Mitologia Romana

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Como quase todos os povos da Antiguidade , os Romanos, antes da cristianização, eram politeístas. Tal como na Grécia, a vida familiar, social e cultural dos Romanos estava ligada à religião. Os lares (deuses da família), os Penates (deuses das refeições)e os Manes (almas dos antepassados) eram os deuses domésticos. Após a conquista da Grécia, os romanos assimilaram os deuses gregos dando-lhes nomes latinos. No período do Império, a religião tradicional passou a integrar ritos políticos e cívicos dos quais fazia parte o culto do Imperador. A família tradicional romana, unida á volta do seu chefe e do culto doméstico, passou gradualmente a ficar desagregada. Casamentos e divórcios, principalmente nas classes mais ricas, sucediam-se como meras formalidades. O culto aos deuses, e também ao imperador, fazia-se através de orações e sacrifícios que tinham lugar nos templos e nas aras (altares). Os templos passaram a ser muito frequentados , além de orações e sacrifícios realizavam-se inúmeras festas com banquetes e procissões. Tal como na Grécia, também haviam jogos públicos que em Roma eram dedicados a Júpiter . A ostentação e o prazer estavam sempre presentes nestas festas . As pessoas adoravam os seus deuses em dias santos e festivais, que eram em grande número. Nesta altura não havia semanas de sete dias com um dia santo de descanso ,excepto entre os judeus . Rezava-se em períodos de problemas ou doenças . Os sacerdotes (áugures e pontífices) e as sacerdotisas (vestais) eram os organizadores do culto aos deuses: os áugures interpretavam a vontade dos deuses; Os pontífices fixavam os ritos e o calendário dos "dias nefastos"; as Vestais mantinham acesa a chama sagrada no templo de Vesta. Os principais deuses: eram Júpiter (o equivalente em grego era Zeus)que era o pai dos deuses, Juno ( sua mulher),Marte, Vénus ,Diana e Baco . Mais à frente iremos ver a sua importância entre os romanos.

                          Deuses e Deusas 


Apolo (Apollo-onis)


Apolo de Belvedere, século IV a. c. , Museu do Vaticano


Uma das divindades da mitologia grega e romana . Era o deus do sol, do pensamento e da meditação. Por ser muito belo, a mitologia atribuiu-lhe aventuras amorosas. Era especialmente venerado em Delfos, onde pronunciava oráculos pela boca de Pítia ou Pitonisa.


Baco (Bacchus-i)


Baco - deus do vinho e dos vícios


Filho bastardo de Júpiter e de Sémele. Esta morreu incendiada, antes de ele nascer, quando Júpiter lhe mostrou todo o seu fulgor; o pai conseguiu salvar o filho, recolhendo-o na sua própria coxa, donde veio à luz. Nasceu em Tebas, na Grécia, mas o pai, para o esconder das vista de Juno, esposa de Júpiter, mandou-o para ser criado por ninfas num vale de delícias chamado Nisa. Ensinou os homens a fabricar vinho e é o inspirador dos excessos de êxtase e violência. Fazia-se acompanhar de um cortejo de Bacantes e usava como bastão uma vara enramada com folhas de parra, cachos de uvas e uma pinha na ponta: o "tirso" . Era também representado com hastes na cabeça. Conquistou a Índia e era adorado no Oriente.


Ceres (Ceres-eris)


Ceres – a deusa da agricultura


Deusa romana da fertilidade da terra, nomeadamente dos cereais . Era o equivalente a deusa grega Démeter. Era a deusa dos cereais, das searas ,do campo ,da agricultura .


Cupido (Cupido-inis)


Cupido - pormenor de Apolo e Dafne , Poussin


O deus romano do amor, considerado filho de Vênus. Era o equivalente ao deus grego Eros. Personificação do amor; tinha a pretensão de ser bonito, o que fazia dele uma personagem ridícula.


Diana (Diana-ae)


Diana - A deusa da caça


Diana é a deusa romana identificada com a Ártemis dos gregos. É a deusa da caça e irmã gémea de Apolo. Para os romanos Diana é principalmente a deusa da castidade e da luz da lua ,simbolizada pela meia-lua que enfeita os seus cabelos. A identificação com Ártemis foi dada bastante cedo, por volta do século VI a .c. por meio das colónias gregas da Itália meridional, em particular de Cumas. Ela era adorada por um povo ainda inculto. Talvez por isso tenha adoptado os traços de uma mulher indígena, e as suas lendas são claramente muito pobres, mas dão cor àqueles povos. Os santuários de Cápua, onde tinha o nome de Diana Tifatina, e de Arícia, perto de Roma nas margens do rio Nemi onde era chamada de Diana Nemorensis, (a Diana dos bosques) são os mais antigos santuários . A crueldade dos seus ritos devem-se a Diana de Nemi, que era Ártemis de Táuris, que foi levada para Itália por Orestes. O rei dos bosques Rex Nemorensis sacerdote de Diana de Nemi em certas circunstâncias podia ser morto, por quem pretendesse suceder-lhe . A deusa apreciava os sacrifícios humanos. Dizia-se que Ártemis (Diana), recolheu o filho de Teseu , Hipólito, depois da sua morte e ressurreição feita pelo médico, Asclépio. Levou para Itália e escondeu-o, com outro nome no santuário de Arícia, onde o fez seu ajudante. Em Cápua havia a lenda de uma corça consagrada a Diana, animal de espantosa longevidade, e o seu destino esteva ligado á conservação da cidade.


Fauno (Faunus-i)


Fauno dançando (estatueta romana de bronze , casa de Fauno , Pompeia ) - deus dos bosques


Divindade itálica que velava pela fertilidade dos campos e pela fecundidade dos rebanhos. Gostava de perseguir as ninfas . Em honra de Fauno (Pã para os gregos) celebravam-se em Roma as Lupercais . Fauno deu origem aos faunos, ou divindades menores que presidiam aos trabalhos rurais; tinham corpo de homem coberto de pêlos de bode e com patas e chifres do mesmo .


Flora (Flora-ae)


Flora á uma potência da natureza que faz florir as árvores e preside "a tudo que floresce". A lenda pretende que Flora foi introduzida em Roma (tal como Fides) por Tito Tácio, juntamente com as outra divindades sabina. Era honrada quer por populações itálicas não latinas como por latinas. Alguns populações tinham lhe consagrado um mês, Abril do calendário romano. Ovídio relaciona com o nome de Flora um mito helénico supondo que na realidade ela era uma ninfa grega denominada Clóris. Num dia de Primavera em que Flora errava pelos campos, o deus do vento, Zefiro, viu-_a, apaixonou-se por ela e raptou-a. Desposou-a em seguida, num casamento público. Zéfiro concedera Flora como recompensa e por amor o reina sobre as flores, não só sobre as dos jardins , também sobre as dos campos cultivados. O mel é considerado como um dos presentes que Flora deu aos homens, tal como as sementes das inumeráveis variedades de flores. Ao narrar esta lenda, de que é talvez o inventor, Ovídio refere explicitamente o rapto de Oríntia por Boreias. Este rapto é, sem dúvida ,o seu modelo, mas acrescenta-lhe um episódio singular ; é Flora quem está na origem do nascimento de Marte. Juno, irritada com o nascimento de Minerva ,saída espontaneamente da cabeça de Júpiter, quis conceber sem o auxílio de um elemento masculino. Dirigiu-se a Flora que lhe deu uma flor cujo simples contacto era suficiente para fecundar um mulher. Foi assim que Juno, sem se unir a Júpiter deu à luz o deus cujo nome é o do primeiro mês da Primavera ,Março. Celebravam-se em sua honra as floralia, caracterizadas por jogos em que participavam as cortesãs.


Fortuna (Fortuna, ae)

Deusa que distribui a felicidade e a desgraça . Mais de que Fors, a Fortuna foi respeitada na religião romana da época clássica. Era identificada com a Tique grega. Era representada com o corno da abundância, (porque é ela que "pilota" a vida dos homens) , umas vezes sentada outras de pé, quase sempre cega. Atribui-se a introdução do culto a Sérvio Túlio, o rei que ,mais do que qualquer outro, foi favorito de Fortuna. Contava-se até que a tinha amado, embora fosse apenas um mortal, e que costumava entrar em sua casa por uma janela pequena. Encontrava-se uma estátua de Sérvio no templo desta deusa. A deusa Fortuna era invocada sob muitos nomes distintos : Redux (para pedir o regresso de uma viagem), Publica, Huiusce Diei (a fortuna particular do dia seguinte),etc. Sob o império , cada imperador tinha a sua Fortuna.


Jano (Iano-i


Jano – um dos deuses mais antigos de Roma


Deus romano que tinha duas caras, simbolizando o conhecimento do passado e do futuro. Era o protetor de todo o assunto concreto e abstracto: das portas (Janue) das casas, do começo do dia, do mês, do ano, daí que o primeiro mês se chame Janeiro (januarius).


Juno (Iuno-onis)


Cabeça de Juno Farnese - a deusa da mulher


Era uma deusa romana e estava ligada à Hera grega. Era filha de Saturno e de Reia (rainha do céu, deus da luz) que toma a forma do ciclo da lua. Esta deusa era esposa do seu irmão Júpiter. Juno representa a mulher e as suas características, tais como o casamento, a gravidez e o parto, protegendo também as que ocupavam altos cargos administrativos e que não era casadas. Juno acaba por arcar todas as características da Juno Caprotina (deusa da fecundidade), da Juno Pronúbia (deusa do casamento) e da Juno Moneta ( boa conselheira). Era celebrada em sua honra a festa das Matronalia, no dia 1 de Março. Esta ocasião simboliza o papel da mulher na sociedade. Juno tinha a função de soberania e de representar a mulher no povo romano.


Júpiter (lupiter-Iouis)


O busto de Júpiter – o pai dos deuses

Deus supremo do panteão romano (seu equivalente em grego era Zeus), filho de Saturno e Reia, irmão e esposo de Juno; senhor dos deuses e do Universo, era o deus do céu, da luz, do tempo, do Universo, e do trovão. Protector supremo do estado , reinava em Roma no Capitólio, que lhe era consagrado.


Marte (Mars-tis)


Marte – o deus da guerra


Divindade romana, correspondente ao deus grego Ares. Da sua ligação ocasional com Reia, nasceram os gémeos Rómulo e Remo, fundadores de Roma. Era venerado como o deus da Primavera, daí o nome do mês de Março, sendo por isso o protector da natureza e da agricultura, bem como da guerra. Também foi o eterno apaixonado de Vénus.


Mercúrio( Mercurius-i)


Mercúrio – Giambologna (1529-1608), França - o deus do comércio e do lucro


Divindade romana, equivalente ao grego Hermes. Era filho de Júpiter e de Maia, nasceu em Cilene, monte de Arcádia. Os seus atributos incluem uma bolsa , umas sandálias e um capacete com asas ,uma varinha de condão e o caduceu. Rápido como o pensamento ,levava as mensagens de Júpiter. É o deus da eloquência , do comércio , dos viajantes e dos ladrões.


Minerva (Minerua-ae)


Minerva - deusa romana das artes e ofícios (Museu do Louvre, Paris)


Minerva é a deusa romana identificada com a Atena helénica, juntamente com Júpiter e Juno constitui a Tríade capitolina. Era a protectora de Roma, e principalmente a defensora dos artesãos e do trabalho manual e às vezes, também dos médicos. Tornou-se também símbolo do conhecimento e da sabedoria, devido a ser identificada com a Atena helénica. Eram-lhe consagrados, como a Atena, o macho, a coruja e a oliveira, é também apresentada com capacete e armadura. Esta deusa não pertence ás divindades mais antigas do panteão latino. Um dos seus mais antigos templos situava-se no monte Célio, a colina onde se dizia antigamente o incerto etrusco que vinha em ajuda de Romúlo , sob as ordens de Caele Vibenna se fixara. Esse templo tinha o nome de Minerva Capta (Minerva cativa). Talvez tivesse sido construído para hospedar uma Minerva tomada em Falérios, no desenrolar da conquista da cidade pelos romanos. A tradição referia Minerva com uma das divindades postas em Roma por Numa. Nos Ceuinquátrias, a 19 de Março celebrava-se a festa de Minerva. As escolas nesse dia faziam feriado. No Esquilino, havia uma capela dedicada a Minerva Curadora , onde foram encontrados documentos que provam que o culto permanecia vivo durante o império; não existe qualquer lenda especificamente romana ,onde Minerva intervenha.


Neptuno (Neptunus-i)


Neptuno - deus do mar - Vasco da Gama levado em triunfo no carro de Neptuno , pintura de Carlos Reis (museu militar, Lisboa).

Equivalente ao grego Posídon, é o deus romano das águas e dos mares . É filho de Saturno (tempo) e de Reia , irmão de Júpiter e Plutão. Habita um palácio de ouro no fundo do mar. Tem por esposa Salácia, assimiladas ás gregas Anfitrite e Tétis. Representam-no os antigos com um tridente na mão, sobre um coche puxado por cavalos-marinhos; é o deus do mar.


Ninfas (nympha-ae)


Camões e as ninfas, pintura de Columbano (museu militar , Lisboa)


Divindades da natureza. As ninfas personificam as forças da natureza, as montanhas, as planícies, as árvores, as fontes e os rios. De acordo com os lugares que habitavam tinham designações próprias: nas águas imperavam as Naiades, as Nereidas e as Oceânides; nas montanhas e grutas as Oréadas, etc. representadas como donzelas seminuas, o seu culto era dos mais difundidos entre os gregos e romanos.


Palas (Pallas-adis)


Nasceu da cabeça de Júpiter e vinha armada cabeça aos pés. É uma deusa guerreira. È representada por uma coruja e uma oliveira.


Pandora (Pandora-ae)


Eva , a primeira Pandora, quadro de Jean Cousin (museu do Louvre, Paris)


Pandora é referida num mito hesíodo como sendo a primeira mulher. Foi criada por Hefesto e por Atena devido a uma ordem de Zeus. Cada deus atribuir-lhe um dom, menos Hermes, que lhe atribuiu a mentira e a astúcia. O objectivo era criar o ser humano mais perfeito à face da Terra. Epimeteu, seduzido por Pandora, pede-a em casamento, e esta aceita, embora tivesse sido aconselhada de recusar qualquer presente dos deuses. Na casa onde foi viver ,existia uma jarra fechada, na qual era-lhe proibido tocar. Pandora não resistiu e abriu a jarra e de lá saíram todos os males humanos e espalharam-se por toda a Terra. Quando ela fechou a jarra, só a esperança ficou lá dentro. Além desta versão, ainda há outra que nos diz que na jarra estavam fechados todos os bens humanos e quando aberta, estes perderam-se . Assim Pandora fica responsável por todas as desgraça.


Parcas ( Parcas-ae)


Parcas- Paul Sérusier, A Parca Cloto Força Negra, início do século XX


As parcas eram divindades que representavam o poder do destino na religião romana. Eram chamada por antífrase "aquelas que poupam" precisamente porque não poupam ninguém. Têm as mesmas características que as Moiras cegas. São conhecidas como demónios , nelas são distinguidas as três irmãs fiandeiras , que tecem a vida dos homens sem piedade. A primeira representa o nascimento, a segunda representa o casamento e a terceira a morte. No Fórum e nos guias turísticos encontram-se as três estátuas designadas por "Tria Fata", "Os três destinos" ou "três fadas". Por estarem ligadas à morte pertencem assim, a todos os tempos, por isso encontramo-las representadas em todas as épocas: Saltati, "As três Parcas", século XVI; Rubbens, "As Parcas fiando o destino da Maria de Médicis", século XVIII . Em escultura, grupo em mármore de Gremain Pilon, ca .1560, museu de Cluny.


Plutão (Pluto-onis)


Plutão - Deus dos infernos


Na mitologia grega era denominação ritual e eufemística de Hades. Rei dos infernos e deus dos mortos o termo Plutão deriva de Pluto (riqueza), em razão de a terra ser a fonte as riquezas e o subsolo o guarda dos metais preciosos.


Pomona (Pomona-ae)


Deusa dos pomares e dos frutos; O Outono.


Prosérpina (Proserpina-ae)


O rapto de Prosérpina ( escultura em mármore de Bernin, século XVIII, Roma, Galerie Borghése) - a deusa dos Infernos.


Prosérpina, é a deusa dos infernos em Roma, o que combina com o seu caracter infernal. Primeiramente foi, uma deusa agrária que defendia a germinação das plantas. O seu culto foi oficialmente implantado juntamente com o de Dis Pater, em 249 a . c. . Em sua honra celebram-se os jogos "Jogos Tarentinos". "Jogos Tarentinos" é este o nome não porque tenha qualquer relação com a cidade de Tarento, mas sim a partir do nome de um local situado no campo de Marte chamado por Tarentum.


Psique (Psyche-es)


O brilho da lâmpada proibida revelou a Psique a verdadeira natureza do seu marido. Ele não era um simples mortal, era o próprio deus do amor.


Psique simboliza a "alma" em grego. Esta deusa simboliza o destino da alma humana, dividida entre o amor terrestre e o amor divino.

Num belo dia de outono na Grécia, as pessoas deixaram de prestar culto regular a deusa da divina beleza Afrodite. Abandonaram seu santuário para admirar a extraordinária formosura de uma simples mortal: Psiquê (alma). Menosprezada pelos homens, que preferiam homenagear uma beldade humana, Afrodite teve um acesso de raiva. E para vingar-se, pede a seu filho Eros (amor) que use suas flechas encantadas e faça Psiquê apaixonar-se pela criatura mais desprezível do mundo. Eros parte para cumprir sua missão. Mas a beleza de Psiquê era tão grande, que ao vê-la, Eros distrai-se e fere-se com uma de suas próprias flechas. Vítima do encantamento em que enredava deuses e mortais, o deus feriu-se de amor. Apaixonado, nada disse à sua mãe; apenas limita-se a convencê-la de que finalmente estava livre da rival. Ao mesmo tempo que oculta seu sentimento, torna Psiquê inatingível aos mortais terrenos. Embora todos os homens a admirem, nenhum por ela se apaixona, e apesar de infinitamente menos belas, suas irmãs logo se casam com reis. Psiquê, amada por Eros sem que o saiba, a ninguém ama. E porque é uma beleza humana cobiçada por um deus, permanece só. A solidão de Psiquê preocupou tanto seus pais, que foram então consultar o oráculo de Apolo, afim de buscar auxílio. Entretanto Eros já havia tornado Apolo seu aliado em sua conquista amorosa. Assim para ajudar Eros, Apolo ordenou aos pais da princesa que a vestisse em trajes nupciais, que do alto de determinada colina uma serpente alada e medonha, mais forte que os próprios deuses, iria torná-la mulher. Embora a revelação do oráculo fosse terrível, o rei e a rainha nada mais poderiam fazer senão cumprir o que fora determinado. Deixaram-na sozinha na colina, aguardando corajosamente seu triste destino. Mas a espera é tão longa que Psiquê logo adormece. E até ela chega a suave brisa de Zéfiro, que a transporta para uma planície coberta de flores. Perto correm as águas claras de um regato e mais adiante ergue-se um magnífico castelo. Ao despertar, Psiquê ouve uma voz que a convida a entrar no castelo, banhar-se e depois jantar. No interior do castelo, não encontra ninguém, mas sente-se como se estivesse sendo observada. E no jantar doce música a envolve, mas continua só. No íntimo, porém, pressente que, à noite, chegará o esposo que lhe fora prometido, a terrível serpente alada. Realmente, ao anoitecer, chega até ela Eros, protegido pela escuridão. Psiquê não pode ver-lhe o rosto; mas não sente medo, porque seu temor é banido pelas palavras apaixonadas e pelas ardentes carícias do deus. Durante algum tempo Psiquê entregou-se ao amante velado e mesmo sem ver sua face , dedicava-lhe intenso amor. Numa de suas visitas noturnas, Eros lhe faz uma advertência: que se precavesse contra uma desgraça que lhe poderia advir por intermédio das irmãs, que pranteavam-na onde fora deixada e do mesmo modo acrescentou, para evitar a desgraça, não deveria ela jamais tentar ver o rosto do amado. A princesa embora prometesse ambas as coisas, deixou-se arrastar pela tristeza e pela saudade. E tanto chorou e pediu, que Eros consentiu na visita das jovens. Todavia, esclareceu: reaproximando-se delas, Psiquê estava reatando laços terrenos e constituindo seu próprio sofrimento. Depois, mais uma vez, fê-la prometer o que era de tudo o mais importante: jamais tentaria ver-lhe o rosto. No dia seguinte, Zéfiro levou as irmãs de Psiquê ao palácio. De início foram só as alegrias do reencontro. Às perguntas das jovens sobre o marido, porém, a princesa respondeu com evasivas. Aos poucos, o sentimento das irmãs em relação a Psiquê foi mudando. Antes choravam supondo-a infeliz; depois, partiram invejosas de sua felicidade. E resolveram vingar-se. Retornando ao castelo por permissão de Eros, dessa vez movidas pela inveja, elas ardilosamente fizeram com que a desconfiança surgisse no coração de Psiquê. Percebendo por suas contradições que ela não sabia realmente quem era seu marido, como então poderia estar segura de que não era o monstro descrito pelo oráculo de Apolo? E, se era realmente belo o jovem, por que se ocultava nas sombras da noite? Invadida pela dúvida e temor, Psiquê acabou aceitando o conselho maldosamente planejado pelas irmãs: deveria preparar uma lâmpada e uma faca afiada: com a primeira, explicaram as moças, poderia ver o rosto do esposo; com a segunda, matá-lo se fosse o monstro. À noite, retorna Eros, ardente e apaixonado como sempre. Enquanto se entrega ao amor, Psiquê esquece o próprio medo e a dúvida, mas depois, quando Eros adormece, a incerteza volta a invadir-lhe o coração. Silenciosa, apanha a lâmpada e ilumina o rosto do esposo. E detém-se deslumbrada: não é um monstro, pelo contrário, é o mais belo ser que jamais poderia ter existido. Arrependida e em êxtase, derruba sem querer uma gota do óleo quente da lâmpada no ombro do amado. Ele desperta, sobressaltado, e percebe o acontecido. Com profunda tristeza, Eros vai embora. E tentando alcançá-lo Psiquê apenas ouve-lhe ao longe na escuridão: "O amor não pode viver com desconfiança." Eros volta para junto da mãe, pedindo-lhe que cure seu ferimento no ombro. Mas ao contar o que ocorreu, Afrodite percebe que foi enganada e passa a alimentar apenas um pensamento: encontrar a rival e vingar- se. Abandonada e em desespero, Psiquê põe-se a percorrer o mundo em busca do amor perdido e de templo em templo pede ajuda dos deuses. Sem conseguir auxílio, Psiquê vai à presença da própria Afrodite, na esperança de encontrar com ela seu amado Eros. Mas junto à deusa, encontrou apenas zombaria, e a imposição de uma série de provas humilhantes. A primeira tarefa consistia em separar, até a noite, imensa quantidade de grãos miúdos de diversas espécies. Parecia ser impossível cumpri-la no prazo estabelecido. Mas tão grande era o sofrimento de Psiquê, e tão angustiado seu pranto, que despertou a compaixão de formigas que passavam no local. Elas rapidamente separaram os grãos por espécies, juntando-os em vários montículos. A primeira tarefa estava cumprida, o que deixou Afrodite ainda mais irritada. Ordenou-lhe que dormisse doravante no chão, alimentando-se apenas de alguns pães secos. Esperava assim acabar com a beleza que lhe arruinara os cultos. A segunda tarefa veio no dia seguinte: deveria ir a um vale cortado por um regato e lá tosquiar os terríveis carneiros do sol que pastavam. A lã desses carneiros era de ouro, e um pouco dela a caprichosa Afrodite desejava para si. Quando já estava exausta de tanto andar e a ponto de suicidar-se, nesse instante de hesitação entre a procura e a morte, Psiquê ouviu uma voz vinda dos caniços à beira do regato: "Não era necessário enfrentar os terríveis carneiros para tentar tosquiá-los, disse a voz; bastava esperar que eles saíssem das touceiras de arbustos espinhosos, quando fosse beber água: nos espinhos ficariam presos alguns fios de lã que poderiam ser facilmente apanhados." Não satisfeita por mais uma tarefa cumprida, Afrodite incumbiu-a de uma terceira tarefa e ainda mais complicada: teria de subir a cascata que provinha da nascente do rio Estige e trazer à deusa um frasco contendo um pouco daquela água escura. As pedras que davam acesso à cascata eram íngremes e escorregadias, e a queda da água era extremamente violenta. Impossível satisfazer a exigência de Afrodite. Só se pudesse voar Psiquê realizaria a tarefa. Estava já disposta a desistir, quando surgiu uma águia, que lhe tirou o frasco da mão, voou até a fonte e apanhou uma porção do líquido negro. A água do Estige, porém, não saciou em Afrodite a sede de vingança. Psiquê deveria ainda executar uma Quarta e difícil tarefa: ir ao Hades, persuadir Perséfone a colocar numa caixa um pouco de sua beleza. Como pretexto, diria à rainha dos Infernos que Afrodite precisava dessa beleza para recuperar-se das longas vigílias à cabeceira do filho doente. Psiquê partiu, procurando o caminho dos Infernos. Já havia andado muito e sentia-se perdida, quando uma torre , apiedada de sua aflição, ofereceu-se para ajudá-la. Minuciosamente descreveu-lhe todo o itinerário que levava ao reino de Perséfone, mas lhe fez um alerta: "você encontrará pessoas patéticas que lhe pedirão ajuda, e por três vezes terá que escurecer seu coração à compaixão, ignorar seus apelos e continuar. Se não o fizer, permanecerá para sempre no mundo das trevas. Psiquê fez tudo o que lhe indicou a torre, e assim conseguiu chegar à presença de Perséfone. Solícita, a rainha dos mortos atendeu ao pedido da jovem e entregou- lhe a caixa solicitada por Afrodite. Sendo instruída quanto ao caminho de volta, o retorno ficara mais fácil para Psiquê, mas estava longe ainda a hora de recuperar o amor. A próxima prova por que passaria Psiquê não lhe foi imposta pelo ciúme de Afrodite, mas por sua própria vaidade. Temendo que tantas atribulações a tivessem tornado feia, não queria perder o amor de Eros. A tentação foi grande. E Psiquê não resistiu: no meio do caminho, abriu a caixa. Para sua surpresa nada encontrou. Mas tamanho sono a tomou, que ali mesmo caiu, adormecida, como se estivesse banhada pela beleza da morte. Enquanto dormia, Eros, curado de sua ferida, abandonava a mansão materna em busca da amada. Vagou por toda a parte, até que finalmente a encontrou deitada ao relento. Aprisionou o sono que pesadamente lhe cerrava os olhos e recolocou-o na caixa. Em seguida despertou-a docilmente com a ponta de uma de suas flechas. Com grande meiguice chamou sua atenção pela curiosidade que a fizera abrir a caixa. Depois mandou-a entregar a encomenda a Afrodite, como se nada tivesse acontecido. Terminadas as provações de Psiquê, que recuperara o amor. Para que nada mais acontecesse à amada, Eros dirigiu-se ao Olimpo para pedir a Zeus que o unisse em casamento à bela jovem. Mas para atendê-lo era necessário que a princesa recebesse o dom da imortalidade. Hermes foi buscar Psiquê e levou-a à presença dos deuses. O próprio Zeus deu-lhe de beber a ambrosia, que lhe conferiu a imortalidade. Depois declarou-a oficialmente esposa de Eros. Impotente tornara-se o ciúme de Afrodite. Psiquê agora era imortal e estava unida para sempre a Eros. Nada mais podia separá-los. Dessa união nasceu Volúpia.


Vénus (Venus-eris)


Vénus e os Cupidos, 1925, Salvador Dalí Vénus- a deusa mulher


É a antiga deusa romana dos jardins e da vegetação, foi identificada com Afrodite grega. Na sua qualidade de mãe do herói Eneias, o fundador mítico do povo romano, foi considerada a antepassada Gens Tulia e a protectora da cidade de Roma. Vénus possuía um santuário perto de Ardea, construído antes da fundação de Roma.


Vesta (Vesta-ae)


Vesta- A deusa do fogo


Vesta é a deusa romana do fogo doméstico identificada com a Héstia dos gregos. Ela é a deusa do fogo que brilha no lar, considerado o centro da casa. Era aí que se dava, primitivamente, os sacrifícios dos deuses protectores. O seu culto estava dependente do grande Pontíficie, assistido pelas Vestais , sobre as quais exercia uma autoridade paternal. O carácter arcaico de Vesta é confirmado pelo facto de o animal que era crucificado ser o burro. Em meados de junho, nos dias das Vestalia, os burros jovens não trabalhavam, eram-lhe postas coroas de flores. Como explicação para esta singularidade ,foi inventada na lenda que mostrava a deusa, inocente entre todas protegida pelo burro contra uma tentativa amorosa de Priapo. Esta lenda é completamente artificial.


Vulcano (Vulcanus-i)


Vulcano- deus do fogo


Deus romano do fogo e da forja . Corresponde a Hefesto, o deus grego do fogo e dos fenómenos de vulcanismo. As suas festas, as vulcanais, celebradas em 23 de Agosto, eram em Roma muitos antigas e populares.


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