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		<title>Vodou</title>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Eduardo Regis: /* Vodou haitiano */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Esta artigo pertence às categorias [[:Categoria:Vodou|Vodou]] e Religiões [[:Categoria:Afro-brasileiras|Afro-brasileiras]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;br&amp;gt;&lt;br /&gt;
Conheça mais [[:Categoria:Categorias|'''Categorias do Ocultura''']]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Vodou''' é um termo que denomina um conjunto de práticas afro-diaspóricas típicas da região caribenha. Sem dúvidas, o Vodou haitiano é a religiosidade mais debatida deste grupo, mas há também o Vodou dominicano, Vodou cubano e o Voodoo norte-americano. O Vodou das Américas não deve ser confundindo com o [[Vodum]] da região do Benim, África.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Vodou haitiano ==&lt;br /&gt;
O Vodou haitiano se trata de uma coleção de práticas religiosas diversas, mas que contém uma estrutura caracterizante comum, que ocorrem e que se formaram no Haiti. Em linhas gerais, o Vodou haitiano é uma religião tributária das espiritualidades africanas, principalmente dos povos do tronco-linguístico bantu, dos povos iorubás e dos falante de ''gbe'' (que habitavam, dentre outras regiões, o antigo Daomé) e também do cristianismo europeu, da religiosidade dos povos originários caribenhos e de correntes místicas e esotéricas européias, como a [[Maçonaria]]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de exibir uma grande variação em suas práticas e crenças, de maneira mais geral, o Vodou se preocupa com a interação entre as pessoas, no mundo material, e os espíritos, no mundo espiritual ou invisível. Há a crença em um deus criador, chamado de ''Bondye'' e em diversas categorias de espíritos intermediários como ''Lwas'' e os Ancestrais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem dúvidas, os ''Lwas'' são a categoria de espíritos mais popular no Vodou haitiano. Os ''Lwas'' são espíritos criados por ''Bondye'' ou ainda ancestrais divinizados (em alguns casos) aos quais a maioria das petições e cerimônias do Vodou são direcionadas.  No Vodou ''Asogwe'', modalidade de Vodou haitiano, popular no Sul do Haiti, os ''Lwas'' são divididos, usualmente, em dois grandes grupos: o grupo ''[[Rada]]'' se refere a espíritos mais calmos; e o grupo ''[[Petwo]]'', a espíritos mais agitados - se bem que tal classificação é bem generalista e há exceções. Há ainda um terceiro grupo de ''Lwas'' chamados de ''Gede'', que se referem a espíritos cujo o tema são a morte e a sexualidade e que incluem em suas fileiras, almas de pessoas falecidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Norte, onde outros tipos de Vodou são praticados (como o Vodou ''Deka'' ou ''Makout ou'' ''Kwa-Kwa,'' embora existam autores que determinam que ocorra diferença entre estes tipos de Vodou, normalmente essas nomenclaturas são utilizadas indistintamente para falar de um Vodou mais familiar e rural, sem as estruturas típicas do ''Asogwe'') e também em alguns templo (''hounfour'' ou ''ounfó'') no Sul, considera-se que os ''Lwas'' são divididos no número mítico de 21 Nações (grupos de espíritos agrupados por herança étnica). Se bem que existem templos específicos no Norte do Haiti famosos por trabalharem com ''Lwas'' (''Lwa yo'', no Crioulo haitiano, seria a forma correta do plural, mas optamos por usar ''Lwas'' para facilitar o leitor) de apenas uma nação como Congo ou Nagô, por exemplo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ''Sevi Lwa'' ==&lt;br /&gt;
No Vodou haitiano, sua prática é comumente chamada pelos haitianos de ''[[sevi Lwa]]'', o que se traduziria como &amp;quot;Servir Lwa&amp;quot;. O serviço aos ''Lwas'' é o objeto principal das cerimônias do Vodou, que são geralmente realizadas em templos, chamados de ''[[Hounfour]]'' ou ''[[Ounfó]]'', no Sul e, muitas vezes, chamados de ''[[Lakou]]'' no Norte. ''[[Lakou]]'', entretanto, é um termo mais amplo que abarca uma unidade habitacional típica do campo haitiano e também pode se referir ao terreno no qual um templo está localizado. Além disso, muitas cerimônias de Vodou são realizadas na natureza, em locais abertos como clareiras ou em rios e cachoeiras. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Vodou ''Asogwe'', um ''hounfor'' contém basicamente tambores (que diferem no rito ''Rada'' e no rito ''Petwo''), imagens de santos católicos, com os quais diversos ''Lwas'' são sincretizados e um poste central, chamado de ''Potomitan'', que serve como um eixo de ligação entre os mundos visível e invisível. Ainda, existirão altares para os ''Lwas,'' sendo que os altares dos grupos ''Rada'' e ''Petwo'' sempre são separados. Pode haver um terceiro altar para os ''Gede'', mas é possível que estejam também junto dos ''Lwas Petwo''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma típica cerimônia de Vodou ''Asogwe'' se inicia com a ''Priye Ginen'', uma longa oração que começa com louvores a ''Bondye'', com orações católicas e que depois passa a saudar os diversos ''Lwas'' e nações. Depois disso, os sacerdotes (''Manbo,'' no feminino, e ''Ougan'' ou ''Oungan'' ou ainda ''Houngan'', no masculino) seguem determinados passos, oferecendo libações, oferendas e sacrifícios animais para os ''Lwas'' enquanto chacoalham seu ''ason'', o chocalho ritualístico que marca o ofício sacerdotal na tradição ''Asogwe'' (Em alguns tempos, utiliza-se o ''ason'' apenas para os ''Lwas Rada'', sendo reservado aos ''Petwo'' um chocalho mais simples, chamado de ''Kwa-Kwa''). As possessões - termo típico do Vodou - são comuns e diversos ''Lwas'' podem aparecer e incorporar nos sacerdotes e demais presentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ''Lwas'' ==&lt;br /&gt;
Em verdade, o número e variedade de ''Lwas'' existente não é catalogável. Entretanto, os ''Lwas'' mais famosos dos grupos ''Rada, Petwo'' e ''Gede'' são:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* ''[[Rada]]''&lt;br /&gt;
** [[Papa Legba]]&lt;br /&gt;
** [[Damballah]]&lt;br /&gt;
** [[Aiyda Wedo]]&lt;br /&gt;
** [[Ezili Freda]]&lt;br /&gt;
** [[Azaka]]&lt;br /&gt;
** [[Ogou]]&lt;br /&gt;
* ''[[Petwo]]''&lt;br /&gt;
** [[Simbi]]&lt;br /&gt;
** [[Ezili Dantor]]&lt;br /&gt;
** [[Gran Bwa]]&lt;br /&gt;
* ''[[Gede]]''&lt;br /&gt;
** [[Bawon Samedi]]&lt;br /&gt;
** [[Bawon Simityè]]&lt;br /&gt;
** [[Manmman Brijit]]&lt;br /&gt;
** [[Gede Nibo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Revolução Haitiana e Vodou ==&lt;br /&gt;
Contam as histórias que em 14 de Agosto de 1791, escravizados, pretos livres e ''[[maroons]]'', fugidos e revoltosos, se encontraram na localidade de ''Bwa Kaiyman'' para um encontro político e religioso que ditaria os rumos da então colônia francesa de São Domingos. Embora não existam registros históricos assertivos a cerca dos detalhes de tal cerimônia para que possamos afirmar exatamente como a supracitada celebração teria ocorrido, ela foi incorporada ao imaginário haitiano e ao mito. A dita cerimônia, chamada de ''[[Bwa Kayiman]]'', teria sido um encontro para dar um basto na exploração dos escravizados e pela tomada da terra. Junto disso, teria ocorrido uma cerimônia de Vodou comandada pelo ''ougan'' [[Duty Boukman]] e pela ''manbo'' [[Cecile Fatiman]], que teriam chamado [[Ezili Dantor]] e [[Ogou]] e sacrificado um porco preto aos ''Lwas.'' Seja como for, logo depois dessa data, estourou uma revolução muito violenta em São Domingos que culminaria com a independência daquela terra que passou a se chamar Haiti, em 1804. Por conta disso, a cerimônia de ''Bwa Kayiman'' é tida como o estopim da revolução e liga o Vodou à própria construção nacional haitiana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Bonecas Vodou e outros estereótipos ==&lt;br /&gt;
As práticas do Vodou haitiano são comumente confundidas com práticas típicas do [[Hoodoo]], como o uso de bonecos, pós, óleos e demais. Entretanto, apesar de haver uma relação entre o Hoodoo, tipo de magia popular cuja gênese se encontra no Sul dos Estados Unidos da América, e do Voodoo da Louisiana, essas práticas não são encontradas no Vodou haitiano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O uso de bonecos para representar uma pessoa e o ato de se causar dano à mesma através da inserção de agulhas, por exemplo, prática associada ao Vodou por trabalhos de ficção e pelo terror causado pela possibilidade de envenenamento por meio de bonecas importadas do Haiti nos anos de 1950, nos Estados Unidos, não encontra paralelo na realidade cotidiana de um praticante de Vodou. Em outras palavras, embora exista o uso de bonecos, seja como ofertas ou representações de ''Lwas'', ou até mesmo como representações de uma determinada pessoa, não há relato do uso destes para práticas maléficas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mito do zumbi também foi outro que foi alimentado por histórias criadas pelos norte-americanos que ocupavam o Haiti no início do século XX e que pouco entendiam sobre o Vodou. Embora exista, dentro dos saberes e histórias do Vodou haitiano, a feitura de zumbis, ou seja, de pessoas que são retiradas do túmulo após a suposta morte para serem transformadas em escravizados de um feiticeiro, tal prática pertence a uma marginalidade dentro do Vodou, ao campo dos ''Bokors'', feiticeiros de aluguel. Além disso, há apenas um suposto caso registrado dessa prática, que é o famoso caso de Clairvius Narcise, homem dado como morto e enterrado, que foi encontrado vivo anos depois pela sua família. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em verdade, o Vodou haitiano é alvo de diversas fantasias que se desviam de sua liturgia e práticas, que ao invés de ser uma coleção de feitiços maléficos e de magia sinistra, trata da comunicação entre pessoa e espíritos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Voodoo da Lousiana ou Vodou da Lousiana ==&lt;br /&gt;
O Vodou ou Voodoo (termo amplamente rejeitado pela comunidade voduísta internacional, mas que está sendo aqui utilizado para facilitar a compreensão) da Lousiana nasce da influência que a região sofreu pelas colonizações espanhola e francesa, antes de ser vendida aos Estados Unidos da América. Quando estourou a Revolução Haitiana em 1791, muitos colonos franceses fugiram de São Domingos levando seus escravizados. No caminho passaram por Cuba e se fixaram na colônia francesa da Lousiana. Estes escravizados levaram consigo o Vodou e o espalharam pelo Caribe e pela então região da colônia da Louisiana. Estes encontros, provavelmente, formaram o que viria a ser conhecido como Vodou da Lousiana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, foi com Marie Laveau (1801-1881), uma mulher preta ou de ascendência originária que viveu em Nova Orleans, que o Vodou da Lousiana ganhou seus contornos definitivos. Os registros contam que Marie Laveau era uma muito católica e que ajudava os necessitados com frequência, além de poder ser vista comumente na igreja. Para além disso, ela teria aprendido segredos do Vodou e colocado um pouco de sua própria personalidade e gostos nele, misturando-o com seu catolicismo. Sua fama foi tamanha que ela se tornou praticamente sinônimo de Vodou em Nova Orleans e acabou ditando o que seria o Vodou a partir de então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências e bibliografia recomendada ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Regis, E. Vodou Haitiano: Serviço aos Lwas. Editora Daemon. 2022.&lt;br /&gt;
* Regis, E. Ensaios sobre o Vodou Haitiano. Editora Daemon. 2022.&lt;br /&gt;
* La Croix, S. &amp;amp; Trindade, D. F. [https://amzn.to/496B40D Vodu, Voodoo e Hoodoo: a magia do Caribe e o Império de Marie Laveau.] Editora Arole. 2021.&lt;br /&gt;
* Lamenfo, M. V. Z. K. [https://amzn.to/47RtIND Serving the Spirits]. 2011&lt;br /&gt;
&amp;lt;br&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Conheça e adquira também ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://amzn.to/3UeBVIK A Sorte do Coveiro], Daemon Editora (1 janeiro 2018)&lt;br /&gt;
* [https://amzn.to/49bsC0p Voudon Gnosticism], Destiny Books (9 julho 2024)&lt;br /&gt;
* [https://amzn.to/3Ua1xGB The Voudon Gnostic Workbook: Expanded Edition], Weiser Books; Expanded ed. edição (1 julho 2007)&lt;br /&gt;
* [https://amzn.to/48JbGyv Vodou Haitiano: Espirito, Mito E Realidade], Pallas; 1ª edição (16 setembro 2011)&lt;br /&gt;
* [https://amzn.to/3SvrMWv Vodou - Os Segredos De Legba], Clube de Autores (31 dezembro 2022)&lt;br /&gt;
* [https://amzn.to/3ScDMLh Vodu - Fenômenos psíquicos da Jamaica], Madras; 1ª edição (1 janeiro 2004)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;br&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esta artigo pertence às categorias [[:Categoria:Vodou|Vodou]] e Religiões [[:Categoria:Afro-brasileiras|Afro-brasileiras]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;br&amp;gt;&lt;br /&gt;
Conheça mais [[:Categoria:Categorias|'''Categorias do Ocultura''']]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Afro-brasileiras‏]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Vodou]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Eduardo Regis: /* Revolução Haitiana e Vodou */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Esta artigo pertence às categorias [[:Categoria:Vodou|Vodou]] e Religiões [[:Categoria:Afro-brasileiras|Afro-brasileiras]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;br&amp;gt;&lt;br /&gt;
Conheça mais [[:Categoria:Categorias|'''Categorias do Ocultura''']]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
'''Vodou''' é um termo que denomina um conjunto de práticas afro-diaspóricas típicas da região caribenha. Sem dúvidas, o Vodou haitiano é a religiosidade mais debatida deste grupo, mas há também o Vodou dominicano, Vodou cubano e o Voodoo norte-americano. O Vodou das Américas não deve ser confundindo com o [[Vodum]] da região do Benim, África.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Vodou haitiano ==&lt;br /&gt;
O Vodou haitiano se trata de uma coleção de práticas religiosas diversas, mas que contém uma estrutura caracterizante comum, que ocorrem e que se formaram no Haiti. Em linhas gerais, o Vodou haitiano é uma religião tributária das espiritualidades africanas, principalmente dos povos do tronco-linguístico bantu, dos povos iorubás e dos falante de ''gbe'' (que habitavam, dentre outras regiões, o antigo Daomé) e também do cristianismo europeu, da religiosidade dos povos originários caribenhos e de correntes místicas e esotéricas européias, como a [[Maçonaria]]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de exibir uma grande variação em suas práticas e crenças, de maneira mais geral, o Vodou se preocupa com a interação entre as pessoas, no mundo material, e os espíritos, no mundo espiritual ou invisível. Há a crença em um deus criador, chamado de ''Bondye'' e em diversas categorias de espíritos intermediários como ''Lwas'' e os Ancestrais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem dúvidas, os ''Lwas'' são a categoria de espíritos mais popular no Vodou haitiano. Os ''Lwas'' são espíritos criados por ''Bondye'' ou ainda ancestrais divinizados (em alguns casos) aos quais a maioria das petições e cerimônias do Vodou são direcionadas.  No Vodou ''Asogwe'', modalidade de Vodou haitiano, popular no Sul do Haiti, os ''Lwas'' são divididos, usualmente, em dois grandes grupos: o grupo ''Rada'' se refere a espíritos mais calmos; e o grupo ''Petwo'', a espíritos mais agitados - se bem que tal classificação é bem generalista e há exceções. Há ainda um terceiro grupo de ''Lwas'' chamados de ''Gede'', que se referem a espíritos cujo o tema são a morte e a sexualidade e que incluem em suas fileiras, almas de pessoas falecidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Norte, onde outros tipos de Vodou são praticados (como o Vodou ''Deka'' ou ''Makout ou'' ''Kwa-Kwa,'' embora existam autores que determinam que ocorra diferença entre estes tipos de Vodou, normalmente essas nomenclaturas são utilizadas indistintamente para falar de um Vodou mais familiar e rural, sem as estruturas típicas do ''Asogwe'') e também em alguns templo (''hounfour'' ou ''ounfó'') no Sul, considera-se que os ''Lwas'' são divididos no número mítico de 21 Nações (grupos de espíritos agrupados por herança étnica). Se bem que existem templos específicos no Norte do Haiti famosos por trabalharem com ''Lwas'' (''Lwa yo'', no Crioulo haitiano, seria a forma correta do plural, mas optamos por usar ''Lwas'' para facilitar o leitor) de apenas uma nação como Congo ou Nagô, por exemplo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ''Sevi Lwa'' ==&lt;br /&gt;
No Vodou haitiano, sua prática é comumente chamada pelos haitianos de ''[[sevi Lwa]]'', o que se traduziria como &amp;quot;Servir Lwa&amp;quot;. O serviço aos ''Lwas'' é o objeto principal das cerimônias do Vodou, que são geralmente realizadas em templos, chamados de ''[[Hounfour]]'' ou ''[[Ounfó]]'', no Sul e, muitas vezes, chamados de ''[[Lakou]]'' no Norte. ''[[Lakou]]'', entretanto, é um termo mais amplo que abarca uma unidade habitacional típica do campo haitiano e também pode se referir ao terreno no qual um templo está localizado. Além disso, muitas cerimônias de Vodou são realizadas na natureza, em locais abertos como clareiras ou em rios e cachoeiras. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Vodou ''Asogwe'', um ''hounfor'' contém basicamente tambores (que diferem no rito ''Rada'' e no rito ''Petwo''), imagens de santos católicos, com os quais diversos ''Lwas'' são sincretizados e um poste central, chamado de ''Potomitan'', que serve como um eixo de ligação entre os mundos visível e invisível. Ainda, existirão altares para os ''Lwas,'' sendo que os altares dos grupos ''Rada'' e ''Petwo'' sempre são separados. Pode haver um terceiro altar para os ''Gede'', mas é possível que estejam também junto dos ''Lwas Petwo''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma típica cerimônia de Vodou ''Asogwe'' se inicia com a ''Priye Ginen'', uma longa oração que começa com louvores a ''Bondye'', com orações católicas e que depois passa a saudar os diversos ''Lwas'' e nações. Depois disso, os sacerdotes (''Manbo,'' no feminino, e ''Ougan'' ou ''Oungan'' ou ainda ''Houngan'', no masculino) seguem determinados passos, oferecendo libações, oferendas e sacrifícios animais para os ''Lwas'' enquanto chacoalham seu ''ason'', o chocalho ritualístico que marca o ofício sacerdotal na tradição ''Asogwe'' (Em alguns tempos, utiliza-se o ''ason'' apenas para os ''Lwas Rada'', sendo reservado aos ''Petwo'' um chocalho mais simples, chamado de ''Kwa-Kwa''). As possessões - termo típico do Vodou - são comuns e diversos ''Lwas'' podem aparecer e incorporar nos sacerdotes e demais presentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ''Lwas'' ==&lt;br /&gt;
Em verdade, o número e variedade de ''Lwas'' existente não é catalogável. Entretanto, os ''Lwas'' mais famosos dos grupos ''Rada, Petwo'' e ''Gede'' são:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* ''[[Rada]]''&lt;br /&gt;
** [[Papa Legba]]&lt;br /&gt;
** [[Damballah]]&lt;br /&gt;
** [[Aiyda Wedo]]&lt;br /&gt;
** [[Ezili Freda]]&lt;br /&gt;
** [[Azaka]]&lt;br /&gt;
** [[Ogou]]&lt;br /&gt;
* ''[[Petwo]]''&lt;br /&gt;
** [[Simbi]]&lt;br /&gt;
** [[Ezili Dantor]]&lt;br /&gt;
** [[Gran Bwa]]&lt;br /&gt;
* ''[[Gede]]''&lt;br /&gt;
** [[Bawon Samedi]]&lt;br /&gt;
** [[Bawon Simityè]]&lt;br /&gt;
** [[Manmman Brijit]]&lt;br /&gt;
** [[Gede Nibo]]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Revolução Haitiana e Vodou ==&lt;br /&gt;
Contam as histórias que em 14 de Agosto de 1791, escravizados, pretos livres e ''[[maroons]]'', fugidos e revoltosos, se encontraram na localidade de ''Bwa Kaiyman'' para um encontro político e religioso que ditaria os rumos da então colônia francesa de São Domingos. Embora não existam registros históricos assertivos a cerca dos detalhes de tal cerimônia para que possamos afirmar exatamente como a supracitada celebração teria ocorrido, ela foi incorporada ao imaginário haitiano e ao mito. A dita cerimônia, chamada de ''[[Bwa Kayiman]]'', teria sido um encontro para dar um basto na exploração dos escravizados e pela tomada da terra. Junto disso, teria ocorrido uma cerimônia de Vodou comandada pelo ''ougan'' [[Duty Boukman]] e pela ''manbo'' [[Cecile Fatiman]], que teriam chamado [[Ezili Dantor]] e [[Ogou]] e sacrificado um porco preto aos ''Lwas.'' Seja como for, logo depois dessa data, estourou uma revolução muito violenta em São Domingos que culminaria com a independência daquela terra que passou a se chamar Haiti, em 1804. Por conta disso, a cerimônia de ''Bwa Kayiman'' é tida como o estopim da revolução e liga o Vodou à própria construção nacional haitiana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Bonecas Vodou e outros estereótipos ==&lt;br /&gt;
As práticas do Vodou haitiano são comumente confundidas com práticas típicas do [[Hoodoo]], como o uso de bonecos, pós, óleos e demais. Entretanto, apesar de haver uma relação entre o Hoodoo, tipo de magia popular cuja gênese se encontra no Sul dos Estados Unidos da América, e do Voodoo da Louisiana, essas práticas não são encontradas no Vodou haitiano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O uso de bonecos para representar uma pessoa e o ato de se causar dano à mesma através da inserção de agulhas, por exemplo, prática associada ao Vodou por trabalhos de ficção e pelo terror causado pela possibilidade de envenenamento por meio de bonecas importadas do Haiti nos anos de 1950, nos Estados Unidos, não encontra paralelo na realidade cotidiana de um praticante de Vodou. Em outras palavras, embora exista o uso de bonecos, seja como ofertas ou representações de ''Lwas'', ou até mesmo como representações de uma determinada pessoa, não há relato do uso destes para práticas maléficas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mito do zumbi também foi outro que foi alimentado por histórias criadas pelos norte-americanos que ocupavam o Haiti no início do século XX e que pouco entendiam sobre o Vodou. Embora exista, dentro dos saberes e histórias do Vodou haitiano, a feitura de zumbis, ou seja, de pessoas que são retiradas do túmulo após a suposta morte para serem transformadas em escravizados de um feiticeiro, tal prática pertence a uma marginalidade dentro do Vodou, ao campo dos ''Bokors'', feiticeiros de aluguel. Além disso, há apenas um suposto caso registrado dessa prática, que é o famoso caso de Clairvius Narcise, homem dado como morto e enterrado, que foi encontrado vivo anos depois pela sua família. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em verdade, o Vodou haitiano é alvo de diversas fantasias que se desviam de sua liturgia e práticas, que ao invés de ser uma coleção de feitiços maléficos e de magia sinistra, trata da comunicação entre pessoa e espíritos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Voodoo da Lousiana ou Vodou da Lousiana ==&lt;br /&gt;
O Vodou ou Voodoo (termo amplamente rejeitado pela comunidade voduísta internacional, mas que está sendo aqui utilizado para facilitar a compreensão) da Lousiana nasce da influência que a região sofreu pelas colonizações espanhola e francesa, antes de ser vendida aos Estados Unidos da América. Quando estourou a Revolução Haitiana em 1791, muitos colonos franceses fugiram de São Domingos levando seus escravizados. No caminho passaram por Cuba e se fixaram na colônia francesa da Lousiana. Estes escravizados levaram consigo o Vodou e o espalharam pelo Caribe e pela então região da colônia da Louisiana. Estes encontros, provavelmente, formaram o que viria a ser conhecido como Vodou da Lousiana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, foi com Marie Laveau (1801-1881), uma mulher preta ou de ascendência originária que viveu em Nova Orleans, que o Vodou da Lousiana ganhou seus contornos definitivos. Os registros contam que Marie Laveau era uma muito católica e que ajudava os necessitados com frequência, além de poder ser vista comumente na igreja. Para além disso, ela teria aprendido segredos do Vodou e colocado um pouco de sua própria personalidade e gostos nele, misturando-o com seu catolicismo. Sua fama foi tamanha que ela se tornou praticamente sinônimo de Vodou em Nova Orleans e acabou ditando o que seria o Vodou a partir de então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências e bibliografia recomendada ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* Regis, E. Vodou Haitiano: Serviço aos Lwas. Editora Daemon. 2022.&lt;br /&gt;
* Regis, E. Ensaios sobre o Vodou Haitiano. Editora Daemon. 2022.&lt;br /&gt;
* La Croix, S. &amp;amp; Trindade, D. F. [https://amzn.to/496B40D Vodu, Voodoo e Hoodoo: a magia do Caribe e o Império de Marie Laveau.] Editora Arole. 2021.&lt;br /&gt;
* Lamenfo, M. V. Z. K. [https://amzn.to/47RtIND Serving the Spirits]. 2011&lt;br /&gt;
&amp;lt;br&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br&amp;gt;&lt;br /&gt;
=== Conheça e adquira também ===&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* [https://amzn.to/3UeBVIK A Sorte do Coveiro], Daemon Editora (1 janeiro 2018)&lt;br /&gt;
* [https://amzn.to/49bsC0p Voudon Gnosticism], Destiny Books (9 julho 2024)&lt;br /&gt;
* [https://amzn.to/3Ua1xGB The Voudon Gnostic Workbook: Expanded Edition], Weiser Books; Expanded ed. edição (1 julho 2007)&lt;br /&gt;
* [https://amzn.to/48JbGyv Vodou Haitiano: Espirito, Mito E Realidade], Pallas; 1ª edição (16 setembro 2011)&lt;br /&gt;
* [https://amzn.to/3SvrMWv Vodou - Os Segredos De Legba], Clube de Autores (31 dezembro 2022)&lt;br /&gt;
* [https://amzn.to/3ScDMLh Vodu - Fenômenos psíquicos da Jamaica], Madras; 1ª edição (1 janeiro 2004)&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;br&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br&amp;gt;&lt;br /&gt;
Esta artigo pertence às categorias [[:Categoria:Vodou|Vodou]] e Religiões [[:Categoria:Afro-brasileiras|Afro-brasileiras]]&lt;br /&gt;
&amp;lt;br&amp;gt;&lt;br /&gt;
Conheça mais [[:Categoria:Categorias|'''Categorias do Ocultura''']]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Afro-brasileiras‏]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Vodou]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Categoria:Vodou&amp;diff=14011</id>
		<title>Categoria:Vodou</title>
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		<updated>2024-01-31T15:10:20Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Eduardo Regis: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Seção Vodou ==&lt;br /&gt;
Conheça mais [[:Categoria:Categorias|'''Categorias do Ocultura''']]&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;O Vodou (também grafado como Voodoo, Vodun ou Vodoun) é uma religião espiritual e cultural complexa que se originou nas tradições religiosas africanas e se desenvolveu de forma significativa no Haiti. Ela surgiu principalmente entre os escravos africanos levados para o Caribe e mesclou elementos das crenças religiosas dos povos da África Ocidental com influências do Cristianismo e de outras tradições.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;Características principais do Vodou incluem:&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ol&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
'''[[Lwas (ou Loas)]]''': Espíritos ou divindades que são o foco central do culto no Vodou. Os lwas são intermediários entre o mundo espiritual e o humano, cada um com seus próprios domínios, personalidades e rituais associados.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Rituais e Cerimônias de Vodou|Rituais e Cerimônias]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: O Vodou é conhecido por seus rituais vibrantes, que incluem música, dança, cantos e, às vezes, sacrifícios de animais. Estes rituais são realizados para invocar os lwas, pedir sua assistência, ou agradecê-los.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Vodou e o Sincretismo Religioso|Sincretismo Religioso]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: No Vodou, muitos lwas são sincretizados com santos católicos. Isso se deve em grande parte ao período da colonização e da escravidão, quando os escravos foram forçados a adotar o Cristianismo, mas mantiveram suas crenças africanas de forma oculta.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Vodou e as Práticas Comunitárias|Práticas Comunitárias]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: O Vodou é profundamente enraizado na comunidade e na cultura. É praticado não apenas como uma religião, mas como um sistema que abrange aspectos sociais, políticos e culturais da vida.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt; &lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Sacerdócio no Vodou|Sacerdócio]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: A liderança nas comunidades Vodou é geralmente exercida por sacerdotes (houngans) e sacerdotisas (mambos), que têm um profundo conhecimento das tradições, rituais e medicina herbal.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Aspectos de Cura e Proteção do Vodou|Aspectos de Cura e Proteção]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Além de seus aspectos espirituais, o Vodou também inclui práticas de cura herbal e a criação de amuletos e talismãs para proteção.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
 &amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Diversidade Regional do Vodou|Diversidade Regional]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Existem diversas formas de Vodou praticadas em diferentes regiões, como o Vodou haitiano, o Vodun da África Ocidental e o Hoodoo nos Estados Unidos, cada um com suas próprias variações e práticas específicas.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ol&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;O Vodou é frequentemente mal interpretado e estereotipado na cultura popular. Na realidade, é uma religião rica e complexa que oferece uma profunda conexão comum com o espiritual, o ancestral e o comunitário.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;Aqui está uma lista de termos importantes, organizados em ordem alfabética:&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Asen]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Objeto ritualístico usado para invocar os ancestrais e os espíritos.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Asson]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Chocalho cerimonial e símbolo de autoridade usado por sacerdotes do Vodou.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Ayizan]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Lwa do mercado e do comércio, frequentemente associada aos sacerdócios.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Baron Samedhi]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Lwa da morte e dos cemitérios.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Bokor]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Um praticante do Vodou que trabalha com magias mais obscuras e feitiçaria.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Damballa]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Lwa serpente, considerado uma das principais divindades do panteão Vodou.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Erzulie]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Lwa do amor, beleza e sexualidade.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Gede]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Família de Lwas associados à morte e à fertilidade.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Houngan]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Sacerdote do Vodou.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Legba]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Lwa que guarda os cruzamentos e é o intermediário entre os humanos e os espíritos.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Lwas (ou Loas)|Loa (ou Lwa)]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Espíritos ou divindades venerados no Vodou.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Mambo]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Sacerdotisa do Vodou.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Ogou]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Lwa associado ao ferro, à guerra e ao trabalho.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Papa Legba]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Variante do Legba, frequentemente visto como o guardião das encruzilhadas.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Peristyle]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Espaço sagrado ou templo onde se realizam as cerimônias do Vodou.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Veve]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Desenhos simbólicos feitos no chão, usados na invocação dos Lwas.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;strong&amp;gt;[[Vodou]]&amp;lt;/strong&amp;gt;: Sistema de crenças e práticas que se originou nas tradições religiosas africanas e foi influenciado pelo cristianismo e outras crenças, especialmente no Haiti.&amp;lt;/p&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/li&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;/ul&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;p&amp;gt;Esta lista cobre alguns dos conceitos e termos fundamentais associados ao Vodou, proporcionando uma base para um glossário mais detalhado.&amp;lt;br&amp;gt;&lt;br /&gt;
&amp;lt;br&amp;gt;&lt;br /&gt;
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&lt;br /&gt;
[[Categoria:Categorias]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Vodou]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Quimbanda&amp;diff=11534</id>
		<title>Quimbanda</title>
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		<updated>2023-07-11T02:21:59Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Eduardo Regis: /* Formação e Principais Correntes */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Quimbanda (às vezes grafada como Kimbanda, usualmente para marcar uma herança africana acentuada) é, em linhas gerais, o culto próprio de exu (não confundir com o orixá Exu ou ''Èsù'') e pombagira. Pode significar também o trabalho específico de exu e pombagira dentro da religião de Umbanda. É uma religiosidade brasileira com elementos de forte ascendência africana, principalmente dos povos do tronco-linguístico Bantu, e também com influências da feitiçaria europeia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Formação e Principais Correntes ==&lt;br /&gt;
A data e processo de formação da Quimbanda são incertos. Tata Decelso em &amp;quot;Umbanda de Caboclos&amp;quot; (Editora Eco. 1975) alega que a Quimbanda foi uma &amp;quot;invencionice&amp;quot; de Lourenço Braga e de Aluizio Fontenelle que teria surgido entre os anos 1940-1950. Outras fontes, porém, como Diego de Oxóssi (Os Búzios de Exu e os Reinos de Quimbanda; Editora Arole. 2023) e Nicholaj de Mattos Frisvold (Seven Crossroads of Night; Hadean press. 2023) entendem que a Quimbanda tenha se formado, no Sudeste brasileiro, agregando práticas das Macumbas Cariocas e de outras religiosidades. Entretanto, apontar uma figura ou um conjunto de personagens históricas que tenham sido responsáveis pela criação e estruturação primeira da Quimbanda parece uma tarefa para a qual não haverá uma conclusão final. Seja como for, a Quimbanda correu por muito tempo principalmente como uma prática secreta dentro de casas de Umbanda e mais recentemente ganhou mais independência, com muitas vertentes e praticantes completamente desligados da prática umbandista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Sul brasileiro, entretanto, a Quimbanda tem uma história ligeiramente diferente. Em Porto Alegre, principalmente, a prática do Batuque e da Umbanda teria se hibridizado na Linha Cruzada e desta teria saído a Quimbanda Tradicional ou Quimbanda de Cruzeiro e de Almas, organizada nos anos 1960 por Mãe Ieda de Ogum. A Quimbanda Sulista apresenta um caráter público mais marcante, com cerimônias grandiosas e festas ocorrendo nas ruas das cidades e é marcadamente separada da Umbanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Vertentes ==&lt;br /&gt;
Uma gama de vertentes de Quimbanda tem surgido nos últimos anos. Dentre estas, destacam-se:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda de Raiz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Nagô.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Malei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Gererê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Luciferiana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Xambá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Quirumbo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Congo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Exu, Pombagira e outros ==&lt;br /&gt;
Exu e pombagira são as entidades principais da Quimbanda. No passado, falava-se também no culto de caboclos quimbandeiros e de pretos-velhos quimbandeiros ou pretos-velhos da mata, mas tais entidades tem sido marcadamente menos discutidas e frequentes nos tempos contemporâneos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De maneira geral, exus e pombagiras são espíritos de pessoas falecidas que, de alguma maneira, por força de um mistério, ganham autonomia e determinadas capacidades que os diferem de espíritos de falecidos comuns, às vezes chamados de eguns. Pombagira é também chamada de exu-mulher, pois se trata de espírito feminino, enquanto exu é um espírito masculino. Estes espíritos são versados em diferentes práticas de feitiçaria e baixam ou incorporam em médiuns em terreiros ou casas de Quimbanda ou de Umbanda oferecendo serviços e tutoria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Quimbanda, entende-se que exista uma entidade geral que é a mais alta na hierarquia e que emana os poderes de exu e de pombagira. Tal entidade é chamada de Exu Maioral, mas não se trata de um exu regular, não é um espírito de um falecido e não baixa ou incorpora em médiuns. Há muitas teorias para qual seja, de fato, a natureza e a identidade do Maioral. Ele é comumente equacionado ao Capeta, ou seja, ao Diabo, mas algumas linhas expandem esse mistério dando a ele outras faces. O Maioral dispõe de &amp;quot;embaixadores&amp;quot; que são os Exus que comumente organizam as legiões de espíritos e que interagem com os praticantes. Na maioria das casas, esses embaixadores se apresentam como uma trindade formada por Exu Mor ou Exu Belzebuth (representado pelo [[Baphomet]] de [[Eliphas Levi]]), Exu Lúcifer e Exu Rei das Sete Encruzilhadas (embora tal trindade possa sofrer leves alterações de casa para casa, como é comum na Quimbanda).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Linhas e Reinos ==&lt;br /&gt;
A primeira divisão dos exus e pombagiras aparece por volta dos anos de 1930 e são as 7 Linhas de Quimbanda, uma oposição clara às então estabelecidas 7 linhas de Umbanda. São elas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha das Almas - comandada por Exu Omolu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha dos Esqueletos do Cemitério - comandada por João Caveira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Nagô - comandada por Exu Gererê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Mossorubi - comandada pelo Exu Kaminaloá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Malei - comandada por Exu Rei e por Exu Marabô.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha dos Caboclos quimbandeiros - comandada pelo Caboclo Pantera Negra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Mista - comandada pelo Exus das Campinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois, principalmente por conta do trabalho de Mãe Ieda de Ogum na Quimbanda Sulista, conforme codificado no trabalho de Omotobàtálá no livro &amp;quot;Reino de Kimbanda&amp;quot; de 1999, surge a classificação de exus e pombagiras em Reinos, também com hierarquia diversa, como segue:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Encruzilhadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Cruzeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Matas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Calunga pequena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Almas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Lira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Praia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estrutura Iniciatica e Sacerdotal ==&lt;br /&gt;
Na Quimbanda do Sudeste, os praticantes muitas vezes participam apenas de uma cerimônia de vínculo, às vezes chamada de batismo. Os sacerdotes são chamados de Tata (masculino) de Yaya (feminino) e passam por uma iniciação mais complexa que envolve a recepção de um assentamento dos espíritos. Não existe, geralmente, uma estrutura sacerdotal complexa com diversos graus, embora algumas vertentes tenham introduzido recentemente a seguinte gradação sacerdotal: Tata; e Tata Nganga, este sendo uma estância hierárquica superior a de Tata. Algumas vertentes, como a Quimbanda Congo, não utiliza o termo Yaya, mas sim Mametu, provavelmente derivado do Candomblé de Angola. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Quimbanda de Cruzeiro e de Almas, do Sul do Brasil, o sacerdote é chamado de Chefe de Quimbanda. Nesta vertente, existem diversas etapas dentro da caminhada iniciatica, a saber: iniciação; aprontamento; sacerdócio. Dentro do grau de sacerdote, porém, existem diversas subgradações que envolvem a recepção de ''facas'' que permitiram ao sacerdote realizar a imolação ritual de diferentes tipos de animais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências e Bibliografia Recomendada ==&lt;br /&gt;
Frisvold, N. M. Exu and The Quimbanda of Night and Fire. Scarlet Imprint. 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Frisvold, N. M. Pombagira and the Quimbanda of Mbumba Nzila. Scarlet Imprint. 2011.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De Oxóssi, D. Desvendando Exu, o guardião dos Caminhos. Arole. 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De Oxóssi, D. Os Reinos de Quimbanda e os Búzios de Exu. Arole. 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Frisvold. N. M. Seven Crossroads of Night. Hadean Press. 2023.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Quimbanda&amp;diff=11527</id>
		<title>Quimbanda</title>
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		<updated>2023-07-10T21:18:29Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Eduardo Regis: /* Formação e Principais Correntes */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Quimbanda (às vezes grafada como Kimbanda, usualmente para marcar uma herança africana acentuada) é, em linhas gerais, o culto próprio de exu (não confundir com o orixá Exu ou ''Èsù'') e pombagira. Pode significar também o trabalho específico de exu e pombagira dentro da religião de Umbanda. É uma religiosidade brasileira com elementos de forte ascendência africana, principalmente dos povos do tronco-linguístico Bantu, e também com influências da feitiçaria europeia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Formação e Principais Correntes ==&lt;br /&gt;
A data e processo de formação da Quimbanda são incertos. Tata Decelso em &amp;quot;Umbanda de Caboclos&amp;quot; (Editora Eco. 1975) alega que a Quimbanda foi uma &amp;quot;invencionice&amp;quot; de Lourenço Braga e de Aluizio Fontenelle que teria surgido entre os anos 1940-1950. Outras fontes, porém, como Diego de Oxóssi (Os Búzios de Exu e os Reinos de Quimbanda; Editora Arole. 2023) e Nicholaj de Mattos Frisvold (Seven Crossroads of Night; Hadean press. 2023) entendem que a Quimbanda tenha se formado, no Sudeste brasileiro, agregando práticas das Macumbas Cariocas e de outras religiosidades. Entretanto, apontar uma figura ou um conjunto de personagens históricas que tenham sido responsáveis pela criação e estruturação primeira da Quimbanda parece uma tarefa para a qual não haverá uma conclusão final. Seja como for, a Quimbanda correu por muito tempo principalmente como uma prática secreta dentro de casas de Umbanda e mais recentemente ganhou mais independência, com muitas vertentes e praticantes completamente desligados da prática umbandista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Sul brasileiro, entretanto, a Quimbanda tem uma história ligeiramente diferente. Em Porto Alegre, principalmente, a prática do Batuque e da Umbanda teria se hibridizado na Linha Cruzada e desta teria saído a Quimbanda Tradicional ou Quimbanda de Cruzeiro e de Almas, organizada nos anos 1960 por Mãe Ieda de Ogum. A Quimbanda Sulista apresenta um caráter público mais marcante, com cerimônias grandiosas e festas ocorrendo na ruas das cidades e é marcadamente separada da Umbanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Vertentes ==&lt;br /&gt;
Uma gama de vertentes de Quimbanda tem surgido nos últimos anos. Dentre estas, destacam-se:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda de Raiz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Nagô.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Malei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Gererê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Luciferiana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Xambá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Quirumbo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Congo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Exu, Pombagira e outros ==&lt;br /&gt;
Exu e pombagira são as entidades principais da Quimbanda. No passado, falava-se também no culto de caboclos quimbandeiros e de pretos-velhos quimbandeiros ou pretos-velhos da mata, mas tais entidades tem sido marcadamente menos discutidas e frequentes nos tempos contemporâneos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De maneira geral, exus e pombagiras são espíritos de pessoas falecidas que, de alguma maneira, por força de um mistério, ganham autonomia e determinadas capacidades que os diferem de espíritos de falecidos comuns, às vezes chamados de eguns. Pombagira é também chamada de exu-mulher, pois se trata de espírito feminino, enquanto exu é um espírito masculino. Estes espíritos são versados em diferentes práticas de feitiçaria e baixam ou incorporam em médiuns em terreiros ou casas de Quimbanda ou de Umbanda oferecendo serviços e tutoria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Quimbanda, entende-se que exista uma entidade geral que é a mais alta na hierarquia e que emana os poderes de exu e de pombagira. Tal entidade é chamada de Exu Maioral, mas não se trata de um exu regular, não é um espírito de um falecido e não baixa ou incorpora em médiuns. Há muitas teorias para qual seja, de fato, a natureza e a identidade do Maioral. Ele é comumente equacionado ao Capeta, ou seja, ao Diabo, mas algumas linhas expandem esse mistério dando a ele outras faces. O Maioral dispõe de &amp;quot;embaixadores&amp;quot; que são os Exus que comumente organizam as legiões de espíritos e que interagem com os praticantes. Na maioria das casas, esses embaixadores se apresentam como uma trindade formada por Exu Mor ou Exu Belzebuth (representado pelo [[Baphomet]] de [[Eliphas Levi]]), Exu Lúcifer e Exu Rei das Sete Encruzilhadas (embora tal trindade possa sofrer leves alterações de casa para casa, como é comum na Quimbanda).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Linhas e Reinos ==&lt;br /&gt;
A primeira divisão dos exus e pombagiras aparece por volta dos anos de 1930 e são as 7 Linhas de Quimbanda, uma oposição clara às então estabelecidas 7 linhas de Umbanda. São elas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha das Almas - comandada por Exu Omolu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha dos Esqueletos do Cemitério - comandada por João Caveira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Nagô - comandada por Exu Gererê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Mossorubi - comandada pelo Exu Kaminaloá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Malei - comandada por Exu Rei e por Exu Marabô.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha dos Caboclos quimbandeiros - comandada pelo Caboclo Pantera Negra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Mista - comandada pelo Exus das Campinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois, principalmente por conta do trabalho de Mãe Ieda de Ogum na Quimbanda Sulista, conforme codificado no trabalho de Omotobàtálá no livro &amp;quot;Reino de Kimbanda&amp;quot; de 1999, surge a classificação de exus e pombagiras em Reinos, também com hierarquia diversa, como segue:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Encruzilhadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Cruzeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Matas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Calunga pequena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Almas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Lira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Praia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estrutura Iniciatica e Sacerdotal ==&lt;br /&gt;
Na Quimbanda do Sudeste, os praticantes muitas vezes participam apenas de uma cerimônia de vínculo, às vezes chamada de batismo. Os sacerdotes são chamados de Tata (masculino) de Yaya (feminino) e passam por uma iniciação mais complexa que envolve a recepção de um assentamento dos espíritos. Não existe, geralmente, uma estrutura sacerdotal complexa com diversos graus, embora algumas vertentes tenham introduzido recentemente a seguinte gradação sacerdotal: Tata; e Tata Nganga, este sendo uma estância hierárquica superior a de Tata. Algumas vertentes, como a Quimbanda Congo, não utiliza o termo Yaya, mas sim Mametu, provavelmente derivado do Candomblé de Angola. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Quimbanda de Cruzeiro e de Almas, do Sul do Brasil, o sacerdote é chamado de Chefe de Quimbanda. Nesta vertente, existem diversas etapas dentro da caminhada iniciatica, a saber: iniciação; aprontamento; sacerdócio. Dentro do grau de sacerdote, porém, existem diversas subgradações que envolvem a recepção de ''facas'' que permitiram ao sacerdote realizar a imolação ritual de diferentes tipos de animais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências e Bibliografia Recomendada ==&lt;br /&gt;
Frisvold, N. M. Exu and The Quimbanda of Night and Fire. Scarlet Imprint. 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Frisvold, N. M. Pombagira and the Quimbanda of Mbumba Nzila. Scarlet Imprint. 2011.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De Oxóssi, D. Desvendando Exu, o guardião dos Caminhos. Arole. 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De Oxóssi, D. Os Reinos de Quimbanda e os Búzios de Exu. Arole. 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Frisvold. N. M. Seven Crossroads of Night. Hadean Press. 2023.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Quimbanda&amp;diff=11309</id>
		<title>Quimbanda</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Quimbanda&amp;diff=11309"/>
		<updated>2023-07-03T15:36:39Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Eduardo Regis: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Quimbanda (às vezes grafada como Kimbanda, usualmente para marcar uma herança africana acentuada) é, em linhas gerais, o culto próprio de exu (não confundir com o orixá Exu ou ''Èsù'') e pombagira. Pode significar também o trabalho específico de exu e pombagira dentro da religião de Umbanda. É uma religiosidade brasileira com elementos de forte ascendência africana, principalmente dos povos do tronco-linguístico Bantu, e também com influências da feitiçaria europeia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Formação e Principais Correntes ==&lt;br /&gt;
A data e processo de formação da Quimbanda são incertos. Tata Decelso em &amp;quot;Umbanda de Caboclos&amp;quot; (Editora Eco. 1975) alega que a Quimbanda foi uma &amp;quot;invencionice&amp;quot; de Lourenço Braga e de Aluizio Fontenelle que teria surgido entre os anos 1940-1950. Outras fontes, porém, como Diego de Oxóssi (Os Búzios de Exu e os Reinos de Quimbanda; Editora Arole. 2023) e Nicholaj de Mattos Frisvold (Seven Crossroads of Night; Hadean press. 2023) entendem que a Quimbanda tenha se formado, no Sudeste brasileiro, agregando práticas das Macumbas Cariocas e de outras religiosidades. Na opinião de Diego de Oxóssi, suportada por informantes, Joãozinho da Goméia, com suas práticas híbridas é um forte candidato a ter criado a semente da Quimbanda como hoje a conhecemos. Seja como for, a Quimbanda correu por muito tempo principalmente como uma prática secreta dentro de casas de Umbanda e mais recentemente ganhou mais independência, com muitas vertentes e praticantes completamente desligados da prática umbandista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Sul brasileiro, entretanto, a Quimbanda tem uma história ligeiramente diferente. Em Porto Alegre, principalmente, a prática do Batuque e da Umbanda teria se hibridizado na Linha Cruzada e desta teria saído a Quimbanda Tradicional ou Quimbanda de Cruzeiro e de Almas, organizada nos anos 1960 por Mãe Ieda de Ogum. A Quimbanda Sulista apresenta um caráter público mais marcante, com cerimônias grandiosas e festas ocorrendo na ruas das cidades e é marcadamente separada da Umbanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Vertentes ==&lt;br /&gt;
Uma gama de vertentes de Quimbanda tem surgido nos últimos anos. Dentre estas, destacam-se:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda de Raiz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Nagô.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Malei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Gererê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Luciferiana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Xambá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Quirumbo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Congo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Exu, Pombagira e outros ==&lt;br /&gt;
Exu e pombagira são as entidades principais da Quimbanda. No passado, falava-se também no culto de caboclos quimbandeiros e de pretos-velhos quimbandeiros ou pretos-velhos da mata, mas tais entidades tem sido marcadamente menos discutidas e frequentes nos tempos contemporâneos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De maneira geral, exus e pombagiras são espíritos de pessoas falecidas que, de alguma maneira, por força de um mistério, ganham autonomia e determinadas capacidades que os diferem de espíritos de falecidos comuns, às vezes chamados de eguns. Pombagira é também chamada de exu-mulher, pois se trata de espírito feminino, enquanto exu é um espírito masculino. Estes espíritos são versados em diferentes práticas de feitiçaria e baixam ou incorporam em médiuns em terreiros ou casas de Quimbanda ou de Umbanda oferecendo serviços e tutoria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Quimbanda, entende-se que exista uma entidade geral que é a mais alta na hierarquia e que emana os poderes de exu e de pombagira. Tal entidade é chamada de Exu Maioral, mas não se trata de um exu regular, não é um espírito de um falecido e não baixa ou incorpora em médiuns. Há muitas teorias para qual seja, de fato, a natureza e a identidade do Maioral. Ele é comumente equacionado ao Capeta, ou seja, ao Diabo, mas algumas linhas expandem esse mistério dando a ele outras faces. O Maioral dispõe de &amp;quot;embaixadores&amp;quot; que são os Exus que comumente organizam as legiões de espíritos e que interagem com os praticantes. Na maioria das casas, esses embaixadores se apresentam como uma trindade formada por Exu Mor ou Exu Belzebuth (representado pelo [[Baphomet]] de [[Eliphas Levi]]), Exu Lúcifer e Exu Rei das Sete Encruzilhadas (embora tal trindade possa sofrer leves alterações de casa para casa, como é comum na Quimbanda).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Linhas e Reinos ==&lt;br /&gt;
A primeira divisão dos exus e pombagiras aparece por volta dos anos de 1930 e são as 7 Linhas de Quimbanda, uma oposição clara às então estabelecidas 7 linhas de Umbanda. São elas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha das Almas - comandada por Exu Omolu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha dos Esqueletos do Cemitério - comandada por João Caveira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Nagô - comandada por Exu Gererê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Mossorubi - comandada pelo Exu Kaminaloá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Malei - comandada por Exu Rei e por Exu Marabô.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha dos Caboclos quimbandeiros - comandada pelo Caboclo Pantera Negra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Mista - comandada pelo Exus das Campinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois, principalmente por conta do trabalho de Mãe Ieda de Ogum na Quimbanda Sulista, conforme codificado no trabalho de Omotobàtálá no livro &amp;quot;Reino de Kimbanda&amp;quot; de 1999, surge a classificação de exus e pombagiras em Reinos, também com hierarquia diversa, como segue:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Encruzilhadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Cruzeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Matas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Calunga pequena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Almas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Lira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Praia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estrutura Iniciatica e Sacerdotal ==&lt;br /&gt;
Na Quimbanda do Sudeste, os praticantes muitas vezes participam apenas de uma cerimônia de vínculo, às vezes chamada de batismo. Os sacerdotes são chamados de Tata (masculino) de Yaya (feminino) e passam por uma iniciação mais complexa que envolve a recepção de um assentamento dos espíritos. Não existe, geralmente, uma estrutura sacerdotal complexa com diversos graus, embora algumas vertentes tenham introduzido recentemente a seguinte gradação sacerdotal: Tata; e Tata Nganga, este sendo uma estância hierárquica superior a de Tata. Algumas vertentes, como a Quimbanda Congo, não utiliza o termo Yaya, mas sim Mametu, provavelmente derivado do Candomblé de Angola. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Quimbanda de Cruzeiro e de Almas, do Sul do Brasil, o sacerdote é chamado de Chefe de Quimbanda. Nesta vertente, existem diversas etapas dentro da caminhada iniciatica, a saber: iniciação; aprontamento; sacerdócio. Dentro do grau de sacerdote, porém, existem diversas subgradações que envolvem a recepção de ''facas'' que permitiram ao sacerdote realizar a imolação ritual de diferentes tipos de animais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências e Bibliografia Recomendada ==&lt;br /&gt;
Frisvold, N. M. Exu and The Quimbanda of Night and Fire. Scarlet Imprint. 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Frisvold, N. M. Pombagira and the Quimbanda of Mbumba Nzila. Scarlet Imprint. 2011.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De Oxóssi, D. Desvendando Exu, o guardião dos Caminhos. Arole. 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De Oxóssi, D. Os Reinos de Quimbanda e os Búzios de Exu. Arole. 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Frisvold. N. M. Seven Crossroads of Night. Hadean Press. 2023.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Quimbanda&amp;diff=11233</id>
		<title>Quimbanda</title>
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		<updated>2023-07-03T02:49:08Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Eduardo Regis: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Quimbanda é, em linhas gerais, o culto próprio de exu (não confundir com o orixá Exu ou ''Èsù'') e pombagira. Pode significar também o trabalho específico de exu e pombagira dentro da religião de Umbanda. É uma religiosidade brasileira com elementos de forte ascendência africana, principalmente dos povos do tronco-linguístico Bantu, e também com influências da feitiçaria europeia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Formação e Principais Correntes ==&lt;br /&gt;
A data e processo de formação da Quimbanda são incertos. Tata Decelso em &amp;quot;Umbanda de Caboclos&amp;quot; (Editora Eco. 1975) alega que a Quimbanda foi uma &amp;quot;invencionice&amp;quot; de Lourenço Braga e de Aluizio Fontenelle que teria surgido entre os anos 1940-1950. Outras fontes, porém, como Diego de Oxóssi (Os Búzios de Exu e os Reinos de Quimbanda; Editora Arole. 2023) e Nicholaj de Mattos Frisvold (Seven Crossroads of Night; Hadean press. 2023) entendem que a Quimbanda tenha se formado, no Sudeste brasileiro, agregando práticas das Macumbas Cariocas e de outras religiosidades. Na opinião de Diego de Oxóssi, suportada por informantes, Joãozinho da Goméia, com suas práticas híbridas é um forte candidato a ter criado a semente da Quimbanda como hoje a conhecemos. Seja como for, a Quimbanda correu por muito tempo principalmente como uma prática secreta dentro de casas de Umbanda e mais recentemente ganhou mais independência, com muitas vertentes e praticantes completamente desligados da prática umbandista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Sul brasileiro, entretanto, a Quimbanda tem uma história ligeiramente diferente. Em Porto Alegre, principalmente, a prática do Batuque e da Umbanda teria se hibridizado na Linha Cruzada e desta teria saído a Quimbanda Tradicional ou Quimbanda de Cruzeiro e de Almas, organizada nos anos 1960 por Mãe Ieda de Ogum. A Quimbanda Sulista apresenta um caráter público mais marcante, com cerimônias grandiosas e festas ocorrendo na ruas das cidades e é marcadamente separada da Umbanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Vertentes ==&lt;br /&gt;
Uma gama de vertentes de Quimbanda tem surgido nos últimos anos. Dentre estas, destacam-se:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda de Raiz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Nagô.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Malei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Gererê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Luciferiana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Xambá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Quirumbo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Congo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Exu, Pombagira e outros ==&lt;br /&gt;
Exu e pombagira são as entidades principais da Quimbanda. No passado, falava-se também no culto de caboclos quimbandeiros e de pretos-velhos quimbandeiros ou pretos-velhos da mata, mas tais entidades tem sido marcadamente menos discutidas e frequentes nos tempos contemporâneos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De maneira geral, exus e pombagiras são espíritos de pessoas falecidas que, de alguma maneira, por força de um mistério, ganham autonomia e determinadas capacidades que os diferem de espíritos de falecidos comuns, às vezes chamados de eguns. Pombagira é também chamada de exu-mulher, pois se trata de espírito feminino, enquanto exu é um espírito masculino. Estes espíritos são versados em diferentes práticas de feitiçaria e baixam ou incorporam em médiuns em terreiros ou casas de Quimbanda ou de Umbanda oferecendo serviços e tutoria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Quimbanda, entende-se que exista uma entidade geral que é a mais alta na hierarquia e que emana os poderes de exu e de pombagira. Tal entidade é chamada de Exu Maioral, mas não se trata de um exu regular, não é um espírito de um falecido e não baixa ou incorpora em médiuns. Há muitas teorias para qual seja, de fato, a natureza e a identidade do Maioral. Ele é comumente equacionado ao Capeta, ou seja, ao Diabo, mas algumas linhas expandem esse mistério dando a ele outras faces. O Maioral dispõe de &amp;quot;embaixadores&amp;quot; que são os Exus que comumente organizam as legiões de espíritos e que interagem com os praticantes. Na maioria das casas, esses embaixadores se apresentam como uma trindade formada por Exu Mor ou Exu Belzebuth (representado pelo [[Baphomet]] de [[Eliphas Levi]]), Exu Lúcifer e Exu Rei das Sete Encruzilhadas (embora tal trindade possa sofrer leves alterações de casa para casa, como é comum na Quimbanda).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Linhas e Reinos ==&lt;br /&gt;
A primeira divisão dos exus e pombagiras aparece por volta dos anos de 1930 e são as 7 Linhas de Quimbanda, uma oposição clara às então estabelecidas 7 linhas de Umbanda. São elas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha das Almas - comandada por Exu Omolu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha dos Esqueletos do Cemitério - comandada por João Caveira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Nagô - comandada por Exu Gererê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Mossorubi - comandada pelo Exu Kaminaloá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Malei - comandada por Exu Rei e por Exu Marabô.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha dos Caboclos quimbandeiros - comandada pelo Caboclo Pantera Negra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Mista - comandada pelo Exus das Campinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois, principalmente por conta do trabalho de Mãe Ieda de Ogum na Quimbanda Sulista, conforme codificado no trabalho de Omotobàtálá no livro &amp;quot;Reino de Kimbanda&amp;quot; de 1999, surge a classificação de exus e pombagiras em Reinos, também com hierarquia diversa, como segue:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Encruzilhadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Cruzeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Matas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Calunga pequena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Almas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Lira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Praia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estrutura Iniciatica e Sacerdotal ==&lt;br /&gt;
Na Quimbanda do Sudeste, os praticantes muitas vezes participam apenas de uma cerimônia de vínculo, às vezes chamada de batismo. Os sacerdotes são chamados de Tata (masculino) de Yaya (feminino) e passam por uma iniciação mais complexa que envolve a recepção de um assentamento dos espíritos. Não existe, geralmente, uma estrutura sacerdotal complexa com diversos graus, embora algumas vertentes tenham introduzido recentemente a seguinte gradação sacerdotal: Tata; e Tata Nganga, este sendo uma estância hierárquica superior a de Tata. Algumas vertentes, como a Quimbanda Congo, não utiliza o termo Yaya, mas sim Mametu, provavelmente derivado do Candomblé de Angola. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Quimbanda de Cruzeiro e de Almas, do Sul do Brasil, o sacerdote é chamado de Chefe de Quimbanda. Nesta vertente, existem diversas etapas dentro da caminhada iniciatica, a saber: iniciação; aprontamento; sacerdócio. Dentro do grau de sacerdote, porém, existem diversas subgradações que envolvem a recepção de ''facas'' que permitiram ao sacerdote realizar a imolação ritual de diferentes tipos de animais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências e Bibliografia Recomendada ==&lt;br /&gt;
Frisvold, N. M. Exu and The Quimbanda of Night and Fire. Scarlet Imprint. 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Frisvold, N. M. Pombagira and the Quimbanda of Mbumba Nzila. Scarlet Imprint. 2011.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De Oxóssi, D. Desvendando Exu, o guardião dos Caminhos. Arole. 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De Oxóssi, D. Os Reinos de Quimbanda e os Búzios de Exu. Arole. 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Frisvold. N. M. Seven Crossroads of Night. Hadean Press. 2023.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Quimbanda&amp;diff=11232</id>
		<title>Quimbanda</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Quimbanda&amp;diff=11232"/>
		<updated>2023-07-03T02:47:09Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Eduardo Regis: /* Formação e Principais Vertentes */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Quimbanda é, em linhas gerais, o culto próprio de exu (não confundir com o orixá Exu ou ''Èsù'') e pombagira. Pode significar também o trabalho específico de exu e pombagira dentro da religião de Umbanda. É uma religião brasileira com elementos de forte ascendência africana, principalmente dos povos do tronco-linguístico Bantu, e também com influências da feitiçaria europeia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Formação e Principais Correntes ==&lt;br /&gt;
A data e processo de formação da Quimbanda são incertos. Tata Decelso em &amp;quot;Umbanda de Caboclos&amp;quot; (Editora Eco. 1975) alega que a Quimbanda foi uma &amp;quot;invencionice&amp;quot; de Lourenço Braga e de Aluizio Fontenelle que teria surgido entre os anos 1940-1950. Outras fontes, porém, como Diego de Oxóssi (Os Búzios de Exu e os Reinos de Quimbanda; Editora Arole. 2023) e Nicholaj de Mattos Frisvold (Seven Crossroads of Night; Hadean press. 2023) entendem que a Quimbanda tenha se formado, no Sudeste brasileiro, agregando práticas das Macumbas Cariocas e de outras religiosidades. Na opinião de Diego de Oxóssi, suportada por informantes, Joãozinho da Goméia, com suas práticas híbridas é um forte candidato a ter criado a semente da Quimbanda como hoje a conhecemos. Seja como for, a Quimbanda correu por muito tempo principalmente como uma prática secreta dentro de casas de Umbanda e mais recentemente ganhou mais independência, com muitas vertentes e praticantes completamente desligados da prática umbandista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Sul brasileiro, entretanto, a Quimbanda tem uma história ligeiramente diferente. Em Porto Alegre, principalmente, a prática do Batuque e da Umbanda teria se hibridizado na Linha Cruzada e desta teria saído a Quimbanda Tradicional ou Quimbanda de Cruzeiro e de Almas, organizada nos anos 1960 por Mãe Ieda de Ogum. A Quimbanda Sulista apresenta um caráter público mais marcante, com cerimônias grandiosas e festas ocorrendo na ruas das cidades e é marcadamente separada da Umbanda.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Vertentes ==&lt;br /&gt;
Uma gama de vertentes de Quimbanda tem surgido nos últimos anos. Dentre estas, destacam-se:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda de Raiz.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Nagô.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Malei.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Gererê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Luciferiana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Xambá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Quirumbo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Quimbanda Congo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Exu, Pombagira e outros ==&lt;br /&gt;
Exu e pombagira são as entidades principais da Quimbanda. No passado, falava-se também no culto de caboclos quimbandeiros e de pretos-velhos quimbandeiros ou pretos-velhos da mata, mas tais entidades tem sido marcadamente menos discutidas e frequentes nos tempos contemporâneos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De maneira geral, exus e pombagiras são espíritos de pessoas falecidas que, de alguma maneira, por força de um mistério, ganham autonomia e determinadas capacidades que os diferem de espíritos de falecidos comuns, às vezes chamados de eguns. Pombagira é também chamada de exu-mulher, pois se trata de espírito feminino, enquanto exu é um espírito masculino. Estes espíritos são versados em diferentes práticas de feitiçaria e baixam ou incorporam em médiuns em terreiros ou casas de Quimbanda ou de Umbanda oferecendo serviços e tutoria. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Quimbanda, entende-se que exista uma entidade geral que é a mais alta na hierarquia e que emana os poderes de exu e de pombagira. Tal entidade é chamada de Exu Maioral, mas não se trata de um exu regular, não é um espírito de um falecido e não baixa ou incorpora em médiuns. Há muitas teorias para qual seja, de fato, a natureza e a identidade do Maioral. Ele é comumente equacionado ao Capeta, ou seja, ao Diabo, mas algumas linhas expandem esse mistério dando a ele outras faces. O Maioral dispõe de &amp;quot;embaixadores&amp;quot; que são os Exus que comumente organizam as legiões de espíritos e que interagem com os praticantes. Na maioria das casas, esses embaixadores se apresentam como uma trindade formada por Exu Mor ou Exu Belzebuth (representado pelo [[Baphomet]] de [[Eliphas Levi]]), Exu Lúcifer e Exu Rei das Sete Encruzilhadas (embora tal trindade possa sofrer leves alterações de casa para casa, como é comum na Quimbanda).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Linhas e Reinos ==&lt;br /&gt;
A primeira divisão dos exus e pombagiras aparece por volta dos anos de 1930 e são as 7 Linhas de Quimbanda, uma oposição clara às então estabelecidas 7 linhas de Umbanda. São elas:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha das Almas - comandada por Exu Omolu.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha dos Esqueletos do Cemitério - comandada por João Caveira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Nagô - comandada por Exu Gererê.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Mossorubi - comandada pelo Exu Kaminaloá.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Malei - comandada por Exu Rei e por Exu Marabô.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha dos Caboclos quimbandeiros - comandada pelo Caboclo Pantera Negra.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- A linha Mista - comandada pelo Exus das Campinas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Depois, principalmente por conta do trabalho de Mãe Ieda de Ogum na Quimbanda Sulista, conforme codificado no trabalho de Omotobàtálá no livro &amp;quot;Reino de Kimbanda&amp;quot; de 1999, surge a classificação de exus e pombagiras em Reinos, também com hierarquia diversa, como segue:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Encruzilhadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Cruzeiro.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Matas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Calunga pequena.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Almas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Lira.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Praia.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Estrutura Iniciatica e Sacerdotal ==&lt;br /&gt;
Na Quimbanda do Sudeste, os praticantes muitas vezes participam apenas de uma cerimônia de vínculo, às vezes chamada de batismo. Os sacerdotes são chamados de Tata (masculino) de Yaya (feminino) e passam por uma iniciação mais complexa que envolve a recepção de um assentamento dos espíritos. Não existe, geralmente, uma estrutura sacerdotal complexa com diversos graus, embora algumas vertentes tenham introduzido recentemente a seguinte gradação sacerdotal: Tata; e Tata Nganga, este sendo uma estância hierárquica superior a de Tata. Algumas vertentes, como a Quimbanda Congo, não utiliza o termo Yaya, mas sim Mametu, provavelmente derivado do Candomblé de Angola. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na Quimbanda de Cruzeiro e de Almas, do Sul do Brasil, o sacerdote é chamado de Chefe de Quimbanda. Nesta vertente, existem diversas etapas dentro da caminhada iniciatica, a saber: iniciação; aprontamento; sacerdócio. Dentro do grau de sacerdote, porém, existem diversas subgradações que envolvem a recepção de ''facas'' que permitiram ao sacerdote realizar a imolação ritual de diferentes tipos de animais. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências e Bibliografia Recomendada ==&lt;br /&gt;
Frisvold, N. M. Exu and The Quimbanda of Night and Fire. Scarlet Imprint. 2012.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Frisvold, N. M. Pombagira and the Quimbanda of Mbumba Nzila. Scarlet Imprint. 2011.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De Oxóssi, D. Desvendando Exu, o guardião dos Caminhos. Arole. 2018.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De Oxóssi, D. Os Reinos de Quimbanda e os Búzios de Exu. Arole. 2023.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Frisvold. N. M. Seven Crossroads of Night. Hadean Press. 2023.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
	</entry>
	<entry>
		<id>https://www.ocultura.org.br/index.php?title=Vodou&amp;diff=11230</id>
		<title>Vodou</title>
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		<updated>2023-07-03T02:04:00Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Eduardo Regis: /* Vodou haitiano */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Vodou é um termo que denomina um conjunto de práticas afro-diaspóricas típicas da região caribenha. Sem dúvidas, o Vodou haitiano é a religiosidade mais debatida deste grupo, mas há também o Vodou dominicano, Vodou cubano e o Voodoo norte-americano. O Vodou das Américas não deve ser confundindo com o [[Vodum]] da região do Benim, África.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Vodou haitiano ==&lt;br /&gt;
O Vodou haitiano se trata de uma coleção de práticas religiosas diversas, mas que contém uma estrutura caracterizante comum, que ocorrem e que se formaram no Haiti. Em linhas gerais, o Vodou haitiano é uma religião tributária das espiritualidades africanas, principalmente dos povos do tronco-linguístico bantu, dos povos iorubás e dos falante de ''gbe'' (que habitavam, dentre outras regiões, o antigo Daomé) e também do cristianismo europeu, da religiosidade dos povos originários caribenhos e de correntes místicas e esotéricas européias, como a [[Maçonaria]]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de exibir uma grande variação em suas práticas e crenças, de maneira mais geral, o Vodou se preocupa com a interação entre as pessoas, no mundo material, e os espíritos, no mundo espiritual ou invisível. Há a crença em um deus criador, chamado de ''Bondye'' e em diversas categorias de espíritos intermediários como ''Lwas'' e os Ancestrais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem dúvidas, os ''Lwas'' são a categoria de espíritos mais popular no Vodou haitiano. Os ''Lwas'' são espíritos criados por ''Bondye'' ou ainda ancestrais divinizados (em alguns casos) aos quais a maioria das petições e cerimônias do Vodou são direcionadas.  No Vodou ''Asogwe'', modalidade de Vodou haitiano, popular no Sul do Haiti, os ''Lwas'' são divididos, usualmente, em dois grandes grupos: o grupo ''Rada'' se refere a espíritos mais calmos; e o grupo ''Petwo'', a espíritos mais agitados - se bem que tal classificação é bem generalista e há exceções. Há ainda um terceiro grupo de ''Lwas'' chamados de ''Gede'', que se referem a espíritos cujo o tema são a morte e a sexualidade e que incluem em suas fileiras, almas de pessoas falecidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Norte, onde outros tipos de Vodou são praticados (como o Vodou ''Deka'' ou ''Makout ou'' ''Kwa-Kwa,'' embora existam autores que determinam que ocorra diferença entre estes tipos de Vodou, normalmente essas nomenclaturas são utilizadas indistintamente para falar de um Vodou mais familiar e rural, sem as estruturas típicas do ''Asogwe'') e também em alguns templo (''hounfour'' ou ''ounfó'') no Sul, considera-se que os ''Lwas'' são divididos no número mítico de 21 Nações (grupos de espíritos agrupados por herança étnica). Se bem que existem templos específicos no Norte do Haiti famosos por trabalharem com ''Lwas'' (''Lwa yo'', no Crioulo haitiano, seria a forma correta do plural, mas optamos por usar ''Lwas'' para facilitar o leitor) de apenas uma nação como Congo ou Nagô, por exemplo. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ''Sevi Lwa'' ==&lt;br /&gt;
No Vodou haitiano, sua prática é comumente chamada pelos haitianos de ''sevi Lwa'', o que se traduziria como &amp;quot;Servir Lwa&amp;quot;. O serviço aos ''Lwas'' é o objeto principal das cerimônias do Vodou, que são geralmente realizadas em templos, chamados de ''Hounfour'' ou ''Ounfó'', no Sul e, muitas vezes, chamados de ''Lakou'' no Norte. ''Lakou'', entretanto, é um termo mais amplo que abarca uma unidade habitacional típica do campo haitiano e também pode se referir ao terreno no qual um templo está localizado. Além disso, muitas cerimônias de Vodou são realizadas na natureza, em locais abertos como clareiras ou em rios e cachoeiras. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Vodou ''Asogwe'', um ''hounfor'' contém basicamente tambores (que diferem no rito ''Rada'' e no rito ''Petwo''), imagens de santos católicos, com os quais diversos ''Lwas'' são sincretizados e um poste central, chamado de ''Potomitan'', que serve como um eixo de ligação entre os mundos visível e invisível. Ainda, existirão altares para os ''Lwas,'' sendo que os altares dos grupos ''Rada'' e ''Petwo'' sempre são separados. Pode haver um terceiro altar para os ''Gede'', mas é possível que estejam também junto dos ''Lwas Petwo''.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Uma típica cerimônia de Vodou ''Asogwe'' se inicia com a ''Priye Ginen'', uma longa oração que começa com louvores a ''Bondye'', com orações católicas e que depois passa a saudar os diversos ''Lwas'' e nações. Depois disso, os sacerdotes (''Manbo,'' no feminino, e ''Ougan'' ou ''Oungan'' ou ainda ''Houngan'', no masculino) seguem determinados passos, oferecendo libações, oferendas e sacrifícios animais para os ''Lwas'' enquanto chacoalham seu ''ason'', o chocalho ritualístico que marca o ofício sacerdotal na tradição ''Asogwe'' (Em alguns tempos, utiliza-se o ''ason'' apenas para os ''Lwas Rada'', sendo reservado aos ''Petwo'' um chocalho mais simples, chamado de ''Kwa-Kwa''). As possessões - termo típico do Vodou - são comuns e diversos ''Lwas'' podem aparecer e incorporar nos sacerdotes e demais presentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== ''Lwas'' ==&lt;br /&gt;
Em verdade, o número e variedade de ''Lwas'' existente não é catalogável. Entretanto, os ''Lwas'' mais famosos dos grupos ''Rada, Petwo'' e ''Gede'' são:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- ''Rada'' -&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Papa Legba&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Damballah &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aiyda Wedo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ezili Freda&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Azaka&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ogou &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- ''Petwo''- &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Simbi&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ezili Dantor&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gran Bwa&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- ''Gede -'' &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bawon Samedi&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bawon Simityè&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Manmman Brijit&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Gede Nibo&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Revolução Haitiana e Vodou ==&lt;br /&gt;
Contam as histórias que em 14 de Agosto de 1791, escravizados, pretos livres e ''maroons'', fugidos e revoltosos, se encontraram na localidade de ''Bwa Kaiyman'' para um encontro político e religioso que ditaria os rumos da então colônia francesa de São Domingos. Embora não existam registros históricos assertivos a cerca da veracidade de tal cerimônia, ela foi incorporada ao imaginário haitiano e ao mito. A dita cerimônia, chamada de ''Bwa Kayiman'', teria sido um encontro para dar um basto na exploração dos escravizados e pela tomada da terra. Junto disso, teria ocorrido uma cerimônia de Vodou comandada pelo ''ougan'' Duty Boukman e pela ''manbo'' Cecile Fatiman, que teriam chamado Ezili Dantor e Ogou e sacrificado um porco preto aos ''Lwas.'' Seja como for, logo depois dessa data, estourou uma revolução muito violenta em São Domingos que culminaria com a independência daquela terra que passou a se chamar Haiti, em 1804. Por conta disso, a cerimônia de ''Bwa Kayiman'' é tida como o estopim da revolução e liga o Vodou à própria construção nacional haitiana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Bonecas Vodou e outros estereótipos ==&lt;br /&gt;
As práticas do Vodou haitiano são comumente confundidas com práticas típicas do [[Hoodoo]], como o uso de bonecos, pós, óleos e demais. Entretanto, apesar de haver uma relação entre o Hoodoo, tipo de magia popular cuja gênese se encontra no Sul dos Estados Unidos da América, e do Voodoo da Louisiana, essas práticas não são encontradas no Vodou haitiano.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O uso de bonecos para representar uma pessoa e o ato de se causar dano à mesma através da inserção de agulhas, por exemplo, prática associada ao Vodou por trabalhos de ficção e pelo terror causado pela possibilidade de envenenamento por meio de bonecas importadas do Haiti nos anos de 1950, nos Estados Unidos, não encontra paralelo na realidade cotidiana de um praticante de Vodou. Em outras palavras, embora exista o uso de bonecos, seja como ofertas ou representações de ''Lwas'', ou até mesmo como representações de uma determinada pessoa, não há relato do uso destes para práticas maléficas. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O mito do zumbi também foi outro que foi alimentado por histórias criadas pelos norte-americanos que ocupavam o Haiti no início do século XX e que pouco entendiam sobre o Vodou. Embora exista, dentro dos saberes e histórias do Vodou haitiano, a feitura de zumbis, ou seja, de pessoas que são retiradas do túmulo após a suposta morte para serem transformadas em escravizados de um feiticeiro, tal prática pertence a uma marginalidade dentro do Vodou, ao campo dos ''Bokors'', feiticeiros de aluguel. Além disso, há apenas um suposto caso registrado dessa prática, que é o famoso caso de Clairvius Narcise, homem dado como morto e enterrado, que foi encontrado vivo anos depois pela sua família. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em verdade, o Vodou haitiano é alvo de diversas fantasias que se desviam de sua liturgia e práticas, que ao invés de ser uma coleção de feitiços maléficos e de magia sinistra, trata da comunicação entre pessoa e espíritos. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Voodoo da Lousiana ou Vodou da Lousiana ==&lt;br /&gt;
O Vodou ou Voodoo (termo amplamente rejeitado pela comunidade voduísta internacional, mas que está sendo aqui utilizado para facilitar a compreensão) da Lousiana nasce da influência que a região sofreu pelas colonizações espanhola e francesa, antes de ser vendida aos Estados Unidos da América. Quando estourou a Revolução Haitiana em 1791, muitos colonos franceses fugiram de São Domingos levando seus escravizados. No caminho passaram por Cuba e se fixaram na colônia francesa da Lousiana. Estes escravizados levaram consigo o Vodou e o espalharam pelo Caribe e pela então região da colônia da Louisiana. Estes encontros, provavelmente, formaram o que viria a ser conhecido como Vodou da Lousiana.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Porém, foi com Marie Laveau (1801-1881), uma mulher preta ou de ascendência originária que viveu em Nova Orleans, que o Vodou da Lousiana ganhou seus contornos definitivos. Os registros contam que Marie Laveau era uma muito católica e que ajudava os necessitados com frequência, além de poder ser vista comumente na igreja. Para além disso, ela teria aprendido segredos do Vodou e colocado um pouco de sua própria personalidade e gostos nele, misturando-o com seu catolicismo. Sua fama foi tamanha que ela se tornou praticamente sinônimo de Vodou em Nova Orleans e acabou ditando o que seria o Vodou a partir de então. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Referências e bibliografia recomendada ==&lt;br /&gt;
- Regis, E. Vodou Haitiano: Serviço aos Lwas. Editora Daemon. 2022.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Regis, E. Ensaios sobre o Vodou Haitiano. Editora Daemon. 2022.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- La Croix, S. &amp;amp; Trindade, D. F. Vodu, Voodoo e Hoodoo: a magia do Caribe e o Império de Marie Laveau. Editora Arole. 2021.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
- Lamenfo, M. V. Z. K. Serving the Spirits. 2011&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Eduardo Regis: Criou página com 'Quimbanda é, em linhas gerais, o culto próprio de exu e pombagira. Pode significar também o trabalho específico de exu e pombagira dentro da religião de Umbanda. É uma religião brasileira com elementos de forte ascendência africana, principalmente dos povos do tronco-linguístico Bantu, e também com influências da feitiçaria europeia.   == Formação e Principais Vertentes == A data e processo de formação da Quimbanda são incertos. Tata Decelso em &amp;quot;Umbanda...'&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Quimbanda é, em linhas gerais, o culto próprio de exu e pombagira. Pode significar também o trabalho específico de exu e pombagira dentro da religião de Umbanda. É uma religião brasileira com elementos de forte ascendência africana, principalmente dos povos do tronco-linguístico Bantu, e também com influências da feitiçaria europeia. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Formação e Principais Vertentes ==&lt;br /&gt;
A data e processo de formação da Quimbanda são incertos. Tata Decelso em &amp;quot;Umbanda de Caboclos&amp;quot; (Editora Eco. 1975) alega que a Quimbanda foi uma &amp;quot;invencionice&amp;quot; de Lourenço Braga e de Aluizio Fontenelle que teria surgido entre os anos 1940-1950. Outras fontes, porém, como Diego de Oxóssi (Os Búzios de Exu e os Reinos de Quimbanda; Editora Arole. 2023) e Nicholaj de Mattos Frisvold (Seven Crossroads of Night; Hadean press. 2023) entendem que a Quimbanda tenha se formado, no Sudeste brasileiro, agregando práticas das Macumbas Cariocas e de outras religiosidades. Na opinião de Diego de Oxóssi, suportada por informantes, Joãozinho da Goméia, com suas práticas híbridas é um forte candidato a ter criado a semente da Quimbanda como hoje a conhecemos. Seja como for, a Quimbanda correu por muito tempo principalmente como uma prática secreta dentro de casas de Umbanda e mais recentemente ganhou mais independência, com muitas vertentes e praticantes completamente desligados da prática umbandista. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Sul brasileiro, entretanto, a Quimbanda tem uma história ligeiramente diferente. Em Porto Alegre, principalmente, a prática do Batuque e da Umbanda teria se hibridizado na Linha Cruzada e desta teria saído a Quimbanda Tradicional ou Quimbanda de Cruzeiro e de Almas, organizada nos anos 1960 por Mãe Ieda de Ogum. A Quimbanda Sulista apresenta um caráter público mais marcante, com cerimônias grandiosas e festas ocorrendo na ruas das cidades e é marcadamente separada da Umbanda.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
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		<summary type="html">&lt;p&gt;Eduardo Regis: &lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Vodou é um termo que denomina um conjunto de práticas afro-diaspóricas típicas da região caribenha. Sem dúvidas, o Vodou haitiano é a religiosidade mais debatida deste grupo, mas há também o Vodou dominicano, Vodou cubano e o Voodoo norte-americano. O Vodou das Américas não deve ser confundindo com o [[Vodum]] da região do Benim, África.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Vodou haitiano ==&lt;br /&gt;
O Vodou haitiano se trata de uma coleção de práticas religiosas diversas, mas que contém uma estrutura caracterizante comum, que ocorrem e que se formaram no Haiti. Em linhas gerais, o Vodou haitiano é uma religião tributária das espiritualidades africanas, principalmente dos povos do tronco-linguístico bantu, dos povos iorubás e dos falante de ''gbe'' (que habitavam, dentre outras regiões, o antigo Daomé) e também do cristianismo europeu, da religiosidade dos povos originários caribenhos e de correntes místicas e esotéricas européias, como a [[Maçonaria]]. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Apesar de exibir uma grande variação em suas práticas e crenças, de maneira mais geral, o Vodou se preocupa com a interação entre as pessoas, no mundo material, e os espíritos, no mundo espiritual ou invisível. Há a crença em um deus criador, chamado de ''Bondye'' e em diversas categorias de espíritos intermediários como ''Lwas'' e os ancestrais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Sem dúvidas, os ''Lwas'' são a categoria de espíritos mais popular no Vodou haitiano. Os ''Lwas'' são espíritos criados por ''Bondye'' ou ainda ancestrais divinizados (em alguns casos) aos quais a maioria das petições e cerimônias do Vodou são direcionadas.  No Vodou ''Asogwe'', modalidade de Vodou haitiano, popular no Sul do Haiti, os ''Lwas'' são divididos, usualmente, em dois grandes grupos: o grupo ''Rada'' se refere a espíritos mais calmos; e o grupo ''Petwo'', a espíritos mais agitados - se bem que tal classificação é bem generalista e há exceções. Há ainda um terceiro grupo de ''Lwas'' chamados de ''Gede'', que se referem a espíritos cujo o tema são a morte e a sexualidade e que incluem em suas fileiras, almas de pessoas falecidas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
No Norte, onde outros tipos de Vodou são praticados (como o Vodou ''Deka'') e também em alguns templo (''hounfour'' ou ''ounfó'') no Sul, considera-se que os ''Lwas'' são divididos no número mítico de 21 Nações (grupos de espíritos agrupados por herança étnica).&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
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		<updated>2023-06-29T18:34:18Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Eduardo Regis: Criou página com 'Vodou é um termo que denomina um conjunto de práticas afro-diaspóricas típicas da região caribenha. Sem dúvidas, o Vodou haitiano é a religiosidade mais debatida deste grupo, mas há também o Vodou Dominicano, Cubano e o Voodoo norte-americano. O Vodou das Américas não deve ser confundindo com o {{Vodum}} da região do Benim, África.'&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Vodou é um termo que denomina um conjunto de práticas afro-diaspóricas típicas da região caribenha. Sem dúvidas, o Vodou haitiano é a religiosidade mais debatida deste grupo, mas há também o Vodou Dominicano, Cubano e o Voodoo norte-americano. O Vodou das Américas não deve ser confundindo com o {{Vodum}} da região do Benim, África.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
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		<title>Usuário:Eduardo Regis</title>
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		<updated>2023-06-29T18:07:22Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Eduardo Regis: /* Biografia */&lt;/p&gt;
&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Biografia ==&lt;br /&gt;
[[Arquivo:Eduardo Regis.jpg|miniaturadaimagem]]&lt;br /&gt;
Eduardo Regis é ''ougan'' de Vodou haitiano, ''bàbálórìsà'' de culto tradicional Iorubá, umbandista e quimbandeiro. Ele é iniciado e tem participação destacada em ordens como a Ordo Templi Orientis Antiqua, Ordem Hermética da Aurora Dourada e na Ordem Martinista, entre outras. Além disso é autor de diversos artigos e livros tanto no Brasil quanto no exterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Livros ==&lt;br /&gt;
. A Sorte do Coveiro. Romance publicado pela Editora Daemon.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
. Vodou Haitiano: serviço aos Lwas. Editora Daemon.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
. Ensaios sobre o Vodou haitiano. Editora Daemon.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
. Treinamento Mágico. Editora Daemon.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
. Tumzantorum Vol.1. Zoshouse publisher.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
. Tumzantorum Vol. 2. Zoshouse publisher.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
. Tumzantorum Vol. 3. Zoshouse publisher.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;== Biografia ==&lt;br /&gt;
[[Arquivo:Eduardo Regis.jpg|miniaturadaimagem]]&lt;br /&gt;
Eduardo Regis é ''ougan'' de Vodou haitiano, ''bàbálórìsà'' de culto tradicional Iorubá, umbandista e quimbandeiro. Ele é iniciado e tem participação destacada em ordens como a Ordo Templi Orientis Antiqua, Ordem Hermética da Aurora Dourada e na Ordem Martinista entre outras. Além disso é autor de diversos artigos e livros tanto no Brasil quanto no exterior. &lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Livros ==&lt;br /&gt;
. A Sorte do Coveiro. Romance publicado pela Editora Daemon.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
. Vodou Haitiano: serviço aos Lwas. Editora Daemon.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
. Ensaios sobre o Vodou haitiano. Editora Daemon.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
. Treinamento Mágico. Editora Daemon.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
. Tumzantorum Vol.1. Zoshouse publisher.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
. Tumzantorum Vol. 2. Zoshouse publisher.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
. Tumzantorum Vol. 3. Zoshouse publisher.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
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&lt;hr /&gt;
&lt;div&gt;Eduardo Regis, 2022.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Eduardo Regis</name></author>
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