes do Universo 4 - RÈaux-Croix &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ordem se fundiu com a Ordem de Martinista de Phillipe Encausse. Ambelain publicou uma declaração na revista de Martinista ´L'Initiation&amp;quot; em 1964 relatando o fechamento da ordem. 30 anos depois foi reavivado mais uma vez - novamente por Ambelain - que ainda parece estar morando em Paris. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista de papus===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É o nome da primeira ordem criado por Papus em Paris 1888. Papus foi o primeiro Soberano Grande Mestre de 1888 até a sua morte em 1916. O seu primeiro Conselho Supremo foi constituído dos seguintes Irmãos: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Papus (o Grande Mestre ) 2. Pierre Augustin Chaboseau 3. Paul Adam 4. Charles Barlet 5. Maurice Barres 6. Burget 7. Lucien Chamuel, 8. de Stanislas Guaita 9. LeJay 10. Montiere 11. Josephin Peladan 12. Yvon Le Loup (Sedir) 13. Eduoard&lt;br /&gt;
Maurice Barres e Josephin Peladan foram posteriormente substituídos por Marc e Emile Michelet. O Dr. Blitz de Edouard , Delegado Soberano no E.U.A., também era um membro do Conselho Supremo, entretanto ele é negligenciado freqüentemente na história do Martinismo, provavelmente porque ele deixou a Ordem, depois de uma controvérsia com Papus que não pretendia manter a subordinação maçônica em sua organização. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão de Papus na linhagem de Saint Martin era assim: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude Saint Martin (1743-1803) 2. Jean-Antoine Chaptal (de Compte Chanteloup)(morto em 1832) 3. (?)X 4. Henri Delaage (morreu 1882) 5. Dr. Gérard Encausse. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, havia um elo, ou melhor, um vácuo (o X) na linhagem de Papus, assim em 1888, Augustin Chaboseau (um membro do Conselho Supremo original de 1888) e Gérard Encausse trocaram Iniciações pessoais para consolidar a sucessão. A Ordem Martinista se constituiu então de duas linhagens espirituais, a que vimos acima e a seguinte: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude de Saint Martin (1743-1803) 2. Abbe de la Noue (morreu 1820) 3. J. Antoine-Marie Hennequin (morreu 1851) 4. Adolphe Desbarolles (morto em 1880) 5. Henri la de Touche (Paul-Hyacinthe de Nouel de la Touche)(morto em 1851) 6. a marquesa de Amélie de Mortemart Boisse 7. Pierre Augustin Chaboseau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de morte de Papus , Charles Detré (nome místico Teder ) se tornou o Soberano Grande Mestre, ele decidiu limitar a afiliação à Ordem Martinista (L`Ordre Martiniste) para Mestres Maçons, especialmente do Rito de Memphis &amp;amp; Misraim. Claro que isto significou que as mulheres seriam excluídas do Martinismo, e isto também não estava de acordo à filosofia do Martinismo original. Naturalmente isto causou grande discordância entre os membros, e vários membros do Conselho Supremo original de 1891 deixaram a Ordem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[categoria:Martinismo]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Martinismo&amp;diff=7035</id>
		<title>Martinismo</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Martinismo&amp;diff=7035"/>
		<updated>2007-10-15T01:12:39Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* As ordens martinistas visíveis */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:Pantáculo.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis-Claude de Saint-Martin:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da '''Reintegração'''. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: ''Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo.'' Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um '''Homem de Desejo'''. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O martinismo é um caminho da '''Vontade'''. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual ''podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis-Claude de Saint-Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O martinismo moderno==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a transição de Louis-Claude de Saint-Martin, os martinistas (assim eram chamados seus discípulos) não estiveram muito ativos. As cerimônias e os ensinamentos tradicionais eram transmitidos somente de maneira pessoal e privada. Após um longo período de discrição, um grande esforço foi feito em 1888 para estruturar aquilo que na época não podia verdadeiramente ser chamado de uma Ordem iniciática e que se limitava a alguns iniciados. Foi graças ao empenho de [[Papus]] e [[Augustin Chaboseau]] que essa Ordem veio à luz e recebeu o nome de Ordem Martinista. Esse movimento foi coroado de êxito em 1891 e resultou na formação do Conselho Supremo da '''Ordem Martinista''', composto de vinte e um Membros, com autoridade sobre todas as Lojas do mundo. O célebre ocultista francês Papus ([[Dr. Gerard Encause]]) foi eleito primeiro Presidente desse Conselho Supremo. Sob sua brilhante e infatigável direção, a Ordem cresceu rapidamente e, por volta de 1900, contava com centenas de Membros ativos na maior parte dos países do mundo. Papus tornou-se rapidamente uma autoridade em matéria de martinismo e suas obras constituem uma fonte preciosa de informação para os martinistas e todos aqueles que se interessam pela Tradição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==As ordens martinistas visíveis==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer do tempo a luz martinista difundiu-se pelo mundo. Atualmente, existem vários grupos organizados sob o título de martinistas. Eis algumas delas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tradicional ordem martinista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Tradicional Ordem Martinista permanece como a maior Ordem Martinista não operativa em atividade no mundo, para tanto conta com a aliança com a Ordem Rosacruz AMORC, é a organização Martinista que possui o maior número de Heptadas tradicionalmente constituídas e é a que possui a melhor organização administrativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão da Tradicional Ordem Martinista possui vários ramos a saber :1. V.E. Michelet 2. Augustin Chaboseau (Sar Augustus) 3. Ralph Maxwell Lewis (Sar Validivar) 4. Gary L. Stewart 5. Cristian Bernard (Phenix) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sucessões iniciáticas: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. o Charles Deter (Teder) 3. Blanchard 4. H.S.Lewis &lt;br /&gt;
1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. Charles Deter (Teder) 3. Georges de Bogè LagrËze (Mikael) 4. Ralph Lewis. &lt;br /&gt;
O Soberano Grande Mestre da Tradicional Ordem Martinista é o Ir Christian Bernard ( Phenix) que possui duas linhagens: &lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Sepulcros de Orval 3. Cristian Bernard e&lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Cecil UM. Poole 3. Gary L. Stewart 4. Christian Bernard.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O intuito desta compilação é o de fornecer informações históricas sobre o Martinismo através dos séculos. Como todo Martinista deve saber, não se julga um irmão pela riqueza ou pobreza do berço que o embalou e sim pela fraternidade que une dois seres que possuem gravados em seus íntimos a mesma iniciação e a mesma paternidade espiritual. Este é o elo que nos une.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista sinárquica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta ordem é a mais antiga das que tiveram uma existência ininterrupta desde sua fundação em 1918 por Blanchard (Sar Yesir). Originalmente era Blanchard que iria se tornar o sucessor de Detré como Grande Mestre da Ordem Martinista Martinezista. Blanchard desistiu disto, pois ele não estava a favor da exigência de afiliação maçônica no Martinismo. Assim em 1918 Blanchard reuniu o Conselho Supremo anterior de Martinistas e Martinistas independentes que não aderiram ou pertenceram às Ordens Martinistas maçônicas e formaram uma Ordem de Martinistas sob a constituição original que Iniciou homens e mulheres. Depois, em 1934 a Ordem de Blanchard mudou seu nome para Ordem Martinista e Sinarquica, e Blanchard foi eleito Soberano Grande Mestre Universal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com uma idade de 75 anos, Blanchard faleceu em 1953, em Paris. O Soberano Grão Mestre a substitui-lo foi Sar Alkmaion (Dr. Edouard Bertholet), da Suíça. Foi Sar Alkmaion, Soberano Grão Mestre da Ordem para as Lojas Inglesas que recebeu a Carta Constitutiva como Delegado Geral para a Grã Bretanha e a Comunidade britânica. A Grande Loja Britânica era governada por um comitê interno conhecido como o Tribunal Soberano do qual este era um dos membros permanentes: Presidente: Sar Sorath (também conhecido como Sar Gulion, ainda em vida). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No momento, a jurisdição principal desta ordem está na Inglaterra sob da liderança de Sar Gulion. Nos E.U.A. há uma filial da ordem que funciona regularmente com uma carta constitutiva da Inglaterra. Depois da morte de Fusiller, o sucessor de Blanchard, a Ordem Martinista dos Eleitos Cohens fundiu com o OMS e mantém o nome do posterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A linhagem de OMS atual: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de BogÈ LagrËze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Gulion/Sorath (o Grande Mestre Inglês) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O OM&amp;amp;S independente do Canadá, tem estas linhagens; 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de Bogè Lagrëze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Sendivogius 7. William Pendleton 8. Sar Parsifal/Petrus (morto 1994). &lt;br /&gt;
O tribunal de OM&amp;amp;S no Canadá, 1965, era compostos de: 1. Sar Resurrectus, Presidente (iniciado por Pendleton) 2. Sar Sendivogious, 3. Sar Petrus &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Jurisdição canadense se declarou independente. Sar Resurrectus se tornou o Grande Mestre, Sar Sendivogious se retirou das atividades da OMS para se concentrar nos Elus Cohen, e Sar Petrus se tornou Grande Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem Martinista dos Elus Cohens===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Originalmente fundado por Martinez de Pasqually em 1768. Foi fundido com alguns ritos Maçons pelo discípulo dele e sucessor Jean-Baptiste Willermoz. O Dr. Blitz de Eduoard, um companheiro antigo de Papus, trabalhou com os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa de Willermoz, nos E.U.A., e consequentemente mantinha a exigência de afiliação maçônica. Depois da Segunda Guerra Mundial, Robert Ambelain (Sar Aurifer),era seu Grande Mestre e mantinha rituais Elus Cohen que ele tinha obtido de várias fontes , reavivou a Ordem Martiniste des lus Cohens que praticava justamente esta forma operativa de teurgia. Ambelain também preservou somente esta Ordem aos Homens. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem original do Cohens Eleitos tinha trabalhado de 1767 a pelo menos até 1807. De lá para cá a linhagem está quebrada ou pelo menos incompleta. Estes são o iniciados principais da Ordem dos Cavaleiros Maçons Eleitos do Elus Cohen do Universo na França: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Martinez de Pasqually 1767-1774 2. Caignet Lestere 1774-1779 3. o Sebastian las de Casas 1780 4. G.Z.W.J. 1807 de 1942-1967: 1. Robert Ambelain (Aurifer) 1942-1967 2. Ivan Mosca (Hermete) 1967-1968 &lt;br /&gt;
No seguimento Italiano : 1. Krisna Frater 2. Francesco Brunelli &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os graus transmitidos nos Elus Cohen são assim: &lt;br /&gt;
1º grau - o Mestre Elus-Cohen 2º grau - Cavaleiro do Oriente 3º grau - o Chefe do Oriente 4º grau - RÈaux-Croix Outras fontes relatam assim: 1 - Ordem dos Cavaleiros de Elus-Cohen L'Univers 2 - ordem de Cavaleiros maçons 3 - Eleitos sacerdotes do Universo 4 - RÈaux-Croix &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ordem se fundiu com a Ordem de Martinista de Phillipe Encausse. Ambelain publicou uma declaração na revista de Martinista ´L'Initiation&amp;quot; em 1964 relatando o fechamento da ordem. 30 anos depois foi reavivado mais uma vez - novamente por Ambelain - que ainda parece estar morando em Paris. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista de papus===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É o nome da primeira ordem criado por Papus em Paris 1888. Papus foi o primeiro Soberano Grande Mestre de 1888 até a sua morte em 1916. O seu primeiro Conselho Supremo foi constituído dos seguintes Irmãos: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Papus (o Grande Mestre ) 2. Pierre Augustin Chaboseau 3. Paul Adam 4. Charles Barlet 5. Maurice Barres 6. Burget 7. Lucien Chamuel, 8. de Stanislas Guaita 9. LeJay 10. Montiere 11. Josephin Peladan 12. Yvon Le Loup (Sedir) 13. Eduoard&lt;br /&gt;
Maurice Barres e Josephin Peladan foram posteriormente substituídos por Marc e Emile Michelet. O Dr. Blitz de Edouard , Delegado Soberano no E.U.A., também era um membro do Conselho Supremo, entretanto ele é negligenciado freqüentemente na história do Martinismo, provavelmente porque ele deixou a Ordem, depois de uma controvérsia com Papus que não pretendia manter a subordinação maçônica em sua organização. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão de Papus na linhagem de Saint Martin era assim: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude Saint Martin (1743-1803) 2. Jean-Antoine Chaptal (de Compte Chanteloup)(morto em 1832) 3. (?)X 4. Henri Delaage (morreu 1882) 5. Dr. Gérard Encausse. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, havia um elo, ou melhor, um vácuo (o X) na linhagem de Papus, assim em 1888, Augustin Chaboseau (um membro do Conselho Supremo original de 1888) e Gérard Encausse trocaram Iniciações pessoais para consolidar a sucessão. A Ordem Martinista se constituiu então de duas linhagens espirituais, a que vimos acima e a seguinte: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude de Saint Martin (1743-1803) 2. Abbe de la Noue (morreu 1820) 3. J. Antoine-Marie Hennequin (morreu 1851) 4. Adolphe Desbarolles (morto em 1880) 5. Henri la de Touche (Paul-Hyacinthe de Nouel de la Touche)(morto em 1851) 6. a marquesa de Amélie de Mortemart Boisse 7. Pierre Augustin Chaboseau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de morte de Papus , Charles Detré (nome místico Teder ) se tornou o Soberano Grande Mestre, ele decidiu limitar a afiliação à Ordem Martinista (L`Ordre Martiniste) para Mestres Maçons, especialmente do Rito de Memphis &amp;amp; Misraim. Claro que isto significou que as mulheres seriam excluídas do Martinismo, e isto também não estava de acordo à filosofia do Martinismo original. Naturalmente isto causou grande discordância entre os membros, e vários membros do Conselho Supremo original de 1891 deixaram a Ordem.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Martinismo&amp;diff=7034</id>
		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-15T01:08:47Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* Ordem martinista sinárquica */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:Pantáculo.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis-Claude de Saint-Martin:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da '''Reintegração'''. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: ''Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo.'' Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um '''Homem de Desejo'''. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O martinismo é um caminho da '''Vontade'''. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual ''podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis-Claude de Saint-Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O martinismo moderno==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a transição de Louis-Claude de Saint-Martin, os martinistas (assim eram chamados seus discípulos) não estiveram muito ativos. As cerimônias e os ensinamentos tradicionais eram transmitidos somente de maneira pessoal e privada. Após um longo período de discrição, um grande esforço foi feito em 1888 para estruturar aquilo que na época não podia verdadeiramente ser chamado de uma Ordem iniciática e que se limitava a alguns iniciados. Foi graças ao empenho de [[Papus]] e [[Augustin Chaboseau]] que essa Ordem veio à luz e recebeu o nome de Ordem Martinista. Esse movimento foi coroado de êxito em 1891 e resultou na formação do Conselho Supremo da '''Ordem Martinista''', composto de vinte e um Membros, com autoridade sobre todas as Lojas do mundo. O célebre ocultista francês Papus ([[Dr. Gerard Encause]]) foi eleito primeiro Presidente desse Conselho Supremo. Sob sua brilhante e infatigável direção, a Ordem cresceu rapidamente e, por volta de 1900, contava com centenas de Membros ativos na maior parte dos países do mundo. Papus tornou-se rapidamente uma autoridade em matéria de martinismo e suas obras constituem uma fonte preciosa de informação para os martinistas e todos aqueles que se interessam pela Tradição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==As ordens martinistas visíveis==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer do tempo a luz martinista difundiu-se pelo mundo. Atualmente, existem vários grupos organizados sob o título de martinistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tradicional ordem martinista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Tradicional Ordem Martinista permanece como a maior Ordem Martinista não operativa em atividade no mundo, para tanto conta com a aliança com a Ordem Rosacruz AMORC, é a organização Martinista que possui o maior número de Heptadas tradicionalmente constituídas e é a que possui a melhor organização administrativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão da Tradicional Ordem Martinista possui vários ramos a saber :1. V.E. Michelet 2. Augustin Chaboseau (Sar Augustus) 3. Ralph Maxwell Lewis (Sar Validivar) 4. Gary L. Stewart 5. Cristian Bernard (Phenix) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sucessões iniciáticas: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. o Charles Deter (Teder) 3. Blanchard 4. H.S.Lewis &lt;br /&gt;
1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. Charles Deter (Teder) 3. Georges de Bogè LagrËze (Mikael) 4. Ralph Lewis. &lt;br /&gt;
O Soberano Grande Mestre da Tradicional Ordem Martinista é o Ir Christian Bernard ( Phenix) que possui duas linhagens: &lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Sepulcros de Orval 3. Cristian Bernard e&lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Cecil UM. Poole 3. Gary L. Stewart 4. Christian Bernard.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O intuito desta compilação é o de fornecer informações históricas sobre o Martinismo através dos séculos. Como todo Martinista deve saber, não se julga um irmão pela riqueza ou pobreza do berço que o embalou e sim pela fraternidade que une dois seres que possuem gravados em seus íntimos a mesma iniciação e a mesma paternidade espiritual. Este é o elo que nos une.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista sinárquica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta ordem é a mais antiga das que tiveram uma existência ininterrupta desde sua fundação em 1918 por Blanchard (Sar Yesir). Originalmente era Blanchard que iria se tornar o sucessor de Detré como Grande Mestre da Ordem Martinista Martinezista. Blanchard desistiu disto, pois ele não estava a favor da exigência de afiliação maçônica no Martinismo. Assim em 1918 Blanchard reuniu o Conselho Supremo anterior de Martinistas e Martinistas independentes que não aderiram ou pertenceram às Ordens Martinistas maçônicas e formaram uma Ordem de Martinistas sob a constituição original que Iniciou homens e mulheres. Depois, em 1934 a Ordem de Blanchard mudou seu nome para Ordem Martinista e Sinarquica, e Blanchard foi eleito Soberano Grande Mestre Universal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com uma idade de 75 anos, Blanchard faleceu em 1953, em Paris. O Soberano Grão Mestre a substitui-lo foi Sar Alkmaion (Dr. Edouard Bertholet), da Suíça. Foi Sar Alkmaion, Soberano Grão Mestre da Ordem para as Lojas Inglesas que recebeu a Carta Constitutiva como Delegado Geral para a Grã Bretanha e a Comunidade britânica. A Grande Loja Britânica era governada por um comitê interno conhecido como o Tribunal Soberano do qual este era um dos membros permanentes: Presidente: Sar Sorath (também conhecido como Sar Gulion, ainda em vida). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No momento, a jurisdição principal desta ordem está na Inglaterra sob da liderança de Sar Gulion. Nos E.U.A. há uma filial da ordem que funciona regularmente com uma carta constitutiva da Inglaterra. Depois da morte de Fusiller, o sucessor de Blanchard, a Ordem Martinista dos Eleitos Cohens fundiu com o OMS e mantém o nome do posterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A linhagem de OMS atual: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de BogÈ LagrËze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Gulion/Sorath (o Grande Mestre Inglês) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O OM&amp;amp;S independente do Canadá, tem estas linhagens; 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de Bogè Lagrëze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Sendivogius 7. William Pendleton 8. Sar Parsifal/Petrus (morto 1994). &lt;br /&gt;
O tribunal de OM&amp;amp;S no Canadá, 1965, era compostos de: 1. Sar Resurrectus, Presidente (iniciado por Pendleton) 2. Sar Sendivogious, 3. Sar Petrus &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Jurisdição canadense se declarou independente. Sar Resurrectus se tornou o Grande Mestre, Sar Sendivogious se retirou das atividades da OMS para se concentrar nos Elus Cohen, e Sar Petrus se tornou Grande Mestre.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem Martinista dos Elus Cohens===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Originalmente fundado por Martinez de Pasqually em 1768. Foi fundido com alguns ritos Maçons pelo discípulo dele e sucessor Jean-Baptiste Willermoz. O Dr. Blitz de Eduoard, um companheiro antigo de Papus, trabalhou com os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa de Willermoz, nos E.U.A., e consequentemente mantinha a exigência de afiliação maçônica. Depois da Segunda Guerra Mundial, Robert Ambelain (Sar Aurifer),era seu Grande Mestre e mantinha rituais Elus Cohen que ele tinha obtido de várias fontes , reavivou a Ordem Martiniste des lus Cohens que praticava justamente esta forma operativa de teurgia. Ambelain também preservou somente esta Ordem aos Homens. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem original do Cohens Eleitos tinha trabalhado de 1767 a pelo menos até 1807. De lá para cá a linhagem está quebrada ou pelo menos incompleta. Estes são o iniciados principais da Ordem dos Cavaleiros Maçons Eleitos do Elus Cohen do Universo na França: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Martinez de Pasqually 1767-1774 2. Caignet Lestere 1774-1779 3. o Sebastian las de Casas 1780 4. G.Z.W.J. 1807 de 1942-1967: 1. Robert Ambelain (Aurifer) 1942-1967 2. Ivan Mosca (Hermete) 1967-1968 &lt;br /&gt;
No seguimento Italiano : 1. Krisna Frater 2. Francesco Brunelli &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os graus transmitidos nos Elus Cohen são assim: &lt;br /&gt;
1º grau - o Mestre Elus-Cohen 2º grau - Cavaleiro do Oriente 3º grau - o Chefe do Oriente 4º grau - RÈaux-Croix Outras fontes relatam assim: 1 - Ordem dos Cavaleiros de Elus-Cohen L'Univers 2 - ordem de Cavaleiros maçons 3 - Eleitos sacerdotes do Universo 4 - RÈaux-Croix &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A ordem se fundiu com a Ordem de Martinista de Phillipe Encausse. Ambelain publicou uma declaração na revista de Martinista ´L'Initiation&amp;quot; em 1964 relatando o fechamento da ordem. 30 anos depois foi reavivado mais uma vez - novamente por Ambelain - que ainda parece estar morando em Paris. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista de papus===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É o nome da primeira ordem criado por Papus em Paris 1888. Papus foi o primeiro Soberano Grande Mestre de 1888 até a sua morte em 1916. O seu primeiro Conselho Supremo foi constituído dos seguintes Irmãos: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. Papus (o Grande Mestre ) 2. Pierre Augustin Chaboseau 3. Paul Adam 4. Charles Barlet 5. Maurice Barres 6. Burget 7. Lucien Chamuel, 8. de Stanislas Guaita 9. LeJay 10. Montiere 11. Josephin Peladan 12. Yvon Le Loup (Sedir) 13. Eduoard&lt;br /&gt;
Maurice Barres e Josephin Peladan foram posteriormente substituídos por Marc e Emile Michelet. O Dr. Blitz de Edouard , Delegado Soberano no E.U.A., também era um membro do Conselho Supremo, entretanto ele é negligenciado freqüentemente na história do Martinismo, provavelmente porque ele deixou a Ordem, depois de uma controvérsia com Papus que não pretendia manter a subordinação maçônica em sua organização. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão de Papus na linhagem de Saint Martin era assim: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude Saint Martin (1743-1803) 2. Jean-Antoine Chaptal (de Compte Chanteloup)(morto em 1832) 3. (?)X 4. Henri Delaage (morreu 1882) 5. Dr. Gérard Encausse. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, havia um elo, ou melhor, um vácuo (o X) na linhagem de Papus, assim em 1888, Augustin Chaboseau (um membro do Conselho Supremo original de 1888) e Gérard Encausse trocaram Iniciações pessoais para consolidar a sucessão. A Ordem Martinista se constituiu então de duas linhagens espirituais, a que vimos acima e a seguinte: &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1. o Louis-Claude de Saint Martin (1743-1803) 2. Abbe de la Noue (morreu 1820) 3. J. Antoine-Marie Hennequin (morreu 1851) 4. Adolphe Desbarolles (morto em 1880) 5. Henri la de Touche (Paul-Hyacinthe de Nouel de la Touche)(morto em 1851) 6. a marquesa de Amélie de Mortemart Boisse 7. Pierre Augustin Chaboseau.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois de morte de Papus , Charles Detré (nome místico Teder ) se tornou o Soberano Grande Mestre, ele decidiu limitar a afiliação à Ordem Martinista (L`Ordre Martiniste) para Mestres Maçons, especialmente do Rito de Memphis &amp;amp; Misraim. Claro que isto significou que as mulheres seriam excluídas do Martinismo, e isto também não estava de acordo à filosofia do Martinismo original. Naturalmente isto causou grande discordância entre os membros, e vários membros do Conselho Supremo original de 1891 deixaram a Ordem.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-14T21:29:25Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* O martinismo moderno */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:Pantáculo.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis-Claude de Saint-Martin:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da '''Reintegração'''. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: ''Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo.'' Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um '''Homem de Desejo'''. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O martinismo é um caminho da '''Vontade'''. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual ''podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis-Claude de Saint-Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O martinismo moderno==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a transição de Louis-Claude de Saint-Martin, os martinistas (assim eram chamados seus discípulos) não estiveram muito ativos. As cerimônias e os ensinamentos tradicionais eram transmitidos somente de maneira pessoal e privada. Após um longo período de discrição, um grande esforço foi feito em 1888 para estruturar aquilo que na época não podia verdadeiramente ser chamado de uma Ordem iniciática e que se limitava a alguns iniciados. Foi graças ao empenho de [[Papus]] e [[Augustin Chaboseau]] que essa Ordem veio à luz e recebeu o nome de Ordem Martinista. Esse movimento foi coroado de êxito em 1891 e resultou na formação do Conselho Supremo da '''Ordem Martinista''', composto de vinte e um Membros, com autoridade sobre todas as Lojas do mundo. O célebre ocultista francês Papus ([[Dr. Gerard Encause]]) foi eleito primeiro Presidente desse Conselho Supremo. Sob sua brilhante e infatigável direção, a Ordem cresceu rapidamente e, por volta de 1900, contava com centenas de Membros ativos na maior parte dos países do mundo. Papus tornou-se rapidamente uma autoridade em matéria de martinismo e suas obras constituem uma fonte preciosa de informação para os martinistas e todos aqueles que se interessam pela Tradição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==As ordens martinistas visíveis==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No decorrer do tempo a luz martinista difundiu-se pelo mundo. Atualmente, existem vários grupos organizados sob o título de martinistas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Tradicional ordem martinista===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Tradicional Ordem Martinista permanece como a maior Ordem Martinista não operativa em atividade no mundo, para tanto conta com a aliança com a Ordem Rosacruz AMORC, é a organização Martinista que possui o maior número de Heptadas tradicionalmente constituídas e é a que possui a melhor organização administrativa. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A sucessão da Tradicional Ordem Martinista possui vários ramos a saber :1. V.E. Michelet 2. Augustin Chaboseau (Sar Augustus) 3. Ralph Maxwell Lewis (Sar Validivar) 4. Gary L. Stewart 5. Cristian Bernard (Phenix) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sucessões iniciáticas: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. o Charles Deter (Teder) 3. Blanchard 4. H.S.Lewis &lt;br /&gt;
1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem em dobro) 2. Charles Deter (Teder) 3. Georges de Bogè LagrËze (Mikael) 4. Ralph Lewis. &lt;br /&gt;
O Soberano Grande Mestre da Tradicional Ordem Martinista é o Ir Christian Bernard ( Phenix) que possui duas linhagens: &lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Sepulcros de Orval 3. Cristian Bernard e&lt;br /&gt;
1. Ralph Lewis 2. Cecil UM. Poole 3. Gary L. Stewart 4. Christian Bernard.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O intuito desta compilação é o de fornecer informações históricas sobre o Martinismo através dos séculos. Como todo Martinista deve saber, não se julga um irmão pela riqueza ou pobreza do berço que o embalou e sim pela fraternidade que une dois seres que possuem gravados em seus íntimos a mesma iniciação e a mesma paternidade espiritual. Este é o elo que nos une.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Ordem martinista sinárquica===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta ordem é a mais antiga das que tiveram uma existência ininterrupta desde sua fundação em 1918 por Blanchard (Sar Yesir). Originalmente era Blanchard que iria se tornar o sucessor de Detré como Grande Mestre da Ordem Martinista Martinezista. Blanchard desistiu disto, pois ele não estava a favor da exigência de afiliação maçônica no Martinismo. Assim em 1918 Blanchard reuniu o Conselho Supremo anterior de Martinistas e Martinistas independentes que não aderiram ou pertenceram às Ordens Martinistas maçônicas e formaram uma Ordem de Martinistas sob a constituição original que Iniciou homens e mulheres. Depois, em 1934 a Ordem de Blanchard mudou seu nome para Ordem Martinista e Sinarquica, e Blanchard foi eleito Soberano Grande Mestre Universal. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Com uma idade de 75 anos, Blanchard faleceu em 1953, em Paris. O Soberano Grão Mestre a substitui-lo foi Sar Alkmaion (Dr. Edouard Bertholet), da Suíça. Foi Sar Alkmaion, Soberano Grão Mestre da Ordem para as Lojas Inglesas que recebeu a Carta Constitutiva como Delegado Geral para a Grã Bretanha e a Comunidade britânica. A Grande Loja Britânica era governada por um comitê interno conhecido como o Tribunal Soberano do qual este era um dos membros permanentes: Presidente: Sar Sorath (também conhecido como Sar Gulion, ainda em vida). &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No momento, a jurisdição principal desta ordem está na Inglaterra sob da liderança de Sar Gulion. Nos E.U.A. há uma filial da ordem que funciona regularmente com uma carta constitutiva da Inglaterra. Depois da morte de Fusiller, o sucessor de Blanchard, a Ordem Martinista dos Eleitos Cohens fundiu com o OMS e mantém o nome do posterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A linhagem de OMS atual: 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de BogÈ LagrËze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Gulion/Sorath (o Grande Mestre Inglês) &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O OM&amp;amp;S independente do Canadá, tem estas linhagens; 1. Papus &amp;amp; Chaboseau (linhagem dobro) 2. Charles Detrè (Teder) 3. Georges de Bogè Lagrëze (Mikael) 4. Auguste Reichel (Amertis) 5. V. Churchill (Sar Vernita) 6. Sar Sendivogius 7. William Pendleton 8. Sar Parsifal/Petrus (morto 1994). &lt;br /&gt;
O tribunal de OM&amp;amp;S no Canadá, 1965, era compostos de: 1. Sar Resurrectus, Presidente (iniciado por Pendleton) 2. Sar Sendivogious, 3. Sar Petrus &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Jurisdição canadense se declarou independente. Sar Resurrectus se tornou o Grande Mestre, Sar Sendivogious se retirou das atividades da OMS para se concentrar nos Elus Cohen, e Sar Petrus se tornou Grande Mestre.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Martinismo&amp;diff=7030</id>
		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-14T21:19:01Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[image:Pantáculo.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   &lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis-Claude de Saint-Martin:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da '''Reintegração'''. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: ''Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo.'' Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um '''Homem de Desejo'''. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O martinismo é um caminho da '''Vontade'''. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual ''podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis-Claude de Saint-Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O martinismo moderno==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a transição de Louis-Claude de Saint-Martin, os martinistas (assim eram chamados seus discípulos) não estiveram muito ativos. As cerimônias e os ensinamentos tradicionais eram transmitidos somente de maneira pessoal e privada. Após um longo período de discrição, um grande esforço foi feito em 1888 para estruturar aquilo que na época não podia verdadeiramente ser chamado de uma Ordem iniciática e que se limitava a alguns iniciados. Foi graças ao empenho de [[Papus]] e [[Augustin Chaboseau]] que essa Ordem veio à luz e recebeu o nome de Ordem Martinista. Esse movimento foi coroado de êxito em 1891 e resultou na formação do Conselho Supremo da '''Ordem Martinista''', composto de vinte e um Membros, com autoridade sobre todas as Lojas do mundo. O célebre ocultista francês Papus ([[Dr. Gerard Encause]]) foi eleito primeiro Presidente desse Conselho Supremo. Sob sua brilhante e infatigável direção, a Ordem cresceu rapidamente e, por volta de 1900, contava com centenas de Membros ativos na maior parte dos países do mundo. Papus tornou-se rapidamente uma autoridade em matéria de martinismo e suas obras constituem uma fonte preciosa de informação para os martinistas e todos aqueles que se interessam pela Tradição.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Martinismo&amp;diff=7029</id>
		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-14T21:14:46Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* A senda martinista */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
                       [[image:pantáculo.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[image:Pantáculo.gif]]&lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis-Claude de Saint-Martin:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da '''Reintegração'''. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: ''Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo.'' Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um '''Homem de Desejo'''. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O martinismo é um caminho da '''Vontade'''. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual ''podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis-Claude de Saint-Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O martinismo moderno==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a transição de Louis-Claude de Saint-Martin, os martinistas (assim eram chamados seus discípulos) não estiveram muito ativos. As cerimônias e os ensinamentos tradicionais eram transmitidos somente de maneira pessoal e privada. Após um longo período de discrição, um grande esforço foi feito em 1888 para estruturar aquilo que na época não podia verdadeiramente ser chamado de uma Ordem iniciática e que se limitava a alguns iniciados. Foi graças ao empenho de [[Papus]] e [[Augustin Chaboseau]] que essa Ordem veio à luz e recebeu o nome de Ordem Martinista. Esse movimento foi coroado de êxito em 1891 e resultou na formação do Conselho Supremo da '''Ordem Martinista''', composto de vinte e um Membros, com autoridade sobre todas as Lojas do mundo. O célebre ocultista francês Papus ([[Dr. Gerard Encause]]) foi eleito primeiro Presidente desse Conselho Supremo. Sob sua brilhante e infatigável direção, a Ordem cresceu rapidamente e, por volta de 1900, contava com centenas de Membros ativos na maior parte dos países do mundo. Papus tornou-se rapidamente uma autoridade em matéria de martinismo e suas obras constituem uma fonte preciosa de informação para os martinistas e todos aqueles que se interessam pela Tradição.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-14T21:12:17Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* A senda martinista */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
                       [[image:pantáculo.gif]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis-Claude de Saint-Martin:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
''“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da '''Reintegração'''. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: ''Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo.'' Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um '''Homem de Desejo'''. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O martinismo é um caminho da '''Vontade'''. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual ''podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis-Claude de Saint-Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O martinismo moderno==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a transição de Louis-Claude de Saint-Martin, os martinistas (assim eram chamados seus discípulos) não estiveram muito ativos. As cerimônias e os ensinamentos tradicionais eram transmitidos somente de maneira pessoal e privada. Após um longo período de discrição, um grande esforço foi feito em 1888 para estruturar aquilo que na época não podia verdadeiramente ser chamado de uma Ordem iniciática e que se limitava a alguns iniciados. Foi graças ao empenho de [[Papus]] e [[Augustin Chaboseau]] que essa Ordem veio à luz e recebeu o nome de Ordem Martinista. Esse movimento foi coroado de êxito em 1891 e resultou na formação do Conselho Supremo da '''Ordem Martinista''', composto de vinte e um Membros, com autoridade sobre todas as Lojas do mundo. O célebre ocultista francês Papus ([[Dr. Gerard Encause]]) foi eleito primeiro Presidente desse Conselho Supremo. Sob sua brilhante e infatigável direção, a Ordem cresceu rapidamente e, por volta de 1900, contava com centenas de Membros ativos na maior parte dos países do mundo. Papus tornou-se rapidamente uma autoridade em matéria de martinismo e suas obras constituem uma fonte preciosa de informação para os martinistas e todos aqueles que se interessam pela Tradição.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Arquivo:Pant%C3%A1culo.gif&amp;diff=7027</id>
		<title>Arquivo:Pantáculo.gif</title>
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		<updated>2007-10-14T21:08:45Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: Pantáculo martinista. Símbolo comumente utilisado para identificar as diversas ordens martinistas.&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Pantáculo martinista. Símbolo comumente utilisado para identificar as diversas ordens martinistas.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-14T03:12:43Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* A senda martinista */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;   A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis-Claude de Saint-Martin:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   ''“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da '''Reintegração'''. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: ''Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo.'' Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um '''Homem de Desejo'''. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   O martinismo é um caminho da '''Vontade'''. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual ''podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis-Claude de Saint-Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O martinismo moderno==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   Após a transição de Louis-Claude de Saint-Martin, os martinistas (assim eram chamados seus discípulos) não estiveram muito ativos. As cerimônias e os ensinamentos tradicionais eram transmitidos somente de maneira pessoal e privada. Após um longo período de discrição, um grande esforço foi feito em 1888 para estruturar aquilo que na época não podia verdadeiramente ser chamado de uma Ordem iniciática e que se limitava a alguns iniciados. Foi graças ao empenho de [[Papus]] e [[Augustin Chaboseau]] que essa Ordem veio à luz e recebeu o nome de Ordem Martinista. Esse movimento foi coroado de êxito em 1891 e resultou na formação do Conselho Supremo da '''Ordem Martinista''', composto de vinte e um Membros, com autoridade sobre todas as Lojas do mundo. O célebre ocultista francês Papus ([[Dr. Gerard Encause]]) foi eleito primeiro Presidente desse Conselho Supremo. Sob sua brilhante e infatigável direção, a Ordem cresceu rapidamente e, por volta de 1900, contava com centenas de Membros ativos na maior parte dos países do mundo. Papus tornou-se rapidamente uma autoridade em matéria de martinismo e suas obras constituem uma fonte preciosa de informação para os martinistas e todos aqueles que se interessam pela Tradição.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-14T02:40:04Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* A senda martinista */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em “O ministério do Homem-Espírito”, diz Louis-Claude de Saint-Martin:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Homem, lembra-te por um instante do teu julgamento. Por um momento quero de bom grado te desculpar por ainda desconheceres o destino sublime que terias a cumprir no universo; mas pelo menos não deverias ser cego ao papel insignificante que nele cumpres durante o curto intervalo que percorres desde o teu berço até o teu túmulo. Lança um olhar sobre o que te ocupa durante esse trajeto. Poderias acaso crer que teria sido para um destino tão nulo que te verias dotado de faculdades e propriedades tão importantes?”&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como reencontrar esse estado paradisíaco pelo qual o ser humano era ao mesmo tempo um Pensamento, uma Palavra e uma Ação de Deus? Aí está toda a busca martinista, que é a busca da Reintegração. Se o ser humano perdeu sua potencialidade primordial, dela conserva no entanto o germe e basta-lhe que aplique sua vontade para cultivar essa raiz e fazê-la frutificar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O homem bem sente que se encontra em estado de privação e nada neste plano consegue satisfazê-lo plenamente. O que ele deseja, fundamentalmente, não pertence a este mundo, e é por isto que ele se desencaminha incessantemente, tomado de uma imensa cobiça de tudo atrair para si mesmo, como para reencontrar aquela faculdade que outrora lhe permitia tudo possuir, tudo dominar e tudo compreender. Dizia Saint-Martin: Nada é mais comum do que a cobiça e mais raro do que o desejo. Com efeito, aquele que toma consciência da origem dessa nostalgia, dessa lembrança fugaz de uma grandeza perdida; aquele que aspira a reencontrar sua primeva pureza, é um Homem de Desejo. Seu desejo é o desejo de Deus. E o desejo é a raiz da eternidade.&lt;br /&gt;
O martinismo é um caminho da Vontade. Entre o Destino, por vezes cego, e a divina Providência, é preciso então escolher. Para o martinista, tornar-se um Homem de Desejo é empreender a reconstrução de seu Templo interior. Para edificar esse Templo eterno, ele se apóia em dois pilares: o da iniciação e o dos ensinamentos martinistas. A iniciação marca efetivamente o começo de seu grande trabalho, pois é o momento em que ele recebe a semente de luz que constitui o alicerce de sua obra. Cabe-lhe em seguida trabalhar para manifestar e irradiar essa luz. As iniciações martinistas constituem um momento privilegiado, no reencontro de um Homem de Desejo com o seu Iniciador. Só podem ser conferidas num Templo e na presença conjunta e efetiva daquele que outorga e daquele que recebe.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para os martinistas as iniciações humanas, embora sejam um preliminar indispensável, são apenas “representações” terrenas de uma transformação maior. Só se tornam efetivas quando recebemos a iniciação central. Esta, segundo Saint-Martin, é aquela pela qual podemos entrar no coração de Deus e fazer entrar o coração de Deus em nós, para aí fazer um casamento indissolúvel... Não há outro mistério para se chegar a essa iniciação sagrada que o de mergulharmos cada vez mais nas profundezas do nosso ser e de não deixarmos escapar a vivificadora raiz, para que não corramos o risco de extirpá-la; graças a isso, então, todos os frutos que deveremos gerar, segundo nossa espécie, haverão de se produzir naturalmente em nós e fora de nós.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis-Claude de Saint-Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* A senda martinista */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os ensinamentos constituem para o martinista a nutrição pela qual ele vai fazer crescer o germe recebido em sua iniciação. A base dos ensinamentos martinistas assenta nos escritos de [[Louis-Claude de Saint-Martin]] e de [[Martinès de Pasqually]]. Dentre os assuntos propostos à reflexão contam-se os seguintes:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Os símbolos místicos&lt;br /&gt;
* A natureza tríplice do homem&lt;br /&gt;
* O estudo esotérico do Gênesis&lt;br /&gt;
* O livre-arbítrio e o destino&lt;br /&gt;
* A lei quaternária&lt;br /&gt;
* Reconciliação e reintegração&lt;br /&gt;
* Os mundos visível e invisível&lt;br /&gt;
* Os sonhos e a iniciação&lt;br /&gt;
* A ciência dos números&lt;br /&gt;
* A prece&lt;br /&gt;
* Os ciclos da humanidade&lt;br /&gt;
* A civilização e o Estado ideal&lt;br /&gt;
* Arte, música e linguagem&lt;br /&gt;
* A regeneração mística&lt;br /&gt;
* O mundo elementar&lt;br /&gt;
* O mundo dos Orbes&lt;br /&gt;
* O mundo do Empíreo&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-13T03:31:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* A senda martinista */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. [[Imagem:PantaculoPequeno.jpg]]Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-13T03:14:41Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* A senda martinista */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união. Se, como indica a Bíblia, ele foi criado à imagem de Deus, como se explica sua deplorável situação atual? Essa pergunta leva os martinistas a estudar a história do ser humano desde sua emanação da imensidade divina até sua presente condição. Para eles o ser humano não pode conhecer sua natureza fundamental sem estudar as relações que existem entre Deus, o universo e ele próprio. O universo e o ser humano formam um todo, duas progressões ligadas uma à outra e evoluindo juntas. Por outro lado, a última etapa do conhecimento do homem deve levá-lo à última etapa de seu conhecimento da natureza. Mas se ele quer compreender sua verdadeira natureza é para Deus que deve se voltar, pois ''“...só nós podemos ler no Próprio Deus e nos compreender em Seu próprio esplendor...”'' Se o ser humano não mais está disposto a ceder a esse conhecimento, é porque cometeu o erro de tornar-se vazio de Deus e se perder no mundo das aparências, no mundo temporal. Tornou-se de certo modo adormecido para o mundo espiritual. Seu Templo interior está em ruínas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<title>Martinismo</title>
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		<updated>2007-10-13T03:01:50Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* A senda martinista */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==A senda martinista==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
===Os ensinamentos martinistas===&lt;/div&gt;</summary>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* Os ensinamentos martinistas */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=A senda martinista=&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Os ensinamentos martinistas==&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* A senda martinista */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=A senda martinista=&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=Os ensinamentos martinistas=&lt;/div&gt;</summary>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=A senda martinista=&lt;br /&gt;
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Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união.&lt;/div&gt;</summary>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=A senda martinista=&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Martin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os martinistas se questionavam quanto à capacidade atual do ser humano para realizar essa união.&lt;/div&gt;</summary>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* A senda martinista */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=A senda martinista=&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Mertin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* A senda martinista */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=A senda martinista=&lt;br /&gt;
--&lt;br /&gt;
A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Mertin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* A senda martinista */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=A senda martinista=&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Mertin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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		<title>Maçonaria</title>
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		<updated>2007-10-12T21:28:27Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* Graus */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[Imagem:Compasso_esquadro_ge.gif|thumb|right|200px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A '''Maçonaria''' é uma organização fraternal que tem como princípio básico o amor fraterno, à prática da caridade e a busca da Verdade. Existe um velho ditado que diz: ''&amp;quot;A Maçonaria escolhe homens de bem e faz deles ainda melhores&amp;quot;''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Albert Pike, em sua opulenta obra &amp;quot;Moral e Dogma&amp;quot; diz:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
: ''&amp;quot;MAÇONARIA é uma sucessão de alegorias, um mero veículo de grandes lições de moralidade e filosofia. Será melhor apreciado seu espírito, seu objetvo, propósito conforme você avança pelo Graus, que você decobrirá que constitui um grande e harmonioso sistema.&amp;quot;''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O que é a Maçonaria?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A '''Maçonaria''' é uma associação Universal de ''homens livres e de bons costumes'' cultivando entre si os princípios da Liberdade, Igualdade e fraternidade. Devido a grande exposição de sua história e até mesmo de alguns ritos pela mídia de massa, muitos maçons declararam que no século XXI a Maçonaria se torne menos uma sociedade secreta e mais uma &amp;quot;sociedade com segredos&amp;quot; do site da [http://www.grandlodge-england.org/index.htm Grande Loja da Inglaterra] taxada muitas vezes de [[Iniciação|ordem iniciática]], filosófica, filantrópica e educativa. Os seus ritos são praticados em um local apropriado, tendo seus ensinamentos transmitidos apenas para membros devidamente iniciados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É normal dizer-se que os homens são o produto do meio que freqüentam durante as suas vidas. A Maçonaria oferece a cada um dos seus membros a oportunidade de conviver regularmente com homens de bom caráter, o que reforça o seu próprio desenvolvimento pessoal e moral. A garantia dessa fraternal convivência é conseguida pela proibição de discussões político-partidárias ou religioso-sectárias, visto que esses assuntos têm dividido os homens ao longo da história. Os maçons, sem discutir as suas crenças pessoais nestes dois assuntos, incentivam os homens a serem religiosos sem particularizar uma religião e encoraja-os a serem ativos nas suas comunidades, também sem particularizar o meio de expressão política. Os maçons, também conhecidos como &amp;quot;[[pedreiros livres]]&amp;quot;, não encontram na Maçonaria ensinamentos sobre a arte da construção, como o faziam os [[maçons operativos]] da Idade Média. Assim, as ferramentas comuns que eram usadas pelos canteiros medievais, como o maço, o cinzel, o nível, o prumo, o compasso e outros, têm cada uma um significado simbólico na Maçonaria. A Maçonaria distingue-se de outras ordens fraternais pela sua ênfase no caráter moral, no seu sistema de rituais e na sua longa tradição, com uma história que data aproximadamente do século XVII. Há três graus na Maçonaria, [[Aprendiz]], [[Companheiro]] e [[Mestre]]. A maioria das lojas têm reuniões regulares e semanais e congregam-se em Potências Maçônicas, chamadas [[Grandes Lojas]] ou [[Grandes Orientes]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Sistema Maçônico==&lt;br /&gt;
A Maçonaria utiliza o sistema de '''graus''' para transmitir os seus ensinamentos, cujo acesso é obtido por meio de uma ''Iniciação'' (Ritual de aceitação) a cada grau e os segredos são transmitidos através de gestos, palavras e símbolos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O nome &amp;quot;Maçonaria&amp;quot; provém do françês '''''maçonnerie''''' ou do inglês '''''masonry''''' que significa &amp;quot;construção&amp;quot;. Esta construção é feita pelo '''[[maçom]]''' em suas ''lojas'' (Lodges). &lt;br /&gt;
Defende-se também que a ''palavra'' é mais antiga e tem origem na expressão copta ''Phree Messen'', cujo significado é &amp;quot;filhos da luz&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Idade Média havia dois tipos de pedreiros; o ''rough mason'' (pedreiro bruto) que trabalhava com a pedra sem extrair-lhe forma ou polimento e o ''freemason'' (pedreiro livre) que detinha o segredo de polir a [[pedra bruta]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Reconhecem-se entre si por sinais, toques e palavras que mantêm restritos. Todavia, são conhecidos e publicados os ''segredos'' da interpretação dos [[símbolos maçónicos|símbolos]]. Os Maçons reunem-se em ''Loja'' e cada [[Loja Maçônica]] elege de entre os membros o seu [[Venerável Mestre]]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Maçonaria Simbólica compreende três graus; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Aprendiz'''&lt;br /&gt;
*'''Companheiro'''&lt;br /&gt;
*'''Mestre Maçom''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritos ==&lt;br /&gt;
Os ritos ou procedimentos ritualísticos, são métodos utilizados para transmitir os ensinamentos e organizar as cerimónias maçônicas. Entre os principais destacam-se:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*[[Rito Escocês Antigo e Aceito]]&lt;br /&gt;
*[[Rito de York]] &lt;br /&gt;
*[[Rito Schröeder]]&lt;br /&gt;
*[[Rito Moderno]] &lt;br /&gt;
*[[Rito Brasileiro]] &lt;br /&gt;
*[[Rito Adonhiramita]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No mundo existem mais de 200 ritos praticados actualmente, porém os mais utilizados são o de [[Rito de York]] e o [[Rito Escocês]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra classe de Ritos maçônicos menos comuns destacam-se pela abordagem mais esotérica e espiritualista como são os Ritos denominados [[Misraim]] e [[Memphis]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Graus ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maçonaria é composta por Graus Simbólicos e Filosóficos, variando de rito para rito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A constituição dos três primeiros graus é obrigatória e está prevista nos [[landmark|landmarks]] da Ordem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O trabalho realizado nos graus ditos &amp;quot;superiores&amp;quot; ou filosóficos é optativo e de caráter filosófico. Existem diversos sistemas de graus superiores, como o de 33 graus do [[Rito Escocês Antigo e Aceito]], o de 13 graus do [[Rito de York]], o de 33 graus do [[Rito Adonhiramita]], etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Dúvidas Frequentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O que é o Rito? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Rito é um corpo de normas que regem os trabalhos de uma Loja, quando em reunião regular. Os ritos mais praticados são: Rito Escocês Antigo e Aceite, Rito de York ou Rito de Emulação, Rito Escocês Retificado, Rito Francês, havendo outros. As diferenças entre eles não chegam a ser significantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Se a maçonaria não é uma religião, porque nela se usa ritual? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação entre ritual e religião é muito freqüente, mas se analisarmos o assunto vamos notar que os rituais são uma parte de nós que pouco notamos. Ritual é simplesmente a maneira como algumas coisas são feitas, uma espécie de procedimento padrão para impor ordem e disciplina aos trabalhos. Uma reunião de condôminos obedece a uma ordem determinada, da mesma forma que uma reunião de pais e professores num colégio. Sem essa seqüência de atos a serem vencidos, temos a indisciplina e a perda de tempo. O resultado será sempre questionável. Há rituais sociais ou convenções que nos dizem como participar de uma conversação, esperando por uma pausa, como enfrentar uma fila, com paciência, sem empurrar ou tentar passar à frente com algum tipo de artifício. A Maçonaria usa um ritual porque é um modo efetivo para ensinar idéias importantes. Além disso, o ritual Maçônico é muito rico e muito antigo, remontando aos primórdios de sua criação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O que e como se aprende ao se entrar para a Maçonaria? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os maçons aprendem os seus preceitos em reuniões, que seguem liturgias, herdadas dos usos e costumes dos antigos (medievais) construtores de catedrais, utilizando como meio de transmissão dos seus ensinamentos os símbolos e as alegorias dos antigos pedreiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre outras coisas, nas Lojas maçônicas aprende-se a amar a pátria em que se vive, a se submeter às leis e às autoridades legalmente constituídas e considerar o trabalho como um dever essencial ao ser humano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Maçonaria ensina e pratica os princípios e os ideais da decência, honestidade, gentileza, honradez, compreensão e afeto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O que é um Templo Maçônico? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Templo é o local onde se realizam as reuniões regulares das Lojas Maçônicas. Essas reuniões, nos seus primórdios, não eram feitas em local específico. A partir de construção do ''Freemason's Hall'', na Inglaterra, em 1776, as reuniões ganharam um local fixo. Muitas Lojas, em função do tamanho de seu quadro, utilizam as instalações ou templos de outras lojas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Racismo ou Elitismo ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto ao racismo a Maçonaria estabelece explicitamente a igualdade entre os homens sem considerar raça, credo ou cor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se considerarmos que apenas são convidados a participar da Maçonaria homens virtuosos e representantes da sociedade, pode-se dizer que ela é uma elite, embora o correto seja afirmar que ela impõe critérios rigorosos para a iniciação de um novo membro. Costuma-se dizer o que no homem comum é uma virtude, no maçom é uma obrigação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se depreende, os critérios de seleção não se baseiam em valores materiais. A Maçonaria congrega uma ampla faixa de pessoas: profissionais liberais, comerciantes, professores, artistas, políticos, trabalhadores especializados, bancários, banqueiros, militares, empresários, etc.. Perante a Maçonaria são todos iguais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Liderança da Maçonaria ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Maçonaria não tem um chefe propriamente dito, mas cada Grande Loja é presidida por um oficial denominado Grão Mestre, eleito periodicamente pelo povo maçônico da jurisdição da própria Grande Loja. Dentro da jurisdição da sua Grande Loja, o Grão Mestre é a autoridade máxima.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Desligamento ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diz-se que uma vez iniciado na maçonaria, jamais poderá sair. Isso não é verdade, não há tal impedimento. Desejando afastar-se da Maçonaria, basta que o maçom requeira o seu afastamento à Loja, pois isso é um direito seu. A Maçonaria preza a liberdade dos seus membros e defende-a tanto quanto luta para preservar a liberdade dos cidadãos em geral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Religião ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Maçonaria não é uma religião, mas defende a existência de um Ser Supremo ou Princípio Criador. Uma religião é muito mais complexa, implicando em detalhes como a existência de um plano para salvação ou caminho pelo qual se alcança uma recompensa depois da vida terrena. Implica também numa teologia que tenta descrever a natureza de Deus e divulga a descrição de modos ou práticas pelos quais um homem ou uma mulher podem buscar comunicar-se com Ele. A Maçonaria não faz nenhuma dessas coisas. Apenas abre e fecha os seus trabalhos com uma oração e ensina que nenhum homem deveria começar qualquer empresa importante sem antes buscar apoio espiritual em Deus. Apesar disso, não ensina aos homens como eles devem rezar ou o que devem pedir. Ao invés disso, prega que cada um tem que achar as suas respostas para as suas grandes perguntas na sua própria fé, na sua igreja, sinagoga ou templo religioso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Quais são as exigências para se tornar Maçom? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É necessário que o candidato prima pela moral e pelos bons costumes. Deve ter uma profissão definida que lhe garanta a subsistência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como se faz para se tornar Maçom? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É preciso que o candidato seja indicado por um Mestre Maçom e tenha a sua Iniciação aprovada pela Loja. Ninguém se inscreve para ser maçom. Por suas qualidades, ele é notado por um maçom que o indica para a sua Loja. Todo um processo de admissão é desenvolvido, quando o candidato é ouvido, bem como a sua familia. Nesta fase, são prestadas informações preliminares sobre a Ordem Maçônica, seus objetivos e atividades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Um religioso pode ser Maçom ? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nada impede que um religioso seja aceite como maçom. O que jamais se verá, no entanto, é um ateu ser recebido na Maçonaria regular, pois um dos princípios básicos para  a admissão na Ordem é a crença num Ser Supremo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os Maçons são anti-católicos? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nada existe a esse respeito nas tradições e rituais maçônicos. Saliente-se que cada maçom possui as suas próprias convicções religiosas e todos convivem fraternalmente nas reuniões das suas Lojas e fora delas. A Maçonaria combate o sectarismo religioso em qualquer das suas manifestações e respeita a crença e a profissão religiosa dos seus membros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os rituais Maçônicos criam embaraços ao Candidato? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais em geral e os utilizados na Cerimônia de Iniciação foram escritos para sublinhar virtudes que deverão ser desenvolvidas pelos candidatos, tais como Justiça, Amor Fraternal, Temperança, Caridade, Solidariedade, etc.. Atualmente use-se nos rituais uma linguagem erudita e ricamente ilustrada por simbolismo. Em nenhum momento são criadas situações que possam embaraçar ou desagradar os candidatos, ou que poderiam violar as suas convicções patrióticas, crença religiosa ou familiar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Maçonaria é uma Sociedade Secreta? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sociedades secretas geralmente são definidas como organizações desconhecidas do público e a sua existência seja escondida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Maçonaria, por outro lado, é bem conhecida e orgulha-se de demonstrar a sua existência. Os seus Templos e as suas Lojas são facilmente identificados e muitos deles figuram nas listas telefônicas. Muitos de seus membros costumam usar anéis, distintivos de lapela, alfinetes de gravata que os identificam como maçons. Freqüentemente os maçons participam ativamente junto da sua comunidade em trabalhos assistenciais. Finalmente, algumas atividades maçônicas são abertas e acessíveis ao público.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Maçonaria não é apenas um Clube de Negócios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não. Dificilmente seria aprovado um candidato que quisesse entrar para a Maçonaria apenas por interesses comerciais. De qualquer forma, com o decorrer do tempo, os maçons vão criando grandes amizades uns com os outros, e não se deve estranhar quando algum negócio seja feito entre eles. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ritos mais praticados no Brasil==&lt;br /&gt;
*[[Rito Adonhiramita]]&lt;br /&gt;
*[[Rito Brasileiro]]&lt;br /&gt;
*[[Rito Escocês Antigo e Aceito]]&lt;br /&gt;
*[[Rito Moderno]]&lt;br /&gt;
*[[Rito Schröeder]]&lt;br /&gt;
*[[Rito York]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Veja Também==&lt;br /&gt;
*[[Maçonaria Operativa]]&lt;br /&gt;
*[[Real Arco|Maçonaria do Real Arco]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [http://www.grandlodge-england.org/masonry/what-is-freemasonry.htm &amp;quot;What is Freemasonry?&amp;quot;]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ordens]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Maçonaria]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Ma%C3%A7onaria&amp;diff=6974</id>
		<title>Maçonaria</title>
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		<updated>2007-10-12T21:26:11Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Lucifer Agni: /* Graus */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;[[Imagem:Compasso_esquadro_ge.gif|thumb|right|200px]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A '''Maçonaria''' é uma organização fraternal que tem como princípio básico o amor fraterno, à prática da caridade e a busca da Verdade. Existe um velho ditado que diz: ''&amp;quot;A Maçonaria escolhe homens de bem e faz deles ainda melhores&amp;quot;''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Albert Pike, em sua opulenta obra &amp;quot;Moral e Dogma&amp;quot; diz:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
: ''&amp;quot;MAÇONARIA é uma sucessão de alegorias, um mero veículo de grandes lições de moralidade e filosofia. Será melhor apreciado seu espírito, seu objetvo, propósito conforme você avança pelo Graus, que você decobrirá que constitui um grande e harmonioso sistema.&amp;quot;''&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==O que é a Maçonaria?==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A '''Maçonaria''' é uma associação Universal de ''homens livres e de bons costumes'' cultivando entre si os princípios da Liberdade, Igualdade e fraternidade. Devido a grande exposição de sua história e até mesmo de alguns ritos pela mídia de massa, muitos maçons declararam que no século XXI a Maçonaria se torne menos uma sociedade secreta e mais uma &amp;quot;sociedade com segredos&amp;quot; do site da [http://www.grandlodge-england.org/index.htm Grande Loja da Inglaterra] taxada muitas vezes de [[Iniciação|ordem iniciática]], filosófica, filantrópica e educativa. Os seus ritos são praticados em um local apropriado, tendo seus ensinamentos transmitidos apenas para membros devidamente iniciados.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É normal dizer-se que os homens são o produto do meio que freqüentam durante as suas vidas. A Maçonaria oferece a cada um dos seus membros a oportunidade de conviver regularmente com homens de bom caráter, o que reforça o seu próprio desenvolvimento pessoal e moral. A garantia dessa fraternal convivência é conseguida pela proibição de discussões político-partidárias ou religioso-sectárias, visto que esses assuntos têm dividido os homens ao longo da história. Os maçons, sem discutir as suas crenças pessoais nestes dois assuntos, incentivam os homens a serem religiosos sem particularizar uma religião e encoraja-os a serem ativos nas suas comunidades, também sem particularizar o meio de expressão política. Os maçons, também conhecidos como &amp;quot;[[pedreiros livres]]&amp;quot;, não encontram na Maçonaria ensinamentos sobre a arte da construção, como o faziam os [[maçons operativos]] da Idade Média. Assim, as ferramentas comuns que eram usadas pelos canteiros medievais, como o maço, o cinzel, o nível, o prumo, o compasso e outros, têm cada uma um significado simbólico na Maçonaria. A Maçonaria distingue-se de outras ordens fraternais pela sua ênfase no caráter moral, no seu sistema de rituais e na sua longa tradição, com uma história que data aproximadamente do século XVII. Há três graus na Maçonaria, [[Aprendiz]], [[Companheiro]] e [[Mestre]]. A maioria das lojas têm reuniões regulares e semanais e congregam-se em Potências Maçônicas, chamadas [[Grandes Lojas]] ou [[Grandes Orientes]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Sistema Maçônico==&lt;br /&gt;
A Maçonaria utiliza o sistema de '''graus''' para transmitir os seus ensinamentos, cujo acesso é obtido por meio de uma ''Iniciação'' (Ritual de aceitação) a cada grau e os segredos são transmitidos através de gestos, palavras e símbolos.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O nome &amp;quot;Maçonaria&amp;quot; provém do françês '''''maçonnerie''''' ou do inglês '''''masonry''''' que significa &amp;quot;construção&amp;quot;. Esta construção é feita pelo '''[[maçom]]''' em suas ''lojas'' (Lodges). &lt;br /&gt;
Defende-se também que a ''palavra'' é mais antiga e tem origem na expressão copta ''Phree Messen'', cujo significado é &amp;quot;filhos da luz&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Idade Média havia dois tipos de pedreiros; o ''rough mason'' (pedreiro bruto) que trabalhava com a pedra sem extrair-lhe forma ou polimento e o ''freemason'' (pedreiro livre) que detinha o segredo de polir a [[pedra bruta]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Reconhecem-se entre si por sinais, toques e palavras que mantêm restritos. Todavia, são conhecidos e publicados os ''segredos'' da interpretação dos [[símbolos maçónicos|símbolos]]. Os Maçons reunem-se em ''Loja'' e cada [[Loja Maçônica]] elege de entre os membros o seu [[Venerável Mestre]]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Maçonaria Simbólica compreende três graus; &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*'''Aprendiz'''&lt;br /&gt;
*'''Companheiro'''&lt;br /&gt;
*'''Mestre Maçom''' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Ritos ==&lt;br /&gt;
Os ritos ou procedimentos ritualísticos, são métodos utilizados para transmitir os ensinamentos e organizar as cerimónias maçônicas. Entre os principais destacam-se:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
*[[Rito Escocês Antigo e Aceito]]&lt;br /&gt;
*[[Rito de York]] &lt;br /&gt;
*[[Rito Schröeder]]&lt;br /&gt;
*[[Rito Moderno]] &lt;br /&gt;
*[[Rito Brasileiro]] &lt;br /&gt;
*[[Rito Adonhiramita]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No mundo existem mais de 200 ritos praticados actualmente, porém os mais utilizados são o de [[Rito de York]] e o [[Rito Escocês]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Outra classe de Ritos maçônicos menos comuns destacam-se pela abordagem mais esotérica e espiritualista como são os Ritos denominados [[Misraim]] e [[Memphis]].&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Graus ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A maçonaria é composta por Graus Simbólicos e Filosóficos, variando de rito para rito.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A constituição dos três primeiros graus é obrigatória e está prevista nos [[landmark|landmarks]] da Ordem.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O trabalho realizado nos graus ditos &amp;quot;superiores&amp;quot; ou filosóficos é optativo e de caráter filosófico. Existem diversos sistemas de graus superiores, como o de 33 graus do [[Rito Escocês Antigo e Aceito]], o de 13 graus do [[Rito de York]],o de 33 graus do [[Rito Adonhiramita]], etc.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Dúvidas Frequentes==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O que é o Rito? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O Rito é um corpo de normas que regem os trabalhos de uma Loja, quando em reunião regular. Os ritos mais praticados são: Rito Escocês Antigo e Aceite, Rito de York ou Rito de Emulação, Rito Escocês Retificado, Rito Francês, havendo outros. As diferenças entre eles não chegam a ser significantes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Se a maçonaria não é uma religião, porque nela se usa ritual? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A relação entre ritual e religião é muito freqüente, mas se analisarmos o assunto vamos notar que os rituais são uma parte de nós que pouco notamos. Ritual é simplesmente a maneira como algumas coisas são feitas, uma espécie de procedimento padrão para impor ordem e disciplina aos trabalhos. Uma reunião de condôminos obedece a uma ordem determinada, da mesma forma que uma reunião de pais e professores num colégio. Sem essa seqüência de atos a serem vencidos, temos a indisciplina e a perda de tempo. O resultado será sempre questionável. Há rituais sociais ou convenções que nos dizem como participar de uma conversação, esperando por uma pausa, como enfrentar uma fila, com paciência, sem empurrar ou tentar passar à frente com algum tipo de artifício. A Maçonaria usa um ritual porque é um modo efetivo para ensinar idéias importantes. Além disso, o ritual Maçônico é muito rico e muito antigo, remontando aos primórdios de sua criação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O que e como se aprende ao se entrar para a Maçonaria? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os maçons aprendem os seus preceitos em reuniões, que seguem liturgias, herdadas dos usos e costumes dos antigos (medievais) construtores de catedrais, utilizando como meio de transmissão dos seus ensinamentos os símbolos e as alegorias dos antigos pedreiros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Entre outras coisas, nas Lojas maçônicas aprende-se a amar a pátria em que se vive, a se submeter às leis e às autoridades legalmente constituídas e considerar o trabalho como um dever essencial ao ser humano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Maçonaria ensina e pratica os princípios e os ideais da decência, honestidade, gentileza, honradez, compreensão e afeto.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== O que é um Templo Maçônico? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Templo é o local onde se realizam as reuniões regulares das Lojas Maçônicas. Essas reuniões, nos seus primórdios, não eram feitas em local específico. A partir de construção do ''Freemason's Hall'', na Inglaterra, em 1776, as reuniões ganharam um local fixo. Muitas Lojas, em função do tamanho de seu quadro, utilizam as instalações ou templos de outras lojas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Racismo ou Elitismo ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quanto ao racismo a Maçonaria estabelece explicitamente a igualdade entre os homens sem considerar raça, credo ou cor.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Se considerarmos que apenas são convidados a participar da Maçonaria homens virtuosos e representantes da sociedade, pode-se dizer que ela é uma elite, embora o correto seja afirmar que ela impõe critérios rigorosos para a iniciação de um novo membro. Costuma-se dizer o que no homem comum é uma virtude, no maçom é uma obrigação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Como se depreende, os critérios de seleção não se baseiam em valores materiais. A Maçonaria congrega uma ampla faixa de pessoas: profissionais liberais, comerciantes, professores, artistas, políticos, trabalhadores especializados, bancários, banqueiros, militares, empresários, etc.. Perante a Maçonaria são todos iguais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Liderança da Maçonaria ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Maçonaria não tem um chefe propriamente dito, mas cada Grande Loja é presidida por um oficial denominado Grão Mestre, eleito periodicamente pelo povo maçônico da jurisdição da própria Grande Loja. Dentro da jurisdição da sua Grande Loja, o Grão Mestre é a autoridade máxima.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Desligamento ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Diz-se que uma vez iniciado na maçonaria, jamais poderá sair. Isso não é verdade, não há tal impedimento. Desejando afastar-se da Maçonaria, basta que o maçom requeira o seu afastamento à Loja, pois isso é um direito seu. A Maçonaria preza a liberdade dos seus membros e defende-a tanto quanto luta para preservar a liberdade dos cidadãos em geral.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Religião ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Maçonaria não é uma religião, mas defende a existência de um Ser Supremo ou Princípio Criador. Uma religião é muito mais complexa, implicando em detalhes como a existência de um plano para salvação ou caminho pelo qual se alcança uma recompensa depois da vida terrena. Implica também numa teologia que tenta descrever a natureza de Deus e divulga a descrição de modos ou práticas pelos quais um homem ou uma mulher podem buscar comunicar-se com Ele. A Maçonaria não faz nenhuma dessas coisas. Apenas abre e fecha os seus trabalhos com uma oração e ensina que nenhum homem deveria começar qualquer empresa importante sem antes buscar apoio espiritual em Deus. Apesar disso, não ensina aos homens como eles devem rezar ou o que devem pedir. Ao invés disso, prega que cada um tem que achar as suas respostas para as suas grandes perguntas na sua própria fé, na sua igreja, sinagoga ou templo religioso.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Quais são as exigências para se tornar Maçom? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É necessário que o candidato prima pela moral e pelos bons costumes. Deve ter uma profissão definida que lhe garanta a subsistência.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Como se faz para se tornar Maçom? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
É preciso que o candidato seja indicado por um Mestre Maçom e tenha a sua Iniciação aprovada pela Loja. Ninguém se inscreve para ser maçom. Por suas qualidades, ele é notado por um maçom que o indica para a sua Loja. Todo um processo de admissão é desenvolvido, quando o candidato é ouvido, bem como a sua familia. Nesta fase, são prestadas informações preliminares sobre a Ordem Maçônica, seus objetivos e atividades.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Um religioso pode ser Maçom ? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nada impede que um religioso seja aceite como maçom. O que jamais se verá, no entanto, é um ateu ser recebido na Maçonaria regular, pois um dos princípios básicos para  a admissão na Ordem é a crença num Ser Supremo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os Maçons são anti-católicos? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nada existe a esse respeito nas tradições e rituais maçônicos. Saliente-se que cada maçom possui as suas próprias convicções religiosas e todos convivem fraternalmente nas reuniões das suas Lojas e fora delas. A Maçonaria combate o sectarismo religioso em qualquer das suas manifestações e respeita a crença e a profissão religiosa dos seus membros.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Os rituais Maçônicos criam embaraços ao Candidato? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Os rituais em geral e os utilizados na Cerimônia de Iniciação foram escritos para sublinhar virtudes que deverão ser desenvolvidas pelos candidatos, tais como Justiça, Amor Fraternal, Temperança, Caridade, Solidariedade, etc.. Atualmente use-se nos rituais uma linguagem erudita e ricamente ilustrada por simbolismo. Em nenhum momento são criadas situações que possam embaraçar ou desagradar os candidatos, ou que poderiam violar as suas convicções patrióticas, crença religiosa ou familiar.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Maçonaria é uma Sociedade Secreta? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sociedades secretas geralmente são definidas como organizações desconhecidas do público e a sua existência seja escondida.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A Maçonaria, por outro lado, é bem conhecida e orgulha-se de demonstrar a sua existência. Os seus Templos e as suas Lojas são facilmente identificados e muitos deles figuram nas listas telefônicas. Muitos de seus membros costumam usar anéis, distintivos de lapela, alfinetes de gravata que os identificam como maçons. Freqüentemente os maçons participam ativamente junto da sua comunidade em trabalhos assistenciais. Finalmente, algumas atividades maçônicas são abertas e acessíveis ao público.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== A Maçonaria não é apenas um Clube de Negócios? ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não. Dificilmente seria aprovado um candidato que quisesse entrar para a Maçonaria apenas por interesses comerciais. De qualquer forma, com o decorrer do tempo, os maçons vão criando grandes amizades uns com os outros, e não se deve estranhar quando algum negócio seja feito entre eles. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Ritos mais praticados no Brasil==&lt;br /&gt;
*[[Rito Adonhiramita]]&lt;br /&gt;
*[[Rito Brasileiro]]&lt;br /&gt;
*[[Rito Escocês Antigo e Aceito]]&lt;br /&gt;
*[[Rito Moderno]]&lt;br /&gt;
*[[Rito Schröeder]]&lt;br /&gt;
*[[Rito York]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Veja Também==&lt;br /&gt;
*[[Maçonaria Operativa]]&lt;br /&gt;
*[[Real Arco|Maçonaria do Real Arco]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
==Referências==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [http://www.grandlodge-england.org/masonry/what-is-freemasonry.htm &amp;quot;What is Freemasonry?&amp;quot;]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Ordens]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Maçonaria]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;=A senda martinista=&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&amp;lt;nowiki&amp;gt;A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Mertin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;br /&gt;
&amp;lt;/nowiki&amp;gt;&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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&lt;div&gt;=A senda martinista=&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
----&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
   A Ordem Martinista é uma Ordem iniciática e uma escola de cavalheirismo moral, com base essencialmente na mística cristã. Essa Ordem fraternal está aberta tanto a homens quanto a mulheres. Sua denominação vem do nome [[Louis-Cloude de Saint-Mertin]]. Por ele a Ordem está ligada a uma tradição que tem raízes na Tradição Primordial, numa época em que o ser humano tinha o privilégio de comungar livremente com a Divindade, sem intermediações.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Lucifer Agni</name></author>
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