Ordália

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Ordália, Ordálio ou Sentença divina (do anglo-saxônico ordal = juízo) era um meio de comprovação em litígios particulares e públicos, praticado em quase todas as culturas, especialmente nas indogermânicas. Foi um meio de prova usada em processos penais em Portugal e na generalidade dos países europeus até o século XIII.

A Igreja Católica, condenou oficialmente esta prática no IV Concílio de Latrão (1215) e ainda pelas Decretais do Papa Gregório IX (1234).

A ordália consistia em que, na divergência de testemunhos, remetia-se a verdade para o juízo de Deus, ou seja, Deus não podia beneficiar o culpado contra o inocente.

Ordálios em Portugal

Em Portugal, os ordálios utilizados foram de dois tipos: o ferro em brasa e o duelo judicial. No primeiro caso, o juiz e um sacerdote aqueciam o ferro, que o acusado era obrigado a segurar. O juiz cobria-lhe a mão com cera, punha-lhe por cima linho ou estopa e enfaixava tudo com um pano. Decorridos três dias, o estado da mão era analisado e se houvesse chaga o réu era considerado culpado e imediatamente condenado. O duelo judicial a cavalo ou a pé, segundo a classe social dos intervenientes, durava três dias. Após esses dias, o vencido perdia o processo, se não houvesse vencido, perdia quem tinha pedido o desafio.

Thelema - Liber AL

Refere-se a passagem do Liber AL, capítulo III, versículo 42:

As ordálias tu mesmo supervisionarás, salvo apenas às cegas. Não recuses ninguém, mas tu saberás & destruirás os traidores. Eu sou Ra-Hoor-Khuit; e Eu sou poderoso para proteger meus servidores. Sucesso é tua prova: não argumentes; não convertas; não fales demais! Aqueles que buscam enganar-te, destruir-te, ataca sem pena ou trégua; & destrói-os totalmente. Ágil como uma serpente pisada se vira e ataca! Sê tu ainda mais fatal que ele! Arrasta para baixo suas almas a tormentos terríveis: ri do medo deles, cospe neles!

Astrum Argentum - A. A.

"Esses ordálios cegos, presumivelmente, referem-se a tais testes de aptidão, como os referidos à pouco. Nos mistérios antigos, era possível distinguir as ordálias formais. Um jovem entraria num templo para ser iniciado, e ele saberia bem que sua vida dependia de provar-se merecedor. Hoje o candidato sabe que as iniciações não são fatais, e que qualquer ordália proposta a ele , obviamente, aparecem apenas como pura formalidade. Na sala da Maçonaria por exemplo, ele pode jurar absolutamente disposto a manter o silêncio sob pena de ter sua garganta cortada, sua língua arrancada, e tudo mais e o juramento ser quebrado mais tarde.
Na A.·.A.·., que é a genuína Ordem Mágica, não existem juramentos extravagantes. O candidato aceita o compromisso por si só, e sua obrigação é apenas "obter um conhecimento científico da natureza e forças do meu próprio ser". Não há punições relacionadas a violação da obrigação, porém, como esta resolução está em contraste com os juramentos de outras ordens no tocante a simplicidade e naturalidade, assim também com relação as punições. O rompimento com a A.·.A.·., atualmente envolve os mais assustadores perigos para a vida, liberdade e razão. A menor negligência é encarado com a mais implacável justiça.
O que acontece é isso: quando um homem afirma cerimoniosamente sua ligação com a A.·.A.·. , ele adquire, toma contato, com todas as forças da ordem. Ele é capacitado, a partir desse momento, a fazer sua verdadeira vontade, da maior forma possível, sem interferência. Ele adentra uma esfera em que cada perturbação é, direta e instantaneamente, compensada. O indivíduo colhe a conseqüência de cada ação imediatamente. Isso é porque ele entrou no que posso chamar de mundo fluido, onde cada distúrbio é ajustado automática e instantaneamente.
Assim, normalmente, supõe-se um homem como Sir Robert Chiltern ("Um Marido Ideal") que age de forma corrupta. Seu pecado sempre o assombra, não diretamente, mas depois de muitos anos, de modo a não manifestar uma conexão lógica com seu ato.
Se Chiltern fosse um probacionista da A.·.A.·. seus atos seriam respondidos imediatamente. Ele vendeu um segredo oficial por dinheiro. Ele teria descoberto , dentro de poucos dias, que um de seus próprios segredos foi revelado, com desastrosas conseqüências pessoais.
Além disso, tendo iniciado uma corrente de deslealdade, por assim dizer, ele seria vítima de uma torrente da mesma até conseguir eliminar a possibilidade de vir a agir desse modo novamente. Seria prematuro classificar este aparente exagero de punições como injustas. Não seria suficiente para cumprir a regra de pagar um "olho por um olho".
Se você perdeu sua visão, você não tropeça em alguma coisa uma vez só, mas continuaria tropeçando de novo até recobrar o sentido perdido. As punições não são aplicadas deliberadamente pelos Chefes da Ordem, elas ocorrem respeitando o curso natural dos eventos. Eu não deveria me conter em dizer que esses eventos foram arranjados pelos Chefes Secretos. O método, se eu o compreendo corretamente, pode ser ilustrado por uma analogia: suponha que eu tivesse sido avisado por Eckenstein , a testar a firmeza das rochas antes de me apoiar nelas. Eu negligencio a instrução. É desnecessário a ele, percorrer o mundo todo e enfraquecer as rochas em meu caminho - elas estarão lá. E eu começo a escalar, e as falhas ocorrerão ou não, à medida que eu as encontrar. Da mesma maneira, se eu esquecer de alguma instrução mágica, ou cometer alguma falha de magia, minha própria fraqueza me punirá à medida que as circunstâncias determinarem o apropriado método.
Pode se dizer, que essa doutrina não seja uma questão de Magick, mas de bom senso. Verdade. Mas Magick é bom senso. Qual é a diferença então, entre o Magista e o profano? A diferença, é que o Magista determinou que a natureza será para ele, um modo fenomenal de expressar sua realidade espiritual. As circunstâncias, portanto, de sua vida, são uniformemente adaptadas à sua obra.
Outro exemplo: O mundo revela-se ao advogado de modo totalmente diferente do que o faz ao carpinteiro e, o mesmo evento, ocorrendo aos dois homens, sugerirá dois diferentes treinos de pensamento e conduzirá os dois, a diferentes resultados.
Meus erros de julgamento, devido a aniquilação de meu ego e a consequente falta de direção sentida por meu corpo e mente, produziram seu efeito imediato. Eu não compreendi a extensão do meu erro e até sua real causa, porém, senti-me forçado a voltar à minha própria órbita."


- Confessions of Aleister Crowley, páginas 659 a 661.